sexta-feira, março 11, 2022

A informação política condicionada

 No Outono de 1973 quando estalou a guerra no golfo, chamada do Yom Kipour e que durou três semanas, tal como agora não havia grande informação nacional. Foi então que comecei a comprar revistas francesas que espreitavam nos escaparates e prometiam melhor informação.

A primeira que comprei foi esta por causa da foto da capa, espectacular e apelativa.


O editorial também era interessante e mencionava Konrad Lorenz e os seus estudos sobre a agressividade animal com reflexo na guerra religiosa. Muito complexo para então entender e muito mais difícil de descodificar porque ainda não sabia que a revista era pró-judaica e por isso a informação continha tal enviesamento. Para mim, nessa altura, era apenas um meio de informação de qualidade e credível, como não tínhamos por cá. Aliás, o jornal Diário Popular até tinha um acordo de publicação e provavelmente publicou então uma caricatura da autoria de Tim que devo ter descoberto aí.





Ao folhear no quiosque também notei outra revista com interesse. Esta, da mesma semana e cujo artigo que mais me interessava nem era sobre a guerra de então mas de uma outra ocorrida cerca de trinta anos antes: 


Esta imagem supra é que se refere a 15 de Outubro de 1973. A seguinte é de duas semanas depois e trata já da "crise energética" que se seguiu e que tem algumas semelhanças com a actualidade:






Esta semana foi publicada a edição dessa revista e que tem este conteúdo para explicar a evolução da guerra actual na Ucrânia.
Tal como em 1973 a orientação é ligeiramente de esquerda e pró-judaica. Já vi escrito há muitos anos que esta revista era uma das principais fontes de informação de Mário Soares, nos anos setenta:






Tanto no caso da guerra do Yom Kipour como agora a perspectiva e opinião dos articulistas deve ser coada pelo filtro de um entendimento necessariamente mais abrangente se quisermos perceber o quadro global. 
Porém, visto isso, colocar-se-á sempre a questão: de que lado estamos ou deveremos estar? É essa a questão, antes e hoje. 

Antes, em 1973 não tinha ainda consciência plena disso mesmo e lia aquelas revistas como se fossem as fontes primárias e correctas da informação. Hoje sei que não é assim nem deve ser. 
Porém, feito esse desconto volta tudo ao mesmo e perante os factos e acontecimentos é necessário saber onde estamos: na Europa ocidental, num país com séculos de história e que tem como antepassados os povos que por cá passaram. Incluindo os árabes e os bárbaros do Norte. E os judeus. E quanto melhor soubermos como foi melhor saberemos como deve ser.

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