sábado, abril 16, 2011
Marinho, o anarco-populista-socializante de esquerda
2011-04-16 Marinho Pinto declara que vai... por inverbis
Portanto, não adianta nada votar. E o único efeito positivo seria envergonhar o poder político que nos conduziu a este estado de quase-falência.
Marinho não tem vocação para a política, segundo diz, mas como cidadão continuará a lutar pela liberdade de expressão. Todos os dias e pela tv , de preferência.
O seu apelo à abstenção, como bastonário a falar do seu gabinete na Ordem dos Advogados, soa como um convite a reeleição do actual elenco governativo...
PS. Seria interessante conhecer os critérios editoriais de certos órgãos de informação, para dar tanto tempo de antena a um cromo deste calibre. Um mero bastonário de uma ordem profissional tem mais tempo de antena mediático do que a maioria dos políticos. Na quarta-feira, a Lusa dava-lhe o micro para gravar declarações que fazem apenas um sentido: acabar com o tribunal central de instrução criminal e correr com o juiz Carlos Alexandre. Cuidadosamente, este cromo que nada tem de estúpido quando se trata destas coisas, disse o recado que lhe convinha e propôs a extinção da fase de instrução no processo penal, sem cuidar das razões pela qual existe e sem mencionar, o que é suspeito, esse tribunal central que obviamente é o único que o incomoda e aos "pares". Apenas apresentou uma razão justificativa de tal dislate: a promiscuidade alardeada. Só por isso...
Agora, três dias depois, é a própria tv pública, do primeiro canal e em "prime time" que lhe empresta a antena para passar o recado subtil: "não votem!", sabendo bem que os apaniguados deste poder que está votariam duas ou mais vezes se pudessem.
Assim é que é fazer bem o trabalhinho, "Ó Luís!" Por este andar o"Luís" vai ter comendas em barda se o chefe aguentar o barco...
Esta atitude de um bastonário de uma ordem profissional, sem paralelo nas demais ordens, é ilegítima, abusadora e perfeitamente identificável nos propósitos: defender o poder que está. Só e apenas isso. E Marinho presta-se ao frete com garbo e gosto.
A emplumada despeitosa
O artigo, intitulado "Este é o maior fracasso da democracia" é este, tirado daqui, mas há vários sítios onde se pode ler e putativamente assinado por si:
"Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.
A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante uma longa carreira politica. A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo de Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma « brilhante» que se viu o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiència governativa.
A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os « dossiers» .
A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.
A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com « testas de ferro» no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.
A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume ao caso Emaudio e ao caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, « Contos Proibidos» , que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depoisde esgotado, jamais voltar a ser publicado.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume as « ligações perigosas» com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse carregado de diamantes, no dizer do Ministro da Comunicação Social de Angola).
A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países (« record» absoluto para a Espanha – 24 vezes – e França – 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal.
A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.
A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.
A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.
A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade dalicença de obras.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente num incêndio dos Paços do Concelho.
A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a um milhão de contos.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de quinhentos mil contos, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.
A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na… Fundação Mário Soares.
A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era… João Soares.
A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do « Público» , José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.
A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.
A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates « o pior do guterrismo» e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.
A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais uma última vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
A lucidez que lhe permitiu ler os artigos « O Polvo» de Joaquim Vieira na « Grande Reportagem» , baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo aseguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.
No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai. Vai… e não volta mais. "
As imputações que pelo escrito decorrem são falsas? Que são desprimorosas não se duvida. Mas...serão difamatórias pela falsidade? Duvido.
E que dizer então deste escrito, publicado há uns anos no jornal do Centro, da autoria do então jornalista Marinho e Pinto, sobre a mesma personagem da democracia?
Este artigo não é falso, não é apócrifo nem foi renegado pelo seu autor, o bravo bastonário Marinho e Pinto que deve orgulhar-se muito desta catilinária mais gravosa para a honra de alguém do que aquele escrito apócrifo. É este publicado em vários sítios e que aqui se coloca em parte.:
A primeira ideia que se agiganta sobre Mário Soares é que é um homem que não tem princípios mas sim fins.
É-lhe atribuída a célebre frase: «Em política, feio, feio, é perder».
São conhecidos também os seus zigue-zagues políticos desde antes do 25 de Abril. Tentou negociar com Marcelo Caetano uma legalização do seu (e de seus amigos) agrupamento político, num gesto que mais não significava do que uma imensa traição a toda a oposição, mormente àquela que mais se empenhava na luta contra o fascismo.
JÁ DEPOIS DO 25 DE ABRIL, ASSUMIU-SE COMO O HOMEM DOS AMERICANOS E DA CIA EM PORTUGAL E NA PRÓPRIA INTERNACIONAL SOCIALISTA. Dos mesmos americanos que acabavam de conceber, financiar e executar o golpe contra Salvador Allende no Chile e que colocara no poder Augusto Pinochet.
Mário Soares combateu o comunismo e os comunistas portugueses como nenhuma outra pessoa o fizera durante a revolução e FOI AMIGO DE NICOLAU CEAUCESCU, FIGURA QUE CHEGOU A APRESENTAR COMO MODELO A SER SEGUIDO PELOS COMUNISTAS PORTUGUESES.
Durante a revolução portuguesa andou a gritar nas ruas do país a palavra de ordem «Partido Socialista, Partido Marxista», mas mal se apanhou no poder meteu o socialismo na gaveta e nunca mais o tirou de lá. Os seus governos notabilizaram-se por três coisas: políticas abertamente de direita, a facilidade com que certos empresários ganhavam dinheiro e essa inovação da austeridade soarista (versão bloco central) que foram os salários em atraso.
