O Expresso de 9 de Agosto de 1975 publicou este texto de Ivan Ilitch, um intelectual que o próprio jornal se interrogava sobre a especialidade ( antropologista?), um jugoslavo emigrado para Cuernavaca no México de onde difundiu estas ideias fantásticas sobre o ensino que originaram, anos mais tarde, obras musicais como The Wall, dos Pink Floyd ( "we don´t need no education" e "Hey! Teacher, leave the kids alone") e matéria para leccionar no ISCTE, onde poderia ter aprendido uma Maria de Lurdes Rodrigues, digna herdeira destas patacoadas. As ideias sobre a "escola inclusiva", sobre o ensino centrado no aluno e sobre os direitos sem deveres, estão aí todas.
O mote do escrito é claro: provocar " a curto prazo a queda do capitalismo", sob o patrocínio da UNESCO. O texto traz no fim um comentário de Trindade Santos, o crítico musical do Expresso que precedeu na escrítica pop, Miguel Esteves Cardoso.
Em 19 de Setembro de 1975, na sequência de quatro governos provisórios, onde mandou na Secretaria de Estado da Educação, no sector da Inovação Pedagógica, Rui Grácio explicava melhor, em texto escrito no O Jornal, porque apostava no ensino unificado que destruiu as escolas técnicas e comerciais, por motivos ideológicos, muito próximos daqueles do sacripanta Ivan Ilitch, desgraça que nos caiu em cima como uma praga.
terça-feira, junho 25, 2013
Marinho e Pinto contra Noronha Nascimento: demolidor
Primeiro esta fotografia que foi publicada no Público de Setembro de 2009, pouco antes das eleições legislativas ( que José Sócrates considerou terem sido uma "extraordinária vitória", com uma maioria relativa e que agora diz ter sido um erro aceitar formar governo com tal) e alguns meses antes das eleições para a presidência do STJ que Noronha Nascimento voltou a ganhar.
A foto foi tirada numa altura em que ainda não se conhecia publicamente o que acontecera às escutas do processo Face Oculta, em que José Sócrates foi interveniente fortuito, porque não tinha havido violação de segredo de justiça, a não ser a que beneficiou os suspeitos e que foi uma das mais graves jamais existentes em Portugal, tendo ficado por apurar até mesmo os suspeitos naturais, ou seja os que lidaram de perto com o processo...
Um deles tem um processo civel pendente contra um jornal por este ter estupidamente insinuado a suspeita na primeira página.
Agora, em 17 de Junho, o Bastonário da Ordem dos Advogados que convidou aquele supremo magistrado para então discutirem "assuntos de justiça" que nunca se chegou a saber exactamente quais foram e cuja reunião se concelebrou com um repasto no vizinho Gambrinus, pago pelo anfitrião, a que Noronha se esquivou, escreveu isto que é um texto incrível ( mesmo sem contar com a redacção do acordo ortográfico) e um ataque pessoal que só não é inaudito porque já houve outro idêntico e que terá rendido ao cessante presidente do STJ uma maquia calada de 65 mil euros ( segundo indicou numa entrevista recente)... por causa de uma decisão incrível de um tribunal cível. A história teve enredo.
Em boa lógica e coerência, o cessante presidente do STJ irá accionar civilmente o Bastonário, pedindo-lhe o que pediu ao outro?
Estou para ver...
Luís Noronha Nascimento deixou este mês (dia 12) a presidência do Supremo Tribunal de Justiça e jubilou-se, ou seja, deixa de trabalhar, mas continua com todas as regalias dos juízes no ativo, incluindo as remuneratórias. O trajeto que o levou a presidente do STJ começou no início dos anos noventa. Primeiro conquistou o sindicato dos juízes, depois o Conselho Superior da Magistratura e, finalmente, o STJ.
Noronha Nascimento é daquelas pessoas que não olha a meios para atingir os fins. Os seus princípios estão orientados para os seus fins. Ideologicamente, é um estalinista puro, ou seja um indivíduo que é capaz de fazer alianças com o próprio diabo, se isso for útil ao que pretende. O seu granítico corporativismo judicial é como que uma síntese entre Béria e Torquemada. Os direitos dos cidadãos pouco interessam perante os privilégios dos juízes.
De uma ambição sem limites, instrumentalizou o sindicato dos juízes e o próprio CSM. Muitos acusam-no de, a partir do CSM, ter controlado o acesso ao STJ e, assim, ter formado, com amigos seus, o colégio eleitoral que haveria de o eleger presidente desse tribunal. O caso chegou a ser denunciado, mas sem quaisquer consequências. Todos se calaram, ou melhor todos comentavam em privado, mas publicamente agiam como se nada estivesse a acontecer, mostrando, assim, o que é, desde há muitos anos, o principal (des)«valor» da nossa República Democrática: a cobardia.
A sua ilimitada vaidade levou-o a contratar, mal chegou a presidente do STJ, uma agência de comunicação e a alterar o site do tribunal para aparecer, logo na abertura, em lugar de destaque, a sua fotografia em pose provinciana de estadista. Enquanto todos os outros tribunais mostravam aquilo que se procura no site de um tribunal, o do STJ exibia a figura mefistofélica do seu presidente ladeado de bandeiras.
Em encontros promovidos por titulares de outros poderes de estado, Noronha Nascimento dava sempre nas vistas pelo seu protagonismo de circunstância, normalmente exibindo aos anfitriões uma cultura geral do tipo Reader's Digest. Essa vaidade pessoal levou-o a degradar a própria dignidade de juiz, pois aceitou incumbências incompatíveis com o seu estatuto funcional, designadamente a de representar, em atos políticos no estrangeiro, titulares do Poder Político que ele poderia vir a ter de julgar.
Mas foi a decisão de mandar destruir as escutas de José Sócrates no processo «Face Oculta» que levantou dúvidas sobre a sua imparcialidade como juiz, já que o suspeito era nem mais nem menos o primeiro-ministro e líder da maioria política que aprovara, contra toda a nossa tradição judicial, algumas medidas tão queridas pelos conselheiros do STJ, nomeadamente a célebre «dupla conforme», ou seja, a impossibilidade de se recorrer para o STJ da decisão do tribunal da relação que confirme a decisão de primeira instância.
Portugal é dos países que tem mais conselheiros, porque, no final dos anos oitenta, o atual código de processo penal previa um recurso direto da primeira instância para o STJ. Isso foi aproveitado pelos juízes para aumentar o número de conselheiros de cerca de vinte para mais de setenta. Esse tipo de recursos acabou há muito, mas os conselheiros mantiveram-se (como se mantém o subsídio de habitação do tempo em que os juízes não podiam permanecer mais de seis anos no mesmo tribunal). É certo que, devido à crise económica e financeira, Noronha Nascimento só realizou parcialmente o binómio sindicalista de «menos trabalho e mais dinheiro». Os juízes do STJ têm hoje muito menos trabalho do que tinham quando ele foi eleito presidente e mantêm os seus principais privilégios.
Por outro lado, o filho de Noronha Nascimento conseguiu, durante o tempo em que o pai foi presidente do STJ, arranjar um emprego num organismo do Estado que dependia diretamente de José Sócrates. Pode ser apenas coincidência, pode tudo ter corrido dentro da mais estrita legalidade e normalidade, mas, até por isso, Noronha Nascimento deveria ter-se recusado a apreciar o caso das escutas de José Sócrates e, sobretudo, não deveria andar a fazer insistentes declarações públicas sobre a irrelevância criminal de conversas telefónicas cujo conteúdo as pessoas ignoram. É que a um juiz não basta ser honesto, é preciso parecê-lo.
A foto foi tirada numa altura em que ainda não se conhecia publicamente o que acontecera às escutas do processo Face Oculta, em que José Sócrates foi interveniente fortuito, porque não tinha havido violação de segredo de justiça, a não ser a que beneficiou os suspeitos e que foi uma das mais graves jamais existentes em Portugal, tendo ficado por apurar até mesmo os suspeitos naturais, ou seja os que lidaram de perto com o processo...
Um deles tem um processo civel pendente contra um jornal por este ter estupidamente insinuado a suspeita na primeira página.
Agora, em 17 de Junho, o Bastonário da Ordem dos Advogados que convidou aquele supremo magistrado para então discutirem "assuntos de justiça" que nunca se chegou a saber exactamente quais foram e cuja reunião se concelebrou com um repasto no vizinho Gambrinus, pago pelo anfitrião, a que Noronha se esquivou, escreveu isto que é um texto incrível ( mesmo sem contar com a redacção do acordo ortográfico) e um ataque pessoal que só não é inaudito porque já houve outro idêntico e que terá rendido ao cessante presidente do STJ uma maquia calada de 65 mil euros ( segundo indicou numa entrevista recente)... por causa de uma decisão incrível de um tribunal cível. A história teve enredo.
Em boa lógica e coerência, o cessante presidente do STJ irá accionar civilmente o Bastonário, pedindo-lhe o que pediu ao outro?
Estou para ver...
Luís Noronha Nascimento deixou este mês (dia 12) a presidência do Supremo Tribunal de Justiça e jubilou-se, ou seja, deixa de trabalhar, mas continua com todas as regalias dos juízes no ativo, incluindo as remuneratórias. O trajeto que o levou a presidente do STJ começou no início dos anos noventa. Primeiro conquistou o sindicato dos juízes, depois o Conselho Superior da Magistratura e, finalmente, o STJ.
Noronha Nascimento é daquelas pessoas que não olha a meios para atingir os fins. Os seus princípios estão orientados para os seus fins. Ideologicamente, é um estalinista puro, ou seja um indivíduo que é capaz de fazer alianças com o próprio diabo, se isso for útil ao que pretende. O seu granítico corporativismo judicial é como que uma síntese entre Béria e Torquemada. Os direitos dos cidadãos pouco interessam perante os privilégios dos juízes.
De uma ambição sem limites, instrumentalizou o sindicato dos juízes e o próprio CSM. Muitos acusam-no de, a partir do CSM, ter controlado o acesso ao STJ e, assim, ter formado, com amigos seus, o colégio eleitoral que haveria de o eleger presidente desse tribunal. O caso chegou a ser denunciado, mas sem quaisquer consequências. Todos se calaram, ou melhor todos comentavam em privado, mas publicamente agiam como se nada estivesse a acontecer, mostrando, assim, o que é, desde há muitos anos, o principal (des)«valor» da nossa República Democrática: a cobardia.
A sua ilimitada vaidade levou-o a contratar, mal chegou a presidente do STJ, uma agência de comunicação e a alterar o site do tribunal para aparecer, logo na abertura, em lugar de destaque, a sua fotografia em pose provinciana de estadista. Enquanto todos os outros tribunais mostravam aquilo que se procura no site de um tribunal, o do STJ exibia a figura mefistofélica do seu presidente ladeado de bandeiras.
Em encontros promovidos por titulares de outros poderes de estado, Noronha Nascimento dava sempre nas vistas pelo seu protagonismo de circunstância, normalmente exibindo aos anfitriões uma cultura geral do tipo Reader's Digest. Essa vaidade pessoal levou-o a degradar a própria dignidade de juiz, pois aceitou incumbências incompatíveis com o seu estatuto funcional, designadamente a de representar, em atos políticos no estrangeiro, titulares do Poder Político que ele poderia vir a ter de julgar.
Mas foi a decisão de mandar destruir as escutas de José Sócrates no processo «Face Oculta» que levantou dúvidas sobre a sua imparcialidade como juiz, já que o suspeito era nem mais nem menos o primeiro-ministro e líder da maioria política que aprovara, contra toda a nossa tradição judicial, algumas medidas tão queridas pelos conselheiros do STJ, nomeadamente a célebre «dupla conforme», ou seja, a impossibilidade de se recorrer para o STJ da decisão do tribunal da relação que confirme a decisão de primeira instância.
