Ionline:
O conteúdo da conversa telefónica entre os socialistas Paulo Penedos e Marcos Perestrello – escutada pela justiça e na origem do processo Taguspark - foi “uma especulação” criada pelo primeiro interveniente da conversa. Esta foi a versão dos acontecimentos que o ex-administrador da do pólo tecnológico Rui Pedro Soares defendeu ontem na primeira sessão do julgamento do caso Taguspark no Tribunal de Oeiras.
Na conversa em causa, que teve lugar em 2009, Penedos diz a Perestrello que Rui Pedro Soares “conhece toda a gente” e que “os gajos em que ele tropeça do mundo da bola estão a apoiar o PS e Sócrates” e que “depois todos têm por trás contratos”.
Segundo Soares, todo este caso judicial é uma coincidência e o arguido no processo Face Oculta, Paulo Penedos, apenas acertou num nome das figuras ligadas ao futebol que na altura tinha contrato com PT, empresa de que foi administrador. Para dar consistência à sua teoria, o Soares deu o exemplo do futebolista Sá Pinto, que celebrou contrato com a empresa, mas que, após a formalização do acordo, apoiou a candidatura de Santa Lopes (PSD) à presidência da câmara de Lisboa: “Paulo Penedos apenas acertou num nome em quinze. Nenhum, que não Luís Figo, apoiou José Sócrates”, justificou, apontando esta relação como coincidência. Rui Pedro Soares contou ainda que, à época dos factos, o Taguspark negociou também um contrato de cedência de imagem com José Mourinho, semelhante ao celebrado com Luís Figo: “A negociação com José Mourinho foi muito mais rápida e mais fácil. As obrigações de Figo no contrato são maiores até que as de Mourinho.”
Rui Pedro Soares, Américo Tomatti, à data dos factos presidente da comissão executiva do Taguspark, e João Carlos Silva, antigo administrador do pólo, estão acusados de corrupção passiva para acto ilícito. Em causa estão alegadas contrapartidas que o Taguspark terá dado, por intermédio de Soares, a Luís Figo para este apoiar a campanha de José Sócrates a primeiro-ministro nas legislativas de 2009.
De acordo com a acusação, o Ministério Público (MP) considera que Rui Pedro Soares “pôs em execução uma estratégia para obter o apoio à candidatura do PS” através do contrato de cedência de direitos de imagem do ex-futebolista ao Taguspark, no valor de 750 mil euros.
Segundo o MP, após a formalização do acordo, Luís Figo concedeu uma entrevista ao “Diário Económico”, no qual fez uma avaliação “muito positiva” do trabalho do governo socialista e afirmou ser “preciso garantir a estabilidade e continuidade das decisões que foram tomadas, para que a entrada de um novo governo não signifique que se começa tudo outra vez de início”.
À guisa de comentário às declarações do incrível Rui Pedro Soares, ocorre-me apenas uma anedota:
Certo indivíduo, numa pequena comunidade, furtou um porco e levou-o às costas. Perseguido pelas autoridades foi interceptado pouco tempo depois, enquanto ainda levava o reco às costas. Interpelado sobre a origem do animal fez-se desentendido e como aqueles lhe apontassem para o que trazia às costas, olhou por cima do ombro e muito surpreendido, exclamou: Olha! Um bicho! E tratou de sacudir o reco, como se fosse um moscardo, com um gesto de "sai saí, bicho!"
Há coisas que só com anedotas se compreendem quando atentam contra o senso comum elementar. Ridendo castigat mores.
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
A factura que falta pedir...
José Miguel Júdice ao jornal i e tirado daqui:
"Se a insensatez pagasse impostos – o que seria mais razoável do que esta ameaça –, o défice estava resolvido. Há muitos anos que peço sempre factura, mas com estas medidas ameaçadoras apetece-me deixar de o fazer. O Estado tem o direito de exigir que se passem sempre facturas e deve controlar isso, até por razões de luta contra a concorrência desleal. Mas não deve transformar os portugueses em fiscais não remunerados". A afirmação é de José Miguel Júdice, advogado sócio da PLMJ & Associados, e ilustra a polémica criada em torno do assunto.
Júdice, um recolector de facturas, "há muitos anos", deve ainda possuir a factura relativa ao contrato de avença que a sua firma de advogados fez em tempos ( quando Nuno Morais Sarmento, então advogado de indústria dessa firma, estava no Governo) com a Parpública por causa de um negócio da GALP que não se chegou a realizar. O Público de então noticiou que o contrato rendia um milhão de dólares quinzenais. E o deputado do PS António Galamba, depois político de governo civil perguntou no Parlamento se tal era verdade. Nunca o caso foi devidamente esclarecido, nem mesmo quando Galamba, com o PS no poder, o poderia ter feito. Esqueceu-se, se calhar...
O caso já foi contado em 2008, por aqui:
O caso particular da firma de advogados PLMJ, já por aqui foi várias vezes citado, mencionando uma interpelação do deputado socialista António Galamba, ao governo de então, liderado por Santana Lopes. O mesmo que tinha como ministro, Morais Sarmento, um dos advogados da firma PLMJ que saira como sócio vulgar, para reingressar como sócio de capital, com inerências respectivas, após o prestígio do ministério.
Sobre este caso, a denúncia interpelatória de António Galamba, era muito simples: o Público tinha escrito que a firma PLMJ, receberia cerca de um milhão de dólares, quinzenalmente, enquanto durasse o período de negociação da eventual privatização da GALP e saída da ENI, no âmbito da reestruturação do sector energético.
O artigo do Sol, a este respeito, é confuso, não permitindo entender claramente se a firma PLMJ recebeu ou não esse montante e durante quanto tempo. Quem pagou efectivamente e quanto, exactamente.
Os números de milhões atropelam-se à medida que as responsabilidades de pagamento, são transferidas da Parpública para a EDP ou para a REN.
Uma coisa é clara, segundo o jornal: o governo PSD de Durão Barroso, em 2003, obrigara a Parpública a contratar os serviços da PLMJ, para a reestruturação do sector energético e no período de três anos, a factura da PLMJ atingiu os três milhões de euros. Longe do milhão de dólares quinzenal, portanto. Mas há mais dossiers e mais honorários facturados. Contam-se dossiers sobre a Portucel, Gescartão e outros.
Quanto a estes negócios do Estado, por intermédio de empresas públicas ou fortemente participadas, com firmas de advogados, alguns responsáveis dos executivos, foram ouvidos ou foram citados.
Bagão Félix e depois Campos e Cunha não apadrinhavam a PLMJ e uma secretária de Estado do segundo, até dera ordens à Parpública, para cessar pagamentos à firma, por se lhe afigurarem escandalosos perante os resultados alcançados, escrevendo mesmo em nota que "a Parpública, funcionara como uma agência de contratação de consultores financeiros e jurídicos ao serviço do Executivo".
Os governos seguintes desdisseram esta orientação e a consultadoria paracerística pôde continuar, sob a orientação de Teixeira dos Santos que autorizou o pagamento de novos honorários, de ordem milionária e por conta pública.
Bagão Félix, ouvido pelo jornal a este propósito, diz:
"O valor de outsourcing dos serviços especializados ( incluindo os jurídicos) era muito elevado: 200 milhões de euros. E disparou no actual governo para um valor anual de 400 milhões de euros."
E adianta, revelando a falência do Estado, no enriquecimento das firmas:
" Enquanto cidadão e contribuinte, repugna-me que muitos projectos de leis e decretos-lei centrais, sejam feitos nos grandes escritórios".
Que por sua vez, são constituidos por advogados com interesses privados, como é natural. É por isso, provavelmente que Bagão Félix diz, sem papas na língua que o jornal transcreve:
"Estado é refém dos advogados" e que por sua vez actuam em oligopólio. As firmas são, quase sempre as mesmas...
Morais Sarmento, por sua vez, não tem qualquer pejo em declarar ao mesmo jornal que:
"Interrompi o vínculo com a PLMJ quando entrei para o governo ( era o que mais faltava, não interromper...).
E ainda: A PLMJ acabou por ser prejudicada porque não permiti que trabalhasse directamente com a...RTP" . Mas ainda assim, contratou duas advogadas da mesma firma, para lhe prestarem assistência jurídica em assuntos com a RTP e enquanto ministro.
De facto, por causa disso, terá sido uma desgraça para a firma. Porém, logo esquecida, no fim do período governativo do advogado. Regressado, como filho pródigo , à firma em causa e depois de lhe ter causado esse prejuizo, foi recompensado, pelo grupo restrito dos donos da firma, como um par, atribuindo-lhe o estatuto de sócio de capital. Notável.
Como é notável, a este propósito, uma das últimas contratações públicas de firmas. O escritório de advogados João Pedroso & Associados, logrou obter um contrato, que pode ser de avença, para os serviços jurídicos do hospital público de Viana do Castelo. Com mais de uma centena de advogados na cidade, a administração do hospital, nomeada por pessoas deste Executivo, entendeu aquela firma de advocacia, de longe da cidade, como a melhor posicionada, profissionalmente, para a prestação de serviços.
Sobre as facturas dessas firmas de advogados com esses serviços, Marinho e Pinto, agora estranhamente preocupado com o assunto, nunca se esforçou muito em denunciar embora tenha por vezes balbuciado umas incoerências, de vez em quando, como pelos vistos o terá feito agora, num programa da noite, na tv, onde perora com Rui Rangel que exerce profissão de juiz de direito.
Relativamente a esta voragem de dinheiros públicos em parecerística, uma edição do jornal Sol de 2008 ( antes da queda por causa do incrível e inenarrável Rui Pedo Soares), mostrava uma infografia assim:
"Se a insensatez pagasse impostos – o que seria mais razoável do que esta ameaça –, o défice estava resolvido. Há muitos anos que peço sempre factura, mas com estas medidas ameaçadoras apetece-me deixar de o fazer. O Estado tem o direito de exigir que se passem sempre facturas e deve controlar isso, até por razões de luta contra a concorrência desleal. Mas não deve transformar os portugueses em fiscais não remunerados". A afirmação é de José Miguel Júdice, advogado sócio da PLMJ & Associados, e ilustra a polémica criada em torno do assunto.
Júdice, um recolector de facturas, "há muitos anos", deve ainda possuir a factura relativa ao contrato de avença que a sua firma de advogados fez em tempos ( quando Nuno Morais Sarmento, então advogado de indústria dessa firma, estava no Governo) com a Parpública por causa de um negócio da GALP que não se chegou a realizar. O Público de então noticiou que o contrato rendia um milhão de dólares quinzenais. E o deputado do PS António Galamba, depois político de governo civil perguntou no Parlamento se tal era verdade. Nunca o caso foi devidamente esclarecido, nem mesmo quando Galamba, com o PS no poder, o poderia ter feito. Esqueceu-se, se calhar...
O caso já foi contado em 2008, por aqui:
O caso particular da firma de advogados PLMJ, já por aqui foi várias vezes citado, mencionando uma interpelação do deputado socialista António Galamba, ao governo de então, liderado por Santana Lopes. O mesmo que tinha como ministro, Morais Sarmento, um dos advogados da firma PLMJ que saira como sócio vulgar, para reingressar como sócio de capital, com inerências respectivas, após o prestígio do ministério.
Sobre este caso, a denúncia interpelatória de António Galamba, era muito simples: o Público tinha escrito que a firma PLMJ, receberia cerca de um milhão de dólares, quinzenalmente, enquanto durasse o período de negociação da eventual privatização da GALP e saída da ENI, no âmbito da reestruturação do sector energético.
O artigo do Sol, a este respeito, é confuso, não permitindo entender claramente se a firma PLMJ recebeu ou não esse montante e durante quanto tempo. Quem pagou efectivamente e quanto, exactamente.
Os números de milhões atropelam-se à medida que as responsabilidades de pagamento, são transferidas da Parpública para a EDP ou para a REN.
Uma coisa é clara, segundo o jornal: o governo PSD de Durão Barroso, em 2003, obrigara a Parpública a contratar os serviços da PLMJ, para a reestruturação do sector energético e no período de três anos, a factura da PLMJ atingiu os três milhões de euros. Longe do milhão de dólares quinzenal, portanto. Mas há mais dossiers e mais honorários facturados. Contam-se dossiers sobre a Portucel, Gescartão e outros.
