quinta-feira, 14 de abril de 2011

Porquê?

Paulo Jorge Silva é um inspector tributário ( funcionário médio-alto da Administração Tributária, vulgo Finanças) que tem deposto como testemunha no julgamento de um dos casos do BPN. Participou na investigação.

O que tem dito nas sucessivas audiências de julgamento que decorrem devia ser suficiente para letras gordas de primeira página, porque é um compêncio do modo de funcionamento bancário, em Portugal e provavelmente em todo o sítio. Tirando a "ocultação de prejuízos" aos accionistas, ou incluindo mesmo isso porque faz parte do jogo, os métodos de alavancagem e de fazer girar o dinheiro por offshores e outras dependências da avidez financeira, são explicados e todos deviam perceber esse funcionamento básico para julgarem com outross elementos o que nos tem sucedido na governação pública e privada, no sector financeiro.


Porém, como as eleições presidenciais já foram e o presidente da República é o mais alto magistrado da Nação, "isso agora já não interessa nada". Mas interessa a quem intereressar.

Ontem, em audiência que é o sítio onde se reproduzem as provas recolhidas em Inquérito com valor acrescido porque ficam escritas para os juizes que aplicam a justiça em nome do povo, ouvirem e lerem, a testemunha qualificada disse que Oliveira e Costa, enquanto presidente do BPN teve um prejuízo de 275 mil euros com a venda das suas acções a Cavaco SIlva e filha.

Esses factos ocorreram em 2001, altura em que Cavaco Silva era "um mero cidadão", professor universitário e ex-primeiro ministro. Foi assim que a presidência da República descartou explicações de maior efoi assim que a campanha presidencial colmatou a brecha na credibilidade e honradez do candidato a presidente.


Há uma explicação lógica para que Oliveira e Costa tenha perdido tanto dinheiro que para um comum mortal, funcionário ou mesmo professor universitário é uma pequena fortuna ? Há apenas uma: Oliveira e Costa quis ser simpático para com o professor Cavaco Silva. Chega como explicação de uma realidade? Chega. Mas há outra realidade para além dessa: porquê?

12 comentários:

Carlos disse...

José:

Ora, aqui está mais um exemplo de como: "a esquerda tem as costas largas" e, o "estado social", é o único responsável pelo descalabro das nossas finanças.

Doa a quem doer, é preciso e urgente julgar toda esta gente.

Dias Santos disse...

Esse "porquê?" terá algo a ver com o facto de ser "um mero cidadão" com um alto cargo no Banco de Portugal?

josé disse...

Não creio que o problema se resolva com julgamentos por uma razão: continuo a duvidar que o caso Oliveira e Costa seja de índole criminal. Porque os bancos funcionam assim...

Dias Santos disse...

Também não seria de índole criminal Oliveira e Costa ter-me oferecido as acções a mim. Só não percebo porque é que não o fez.

josé disse...

Éticamente não lhe convinha...

joserui disse...

Pois é Carlos, a esquerda... têm sido uns sacrificados em Portugal... coitadinhos. E arrependidinhos que estão todos por aí a dar à costa (sem relação com o Oliveira).
José, uma pergunta e sou insuspeito porque detesto este quase-presidente da república: está a dizer que Cavaco em algum momento soube que o borbeletão do Oliveira e Costa comprava por 2 para vender por 1? -- JRF

josé disse...

Não, não digo tanto. Só digo que Oliveira e Costa lhe fez um favor e que provavelmente, depois disso veio a saber.

Carlos disse...

José, acredita em "almoços grátis ?" ou é, uma questão de fé na tribo da coelha ?

joserui, andava atrás de um líder para a direita !?- aí tem um (Nobre). Embora esta cubra o espectro político a 360ª.

joserui disse...

Sou honesto: esse favor para mim não tem sentido. E se o que ganharam naquele lixo foi 15.000€ para uma aplicação de 250.000€ (nada mau, eu vejo é toda esta gente cheia de dinheiro), bem podem limpar as mãos à parede ao grande investimento. Mais valia um depósito a prazo sem qualquer risco e sem se encostar a ninguém. -- JRF

josé disse...

joserui:

No caso do Cavaco não foram apenas os 15 mil...

joserui disse...

Por acaso caro Carlos, não perdi nada e em consequência não ando à procura de nada. A esquerda é que perdeu a vergonha no século passado e nunca mais a encontrou. Está orfã de decoro, coitadinha. Acontece muito. Quanto ao Fernando Nobre intriga-me:
Primeiro, tenho pena que um homem que até aqui era bom porque era de esquerda, agora seja mesmo muito mau porque está nas listas do PSD (essa direita radical, reaccionária e revanchista). Não me admira principalmente os bloquistas, porque são herdeiros de uma longa tradição canídea que não conhece o dono.
Segundo não embarco na tese do troca tintas porque ser independente por definição é isso mesmo. O homem diz que é independente, tanto lhe dá para andar com o BE como o PSD. A mim deu-me um grande abalo. Deu mesmo!
Terceiro, e aqui é que me intriga, não percebo o que é que um homem como o Fernando Nobre vai tirar da política depois da figura nas presidenciais, exactamente na altura em que o lodo já é tanto que começa a haver quem não tenha pé.
PS: Almoços grátis foi em Matosinhos. Sardinhas assadas não que a burguesia de esquerda diz que ainda não é a época. Quem vier atrás que pague e feche a porta!

joserui disse...

Ah. Li ontem isso dos 15.000€. Não estou inteiramente sabedor. Li mal, o Oliveira e Costa é que teve um lucro de 15.000€ e um prejuízo de 275.000€. Grande financeiro! Cuidado com o animal. É com génios da finança deste recorte que o país avança! -- JRF