Portugal é dos países que tem mais conselheiros, porque, no final dos anos oitenta, o atual código de processo penal previa um recurso direto da primeira instância para o STJ. Isso foi aproveitado pelos juízes para aumentar o número de conselheiros de cerca de vinte para mais de setenta. Esse tipo de recursos acabou há muito, mas os conselheiros mantiveram-se (como se mantém o subsídio de habitação do tempo em que os juízes não podiam permanecer mais de seis anos no mesmo tribunal). É certo que, devido à crise económica e financeira, Noronha Nascimento só realizou parcialmente o binómio sindicalista de «menos trabalho e mais dinheiro». Os juízes do STJ têm hoje muito menos trabalho do que tinham quando ele foi eleito presidente e mantêm os seus principais privilégios.
Por outro lado, o filho de Noronha Nascimento conseguiu, durante o tempo em que o pai foi presidente do STJ, arranjar um emprego num organismo do Estado que dependia diretamente de José Sócrates. Pode ser apenas coincidência, pode tudo ter corrido dentro da mais estrita legalidade e normalidade, mas, até por isso, Noronha Nascimento deveria ter-se recusado a apreciar o caso das escutas de José Sócrates e, sobretudo, não deveria andar a fazer insistentes declarações públicas sobre a irrelevância criminal de conversas telefónicas cujo conteúdo as pessoas ignoram. É que a um juiz não basta ser honesto, é preciso parecê-lo.
segunda-feira, junho 24, 2013
A advocacia que rola
Esta imagem da revista do DN de ontem mostra uma série de advogados das principais firmas portuguesas em actividade lúdica, a enrolar música rock e a ensaiar um espectáculo de "solidariedade", a realizar no restaurante Kais, em Lisboa.
Os juristas tocadores de rock vêm de várias firmas que o jornal escreve serem das 11 maiores de Portugal e contam angariar verba superior aos 75 mil euros do ano passado, destinados a algumas instituições.
Pela amostra, Linklaters LLP ( firma internacional, global, centenas de advogados); PLMJ ( cerca de 200 advogados); Miranda Law Firm ( dezenas e dezenas de advogados); Morais Leitão, Galvão Telles ( dezenas e dezenas de advogados); Uria Proença de Carvalho ( dezenas de advogados); Vieira de Almeida e associados ( dezenas de advogados); Rebelo de Sousa e Associados ( dezenas de advogados)Cuatrecasas Gonçalves Pereira ( dezenas de advogados) Garrigues ( dezenas de advogados) mais a Rui Pena e Associados ( dezenas de advogados), entre outros, daria, só por si e se fizessem uma "quête", entre sócios, amigos e família, para conseguirem os 100 mil euros à vontadinha dos seus fundos bolsos...
Portanto, o exercício da caridadezinha, apesar de tudo, benéfico, fica mais a dever ao diletantismo musical dos seus cultores.
Ver um António Lobo Xavier a dedilhar uma Martin ( das baratas, suponho...) ou um baixista do calibre de um Proença de Carvalho, para além do teclista Pais Antunes ( já será Paes, o filho do dono da pensão perto das monumentais de Coimbra?) é capaz de valer a pena. O que não vale nada é pensar que muito daquele sucesso que rola pode ficar a dever-se à parecerística de encomenda, paga por todos nós...
Ah! Falta o Marinho. A tocar bombo, naturalmente. Ou ferrinhos. Para o caso tanto faz.
Os juristas tocadores de rock vêm de várias firmas que o jornal escreve serem das 11 maiores de Portugal e contam angariar verba superior aos 75 mil euros do ano passado, destinados a algumas instituições.
Pela amostra, Linklaters LLP ( firma internacional, global, centenas de advogados); PLMJ ( cerca de 200 advogados); Miranda Law Firm ( dezenas e dezenas de advogados); Morais Leitão, Galvão Telles ( dezenas e dezenas de advogados); Uria Proença de Carvalho ( dezenas de advogados); Vieira de Almeida e associados ( dezenas de advogados); Rebelo de Sousa e Associados ( dezenas de advogados)Cuatrecasas Gonçalves Pereira ( dezenas de advogados) Garrigues ( dezenas de advogados) mais a Rui Pena e Associados ( dezenas de advogados), entre outros, daria, só por si e se fizessem uma "quête", entre sócios, amigos e família, para conseguirem os 100 mil euros à vontadinha dos seus fundos bolsos...
Portanto, o exercício da caridadezinha, apesar de tudo, benéfico, fica mais a dever ao diletantismo musical dos seus cultores.
Ver um António Lobo Xavier a dedilhar uma Martin ( das baratas, suponho...) ou um baixista do calibre de um Proença de Carvalho, para além do teclista Pais Antunes ( já será Paes, o filho do dono da pensão perto das monumentais de Coimbra?) é capaz de valer a pena. O que não vale nada é pensar que muito daquele sucesso que rola pode ficar a dever-se à parecerística de encomenda, paga por todos nós...
Ah! Falta o Marinho. A tocar bombo, naturalmente. Ou ferrinhos. Para o caso tanto faz.
Imprensa em democracia popular, logo após o 25 de Abril de 1974
O panorama da imprensa generalista em Portugal, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 alterou-se de forma radical, no sentido esquerdista marcado e marcante.
Todos os jornais, sem excepção, assimilaram a novilíngua comunista criada nas semanas a seguir à "revolução dos cravos", por si mesma já uma expressão oriunda das mesmas bandas, tal como o slogan "o povo unido jamais será vencido", tradução literal da palavra de ordem gritada durante o consulado de Allende no Chile, um ano antes, mas aparecida muitos anos antes na mesma América do Sul. Originalidade, zero. Eficácia, completa.
Os únicos jornais que tentaram furar a barreira ideológica, mantendo o ideário anterior e os valores antigos, sem apelidar os seus cultores de fascistas, foram...queimados em praça pública de auto de fé moderno, na sequência dos acontecimentos de 28 de Setembro de 1974 que desencadearam uma onda de "prisões de muitos fascistas", fenómeno já por aqui mencionado e a que os comunistas dizem nada, a costumes que lhes são próprios.
O Expresso de 19 de Abril de 1975 uma semana antes das eleições organizava duas páginas dedicadas ao tema eleitoral, com as capas dos jornais de um dia e comentários às principais notícias, com a redacção coordenada por "Maria de Fátima e José António Barreiros". Nem uma só aparece a manifestar preocupação pelo rumo da Economia que se encaminhava a passos gigantes e comunistas, para a bancarrota. É notória a orientação generalizada à esquerda e mesmo o CDS se apresenta como "do centro", "rigorosamente", como então proclamavam e uma observação em comentário mostrava bem a posição em que o partido se encontrava: " Para ilustrar bem a técnica seguida pelo CDS", escrevia-se no jornal como a querer denunciar o que estaria escondido...
Era este o ambiente generalizado na sociedade portuguesa da época e que os jornais reflectiam.Para melhor ilustração, este texto do Expresso de 24 de Agosto de 1974 mostra duas facções da sociedade da imprensa em democracia popular. Ambas militantemente anti-fascistas, mas com cambiantes que até assustam, só de pensar como é que pessoas adultas, algumas com instrução e cultura superior, assim pensavam
Em pano de fundo surgiam notícias, neste caso no Jornal Novo de 22 de Maio de 1975 sobre o que se passava nos bastidores das redacções e na tentativa de assalto dos comunistas aos principais órgãos de informação, uma vez que não lhes bastava o ar do tempo e a mentalidade da generalidade da imprensa, de esquerda, já.
O caso República, o da Rádio Renascença e o do Diário de Notícias ( com Saramago na batuta) eram exemplares e até Mário Soares se queixava...
Para contrariar essa onda vermelha Soares bem fundou outro jornal, para substituir o República tomado pelos sovietes, mas com pouco sucesso...ainda que dirigido pelo mesmo maçónico, antigo seminarista cuja simples vista de uma sotaina tinha efeito apoplético.
Para além destes, claro que havia os que expunham nas bancas das ruas e quiosques nas principais cidades e se vendiam por ardinas nas universidades e outros locais. Eram os jornais dos grupúsculos esquerdistas da extrema-esquerda que combatiam o fascismo e o social-fascismo, por igual, quase.
Eram os jornais onde peroravam os Rosas & Pereira da actualidade, transformados em comentadores mediáticos com lugar assegurado a seguir aos telejornais, para debater " a crise"...
Todos os jornais, sem excepção, assimilaram a novilíngua comunista criada nas semanas a seguir à "revolução dos cravos", por si mesma já uma expressão oriunda das mesmas bandas, tal como o slogan "o povo unido jamais será vencido", tradução literal da palavra de ordem gritada durante o consulado de Allende no Chile, um ano antes, mas aparecida muitos anos antes na mesma América do Sul. Originalidade, zero. Eficácia, completa.
Os únicos jornais que tentaram furar a barreira ideológica, mantendo o ideário anterior e os valores antigos, sem apelidar os seus cultores de fascistas, foram...queimados em praça pública de auto de fé moderno, na sequência dos acontecimentos de 28 de Setembro de 1974 que desencadearam uma onda de "prisões de muitos fascistas", fenómeno já por aqui mencionado e a que os comunistas dizem nada, a costumes que lhes são próprios.
O Expresso de 19 de Abril de 1975 uma semana antes das eleições organizava duas páginas dedicadas ao tema eleitoral, com as capas dos jornais de um dia e comentários às principais notícias, com a redacção coordenada por "Maria de Fátima e José António Barreiros". Nem uma só aparece a manifestar preocupação pelo rumo da Economia que se encaminhava a passos gigantes e comunistas, para a bancarrota. É notória a orientação generalizada à esquerda e mesmo o CDS se apresenta como "do centro", "rigorosamente", como então proclamavam e uma observação em comentário mostrava bem a posição em que o partido se encontrava: " Para ilustrar bem a técnica seguida pelo CDS", escrevia-se no jornal como a querer denunciar o que estaria escondido...
Era este o ambiente generalizado na sociedade portuguesa da época e que os jornais reflectiam.Para melhor ilustração, este texto do Expresso de 24 de Agosto de 1974 mostra duas facções da sociedade da imprensa em democracia popular. Ambas militantemente anti-fascistas, mas com cambiantes que até assustam, só de pensar como é que pessoas adultas, algumas com instrução e cultura superior, assim pensavam
Em pano de fundo surgiam notícias, neste caso no Jornal Novo de 22 de Maio de 1975 sobre o que se passava nos bastidores das redacções e na tentativa de assalto dos comunistas aos principais órgãos de informação, uma vez que não lhes bastava o ar do tempo e a mentalidade da generalidade da imprensa, de esquerda, já.
O caso República, o da Rádio Renascença e o do Diário de Notícias ( com Saramago na batuta) eram exemplares e até Mário Soares se queixava...
Para contrariar essa onda vermelha Soares bem fundou outro jornal, para substituir o República tomado pelos sovietes, mas com pouco sucesso...ainda que dirigido pelo mesmo maçónico, antigo seminarista cuja simples vista de uma sotaina tinha efeito apoplético.
Para além destes, claro que havia os que expunham nas bancas das ruas e quiosques nas principais cidades e se vendiam por ardinas nas universidades e outros locais. Eram os jornais dos grupúsculos esquerdistas da extrema-esquerda que combatiam o fascismo e o social-fascismo, por igual, quase.
Eram os jornais onde peroravam os Rosas & Pereira da actualidade, transformados em comentadores mediáticos com lugar assegurado a seguir aos telejornais, para debater " a crise"...
domingo, junho 23, 2013
Ferraz da Costa: o indivíduo mais sensato do país?
