O texto que segue é de um comentador - Floriano Mongo. Aqui fica porque tem uma linguagem que ninguém usa ou ousa usar nos media tradicionais. Et pour cause. Tal linguagem seria o passaporte para o ostracismo do politicamente incorrecto e nenhum jornalista actualmente ousaria fazê-lo. Nenhum jornalista, repito, ousaria escrever esta linguagem e dizê-la no rádio ou na tv. E porquê, se isto é a mais pura das verdades?
Porque os jornalistas portugueses, actuais, da verdade não se interessam muito. As aparências servem muitissimo melhor para conservar empregos.
Contudo há ainda outra explicação: os principais jornalistas portugueses, num passado nem sequer muito distante, acreditaram nestas patranhas comunistas. E por isso o que ensinaram aos seus discípulos actuais não contempla a linguagem da denúncia das mesmas, dura e crua. Contempla apenas um faz-de-conta politicamente correcto que deixa o Bloco e o PCP vicejarem em Portugal como em nenhum outro lugar da Europa. Isto não é uma aberração?
Stalinistas ou
trotskistas, todos são esquerdopatas sem remédio. A diferença entre
Stalin e Trotsky não dizia respeito ao que fazer com os inimigos, mas
aos métodos para a implementação e consolidação do comunismo. Se Stalin
não tivesse cravado uma picareta na cabeça de Trotsky, teria sido
Trotsky a fazê-lo a Stalin. O resultado contava-se igualmente em milhões
de mortos.
De facto, estas esquerdas e democracia jamais andaram juntas. Ouçamos Trotsky:
«««
Mas a mentira e a violência por acaso não são coisas condenáveis ‘em si
mesmas’ ? Por certo, como é condenável a sociedade dividida em classes
que as engendra. A sociedade sem antagonismos sociais será,
evidentemente, sem mentira e sem violência. Mas não é possível lançar
uma ponte para ela senão com métodos violentos. A própria revolução é o
produto da sociedade dividida em classes, da qual ela leva
necessariamente a marca. Do ponto de vista das ‘verdades eternas’, a
revolução é, naturalmente, ‘imoral’. Mas isso significa apenas que a
moral idealista é contra-revolucionária, isto é, encontra-se a serviço
dos exploradores.»»»
Está tudo aí. Este é o norte moral destas
esquerdas, não importa a tendência. Trotsky diz que, enquanto a
sociedade for dividida em classes, todos os meios de “luta” são válidos.
E quem os recusar está apenas a exercitar a “moral idealista” e
“contra-revolucionária”.
O BE assim como o PC consideram-se
herdeiros da “luta do proletariado”. Na verdade, herdaram do bolchevismo
o amoralismo e a convicção de que tudo lhes é permitido e de que certas
interdições são apenas instrumentos da opressão manipulados pelos seus
inimigos. Conservam da visão bolchevista a ideia do partido autoritário,
centralizador, gestor do futuro.
Assim, ninguém se deve espantar
quando estes esquerdistas dizem uma coisa na oposição e fazem outra no
governo. Sabem como ninguém usar “a mentira” a favor da causa. Qual é o
limite de um esquerdista? Não existe! Ele só precisa convencer-se ou
fingir que se convenceu, de que a sua acção contribui para fazer a luta
avançar.
Trotsky, foi assassinado a mando de Stalin que não
teria nenhuma dúvida em justificar o seu acto usando o texto escrito
pela própria vítima. Quem considera que a moral é sempre um valor
relativo coloca uma corda no próprio pescoço.
Pode sempre aparecer algum camarada que se lembre de abrir o alçapão.