segunda-feira, janeiro 17, 2022

A Justiça em 2014 mudou. Para melhor.

 Pode dizer-se que o ano de 2014 foi de viragem para a Justiça em Portugal. A detenção de Ricardo Salgado (que poderia ter ficado preso) e a prisão preventiva de José Sócrates abalaram o sistema político-mediático conformado ao mesmo. 


Ficou então a saber-se coisas de que se desconfiava há muito e que nem por isso deixavam de ser espantosas.

Em 31 de Julho de 2014, na Sábado aparecia a primeira notícia acerca da investigação do MºPº a José Sócrates, depois do Fripó. Tinha a ver com assuntos de corrupção pura e simples e com branqueamento de capitais: 


No Sol de 10.10. 2014 dava-se conta que o sistema político-judicial-administrativo impedia de facto a limpeza no banco BES, tendo perturbado o sistema bancário e conduzido mais depressa a uma bancarrota, como aconteceu.


Em 2 de Outubro de 2014 o i noticiava que Ricardo Salgado dissera aos familiares que tinha sido corrompido e corrompera alguém que não identificou claramente, no seio da classe política, no caso dos submarinos. Até hoje, não se sabe quem foi mas as desconfianças andam por aí, pessoalizadas em alguém que agora quer passar entre os pingos da chuva e aparece todos os domingos a perorar na tv. Safou-se mas não está safo. 




O caso BES/GES foi explicado liminar e claramente num artigo do i de 9 de Outubro de 2014. Está tudo aqui, no meu entender e nem é preciso ir buscar teoria de conspiração alguma ou tentar compreender como VPV o tentou numa pequena crónica. Quando surgiram as dificuldades graves o líder do banco tentou protegê-lo do perigo externo e de se saber como tinha aldrabado a contabilidade para esconder prejuízos avultadíssimos. Ainda tentou capturar compromissos de governantes ( Passos Coelho) e influentes externos ( Durão Barroso) para lhe emprestarem os milhões salvíficos e salvar a face, sem sucesso. No descalabro envolveu Sócrates, a PT e o BCP, destruindo-o. De caminho impediu a SONAE de obter a PT e afundou indirectamente o país numa bancarrota. Tudo claro como água, sendo por isso o maior criminoso deste século em Portugal. Devia estar preso, claramente, mas é muito duvidoso que o venha a ser porque a nossa lei penal não comporta artigos suficientes para este tipo de crimes entendidos como "políticos".  Afinal o "atentado ao Estado de Direito" era "norma adormecida" e assim ficou nesse sono eterno por obra e graça de dois juízes (!!!). Pinto Monteiro e Noronha Nascimento, ambos do Supremo (!!!):


 



Estes três assuntos- o caso Sócrates e o caso BES/GES- a que se juntava o dos Vistos Gold e outros menores como o da Octapharma, continham em si virtualidade de arrebentar com o sistema político porque envolviam todos os partidos do "arco da governação" e até fora dele e incluíam os mesmos de sempre, corruptos moral e juridicamente, a maior parte deles.  
Como somos povo de brandos costumes não arrebentou com coisa nenhuma a não ser com a reputação de dois ou três figurões envolvidos directamente, ficando os demais à sombra das responsabilidades, em certos casos directas, como é a situação de certos governadores do Banco de Portugal certos administradores bancários e alguns advogados.  Alguns suaram as estopinhas no Parlamento durante algumas horas e foi a pena que tiveram. Nem sequer deu para lhes desbotarem o cabelo pintado e ridículo.
Não obstante a "grande conspiração" foi devida e mediaticamente denunciada, em 2017:




Em 26 de Junho de 2014 ainda tudo parecia um mar dos rosas reunidos à volta da mesa comum. A foto é da Tabu dessa data: 



A par destes processos havia um outro vindo lá de trás e que aliás destapou a caixa de pandora que era grande motivo de preocupação para muita gente, incluindo da magistratura de topo: o caso Monte Branco em que o Zé das Medalhas recebia pela porta do cavalo de frente para a rua personalidades insuspeitas e que nomeou...