Este indivíduo tem quase sempre razão no que diz sobre o estado do país. Tinha em meados dos anos setenta quando falava aberta e corajosamente contra o comunismo em termos claros e perceptíveis por todos, na tv, numa altura em que era voz quase isolada. Tinha dez anos depois e também na década a seguir e a seguir e a seguir, até agora.
No Diário de Notícias de 22 de Junho tem uma entrevista na qual diz o que parece sensato. Ferraz da Costa será o português mais sensato de sempre? Se não é, parece.
No Diário de Notícias de 22 de Junho tem uma entrevista na qual diz o que parece sensato. Ferraz da Costa será o português mais sensato de sempre? Se não é, parece.
Como a Esquerda trouxe o FMI pela primeira vez a Portugal
Em 31 de Maio de 1975, escassos dois meses após a "liquidação dos monopólios" e da nacionalização da banca tornada então "do povo", Portugal estava na iminência de uma bancarrota anunciada. Havia dinheiro até Outubro mas apenas resultante de uma operações com reservas de divisas e que se adivinhava iriam esgotar logo a seguir.
Portugal não tinha saída económica e a viabilidade como país independente de ajudas externas acabou logo ali, nesse ano em que a Esquerda fez o que quis deste pobre país: nacionalizou a economia transaccionável como se diz agora, liquidou o ensino técnico em nome de um igualitarismo balofo e parolo, impôs calendários esquerdistas para as medidas políticas de vulto como a aprovação da Constituição com um preâmbulo digno das democracias populares de Leste, abandalhou o espectro político com grupelhos partidários de extrema-esquerda que impuseram discussões públicas e actos de descalabro ideológico ( casos República e Rádio Renascença), que culminou no 25 de Novembro desse ano e abalou definitivamente a confiança dos agentes económicos, nacionais ou estrangeiros, no nosso país. Arruinou Portugal em menos de dois anos.
O Expresso desse Sábado dava notícias assim:
Em 22 de Novembro de 1975, no Expresso, António Sousa Franco, descrevia em modo resumido a ecomonia portuguesa e a ligação estreita aos políticos que a tinham destruído, particularmente até ao VI governo que Sousa Franco entendia como formados por incompetentes com "péssima administração" que tinham esgotado a liquidez dos bancos de modo a tornar insustentável o destino futuro do país, sem ajuda externa. Todos os sinais eram negativos com excepção, talvez, das remessas dos emigrantes da época. o que terá evitado o pedido de ajuda ao FMI logo em 1976.
Dois anos antes, no governo de Marcello Caetano, estávamos já em dificuldades ( a entrar no chamado período das "vacas magras") mas nada que se assemelhasse a isto que nos aconteceu com os diletantes dos cinco primeiros governos provisórios e os comunistas e esquerda em geral a escorraçar os poucos capitalistas que ainda tínhamos e a liquidar de vez o sistema que não queriam para nada a não ser para engordar o capitalismo de Estado a caminho do socialismo e da sociedade sem classes. Isto era dito de modo muito sério por catedráticos de universidade e pessoas adultas com estudos lá fora...( Vital Moreira, por exemplo). A guerra noUltramar já tinha terminado e nem mesmo as poupanças derivadas das despesas do esforço de guerra que Cunhal tinha em 1972 apontado como causa de dificuldades económicas, lhes valiam para equilibrar as contas do país. Cambada de incompetentes maior nunca existiu em Portugal, a não ser recentemente...
Em Abril de 1976 o O Jornal publicou uma resenha de página sobre as propostas eleitorais para as eleições legislativas que se aproximavam ( 25 de Abril de 1976 para a A.R e depois para a presidência da República) . O O Jornal temia o "vento de direita" que se fizera sentir desde o 25 de Novembro do ano anterior...mas as propostas da tal "direita" inexistente eram todas no sentido da manutenção do status quo económico, com a manutenção e "irreversibilidade das nacionalizações".
A Esquerda mandava, toda poderosa, no caminho acelerado para a bancarrota, com o PS e o PSD a ajudarem e até o CDS se conformava com o "estatuto" das empresas nacionalizadas...
As propostas da UDP ( onde estava nessa altura o célebre político "hádem", de sua graça Jorge Coelho) são de rir.
.
Em 23 de Julho de 1977 o mesmo O Jornal dava conta, num artigo de Francisco Sarsfield Cabral das nossas dificuldades económicas inultrapassáveis com as políticas que tínhamos que são exactamente, sem tirar nem pôr, as que agora os comunistas e bloquistas exigem pôr em prática como as tais "outras políticas" que não definem bem para não assustarem o pagode. Já então escrevia que " a situação não melhorou-piorou".
Mas como, se estavam liquidados os monopólios e a banca estava ao serviço do povo?! Como é que tal foi possível?!Então ainda seria o capitalismo monopolista e ladifundiário que nos arruinara, nas palavras do PCP, a mandar? Seria?
Em 12 de Agosto de 1977 já não havia quaisquer dúvidas: "medidas de austeridade mais tarde ou mais cedo..."
Quem é que nos (des)governava assim? Claro, o mesmo de sempre e que agora anda atoleimado da memória...ou completamente desavergonhado que aliás foi coisa que nunca o preocupou ou lhe tirou a soneca da sesta permamente.
Em 1 de Dezembro de 1977, o mesmo Sousa Franco em entrevista ao O Jornal fazia o retrato e o ponto da situação, numa entrevista, clara, concisa e precisa: evasão de capitais derivada das nacionalizações, desinvestimento nacional e estrangeiro, com opções de Plano "claramente muito à esquerda da social-democracia". E com aplauso daquele que anda sempre a dormir e perde a memória.
Sousa Franco explicava muito bem o problema do PS de sempre: " umas vezes o PS adopta posições que se situam muito à esquerda da social-democracia e outras vezes posições que se situam muito à sua direita". Está tudo definido sobre o PS. O actual, entenda-se.
Portanto, a recita do costume apareceu, trazida pela mão de Mário Soares: FMI à porta com lista de exigências. Tal como hoje. O Jornal de 5 8 1977 explicava: austeridade e muita por causa da "nossa dramática dependência financeira do exterior". Dois anos antes expulsaram os que tinham dinheiro, capital, e desprezaram a "oferta" de investimento privado que tinham para realizar...e quem é que o fez e é responsável por isso?
O PCP e o PS.
Esse mesmo PS que pela mente elaborada em ondinhas de cabelo pintado, pelo já então genial Constâncio que viu quase tudo o que havia para ver na nossa política económica, menos as soluções para a melhorar e evitar casos como o BPN, comentava um artigo do New York Times que nos punha na lama do opróbrio que nunca tivéramos antes por estes motivos. Constâncio sempre constante a um fulgor de inteligência rara que o catapulta sempre para postos de prestígio e rendimento constante, dizia estas coisas...
E o PCP, como é que explicava tudo isto? Do modo habitual: nada com eles. Tudo com a "direita", por causa da "política de recuperação capitalista do Governo", apoiada pelo PPD e CDS.
O descalabro evidente que se deparava com dívidas colossais no sector público, dívida externa crescente e monumental e balança comercial negativíssima, era tudo por causa da "política de recuperação capitalista" e nada por causa da política de esquerda que nacionalizara tudo e tudo pusera ao serviço do Estado. Lindo Estado!
Tal como hoje, o discurso do PCP não lhes fazia cair a máscara porque a condescendência geral era total. É um fenómeno estranhíssimo e único em todo o mundo ocidental, esta condescendência e tolerância para com nos arruinou à custa de ideologia balofa e fossilizada.
Álvaro Cunhal, aliás, já dissera publicamente aquando do 25 de Novembro de 1975, no mesmo O Jornal de 5 de Dezembro de 1975 que o partido não tivera nada com aquilo. Fora coisa "das chefias militares"...e assim ficou porque o PCP e Álvaro Cunhal em particular, nestes assuntos nunca se deram por achados e nunca ninguém lhes colocou as perguntas certas, directas e demolidoras sobre o que fizeram ao país em nome de uma ideologia marxista-leninista fossilizada e caduca. Os jornalistas portugueses nunca fizeram uma entrevista a Álvaro Cunhal em que as perguntas fossem suficientemente acutilantes para o colocar no lugar de mito com pés de barro. Nem sequer Maria João Avilez no Expresso dos anos oitenta ou noventa. Nunca, nem sequer na entrevista que concedeu ao Independente, com Miguel Esteves Cardoso. Nunca e na tv é que nunca por nunca. Acompanhei sempre essas entrevistas ao longo dos anos e nunca vi Cunhal a ser colocado no lugar que deveria ocupar por direito próprio: destruidor de um país através do comunismo em que acreditava e professava.
A troika Arménio Avoila e Jerónimo ( o tal do "livre arbítrio" a significar arbitrariedade...) continuam a apostar nas mesmíssimas ideias, nos mesmíssimos princípios e métodos e nos mesmíssimos receituários para "vencer a crise" e que, naturalmente são as tais "outras políticas", ou seja estas que por aqui podemos ver e ler. Não há ridículo que os mate porque têm o antídoto sempre à mão: a novilíngua que inventaram para aldrabar o povo.
Portugal não tinha saída económica e a viabilidade como país independente de ajudas externas acabou logo ali, nesse ano em que a Esquerda fez o que quis deste pobre país: nacionalizou a economia transaccionável como se diz agora, liquidou o ensino técnico em nome de um igualitarismo balofo e parolo, impôs calendários esquerdistas para as medidas políticas de vulto como a aprovação da Constituição com um preâmbulo digno das democracias populares de Leste, abandalhou o espectro político com grupelhos partidários de extrema-esquerda que impuseram discussões públicas e actos de descalabro ideológico ( casos República e Rádio Renascença), que culminou no 25 de Novembro desse ano e abalou definitivamente a confiança dos agentes económicos, nacionais ou estrangeiros, no nosso país. Arruinou Portugal em menos de dois anos.
O Expresso desse Sábado dava notícias assim:
Em 22 de Novembro de 1975, no Expresso, António Sousa Franco, descrevia em modo resumido a ecomonia portuguesa e a ligação estreita aos políticos que a tinham destruído, particularmente até ao VI governo que Sousa Franco entendia como formados por incompetentes com "péssima administração" que tinham esgotado a liquidez dos bancos de modo a tornar insustentável o destino futuro do país, sem ajuda externa. Todos os sinais eram negativos com excepção, talvez, das remessas dos emigrantes da época. o que terá evitado o pedido de ajuda ao FMI logo em 1976.
Dois anos antes, no governo de Marcello Caetano, estávamos já em dificuldades ( a entrar no chamado período das "vacas magras") mas nada que se assemelhasse a isto que nos aconteceu com os diletantes dos cinco primeiros governos provisórios e os comunistas e esquerda em geral a escorraçar os poucos capitalistas que ainda tínhamos e a liquidar de vez o sistema que não queriam para nada a não ser para engordar o capitalismo de Estado a caminho do socialismo e da sociedade sem classes. Isto era dito de modo muito sério por catedráticos de universidade e pessoas adultas com estudos lá fora...( Vital Moreira, por exemplo). A guerra noUltramar já tinha terminado e nem mesmo as poupanças derivadas das despesas do esforço de guerra que Cunhal tinha em 1972 apontado como causa de dificuldades económicas, lhes valiam para equilibrar as contas do país. Cambada de incompetentes maior nunca existiu em Portugal, a não ser recentemente...
Em Abril de 1976 o O Jornal publicou uma resenha de página sobre as propostas eleitorais para as eleições legislativas que se aproximavam ( 25 de Abril de 1976 para a A.R e depois para a presidência da República) . O O Jornal temia o "vento de direita" que se fizera sentir desde o 25 de Novembro do ano anterior...mas as propostas da tal "direita" inexistente eram todas no sentido da manutenção do status quo económico, com a manutenção e "irreversibilidade das nacionalizações".
