quinta-feira, agosto 25, 2022

A Sábado socorre-se novamente de Salazar...

 A capa da Sábado desta semana ( e com a Felgueirinhas ainda a dirigir) é a receita habitual para tentar vender mais uns números, porventura para fugir à miséria que vende. 


Depois de gastar capas e capas com os aspectos mais bizarros que procuram encontrar na vida de Salazar, sempre com o leit-motiv do costume, o de denegrir o "ditador", desta vez encontraram a associação ao nazismo para fazer capa de venda. 

A explicação do trabalho de 10 páginas de um tal Marco Alves é dada pelo director-executivo da revista, assim:


A intenção é explícita: mostrar os negócios do "ditador" com os nazis e para tal o tal jornalista "entrevistou diversos historiadores" ( na verdade os de sempre, inimigos de Salazar e com opinião recalcitrantemente negativa sobre o mesmo) que se identificam como João Medina, António Costa Pinto e com citações avulsas dos mesmos de sempre, como Fernando Rosas , essa autoridade magna em antifassismo que escreveu tese sobre o assunto, ou um tal António Telo profusamente citado por causa de um livro e de um Relatório de 1998, mandado fazer pelo governo socialista da época. 

O tal autor do artigo segundo o director-executivo, para este trabalho de fôlego com 10 páginas,  "leu 19 livros sobre a vida de António Oliveira Salazar". Até a biografia de Franco Nogueira leu, veja-se lá! 

E que escreve o tal jornalista de essencial? Lendo a primeira página adivinha-se logo o resto:


São os "negócios do Estado Novo" e que por antonomásia se transformam nos "negócios do ditador". Esta primeira página dá uma amostra do ambiente da época, em Portugal: havia quem defendesse os Aliados e quem pugnasse pelo Reich, ou seja, pelos nazis, o que na época não era considerado assim, com a carga pejorativa que entretanto adquiriu, por força de historiadores daquele calibre. 

Portanto, havia liberdade de discussão de tais matérias e numa terra de ditadura fascista! Portanto, a última frase daquela página esclarece: "Durante os seis anos da II Guerra Mundial, Portugal foi o epicentro europeu destas pequenas e grandes histórias de propaganda, que inexoravelmente se misturavam com pequenos e grandes negócios da sociedade e do regime". 

E então? Vai daí, toca a pôr o acento tónico no Portugal com simpatias nazis...apesar de citar o próprio Salazar a dizer que não faria da guerra um negócio. Apesar disso conta as histórias das conservas de Setúbal, com um fait-divers que nada acrescenta ao assunto, indo buscar um episódio de 1938, portanto antes da guerra para ilustrar "os negócios de Salazar com os nazis". 

Não obstante, este historiador circunstancial refere que "O tema das exportações de conservas foi tão importante que Salazar o referiu várias vezes no seu diário, incluindo negociações com a Alemanha, mas também com os ingleses e os americanos". Enfim, depois disto continuar a massacrar o tema é já má-fé. E até refere mais à frente: "Salazar, como foi seu hábito na economia de guerra, também aqui negociou com os dois lados". Como se isso fosse pecado mortal na altura! 

Para se ver melhor a mistela que este artigo comporta bastam as últimas páginas:




No artigo cita-se ainda uma capa de 1938, da revista Século Ilustrado para dizer que Salazar fez a saudação romana dos fascistas italianos, com o propósito óbvio de ampliar o efeito e justificar todos os epítetos sobre o fassismo e o seu ditador. 
Porém, se o Século Ilustrado da época serve para ilustrar algo, tal pode muito bem ser o tempo de guerra, como era visto por cá. 

Em 23 de Setembro de 1939, logo no início da II Guerra, a invasão da Polónia foi assim notificada:


E mostravam já imagens da "Inglaterra em armas!" e "Imagens da guerra", com franceses, ingleses e alemães ao barulho. 


Durante todo o tempo de guerra foi sempre assim, nas imagens mostradas, com uma neutralidade que nem agora, nesta guerra da Ucrânia existe nos media. E isso no Século Ilustrado que não era propriamente o Diário da Manhã, vilipendiado no artigo por ser "publicação germanófila". 

Em 22 de Fevereiro de 1941:


Em 22 Março de 1941:


A par das notícias sobre a Inglaterra na guerra, também apareciam notícias destas sobre os alemães que não são apresentados como "nazis" com a conotação actual, mas simplesmente alemães do Reich.




Século Ilustrado 16 de Agosto 1941:





S.I. 21.2.1942, aquando do encontro de Salazar com Franco, em Sevilha:


E em 8.1.1944:



Em nenhuma destas imagens ou sequer nas reportagens da época aparece a palavra "nazi" associada aos alemães em guerra. 
O que significa tal coisa? É caso para os Marcos Alves investigarem, lendo mais uns livros e tentando perceber porquê. 
Desconfio no entanto que nunca entenderão...tal como não entendem o que se passou em Portugal no "Estado Novo", porque foram formatados para não entender. 
Para além daqueles historiadores da treta de sempre, poderia também mencionar quem escreveu sobre Salazar doutro ponto de vista, no caso Marcello Caetano. 

No seu livro Minhas Memórias de Salazar de 1977 ( esgotado e só passível de ser encontrado em alfarrabistas) escrevia assim Marcello Caetano sobre esse tempo e o que se seguiu:






Qual a importância disso? Simples: a verdade não mora no que escrevem. Mora outra coisa. A parcialidade não é o retrato da verdade completa, mas apenas da verdade vista por uma facção. No caso da esquerda, comunista, ainda por cima. A que crismou as palavras que usam para descrever e narrar os acontecimentos, sem sequer se darem conta do logro. 

Sem comentários:

O MºPº segundo Cunha Rodrigues