Por causa disto tudo,  o preso 44 de Elvas mostrava-se muito preocupado com o devir dos acontecimentos e o DN dava-lhe a tribuna em 4 de Dezembro:  


O problema eram os "guardas", particularmente um que conhecia bem todos aqueles assuntos, de ginjeira e já fora alvo de intimidações avulsas noutro caso, como relata o CM de 31 de Março de 2012: 



Foi então que começaram as preocupações com o "dever de reserva" muito caro aos belos morgados deste país de medíocres e tartufos: 




E em 19.11.2014:


Estes episódios não podiam deixar de causar mossa em entalados excelentíssimos e por isso sucediam-se os recados mediáticos, como este, implícito na notícia que dava conta da interferência dos serviços secretos destinados a vigiar ameaças externas em assuntos de foro interno e ligado a certos sectores. 
Tal circunstância aliada a notícias que foram veiculadas alguns anos antes, no tempo do Fripó, por incentivo público do próprio PGR, Pinto Monteiro, deixava a suspeita que o SIS passou a vigiar quem não devia, internamente e por causa espúria aos seus deveres. 
Foi nessa altura que foram colocados a dirigir tal entidade magistrados que nunca deveriam ter ocupado tais lugares, particularmente um certo Antero Luís, juiz de direito, depois desembargador e que se incompatibilizou pessoalmente com o juiz Carlos Alexandre. É uma petite histoire mas tem a sua importância neste contexto.
Os serviços secretos deixaram de merecer confiança institucional a partir desta altura e da sua excessiva politização partidária ( em prol do PS de sempre).  

DN de 28.11.2014, com a pergunta fatal suscitando o problema magno que só foi resolvido no passado dia 4 de Janeiro: 

O "guarda" andava a fazer demasiados estragos...



E havia demasiados entalados com certas revelações...



Assim, foi aberta uma frente de guerra contra o "guarda", sendo capitaneada por um advogado de sempre e de futuro garantido pelo sistema do qual é um dos principais guardiães ( et pour cause...)







Evidentemente que este advogado, aparentado à classe dos génios da nossa cantareira tem alguns interesses a defender:




O ataque à honra de um juiz iniciado por essas pessoas procuradoras de entalados, teve até a participação directa de Mário Soares, indivíduo habituado a escapar destas entaladelas e que se julgava o pai da democracia: 



Soares escapara ao caso Melancia porque os tempos eram outros e não havia magistrados como Carlos Alexandre. Daí o mesmo sentir o desaforo que constituía prender um amigo político. Então não havia mesmo magistrados desses, mas havia outros, amigos para as ocasiões, infelizmente, como se contava no i de 28.3.2013. 


O jornais que "absolveram" Soares, deram então espavento ao "superjuiz" esperando secretamente que fosse trucidado na voragem mediática: 




O problema é que o indivíduo não é o  vaidoso típico e susceptível de ser afectado por isso, como outros que se queimaram nessa fogueira. 
Assim, foi no âmbito dos processos que o tentaram queimar, tentativas que duram até hoje:




O ataque ainda dura e há-de durar até ao fim da guerra. Para já algumas batalhas foram ganhas, à custa de trapaças legalmente admissíveis e a chicana habitual nos processos, especialidade da advocacia que temos e dos códigos que tal lhe permitem. 

Assim, em 12.10.2017 um dos jornais afectos à defesa dos entalados excelentíssimos, o Diário de Notícias, para quem a justiça é apenas um jogo, dava uma notícia improvável: 


Julgamento em 2019?! Pois sim. Com o juiz que ficou com o caso, Ivo Rosa, foi o que se viu e o CSM consentiu. 
Quanto a Carlos Alexandre, há-de ser vilipendiado, humilhado mediaticamente, perseguido na sombra e prejudicado sempre que lhe apanharem um cisco nos olhos ou lhe apanharem uma nesga de desvio à norma e que lhe possam atirar ao currículo, arrimando-lhe com o estatuto da função pública que tudo permite nesses casos singulares e os donos do CSM sabem manejar como poucos. 

Os últimos acontecimentos no TCIC e no CSM mostram como vai ser. Em vez de lhe darem uma merecida medalha no 10 de Junho ( não estou a brincar), desprezam-no intimamente e admiram-no ainda mais profundamente, porque sabem no seu íntimo que não merecem a honra do indivíduo e não têm uma ínfima categoria pessoal e profissional que é própria do mesmo. Nunca terão e é isso que lhe invejam os que não conseguem pensar pelas cabeças próprias, carecendo sempre de respaldo de outros, particularmente o que julgam ser o sistema. E dizem-se juízes!

É assim a vida e a vidinha...

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