Estas coisas pagam-se porque enganar o povo não é digno de governantes que pretendem demarcar-se de Inenarráveis na governação das coisas públicas. Pedro Passos Coelho, neste aspecto, em nada se distingue de José Sócrates. E isso é fatal para a credibilidade de um político.
Não advogo dissoluções de AR nem substituições de governo extemporâneas. O que advogo é um pouco mais de vergonha, coerência e respeitabilidade por quem os elegeu com esses compromissos. A legitimidade vem do voto, em democracia, mas substancialmente, como alguém que nem sequer tem autoridade moral para falar destas coisas, disse esta semana, também deriva do apoio popular, da credibilidade intrínseca e honorabilidade no exercício do cargo. E estes exemplos são eloquentes do desprezo a que é votado o povo, porque se lhe mente permanentemente com o objectivo de alcançar o poder. Uma vez no poleiro é o pote que conta. Aliás, tal já foi dito explicitamente pelo actual primeiro-ministro
De resto, este exemplo mostra à saciedade o que virá a seguir se o PS ganhar eleições: mais do mesmo e ainda pior, muito pior, porque a fome de "pote" já é tanta que há desesperados a reunir em emergência, capitaneados por um antigo primeiro-ministro que foi o que foi e que foi corrido do poder executivo a pontapé metafórico, foi eleito presidente da República por carência de personalidades de esquerda capazes de acaparar o pcp e franjas extremistas e depois fez da presidência um regabofe permantente, com o beneplácito generalizado. Agora que jejua há anos, está tísico de tanto espernear na praça pública pelo almejado "pote" salvífico. Toda a aparição pública é usada para esganiçar protestos contra o governo que está no "pote" e que não os deixa lá meter a unha.