terça-feira, dezembro 20, 2016

Os inquéritos preventivos

Observador:

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) decidiu esta terça-feira, em sessão plenária, “arquivar o inquérito relativo às declarações proferidas pelo juiz Carlos Alexandre, na entrevista concedida em 8 de Setembro de 2016 à estação televisiva SIC”.
O CSM, contudo, não deixa de censurar o magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal ao afirmar no seu comunicado que as declarações de Carlos Alexandre foram “pouco felizes”. Embora, as mesmas não tenham “relevância disciplinar”, lê-se na nota enviada para as redacções. A decisão foi tomada, informa nota do CSM, numa votação muito renhida, mas “por maioria com oito votos a favor e sete contra”.

O CSM, órgão de gestão e disciplina dos juízes, com esta decisão rés vés deu um sinal aos quase dois mil juizes que aplicam justiça nos tribunais: quietinhos, caladinhos e direitinhos. Senão...

 Felizmente ainda há juízes em Berl...perdão, Lisboa. A coragem não é para todos mas apenas para os que a merecem e não têm medo da própria sombra. Parabéns novamente ao juiz Carlos Alexandre.

Quanto aos advogados, colaboradores na aplicação da justiça, nos tribunais, toda a liberdade é permitida e todos os dislates são consagrados. Siga a democracia!

Entretanto uma pequena digressão pelo micro-universo daquele CSM:

 O Plenário é constituído por todos os Membros do Conselho Superior da Magistratura (17), a saber:
• Presidente, por inerência, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça;
• Vice-Presidente, Juiz Conselheiro eleito pelos Magistrados Judiciais;
• Vogais (2 designados pelo Presidente da República, 7 eleitos pela Assembleia da República e 6 eleitos pelos Magistrados Judiciais).

Proponho um exercício simples: descobrir, entre estes nomes, os que devem obediência aos órfãos da Viúva. E envergonhá-los por isso. E haverá surpresas, pela certa.


foto henriquesgasparJuiz Conselheiro António Silva Henriques Gaspar
Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do Conselho Superior da Magistratura



foto mariomorgado2
Juiz Conselheiro Dr. Mário Belo MorgadoVice-Presidente do CSM

VOGAIS DESIGNADOS PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA (2)

         foto cardosodacosta
Professor Dr. José Manuel Moreira Cardoso da Costa

Professor (Jubilado) Fac. Direito Universidade Coimbra
                       foto alexandresousamachado
Dr. José Alexandre Teixeira de Sousa Machado

Advogado e Professor Universitário    
VOGAIS ELEITOS PELA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA (7)

        foto Vaz-Rodrigues2
Prof. Doutor João Eduardo Vaz Resende Rodrigues

                             Jorge Gonalves
Dr. Jorge Salvador Picão Gonçalves

         maria eduarda azevedo

Prof.ª Doutora Maria Eduarda de Almeida Azevedo
                           Jorge Alves Correia

Dr. Jorge André de Carvalho Barreira Alves Correia
        
 foto SusanaBrito2
Dr.ª Susana de Meneses Brasil de Brito

                                             foto Serafim-Froufe2
 Prof. Doutor Serafim Pedro Madeira Froufe
         foto vitorfaria

Dr. Víctor Manuel Pereira de Faria
                         

 
VOGAIS ELEITOS PELOS MAGISTRADOS JUDICIAIS (6)

         foto sousapinto
Dr. José Maria Sousa Pinto                               
Juiz Desembargador
                               foto eusebioalmeida2
Dr. José Eusébio dos Santos Soeiro de Almeida

Juiz Desembargador
         foto Ana-Rita-Loja2
Dra. Ana Rita Varela Loja
Juíza de Direito
                                                             foto narcisorodrigues
Dr. Narciso Magalhães Rodrigues
Juiz de Direito











       




       
 







foto armandocordeiro














Dr. Armando Manuel da Luz Cordeiro
Juiz de Direito
                                           foto rodolfoserpa
Dr. Rodolfo Santos de Serpa
Juiz de Direito 








segunda-feira, dezembro 19, 2016

Conversas de treta


O dr. Sembergonha e um Jornalista de curso rápido e muitos anos de experiência  encontraram-se algures depois de lerem o artigo de Pacheco Pereira no Público de Sábado passado, acima transcrito.

O dr. Sembergonha, um topa a tudo do regime, com diversos cargos públicos no currículo e actualmente movido a carro de função, foi logo interpelado pelo amigo Jornalista interessado na opinião para apresentar em página impressa:

Jornalista- Então Sembergonha,  já leu o que escreve o Pacheco sobre a corrupção?  Diz que  em Portugal é  fruto do sistema ambiente. É ecológica, está em todo o lado… 

Dr. Sembergonha- ó meu amigo, V. ainda dá importância ao que escreve o Pacheco? Eu conheço a peça do tempo em que tecia elogios ao Cavaco em plena Assembleia, no início dos anos noventa, no tempo da maioria absoluta do PSD, em que começaram a cair-nos por cá os fundos da CEE. Lembro-me também do tempo em que foi para a prateleira dourada  “ Europa” e até da OCDE e sei muito bem de onde o gajo vem e que formação tem. Essencialmente de tretas avulsas e sem experiência prática a não ser sentar-se em cadeiras de deputados ou a mando de poderes políticos, escolhido por isso por  eles e com a subserviência adequada a quem manda.
 Por isso, pergunto: o meu amigo saberá por acaso dizer-me qual a fonte de conhecimento desse tipo sobre a corrupção?  