INSULTO A UM JUIZ
Em Coimbra, onde veio uma vez como primeiro-ministro, foi confrontado com uma manifestação de trabalhadores com salários em atraso. Soares não gostou do que ouviu (chamaram-lhe o que Soares tem chamado aos governantes angolanos) e alguns trabalhadores foram presos por polícias zelosos. Mas, como não apresentou queixa (o tipo de crime em causa exigia a apresentação de queixa), o juiz não teve outro remédio senão libertar os detidos no próprio dia. Soares não gostou e insultou publicamente esse magistrado, o qual ainda apresentou queixa ao Conselho Superior da Magistratura contra Mário Soares, mas sua excelência não foi incomodado.
PS: a Pluma caprichosa refere incidentalmente que Vasco Pulido Valente em tempos lhe escreveu um panegírico que "é um vómito". Por muito menos que isso ( essencialmente disse que a pluma era uma ignorante), Vasco Pulido Valente apanhou com um processo crime instaurado pela Pluma despeitada. Do qual foi absolvido...
As fundações nacionais e o jornalismo caseiro
Imagem do Diário de Notícias de hoje.Ao longo da reportagem de sete páginas sobre o assunto, fica a saber-se algo a propósito da polémica gerada sobre diversas fundações, como a Fundação para as Comunicações Móveis que suscitou um inquérito parlamentar, no decorrer do qual diversos políticos manifestaram a vontade de alterar o regime jurídico das fundações.
Mas falta um elemento essencial na reportagem e que denota a velha pecha do jornalismo português: escrever sobre um assunto sem fornecer o enquadramento explicativo do mesmo. Noticiar, mesmo em reportagem, acontecimentos concretos implica necessariamente um entendimento sobre o modo como surgem e o contexto em que surgem e esse é o segredo do bom jornalismo se for realizado com isenção suficiente. O D.N. nesta reportagem não o faz.
Não explica por exemplo, o que é uma fundação e em que consiste juridicamente. Não precisava sequer de consultar manuais de Direito com pó nas lombadas, mas seria essencial que o jornalista percebesse Direito para tal.
Assim, sobra o "lead" fatal que interessa sempre ao jornalismo "jobs for the boys são vergonha das fundações", citando Freitas do Amaral.
E então o que são as fundações para um leigo qualquer entender e contextualizar?
São, antes do mais pessoas colectivas. Tal como as sociedades comerciais o são. Só que estas são corporações ( sim, não são apenas os corpos profissionais...) .
O que as distingue no entanto, será a diferença no modo de constituição, objecto e funcionamento. Os juristas falam a propósito das duas ( corporações e fundações) no "substracto".
Este substracto, numa fundação é constituído por um património, um conjunto de bens adstrito pelo fundador ( que pode ser pessoa singular ou colectiva) para uma finalidade social. O fundador estabelece as regras de funcionamento e fica fora dela porque a fundação é governada de fora, pela vontade do fundador plasmada em estatutos. Os administradores devem obediência às regras assim previamente definidas pelo fundador.
Uma sociedade comercial, uma corporação, como é bom de ver, tem um funcionamento e uma lógica bem diversas, desde logo porque o substracto das mesmas é integrado não por um património mas por um conjunto de pessoas singulares que visam um interesse comum, eventualmente egoístico e de lucro, podendo ser altruista no caso das associações.
São estas noções que se encontram em manuais como o do falecido professor Mota Pinto (Teoria Geral do Direito Civil, cadeira a que chumbei merecidamente e com uma discussão "filosófica" com Calvão da Silva, no longínquo ano de 1977).
Esta noção básica do que é uma fundação ( e há outros elementos que poderiam acrescentar-se porque simples de entender, como é o "reconhecimento" que confere personalidade jurídica às fundações e é o seu elemento de direito) não é dada no artigo e não há desculpa para tal porque esta sonegação de informação, corrente no jornalismo português parte de uma ignorância de base, uma arrogância sustentada em auto-suficiência e uma negligência pela informação de qualidade que não se vê em publicações estrangeiras de prestígio.
Além disso não se explica o porquê do interesse em se constituir uma fundação e é simples de entender: benefícios fiscais e outros interesses "altruistas", incluindo o emprego de apaniguados, claro está. Sem controlo público de vencimentos, regalias e outros perks.
Quanto ao que interessa a propósito da reportagem, torna-se essencial perceber que as fundações constituíram-se em refúgio de alguns oportunistas da coisa pública. A essência de uma fundação em alguns casos de origem no próprio Estado suscita grandes suspeitas e é denunciada por Freitas do Amaral no título do lead: meros refúgios de "jobs for the boys".
Como é que este assunto pode complementar-se para se conhecer melhor o que se passa? Através da leitura preciosa deste documento do Tribunal de Contas. Está aí tudo o que é preciso saber sobre as fundações nacionais, o que significam, o número existente -Freitas do Amaral diz que não sabe se existem 600 ou não, mas o TC elencou 817 no ano de 2010 e só da responsabilidade da presidência do Conselho de Ministros, pelo tal "reconhecimento" haverá 162!.
Também nesse relatório se diz que houve ao longo dos anos, várias tentativas de disciplina jurídica e regulamentar do "sector " ( com tão grande número já é um sector): em 1999, com Rui Alarcão ( da Universidade de Coimbra); em 2003 com Rui Machete, outro "Sombra" do bloco central e agora em 2008, com Freitas do Amaral, o único que aparece a disparar contra o Governo que não lhe liga patavina à sua obra-prima desconhecida do grande público e que é o anteprojecto de lei quadro das fundações.
Para dar visibilidade ao seu protesto e porque desde há uns tempos para cá mudou de agulha política, como já aconteceu ao longo da sua vida pública, Freitas do Amaral dá o tiro de aviso: as fundações que temos, particularmente as incentivadas ou até criadas pelo Estado, são uma vergonha.
É esse o lead que interessa. E parece que nada mais.
sexta-feira, abril 15, 2011
A fina flor do entulho
Imagem do Sol de 15.4.2011Estes cinco banqueiros enterraram-se em dívidas, à semelhança dos portugueses dirigidos por um Partido Socialista que governou praticamente nesta última dúzia de anos.