Quanto a estes negócios do Estado, por intermédio de empresas públicas ou fortemente participadas, com firmas de advogados, alguns responsáveis dos executivos, foram ouvidos ou foram citados.
Bagão Félix e depois Campos e Cunha não apadrinhavam a PLMJ e uma secretária de Estado do segundo, até dera ordens à Parpública, para cessar pagamentos à firma, por se lhe afigurarem escandalosos perante os resultados alcançados, escrevendo mesmo em nota que "a Parpública, funcionara como uma agência de contratação de consultores financeiros e jurídicos ao serviço do Executivo".
Os governos seguintes desdisseram esta orientação e a consultadoria paracerística pôde continuar, sob a orientação de Teixeira dos Santos que autorizou o pagamento de novos honorários, de ordem milionária e por conta pública.
Bagão Félix, ouvido pelo jornal a este propósito, diz:
"O valor de outsourcing dos serviços especializados ( incluindo os jurídicos) era muito elevado: 200 milhões de euros. E disparou no actual governo para um valor anual de 400 milhões de euros."
E adianta, revelando a falência do Estado, no enriquecimento das firmas:
" Enquanto cidadão e contribuinte, repugna-me que muitos projectos de leis e decretos-lei centrais, sejam feitos nos grandes escritórios".
Que por sua vez, são constituidos por advogados com interesses privados, como é natural. É por isso, provavelmente que Bagão Félix diz, sem papas na língua que o jornal transcreve:
"Estado é refém dos advogados" e que por sua vez actuam em oligopólio. As firmas são, quase sempre as mesmas...
Morais Sarmento, por sua vez, não tem qualquer pejo em declarar ao mesmo jornal que:
"Interrompi o vínculo com a PLMJ quando entrei para o governo ( era o que mais faltava, não interromper...).
E ainda: A PLMJ acabou por ser prejudicada porque não permiti que trabalhasse directamente com a...RTP" . Mas ainda assim, contratou duas advogadas da mesma firma, para lhe prestarem assistência jurídica em assuntos com a RTP e enquanto ministro.
De facto, por causa disso, terá sido uma desgraça para a firma. Porém, logo esquecida, no fim do período governativo do advogado. Regressado, como filho pródigo , à firma em causa e depois de lhe ter causado esse prejuizo, foi recompensado, pelo grupo restrito dos donos da firma, como um par, atribuindo-lhe o estatuto de sócio de capital. Notável.
Como é notável, a este propósito, uma das últimas contratações públicas de firmas. O escritório de advogados João Pedroso & Associados, logrou obter um contrato, que pode ser de avença, para os serviços jurídicos do hospital público de Viana do Castelo. Com mais de uma centena de advogados na cidade, a administração do hospital, nomeada por pessoas deste Executivo, entendeu aquela firma de advocacia, de longe da cidade, como a melhor posicionada, profissionalmente, para a prestação de serviços.
Sobre as facturas dessas firmas de advogados com esses serviços, Marinho e Pinto, agora estranhamente preocupado com o assunto, nunca se esforçou muito em denunciar embora tenha por vezes balbuciado umas incoerências, de vez em quando, como pelos vistos o terá feito agora, num programa da noite, na tv, onde perora com Rui Rangel que exerce profissão de juiz de direito.
Relativamente a esta voragem de dinheiros públicos em parecerística, uma edição do jornal Sol de 2008 ( antes da queda por causa do incrível e inenarrável Rui Pedo Soares), mostrava uma infografia assim:
quinta-feira, fevereiro 14, 2013
BPN e CGD e o jornalismo para quem é bacalhau basta
O "caso BPN" continua a manchar os telejornais, com comentadores de todos os matizes a assegurarem que é um "caso de polícia", um crime, uma fraude, whatever.
Pode ser tudo isso e mais alguma coisa que nem isso é. Tal como este caso ocorrido no início dos anos 2000, há mais de dez anos, relatado pelo Público em 2004 e que não incomodou ninguém por aí além.
Pina Moura continua a comentar na TVI e os envolvidos neste caso, se lhes falarem no caso BPN, porventura dirão, papagueando que "é um caso de polícia"...
E isto foi- atenção!- antes do caso BCP, com milhões emprestados ao Berardo para comprar acções do BCP e ficar com poder de mudar a administração. Antes disse e de outras coisas, com a dupla fantástica Vara-Bandeira, os tais de quem Catroga disse que "abandalharam" o banco.
Esta gente, actualmente, onde está? A gozar rendimentos? O BPN ao pé disto é uma brincadeira do Oiliveira e Costa.
Quem tem clamado por justiça no caso BPN, tomando-o como autêntico bode expiatório de algo que nem compreendem, podia começar por aqui. A SIC, por exemplo, poderia fazer uma série de episódios como os que fez com o BPN, ainda mais saborosos. Por que não faz? Por uma razão: Balsemão.
Público de 25 Fevereiro 2004:
Pode ser tudo isso e mais alguma coisa que nem isso é. Tal como este caso ocorrido no início dos anos 2000, há mais de dez anos, relatado pelo Público em 2004 e que não incomodou ninguém por aí além.
Pina Moura continua a comentar na TVI e os envolvidos neste caso, se lhes falarem no caso BPN, porventura dirão, papagueando que "é um caso de polícia"...
E isto foi- atenção!- antes do caso BCP, com milhões emprestados ao Berardo para comprar acções do BCP e ficar com poder de mudar a administração. Antes disse e de outras coisas, com a dupla fantástica Vara-Bandeira, os tais de quem Catroga disse que "abandalharam" o banco.
Esta gente, actualmente, onde está? A gozar rendimentos? O BPN ao pé disto é uma brincadeira do Oiliveira e Costa.
Quem tem clamado por justiça no caso BPN, tomando-o como autêntico bode expiatório de algo que nem compreendem, podia começar por aqui. A SIC, por exemplo, poderia fazer uma série de episódios como os que fez com o BPN, ainda mais saborosos. Por que não faz? Por uma razão: Balsemão.
Público de 25 Fevereiro 2004:
terça-feira, fevereiro 12, 2013
O comunismo no campanário e um frei sempre fixe
Depois do 25 de Abril 1974 a Igreja Católica foi rapidamente atacada pelos poderes de facto comunistas com invectivas escritas, propaladas e atentados ao seu poder na sociedade tradicionalmente católica, em Portugal. A Igreja era um problema para o comunismo e os seus próceres não sabiam bem lidar com a instituição. Em vez do jacobinismo passado e futuro ( actual) os comunistas tinham armas mais eficazes para afastar a Igreja Católica do palco de influência que lhe negavam. Como não podiam intervir nas homilias das missas, dedicavam páginas e páginas de jornais a desbastar " a reacção de campanário" que tanto os incomodava.
Em 30 Setembro de 1974 ( dois dias depois do 28 de Setembro) o jornal Sempre Fixe dedicava um suplemento de quatro páginas à "Igreja em Portugal".
Primeiro apresentava aqueles padres que lhes eram mais próximos ideologicamente, como Frei Bento Domingues, ainda hoje um padre mediático ( et pour cause) .
No entanto, a questão religiosa era outra e mais grave e insuportável para o comunismo. Os jornais "reaccionários" de campanário eram uma praga no Norte católico e havia que acabar com tais folhas de couve que impediam o comunismo de progredir socialmente. Parece que o antigo jornalista da Flama ( do Patriarcado) Alexandre Manuel tem a sua tese de doutoramento no ISCTE sobre este assunto magno da imprensa regional católica...deve ser algo de tomo.
Em Julho de 1974 o Século Ilustrado já dava uma achega para o problema que se apresentava aos comunistas como inultrapassável: no Norte, a Igreja tinha mais influência que o Partido e isso era intolerável. Que fazer, então? Dividir, em primeiro lugar, os padres entre progressistas e reaccionários. Assim:
Evidentemente, o arcebispo de Braga e o cónego Melo eram os alvos a abater. E por isso havia a Gazeta que em 8 de Abril de 1976 lhes fazia a folha:
E apresentava uma página inteira dedicada a um padre, émulo de "Camilo Torres com o seu fuzil" ( como cantava José Afonso na "arcebispíade" )que iria concorrer a eleições pela UDP e tinha morrido num atentado à bomba ( atribuído pelos comunistas logo ao ELP e MDLP e com a conivência, senão a participação, da Igreja) em Cumeeira, Vila Real.
A meio caminho ficava este bispo que tinha sido corrido de Portugal por se ter oposto ao regime anterior ao 25 de Abril. O bispo D. António, conforme se lê neste artigo do Século Ilustrado de 9.7.76 não achava que tinha havido fascismo em Portugal, mas sim um regime autoritário, apenas. Com ideias destas, não servia...
Em 30 Setembro de 1974 ( dois dias depois do 28 de Setembro) o jornal Sempre Fixe dedicava um suplemento de quatro páginas à "Igreja em Portugal".
Primeiro apresentava aqueles padres que lhes eram mais próximos ideologicamente, como Frei Bento Domingues, ainda hoje um padre mediático ( et pour cause) .
No entanto, a questão religiosa era outra e mais grave e insuportável para o comunismo. Os jornais "reaccionários" de campanário eram uma praga no Norte católico e havia que acabar com tais folhas de couve que impediam o comunismo de progredir socialmente. Parece que o antigo jornalista da Flama ( do Patriarcado) Alexandre Manuel tem a sua tese de doutoramento no ISCTE sobre este assunto magno da imprensa regional católica...deve ser algo de tomo.
Em Julho de 1974 o Século Ilustrado já dava uma achega para o problema que se apresentava aos comunistas como inultrapassável: no Norte, a Igreja tinha mais influência que o Partido e isso era intolerável. Que fazer, então? Dividir, em primeiro lugar, os padres entre progressistas e reaccionários. Assim:
Evidentemente, o arcebispo de Braga e o cónego Melo eram os alvos a abater. E por isso havia a Gazeta que em 8 de Abril de 1976 lhes fazia a folha:
E apresentava uma página inteira dedicada a um padre, émulo de "Camilo Torres com o seu fuzil" ( como cantava José Afonso na "arcebispíade" )que iria concorrer a eleições pela UDP e tinha morrido num atentado à bomba ( atribuído pelos comunistas logo ao ELP e MDLP e com a conivência, senão a participação, da Igreja) em Cumeeira, Vila Real.
A meio caminho ficava este bispo que tinha sido corrido de Portugal por se ter oposto ao regime anterior ao 25 de Abril. O bispo D. António, conforme se lê neste artigo do Século Ilustrado de 9.7.76 não achava que tinha havido fascismo em Portugal, mas sim um regime autoritário, apenas. Com ideias destas, não servia...
A génese do Expresso: um biombo
Expresso online:
A redacção, formada por uma dezena de profissionais, é chefiada por Augusto de Carvalho, que conta com o apoio na secção nacional de José Manuel Teixeira. Outros redactores são Fernando Ulrich (que, sob o pseudónimo de Vicente Marques, faz a crónica bolsista), António Patrício Gouveia (economia), Álvaro Martins Lopes (internacional), Inácio Teigão (desporto), Fernando Brederode Santos (que já estivera preso pela PIDE, tal como o director de publicidade, Jorge Galamba). Teodomiro Leite de Vasconcelos tem um 'gancho' na Rádio Renascença, onde na noite de 24 para 25 de Abril de 1974 irá pôr a rodar o disco "Grândola, Vila Morena"... O deputado João Bosco Mota Amaral é o correspondente nos Açores (assinando como J. Soares Botelho) e Mercedes Balsemão, mulher do director, faz as palavras cruzadas, com o pseudónimo de Marcos Cruz. Juan Luis Cebrián, fundador, em 1976, e primeiro director do "El País" e grande amigo de Balsemão, é o correspondente em Madrid.
Para se inteirar do modelo jornalístico, Augusto de Carvalho faz um estágio no Reino Unido, acompanhado do director de publicidade e de Fernando Ulrich. O grupo trabalha nos londrinos "The Sunday Times" e "The Observer", Atenta, a Direção-Geral de Segurança (DGS, sucessora da PIDE) intercepta e fotocopia a correspondência trocada entre Balsemão e os seus homólogos ingleses, fazendo-a chegar às mãos de Marcello Caetano.