O Jornalista espantado a olhar para o amigo Sembergonha, um expert na arte de cultivar amizades interessadas em trocar conhecimentos aplicados, continuou:
Mas…ele acha que a corrupção está nas “más práticas da administração, numa cultura de favores, em escolhas por confiança política ou amiguismo, nas cunhas e no patrocinato, na partilha da informação  apenas entre os “pares” , nos círculos informais do poder político…”.  E até diz mais:  “Já se sabe que circula entre os negócios, a política, certas profissões com acesso muito próximo ao poder político: grandes advogados, auditores e consultores, gestores ligados à comunicação”. Os “ que bebem do fino” segundo ele diz … então não acha que ele tem razão no que escreve? 

Sembergonha: ó meu caro amigo, claro que o Pacheco tem razão. O que lhe falta é moral para a arvorar em virtude. E quer saber o meu amigo porquê?
O Pacheco é um produto do mesmo meio que denuncia como sendo esse alfobre da corrupção.   Este Pacheco que assim escreve em estilo salcede é o mesmo que acabou uma licenciatura em filosofia, em 1978,  para ensinar nos liceus, o que durou pouco tempo, porque passou logo para a política activa onde conheceu os meandros mais escabrosos da ascensão ao poder. Até 2011 foi deputado pelo PSD, partido que agora execra, particularmente o seu líder actual. Desse partido viveu e prosperou na Europa dos deputados europeus que lhe deram a massa para ter o que tem, incluindo a vidinha à sombra da bananeira da komentadoria. Escreve umas coisas em modo de laracha política que replica em programa de tv já com barbas de politicamente correcto e tudo por causa da imagem que projectou mediaticamente.
Ó amigo Jornalista, diga-me cá uma coisa: V. já alguma vez leu o que fosse de concreto, sobre algum caso concreto, aferido a pessoa concreta, da autoria do Pacheco sobre essa tal corrupção, nos últimos vinte e cinco anos em que ele pessoalmente esteve imerso nesse mundo obscuro da traficância política, com passagem clandestina para os negócios e necessariamente conhecimento desses meandros?  
Mais: já alguma vez reparou em qualquer actividade cívica ou política do dito, no tempo em que tal exercia como profissão principal remunerada, com vista a combater o bicho que agora apresenta no seu ambiente natural, com conhecimento de causa?
O amigo viu ou ouviu algum comentário em directo, do Pacheco ao Coelho que foi governante e passou para a empresa que  lhe sustentou um ordenado milionário, suficiente para o transformar em queijeiro nas horas vagas?

Jornalista: Pois…não me lembro, de facto, mas agora até escreve sobre a etiologia do fenómeno com recurso a concursos públicos.  Tudo coisas que toda a gente intui e não é novidade nenhuma, mas ainda assim interessantes porque referidas a casos concretos, em abstracto: “Olha para o teu projecto, devias falar com o A do gabinete do secretário de Estado. Vou dar-te o número privado”. E mais: “ Para essa privatização tens de falar com B. Se não falares com B. nada feito”. E ainda mais: “ Sim, eu concorro, mas não posso perder, e tu podes dar outra coisa ao meu concorrente”. 

Dr. Sembergonha: amigo Jornalista, V. acaba de dizer tudo: casos concretos em abstracto. Ahahaha: é a melhor forma de prosperar no meio, mantendo a virtude altiva de quem se sente superior...

ADITAMENTO:

Entretanto, na TVI, depois das 21:00, passou uma reportagem sobre o arquivo da Marmeleira de Pacheco Pereira. Cinco casas dedicadas a coisas velhas, livros, jornais e parafernália política de diversa origem.
A meio da reportagem uma visita ao Porto e a recordação da "resistência antifascista" devidamente acolitada pelo maçãozinho de Lisboa, Medina de apelido e também- hélas!- de Rui Moreira que destacou a mensagem de manter a "memória"...
Este mesmo Rui Moreira, filho de outro Moreira que os guardiães da memória meteram na cadeia durante meses, em 1975, simplesmente por causa de aquele ser administrador de uma empresa - Molaflex- que os camaradas que agora rememoreiam queriam então dominar.

É isto e o tal Pacheco todo contente a rememoriar a "luta antifassista".

40 anos depois ainda andamos nisto...



sexta-feira, dezembro 16, 2016

A Ordem dos Advogados vai tolerar isto?

O advogado Ricardo Sá Fernandes esteve há pouco, cerca das 22:00, na TVI a responder a perguntas colocadas pelo sistémico José Alberto Carvalho, falando abertamente sobre o caso de um seu cliente que está detido na Alemanha à espera de decisão sobre um mandado de detenção europeu, emitido no âmbito de um processo penal de cá.

O caso de um tal Paulo Lalanda Castro foi esmiuçado pelo seu advogado que se queixou das condições de emissão do mandado de detenção europeu, referindo-se claramente ao processo que envolve o seu cliente.

O estatuto da Ordem dos Advogados proibe este género de declarações mas o advogado Ricardo Sá Fernandes faz tábua rasa de tal preceito impunemente e não é a primeira vez.

Este advogado com acesso mediático franqueado pelos sistémicos albertos de carvalho e quejandos, aproveitam despudoradamente estas facilidades, fazendo das pessoas parvas e tentam levar a água dos seus clientes ao moinho que lhes interessa.

Esta pouca-vergonha foi tolerada durante os mandatos dos dois últimos bastonários ( Marinho e Pinto e a sua delegada Elina Fraga).

Esperemos para ver o que faz o novo bastonário da Ordem, pessoa que se apresentou de modo diferente e é indicado como sendo de outra estirpe.