A Esquerda mandava, toda poderosa, no caminho acelerado para a bancarrota, com o PS e o PSD a ajudarem e até o CDS se conformava com o "estatuto" das empresas nacionalizadas...
As propostas da UDP ( onde estava nessa altura o célebre político "hádem", de sua graça Jorge Coelho) são de rir.
Em 23 de Julho de 1977 o mesmo O Jornal dava conta, num artigo de Francisco Sarsfield Cabral das nossas dificuldades económicas inultrapassáveis com as políticas que tínhamos que são exactamente, sem tirar nem pôr, as que agora os comunistas e bloquistas exigem pôr em prática como as tais "outras políticas" que não definem bem para não assustarem o pagode. Já então escrevia que " a situação não melhorou-piorou".
Mas como, se estavam liquidados os monopólios e a banca estava ao serviço do povo?! Como é que tal foi possível?!Então ainda seria o capitalismo monopolista e ladifundiário que nos arruinara, nas palavras do PCP, a mandar? Seria?
Em 12 de Agosto de 1977 já não havia quaisquer dúvidas: "medidas de austeridade mais tarde ou mais cedo..."
Quem é que nos (des)governava assim? Claro, o mesmo de sempre e que agora anda atoleimado da memória...ou completamente desavergonhado que aliás foi coisa que nunca o preocupou ou lhe tirou a soneca da sesta permamente.
Em 1 de Dezembro de 1977, o mesmo Sousa Franco em entrevista ao O Jornal fazia o retrato e o ponto da situação, numa entrevista, clara, concisa e precisa: evasão de capitais derivada das nacionalizações, desinvestimento nacional e estrangeiro, com opções de Plano "claramente muito à esquerda da social-democracia". E com aplauso daquele que anda sempre a dormir e perde a memória.
Sousa Franco explicava muito bem o problema do PS de sempre: " umas vezes o PS adopta posições que se situam muito à esquerda da social-democracia e outras vezes posições que se situam muito à sua direita". Está tudo definido sobre o PS. O actual, entenda-se.
O PCP e o PS.
Esse mesmo PS que pela mente elaborada em ondinhas de cabelo pintado, pelo já então genial Constâncio que viu quase tudo o que havia para ver na nossa política económica, menos as soluções para a melhorar e evitar casos como o BPN, comentava um artigo do New York Times que nos punha na lama do opróbrio que nunca tivéramos antes por estes motivos. Constâncio sempre constante a um fulgor de inteligência rara que o catapulta sempre para postos de prestígio e rendimento constante, dizia estas coisas...
E o PCP, como é que explicava tudo isto? Do modo habitual: nada com eles. Tudo com a "direita", por causa da "política de recuperação capitalista do Governo", apoiada pelo PPD e CDS.
O descalabro evidente que se deparava com dívidas colossais no sector público, dívida externa crescente e monumental e balança comercial negativíssima, era tudo por causa da "política de recuperação capitalista" e nada por causa da política de esquerda que nacionalizara tudo e tudo pusera ao serviço do Estado. Lindo Estado!
Tal como hoje, o discurso do PCP não lhes fazia cair a máscara porque a condescendência geral era total. É um fenómeno estranhíssimo e único em todo o mundo ocidental, esta condescendência e tolerância para com nos arruinou à custa de ideologia balofa e fossilizada.
Álvaro Cunhal, aliás, já dissera publicamente aquando do 25 de Novembro de 1975, no mesmo O Jornal de 5 de Dezembro de 1975 que o partido não tivera nada com aquilo. Fora coisa "das chefias militares"...e assim ficou porque o PCP e Álvaro Cunhal em particular, nestes assuntos nunca se deram por achados e nunca ninguém lhes colocou as perguntas certas, directas e demolidoras sobre o que fizeram ao país em nome de uma ideologia marxista-leninista fossilizada e caduca. Os jornalistas portugueses nunca fizeram uma entrevista a Álvaro Cunhal em que as perguntas fossem suficientemente acutilantes para o colocar no lugar de mito com pés de barro. Nem sequer Maria João Avilez no Expresso dos anos oitenta ou noventa. Nunca, nem sequer na entrevista que concedeu ao Independente, com Miguel Esteves Cardoso. Nunca e na tv é que nunca por nunca. Acompanhei sempre essas entrevistas ao longo dos anos e nunca vi Cunhal a ser colocado no lugar que deveria ocupar por direito próprio: destruidor de um país através do comunismo em que acreditava e professava.
A troika Arménio Avoila e Jerónimo ( o tal do "livre arbítrio" a significar arbitrariedade...) continuam a apostar nas mesmíssimas ideias, nos mesmíssimos princípios e métodos e nos mesmíssimos receituários para "vencer a crise" e que, naturalmente são as tais "outras políticas", ou seja estas que por aqui podemos ver e ler. Não há ridículo que os mate porque têm o antídoto sempre à mão: a novilíngua que inventaram para aldrabar o povo.
sábado, junho 22, 2013
Como o PCP arrasou o capitalismo português, em 1974- 75.
Portugal, em 1974, antes de 25 de Abril era dominado economicamente por umas "20 famílias", como escrevia a revista Time, em tom esquerdizante ( Martha de la Cal, correspondente) em 14 de Julho de 1975, em pleno PREC.
O Bloco de Esquerda escreveu ( obra colectiva, segundo indicam e dedicada à memória de João Martins Pereira, o guru ) um livro sobre "Os donos de Portugal", no qual pretendem demonstrar que " a burguesia portuguesa foi sempre incapaz de democratizar a modernização do país".
É esta a tese fundamental do livro que redunda numa colecção de factos que pretendem reescrever a História ( por lá anda o Rosas, da firma Rosas & Pereira, alfaitates do revisionismo histórico). Descobrem muito admirados que "os grupos económicos são famílias" como se isso fosse um atentado às teses de Feuerbach em que o homem é aquilo que come.
As famílias da burguesia nacional são um pesadelo para o Rosas & Pereira, vá lá saber-se porquê, fora dos cânones marxistas.
Numa nação com menos de 10 milhões de pessoas, tal fenómeno espanta-os e indigna-os de tal modo que esses "donos de Portugal", são apresentados como uma oligarquia que tomou conta dos recursos do país, sem deixar nada para os demais. "Eles comem tudo..." nasceu dessa ideia simplista.
A Realidade, porém, tem outros contornos e a alternativa que lograram implantar em 1975 a essa Realidade ainda mais.
Em 6 de Abril de 1974 o renovado Sempre Fixe um jornal muito antigo repescado ao olvido nessa altura, iniciava a segunda fase de publicação com um quadro revelador de quem eram então os "donos de Portugal", na vulgata marxista do bloco indefinido à esquerda. Os "grandes patrões" do Portugal de então estavam bem identificados, em relação ao volume de negócios ( receitas cobradas, não dívidas como depois aconteceu) e número de trabalhadores.
Este número que faria sorrir os editores da Fortune, mesmo de então, causava uma urticária aos marxistas de então, os Rosas&Pereira que militavam no PCP, na UDP, no PRP, na OCMLP e noutros grupelhos de ideologia patética, com gente crescida e formada em universidades.
Por causa dessa fúria comunista que começou logo a seguir ao 25 de Abril, como Marcello Caetano preconizava e tinha publicamente avisado, os media em geral e dominantes passaram a ideia que o que era nacionalizado é que seria bom, porque estava bom de ver e só os ceguinhos se recusavam a reconhecer: se era de todos, melhor para todos seria. E foi mesmo, não era?
Vejamos. Em consequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, os "donos de Portugal" ficaram realmente assustados e alguns fugiram, mas poucos. Os que tinham capital a bom recato, lá fora, ( como agora o fazem sem alardes, aparecendo depois com as calças na mão a pedir RERT´s que os safem da cadeia democrática), ou seja os Salgados e Mellos e Britos e Champallimauds que eram verdadeiramente os que sendo donos do país, maior riqueza produziam para todos os nacionais e cidadãos em geral, acautelaram os seus teres e haveres em "valores mobiliários" e esperaram para ver.
Em Agosto, pensando que poderiam ainda ter algum papel importante a desempenhar na nova ordem "democrática" decidiram agir e propor publicamente um investimento conjunto na economia nacional da ordem de 120 milhões de contos que se multiplicariam se bem geridos.
A ideia era manter o sistema capitalista que tínhamos com os resultados que eram bons, para a época e manter a funcionar a economia desses "donos de Portugal".
Ora era precisamente isso que os Rosas&Pereira não queriam porque tal lhes desfazia os dogmas marxistas e as ideias de esquerda comunista que viam cada dia a florescer em Portugal, nos muros das cidades, vilas e aldeias, nas manifestações, nas reuniões em "pacto com o MFA e principalmente na ideia tentadora de experimentarem um "novo modelo" de socialismo nunca experimentado na Europa ocidental. Reinventar a roda, portanto, era o que os Rosas&Pereira queriam. E quase conseguiram reinventar uma...bancarrota em tempo record e digno do Guiness. Nunca se deram por achados, os Rosas&Pereira, por causa desse feito notável que em vez de os atirar para o olvido geral, os trouxe para as tv´s onde ainda peroram, sempre a chover no molhado.
Em 24 de Agosto o Expresso publicou uma edição memorável a vários títulos porque permite fazer o resumo de tudo isto que ocorreu num espaço de poucos meses da nossa desgraça colectiva, engendrada pelos Rosas& Pereira, como firma de demolições de um país e alfaiates dos fatos à medida marxista.
Em primeiro lugar o comunicado e as intenções do MDE/S permitem verificar o que pretendiam esses ingénuos: continuar um sistema que estava condenado por sentença transitada em julgado pelo Cunhal, Rosa&Pereira e outros próceres como os socialistas que acompanhavam o caminho da desgraça e do abismo económico. Pode ler-se o que diziam então "jornalistas da televisão" aos ditos donos de Portugal: "tinham que reaprender a sua profissão devido à nova situação existente em Portugal". Repare-se: são "jornalistas da televisão" ( os cesários borgas e outros borgas) quem dava conselhos aos donos de Portugal em jeito de ameaça. E os donos de Portugal reconheciam, envergonhados, que o regime deposto "coarctava a liberdade a liberdade de iniciativa privada como forma de sustentação daquele poder político". Isto era dito por um Luís Barbosa, mais tarde do partido "rigorosamente ao centro" da poltranice.
Ora em Agosto de 1974 a Economia, ainda no rescaldo do 25 de Abril, mas ainda em sistema capitalista como existia antes, era analisada no mesmo número do jornal deste modo:
E um certo Fernando Ulrich, filho e casado em boas famílias, dos tais donos de Portugal, escrevia então crónicas no Expresso.
Portanto, mesmo com estes sobressaltos cívicos a Economia nacional entrou em mutação acelerada nos meses seguintes, com o PREC comunista que afogou completamente os desígnios dos "donos de Portugal" em detrimento de uns novos donos de Portugal: o PCP e Esquerda em geral que tomaram conta das rédeas da gestão empresarial, agora do Estado e com a banca toda a ajudar porque nacionalizada também, assim tornada "banca do povo".
Pode dizer-se que em 11 de Março de 1975 e meses seguintes, os donos de Portugal foram liquidados e alguns até presos ( sem qualquer culpa fornada ou acusação legalmente sustentada, note-se). E que resultou da brilhante gestão que se seguiu, da responsabilidade dos novos donos de Portugal que ficaram com a faca e todo o queijo na mão para cortar a preceito? Cortaram os dedos...por incompetência, parvoíce e sei lá que mais. E estragaram o queijo.