Há um deles que descende de banqueiros que lidaram com Salazar e Caetano: Ricardo Salgado. Os pais e avôs souberam lidar com a ditadura mas não impunham regras à ditadura como este descendente impõe à democracia, incentivando despesa pública para a financiar. Parte dos nossos problemas a ele se devem. À sua cupidez natural e falta de ética de responsabilidade social e nacional. Provas?
O comunista António Vilarigues apresenta-as hoje no Público:
" Contas feitas pelo economista Eugénio Rosa ( uma espécie de Medina Carreira alternativo e sem projecção mediática, mas com maior rigor matemático- nota minha) indicam que segundo os dados do Banco de Portugal, no período 2000-2010, a dívida total líquida do país aumentou 269 por cento. A dívida líquida externa do Estado cresceu 122,6, por cento, menos de metade do crescimento da dívida do país. Mas a dívida líquida da banca e das empresas ao estrangeiro aumentou 629,2 por cento(!!!). Isto é, cinco vezes mais que o aumento percentual da dívida externa do Estado."
E continua:
" Uma das características da actual crise é a transformação da dívida privada, contraída pelo sistema financeiro com as suas trampolinices e "lixos tóxicos", em dívida pública a ser paga por todos nós. No caso de Portugal, os dados são esclarecedores. Desde 2008 ( em euros) a banca portuguesa recebeu quatro mil milhões dados pelo Governo; 20 mil milhões em avales; cerca de 7,7, mil milhões ( ou quase cinco por cento do PIB de Portugal) enterrados no BPN, dos quais dois mil milhões já aparecem nas contas públicas; cerca de 450 milhões no BPP; cerca de quatro mil milhões ( 2008 a 2010) só em juros roubados dos nossos impostos no esquema de "eu ( banco português) vou ao BCE pedir a um por cento e empresto-te a 4, 5 a 6 a 7, a 8 a 9...por cento"; para pagamento do IRC a rondar em média os 10 por cento ( quando a taxa é de 25 por cento); no OE para 2011 avales no valor de 20,181 milhões e ajudas para aumentos de capital de 9,146 milhões; lucros líquidos em 2010 iguais aos de 2009- cinco milhões de euros por dia- pagando metade dos impostos."
E pergunta o articulista comunista: " E dizem que já não aguentavam mais sacrifícios?" E acrescenta ainda: " o comissário europeu para os assuntos económicos revelou que "é quase certo" que parte dos 80 mil milhões da chamada ajuda para Portugal será canalizado para a banca portuguesa."
Dito isto talvez valha a pena acrescentar que aquela fina flor do lixo em que transformaram os seus bancos, assim considerados pelas agências de rating, merecem um castigo nacional. Não deveriam ficar impunes nesta desgraça porque são autores, co-autores e cúmplices do desgoverno da última dúzia de anos.
O dito Ricardo Salgado ainda nem há muito tempo, numa daquelas entrevistas de quem sente o rei na barriguinha cheia dizia que o primeiro-ministro Inenarrável que ainda temos, era um político aceitável e
E disse também que eram precisos os tais mega investimentos. E não foi assim há tanto tempo...
Tal como não foi assim há tanto tempo- Outubro de 2009- que em entrevista à TSF disse isto:
Ricardo Salgado considerou Teixeira dos Santos «dos melhores ministros das Finanças que Portugal jamais teve».«Na minha opinião pessoal, é muito bom para o nosso país» que continue à frente do Ministério das Finanças, no novo Governo apresentado por José Sócrates, defendeu.
Entulho, disse? É pouco. Talvez responsável directo pelo "lixo tóxico".quinta-feira, abril 14, 2011
Fica melhor assim, ou assim fica melhor?!
A dívida aos alemães
Entre as propostas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia (UE) para Portugal consta a subida do preço das casas, como forma de travar o endividamento, avança esta quinta-feira o Diário de Notícias.
Marinho e Pinto e a falta de ar de tinta suja
Foi ao Diário de Notícias, conforme aqui se relata, para dar conta da sua ideia peregrina de que a Instrução em processo penal deve acabar. E porquê, afinal? Nâo pelas razões certas, claro está, mas apenas pelos motivos obscuros do costume: por causa da "promiscuidade" entre os juizes de instrução e o ministério público.
E no fim, para falar sobre promiscuidades entre estes, as polícias e o jornalismo, aponta um exemplo da escola primária do seu entendimento destas coisas:
Exemplificando com o caso da prisão de Bernard Madoff nos EUA, acusado de fraudes milionárias, referiu que a investigação demorou dois anos e que o suspeito foi detido "na maior discrição, sigilo e eficácia".
O bastonário argumentou que em Portugal não teria sido possível fazer as coisas assim porque "mal os polícias encontrassem alguma coisa de relevante, era logo manchete no dia seguinte", afirmou. Essa promiscuidade "deu cabo do segredo de justiça em Portugal", apontou. "
Ora, o que aconteceu no caso Madoff que Marinho e Pinto aponta como exemplo de manutenção de segredo de justiça de investigação? Marinho não teve tempo de ler o artigo do Expresso e completá-lo com outras leituras sobre o assunto e por isso escapou-lhe isto:
It's unclear at this point the level of knowledge that his wife had into his affairs, or whether or not she was instructed by Bernie Madoff to make certain transactions on his behalf. What is known is that Ruth Madoff withdrew $15 Million in two separate transactions in the days leading up to her husband's arrest on charges of running the largest fraud and ponzi scheme in U.S. history. She withdrew $5.5 Million on November 25th and another $10 Million on December 10.

É certo que esta imagem não é a da prisão de 11 de Dezembro de 2008, a tal que Marinho diz que ocorreu sem alarme mediático, para provar o seu ponto. Mas é do dia 11 Março de 2009 quando se apresentou em tribunal já com um acordo de confissão preparado e que permitiu quase um julgamento sumário dali a dois meses.