Veremos se verdadeiramente o é. Este é o primeiro teste.

Boa educação por decreto-lei...

JE:

Seja numa repartição de Finanças ou num supermercado, os idosos, pessoas acompanhadas de crianças de colo, grávidas e pessoas com deficiência têm direito a passar à frente na fila.

Prioritários são ainda as pessoas com mais de 65 anos ou com limitações perceptíveis e os deficientes com um grau de deficiência igual ou superior a 60%.

Caso, numa mesma fila, se juntem duas ou mais pessoas que reúnem estes requisitos para o atendimento prioritário, este é feito por ordem de chegada, afirma o DN.

As novas regras melhoram a legislação que tinha sido publicada em 2014, uma vez que definem, por exemplo, o limite para uma idade ser considerada “de colo”, explica o DN. E são alargadas a todos os sectores, uma obrigação que até agora apenas tinha de ser cumprida por alguns serviços públicos.

A não observância das novas regras dá direito a multa cujo valor oscila entre os 50 e os 500 euros se a infracção for feita por uma pessoas singular e entre 100 e mil euros se o desrespeito da ordem do atendimento for feito por uma empresa.

Constituem excepção, adianta o diário, para os serviços que estão sujeitos a marcação prévia ou nos hospitais e centros de saúde, onde a ordem do atendimento é fixada em função da avaliação clínica.
De fora ficam também as conservatórias quando a prioridade no atendimento possa atribuir uma posição de vantagem
.

O jacobinismo na sua expressão triunfante.  Agora legisla-se a boa educação. De repente lembrei-me da dama de Formentera...nem sei porquê.

Ho! Ho! Ho!

Chegou o pai natal à redacção do DN...e hoje há fotos da celebração e troca de presentes.


Estão aí algumas das actuais figuras da nomenklatura mediática que gravita em torno de certos interesses não necessariamente jornalísticos mas sempre políticos.

O Diário de Notícias continua a ser um farol bem visível desse universo. O jornalismo é um mero acidente no percurso de algumas dessas pessoas, incluindo o principal figurante.

Está ali o representante da administração de topo; também o Oliveira dos desportos que correram mal e não se descortina claramente alguém da raça montez ou mosquito, mas estarão por lá.

Poucos percebem estas ligações e poucos querem saber a sua importância e por isso estamos como estamos, há décadas. Diz que o PS do Costa está em alta. Pudera!

Estes fotos são raras e por isso chegou o Natal! Ho! Ho! Ho!

E como é que funciona o esquema destas prendas de Natal? É mais ou menos assim, conforme o exemplo que o mesmo jornal do dia nos dá, em conjunto com uma fantástica editora do Porto...


Quem escolhe os livros para oferecer sabe o que o público precisa e quer. E o cliente tem sempre razão...

quinta-feira, dezembro 15, 2016

A geringonça e o investimento capitalista


Sapo24:

As Câmaras Municipais da Guarda e da Covilhã - ambas integradas na área que faz parte da Diocese da Guarda - já manifestaram disponibilidade em acolher o futuro investimento da Tesla na Península Ibérica.

A par da Autoeuropa, a Tesla é outra grande empresa estrangeira- uma "multinacional" americana, ainda por cima- cujo investimento é muito desejado hoje em dia em Portugal, eventualmente pela própria geringonça que governa.
São empresas capitalistas típicas e tendencialmente multinacionais. Uma alemã e outra americana. Os comunistas olham para estas empresas como o diabo em figura de compromisso.

A gente que compõe a Geringonça é sensivelmente a mesma que no Verão de 1974 recusou um investimento nacional e muito maior que o das teslas e autoeuropas...

Vale a pena lembrar a estupidez ideológica destes fósseis que pouco ou nada esqueceram e só aprenderam a melhor maneira de partilharem o poder...ludibriando os pobres que são essencialmente a sua base de apoio de inveja e ressentimento.

Em Julho/Agosto de 1974, alguns empresários de vulto do nosso país, muitos deles pertencentes à "meia dúzia" de famílias do capitalismo português que o comunismo e o PCP em particular apodava de monopolista e fascista, abertamente, queriam investir. Investir cá, com dinheiro que tinham, em empresas e projectos de vulto para desenvolver o país. Coisa que agora nem temos.
O projecto intitulado MDE/S foi apresentado por Morais Leitão que chegou a capitanear outra das grandes firmas de advocacia do regime, com a vantagem de nunca ter sido "esquerdista" como um Vasco Vieira de Almeida, um Galvão Telles ou uma série deles que andam por aí a acolitar o Estado na parecerística.

O Sempre Fixe, jornal cripto-comunista dirigido por A. Ruella Ramos, fazia-lhe literalmente a folha deste modo, na edição de 31 de Agosto de 1974.





Esta estupidez associada à perseguição criminosa dos nossos capitalistas de então, catalogados como "fassistas" mostra bem a inteligência da Geringonça que nos governa e que não se afastou ideologicamente um milímetro desta mentalidade, como se pode ver pelas palermices continuadas das mortáguas e afins.


Se pudessem, faziam a folha aos que ainda restam...


Esta lista é do jornal Sempre Fixe, dessa época, dirigido por um esquerdista radical, chamado Ruella Ramos.





Esta nossa tragédia nacional não tem paralelo na Europa, nos últimos 40 anos. Ainda assim, são estes mesmos, agora reciclados em forma de geringonça que apoiam este governo.


A "bem de Portugal" digam de quem é o fundo que manda no GlobalMedia...