Basta um pequeno exemplo sobre a Siderurgia que era de um dos antigos donos de Portugal. Aparece no Expresso de 20 de Dezembro de 1975 e é elucidativo por vários motivos. O primeiro é a verificação de um descalabro de gestão e um fracasso evidente dos novos donos de Portugal. O segundo é a As justificação do falhanço, com a culpa sempre alheia e a morrer solteira, como hoje, da nova elite, quase toda comunista. Os argumentos são de rir, mas a tragédia que se provocou não.
Em 1976 os novos donos de Portugal, depois de falirem completamente o país, pediram ajuda ao FMI:..
Mais e pior: um dos responsáveis pelo descalabro, Mário Soares, apesar de reconhecer a asneira e o fracasso das nacionalizações só permitiu a mudança do artigo da Constituição de 19756 que consagrava a irreversibilidade das nacionalizações e portanto a garantia constitucional para continuar a arruinar o país ( como agora) mais de uma dúzia de anos depois, com a revisão no final dos anos oitenta. Porquê? Porque quis ser ele a mandar e a ser um dos novos donos de Portugal até chegar a presidente da República. Com um aplauso geral. Alguns dos que aplaudiram eram antigos "donos de Portugal".
Como escreveu Álvaro Cunhal posteriormente, reconhecendo a vitória comunista sobre os "monopólios", tal como citado no último número de O Militante, de Maio/Junho 2013, "Portugal de hoje é um Portugal libertado dos monopólios e dos latifúndios. Um Portugal novo e melhor, democrático e progressista." Tal e qual.
Em 1977 Portugal, por Mário Soares, então primeiro-ministro, estendeu pela primeira vez a mão ao FMI, na iminência de uma bancarrota que só não ocorreu por milagre.Em 1983, o mesmo Mário Soares voltou a estender a mão e a repetir a dose, mais reforçada dessa vez.
E andamos nisto anos e anos. O Militante continua a explicar a razão para "outras políticas", como as de outrora...
A explicação para o falhanço é simples, segundo O Militante:
O capital monopolista nacional, cujas condições de rentabilidade tinham sido afectadas pela crise sistémica, reagiu de forma directa, por via da sabotagem económica e da fuga de capitais. O processo de nacionalizações, da banca e de importantes segmentos da indústria transformadora, encetado no pós-11 de Março de 1975, foi fulcral para evitar o desmembramento de importantes sectores económicos e torná-los alavancas do desenvolvimento económico e social nacional. Entre 1975 e 1977, a produção industrial nacional cresceu 17,5%.
A culpa é sempre dos outros. Dos imperialistas, dos reaccionários fascistas, dos burgueses, etc etc. Nunca é deles e da sua incompetência e desastrosa incapacidade de gestão económica.
O Bloco de Esquerda escreveu ( obra colectiva, segundo indicam e dedicada à memória de João Martins Pereira, o guru ) um livro sobre "Os donos de Portugal", no qual pretendem demonstrar que " a burguesia portuguesa foi sempre incapaz de democratizar a modernização do país".
É esta a tese fundamental do livro que redunda numa colecção de factos que pretendem reescrever a História ( por lá anda o Rosas, da firma Rosas & Pereira, alfaitates do revisionismo histórico). Descobrem muito admirados que "os grupos económicos são famílias" como se isso fosse um atentado às teses de Feuerbach em que o homem é aquilo que come.
As famílias da burguesia nacional são um pesadelo para o Rosas & Pereira, vá lá saber-se porquê, fora dos cânones marxistas.
Numa nação com menos de 10 milhões de pessoas, tal fenómeno espanta-os e indigna-os de tal modo que esses "donos de Portugal", são apresentados como uma oligarquia que tomou conta dos recursos do país, sem deixar nada para os demais. "Eles comem tudo..." nasceu dessa ideia simplista.
A Realidade, porém, tem outros contornos e a alternativa que lograram implantar em 1975 a essa Realidade ainda mais.
Em 6 de Abril de 1974 o renovado Sempre Fixe um jornal muito antigo repescado ao olvido nessa altura, iniciava a segunda fase de publicação com um quadro revelador de quem eram então os "donos de Portugal", na vulgata marxista do bloco indefinido à esquerda. Os "grandes patrões" do Portugal de então estavam bem identificados, em relação ao volume de negócios ( receitas cobradas, não dívidas como depois aconteceu) e número de trabalhadores.
Este número que faria sorrir os editores da Fortune, mesmo de então, causava uma urticária aos marxistas de então, os Rosas&Pereira que militavam no PCP, na UDP, no PRP, na OCMLP e noutros grupelhos de ideologia patética, com gente crescida e formada em universidades.
Por causa dessa fúria comunista que começou logo a seguir ao 25 de Abril, como Marcello Caetano preconizava e tinha publicamente avisado, os media em geral e dominantes passaram a ideia que o que era nacionalizado é que seria bom, porque estava bom de ver e só os ceguinhos se recusavam a reconhecer: se era de todos, melhor para todos seria. E foi mesmo, não era?
Vejamos. Em consequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, os "donos de Portugal" ficaram realmente assustados e alguns fugiram, mas poucos. Os que tinham capital a bom recato, lá fora, ( como agora o fazem sem alardes, aparecendo depois com as calças na mão a pedir RERT´s que os safem da cadeia democrática), ou seja os Salgados e Mellos e Britos e Champallimauds que eram verdadeiramente os que sendo donos do país, maior riqueza produziam para todos os nacionais e cidadãos em geral, acautelaram os seus teres e haveres em "valores mobiliários" e esperaram para ver.
Em Agosto, pensando que poderiam ainda ter algum papel importante a desempenhar na nova ordem "democrática" decidiram agir e propor publicamente um investimento conjunto na economia nacional da ordem de 120 milhões de contos que se multiplicariam se bem geridos.
A ideia era manter o sistema capitalista que tínhamos com os resultados que eram bons, para a época e manter a funcionar a economia desses "donos de Portugal".
Ora era precisamente isso que os Rosas&Pereira não queriam porque tal lhes desfazia os dogmas marxistas e as ideias de esquerda comunista que viam cada dia a florescer em Portugal, nos muros das cidades, vilas e aldeias, nas manifestações, nas reuniões em "pacto com o MFA e principalmente na ideia tentadora de experimentarem um "novo modelo" de socialismo nunca experimentado na Europa ocidental. Reinventar a roda, portanto, era o que os Rosas&Pereira queriam. E quase conseguiram reinventar uma...bancarrota em tempo record e digno do Guiness. Nunca se deram por achados, os Rosas&Pereira, por causa desse feito notável que em vez de os atirar para o olvido geral, os trouxe para as tv´s onde ainda peroram, sempre a chover no molhado.
Em 24 de Agosto o Expresso publicou uma edição memorável a vários títulos porque permite fazer o resumo de tudo isto que ocorreu num espaço de poucos meses da nossa desgraça colectiva, engendrada pelos Rosas& Pereira, como firma de demolições de um país e alfaiates dos fatos à medida marxista.
Em primeiro lugar o comunicado e as intenções do MDE/S permitem verificar o que pretendiam esses ingénuos: continuar um sistema que estava condenado por sentença transitada em julgado pelo Cunhal, Rosa&Pereira e outros próceres como os socialistas que acompanhavam o caminho da desgraça e do abismo económico. Pode ler-se o que diziam então "jornalistas da televisão" aos ditos donos de Portugal: "tinham que reaprender a sua profissão devido à nova situação existente em Portugal". Repare-se: são "jornalistas da televisão" ( os cesários borgas e outros borgas) quem dava conselhos aos donos de Portugal em jeito de ameaça. E os donos de Portugal reconheciam, envergonhados, que o regime deposto "coarctava a liberdade a liberdade de iniciativa privada como forma de sustentação daquele poder político". Isto era dito por um Luís Barbosa, mais tarde do partido "rigorosamente ao centro" da poltranice.
Ora em Agosto de 1974 a Economia, ainda no rescaldo do 25 de Abril, mas ainda em sistema capitalista como existia antes, era analisada no mesmo número do jornal deste modo:
E um certo Fernando Ulrich, filho e casado em boas famílias, dos tais donos de Portugal, escrevia então crónicas no Expresso.
Portanto, mesmo com estes sobressaltos cívicos a Economia nacional entrou em mutação acelerada nos meses seguintes, com o PREC comunista que afogou completamente os desígnios dos "donos de Portugal" em detrimento de uns novos donos de Portugal: o PCP e Esquerda em geral que tomaram conta das rédeas da gestão empresarial, agora do Estado e com a banca toda a ajudar porque nacionalizada também, assim tornada "banca do povo".
Pode dizer-se que em 11 de Março de 1975 e meses seguintes, os donos de Portugal foram liquidados e alguns até presos ( sem qualquer culpa fornada ou acusação legalmente sustentada, note-se). E que resultou da brilhante gestão que se seguiu, da responsabilidade dos novos donos de Portugal que ficaram com a faca e todo o queijo na mão para cortar a preceito? Cortaram os dedos...por incompetência, parvoíce e sei lá que mais. E estragaram o queijo.
Basta um pequeno exemplo sobre a Siderurgia que era de um dos antigos donos de Portugal. Aparece no Expresso de 20 de Dezembro de 1975 e é elucidativo por vários motivos. O primeiro é a verificação de um descalabro de gestão e um fracasso evidente dos novos donos de Portugal. O segundo é a As justificação do falhanço, com a culpa sempre alheia e a morrer solteira, como hoje, da nova elite, quase toda comunista. Os argumentos são de rir, mas a tragédia que se provocou não.
Em 1976 os novos donos de Portugal, depois de falirem completamente o país, pediram ajuda ao FMI:..
Mais e pior: um dos responsáveis pelo descalabro, Mário Soares, apesar de reconhecer a asneira e o fracasso das nacionalizações só permitiu a mudança do artigo da Constituição de 19756 que consagrava a irreversibilidade das nacionalizações e portanto a garantia constitucional para continuar a arruinar o país ( como agora) mais de uma dúzia de anos depois, com a revisão no final dos anos oitenta. Porquê? Porque quis ser ele a mandar e a ser um dos novos donos de Portugal até chegar a presidente da República. Com um aplauso geral. Alguns dos que aplaudiram eram antigos "donos de Portugal".
Como escreveu Álvaro Cunhal posteriormente, reconhecendo a vitória comunista sobre os "monopólios", tal como citado no último número de O Militante, de Maio/Junho 2013, "Portugal de hoje é um Portugal libertado dos monopólios e dos latifúndios. Um Portugal novo e melhor, democrático e progressista." Tal e qual.
Em 1977 Portugal, por Mário Soares, então primeiro-ministro, estendeu pela primeira vez a mão ao FMI, na iminência de uma bancarrota que só não ocorreu por milagre.Em 1983, o mesmo Mário Soares voltou a estender a mão e a repetir a dose, mais reforçada dessa vez.
E andamos nisto anos e anos. O Militante continua a explicar a razão para "outras políticas", como as de outrora...
A explicação para o falhanço é simples, segundo O Militante:
O capital monopolista nacional, cujas condições de rentabilidade tinham sido afectadas pela crise sistémica, reagiu de forma directa, por via da sabotagem económica e da fuga de capitais. O processo de nacionalizações, da banca e de importantes segmentos da indústria transformadora, encetado no pós-11 de Março de 1975, foi fulcral para evitar o desmembramento de importantes sectores económicos e torná-los alavancas do desenvolvimento económico e social nacional. Entre 1975 e 1977, a produção industrial nacional cresceu 17,5%.