De resto Marinho anda muito esquecido porque durante o ano de 2009 tem um exemplo bem melhor do que é guardar segredo de justiça em inquéritos criminais, por juízes, ministério público e polícias. Foi precisamente no caso Face Oculta, cujo segredo de justiça durou até ao dia 24 de Junho de 2009.
Durou é um modo de dizer porque continuou a existir um pleno segredo rigorosamente guardado por todos, depois dessa data em relação à opinião pública e aos media. Infelizmente, porém, os suspeitos do processo, depois desse dia, ficaram a conhecer o caso e o perigo que representava para eles certas conversas escutadas ao telefone e que os polícias calaram e reservaram segredo. E por isso nesse dia ficaram a saber que era melhor mudar o tom do paleio e passarem a falar de outras coisas menos perigosas que a TVI e a PT.
Marinho e Pinto nunca se refere a este caso, nas suas entrevistas avulsas e semanalmente repetidas para lhe alimentar o vício de tinta suja. E se por acaso soube de alguma coisa antes dos media...
O cantador de desafio
Porquê?
quarta-feira, abril 13, 2011
Chegou a hora de prestar contas
Otelo, o herói arrependido
Basta isso. Para além do mais e para quem se lembra, Otelo queria isto que segue em explicação de entrevista. Está bom de ver que se tivéssemos seguido a sua orientação política estaríamos agora que nem cucos, a cantar os amanhãs, enquanto aqueles que os cantaram antes perderam o pio por...desilusão. Otelo continua a acreditar nela.
"Quebra de confiança", dizem

O grande forrobodó vai acabar?
terça-feira, abril 12, 2011
O aluno serôdio de Medina Carreira: o ministro das Finanças.
Pois ainda tem a supina lata, este palerma, este criminoso político ( que me processe porque lhe dou o mail se preciso for) este irresponsável de dizer o que acima fica escrito.
Este indivíduo é que precisava de queixa-crime na PGR e instruída por magistrados isentos e independentes, porque isto é o cúmulo dos cúmulos.
A verdadeira crise da Justiça, em continuação
O texto, publicado em setembro de 2001, versava sobre a queda da ponte de Entre-os-Rios, que vitimou 59 pessoas em março desse ano, e nele o jornalista acusava o ex-presidente da Câmara de Castelo de Paiva, Antero Gaspar, de ter mentido no Parlamento na comissão de inquérito então criada para analisar o caso.
Joaquim Letria viria a ser acusado pelo Tribunal de Castelo de Paiva do crime de difamação, com as instâncias europeias a sublinharem agora que o uso da palavra "mentiroso" não constituiu um "ataque pessoal gratuito" e as contradições do ex-autarca no Parlamento formaram "uma base factual suficiente" para que Letria pudesse utilizar a referida descrição.
A condenação ao jornalista poderia "desencorajar" os profissionais dos media de "promover o debate público" e "complicar" o trabalho dos grupos de comunicação social na sua "missão de informação", refere a sentença hoje conhecida.
A sentença recorda ainda que "os limites da crítica são mais amplos quando esta se refere a um político, já que se trata de uma personalidade pública", e assinala que Antero Gaspar deveria ter mostrado "maior tolerância para contribuir para o livre debate de interesse geral sem o qual não existe uma sociedade democrática".
Só este ano, condenações destas e por estes motivos- tribunais portugueses que interpretam a lei penal de modo mais papista que o papa- já são várias.
Esperemos que o MºPº e os tribunais aprendam depressa e arquivem os processos que têm a correr com estes fundamentos. Poupam muito dinheiro ao Estado e principalmente poupam tempo e incómodos aos cidadãos. Os únicos que perdem são os hipócritas.
Para além disso, legitima plenamente o uso da palavra Mentiroso, referido a um certo político.
Frei Melícias e a Regra Bu(r)lada

Frei Melícias, o frade que ajudou Guterres, nele confiando piamente, no governo de 1995 e por isso evoluiu na vida monástica adjunta do poder político, é um pobre franciscano que declarou há uns tempos, perante o estendal da sua pobreza franciscana:
"Com 71 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente. 'Eu tenho uma pensão aceitável mas não sou rico', diz o sacerdote.
No início, os franciscanos tiveram grandes dificuldades em se fazerem compreender, porque não tinham por lá suficientes melícias para relativizarem o voto de pobreza...
O homem dos cachaços em Felgueiras
Assis, putativo dirigente com "bom senso" e capacidade de diálogo, hipotético líder de um partido de tácticas e manutenções de lugares em tacho, anda a discutir a autoria da crise política. Quem a provocou, determinando a desgraça com a intervenção do FMI?
Foi a oposição, sem dúvidas para Assis que nunca tem dúvidas nestas matérias sincronizadas em comícios tipo manifestações fascizadas.
Foi essa a teoria saída do Rato e cujos inquilinos se recusam a abandonar o barco
"Assis garantiu que o primeiro-ministro "teve a preocupação de envolver o PSD neste processo", e acusou a oposição de ser a responsável pela actual crise. "O PSD quis provocar uma crise política em Portugal", sublinhou o líder parlamentar dos socialistas."
Portanto, a crise política que nos desgraçou os ratings e conduziu a juros sem tecto, é culpa todinha da oposição. Se a oposição tivesse aprovado o PEC IV, como fez nos outros três, teríamos um V em breve e sem resmungos de maior, porque se nessa altura recusasse um V, fatal, teríamos novamente a rábula da crise política e destes políticos, tipo Assis que não levou cachaços suficientes para não fazer dos outros parvos, como anda a fazer.
O senso fictício
A revista Flash de hoje consagra uma página inteira ao evento do 18º aniversário das "Produções Fictícias". As presenças chegam para mostrar a importância relativa da empresa, que produz riso com todos, mas as ausências ainda mais. Temos por isso um aniversário da empresa que "faz rir há 18 anos". Às vezes , faz. Como os Parodiantes faziam há 40 anos. Um riso sintomático e sincrónico com os fenómenos do tempo que passa. Dantes, o mote dava-se pelos costumes pequeno-burgueses, como lhes chamaram depois. Agora, pelos costumes pequenos da esquerda bem-pensante. Portanto, a situação sempre em destaque, no humor que temos.
O único cromo que destoa no retrato conjunto é o de José António Pinto Ribeiro, um político sem acaso que acabou ministro por coincidência. Faz agora parte do conselho superior do MºPº para vigiar por dentro o poder da instituição. Dizem que fala muito nas reuniões...
O saber dos economistas
Que nos diz este Chrysostomos? Que em Portugal vivemos uma situação muito semelhante à da terra dele: um sistema público gigante, falta de eficiência, muitas instituições inúteis, pouca competitividade e um mercado de trabalho muito rígido.
E em relação ao resgate económico diz que os gregos em geral achavam que iria ser coisa boa e o economista doutorado em Columbia também. Mas agora já não acha. Porque os "cortes salariais e o aumento de impostos lançaram o país numa recessão mais profunda que o esperado. As receitas fiscais e as contribuições sociais baixaram e é preciso pagar mais em benefícios para o desemprego. Isto criou mais pressão para conseguir mais dinheiro , o que leva a um novo aumento de impostos e mais recessão. É um círculo vicioso."
Solução? A reestruturação da dívida. O tal haircut que os anglo-saxónicos falam. E segundo o Chrysostomos, "abrir os mercados, reduzir a burocracia e a corrupção." Para Portugal, a medida exacta que propõe é "reduzir o sector público". Com este argumento: " Quando o sector público é grande é preciso taxar a economia para o financiar."
Em resumo, se nos fiarmos apenas nos economistas temos pela certa uma possibilidade avançada de erros em cascata. E nunca se dão por achados. Dizem sempre que mudaram de opinião porque sim e se antes era assado agora passa a ser assim, com a maior das naturalidades estatísticas.
Em resumo: não sabem. Palpitam coisas, sentem outras e ficam admirados pelo resultado imprevisto. Nem são aprendizes de feiticeiro, mas apenas ilusionistas. Não merecem crédito mas vivem dele.
Por mim, em vez de economistas a orientar palpites, seria melhor pedir pareceres a donas de casa e empresários honestos. Ainda há disso. E senso comum, costumava haver mas parece produto raro, hoje em dia.
O senso comum dir-nos-ia que seria uma catástrofe económica se gastássemos mais do que o que tínhamos de nosso. Pedir emprestado em catadupa gera dívidas, o que qualquer pessoa sabe. E as dívidas, em princípio, são para pagar aos credores, o que também qualquer ignorante conhece.
Quem é que em Portugal teve alguma vez esta percepção do senso comum? O "pai da democracia" socialista, republicana e laica, alguma vez o teve? Como dizem os brasileiros "só contaram p´ra você". Mas então... porque votaram no indivíduo anos e anos e ainda lhe deram coisas tipo fundação para se entreter na aposentação dourada? Por falta de senso. Básico e primordial que não carece de ensinamento.
Porque continuam os portugueses a acreditar e a votar em indivíduos que notoriamente os aldrabam e prejudicam seriamente na vida que podem levar? É um mistério que a sociologia não consegue explicar porque é precisamente uma disciplina a que falta muito senso comum. Veja-se o caso particular do professor Boaventura, um carente em último grau desse tipo de componente estruturante.
Antes de 25 de Abril de 74 havia muitos analfabetos por não saberem ler nem escrever. É um dos índices que esses sociólogos apontam como sinais de atraso civilizacional. Passados trinta e mais anos, o analfabetismo de juntar letras e fazer contas, em nível primário, desapareceu em grande parte.
Mas restou e possivelmente aumentou exponencialmente o analfabetismo mais sério e mais nocivo: o que impede a compreensão de fenómenos básicos, seja na economia, seja nas ciências de toda a ordem incluindo as matemáticas básicas.
Aumentou ainda, sem qualquer dúvida, o analfabetismo que afastou o valor de exemplo prático do antigo rifoneiro que tínhamos e compendiava a sabedoria popular que se seguia nos campos e "província". A televisão das judites de sousa e outras figuras de proa do mediatismo da ignorância ilustrada em cromos, substituiu o rifoneiro. A compreensão da realidade autêntica foi subsituida pelo espectáculo encenado de uma realidade virtual e paralela.
E essa é, quanto a mim, a razão fundamental para enquanto povo que vota insistirmos no erro e persistirmos na asneira.
Volta, senso comum! Afasta do pódio esta gente que nos desgraçou.
segunda-feira, abril 11, 2011
A jornalista Judite de Sousa
O funcionalismo deixa sempre marcas.
Os mais inteligentes somos nós!
O único! A culpa disto é do PSD porque não aprovou o PEC. O argumento da crise internacional já passou de moda.
Por causa disto e porque as pessoas que votam sabem muito bem o que querem, dão 33% de intenções de voto ao PS.
Bravo, povo português! Inteligência assim não há em todo o mundo!
Justificava-se a responsabilização civil?
Do SOL:
Em causa estava a publicação de escutas do processo Face Oculta, envolvendo os casos da compra da TVI, as conversas sobre a REFER e Ana Paula Vitorino, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) e os negócios do Taguspark e de Luís Figo.
«Este Tribunal não encontra, no comportamento dos arguidos, qualquer fundamento para uma censura de natureza penal», lê-se na sentença da juíza Joana Ferrer Antunes.
A juíza vai mais longe e deixa mesmo um elogio ao trabalho do SOL: «O trabalho de profissionais que, corajosa e empenhadamente, praticam um jornalismo sério, responsável e isento, não é passível de censura. E que nos não reste qualquer dúvida: no dia em que a voz deles se extinguir, nós pereceremos»
Na sentença, a juíza sublinha mesmo o facto de não se encontrarem nas escutas publicadas pelo semanário «quaisquer factos do foro privado».
«Foi, desde logo, notória a seriedade colocada pelos mesmos [jornalistas] nas averiguações que levaram a cabo, o seu empenho em esclarecer-se junto de quem podia facultar-lhes informação fidedigna (.) e o cuidado pelos mesmos evidenciado antes de publicarem qualquer notícia», pode ler-se na sentença."
Depois desta sentença é comparar a sentença cível que condenou o SOl e os jornalistas numa indemnização obscena ( pelo valor elevadíssimo) e que pelos vistos nada justificaria em termos jurídico-penais.E agora? Andará Deus a dormir?
Dizer "nós" é um eufemismo porque quem o fez, foi apenas o Partido Socialista da época em que foi governo, sempre com o mesmo titular, Mário S. , a sós ou em bloco central com o PSD ( e foi no tempo da A.D. que o endividamento mais aumentou...). O mesmo que agora anda a dizer que recorrer ao FMI não é nada de especial. Pois não, porque o indivíduo a tal foi obrigado , devido à excelência da sua gestão da coisa pública. Não obstante, passados menos de dois anos era eleito presidente da República, para grande gáudio da Esquerda em geral que o elegeu. Deus tinha adormecido outra vez.
Na altura, no Semanário de 23 Junho de 1984 escrevia em crónica Sarsfield Cabral:
"Veja-se o que se passou em 81, quando o segundo governo Balsemão recusou assinar a Carta de Intenções dirigida ao FMI: a Carta acabaria por ser enviada dois anos e tal depois ( em Setembro de 83), mas inevitavelmente muito mais dura para Portugal, pois entretanto tinha-se acelerado o descarrilamento financeiro." Isto foi em 1983-84...
E escreve ainda Sarsfield Cabral:
"Mas o FMI não tem culpa de que, por falta de capacidade dos Governos portugueses para concretizarem uma política económica, até meramento conjuntural, só a disciplina que ele impõe venha afinal a dar um pouco de ordem financeira à casa lusitana". Isto aconteceu em 1983-84, poucos anos depois de o FMI ter cá estado pela primeira vez, essa sim, pela mão exclusiva de Mário S. que agora se ufana do feito.
Nas eleições legislativas que se seguiram a esta "crise política", realizadas em 6.10.1985, o Diário de Notícias de então, dirigido por Mário Mesquita, editorializava o célebre "Deus não dorme", para registar a derrota estrondosa do PS dirigido por Almeida Santos que pedira a maioria absoluta (!!! ) para governar em "estabilidade". Como agora o fazem e nos três dias de comício o fizeram.
Então o PSD de Cavaco alcançou 78 mandatos na A.R. enquanto dois anos antes tivera 73. O PS dos 100 mandatos que teve em 83, contentou-se com 47 (!), uma das maiores derrotas do Sombra de que há memória e por causa da qual nunca mais ficou ao sol. Diz o DN que um em cada três votantes abandonou o Sombra e o PS. À "boca das urnas", em declarações dizia "que ganhe o melhor". Depois disso, assumiu a "derrota pessoal". Mas foi ficando. E ainda lá anda, a presidir a essa "derrota pessoal" de 85.
Para a derrota estonteante, contou o PRD que obteve 45 deputados e conquistou quase um milhão de votos.
Naquele editorial, Mário Mesquita escrevia "Deus não dorme: pôs a lei da alternância a funcionar. A manipulação propagandística e o primado do show-business não bastaram para apagar da memória dos eleitores a experiência governamental mais próxima."
Dali a um ano, nem isso, o mesmo Mário Mesquita apoiava quem, para presidente da República? Salgado Zenha. E em 2005? Mário S. Bingo! Deus adormeceu, nessa altura. E o PRD desfez-se entretanto.
Mário Mesquita foi um dos fundadores do PS. Provavelmente da Maçonaria e só escreveu o editorial porque era da "esquerda" do partido que ajudou a fundar e abandonou em 78. Só por isso.
D.N. 7.10.85 clicar para ler.
A verdadeira crise da Justiça, em continuação
Em entrevista ao DN, o juiz conselheiro Lúcio Alberto Barbosa admite que nos quadros oficiais destes tribunais estão por ocupar 36 vagas para juizes. "As entradas e as pendências registadas são elevadíssimas e, até, insuportáveis. Os tribunais estão hoje, todos eles, completamente afundados em processos", explicou, o também presidente do Supremo Tribunal Administrativo.
Anualmente, desde 2008, os TAF recebem em média cerca de 9 500 processos na área administrativa e 17 mil na área tributária, as duas áreas de competência destes tribunais.
Quem é que faz a gestão de juízes e magistrados? Os conselhos superiores. E como podem gerir se a entidade - o poder executivo do Governo- que lhes fornece legalmente os meios, materiais e humanos, os têm recusado, sob os mais variados pretextos, mas sempre com a preocupação máxima de deixar o ónus da crise para os magistrados e deixar vincada na opinião pública essa imagem negativa?
Que se pode dizer de um poder executivo e legislativo que assim funciona?
domingo, abril 10, 2011
Os cantores da mística do protesto
José Barata-Moura, por exemplo, "um cantor de protesto durante muitos anos", diz que " a actualidade de algo que foi feito no passado depende da actualização que os outros fazem desse objecto". Em nenhuma parte do artigo se esclarece que Barata Moura foi e continua a ser, segundo consta, um comunista dos quatro costados e cujas letras das "canções de protesto" espelhavam ideologia por tudo quanto era verso.
Outro citado, Luís Cília, em modo suave, diz agora que " a situação hoje não é a mesma, nem política nem culturalmente, do tempo em que as músicas foram feitas". Pois não. Hoje em dia o artigo já nem cita o título " Contra a ideia de violência, a violência da ideia" e outras pérolas do esquerdismo soixante-huitard que medraram entre nós bem antes de 25 de Abril de 74.
A luta dos cançoneteiros de protesto era contra o "fassismo" mas isso não é dito nem escrito no artigo. A luta era uma espécie de guerra civil em palavras e música, com ambiente de guerra fria. Tal não é explicado no artigo e quem o ler fica a perceber que os bravos cançonetistas do antigamente nem tinham nada contra esse antigamente, senão conjuntural e culturalmente. E tinham. Tinham tudo porque pretendiam à força de canções reverter um regime político para um sistema de ditadura comunista.
Estes termos simples e compreensíveis por todos, não são descritos hoje em dia com toda a clareza que a ausência de censura permite, esses cantores e o ambiente da época, relativizando-se toda a comunicação sobre o assunto, tornando-os ideologicamente inócuos e a ponderar num vazio de intenções políticas.
Outro cantor-autor citado, Manuel Freire, porventura o mais subtil em modo ideológico , porque cantou poemas de António Gedeão cuja mensagem não era abertamente panfletária como a dos outros, mas porventura e por isso mesmo mais eficaz, também diz algo igualmente mistificador: " há pouca produção cultural porque há muita confusão". De facto, confusão haverá e são artigos como este que para ela contribuem.
José Jorge Letria, um arrependido do comunismo, também diz coisas. E o que dizia no tempo do PREC é impublicável hoje em dia, pela Pública que nem sequer o cita nesse contexto em que ele cantava aberta e sonoramente, "quem tem medo do comunismo?" , com uma resposta diferida para umas décadas depois e no sentido da confissão de ser ele o próprio o medroso.
Outro comunista ideologicamente empedernido é Fernando Tordo. O artigo da Pública cita-o com a Tourada, uma letra de 1973 da autoria de um outro comunista, Ary dos Santos, que escrevia por sinais de fumo semióticos e com imaginário taurino para representar o sentimento futuro de amanhãs a cantar. E o autor do artigo comenta como "incrível" que a Censura de 73 tenha deixado passar as seguintes frases: " Entram empresários moralistas; entram frustrações; entram antiquários e fadistas, e contradições. E entra muito dólar, muita gente que dá lucro aos milhões". Esta letra é entendida como absolutamente censurável, na época, numa acepção falsa e mistificadora da realidade de então e ainda assim não se dá o contexto ideológico dos seus autores e mensagens. Incrível é escrever assim nos dias de hoje, enganando leitores desprevenidos. E sem censura.
Por fim, aparece citado o decano dos cantores de protesto: José Mário Branco não desiste da luta ideológica. Arrumou as botas das canções de protesto contra os botas do antigamente, mas não desarma as cantigas de outrora. " eu tenho confiança ilimitada na humanidade: se houver um movimento de fundo, as vozes vão aparecer. O problema actual não é das vozes, é do movimento. A consistência das vozes, é do movimento."
Movimento. Massas. Ideologia agregadora das massas. Vanguardas ideológicas. Movimentos...
Descodificando o que o autor do artigo dissimula ou não topa: José Mário Branco sempre foi um esquerdista da velha cepa. Um anti-capitalista que vê nesse sistema o Mal absoluto para a humanidade. Por isso mesmo embarcou festivamente em cruzadas contra esse modo de produção de coisas e serviços para a humanidade. O modelo que defende, obviamente, é o comunismo, em modo aggiornato e com modo de lá chegar. Para José Mário Branco nunca foi problema de maior, tal modo: armas se necessário for. E nem sequer em modo retórico. FP 25, lembra alguma coisa a alguém? Devia lembrar e ser citado nestes artigos para não se mistificar de modo indecente e obsceno a realidade.
Então é assim:

Nova incursão aos baús do vinyl, na busca da banda sonora perfeita para a data que hoje se comemora. Mais uma pérola / preciosidade da arqueologia sonora do PREC.
O Poder Aos Operários E Camponeses / O Povo Em Armas
Está percebido, ó Luís Francisco? Para a próxima deixe de tomar os outros por parvos e escreva qualquer coisa com mais jeito. E há outra coisa que é preciso ficar esclarecido: Bob Dylan, foi um cantor de protesto, sem dúvida. Mas nunca foi comunista. Quem foi comunista foi outro: Phil Ochs.
O herói principal

Se tivermos em conta que a ideia básica da esquerda do socialismo democrático, em funcionamento económico, releva sempre o interesse dos trabalhadores sobre o do capital, este é o seu herói máximo porque é com essa ideia simples, objectiva e básica que venceu as eleições em que participou.
Em 1976, certamente enganado pelos temíveis adversários da direita anti-democrática, enquanto governava, exauriu as receitas do país, empenhou a nação até ao limite e teve que chamar à pressa o FMI que o obrigou a vergar a espinha aos ditames do liberalismo. A culpa não foi sua, mas do PREC. Ficou desculpado.
Obrigado e coagido pelo liberalismo de direita, que na altura se chamava capitalismo, aprovou a lei dos contratos a prazo que nunca mais revogou, mesmo quando ganhou as eleições para presidente da República e foi reeleito depois. Desmantelou o embrião de reforma agrária porque era essa a ideia de esquerda que vigorava, entregando as terras outra vez aos latifundiários e fez tudo o que podia para repristinar o modelo que execrava em discurso público. Esse engano e burla políticas, no entanto, nunca lhe custaram votos significativos porque soube sempre ludibriar as evidências e enganar o eleitorado. Tal como agora faz este sucessor de meia tijela mas de discurso emproado de animal feroz que cativa correlegionários e ignorantes.
Todas as políticas que patrocinou, aprovou, defendeu e sustentou, em prol do capital e detrimento dos trabalhadores, foram sempre actos falhados de uma intenção meritória: a defesa intransigente dos trabalhadores em detrimento do vil capital que execra como poucos e por isso é o exemplo dos que dispensam todos os privilégios da direita burguesa que denuncia: viajar e passear por onde se quer, sempre a expensas alheias; comer do bom e do melhor, sempre que se entender; trabalhar o menos possível porque o trabalho está feito e dá canseiras; gozar a vida em hedonismo permanente, na companhia de artistas de variedades; palrar inconsequências, depois de ler outros pensadores e cronistas de jornal estrangeiro.
Foi por isso mesmo que em 1983, outra vez na penúria nacional por mor dos seus denodados esforços em bloco central, para salvar o país e colocá-lo na senda do progresso da esquerda democrática, tornou mais uma vez a aguentar o FMI, acto de que agora se orgulha e apresenta como sinal de banalidade democrática e de esquerda.
Em 1986, perante a segunda volta das presidenciais e o espectro de deixar o país na mão da vilipendiada direita " dos interesses e privilégios", protagonizada por um Freitas do Amaral, futuro ministro de um governo de esquerda, com mais privilégios dos que alguma vez teve como defensor dos outros, acantonou mais uma vez com denodo a ideia básica, objectiva e simples que agora o seu partido volta a mostrar como sendo a bandeira de todas as vitórias eleitorais. Esta que fica na imagem publicada ( do Tempo de 28.1.1986) e que clicando pode ler-se:
"O povo português disse não à radicalização e sim ao diálogo e a todos os que apostam na estabilidade e no desenvolvimento. Os trabalhadores, os pobres, os humildes, que temem a direita e os seus privilégios instituiram-me como seu natural vencedor. "
E foi assim que venceu, por uma unha negra, o candidato dessa "direita dos privilégios". Depois, veio Macau, terra do Oriente e onde os desprivilegiados fizeram fortunas de esquerda e se alcandoraram no partido que agora defendem em congresso.
Os gloriosos heróis do socialismo democrático

Começou pobre atrás de um balcão de banco e ascendeu em alguns anos de poder do partido que o suporta, ao meritocrático cargo de administrador. Bancário. Quando saiu, em perda por motivos obscuros mas sob os holofotes dos media, ganhou quase um milhão de euros. Deu-lhos o BCP, uma instituição de esquerda onde o notável defendeu os pergaminhos ideológicos. E no banco anterior, onde também administrara os seus naturais recursos próprios de esquerda, tinha sido promovido depois de lá sair...
Foi apanhado em escutas com o Inenarrável que nos governa e de quem foi sócio em empresa capitalista, na área sensível dos combustíveis, de esquerda certamente, a combinar crimes plausíveis para diversos magistrados e irrelevantes para quem neles superintende, mas não se descoseu e as escutas foram proibidas porque a esquerda democrática é assim mesmo: solidária.
É por isso mesmo, um dos grandes empreendedores da esquerda democrática deste PS. Senão, veja-se o magnífico currículo que o Público, pela pena de um nefando direitista ultra-liberal em tempos deu à estampa:
"Armando Vara, quando era secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, recorreu ao director-geral do GEPI (Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do MAI) e a engenheiros que dele dependiam para projectar a moradia que construiu perto de Montemor-o-Novo.
Para fazer as obras serviu-se de uma empresa e de um grupo ao qual o GEPI adjudicava muitos dos seus concursos públicos.
Com 3500 contos (17.500 euros) o actual administrador da Caixa Geral de Depósitos e licenciado pela Universidade Independente tornou-se dono, em 1998, de 13.700 m2 situados junto a Fazendas de Cortiços, a três quilómetros de Montemor-o-Novo. Em Março de 1999 requereu à câmara o licenciamento da ampliação e alteração da velha casa ali existente.
Onde a história perde a banalidade é quando se vê quem projectou e construiu a moradia. O projecto de arquitectura tem o nome de Ana Morais.
O alvará da empresa que fez a casa diz que a mesma dá pelo nome de Constrope.A arquitecta Ana Morais era à época casada com António José Morais, o então director do GEPI, que fora assessor de Armando Vara entre Novembro de 1995 e Março de 1996.
Nessa altura, recorde-se, foi nomeado director do GEPI por Armando Vara - cargo em que se manteve até Junho de 2002 - e era professor de quatro das cinco disciplinas que deram a José Sócrates o título de licenciado em Engenharia pela UnI.
A Constrope era uma firma de construção civil sediada em Belmonte, que também trabalhava para o GEPI e tinha entre os seus responsáveis um empresário da Covilhã, Carlos Manuel Santos Silva, então administrador da Conegil - uma empresa do grupo HLC que veio a falir e à qual o GEPI adjudicou dezenas de obras no tempo de Morais."
Os gloriosos heróis da esquerda democrática

Nascido em Contenças, foi sempre de esquerda. Começou na UDP e acabou na Mota-Engil. Detesta a direita o que é público e notório.
Pelo meio do percurso foi ministro de esquerda, democrática está bom de ver e mandou no PS como os antigos carreteiros mandavam nos boys, com aguilhão para fustigar a marcha para o socialismo metido na gaveta.
Até passou por Macau o que atesta a genuinidade do produto esquerdista, democrático, e de boa cepa. Oriental, tal como o Sombra. De esquerda. Democrática.
Jorge Coelho, compadre, amigo de peito e quase conterrâneo de Dias Loureiro é o produto mais genuíno que este PS tem para oferecer como exemplo da esquerda democrática que quer preservar o Estado Social, a escola pública e o SNS.
Dias Loureiro, por isso mesmo, é o esquerdista mais notório que o PSD alguma vez pôde apresentar como troféu democrático. Porque sendo amigo de Jorge Coelho, com ele partilhou amizades e interesses. De esquerda, sempre.