DN:

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve hoje na inauguração das novas instalações da Global Media, em Lisboa, e pediu aos jornalistas do grupo para serem "implacáveis no escrutínio de todos", a bem de Portugal. 


Os bravos jornalistas do DN, aqui a ouvir o presidente, mais o senhor Camões que está no Norte a velar pelas Notícias globais e aqui todo sorridente e ainda o magnífico presidente da coisa, o advogado Proença de Carvalho, encolhido como de costume, podem já começar o trabalho a "bem de Portugal": esclarecer quem são os verdadeiros titulares do fundo que os comprou...

Louçã, o anacronismo persistente

João Miguel Tavares anda há dias a tentar desmontar alguns ditos de Francisco Louçã a propósito de Cuba e do seu "líder máximo" desaparecido há pouco.

A questão de fundo é saber se Louçã considera Fidel um ditador e por arrastão declarar expressamente se Cuba é uma ditadura.  Louçã não dá braço a torcer e tergiversa,  o que dá alimento a estas crónicas dos últimos dois dias.



Tal como no caso antigo de Cunhal, estas discussões na imprensa politicamente corrigida partem do pressuposto que  os antagonistas estão no mesmo plano de entendimento da realidade política circundante e ideológica. Ora não é o caso.
Louçã é um comunista velho que assumiu roupagem trotskista e que pretende o que sempre almejou: abater a sociedade capitalista, incluindo os seus avatares ideológicos, usos e até costumes. Louçã é um revolucionário de pacotilha escrita, como muitos que pululam por aí disfarçados de democratas com pele da burguesia.

Em 2009, Louçã foi entrevistado por Nuno Rogeiro para a revista Sábado e confessou coisas extraordinárias que merecem sempre ser revisitadas para se conhecer o bicho ideológico que o domina.

Essencialmente disse isto que importa repetir sempre para que as discussões terminem de vez até que Louçã seja desmascarado pelo que é, pelo que representa e pelo que pretende esconder.
 
"Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma rejeição do que foi o modelo da União Soviética ou é o modelo da China. Não podemos aceitar que um projecto socialista seja menos democrático que a "democracia burguesa" ou rejeite o sistema pluripartidário. Não pode haver socialismo com um partido político único, não pode haver socialismo com uma polícia política, não pode haver socialismo com censura. O que se passa na China, desse ponto de vista, é assustador para a esquerda. (...) Agora, a "esquerda socialista" refere-se mais à história da confrontação, ou de alternativa ao capitalismo existente. Por isso o socialismo é, para nós, uma contra-afirmação de um projecto distinto. Mas, nesse sentido, só pode ser uma estrutura democrática."


O que dizia Louçã em 2005 a este propósito? Isto:


"O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se-nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."


Esperar que Louçã abandone este ideal e defina Cuba e Fidel como símbolos de ditadura é por isso um exercício pueril. Louçã é um adepto de ditadores, dos ferozes e eficazes  porque apenas desse modo conseguiria impôr a sua ideologia e praxis coerente. Não há qualquer exemplo no mundo onde tal não tenha acontecido e pensar o contrário é condescender no essencial, o que sucede em Portugal, há várias décadas.

Não obstante,  a discussão põe a lume outro fenómeno relacionado: essa condescendência geral que é concedida a estes mostrengos ideológicos que perduram por cá como fósseis de estimação.

Hoje na Sábado aparece uma entrevista com um notável do jornalismo caseiro chamado José Paulo Fafe que sendo filho de embaixador esteve em Cuba no tempo do PREC.

O que diz sobre algumas coisas da vida acaba por explicar aquele fenómeno da condescendência de esquerda que nos afecta de modo severo há dezenas de anos.





 
Repare-se na congruência exemplar do discurso: o 25 de Abril foi fantástico porque gritou "viva a liberdade!" e esse foi um dia para o qual "foi educado a viver com expectativa"...
Para continuar a usufruir dessa liberdade recuperada cá, foi para Cuba, terra de liberdade lendária sob o regime comunista, em 1975. Segundo o indivíduo que nem atenta na contradição, tal continuou a ser fantástico porque...conheceu um "homem extraordinário, no sentido de diferente". Fidel, claro.

 A seguir diz a propósito do sítio onde estava colocado por via paterna: " uma sociedade com regras rígidas, algumas incompreensíveis, para um país fantástico". Está a falar do Portugal de Salazar e Caetano que tanto o incomodava por falta de "Liberdade"? Não, está a falar de...Cuba.

Este indivíduo é um palerma, porque só assim se entende esta incongruência. Por outro lado, foi do PS soarista, mudou entretanto para o PSD e agora sente de vez em quando umas náuseas. Imagino...

Outro que tal é o coleccionador de papel velho, Pacheco Pereira. Hoje na Sábado, também se refere a Cuba, para escrever este género de incongruências patetas que alimentam aquela condescendência permanente.
Cuba, para o Pacheco que chegou a acreditar piamente no modelo ideológico, é o lugar onde havia um Fidel ditador, onde havia "uma polícia política, prisões e execuções, praticamente até à véspera da sua retirada por doença, com o processo do general Ochoa como estertor final".

Não obstante, Salazar era parecido...o que é sempre o objectivo destes objectores da consciência marxista. Salazar é sempre um termo de comparação com horrores que não deveriam merecer tal e relativamente a estes a contextualização histórica e a condescendência é permanente e estúpida.

Percebe-se a ideia: não querem admitir que em idade adulta pretendiam para cá um regime ainda mais odioso que aquele que julgavam ter e contra o qual combatiam e ainda continuam a combater ideologicamente...arre!