A culpa é sempre dos outros. Dos imperialistas, dos reaccionários fascistas, dos burgueses, etc etc. Nunca é deles e da sua incompetência e desastrosa incapacidade de gestão económica.
sexta-feira, junho 21, 2013
O principal problema de Paulo Morais enquanto arauto da denúncia da corrupção
No jornal Sol de hoje aparecem estes dois artigos. Um refere o assunto "PPP´s " e o modo como é encarado pelo pessoal político responsável directo pelo fenómeno. Costa Pina, Paulo Campos e tutti quanti não se sentem minimamente responsáveis por um descalabro simples de entender e que não previram seria tão evidente: todo o prejuízo reverte para o português que paga impostos e todo o lucro para a empresa que negociou com esta gente, directamente e sem intermediários.
Como se pode ler ninguém assume responsabilidades, nem sequer políticas que como se sabe é o mesmo que nada. Responsabilidades políticas em Portugal significa resultados eleitorais só e apenas. O partido que esteve, perdendo eleições, fica com as contas saldadas com o país e os seus próceres libertos de outras responsabilidades porque nem sendo sequer eleitos não se sentem representantes de quem quer que seja e muito menos do povo que elege.Até achariam tal coisa esquisito e sem sentido. Estou a ver Teixeira dos Santos, de manhã a cofiar a barba ao espelho e a perguntar-se: espelho meu, diz lá, o que fiz eu? E o espelho a devolver-lhe um silêncio cúmplice de uma ausência de entendimento básico do problema.
Esta gente cuja fronha aí aparece é inimputável política e socialmente. Não há opróbrio que lhes chegue mesmo o que resulta de evidências que entram pelos olhos dentro.
Foram escolhidos pelo governante que foi eleito indirectamente e que os escolheu para o "seu" governo, por razões muitas vezes obscuras, mas sempre supostamente por serem competentes para o cargo que ocuparam e onde decidiram escolhendo pessoalmente colaboradores, sem restrições de orçamento, sem entraves que todos os demais portugueses sentem e sem obstáculos que não os do grupo a que pertencem. Tiveram toda a liberdade, como nenhum outro português tem, para escolher os mais competentes e melhores para a tarefa de que foram incumbidos.
Tiveram privilégios e benesses que mais nenhum português tem, mesmo os mais ricos do país, porque escolheram quem bem quiseram e sem entraves económicos porque lhes concederam cartões de crédito para gastar, automóvel com motorista para andar para onde e como quando quiseram. Sem controlo, sequer.
Escolheram estudos exteriores contratados com firmas de advogados, sem qualquer constrangimento orçamental, à medida do freguês e sem qualquer controlo específico do custo que pagaram pelos vistos sem problema de consciência orçamental.
Não satisfeitos com estes privilégios, esta gente cuja fronha aí está, fizeram o que fizeram, com um prejuízo gigantesco para o país, sabendo ou devendo saber o que estavam a fazer e o que tais decisões forçosamente provocariam. Nada nem ninguém os demoveu dos propósitos e nada nem ninguém, nem sequer os tribunais, mormente o de Contas relativamente ao qual deviam atenção e respeito, mereceu consideração sempre que não concordava com o que decidiram desse modo quase autocrático e sem controlo democrático, forçosamente.
Agora que os prejuízos gigantescos estão à vista de todos os portugueses e foram denunciados publicamente por uma comissão de inquérito que os ouviu, não sentem minimamente a responsabilidade que têm para com o povo em nome do qual governaram.
O que dizer desta gente que se prepara para ocupar outros lugares de relevo na administração pública para eventualmente voltar a fazer o mesmo a todos os portugueses? Sim, o que dizer?
Que são corruptos? Isso é paleio deletério. Esta gente não é apenas corrupta no sentido moral do termo, é apenas abjecta politicamente. Pessoalmente, não sei porque serão até simpáticos no trato e bem educados nas maneiras. Porém, tal coisa é inútil e até perigosa por vezes, porque seduz os media que não distinguem quem nos arruinou...
As "swaps" representam um caso singular de desresponsabilização em cadeia. O que diz um ex-secretário de Estado - Juvenal Peneda- recentemente demitido por causa de um assunto parecido com o das PPPs ?
Que " houve pressões da banca- no caso Santander Totta- para a empresa onde estava- STCP do Porto- fazer contratos "swap".
Foi isto que disse à edição de hoje do Diário de Notícias. O modo como o fez levanta a questão dos métodos e da essência da corrupção em Portugal.
É muito interessante ler o que diz porque se percebe como é que Paulo Morais não tem razão no que tem dito, porque falha um alvo que é muito preciso e discreto: o modo como os governantes decidem em Portugal e que suscita problemas de corrupção difusa.
Para análise deste fenómeno vejamos o caso singular desta crónica de um tal David Dinis, tornado comentador televisivo da anas lourenço desta nossa pobre tv e que aparece publicado igualmente no Sol de hoje.
David Dinis toma as dores de um deputado- Frasquilho do PSD- para relatar um fait-divers ocorrido no Parlamento: um desgravo dos pares ao continuado libelo acusatório de Paulo Morais sobre a promiscuidade entre os deputados e a banca, por exemplo e como exemplo concreto de corrupção, sem distinção de grau e qualidade.
Os colegas de ofício de Frasquilho, com o aplauso veemente de Dinis que assim o diz, louvaram a vítima das investidas de Morais porque este insinua que Frasquilho poderá ser corrupto devido a uma coincidência: Frasquilho é empregado de Ricardo Salgado ( como o Silva da UGT, aliás) e portanto sendo deputado, pertence à comissão que deveria fiscalizar a privatização da EDP que o BES de Ricardo Salgado assessorou no processo de privatização ( com contornos que ainda estão para se saber, mas saberão pela certa). Morais extrai daí a ilação que o caso configura um exemplo concreto de eventual corrupção na política.
Os deputados colegas de Frasquilho, no caso, Vieira da Silva, socialista; Fernando Medina, idem e até o bloquista Fazenda, asseguraram e manifestaram ao visado a sua solidariedade sem reservas, vituperando Paulo Morais por andar a lançar lama para estes impolutos.
O problema de Paulo Morais com este tipo de casos é muito simples: se continuar a gritar "corrupção" a torto e direito conseguirá duas coisas: a primeira é gastar a palavra e desvalorizar o tema. A segunda é confundir o tema, porque corrupção é termo polissémico.
O assunto da "corrupção dos políticos" é caso sério mas tem que se distinguir a corrupção criminal stricto sensu da corrupção moral e que manifestamente é este o caso.
Frasquilho não devia fazer parte de comissão alguma em que eventualmente pudesse colidir com conflitos de interesses. O caso de ser empregado de Salgado é muito relevante e deveria fazê-lo afastar de qualquer contacto com assuntos deste teor, mormente do assunto EDP, cujos contornos são nebulosos e cuja participação do BES carece de esclarecimento.
Porém não é admissível imputar a Frasquilho a prática de crimes, mormente de corrupção, apenas com estes elementos de facto, o que fatalmente pode acontecer sob a forma de suspeita como é o caso concreto a que estes indignados postiços se agarram, sem pudor algum.
Já se torna possível no entanto apontar-lhe a falta de vergonha e apontar o caso como exemplificativo da promiscuidade entre a política e os negócios de alto coturno.
Quanto a David Dinis é mais um caso de assimilação do sistema. Típico. Penoso. Por tal já tem lugar assegurado na tv, a comentar.
Paulo Morais ao falar de corrupção de políticos, sem distinguir e apontar o caso particular de Frasquilho como exemplo, torna-se o alvo destes hipócritas do Parlamento, incluindo um improvável Fazenda.
Que lhe sirva de emenda.
Como se pode ler ninguém assume responsabilidades, nem sequer políticas que como se sabe é o mesmo que nada. Responsabilidades políticas em Portugal significa resultados eleitorais só e apenas. O partido que esteve, perdendo eleições, fica com as contas saldadas com o país e os seus próceres libertos de outras responsabilidades porque nem sendo sequer eleitos não se sentem representantes de quem quer que seja e muito menos do povo que elege.Até achariam tal coisa esquisito e sem sentido. Estou a ver Teixeira dos Santos, de manhã a cofiar a barba ao espelho e a perguntar-se: espelho meu, diz lá, o que fiz eu? E o espelho a devolver-lhe um silêncio cúmplice de uma ausência de entendimento básico do problema.
Esta gente cuja fronha aí aparece é inimputável política e socialmente. Não há opróbrio que lhes chegue mesmo o que resulta de evidências que entram pelos olhos dentro.
Foram escolhidos pelo governante que foi eleito indirectamente e que os escolheu para o "seu" governo, por razões muitas vezes obscuras, mas sempre supostamente por serem competentes para o cargo que ocuparam e onde decidiram escolhendo pessoalmente colaboradores, sem restrições de orçamento, sem entraves que todos os demais portugueses sentem e sem obstáculos que não os do grupo a que pertencem. Tiveram toda a liberdade, como nenhum outro português tem, para escolher os mais competentes e melhores para a tarefa de que foram incumbidos.
Tiveram privilégios e benesses que mais nenhum português tem, mesmo os mais ricos do país, porque escolheram quem bem quiseram e sem entraves económicos porque lhes concederam cartões de crédito para gastar, automóvel com motorista para andar para onde e como quando quiseram. Sem controlo, sequer.
Escolheram estudos exteriores contratados com firmas de advogados, sem qualquer constrangimento orçamental, à medida do freguês e sem qualquer controlo específico do custo que pagaram pelos vistos sem problema de consciência orçamental.
Não satisfeitos com estes privilégios, esta gente cuja fronha aí está, fizeram o que fizeram, com um prejuízo gigantesco para o país, sabendo ou devendo saber o que estavam a fazer e o que tais decisões forçosamente provocariam. Nada nem ninguém os demoveu dos propósitos e nada nem ninguém, nem sequer os tribunais, mormente o de Contas relativamente ao qual deviam atenção e respeito, mereceu consideração sempre que não concordava com o que decidiram desse modo quase autocrático e sem controlo democrático, forçosamente.
Agora que os prejuízos gigantescos estão à vista de todos os portugueses e foram denunciados publicamente por uma comissão de inquérito que os ouviu, não sentem minimamente a responsabilidade que têm para com o povo em nome do qual governaram.
O que dizer desta gente que se prepara para ocupar outros lugares de relevo na administração pública para eventualmente voltar a fazer o mesmo a todos os portugueses? Sim, o que dizer?
Que são corruptos? Isso é paleio deletério. Esta gente não é apenas corrupta no sentido moral do termo, é apenas abjecta politicamente. Pessoalmente, não sei porque serão até simpáticos no trato e bem educados nas maneiras. Porém, tal coisa é inútil e até perigosa por vezes, porque seduz os media que não distinguem quem nos arruinou...
As "swaps" representam um caso singular de desresponsabilização em cadeia. O que diz um ex-secretário de Estado - Juvenal Peneda- recentemente demitido por causa de um assunto parecido com o das PPPs ?
Que " houve pressões da banca- no caso Santander Totta- para a empresa onde estava- STCP do Porto- fazer contratos "swap".
Foi isto que disse à edição de hoje do Diário de Notícias. O modo como o fez levanta a questão dos métodos e da essência da corrupção em Portugal.
É muito interessante ler o que diz porque se percebe como é que Paulo Morais não tem razão no que tem dito, porque falha um alvo que é muito preciso e discreto: o modo como os governantes decidem em Portugal e que suscita problemas de corrupção difusa.
Para análise deste fenómeno vejamos o caso singular desta crónica de um tal David Dinis, tornado comentador televisivo da anas lourenço desta nossa pobre tv e que aparece publicado igualmente no Sol de hoje.