A sessão de lançamento do novo semanário realiza-se a 21 de dezembro de 1972, no hotel Ritz. Dias depois, a 27, o vespertino "República", ligado à oposição socialista, traz uma longa entrevista a Balsemão. Uma cópia é anexada ao processo aberto pela polícia política em nome de Balsemão. A primeira entrevista, porém, fora dada a 27 de Outubro de 1972 ao jornalista Alexandre Manuel, da revista "Flama": "É viável uma imprensa portuguesa independente".
A campanha de publicidade é entregue à agência Ciesa, onde pontifica o criativo Artur Portela Filho. "Expresso, o jornal dos que sabem ler", é o principal slogan, a apelar a uma leitura nas entrelinhas... A campanha para a televisão é proibida. Marcelo Rebelo de Sousa detalha: "Dizia qualquer coisa como 'o Expresso não é de esquerda nem de direita, nem de cima nem de baixo, mas do centro'. O Portela é que fez os textos".
Duas inovações são o estatuto editorial, que define a orientação do periódico, e um Conselho de Redacção, eleito pelos jornalistas, órgão de participação na elaboração do jornal. Uma terceira novidade é o Conselho Editorial, a que se pede que discuta e critique o conteúdo e para o qual são convidados Mário Murteira, Ruben A., Vasco Vieira de Almeida, João Morais Leitão, Sedas Nunes e Magalhães Mota, que, recorda Balsemão, "todas as semanas enviava uma carta repleta de sugestões e notícias".
O nº 1 sai para a rua no sábado 6 de Janeiro de 1973. A tiragem ultrapassa os 60 mil exemplares, impressos na rotativa do "Diário de Lisboa". Com 24 páginas e dois cadernos, o preço é de 5$00 (€1,33 a preço atual). A manchete é uma sondagem encomendada, que revela que "63 por cento dos portugueses nunca votaram" - para bom entendedor... A 3 de Fevereiro surgem pela primeira vez as iniciais MRS - de Marcelo Rebelo de Sousa, que se estreia na análise política e que só mais tarde assinará por extenso. Marcelo, que inicialmente fora convidado para gestor, vai sendo desligado dessas funções, para as quais não revela grande talento; desviado para a área dos conteúdos, é igualmente destacado para gerir as complexas relações com a censura, que desde 1971 se chama Exame Prévio. Mário Bento Soares é o respectivo director. Provocador, Marcelo faz gala em lhe chamar Mário Soares, em vez de Mário Bento... O ex-chefe da censura recorda que "o Expresso era uma dor de cabeça".
Nas 68 edições submetidas ao lápis azul, o semanário leva mais de quatro mil cortes, em quase dois mil textos. A tudo estão atentos os coronéis censores: notícias, entrevistas, reportagens, títulos, até palavras cruzadas. Golpes em artigos de opinião são aos molhos, incidindo sobre nomes como Pinto Balsemão, Sá Carneiro e Miller Guerra, Mário Soares e Salgado Zenha, Maria de Lourdes Pintasilgo e Jorge Sampaio.
No final de maio de 1973, durante uma deslocação de Balsemão a Espanha, Rebelo de Sousa decide desrespeitar três dezenas de cortes impostos à edição de 2 de Junho. O pior é a ressaca. Furioso, o director-geral de Informação, Geraldes Cardoso, retalia, impondo uma dupla censura: não apenas aos textos, mas às próprias provas de página. O castigo repete-se em Janeiro de 1974, quando o mesmo Geraldes Cardoso escreve a Balsemão, comentando, irado, duas notícias de capa da edição de dia 12: "Sottomayor Cardia ouvido na DGS" e "Conferência sobre arte interrompida pela PSP". A sanção repete-se: "sujeição de todo ou parte do jornal a prova de página", e que se prolongará por vários meses. Os efeitos são desastrosos. Os atrasos na feitura são em catadupa. O jornal passa a sair da rotativa tarde e a más horas, perdendo o correio e os comboios. As vendas caem, a publicidade retrai-se. Luís Ribeiro, o designer, recordará o alerta pessimista de Balsemão: "Mestre, tem de ir pensando nos seus desenhos, porque se calhar qualquer dia fecham-nos a porta". Balsemão não duvida: "Se o 25 de Abril não tivesse acontecido, o Expresso teria acabado!".
O 25 de Abril é uma festa. O primeiro número em liberdade vai para a rua a 27. No andar da Duque de Palmela não se faz só o Expresso - faz-se também o Partido Popular Democrático, PPD, antecessor do PSD. O nome é escolhido durante uma conversa que reúne, entre outros, Balsemão, Marcelo e Ruben A., que é quem sugere o nome. A preferência pendia para a designação de social-democrata, mas da qual outros dois partidos, que nunca haveriam de constituir-se, se haviam apropriado com pinturas nas paredes. Ao telefone, no Porto, está Sá Carneiro, que também concorda com a sigla, que é arrematada. O Expresso é palco de outro momento histórico da criação do PPD/PSD, contado por Balsemão: "Quando o Miller Guerra, depois de uma discussão com o Presidente António de Spínola sobre a descolonização, decidiu não ser fundador do partido, foi no meu gabinete na Duque de Palmela, que, no regresso de Belém, o Sá Carneiro, o Magalhães Mota e eu próprio tentámos, sem êxito, convencê-lo a ficar".
A redacção, formada por uma dezena de profissionais, é chefiada por Augusto de Carvalho, que conta com o apoio na secção nacional de José Manuel Teixeira. Outros redactores são Fernando Ulrich (que, sob o pseudónimo de Vicente Marques, faz a crónica bolsista), António Patrício Gouveia (economia), Álvaro Martins Lopes (internacional), Inácio Teigão (desporto), Fernando Brederode Santos (que já estivera preso pela PIDE, tal como o director de publicidade, Jorge Galamba). Teodomiro Leite de Vasconcelos tem um 'gancho' na Rádio Renascença, onde na noite de 24 para 25 de Abril de 1974 irá pôr a rodar o disco "Grândola, Vila Morena"... O deputado João Bosco Mota Amaral é o correspondente nos Açores (assinando como J. Soares Botelho) e Mercedes Balsemão, mulher do director, faz as palavras cruzadas, com o pseudónimo de Marcos Cruz. Juan Luis Cebrián, fundador, em 1976, e primeiro director do "El País" e grande amigo de Balsemão, é o correspondente em Madrid.
Para se inteirar do modelo jornalístico, Augusto de Carvalho faz um estágio no Reino Unido, acompanhado do director de publicidade e de Fernando Ulrich. O grupo trabalha nos londrinos "The Sunday Times" e "The Observer", Atenta, a Direção-Geral de Segurança (DGS, sucessora da PIDE) intercepta e fotocopia a correspondência trocada entre Balsemão e os seus homólogos ingleses, fazendo-a chegar às mãos de Marcello Caetano.
A sessão de lançamento do novo semanário realiza-se a 21 de dezembro de 1972, no hotel Ritz. Dias depois, a 27, o vespertino "República", ligado à oposição socialista, traz uma longa entrevista a Balsemão. Uma cópia é anexada ao processo aberto pela polícia política em nome de Balsemão. A primeira entrevista, porém, fora dada a 27 de Outubro de 1972 ao jornalista Alexandre Manuel, da revista "Flama": "É viável uma imprensa portuguesa independente".
A campanha de publicidade é entregue à agência Ciesa, onde pontifica o criativo Artur Portela Filho. "Expresso, o jornal dos que sabem ler", é o principal slogan, a apelar a uma leitura nas entrelinhas... A campanha para a televisão é proibida. Marcelo Rebelo de Sousa detalha: "Dizia qualquer coisa como 'o Expresso não é de esquerda nem de direita, nem de cima nem de baixo, mas do centro'. O Portela é que fez os textos".
Duas inovações são o estatuto editorial, que define a orientação do periódico, e um Conselho de Redacção, eleito pelos jornalistas, órgão de participação na elaboração do jornal. Uma terceira novidade é o Conselho Editorial, a que se pede que discuta e critique o conteúdo e para o qual são convidados Mário Murteira, Ruben A., Vasco Vieira de Almeida, João Morais Leitão, Sedas Nunes e Magalhães Mota, que, recorda Balsemão, "todas as semanas enviava uma carta repleta de sugestões e notícias".
O nº 1 sai para a rua no sábado 6 de Janeiro de 1973. A tiragem ultrapassa os 60 mil exemplares, impressos na rotativa do "Diário de Lisboa". Com 24 páginas e dois cadernos, o preço é de 5$00 (€1,33 a preço atual). A manchete é uma sondagem encomendada, que revela que "63 por cento dos portugueses nunca votaram" - para bom entendedor... A 3 de Fevereiro surgem pela primeira vez as iniciais MRS - de Marcelo Rebelo de Sousa, que se estreia na análise política e que só mais tarde assinará por extenso. Marcelo, que inicialmente fora convidado para gestor, vai sendo desligado dessas funções, para as quais não revela grande talento; desviado para a área dos conteúdos, é igualmente destacado para gerir as complexas relações com a censura, que desde 1971 se chama Exame Prévio. Mário Bento Soares é o respectivo director. Provocador, Marcelo faz gala em lhe chamar Mário Soares, em vez de Mário Bento... O ex-chefe da censura recorda que "o Expresso era uma dor de cabeça".
Nas 68 edições submetidas ao lápis azul, o semanário leva mais de quatro mil cortes, em quase dois mil textos. A tudo estão atentos os coronéis censores: notícias, entrevistas, reportagens, títulos, até palavras cruzadas. Golpes em artigos de opinião são aos molhos, incidindo sobre nomes como Pinto Balsemão, Sá Carneiro e Miller Guerra, Mário Soares e Salgado Zenha, Maria de Lourdes Pintasilgo e Jorge Sampaio.
No final de maio de 1973, durante uma deslocação de Balsemão a Espanha, Rebelo de Sousa decide desrespeitar três dezenas de cortes impostos à edição de 2 de Junho. O pior é a ressaca. Furioso, o director-geral de Informação, Geraldes Cardoso, retalia, impondo uma dupla censura: não apenas aos textos, mas às próprias provas de página. O castigo repete-se em Janeiro de 1974, quando o mesmo Geraldes Cardoso escreve a Balsemão, comentando, irado, duas notícias de capa da edição de dia 12: "Sottomayor Cardia ouvido na DGS" e "Conferência sobre arte interrompida pela PSP". A sanção repete-se: "sujeição de todo ou parte do jornal a prova de página", e que se prolongará por vários meses. Os efeitos são desastrosos. Os atrasos na feitura são em catadupa. O jornal passa a sair da rotativa tarde e a más horas, perdendo o correio e os comboios. As vendas caem, a publicidade retrai-se. Luís Ribeiro, o designer, recordará o alerta pessimista de Balsemão: "Mestre, tem de ir pensando nos seus desenhos, porque se calhar qualquer dia fecham-nos a porta". Balsemão não duvida: "Se o 25 de Abril não tivesse acontecido, o Expresso teria acabado!".
O 25 de Abril é uma festa. O primeiro número em liberdade vai para a rua a 27. No andar da Duque de Palmela não se faz só o Expresso - faz-se também o Partido Popular Democrático, PPD, antecessor do PSD. O nome é escolhido durante uma conversa que reúne, entre outros, Balsemão, Marcelo e Ruben A., que é quem sugere o nome. A preferência pendia para a designação de social-democrata, mas da qual outros dois partidos, que nunca haveriam de constituir-se, se haviam apropriado com pinturas nas paredes. Ao telefone, no Porto, está Sá Carneiro, que também concorda com a sigla, que é arrematada. O Expresso é palco de outro momento histórico da criação do PPD/PSD, contado por Balsemão: "Quando o Miller Guerra, depois de uma discussão com o Presidente António de Spínola sobre a descolonização, decidiu não ser fundador do partido, foi no meu gabinete na Duque de Palmela, que, no regresso de Belém, o Sá Carneiro, o Magalhães Mota e eu próprio tentámos, sem êxito, convencê-lo a ficar".