Que remédio haverá para estas palermices?

quarta-feira, dezembro 14, 2016

Isto aconteceu em Portugal nos últimos 16 anos

Estes casos relatados nas notícias de ontem e hoje decorreram em Portugal nos últimos 16 anos, envolvendo estruturas importantes do SNS e pessoas ligadas aos diversos governos e ministros da Saúde.

Estes factos há anos que eram conhecidos e comentados até publicamente.

O Correio da Manhã de hoje afirma claramente que são casos de corrupção e que o principal suspeito- Cunha Ribeiro- "foi corrompido pela empresa de Lalanda de Castro, ex-patrão de José Sócrates".

Para já não iria tão longe porque será mais importante perceber como isto aconteceu em Portugal nesta última dúzia de anos, particularmente a partir de 2005.

Seria preciso um   "livro negro" escrito em vários volumes para entender todos estes fenómenos. Um deles poderia até ser escrito pelo célebre professor Farinho.
Uma coisa me parece certa: estes fenómenos não são todos de expressão penalmente relevante, ou seja de crimes de corrupção e assimilados ( participações económicas em negócios, recebimento de vantagens indevidas, etc)  mas são inequivocamente sinais de corrupção endémica no aparelho de Estado, a nível político e moral.

Quem admite e tolera durante anos a fio personagens deste calibre em lugares de mando é obviamente cúmplice desta corrupção que para muitos ( com destaque para figuras cimeiras, passadas, das instâncias judiciárias) nem existe.

O caso dos vistos Gold e este agora exposto, curiosamente interligados e com participação naquele de figuras gradas dos serviços secretos nacionais, alguns até magistrados de carreira, mostra bem a que ponto chegamos.
Há um pormenor curioso que liga estas pessoas suspeitas: são quase todas nascidas em meados da década de cinquenta, saídos da adolescência no 25 de Abril e alguns militantes de Esquerda, mesmo radical...o que me parece sintomático. Chegaram ao poder efectivo do mando em instituições públicas ou privadas com pouco mais de quarenta anos e subiram na vida meteoricamente, quase todas com auxílio de meios públicos, directa ou indirectamente. Com um ponto comum: a associação a partidos políticos e a pessoas a eles ligados, o que diz bastante acerca da democracia e respectiva qualidade.
Portanto, o quadro fica mais límpido de observar se tivermos em conta tais elementos, porque me parecem comuns aos casos que têm surgido ultimamente. Não chegamos ainda nível sofisticado do Brasil mas temos pessoas brasileiras envolvidas nisto, o que é outro sintoma. Ensinam os que por cá andam...
Isto só não é um polvo porque lhe falta uma cabeça pensadora, mas aparenta-se a uma hidra, figura mitológica da complexidade pensadora unificada para a prática do mal. Tal como a hidra, uma das cabeças deste mostrengo é mortal. Adivinhe-se qual seja...

Por outro lado ainda não ouvimos a defesa dos suspeitos e aposto que vai ser de truz, como de costume. Não sei quem serão os advogados já mandatados, mas não é difícil adivinhar o leque de escolhas possíveis. De Braga há um. Do Porto e Lisboa, vários. Veremos a quem toca a prenda de Natal.




terça-feira, dezembro 13, 2016

Não resisto a esta comparação...

Observador:

O antigo Presidente da República Mário Soares está em observação nos cuidados intensivos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, desde a madrugada desta terça-feira, soube o Observador junto de fontes próximas da família. Está em situação crítica, com prognóstico reservado e inconsciente.


TVI24:

Em S. Tomé, [Mário Soares] escreveu uma carta a Marcelo a denunciar a «ilegalidade» da sua deportação. O professor admitiu que era «uma grande injustiça», mas citou a Constituição, «onde dizia que as pessoas que são perigosas para o Estado podem ser presas sem julgamento». «E eu respondi-lhe: se isto um dia muda, como podemos tratar os senhores, se nós formos governo? Já não me respondeu. Dois ou três dias depois, Salazar caiu da cadeira. E eu fiquei eufórico, porque percebi que ele ia morrer».

Uma jornalista da RTP aquém da decência profissional do serviço público



Reparem nesta imagem do i de hoje: a filha de Fátima Felgueiras ( passa a entrevista toda a falar da mãe...) é uma jornalista da RTP, canal público,  que faz programas dedicados a causas, algumas delas judiciárias. Os programas são geralmente maus do ponto de vista da sensatez jornalística e acerto equilibrado sobre os pontos em conflito. Breve: a jornalista toma partido, sempre e não é imparcial nem   objectiva no que relata.

As quatro frases transcritas resumem a entrevista e são significativas. Sobre a fuga da mãe, a explicação rocambolesca não me convence. Percebo e aceite que uma filha defenda a mãe, mas não compreendo que uma jornalista se gabe do feito passados estes anos, em modo que não é credível. Não tem vergonha na cara.

Sobre o carácter justiçoso da dita fica tudo dito: os programas são para ajustar contas com alguém do passado ou do presente mal resolvido. Magistrados, em primeiro lugar. Polícias a seguir. O trauma é evidente...

Sobre a sua vida pessoal interessa-me tanto como o copo de água que bebi de manhã cedo e tem tanta importância pública como zero.