David Dinis toma as dores de um deputado- Frasquilho do PSD- para relatar um fait-divers ocorrido no Parlamento: um desgravo dos pares ao continuado libelo acusatório de Paulo Morais sobre a promiscuidade entre os deputados e a banca, por exemplo e como exemplo concreto de corrupção, sem distinção de grau e qualidade.
Os colegas de ofício de Frasquilho, com o aplauso veemente de Dinis que assim o diz, louvaram a vítima das investidas de Morais porque este insinua que Frasquilho poderá ser corrupto devido a uma coincidência: Frasquilho é empregado de Ricardo Salgado ( como o Silva da UGT, aliás) e portanto sendo deputado, pertence à comissão que deveria fiscalizar a privatização da EDP que o BES de Ricardo Salgado assessorou no processo de privatização ( com contornos que ainda estão para se saber, mas saberão pela certa). Morais extrai daí a ilação que o caso configura um exemplo concreto de eventual corrupção na política.
Os deputados colegas de Frasquilho, no caso, Vieira da Silva, socialista; Fernando Medina, idem e até o bloquista Fazenda, asseguraram e manifestaram ao visado a sua solidariedade sem reservas, vituperando Paulo Morais por andar a lançar lama para estes impolutos.
O problema de Paulo Morais com este tipo de casos é muito simples: se continuar a gritar "corrupção" a torto e direito conseguirá duas coisas: a primeira é gastar a palavra e desvalorizar o tema. A segunda é confundir o tema, porque corrupção é termo polissémico.
O assunto da "corrupção dos políticos" é caso sério mas tem que se distinguir a corrupção criminal stricto sensu da corrupção moral e que manifestamente é este o caso.
Frasquilho não devia fazer parte de comissão alguma em que eventualmente pudesse colidir com conflitos de interesses. O caso de ser empregado de Salgado é muito relevante e deveria fazê-lo afastar de qualquer contacto com assuntos deste teor, mormente do assunto EDP, cujos contornos são nebulosos e cuja participação do BES carece de esclarecimento.
Porém não é admissível imputar a Frasquilho a prática de crimes, mormente de corrupção, apenas com estes elementos de facto, o que fatalmente pode acontecer sob a forma de suspeita como é o caso concreto a que estes indignados postiços se agarram, sem pudor algum.
Já se torna possível no entanto apontar-lhe a falta de vergonha e apontar o caso como exemplificativo da promiscuidade entre a política e os negócios de alto coturno.
Quanto a David Dinis é mais um caso de assimilação do sistema. Típico. Penoso. Por tal já tem lugar assegurado na tv, a comentar.
Paulo Morais ao falar de corrupção de políticos, sem distinguir e apontar o caso particular de Frasquilho como exemplo, torna-se o alvo destes hipócritas do Parlamento, incluindo um improvável Fazenda.
Que lhe sirva de emenda.
O PCP visto pela extrema-esquerda: social-fascismo
Em 1975, o partido comunista português era considerado fascista mas social por certos grupos de extrema-esquerda, com destaque para o MRPP que combatia activamente tal tendência comunista ancorada no imperialismo soviético.
Em 20 de Dezembro de 1975 o Expresso publicou este pequeno artigo da autoria de um tal Arménio Vicente ( de que não há rasto nem memória conhecidas publicamente) em que se enunciam as razões teóricas e de fundo para que o PCP fosse fascista e ao mesmo tempo social.
Evidentemente, o PCP detestava estes grupelhos esquerdistas que traduziam doutrina que apelidavam de "doença infantil do comunismo", título de um opúsculo de 1920, de Lenine.
Tendo em conta o que sucedeu nos países de Leste e noutros ditos comunistas é de prever que se o PCP alguma vez tomasse o poder político em Portugal, associando-o ao económico e ideológico, estes pequenos partidos ou assumiam a "linha correcta" de pensamento ou seriam mais perseguidos do que jamais os comunistas o foram antes de 25 de Abril de 74. Isso é tão claro e evidente que nem carece de demonstração.
Em 20 de Dezembro de 1975 o Expresso publicou este pequeno artigo da autoria de um tal Arménio Vicente ( de que não há rasto nem memória conhecidas publicamente) em que se enunciam as razões teóricas e de fundo para que o PCP fosse fascista e ao mesmo tempo social.
Evidentemente, o PCP detestava estes grupelhos esquerdistas que traduziam doutrina que apelidavam de "doença infantil do comunismo", título de um opúsculo de 1920, de Lenine.
Tendo em conta o que sucedeu nos países de Leste e noutros ditos comunistas é de prever que se o PCP alguma vez tomasse o poder político em Portugal, associando-o ao económico e ideológico, estes pequenos partidos ou assumiam a "linha correcta" de pensamento ou seriam mais perseguidos do que jamais os comunistas o foram antes de 25 de Abril de 74. Isso é tão claro e evidente que nem carece de demonstração.
quinta-feira, junho 20, 2013
O tribunal popular comunista, em Portugal
Uma notícia de 26 de Julho de 1975 no Expresso dava conta do primeiro tribunal popular em Portugal.
O réu José Diogo ia ser julgado pela justiça "burguesa" pelo facto de ter assassinado, à navalhada, o patrão, um "fassista" latifundiário do Alentejo profundo chamado Columbano.
Apesar de preso não compareceu à audiência de julgamento e o juiz do tribunal burguês, libertou-o sob caução. Foi o bastante para se proceder de imeditato ao julgamento em tribunal popular, nas escadas do tribunal de Tomar.
José Diogo foi absolvido e o patrão, morto, condenado. É assim a justiça popular comunista. E até já deu um filme...
E deu canção revolucionária pelo GAC, que vale a pena ouvir para lembrar o que é a "justiça popular".
Aditamento:
O caso José Diogo foi analisado no início dos anos oitenta ( 82 ou 83), nos exames de direito penal no CEJ, para os que pretendiam seguir a magistratura. O caso resultava algo difícil porque não se tratava de um homicídio puro e simples, mas uma morte que se seguiu a uma agressão à navalhada, do corajoso José Diogo, tornado antifascista instantâneo, pelo PCP.
Tudo indica tratar-se de um caso de homicídio praeter-intencional, ou seja o que vai para além da intenção inicial da agressão, porque José Diogo não morreu logo ali mas depois no hospital em resultado de uma infecção peritoneal, salvo o erro. Acho mesmo que há um acórdão sobre o caso e se o encontrar coloco aqui.
O réu José Diogo ia ser julgado pela justiça "burguesa" pelo facto de ter assassinado, à navalhada, o patrão, um "fassista" latifundiário do Alentejo profundo chamado Columbano.
Apesar de preso não compareceu à audiência de julgamento e o juiz do tribunal burguês, libertou-o sob caução. Foi o bastante para se proceder de imeditato ao julgamento em tribunal popular, nas escadas do tribunal de Tomar.
José Diogo foi absolvido e o patrão, morto, condenado. É assim a justiça popular comunista. E até já deu um filme...
E deu canção revolucionária pelo GAC, que vale a pena ouvir para lembrar o que é a "justiça popular".
Aditamento:
O caso José Diogo foi analisado no início dos anos oitenta ( 82 ou 83), nos exames de direito penal no CEJ, para os que pretendiam seguir a magistratura. O caso resultava algo difícil porque não se tratava de um homicídio puro e simples, mas uma morte que se seguiu a uma agressão à navalhada, do corajoso José Diogo, tornado antifascista instantâneo, pelo PCP.
Tudo indica tratar-se de um caso de homicídio praeter-intencional, ou seja o que vai para além da intenção inicial da agressão, porque José Diogo não morreu logo ali mas depois no hospital em resultado de uma infecção peritoneal, salvo o erro. Acho mesmo que há um acórdão sobre o caso e se o encontrar coloco aqui.
O vaticínio de Marcello Caetano sobre o nosso futuro.
Marcello Caetano, escassos dois meses antes de 25 de Abril de 1974 disse tudo sobre o nosso futuro: "esperam-nos tempos difíceis".
Com o recuo do tempo histórico torna-se perfeitamente claro que quem nos tornou os tempos difíceis foi a esquerda comunista, exclusivamente. O partido comunista em primeiro lugar e a extrema-esquerda logo colada ao efeito destruidor do PREC.
Bastaria a consciência desse fenómeno para que fossem arredados de vez da vida democrática tal como arredaram os fascistas supostos e verdadeiros, à semelhança do que sucedeu nos países do Leste europeu após a queda do muro de Berlim. Porém, o mito perdura e a troika avoila, arménio e jerónimo é quem quer mandar, em modo leninista, como sempre o fizeram.
O Diário de Lisboa dirigido em 7 de Fevereiro de 1974 pelo comunista A. Ruella Ramos publicava então em primeira página com desenvolvimento interior o discurso de Marcello Caetano ao INTP.
Sobre questões laborais, corporativas e de reivindicação, vale a pena ler o que disse então Marcello Caetano. Como exemplo: " há tempos dizia-me alguém que a paralização do trabalho dos controladores do tráfego aéreo era um sinal de progresso europeu, e que o facto de no nosso país tal ser proibido demonstrava, ao contrário, o nosso atraso"...
Hoje não há proibição: há requisição civil. Estamos muito melhor, por isso.
Com o recuo do tempo histórico torna-se perfeitamente claro que quem nos tornou os tempos difíceis foi a esquerda comunista, exclusivamente. O partido comunista em primeiro lugar e a extrema-esquerda logo colada ao efeito destruidor do PREC.
Bastaria a consciência desse fenómeno para que fossem arredados de vez da vida democrática tal como arredaram os fascistas supostos e verdadeiros, à semelhança do que sucedeu nos países do Leste europeu após a queda do muro de Berlim. Porém, o mito perdura e a troika avoila, arménio e jerónimo é quem quer mandar, em modo leninista, como sempre o fizeram.
O Diário de Lisboa dirigido em 7 de Fevereiro de 1974 pelo comunista A. Ruella Ramos publicava então em primeira página com desenvolvimento interior o discurso de Marcello Caetano ao INTP.
Sobre questões laborais, corporativas e de reivindicação, vale a pena ler o que disse então Marcello Caetano. Como exemplo: " há tempos dizia-me alguém que a paralização do trabalho dos controladores do tráfego aéreo era um sinal de progresso europeu, e que o facto de no nosso país tal ser proibido demonstrava, ao contrário, o nosso atraso"...
Hoje não há proibição: há requisição civil. Estamos muito melhor, por isso.
quarta-feira, junho 19, 2013
Como o secretariado do PCP liquidou o ensino técnico em Portugal, logo em 1974.
O ensino técnico antes de 25 de Abril de 1974 fazia-se nas chamadas escolas técnicas e comerciais, onde se ministravam conhecimentos teóricos de ensino secundário aliados a aulas práticas de oficinas e de várias modalidades profissionais incluindo o ensino "comercial", com noções de gestão e domínio de técnicas de contabilidade.
Por outro lado, havia os liceus, onde o ensino técnico se ficava pelas aulas de ciências nas disciplinas de físico-químicas e pouco mais. Os liceus preparavam os alunos para ingresso na Universidade em geral e as escolas técnicas e comerciais para ingresso nos institutos técnicos, de nível superior.
A divisão entre liceus e escolas técnicas assentava num pressuposto: na necessidade de preparar alunos e profissionais das artes o ofícios e ao mesmo tempo preparar alunos para estudarem humanidades e ciências de âmbito mais específico como medicina ou engenharias.
Cada tipo de escola tinha por isso uma função diversa e sendo verdade que os alunos das escolas técnicas e comerciais provinham de estratos sociais diversificados, também predominavam os alunos provindos das classes trabalhadoras ou rurais, enquanto que nos liceus predominavam os alunos provindos de uma classe média incipiente e destinados a cursarem em universidades, geralmente fora do local de residência habitual por só existirem universidades em Lisboa, Porto e Coimbra, embora tal suposta divisão careça de escrutínio porque não se conhecem estudos específicos que tal mostrem inequivocamente.
Seja como for, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, no segundo governo provisório e já em pleno PREC, o PCP tomou conta do sector da Educação, no Governo, através principalmente de um secretário de Estado, Rui Grácio que foi ajudante de ministro durante quatro governos provisórios, pelo menos, na pasta da Orientação Pedagógica, segundo o Portal do Governo e ao contrário do que se escreve na Wiki.
Em Outubro de 1975, já depois do V governo provisório de Vasco Gonçalves, o Ensino entrou formalmente da era da Revolução. Após o 7º ano de escolaridade, os alunos- rapazes e raparigas de 13/14 anos- tomavam outro rumo diverso do que acontecia até então: o ensino unificou-se tendo acabado as escolas técnicas e comerciais enquanto tais.
Tal obra é inequivocamente uma realização comunista, particularmente de Rui Grácio e próceres e a justificação e explicação para tal revolução que esventrou o sistema de ensino que tínhamos num arremedo de igualitarismo típico que prejudicou o país durante décadas é muito simples e mostra-se já a seguir. A revolução, uma verdadeira rovolução foi ao ponto de ainda hoje sofrermos as consequências provavelmente em maior grau que todas as asneiras económicas cometidas pelos comunistas nesse período, incluindo as nacionalizações. E é preciso que se diga isto claro e alto, em bom som: foram os comunistas que o fizeram e mais ninguém, para além dos que seguiram as ideias e teoria como bons compagnons de route que sempre o foram ao assumir inclusive a novilíngua comunista inventada nos dias a seguir ao 25 de Abril de 1974.
Em 31 de Outubro de 1975, o Expresso publicava uma página sobre "o ensino na revolução: escola e comunidade" ( o Expresso como uns meses antes tinha assegurado o próprio Otelo, era um jornal perfeitamente inserido no processo revolucionário...). Uma das ideias-chave da transformação é dada por um militar de então, Vítor Alves, muito requisitado pelo jornal para abrilhantar jantares em restaurantes próximos da sede do jornal, e que era ministro sem pasta dos governos provisórios, não se sabem bem porquê mas eventualmente porque sim.
Dizia o militar do MFA sobre a nova revolução no ensino:
"Comparando este programa com o que se ensinava nas escolas técnicas escusado será dizer que a diferença é abissal- o que não é de espantar se tivermos em conta que o ensino "técnico", esse ensino de "segunda", se destinava a formar operários e técnicos que cumprissem a função que o aparelho de produção lhes destinava. Eles eram ensinados a "fazer" sem que se lhes explicasse o "porquê"."
Foi assim, com esta ideia simplista que os comunistas cometeram o maior crime de que há memória em Portugal nos últimos 40 anos.
Sendo certo que foi crime que poderia ter sido reparado logo a seguir, tal não sucedeu precisamente por causa da ideia básica e fundamental que presidiu ao seu cometimento: o igualitarismo balofo e ideologicamente marcado como comunista de gema que outros menos comunistas seguiram em modos de panurgo em direcção ao abismo. E lá cairam.
Quem lê o perfil biográfico de Rui Grácio ficará espantado em perceber que foi a Gulbenkian, antes de 25 de Abril que lhe deu os meios para se formar nestas ideias pedagógicas que nos estuporaram o futuro. Mas foi assim. Há ideias que são mais destrutivas que uma guerra.
Para que não subsista qualquer dúvida sobre os propósitos do senhor e da ideologia que professava, em 6 de Fevereiro de 1976 concedia uma entrevista ao O Jornal em que explivava tim tim por tim tim o que já se expusera no discurso de Vítor Alves alguns meses antes.
"Trata-se de democratizar, ao nível do ensino secundário, as estruturas escolares, implantando um tronco comum, em que não haja vias paralelas de desigual prestígio que reproduzam e reforcem a hierarquia classista da formação social, designadamente a divisão de trabalho manual e do trabalho intelectual. A estratificação e hierarquizada sociedade portuguesa sofreu, com o 25 de Abril, abalo forte, mas não se decompôs, de maneira que os grupos socialmente dominantes nunca terão perdido a esperança de uma recuperação."
É difícil encontra maior estupidez junta numa frase. E tanto mal que se fez a um país, com estas ideias estúpidas.
Por outro lado, havia os liceus, onde o ensino técnico se ficava pelas aulas de ciências nas disciplinas de físico-químicas e pouco mais. Os liceus preparavam os alunos para ingresso na Universidade em geral e as escolas técnicas e comerciais para ingresso nos institutos técnicos, de nível superior.
A divisão entre liceus e escolas técnicas assentava num pressuposto: na necessidade de preparar alunos e profissionais das artes o ofícios e ao mesmo tempo preparar alunos para estudarem humanidades e ciências de âmbito mais específico como medicina ou engenharias.
Cada tipo de escola tinha por isso uma função diversa e sendo verdade que os alunos das escolas técnicas e comerciais provinham de estratos sociais diversificados, também predominavam os alunos provindos das classes trabalhadoras ou rurais, enquanto que nos liceus predominavam os alunos provindos de uma classe média incipiente e destinados a cursarem em universidades, geralmente fora do local de residência habitual por só existirem universidades em Lisboa, Porto e Coimbra, embora tal suposta divisão careça de escrutínio porque não se conhecem estudos específicos que tal mostrem inequivocamente.
Seja como for, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, no segundo governo provisório e já em pleno PREC, o PCP tomou conta do sector da Educação, no Governo, através principalmente de um secretário de Estado, Rui Grácio que foi ajudante de ministro durante quatro governos provisórios, pelo menos, na pasta da Orientação Pedagógica, segundo o Portal do Governo e ao contrário do que se escreve na Wiki.
Em Outubro de 1975, já depois do V governo provisório de Vasco Gonçalves, o Ensino entrou formalmente da era da Revolução. Após o 7º ano de escolaridade, os alunos- rapazes e raparigas de 13/14 anos- tomavam outro rumo diverso do que acontecia até então: o ensino unificou-se tendo acabado as escolas técnicas e comerciais enquanto tais.
Tal obra é inequivocamente uma realização comunista, particularmente de Rui Grácio e próceres e a justificação e explicação para tal revolução que esventrou o sistema de ensino que tínhamos num arremedo de igualitarismo típico que prejudicou o país durante décadas é muito simples e mostra-se já a seguir. A revolução, uma verdadeira rovolução foi ao ponto de ainda hoje sofrermos as consequências provavelmente em maior grau que todas as asneiras económicas cometidas pelos comunistas nesse período, incluindo as nacionalizações. E é preciso que se diga isto claro e alto, em bom som: foram os comunistas que o fizeram e mais ninguém, para além dos que seguiram as ideias e teoria como bons compagnons de route que sempre o foram ao assumir inclusive a novilíngua comunista inventada nos dias a seguir ao 25 de Abril de 1974.
Em 31 de Outubro de 1975, o Expresso publicava uma página sobre "o ensino na revolução: escola e comunidade" ( o Expresso como uns meses antes tinha assegurado o próprio Otelo, era um jornal perfeitamente inserido no processo revolucionário...). Uma das ideias-chave da transformação é dada por um militar de então, Vítor Alves, muito requisitado pelo jornal para abrilhantar jantares em restaurantes próximos da sede do jornal, e que era ministro sem pasta dos governos provisórios, não se sabem bem porquê mas eventualmente porque sim.
Dizia o militar do MFA sobre a nova revolução no ensino:
"Comparando este programa com o que se ensinava nas escolas técnicas escusado será dizer que a diferença é abissal- o que não é de espantar se tivermos em conta que o ensino "técnico", esse ensino de "segunda", se destinava a formar operários e técnicos que cumprissem a função que o aparelho de produção lhes destinava. Eles eram ensinados a "fazer" sem que se lhes explicasse o "porquê"."
Foi assim, com esta ideia simplista que os comunistas cometeram o maior crime de que há memória em Portugal nos últimos 40 anos.
Sendo certo que foi crime que poderia ter sido reparado logo a seguir, tal não sucedeu precisamente por causa da ideia básica e fundamental que presidiu ao seu cometimento: o igualitarismo balofo e ideologicamente marcado como comunista de gema que outros menos comunistas seguiram em modos de panurgo em direcção ao abismo. E lá cairam.
Quem lê o perfil biográfico de Rui Grácio ficará espantado em perceber que foi a Gulbenkian, antes de 25 de Abril que lhe deu os meios para se formar nestas ideias pedagógicas que nos estuporaram o futuro. Mas foi assim. Há ideias que são mais destrutivas que uma guerra.
Para que não subsista qualquer dúvida sobre os propósitos do senhor e da ideologia que professava, em 6 de Fevereiro de 1976 concedia uma entrevista ao O Jornal em que explivava tim tim por tim tim o que já se expusera no discurso de Vítor Alves alguns meses antes.
"Trata-se de democratizar, ao nível do ensino secundário, as estruturas escolares, implantando um tronco comum, em que não haja vias paralelas de desigual prestígio que reproduzam e reforcem a hierarquia classista da formação social, designadamente a divisão de trabalho manual e do trabalho intelectual. A estratificação e hierarquizada sociedade portuguesa sofreu, com o 25 de Abril, abalo forte, mas não se decompôs, de maneira que os grupos socialmente dominantes nunca terão perdido a esperança de uma recuperação."
É difícil encontra maior estupidez junta numa frase. E tanto mal que se fez a um país, com estas ideias estúpidas.
terça-feira, junho 18, 2013
O teatro alienado e o teatro progressista em 1974
Em complemento do escrito já aqui mencionado do Rosas&Pereira, sobre a miséria intelectual do teatro popular de revista, espécie menor da cultura para entreter e vituperada por aqueles como um dos factores de "alienação" (termo marxista) que o regime de Salazar dava ao povo para o enganar, vem a talho de foice ( e martelo também) estas duas páginas do Sempre Fixe de 5 de Outubro de 1974.
Na primeira aparece o teatro mau, o que não prestava e era "teatro que não pode ter lugar neste país". Era uma comédia de Camilo de Oliveira...que constituía "uma enorme agressão ideológica", no que aqueles dois concordariam plenamente.
Meia dúzia de páginas à frente aparece o exemplo do teatro bom, o inteligente, "recheado de bons trocadilhos" e verdadeiramente artístico que merece todos os encómios: Pides na grelha.
O anúncio do República de 27 de Setembro de 1974 não enganava ninguém: teatro desmontável Ádóque. No Martin Moniz e metro Socorro. Com, entre outros Rui Mendes, Henrique Viana, Helena Isabel, e texto de Nicholson.
"Pides na grelha" era apresentado como " a primeira revista á "nova portuguesa". Assim, sim, diria o Rosas & Pereira.
Na primeira aparece o teatro mau, o que não prestava e era "teatro que não pode ter lugar neste país". Era uma comédia de Camilo de Oliveira...que constituía "uma enorme agressão ideológica", no que aqueles dois concordariam plenamente.
Meia dúzia de páginas à frente aparece o exemplo do teatro bom, o inteligente, "recheado de bons trocadilhos" e verdadeiramente artístico que merece todos os encómios: Pides na grelha.
O anúncio do República de 27 de Setembro de 1974 não enganava ninguém: teatro desmontável Ádóque. No Martin Moniz e metro Socorro. Com, entre outros Rui Mendes, Henrique Viana, Helena Isabel, e texto de Nicholson.
"Pides na grelha" era apresentado como " a primeira revista á "nova portuguesa". Assim, sim, diria o Rosas & Pereira.
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