O que é feito da Esquerda portuguesa, comunista e utópica?
Em 28 de Junho de 1974, escassos dois meses depois do golpe de Estado, a revista Flama, pela pena dactilográfica de um tal Alexandre Manuel, interrogava-se sobre o que era feito da Direita portuguesa, para concluir que se eclipsara. No entanto, avisava já os incautos que "o fascismo continua vivo e actuante- é essa a realidade. Apenas modificou os seus métodos." Fantástico.
A tal Direita portuguesa era tão perigosa que o comunista bloquista avant la lettre, João Martins Pereira, guru de Louçã e companhia, escrevia na Vida Mundial de 19 de Dezembro de 1974 ( a tal que trazia oito páginas de panegírico à Albânia como "sociedade perfeita", um exemplo da alucinação máxima do comunismo luso) um artigo de três páginas aterrador. Melhor que isto só o actual programa do BE que comunga exactamente as mesmas ideias aqui expostas, mas que não explicita e os jornalistas não querem saber porque já sabem tudo o que interessa: para quem é, bacalhau basta.
Por isso mesmo não é de admirar o que se passou um ano depois disto: a Esquerda rompante e a mandar em Portugal e nas suas leis fundamentais. Assim:
Evidentemente quem julga que já pagamos tudo isto, andará muito enganado, a meu ver.
Aditamento: afinal o jornalista Alexandre Manuel que escrevia artigos cripto-comunistas na Flama, e abertamente comunistas na Vida Mundial, nos idos de 74 e que foi entrevistador do cardeal Cerejeira é este indivíduo, doutorado agora pelo...ISCTE. Where else?

A tal Direita portuguesa era tão perigosa que o comunista bloquista avant la lettre, João Martins Pereira, guru de Louçã e companhia, escrevia na Vida Mundial de 19 de Dezembro de 1974 ( a tal que trazia oito páginas de panegírico à Albânia como "sociedade perfeita", um exemplo da alucinação máxima do comunismo luso) um artigo de três páginas aterrador. Melhor que isto só o actual programa do BE que comunga exactamente as mesmas ideias aqui expostas, mas que não explicita e os jornalistas não querem saber porque já sabem tudo o que interessa: para quem é, bacalhau basta.
Por isso mesmo não é de admirar o que se passou um ano depois disto: a Esquerda rompante e a mandar em Portugal e nas suas leis fundamentais. Assim:
Evidentemente quem julga que já pagamos tudo isto, andará muito enganado, a meu ver.
Aditamento: afinal o jornalista Alexandre Manuel que escrevia artigos cripto-comunistas na Flama, e abertamente comunistas na Vida Mundial, nos idos de 74 e que foi entrevistador do cardeal Cerejeira é este indivíduo, doutorado agora pelo...ISCTE. Where else?

segunda-feira, fevereiro 11, 2013
Corrupção... mas que bicho é esse?
Sapo Notícias:
Em comunicado, a direção da TIAC, representante portuguesa da rede global anti-corrupção Transparency International, lamentou hoje “a reiterada falta de progressos na luta contra a corrupção por parte das autoridades portuguesas, sublinhada mais uma vez no último relatório de avaliação do Grupo de Estados Contra a Corrupção (GRECO)”, do Conselho da Europa.
Estas conclusões constam do relatório do GRECO sobre o cumprimento das recomendações dos avaliadores, no âmbito da terceira ronda de avaliação, que incide sobre os procedimentos de incriminação e a regulação e supervisão do financiamento político.
Os resultados desta avaliação “são desoladores”, sublinha a TIAC, apontando que Portugal só aplicou uma das 13 medidas recomendadas pelo GRECO, desenvolveu parcialmente quatro e deixou totalmente de lado as restantes oito recomendações.
Em Portugal a corrupção é fenómeno marginalíssimo, conforme asseguraram publicamente o antigo PGR Pinto Monteiro ( amigo de Proença de Carvalho e Marinho e Pinto) e a directora do DCIAP Cândida Almeida, esta numas jornadas políticas do PSD, em universidade de Verão.
Em Portugal a corrupção não existe enquanto fenómeno perceptível às elites porque são estas que estão no seio do fenómeno, há muitos anos. O fenómeno do BPN é apenas um dos exemplos disso.O BCP outro. As PPP ainda outro e as parcerias com as firmas de advocacia de Lisboa ainda outro.
A referida falta de progressos no combate à corrupção tem a ver com esses fenómenos bem portugueses. É preciso recordar que durante muitos anos, praticamente até aos anos oitenta, na Sicília a mafia era uma entidade inexistente porque era negada a sua existência enquanto tal. Foi preciso demonstrar com casos concretos, factos concretos e nomes precisos que era uma realidade tão concreta que afinal até tinha uma Comissão Executiva que ninguém conhecia. Mas que mandava matar gente...
Em comunicado, a direção da TIAC, representante portuguesa da rede global anti-corrupção Transparency International, lamentou hoje “a reiterada falta de progressos na luta contra a corrupção por parte das autoridades portuguesas, sublinhada mais uma vez no último relatório de avaliação do Grupo de Estados Contra a Corrupção (GRECO)”, do Conselho da Europa.
Estas conclusões constam do relatório do GRECO sobre o cumprimento das recomendações dos avaliadores, no âmbito da terceira ronda de avaliação, que incide sobre os procedimentos de incriminação e a regulação e supervisão do financiamento político.
Os resultados desta avaliação “são desoladores”, sublinha a TIAC, apontando que Portugal só aplicou uma das 13 medidas recomendadas pelo GRECO, desenvolveu parcialmente quatro e deixou totalmente de lado as restantes oito recomendações.
Em Portugal a corrupção é fenómeno marginalíssimo, conforme asseguraram publicamente o antigo PGR Pinto Monteiro ( amigo de Proença de Carvalho e Marinho e Pinto) e a directora do DCIAP Cândida Almeida, esta numas jornadas políticas do PSD, em universidade de Verão.
Em Portugal a corrupção não existe enquanto fenómeno perceptível às elites porque são estas que estão no seio do fenómeno, há muitos anos. O fenómeno do BPN é apenas um dos exemplos disso.O BCP outro. As PPP ainda outro e as parcerias com as firmas de advocacia de Lisboa ainda outro.
A referida falta de progressos no combate à corrupção tem a ver com esses fenómenos bem portugueses. É preciso recordar que durante muitos anos, praticamente até aos anos oitenta, na Sicília a mafia era uma entidade inexistente porque era negada a sua existência enquanto tal. Foi preciso demonstrar com casos concretos, factos concretos e nomes precisos que era uma realidade tão concreta que afinal até tinha uma Comissão Executiva que ninguém conhecia. Mas que mandava matar gente...
Bento XVI resignou. Desde o séc. XV que tal não sucedia.
Expresso online, a alocução de resignação do Papa, na íntegra:
Convoquei-vos para este Consistório, não apenas para as três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado a minha consciência repetidas vezes, perante Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são apropriadas a um exercício adequado do ministério Petrino.
Estou bem consciente de que este ministério, devido à sua natureza essencialmente espiritual, deverá ser levado a cabo não apenas com palavras e actos, mas não menos com oração e sofrimento. Contudo, no mundo de hoje, sujeito a tantas mudanças rápidas e abalado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e proclamar o Evangelho, requer-se força tanto à mente como ao corpo, força essa que se degradou em mim, nos últimos meses, de tal forma que tive de reconhecer a minha incapacidade para exercer de forma adequada o ministério que me foi confiado.
Por esta razão, e bem consciente da gravidade deste ato, declaro com total liberdade que renunciou ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pelos Cardeais a 19 de Abril de 2005, de modo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas, a Sé de Roma, a Cátedra de São Pedro, ficará vaga e terá de ser convocado um Conclave para eleger o novo Sumo Pontífice, por aqueles que têm essa competência.
Queridos Irmãos, agradeço-vos muito sinceramente todo o amor e o trabalho com que me apoiastes no meu ministério e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, confiemos a Santa Igreja ao cuidado do Nosso Supremo Pastor, o Nosso Senhor Jesus Cristo, e imploremos à sua santa Mãe Maria, para que dê assistência aos Pais Cardeais com a sua dedicação maternal, na eleição do novo Supremo Pontífice. No que me diz respeito, também desejo servir devotamente a Santa Igreja de Deus, no futuro, através de uma vida dedicada à oração.
Do Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013
BENEDICTUS PP XVI
Aditamento em 12.2.13:
Um fotógrafo oportuno, da agência Ansa, captou este instantâneo espectacular, ontem, no Vaticano. Tal como aqui se escreve, Bento XVI tem sido um Papa formidável.
Convoquei-vos para este Consistório, não apenas para as três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado a minha consciência repetidas vezes, perante Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são apropriadas a um exercício adequado do ministério Petrino.
Estou bem consciente de que este ministério, devido à sua natureza essencialmente espiritual, deverá ser levado a cabo não apenas com palavras e actos, mas não menos com oração e sofrimento. Contudo, no mundo de hoje, sujeito a tantas mudanças rápidas e abalado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e proclamar o Evangelho, requer-se força tanto à mente como ao corpo, força essa que se degradou em mim, nos últimos meses, de tal forma que tive de reconhecer a minha incapacidade para exercer de forma adequada o ministério que me foi confiado.
Por esta razão, e bem consciente da gravidade deste ato, declaro com total liberdade que renunciou ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pelos Cardeais a 19 de Abril de 2005, de modo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas, a Sé de Roma, a Cátedra de São Pedro, ficará vaga e terá de ser convocado um Conclave para eleger o novo Sumo Pontífice, por aqueles que têm essa competência.
Queridos Irmãos, agradeço-vos muito sinceramente todo o amor e o trabalho com que me apoiastes no meu ministério e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, confiemos a Santa Igreja ao cuidado do Nosso Supremo Pastor, o Nosso Senhor Jesus Cristo, e imploremos à sua santa Mãe Maria, para que dê assistência aos Pais Cardeais com a sua dedicação maternal, na eleição do novo Supremo Pontífice. No que me diz respeito, também desejo servir devotamente a Santa Igreja de Deus, no futuro, através de uma vida dedicada à oração.
Do Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013
BENEDICTUS PP XVI
Aditamento em 12.2.13:
Um fotógrafo oportuno, da agência Ansa, captou este instantâneo espectacular, ontem, no Vaticano. Tal como aqui se escreve, Bento XVI tem sido um Papa formidável.
Nazismo e comunismo: descubra as diferenças.
Mais um texto do comentador Floriano Mongo ( o nome é zappiano), sobre o comunismo, perdão, sobre o nazismo:
"(…)
11. A supressão dos rendimentos a que não corresponda trabalho ou esforço, o fim da escravidão do juro;
12. Levando-se em conta os imensos sacrifícios em bens e em sangue derramado que toda guerra exige do povo, o enriquecimento pessoal graças à guerra deve ser qualificado de crime contra o povo. Exigimos, portanto, a recuperação total de todos os lucros de guerra;
13. Exigimos a nacionalização de todas as empresas (já) estabelecidas como sociedades (trustes);
14. Exigimos participação nos lucros das grandes empresas;
15. Exigimos que se ampliem generosamente as aposentadorias;
16. Exigimos a constituição e a manutenção de uma classe média sadia, a estatização imediata das grandes lojas, e o seu aluguer a preços baixos a pequenos comerciantes, cadastramento sistemático de todos os pequenos comerciantes para atender às encomendas do Estado, dos Länder e das comunas;
17. Exigimos uma reforma agrária apropriada às nossas necessidades nacionais, a elaboração de uma lei sobre a expropriação da terra sem indemnização por motivo de utilidade pública, a supressão da renda fundiária e a proibição de qualquer especulação imobiliária;
18. Exigimos uma luta impiedosa contra aqueles cujas actividades prejudicam o interesse geral. Os infames criminosos contra o povo, agiotas, traficantes etc. devem ser punidos com pena de morte, sem consideração de credo ou raça;
19. Exigimos que se substitua o direito romano, que serve à ordem materialista, por um direito alemão;
20. Com o fito de permitir a todo alemão capaz e trabalhador alcançar uma instrução de alto nível e chegar assim ao desempenho de funções executivas, deve o Estado empreender uma reorganização radical de todo o nosso sistema de educação popular. Os programas de todos os estabelecimentos de ensino devem ser adaptados às exigências da vida prática. A assimilação dos conhecimentos de instrução cívica deve ser feita na escola desde o despertar da inteligência. Exigimos a educação, custeada pelo Estado, dos filhos – com destacados dotes intelectuais – de pais pobres, sem se levar em conta a posição ou a profissão desses pais;
21. O Estado deve tomar a seu cargo o melhoramento da saúde pública mediante a protecção da mãe e da criança, a proibição do trabalho infantil, uma política de educação física que compreenda a instituição legal da ginástica e do desporto obrigatórios, e o máximo auxílio possível às associações especializadas na educação física dos jovens;
22. Exigimos a abolição do exército de mercenários e a formação de um exército popular;
23. Exigimos que se lute pela lei contra a mentira política deliberada e a sua divulgação através da imprensa. Para que se torne possível a constituição de uma imprensa alemã, exigimos:
a) que todos os redactores e colaboradores de jornais editados em língua alemã sejam obrigatoriamente membros do povo (Volksgenossen);
b) que os jornais não-alemães sejam submetidos à autorização expressa do Estado para poderem circular. Que estes não possam ser impressos em língua alemã;
c) que toda participação financeira e toda influência de não-alemães sobre os jornais alemães sejam proibidas por lei, e exigimos que se adopte como sanção para toda e qualquer infração o fechamento da empresa jornalística e a expulsão imediata dos não-alemães envolvidos para fora do Reich.