Sobre a primeira frase acerca do putativo assassino Pedro Dias importa reter que não é papel do jornalista tomar partido sobre a inocência ou culpabilidade de um assassino presumido e putativo, de acordo com os elementos de facto já conhecidos.
Quando um jornalista assume tal papel, voluntariamente, está a fazer outra coisa execrável: a olvidar as vítimas do mesmo. E isso é intolerável.
Um jornalista que se preze e tenha um sentido mínimo da ética profissional não se alia aos advogados de um assassino presumido para fazer uma reportagem manipulada pelos mesmos com um sentido ínvio e equívoco que passa ainda por outra ignomínia: lançar um labéu generalizado sobre as forças policiais que pretenderiam assassinar o presumível assassino.

Tudo isto é tão execrável que não se entende por que razão a RTP continua a deixar esta jornalista a fazer o que anda a fazer...num canal que é pago pelos contribuintes portugueses.

Se quer fazer este tipo de jornalismo que vá para outro sítio.

O sistema desconvidativo

Observador, hoje:

O ex-presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) Luís Cunha Ribeiro — que também esteve à frente da Administração Regional de Saúde de Lisboa — foi detido esta terça-feira por indícios de corrupção no caso conhecido como “máfia do sangue”. A informação foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República, em comunicado enviado às redações, que também confirmou que estão a ser efetuadas buscas em Lisboa, no Porto e na Suíça.

Segundo a nota da PGR, “encontram-se em curso mais de três dezenas de buscas domiciliárias e não domiciliárias”, que decorrem em “instituições e estabelecimentos oficiais relacionados com a área da saúde, incluindo no Ministério da Saúde e no INEM”, e também em “escritórios e locais de trabalho de advogados”.

Em causa está o caso que ficou conhecido como “máfia do sangue”, que remonta a 1999, altura em que Luís Cunha Ribeiro fez parte do júri que atribuiu o monopólio da venda do plasma sanguíneo aos hospitais portugueses à farmacêutica suíça Octapharma — de Lalanda de Castro. O caso estava a ser investigado pela PGR desde o ano passado.



Daqui, com data de 1.3.2013:

Um indivíduo com 57 anos, médico do Porto, exerceu "vários cargos de chefia" no hospital de S. João, no Porto. Parece que até foi assistente universitário de um das cadeiras do curso. Entre 2003 e 2008 foi presidente do INEM e quando Ana Jorge ( PS) era ministra ( num dos governos de José Sócrates) foi consultar para o ministério, até 2011. O quê? Não se sabe por enquanto porque o jornal não diz. Mas pelo caminho que a investigação jornalística leva, um dia destes ainda viremos a saber. Desde Outubro de 2011 o mesmo indivíduo ( na foto) é presidente da Administração Regional de Saúde. Um gestor do Estado. Não é público: é do Estado que é mais precioso.
O mesmo administrador, que é do Porto, quando era presidente do INEM, arrendou uma casa em Lisboa, em 2004. Onde? Começam as coincidências...
Foi no mesmo prédio da rua Braamcamp, onde José Sócrates e a mãe compraram uns magníficos apartamentos a preços convidativos, segundo foi  notícia de época, ( embora haja quem jure que não, como Herman José que também lá comprou e que jurou terem sido pelos preços certos. Não se sabe muito bem é a quem, com precisão de nomes, mas isso já lá vai). Seja como for, o apartamento arrendado pertence a uma empresa- a Convida, investimentos turísticos e imobiliários- administrada por um certo Paulo Castro. A empresa terá accionistas mas são secretos. O contrato de arrendamento, esse, também é porque ninguém quis dizer ao jornal quanto paga de renda o tal administrador que agora é director da ARS-Lisboa e Vale do Tejo. E quem é o tal administrador da Convida, Paulo Castro?
Ora, é o administrador da empresa Octapharma, em Portugal. A mesma que empregou José Sócrates como caixeiro-viajante para os affaires da América Latina. A mesma que em Portugal domina o mercado do plasma hospitalar e os milhões que movimenta, com uma quota de 60 a 80% do mesmo.
Portanto, resumindo ainda mais: O administrador da Octapharma, Paulo Castro, é também administrador de uma empresa imobiliária cujos donos não se conhecem e que arrendou um apartamento a um funcionário público de luxo, enquanto presidente do INEM, em 2004, consultor do Ministério da Saúde entre 2008 e 2011 e agora presidente da ARS.
A explicação para esta coincidência é dada pelo mesmo administrador da ARS: conhece Paulo Castro há um ror de anos e...são amigos.
Ora...e andam estes jornalistas a desconfiar de pessoas assim que são amigas de longa data e por isso andam a bisbilhotar a vida pública dos mesmos. Isto faz-se?
Ora bem e falando sério: é preciso saber o que consultou Luís Cunha Ribeiro, desde 2008 a 2011, no Ministério da Saúde. Exactamente o quê e porquê. Onde colocou o nome assinado, onde interveio como consultor, quando ganhava pelo tacho etc etc.
Depois disso é preciso saber que tipo de relação de amizade pode justificar um contrato de arrendamento de um apartamento, por coincidência no mesmo prédio em que também estava a morar o primeiro-ministro de então, feito a uma empresa que era administrada pelo responsável, em Portugal , de uma multinacional farmacêutica que em 2008 conseguiu vários milhões de euros de negócios com o Estado e o ministério da Saúde em particular, onde aquele inquilino era consultor ( mas o que é que consultou, santo Deus? Pode saber-se, ao certo?).
Tudo isso por uma razão que é importante explicar: um gestor do Estado não deve aceitar viver num apartamento que arrendou a um amigo que é simultaneamente interessado em grandes negócios com o mesmo Estado e em que aquele inquilino está em posição de eventual conflito de interesses.
Para já o assunto é meramente ético. Depois, se o jornal descobrir mais coisas, logo se vê.
Evidentemente, eticamente isto é uma grande vergonha. Para quem a tem, naturalmente.

