quarta-feira, junho 19, 2013

Como o secretariado do PCP liquidou o ensino técnico em Portugal, logo em 1974.

O ensino técnico antes de 25 de Abril de 1974 fazia-se nas chamadas escolas técnicas e comerciais, onde se ministravam conhecimentos teóricos de ensino secundário aliados a aulas práticas de oficinas e de várias modalidades profissionais incluindo o ensino "comercial", com noções de gestão e domínio de técnicas de contabilidade.
Por outro lado, havia os liceus, onde o ensino técnico se ficava pelas aulas de ciências nas disciplinas de físico-químicas e pouco mais. Os liceus preparavam os alunos para ingresso na Universidade em geral e as escolas técnicas e comerciais para ingresso nos institutos técnicos, de nível superior.

A divisão entre liceus e escolas técnicas assentava num pressuposto: na necessidade de preparar alunos e profissionais das artes o ofícios e ao mesmo tempo preparar alunos para estudarem humanidades e ciências de âmbito mais específico como medicina ou engenharias.
Cada tipo de escola tinha por isso uma função diversa e sendo verdade que os alunos das escolas técnicas e comerciais provinham de estratos sociais diversificados, também predominavam os alunos provindos das classes trabalhadoras ou rurais, enquanto que nos liceus predominavam os alunos provindos de uma classe média incipiente e destinados a cursarem em universidades, geralmente fora do local de residência habitual por só existirem universidades em  Lisboa, Porto e Coimbra, embora tal suposta divisão careça de escrutínio porque não se conhecem estudos específicos que tal mostrem inequivocamente.

Seja como for, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, no segundo governo provisório e já em pleno PREC, o PCP tomou conta do sector da Educação, no Governo, através principalmente de um secretário de Estado, Rui Grácio que foi ajudante de ministro durante  quatro governos provisórios, pelo menos, na pasta da Orientação Pedagógica, segundo o Portal do Governo e ao contrário do que se escreve na Wiki.

Em Outubro de 1975, já depois do V governo provisório de Vasco Gonçalves, o Ensino entrou formalmente da era da Revolução. Após o 7º ano de escolaridade, os alunos- rapazes e raparigas de 13/14 anos- tomavam outro rumo diverso do que acontecia até então: o ensino unificou-se tendo acabado as escolas técnicas e comerciais enquanto tais.

Tal obra é inequivocamente uma realização comunista, particularmente de Rui Grácio e próceres e a justificação e explicação para tal revolução que esventrou o sistema de ensino que tínhamos num arremedo de igualitarismo típico que prejudicou o país durante décadas é muito simples e mostra-se já a seguir. A revolução, uma verdadeira rovolução foi ao ponto de ainda hoje sofrermos as consequências provavelmente em maior grau que todas as asneiras económicas cometidas pelos comunistas nesse período, incluindo as nacionalizações. E é preciso que se diga isto claro e alto, em bom som: foram os comunistas que o fizeram e mais ninguém, para além dos que seguiram as ideias e  teoria como bons compagnons de route que sempre o foram ao assumir inclusive a novilíngua comunista inventada nos dias a seguir ao 25 de Abril de 1974.

Em 31 de Outubro de 1975, o Expresso publicava uma página sobre "o ensino na revolução: escola e comunidade" ( o Expresso como uns meses antes tinha assegurado o próprio Otelo, era um jornal perfeitamente inserido no processo revolucionário...).  Uma das ideias-chave da transformação é dada por um militar de então, Vítor Alves, muito requisitado pelo jornal para abrilhantar jantares em restaurantes próximos da sede do jornal, e que era ministro sem pasta dos governos provisórios, não se sabem bem porquê mas eventualmente porque sim.
Dizia o militar do MFA sobre a nova revolução no ensino:

"Comparando este programa com o que se ensinava nas escolas técnicas escusado será dizer que a diferença é abissal- o que não é de espantar se tivermos em conta que o ensino "técnico", esse ensino de "segunda", se destinava a formar operários e técnicos que cumprissem a função que o aparelho de produção lhes destinava. Eles eram ensinados a "fazer" sem que se lhes explicasse o "porquê"."

Foi assim, com esta ideia simplista que os comunistas cometeram o maior crime de que há memória em Portugal nos últimos 40 anos.
Sendo certo que foi crime que poderia ter sido reparado logo a seguir, tal não sucedeu precisamente por causa da ideia básica e fundamental que presidiu ao seu cometimento: o igualitarismo balofo e ideologicamente marcado como comunista de gema que outros menos comunistas seguiram em modos de panurgo em direcção ao abismo. E lá cairam.

Quem lê o perfil biográfico de Rui Grácio ficará espantado em perceber que foi a Gulbenkian, antes de 25 de Abril que lhe deu os meios para se formar nestas ideias pedagógicas que nos estuporaram o futuro. Mas foi assim. Há ideias que são mais destrutivas que uma guerra.
Para que não subsista qualquer dúvida sobre os propósitos do senhor e da ideologia que professava, em 6 de Fevereiro de 1976 concedia uma entrevista ao O Jornal em que explivava tim tim por tim tim o que já se expusera no discurso de  Vítor Alves alguns meses antes.



"Trata-se de democratizar, ao nível do ensino secundário, as estruturas escolares, implantando um tronco comum, em que não haja vias paralelas de desigual prestígio que reproduzam e reforcem a hierarquia classista da formação social, designadamente a divisão de trabalho manual e do trabalho intelectual. A estratificação e hierarquizada sociedade portuguesa sofreu, com o 25 de Abril, abalo forte, mas não se decompôs, de maneira que os grupos socialmente dominantes nunca terão perdido a esperança de uma recuperação."

É difícil encontra maior estupidez junta numa frase. E tanto mal que se fez a um país, com estas ideias estúpidas.

Questuber! Mais um escândalo!