sexta-feira, dezembro 31, 2021

Os heróis do mar e as torres do regime

 Esta entrevista do Major-General Carlos Chaves ao Sol de hoje merece destaque por revelar alguém que mostra conhecer Portugal e os portugueses como há muito não se via e dizer algumas coisas deveras interessantes. 






Destaco a afirmação acerca das "personalidades-chave" que lutam pela mudança e por um rumo novo: o juiz Carlos Alexandre; o director nacional da PJ, Luís Neves e os almirantes Silva Ribeiro e Gouveia e Melo. Quatro torres que serão defendidas pelos peões do MMV, ou seja os Militares pela Verdade. 

Porque é que se destaca esta afirmação? Porque corresponde a um sentimento difuso de muita gente que se incomoda com os que andam a ver navios em vez de tentarem ser heróis do mar. 

Um deles é este juiz sindicalista cuja entrevista ao DN de hoje deixa à mostra um jacobinismo suspeito e foi um dos principais obreiros da mudança no TCIC, gizada por quem não queria o juiz Carlos Alexandre a decidir como decide. 


  Porque é que a opinião deste juiz, com acesso aos media como nenhum outro e com liberdade de dizer coisas como mais nenhum outro é tida e achada nestes meios e se afigura jacobina?

Pela simples razão de querer explicar certos fenómenos com base em leis cujo espírito está ausente da mente de quem as invoca...
Para além do mais considera que é a coisa mais normal do mundo judiciário o Conselheiro Lameira ter alterado um despacho, poucos dias depois de ter proferido um outro em sentido contrário e com base no argumento legal da "distribuição igualitária de processos". 
O juiz sindicalista Manuel Soares, em entrevista ilustrada com mais três poses fotográficas de relevo, considera que "não vejo nenhuma ilegalidade, não vejo nenhuma razão para as pessoas acharem que essa decisão foi para tirar o processo ao juiz A ou ao juiz B ou vice-versa". 
Pois não...Manuel Soares não vê. Só vê navios, no horizonte.

Quanto à capa...é o programa jacobino au complet, com mais uma foto a condizer: está contra os "políticos que querem controlar os tribunais ( leia-se Rui Rio) sempre que a lei se mete com os poderosos". Pois, pois. 
 



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