Ah! Já me esquecia: o senhor não tem condições nenhumas para continuar a ser presidente de ARS alguma.

ADITAMENTO em 3.3.2013:

O visado na notícia do CM terá sido chefe de serviço de imuno-hemoterapia entre 2003 e 2008. Se tal corresponder à verdade factual, não sei qual a razão ética de os serviços oficiais terem admitido uma situação destas e ainda por cima nomearam tal pessoa para a ARS LVT.





segunda-feira, dezembro 12, 2016

Ficção científica

A revista Scientific American publicou um número especial que colige alguns dos melhores artigos científicos do ano, nas páginas dessa revista.

Um deles entra em pleno domínio da ficção científica ao colocar a hipótese de este mundo ser uma experiência de alguém com inteligência superior e que simula as condições de vida dos seus antepassados...



O tema é semelhante ao explorado no argumento dos filmes Matrix e saiu agora uma recolha de histórias de ficção científica em livro com mais de mil páginas. Tem lá tudo o que interessa saber sobre as histórias clássicas do género. Vende-se na FNAC...



A revista Omni, americana, publicou-se entre finais de 1978 e 1995. Tinha artigos de ficção científica, fantasia científica, divertimento científico e ilustrações a condizer. Graficamente valia a pena ver.

Estes números são da década de oitenta.




Omni 1981 (3)




















domingo, dezembro 11, 2016

A velhice do PCP, segundo Vasco Pulido Valente

Observador, VPV:

Era a última campanha do velho Cunhal e, por isso, pedi ao Paulo Portas para ir ver. E lá fui na “caravana” (um método de propaganda hoje felizmente em desuso) pelo arquipélago comunista no Alentejo e margem sul. Tudo se passou na melhor ordem e nos jantares, que as militantes faziam, até se comia bem. Durante os comícios, a assistência conversava sobre a única questão que verdadeiramente a levara ali: o Álvaro. Estava o Álvaro mais magro? mais gordo? mais cansado? mais fresco? com um ar mais velho? com um ar mais novo? A missa que o dito Álvaro recitava no palanque não a interessava nada. Aquilo parecia uma família que vinha visitar o avô, ninguém queria saber de política ou do partido que putativamente a representava. No Seixal, se não me engano, houve um convívio. As senhoras puseram as mesas e trouxeram as bebidas e os bolos. Por acaso uma delas resolveu falar comigo, depois de um naco de doce de ovos. Perguntou qual seria o resultado do PC: 11 por cento, 15 por cento? Respondi que 8 ou 9 por cento. Ela choramingou: “Ai que desgosto que isso vai dar ao Álvaro!”.

Muita gente se intriga com a durabilidade dos Comunistas. Não os percebem. Primeiro são poucos (pela última contagem, 50 000) — num país pequeno, em terras pequenas, nos bairros em que nasceram e cresceram. Segundo, vivem entre si: o partido não gosta que os militantes tenham amigos fora de casa. Terceiro, o grau de endogamia é muito alto. Entre os mais velhos (que são quase todos) a família chega de facto a ser uma família. E com isto, claro, vem uma grande dose de nepotismo, de compadrio, de protecção e de complacência. Os comunistas não deixam o Partido (com maiúscula). Não admira. Quando saiu do PCF, por causa da invasão da Hungria, Claude Roy disse: “Fiquei sozinho”, ou coisa equivalente. Vinte anos mais tarde François Furet diria a mesma coisa. Em Portugal, podem ficar só três, sentados numa pedra, que, para eles, tudo continua.
A precaução de Soares

Soares costumava contar uma história muito interessante. Quando se começou a discutir se Portugal devia “entrar” ou não na CEE, ele chamou um grupo de economistas (portugueses) de grande reputação. Todos lhe disseram que “entrar” seria um desastre para a economia e que nós só podíamos, razoavelmente, ficar de fora, à espera de crescer e aparecer. Soares não se impressionou e disse a esses prudentes sábios que, apesar de tudo, ele tinha decidido “entrar” e por muito boas razões. Razões políticas. Como é de ver. Soares achava, e achava bem, que a “Europa”, sob que forma fosse, nos protegia de dois males maiores. Primeiro, numa época em que o regime não estava ainda sólido, de um pronunciamento militar: Bruxelas correria à má cara com o primeiro capitão (ou general) que lá fosse pedir dinheiro. Segundo, Bruxelas também nunca aceitaria um governo de “esquerda” que saísse das suaves normas da Internacional Socialista e, por isso, o PC ficava definitivamente fora do poder (o Bloco, nesse bom tempo, não existia). O famoso “arco da governação” ficava assim definido e garantido por uma ou duas gerações.

A União Europeia e a moeda única, a que o dr. Cavaco se agarrou para meter algum juízo financeiro na cabeça dos seus compatriotas, apertaram a malha. Agora, Jerónimo de Sousa, Louçã, Catarina e congéneres protestam por aí contra a infame armadilha da “Europa”. Só que ela não nasceu ontem, nasceu em 1984 ou 85 e foi feita deliberadamente contra eles. O dr. Soares sempre soube com que linhas essa doce gente se cosia e deixou Portugal bem amarrado. Nenhum argumento económico pesa contra a força, a não ser que a força por ela própria se desfaça.