Os jornais que colidirem com o interesse geral devem ser interditados. Exigimos que a lei combata as tendências artísticas e literárias que exerçam influência debilitante sobre a vida do nosso povo, e o fechamento dos estabelecimentos que se oponham às exigências acima.
(…)
Qualquer semelhança com um programa comunista não é mera coincidência. O fascismo, também na sua vertente nazi, sempre foi de esquerda nos seus fundamentos mais gerais. Erigiu, sim, uma concepção de poder e de organização de Estado diferente daquelas estabelecidas pela Internacional Comunista e repudiava o entendimento que esta tinha do “internacionalismo”.
Mas o ódio ao liberalismo económico, à propriedade privada e às liberdades individuais era o mesmo.
Em ambos, as tentações totalitárias manipulam o discurso da igualdade para criar um ente de razão, estado ou partido, que busque substituir a sociedade.
Essa cultura de “engenharia social”, que captura direitos individuais em nome de um estado reparador, ainda está muito presente naqueles que não deixam de sonhar com o pesadelo. Ela estabelece-se oferecendo o paraíso na terra, um verdadeiro reino de justiça e igualdade.
O resultado dessa “igualdade”, foram milhões de mortos. Nessa contabilidade macabra, os comunistas levaram uma enorme “vantagem”, mataram muito mais – incomparavelmente mais, legitimados pela “razão” de que matavam em nome do “bem”da própria vítima.
É pouco provável que as barbaridades do nazismo e do comunismo se repitam.
Mas ninguém se engane, dezenas de anos é quase nada na História. Em 1933, ou mesmo em 1917, a humanidade já dispunha de boa parte da literatura que vale a pena, de boa parte do pensamento que vale a pena, de boa parte até mesmo do conhecimento científico que ainda hoje serve de referência.
No entanto, o mundo viveu sob o signo destas bestas."
"(…)
11. A supressão dos rendimentos a que não corresponda trabalho ou esforço, o fim da escravidão do juro;
12. Levando-se em conta os imensos sacrifícios em bens e em sangue derramado que toda guerra exige do povo, o enriquecimento pessoal graças à guerra deve ser qualificado de crime contra o povo. Exigimos, portanto, a recuperação total de todos os lucros de guerra;
13. Exigimos a nacionalização de todas as empresas (já) estabelecidas como sociedades (trustes);
14. Exigimos participação nos lucros das grandes empresas;
15. Exigimos que se ampliem generosamente as aposentadorias;
16. Exigimos a constituição e a manutenção de uma classe média sadia, a estatização imediata das grandes lojas, e o seu aluguer a preços baixos a pequenos comerciantes, cadastramento sistemático de todos os pequenos comerciantes para atender às encomendas do Estado, dos Länder e das comunas;
17. Exigimos uma reforma agrária apropriada às nossas necessidades nacionais, a elaboração de uma lei sobre a expropriação da terra sem indemnização por motivo de utilidade pública, a supressão da renda fundiária e a proibição de qualquer especulação imobiliária;
18. Exigimos uma luta impiedosa contra aqueles cujas actividades prejudicam o interesse geral. Os infames criminosos contra o povo, agiotas, traficantes etc. devem ser punidos com pena de morte, sem consideração de credo ou raça;
19. Exigimos que se substitua o direito romano, que serve à ordem materialista, por um direito alemão;
20. Com o fito de permitir a todo alemão capaz e trabalhador alcançar uma instrução de alto nível e chegar assim ao desempenho de funções executivas, deve o Estado empreender uma reorganização radical de todo o nosso sistema de educação popular. Os programas de todos os estabelecimentos de ensino devem ser adaptados às exigências da vida prática. A assimilação dos conhecimentos de instrução cívica deve ser feita na escola desde o despertar da inteligência. Exigimos a educação, custeada pelo Estado, dos filhos – com destacados dotes intelectuais – de pais pobres, sem se levar em conta a posição ou a profissão desses pais;
21. O Estado deve tomar a seu cargo o melhoramento da saúde pública mediante a protecção da mãe e da criança, a proibição do trabalho infantil, uma política de educação física que compreenda a instituição legal da ginástica e do desporto obrigatórios, e o máximo auxílio possível às associações especializadas na educação física dos jovens;
22. Exigimos a abolição do exército de mercenários e a formação de um exército popular;
23. Exigimos que se lute pela lei contra a mentira política deliberada e a sua divulgação através da imprensa. Para que se torne possível a constituição de uma imprensa alemã, exigimos:
a) que todos os redactores e colaboradores de jornais editados em língua alemã sejam obrigatoriamente membros do povo (Volksgenossen);
b) que os jornais não-alemães sejam submetidos à autorização expressa do Estado para poderem circular. Que estes não possam ser impressos em língua alemã;
c) que toda participação financeira e toda influência de não-alemães sobre os jornais alemães sejam proibidas por lei, e exigimos que se adopte como sanção para toda e qualquer infração o fechamento da empresa jornalística e a expulsão imediata dos não-alemães envolvidos para fora do Reich.
Os jornais que colidirem com o interesse geral devem ser interditados. Exigimos que a lei combata as tendências artísticas e literárias que exerçam influência debilitante sobre a vida do nosso povo, e o fechamento dos estabelecimentos que se oponham às exigências acima.
(…)
Qualquer semelhança com um programa comunista não é mera coincidência. O fascismo, também na sua vertente nazi, sempre foi de esquerda nos seus fundamentos mais gerais. Erigiu, sim, uma concepção de poder e de organização de Estado diferente daquelas estabelecidas pela Internacional Comunista e repudiava o entendimento que esta tinha do “internacionalismo”.
Mas o ódio ao liberalismo económico, à propriedade privada e às liberdades individuais era o mesmo.
Em ambos, as tentações totalitárias manipulam o discurso da igualdade para criar um ente de razão, estado ou partido, que busque substituir a sociedade.
Essa cultura de “engenharia social”, que captura direitos individuais em nome de um estado reparador, ainda está muito presente naqueles que não deixam de sonhar com o pesadelo. Ela estabelece-se oferecendo o paraíso na terra, um verdadeiro reino de justiça e igualdade.
O resultado dessa “igualdade”, foram milhões de mortos. Nessa contabilidade macabra, os comunistas levaram uma enorme “vantagem”, mataram muito mais – incomparavelmente mais, legitimados pela “razão” de que matavam em nome do “bem”da própria vítima.
É pouco provável que as barbaridades do nazismo e do comunismo se repitam.
Mas ninguém se engane, dezenas de anos é quase nada na História. Em 1933, ou mesmo em 1917, a humanidade já dispunha de boa parte da literatura que vale a pena, de boa parte do pensamento que vale a pena, de boa parte até mesmo do conhecimento científico que ainda hoje serve de referência.
No entanto, o mundo viveu sob o signo destas bestas."
A loucura comunista em Portugal
Em 1975, quase de modo imperceptível para a opinião pública, mas evidente para quem estava atento, os media começaram a dar atenção particular aos países da chamada "cortina de ferro", as "democracias" do Leste, do socialismo real e autêntico, o comunismo puro e duro que a Esquerda comunista queria mesmo implantar aqui, em Portugal, para substituir o "fascismo" e depor a "burguesia" do poder.
Estes conceitos eram de tal modo evidentes nas redacções dos principais meios de comunicação social que apareciam extensas reportagens sempre laudatórias e encomiásticas, verdadeira propaganda travestida de jornalismo, sobre esses países onde afinal a miséria era ainda maior que no nosso pobre país capitalista, o que é um facto notório e conhecido após a queda do muro de Berlim, no final dos anos noventa.
Em 25 de Julho de 1975, a Flama dirigida por António dos Reis ( não era comunista, era socialista e maçónico...e a revista era do Patriarcado, ou seja, católica, o que dá para ver até onde isto chegou) dedicou um suplemento especial de doze páginas à...Bulgária. Assim, com uma linguagem escrita da autoria de Carlos Gil ( outro que deve ter ensinado as gerações dos actuais jornalistas do para quem é bacalhau basta):
Em 20 de Junho de 1975 a mesma revista dava amplo destaque a uma reportagem de uma viagem do presidente da República de então, Costa Gomes, à...Roménia! A Roménia apresentada como um modelo de sociedade para Portugal! Isto não era mesmo um loucura colectiva, encenada por essa gente que ansiava pelo comunismo como hoje ainda o fazem?
Note-se que a Roménia de Ceausescu era um país onde a ditadura feroz e o arbítrio da família "real" comunista era do conhecimento comum.
Como foi possível esta fantasia e esta alucinação, em Portugal?
A resposta é simples: Partido Comunista Português. O mesmo que hoje existe e com as mesmíssimas ideias.
Estes conceitos eram de tal modo evidentes nas redacções dos principais meios de comunicação social que apareciam extensas reportagens sempre laudatórias e encomiásticas, verdadeira propaganda travestida de jornalismo, sobre esses países onde afinal a miséria era ainda maior que no nosso pobre país capitalista, o que é um facto notório e conhecido após a queda do muro de Berlim, no final dos anos noventa.
Em 25 de Julho de 1975, a Flama dirigida por António dos Reis ( não era comunista, era socialista e maçónico...e a revista era do Patriarcado, ou seja, católica, o que dá para ver até onde isto chegou) dedicou um suplemento especial de doze páginas à...Bulgária. Assim, com uma linguagem escrita da autoria de Carlos Gil ( outro que deve ter ensinado as gerações dos actuais jornalistas do para quem é bacalhau basta):
Em 20 de Junho de 1975 a mesma revista dava amplo destaque a uma reportagem de uma viagem do presidente da República de então, Costa Gomes, à...Roménia! A Roménia apresentada como um modelo de sociedade para Portugal! Isto não era mesmo um loucura colectiva, encenada por essa gente que ansiava pelo comunismo como hoje ainda o fazem?
Note-se que a Roménia de Ceausescu era um país onde a ditadura feroz e o arbítrio da família "real" comunista era do conhecimento comum.
Como foi possível esta fantasia e esta alucinação, em Portugal?
A resposta é simples: Partido Comunista Português. O mesmo que hoje existe e com as mesmíssimas ideias.
A nova história do capuchinho vermelho do PS
"José Sócrates foi um lider muito marcante"- Francisco Assis, na RTP2, agora mesmo.
O PS, mais uma vez, sente o poder a fugir e anseia pelos lugares que entende serem-lhe devidos de pleno direito. Empresas públicas, lugares no Estado, lugares de nomeação política, enfim, a meia dúzia de milhar de empregos que o Estado garante aos apaniguados dos partidos, todos com remuneração acima da média e que multiplicam o rendimento daqueles agregados familiares habituados há décadas a mamar na porca da política, como diziam os nossos antepassados do séc. de Ramalho Ortigão.
Assis segue por isso o guião que decoraram agora: não dizer mal do fantástico Sócrates que nos levou directamente à bancarrota, tal como a Esquerda logo a seguir ao 25 de Abril de 75 e outra vez dez anos depois.
Para sacudir a água suja do capote basta fazer de conta que não foi nada com eles e que Sócrates foi vítima de uma cabala do capitalismo financeiro internacional. De resto todos os países da Europa sofreram as agruras dessa malfeitoria e todos pediram ajuda ao FMI, como aconteceu connosco por três vezes, sempre com os mesmos a mandar.
E acreditam piamente nessa nova versão do capuchinho vermelho em que o lobo mau comeu o rendimento dos portugueses obrigando-os a uma austeridade que os mesmos prometem arredar logo que cheguem ao poder. Como? Logo se verá...pois o que interessa é chegar ao poder, inventando a nova narrativa para voltar a enganar os papalvos com memória curta e de galinha.
O PS, mais uma vez, sente o poder a fugir e anseia pelos lugares que entende serem-lhe devidos de pleno direito. Empresas públicas, lugares no Estado, lugares de nomeação política, enfim, a meia dúzia de milhar de empregos que o Estado garante aos apaniguados dos partidos, todos com remuneração acima da média e que multiplicam o rendimento daqueles agregados familiares habituados há décadas a mamar na porca da política, como diziam os nossos antepassados do séc. de Ramalho Ortigão.
Assis segue por isso o guião que decoraram agora: não dizer mal do fantástico Sócrates que nos levou directamente à bancarrota, tal como a Esquerda logo a seguir ao 25 de Abril de 75 e outra vez dez anos depois.
Para sacudir a água suja do capote basta fazer de conta que não foi nada com eles e que Sócrates foi vítima de uma cabala do capitalismo financeiro internacional. De resto todos os países da Europa sofreram as agruras dessa malfeitoria e todos pediram ajuda ao FMI, como aconteceu connosco por três vezes, sempre com os mesmos a mandar.
E acreditam piamente nessa nova versão do capuchinho vermelho em que o lobo mau comeu o rendimento dos portugueses obrigando-os a uma austeridade que os mesmos prometem arredar logo que cheguem ao poder. Como? Logo se verá...pois o que interessa é chegar ao poder, inventando a nova narrativa para voltar a enganar os papalvos com memória curta e de galinha.
domingo, fevereiro 10, 2013
O absurdo da Esquerda comunista
Tais alterações semânticas pegaram de estaca e de tal modo se enraizaram no léxico corrente que nem damos conta do modo como apareceram na linguagem comum e para a desfazer e desconstruir é preciso ir à História e mostrar como fomos assim enganados colectivamente.
Em finais de 1974 passou a falar-se em eleições gerais para uma assembleia constituinte, a fim de aprovar uma nova Constituição. As revistas da época na altura da abertura da campanha eleitoral, não pouparam artigos encomiásticos à loucura colectiva vivida e à alucinação em curso acelerado. A Economia nacional estava já em pantanas, mal tínhamos para comer se não nos emprestassem dinheiro e mesmo assim vivia-se um tempo de euforia e festa de Esquerda. Alucinante por vezes e como nunca mais houve igual.
Em Março de 1975 a esquerda comunista, com apoio do partido socialista ( do socialismo democrático), nacionalizou quase todas as estruturas produtivas de relevo, no país, ao mesmo tempo que nacionalizou bancos e seguradoras. O panorama em Abril de 1975 era este que um jornalista, Maia Cadete, descrevia na Vida Mundial de 10.4.1975:
Quem ler este artigo ( como sempre, clicar duas vezes, sucessivamente , na imagem, abrindo noutra janela maior e com possibilidades de ser lido) só pode ficar impressionado com a loucura que tudo isto representou. A alucinação destes fósseis do comunismo que ainda hoje nem sequer desarmaram é impressionante. O modo como faziam proselitismo descarado de um sistema e regime que nos atiraria para uma ditadura muito pior do que jamais fora a de Salazar/ Caetano, nem sequer fazia pestanejar uma dúvida na mente destes "democratas" de paleio absurdo.
E o mais impressionante foi o modo como a generalidade dos media encarreirou neste destino de Panurgo, caminhando alegremente para o abismo já anunciado, mas com a ideia fixa da festa dos amanhãs a cantar. Loucura. Loucura, foi o que foi e os que a gizaram estão aí outra vez, prontos para outra. Não esqueceram nada e nada aprenderam.
A prova?
Em 19 de Dezembro de 1974 a mesma revista Vida Mundial dedicou algumas páginas à "história e programas dos partidos políticos", com assinatura de um tal Alexandre Manuel ( gostaria de saber quem é e onde parará...). As páginas sobre a "esquerda revolucionária" e a "extrema direita" são exemplares da alucinação. Abaixo, se o indivíduo que aparece na foto logo no lado direito e mais visível não é o Louçã, poderia bem ser...
Os partidos de "extrema-direita" eram dois e apesar de se dizerem cristãos e social-democratas não havia dúvidas para o tal Alexandre que eram de extrema-direita...e evidentemente não contavam para a "democracia".
Em 18 de Abril de 1975, a Flama anunciava a campanha eleitoral assim, com as duas figuras principais da "democracia", em primeiro lugar e destacadas dos demais:
No interior o predomínio da Esquerda e Extrema-Esquerda era evidente e esmagador. O "mãozinha" e o "foicinha" eram os maiorais.
A Vida Mundial de 3 de Abril de 1975 dedicou mais de vinte páginas ao "dossier eleições", mostrando os programas dos vários partidos políticos. Os da Esquerda e Extrema-Esquerda não deixavam enganar ninguém, como hoje acontece porque escondem esses programas e os jornalistas nunca questionam os Semedos, Louçãs, Dragos e Jerónimos sobre o que pretendem para a sociedade em que estão e para o regime burguês a que se habituaram. O que pretendem com o dito de "mudar de políticas" será mudar dentro do sistema ou alterar o regime, como sem margem para dúvida o pretendiam fazer em 1975? E os programas mudaram porventura alguma vírgula desde então? A loucura não continua a ser a mesma?
A UDP, por exemplo, agora em voga por causa de um maluco que anda no BE, tem programa diferente deste que tinha em 1975, sobre o poder popular e outras palermices?
E uma organização comunista como a FEC (ml) ou a FSP ( linha esquerda do PS) ou a LCI ( trotskista) porventura mudaram uma linha do seu pensamento absurdo de 1975? Se não mudaram, que crédito continuam a merecer dos media em geral e principalmente das tvs que todos os dias, sem excepção, convidam destacados militantes destas loucuras e alucinações para contestarem as políticas e comentarem a actualidade? Que crédito merece esta gente, nesta democracia burguesa que temos? Será que estes jornalistas aprenderam a profissão imersos na mesma loucura? Dá todo o aspecto disso porque não há na Europa nada que se lhes assemelhe. É incrível!
E se alguém pensar que mudaram com o tempo é tempo perdido porque continuam na mesma.
O exemplo mais perfeito desta loucura era...este tipo de exemplos que esta gente dava dos paraísos que nos esperavam se votássemos neles. Por exemplo este artigo na Vida Mundial de 19 de Dezembro de 1974 sobre a Albânia é de morrer. Agora a rir, mas nessa altura a sério.
Repare-se na alucinação sobre " a sociedade perfeita" que esperava encontrar a "igualdade absoluta" num amanhã breve e encantador: "por volta de 1990-1995" . Na altura da queda do muro...
O mais grave disto tudo é que uma boa parte de pessoas que comungaram estas ideias mandam agora em empresas públicas, partidos, organizações políticas, legislam, policiam, vigiam, e são directores de jornais e televisões.
Ainda mais incrível: um deles foi presidente da República e disse que "havia vida para além do défice"...
sábado, fevereiro 09, 2013
A Esquerda comunista fossilizada levanta cabelo outra vez
Sol:
Oficialmente ninguém fala. A discussão no Bloco de Esquerda sobre a proposta de acabar com todas as tendências está, porém, a causar ondas de choque com a UDP, de Luís Fazenda.
A ala mais organizada do BE, considerada pelas parceiras PSR e Manifesto/Política XXI como a mais aparelhística, vai reagir: sujeitando a referendo, numa conferência extraordinária (equivalente a um congresso da UDP) o que fazer sobre a nova tendência, impulsionada por Francisco Louçã, João Semedo e José Manuel Pureza. Está marcada para dia 24 de Fevereiro.
Embora Luís Fazenda seja o líder histórico da UDP e figura mais influente, o ex-partido maoísta é agora presidido por Joana Mortágua. Ao SOL, Mortágua não quis alargar-se sobre o congresso. «A UDP vai decidir o seu futuro. O essencial está nos documentos que serão postos a discussão na conferência extraordinária».
Oficialmente ninguém fala. A discussão no Bloco de Esquerda sobre a proposta de acabar com todas as tendências está, porém, a causar ondas de choque com a UDP, de Luís Fazenda.
A ala mais organizada do BE, considerada pelas parceiras PSR e Manifesto/Política XXI como a mais aparelhística, vai reagir: sujeitando a referendo, numa conferência extraordinária (equivalente a um congresso da UDP) o que fazer sobre a nova tendência, impulsionada por Francisco Louçã, João Semedo e José Manuel Pureza. Está marcada para dia 24 de Fevereiro.
Embora Luís Fazenda seja o líder histórico da UDP e figura mais influente, o ex-partido maoísta é agora presidido por Joana Mortágua. Ao SOL, Mortágua não quis alargar-se sobre o congresso. «A UDP vai decidir o seu futuro. O essencial está nos documentos que serão postos a discussão na conferência extraordinária».
Quantos assim, em Portugal?
Sol:
A ministra alemã da Educação apresentou hoje a sua demissão, depois de lhe ter sido retirado o doutoramento. A decisão da universidade Heinrich Heine, em Dusseldorf, aconteceu depois de ter sido descoberto que Annette Schavan tinha plagiado uma parte da sua tese - um forte embaraço para o governo de Angela Merkel que este ano vai a votos.
Merkel já disse que aceitou "com mágoa" a demissão da sua ministra da Educação e Ciência. Schavan estava no governo desde 2005 e era considerada próxima da chanceler.
Na terça-feira, um painel académico decidiu retirar o doutoramento a Schavan depois de ter reanalisado a tese que esta apresentou em 1980, que versava sobre a formação da consciência. A reavaliação da tese aconteceu depois de um blogger anónimo ter levantado suspeitas de plágio, que a ministra rejeita.
"Não aceito esta decisão e vou recorrer dela - nem copiei nem enganei ninguém com a minha dissertação" disse na conferência em que anunciou a demissão, ao lado de Merkel. "Estas acusações, como disse nas passadas semanas e meses, magoam-me profundamente".
Schavan disse que, ao sair, pretende impedir que o assunto se torne uma 'praga' para o seu partido e Governo, num momento em que a Alemanha se prepara para eleições legislativas em Setembro.
Annette Schavan, de 57 anos, anunciou a sua decisão depois de uma visita oficial à África do Sul durante a qual, explicou, pensou "cuidadosamente sobre todas as consequências políticas" da sua situação.
Em Portugal, casos destes serão às resmas. Literalmente. Mas não se acusam nem são denunciados. Já houve por cá um ministro ( Defesa) que foi acusado do mesmo, mas não se demitiu..porque era do partido certo, o que reage sempre às más notícias que o sucofam, atacando os mensageiros e clamando por cabalas e campanhas negras. As televisões ajudam depois a compor o ramalhete.
A ministra alemã da Educação apresentou hoje a sua demissão, depois de lhe ter sido retirado o doutoramento. A decisão da universidade Heinrich Heine, em Dusseldorf, aconteceu depois de ter sido descoberto que Annette Schavan tinha plagiado uma parte da sua tese - um forte embaraço para o governo de Angela Merkel que este ano vai a votos.
Merkel já disse que aceitou "com mágoa" a demissão da sua ministra da Educação e Ciência. Schavan estava no governo desde 2005 e era considerada próxima da chanceler.
Na terça-feira, um painel académico decidiu retirar o doutoramento a Schavan depois de ter reanalisado a tese que esta apresentou em 1980, que versava sobre a formação da consciência. A reavaliação da tese aconteceu depois de um blogger anónimo ter levantado suspeitas de plágio, que a ministra rejeita.
"Não aceito esta decisão e vou recorrer dela - nem copiei nem enganei ninguém com a minha dissertação" disse na conferência em que anunciou a demissão, ao lado de Merkel. "Estas acusações, como disse nas passadas semanas e meses, magoam-me profundamente".
Schavan disse que, ao sair, pretende impedir que o assunto se torne uma 'praga' para o seu partido e Governo, num momento em que a Alemanha se prepara para eleições legislativas em Setembro.
Annette Schavan, de 57 anos, anunciou a sua decisão depois de uma visita oficial à África do Sul durante a qual, explicou, pensou "cuidadosamente sobre todas as consequências políticas" da sua situação.
Em Portugal, casos destes serão às resmas. Literalmente. Mas não se acusam nem são denunciados. Já houve por cá um ministro ( Defesa) que foi acusado do mesmo, mas não se demitiu..porque era do partido certo, o que reage sempre às más notícias que o sucofam, atacando os mensageiros e clamando por cabalas e campanhas negras. As televisões ajudam depois a compor o ramalhete.
quinta-feira, fevereiro 07, 2013
Boa, Paulo Morais.
R.R.:
A Associação Transparência e Integridade vai tentar travar, de imediato e na justiça, as candidaturas de Fernando Seara e Luís Filipe Menezes às Câmaras de Lisboa e Porto, pois considera as candidaturas ilegais.
“Iremos intervir junto dos tribunais administrativos de Lisboa e Porto, e de outros em que anunciem candidaturas obviamente ilegais, que actuem no sentido de promover as medidas cautelares necessárias que levem, desde já, à declaração de ilegalidade das candidaturas que vão sendo anunciadas nestas condições”, afirma o vice-presidente da associação, Paulo Morais, à Renascença.
A lei diz que um autarca só pode candidatar-se a três mandatos consecutivos, mas Luís Filipe Menezes e Fernando Seara avançam pela quarta vez, mas mudam de cidade, garantindo que, assim, é perfeitamente legal.
“É das poucas leis que é perfeitamente perceptível. Bastará ter a quarta classe para perceber que é uma total impossibilidade alguém candidatar-se a um quarto mandato consecutivo”, contrapõe Paulo Morais.
O pedido de declaração de ilegalidade deve chegar nos próximos 15 dias aos tribunais administrativos.
É assim mesmo que se faz: agir dentro da lei para evitar ilegalidades. O que se espera agora é que os tribunais administrativos sejam lestos. O que evidentemente não são porque não têm condições para o serem. Mas pode ser que façam um esforço...se os media lhes caírem em cima todas as semanas com perguntas sobre o andamento do processo. Mesmo assim, não haverá tempo até às eleições e possivelmente só com providências cautelares o efeito útil poderá ser alcançado.
A Associação Transparência e Integridade vai tentar travar, de imediato e na justiça, as candidaturas de Fernando Seara e Luís Filipe Menezes às Câmaras de Lisboa e Porto, pois considera as candidaturas ilegais.
“Iremos intervir junto dos tribunais administrativos de Lisboa e Porto, e de outros em que anunciem candidaturas obviamente ilegais, que actuem no sentido de promover as medidas cautelares necessárias que levem, desde já, à declaração de ilegalidade das candidaturas que vão sendo anunciadas nestas condições”, afirma o vice-presidente da associação, Paulo Morais, à Renascença.
A lei diz que um autarca só pode candidatar-se a três mandatos consecutivos, mas Luís Filipe Menezes e Fernando Seara avançam pela quarta vez, mas mudam de cidade, garantindo que, assim, é perfeitamente legal.
“É das poucas leis que é perfeitamente perceptível. Bastará ter a quarta classe para perceber que é uma total impossibilidade alguém candidatar-se a um quarto mandato consecutivo”, contrapõe Paulo Morais.
O pedido de declaração de ilegalidade deve chegar nos próximos 15 dias aos tribunais administrativos.
É assim mesmo que se faz: agir dentro da lei para evitar ilegalidades. O que se espera agora é que os tribunais administrativos sejam lestos. O que evidentemente não são porque não têm condições para o serem. Mas pode ser que façam um esforço...se os media lhes caírem em cima todas as semanas com perguntas sobre o andamento do processo. Mesmo assim, não haverá tempo até às eleições e possivelmente só com providências cautelares o efeito útil poderá ser alcançado.
quarta-feira, fevereiro 06, 2013
Um escândalo no DCIAP
Nuno Melo, deputado, acabou de dizer na SIC, na segunda parte do programa sobre o BPN que investigou por conta da sua legitimidade como deputado o caso e recolheu elementos e documentos, por vezes em situações rocambolescas e até perigosas. O repórter perguntou então a Nuno Melo se alguém do Ministério Público ( leia-se DCIAP) alguma vez lhe pediu tais documentos. Que não.
Este facto é tão escandaloso que obriga a um inquérito no DCIAP. Tão simples como isto.Isto é uma vergonha de tal ordem que roça o crime de denegação de justiça.
Este facto é tão escandaloso que obriga a um inquérito no DCIAP. Tão simples como isto.Isto é uma vergonha de tal ordem que roça o crime de denegação de justiça.
terça-feira, fevereiro 05, 2013
O BPN e o BCP.
A SIC passou há pedaço um programa de um jornalista da casa, sobre o caso BPN. Infelizmente não vi o programa. Mas estou a ver os comentadores do programa, na SIC-N, nas pessoas de João Duque e Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal Económico. Também está lá um sindicalista da PJ. Sindicalista!
O que acabo de ouvir cheira-me demasiado a desinformação, manipulação, opinião avulsa e com poucos factos concretos. Ouço de Pedro Santos Guerreiro o que nunca pensei ouvir, com opiniões definitivas sobre "fraude", "vigarice", "escândalo", " caso de polícia", etc etc. ou seja o discurso oficial sobre o BPN. Citam-se nomes de pessoas, vilipendiando-as abertamente e tudo isto me cheira demasiado a esturro.
Para falar verdade preferia ouvir falar do BES, de Ricardo Salgado, do BCP, de Joe Berardo, de Santos Ferreira, de Armando Vara e de José Sócrates.
Preferia por um motivo simples de enunciar: o que se passou com o BCP é mais grave, no meu entender, do que aquilo que se passou no BPN.
A SIC nunca passará nenhum programa especial nem Santos Guerreiro alguma vez escreverá sobre o assunto.
Por mim percebo muito bem porquê: estamos sempre na mesma choldra, em Portugal. E isto é um nojo.
Aditamento: Carlos Anjos, o sindicalista da PJ teve uma participação meritória no programa, esclarecendo aspectos importantes do sistema judiciário e acabou de dizer uma coisa importante: em determinada altura da investigação parece que os investigadores se interrogaram sobre que crimes estavam em causa no caso BPN. "Gestão danosa", que é o facto mais comumente aceite não poderia ser uma vez que o crime só se verifica se houver instituições públicas envolvidas, o que não seria o caso porque o BPN é privado. Então foram para as "falsificações" ou outros ersatz. Ou seja, provavelmente nada de nada com relevância criminal.
Veremos no que dá o BPN, mas aposto que será o espelho do nosso sistema jurídico-penal.
Quem quiser saber mais pode sempre perguntar aos génios de Coimbra como é que isto foi feito assim...
Os génios são: Figueiredo Dias, Costa Andrade, Faria e Costa. Três que podem esclarecer o povo português sobre o nosso sistema jurídico-penal, Perguntem-lhes que estão lá, em Coimbra. Figueiredo Dias há anos que não aparece na tv a falar nestas coisas. Costa Andrade idem e Faria e Costa nunca apareceu.
E no entanto são personalidades muito mas mesmo muito influentes neste estado de coisas.
O que acabo de ouvir cheira-me demasiado a desinformação, manipulação, opinião avulsa e com poucos factos concretos. Ouço de Pedro Santos Guerreiro o que nunca pensei ouvir, com opiniões definitivas sobre "fraude", "vigarice", "escândalo", " caso de polícia", etc etc. ou seja o discurso oficial sobre o BPN. Citam-se nomes de pessoas, vilipendiando-as abertamente e tudo isto me cheira demasiado a esturro.
Para falar verdade preferia ouvir falar do BES, de Ricardo Salgado, do BCP, de Joe Berardo, de Santos Ferreira, de Armando Vara e de José Sócrates.
Preferia por um motivo simples de enunciar: o que se passou com o BCP é mais grave, no meu entender, do que aquilo que se passou no BPN.
A SIC nunca passará nenhum programa especial nem Santos Guerreiro alguma vez escreverá sobre o assunto.
Por mim percebo muito bem porquê: estamos sempre na mesma choldra, em Portugal. E isto é um nojo.
Aditamento: Carlos Anjos, o sindicalista da PJ teve uma participação meritória no programa, esclarecendo aspectos importantes do sistema judiciário e acabou de dizer uma coisa importante: em determinada altura da investigação parece que os investigadores se interrogaram sobre que crimes estavam em causa no caso BPN. "Gestão danosa", que é o facto mais comumente aceite não poderia ser uma vez que o crime só se verifica se houver instituições públicas envolvidas, o que não seria o caso porque o BPN é privado. Então foram para as "falsificações" ou outros ersatz. Ou seja, provavelmente nada de nada com relevância criminal.
Veremos no que dá o BPN, mas aposto que será o espelho do nosso sistema jurídico-penal.
Quem quiser saber mais pode sempre perguntar aos génios de Coimbra como é que isto foi feito assim...
Os génios são: Figueiredo Dias, Costa Andrade, Faria e Costa. Três que podem esclarecer o povo português sobre o nosso sistema jurídico-penal, Perguntem-lhes que estão lá, em Coimbra. Figueiredo Dias há anos que não aparece na tv a falar nestas coisas. Costa Andrade idem e Faria e Costa nunca apareceu.
E no entanto são personalidades muito mas mesmo muito influentes neste estado de coisas.
Ulrich parte Louçã
Talvez seja por irritar os comunistas em geral, mas Fernando Ulrich não me chateia com o que diz, na medida em que foge do politicamente correcto e não tem complexos exagerados ou linguagem politicamente acorrentada. Desta vez, segundo o Económico disse isto à inenarrável Ana Drago, do Bloco comunista:
Durante a sua audição na Comissão de Orçamento e Finanças, o tema principal tem sido, sem surpresa, a declaração feita pelo banqueiro na semana passada, sobre os sem-abrigo. A deputada Ana Drago, que voltou a dizer a Ulrich que deveria pedir desculpas ao povo português, afirmou ainda que "o senhor, que tem um salário mensal de 60 mil euros", não sabe como vivem as pessoas. E que as suas declarações são uma ofensa a "todos os que lutaram" para que " houvesse a liberdade de cada um dizer o que pretende".
O banqueiro reagiu, afirmando que "estou grato a quem lutou para que eu pudesse dizer aquilo que digo, mas pela sua idade também não deve ter lutado muito. Mas beneficia, como eu, com aquilo que todos antes de mim fizeram". E voltou a negar qualquer pedido de desculpas pelas suas declarações.
"Não lhe reconheço a si nem a ninguém o monopólio da sensibilidade social ou da propriedade da verdade. Isso revela da sua parte um espirito da Inquisição em que as pessoas eram condenadas por crime de opinião. E portanto eu vou continuar a usufruir da liberdade de que beneficio e a sra. Deputada também".
Sobre o salário, Ulrich afirmou que "Aquilo que tenho ou não tenho foi feito com a vida numa empresa privada. Tenho os meus impostos em ordem e se um dia alguém me quiser julgar desse ponto de vista, mais importante do que ver aquilo que eu ganho é ver como gasto". E concluiu em jeito de contra-ataque: "mas digo lhe que não recebo lições desse ponto de vista. E não sei porque se emociona tanto com a minha remuneração e não com a de um treinador do Benfica que ganha não sei quantas vezes mais do que eu? Se calhar porque isso afectaria os seus votos. Mas eu, como não sou de nenhum partido, sou um alvo fácil".
Na mesma ocasião, Ulrich respondeu também a algumas acusações feitas pelos deputados, sobre as declarações proferidas há uns meses, em que disse que o BPI estaria disponível para acolher desempregados que, continuando a receber subsídios do Estado, quisessem trabalhar no banco. Uma atitude que, para as bancadas de esquerda, é contrária aos "princípios" que o banqueiro diz defender.
"Ao contrário da senhora deputada [Ana Drago], eu tenho alguma experiência na criação de postos de trabalho[...] Não pense que é só com medidas macro económicas que vamos conseguir reduzir o desemprego. Não são só as PME que vão reduzir desemprego. Para criar emprego não é preciso ter só dinheiro: é preciso ter organização e capacidade para criar projectos para as pessoas. E o BPI tem essa capacidade. Tal como a PT, ou a Zon ou tantas outras grandes empresas".
"Com as suas declarações, aquilo para que a senhora deputada esta a contribuir é para uma sociedade mais egoísta. É que ao contrario da senhora deputada, eu consigo criar postos de trabalho e a senhora não".
Acertou-lhe bem, Ulrich. Mas ainda disse pouco porque como está habituado a partir louça, deveria ter ido um pouco mais longe e partir os pratos todos, incluindo o do Louçã.
Durante a sua audição na Comissão de Orçamento e Finanças, o tema principal tem sido, sem surpresa, a declaração feita pelo banqueiro na semana passada, sobre os sem-abrigo. A deputada Ana Drago, que voltou a dizer a Ulrich que deveria pedir desculpas ao povo português, afirmou ainda que "o senhor, que tem um salário mensal de 60 mil euros", não sabe como vivem as pessoas. E que as suas declarações são uma ofensa a "todos os que lutaram" para que " houvesse a liberdade de cada um dizer o que pretende".
O banqueiro reagiu, afirmando que "estou grato a quem lutou para que eu pudesse dizer aquilo que digo, mas pela sua idade também não deve ter lutado muito. Mas beneficia, como eu, com aquilo que todos antes de mim fizeram". E voltou a negar qualquer pedido de desculpas pelas suas declarações.
"Não lhe reconheço a si nem a ninguém o monopólio da sensibilidade social ou da propriedade da verdade. Isso revela da sua parte um espirito da Inquisição em que as pessoas eram condenadas por crime de opinião. E portanto eu vou continuar a usufruir da liberdade de que beneficio e a sra. Deputada também".
Sobre o salário, Ulrich afirmou que "Aquilo que tenho ou não tenho foi feito com a vida numa empresa privada. Tenho os meus impostos em ordem e se um dia alguém me quiser julgar desse ponto de vista, mais importante do que ver aquilo que eu ganho é ver como gasto". E concluiu em jeito de contra-ataque: "mas digo lhe que não recebo lições desse ponto de vista. E não sei porque se emociona tanto com a minha remuneração e não com a de um treinador do Benfica que ganha não sei quantas vezes mais do que eu? Se calhar porque isso afectaria os seus votos. Mas eu, como não sou de nenhum partido, sou um alvo fácil".
Na mesma ocasião, Ulrich respondeu também a algumas acusações feitas pelos deputados, sobre as declarações proferidas há uns meses, em que disse que o BPI estaria disponível para acolher desempregados que, continuando a receber subsídios do Estado, quisessem trabalhar no banco. Uma atitude que, para as bancadas de esquerda, é contrária aos "princípios" que o banqueiro diz defender.
"Ao contrário da senhora deputada [Ana Drago], eu tenho alguma experiência na criação de postos de trabalho[...] Não pense que é só com medidas macro económicas que vamos conseguir reduzir o desemprego. Não são só as PME que vão reduzir desemprego. Para criar emprego não é preciso ter só dinheiro: é preciso ter organização e capacidade para criar projectos para as pessoas. E o BPI tem essa capacidade. Tal como a PT, ou a Zon ou tantas outras grandes empresas".
"Com as suas declarações, aquilo para que a senhora deputada esta a contribuir é para uma sociedade mais egoísta. É que ao contrario da senhora deputada, eu consigo criar postos de trabalho e a senhora não".
Acertou-lhe bem, Ulrich. Mas ainda disse pouco porque como está habituado a partir louça, deveria ter ido um pouco mais longe e partir os pratos todos, incluindo o do Louçã.
segunda-feira, fevereiro 04, 2013
Bloco e PCP: o comunismo é isto
O texto que segue é de um comentador - Floriano Mongo. Aqui fica porque tem uma linguagem que ninguém usa ou ousa usar nos media tradicionais. Et pour cause. Tal linguagem seria o passaporte para o ostracismo do politicamente incorrecto e nenhum jornalista actualmente ousaria fazê-lo. Nenhum jornalista, repito, ousaria escrever esta linguagem e dizê-la no rádio ou na tv. E porquê, se isto é a mais pura das verdades?
Porque os jornalistas portugueses, actuais, da verdade não se interessam muito. As aparências servem muitissimo melhor para conservar empregos.
Contudo há ainda outra explicação: os principais jornalistas portugueses, num passado nem sequer muito distante, acreditaram nestas patranhas comunistas. E por isso o que ensinaram aos seus discípulos actuais não contempla a linguagem da denúncia das mesmas, dura e crua. Contempla apenas um faz-de-conta politicamente correcto que deixa o Bloco e o PCP vicejarem em Portugal como em nenhum outro lugar da Europa. Isto não é uma aberração?
Stalinistas ou trotskistas, todos são esquerdopatas sem remédio. A diferença entre Stalin e Trotsky não dizia respeito ao que fazer com os inimigos, mas aos métodos para a implementação e consolidação do comunismo. Se Stalin não tivesse cravado uma picareta na cabeça de Trotsky, teria sido Trotsky a fazê-lo a Stalin. O resultado contava-se igualmente em milhões de mortos.
De facto, estas esquerdas e democracia jamais andaram juntas. Ouçamos Trotsky:
««« Mas a mentira e a violência por acaso não são coisas condenáveis ‘em si mesmas’ ? Por certo, como é condenável a sociedade dividida em classes que as engendra. A sociedade sem antagonismos sociais será, evidentemente, sem mentira e sem violência. Mas não é possível lançar uma ponte para ela senão com métodos violentos. A própria revolução é o produto da sociedade dividida em classes, da qual ela leva necessariamente a marca. Do ponto de vista das ‘verdades eternas’, a revolução é, naturalmente, ‘imoral’. Mas isso significa apenas que a moral idealista é contra-revolucionária, isto é, encontra-se a serviço dos exploradores.»»»
Está tudo aí. Este é o norte moral destas esquerdas, não importa a tendência. Trotsky diz que, enquanto a sociedade for dividida em classes, todos os meios de “luta” são válidos. E quem os recusar está apenas a exercitar a “moral idealista” e “contra-revolucionária”.
O BE assim como o PC consideram-se herdeiros da “luta do proletariado”. Na verdade, herdaram do bolchevismo o amoralismo e a convicção de que tudo lhes é permitido e de que certas interdições são apenas instrumentos da opressão manipulados pelos seus inimigos. Conservam da visão bolchevista a ideia do partido autoritário, centralizador, gestor do futuro.
Assim, ninguém se deve espantar quando estes esquerdistas dizem uma coisa na oposição e fazem outra no governo. Sabem como ninguém usar “a mentira” a favor da causa. Qual é o limite de um esquerdista? Não existe! Ele só precisa convencer-se ou fingir que se convenceu, de que a sua acção contribui para fazer a luta avançar.
Trotsky, foi assassinado a mando de Stalin que não teria nenhuma dúvida em justificar o seu acto usando o texto escrito pela própria vítima. Quem considera que a moral é sempre um valor relativo coloca uma corda no próprio pescoço.
Pode sempre aparecer algum camarada que se lembre de abrir o alçapão.
Porque os jornalistas portugueses, actuais, da verdade não se interessam muito. As aparências servem muitissimo melhor para conservar empregos.
Contudo há ainda outra explicação: os principais jornalistas portugueses, num passado nem sequer muito distante, acreditaram nestas patranhas comunistas. E por isso o que ensinaram aos seus discípulos actuais não contempla a linguagem da denúncia das mesmas, dura e crua. Contempla apenas um faz-de-conta politicamente correcto que deixa o Bloco e o PCP vicejarem em Portugal como em nenhum outro lugar da Europa. Isto não é uma aberração?
Stalinistas ou trotskistas, todos são esquerdopatas sem remédio. A diferença entre Stalin e Trotsky não dizia respeito ao que fazer com os inimigos, mas aos métodos para a implementação e consolidação do comunismo. Se Stalin não tivesse cravado uma picareta na cabeça de Trotsky, teria sido Trotsky a fazê-lo a Stalin. O resultado contava-se igualmente em milhões de mortos.
De facto, estas esquerdas e democracia jamais andaram juntas. Ouçamos Trotsky:
««« Mas a mentira e a violência por acaso não são coisas condenáveis ‘em si mesmas’ ? Por certo, como é condenável a sociedade dividida em classes que as engendra. A sociedade sem antagonismos sociais será, evidentemente, sem mentira e sem violência. Mas não é possível lançar uma ponte para ela senão com métodos violentos. A própria revolução é o produto da sociedade dividida em classes, da qual ela leva necessariamente a marca. Do ponto de vista das ‘verdades eternas’, a revolução é, naturalmente, ‘imoral’. Mas isso significa apenas que a moral idealista é contra-revolucionária, isto é, encontra-se a serviço dos exploradores.»»»
Está tudo aí. Este é o norte moral destas esquerdas, não importa a tendência. Trotsky diz que, enquanto a sociedade for dividida em classes, todos os meios de “luta” são válidos. E quem os recusar está apenas a exercitar a “moral idealista” e “contra-revolucionária”.
O BE assim como o PC consideram-se herdeiros da “luta do proletariado”. Na verdade, herdaram do bolchevismo o amoralismo e a convicção de que tudo lhes é permitido e de que certas interdições são apenas instrumentos da opressão manipulados pelos seus inimigos. Conservam da visão bolchevista a ideia do partido autoritário, centralizador, gestor do futuro.
Assim, ninguém se deve espantar quando estes esquerdistas dizem uma coisa na oposição e fazem outra no governo. Sabem como ninguém usar “a mentira” a favor da causa. Qual é o limite de um esquerdista? Não existe! Ele só precisa convencer-se ou fingir que se convenceu, de que a sua acção contribui para fazer a luta avançar.
Trotsky, foi assassinado a mando de Stalin que não teria nenhuma dúvida em justificar o seu acto usando o texto escrito pela própria vítima. Quem considera que a moral é sempre um valor relativo coloca uma corda no próprio pescoço.
Pode sempre aparecer algum camarada que se lembre de abrir o alçapão.
O Bloco defende o socialismo de miséria?
Expresso:
O Bloco de Esquerda requereu com carácter de urgência a presença do ministro da Economia no Parlamento para prestar esclarecimentos sobre a nomeação do secretário de Estado Franquelim Alves.
Muito bem. Só falta agora pedir explicações ao Bloco sobre a sua ideologia real, a que aparece nos estatutos que ninguém lê. Peçam ao Bloco que diga exactamente o que defendem como organização económica e política, com realismo e sem sofismas. Perguntem-lhe o que significa o novo conceito de "socialismo" que arranjaram para confundir as pessoas e se corresponde ao que já existe no PS, com o acrescento "democrático" ou se é apenas uma mudança de palavra para o mesmo significado: socialismo de miséria.
O Bloco de Esquerda requereu com carácter de urgência a presença do ministro da Economia no Parlamento para prestar esclarecimentos sobre a nomeação do secretário de Estado Franquelim Alves.
Muito bem. Só falta agora pedir explicações ao Bloco sobre a sua ideologia real, a que aparece nos estatutos que ninguém lê. Peçam ao Bloco que diga exactamente o que defendem como organização económica e política, com realismo e sem sofismas. Perguntem-lhe o que significa o novo conceito de "socialismo" que arranjaram para confundir as pessoas e se corresponde ao que já existe no PS, com o acrescento "democrático" ou se é apenas uma mudança de palavra para o mesmo significado: socialismo de miséria.
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