O PCP tem 50 mil militantes e isso é quase nada?  Mesmo que assim seja, o PCP tem militantes a mais porque a linguagem que usam é a dos media, a qual introduziram como léxico corrente há 40 anos. E isso replica-os aos milhares, como baratas tontas a sair de buracos em busca de rumo à vitória. Os comunistas têm gente a mais, ainda, porque conseguem passar a mensagem que são um "partido democrático" quando não são, segundo os padrões europeus ocidentais. São tão democráticos como os partidos nazis, se estes pudessem existir, o que foi tornado democraticamente inviável pelos seus representantes e pelo politicamente correcto que conseguiram impõr nos media em geral.

O PCP tem ainda uma história feita de sombras bem escuras que não destapam nem que a vaca tussa.
O PCP é um partido que apoia ditaduras como a de Cuba ou da Coreia do Norte como se fossem modelos para os povos que subjugaram. É um partido em que a Censura seria regra implacável como o é nesses países.

Um partido destes merece a denúncia constante nos media que pura e simplesmente não existe. e principalmente não merece nem deveria ser tolerável o seu domínio sindical e ideológico sobre a Educação em Portugal. Esse é o maior estrago que o PCP provocou ao país nestas últimas décadas.  Inadmissível e intolerável, mas aceite pela inteligentsia pátria.

Um pequeno exemplo, no Diário de Notícias de hoje relatado pelo colunista Alberto Gonçalves e que pouca gente deu conta:



NEM DE PROPÓSITO:


O historiador britânico Richard Overy, autor do livro "Os Ditadores", defendeu esta segunda-feira que os crimes do estalinismo, na ex-União Soviética, foram "relativizados" durante muitas décadas na Europa Ocidental.

"Ao contrário dos crimes da extrema-direita, os crimes do estalinismo foram relativizados durante muito tempo porque a União Soviética era encarada como um modelo de progresso e paz. Mesmo quando a verdadeira natureza do regime era exposta, as pessoas passavam por cima e viam as questões do regime como consequências de uma modernização rápida", disse o historiador Richard Overy, autor do livro, sobre as lideranças de Hitler e Estaline.

Para Overy, o conhecimento pormenorizado sobre o estalinismo ainda está "limitado à elite da comunidade académica", enquanto a visão sobre o Holocausto está totalmente integrada na "história pública".

Richard Overy, 69 anos, professor de História Moderna na Universidade de Cambridge e Exeter, Reino Unido, é especialista em temas relacionados com a Segunda Guerra Mundial e autor, entre outros, do livro "Os Ditadores", recentemente traduzido para o português.

Até os turcos tiveram um Império.

Sapo:

Pelo menos 38 pessoas, 30 das quais polícias, morreram em duas explosões no centro da maior cidade da Turquia, perto do estádio do clube de futebol Besiktas.
O grupo radical curdo Falcões da Liberdade do Curdistão (TAK), próximo do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), reivindicou hoje o atentado de sábado à noite em Istambul, que fez 38 mortos, segundo uma agência pró-curda.




 A Turquia está hoje confinada a um território do planalto da Anatólia, mas há uns séculos, quando o  nosso Império Marítimo se formou, os turcos dominavam uma região inteira do globo e eram um verdadeiro Império, mais antigo e mais extenso que o nosso jamais foi.

Os curdos são um povo de algumas dezenas de milhões de almas que faziam parte desse império que até ao séc. XIX se manteve na região e que acabou desmantelado porque "os impérios também se abatem".

O império otomano, na primeira guerra mundial tomou partido ao lado dos alemães e perderam, tendo sido esse o seu fim. 

Não obstante, o actual herdeiro dos príncipes otomanos, Erdogan de seu nome, considera que tal pode ser revertido...e um dos seus ministros disse em Sarajevo, em 2011 que "nós estivemos aqui, estamos aqui e estaremos sempre aqui".

Talvez por isso seja interessante recordar a história do império otomano, tal como contada pela revista francesa Le Figaro Histoire de Dezembro-Janeiro 2016 e ainda a já mencionada revista do Le Monde, sobre os grandes impérios.








E os curdos no meio disto? Resistem porque são um povo que ainda não tem pátria e ocupa a pátria  de outros povos como os da Turquia, Síria, Iraque e Irão.
 A Bulgária, Sérvia, Bósnia, Roménia, Grécia, Egipto, Argélia, Tunísia, Síria, Iraque, Líbano, Palestina/Israel, entre outros tiveram direito a um país e uma nação. Os curdos...nada.


A Turquia moderna é uma sombra do que foi o Império Otomano. Porém, reduzida à dimensão de uma nação amputada de outras partes que fizeram parte do Império, o que lhes foi imposto desde o século XX, conformou-se com a situação e não se lamuria demasiado, a não ser em proclamações do género das citadas... e recusando que possa haver mais amputações dolorosas para a dignidade dos turcos neo-otomanos.

Que hipóteses terão então os curdos de um dia  se tornarem em nação independente com território autónomo?  Só o tempo o dirá. Para já matam gente indiscriminadamente, em atentados terroristas. Como o de ontem.

sábado, dezembro 10, 2016

Augusto Cid e o caso de Camarate

Esta entrevista de Augusto Cid publicada hoje no Sol merece leitura e reflexão porque tem vários elementos que carecem de fact-checking, a  propósito do caso Camarate. 

Cid aponta que se tratou claramente de atentado e continuo com dúvidas que assim tenha sido. Porém, não fica por aí e refere que alguns dos autores ainda andam por aí e só não se descose com o nome porque é "arriscado". Também acho, mas não é difícil adivinhar a quem se refere...o que torna mais interessante o fact-checking e principalmente saber o motivo do atentado se é que o foi.

Mantenho o interesse. Fica para o fim-de-semana.








Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso