segunda-feira, abril 04, 2011

A deseducação da Esquerda utópica

Ana Benavente, socialista responsável por mudanças no sistema de ensino que temos, assinou há dias um artigo no Público, para dizer mal da geração à rasca que cantou o desencanto com o ensino. Benavente acha que o ensino é a chave para "compreender o mundo em que vivemos e para reconhecer o valor da acção individual e colectiva para mudar e melhorar esse mundo, começando pela nossa realidade mais próxima".
E cita uma autora que lhe diz muito porque "a conforta na certeza de não estar só": Cynthia Fleury. Uma espécie de professor Boaventura no feminino.

"(...) é forçoso constatar que a escola se esforça sobretudo em formar não-perturbadores, pensando que tanto melhor preservará a saúde da democracia quanto mais produzir conformistas. Nada disso. Ensinando unicamente a norma e não o seu questionamento, instalamos a inevitável entropia: orquestramos o declínio da democracia. ( ...) é esta a razão pela qual o facto de reflectir sobre as novas práticas inovadoras da pedagogia é trabalhar directamente sobre a saúde democrática, no sentido em que isso significa pensar os fundamentos do projecto democrático."

Chega esta pequena passagem para dizer o seguinte: afastem esta senhora de qualquer programa ou projecto educativo de relevo! Afastem-na porque é um perigo. Foi dela a brilhante ideia das "áreas de projecto" e de "estudo acompanhado". Se não foi podia ser, porque no fim do artigo lamenta a sua extinção... e diz que isso reflecte uma ideologia de direita ( exactamente, esta senhora ainda pensa assim). Portanto temos uma senhora de Esquerda. Das tais que por aqui temos falado. A Esquerda das utopias e das ideias erradas que com boas intenções prejudicam gerações e inquinam o tecido social, como sabem dizer.

Na revista da CGD, deste trimestre, o sociólogo António Barreto, sobre este mesmo assunto diz assim:

"Nos últimos 20-30 anos os princípios pedagógicos que orientam os sistemas educativos portugueses e europeus tem vindo a privilegia a indisciplina, a espontaneidade, a criação pessoal. Eu acho que esses princípios deram mau resultado. A meu ver, os pontos de partida estão errados, como considerar que as crianças têm uma curiosidade natural por aprender, para saber mais, estudar, esforçar-se, para se organizarem. Nada disto é verdade. Essas são coisas que se aprendem e se treinam. Não se pode esperar que as pessoas tenham esse equilíbrio entre disciplina e rebeldia- não se ensina a rebeldia, porque isso não se ensina a ninguém, e ainda bem, mas é preciso ensinar a disciplina, e tem de se treinar o método de trabalho."

Entre estas duas concepções divergentes da Educação qual a que prevaleceu em Portugal? A da senhora Ana Benavente, está bom de ver. E com os resultados que temos.

Porque é que a senhora Benavente conseguiu meter esses conceitos errados nos programas e sistema de ensino? Porque admira todas as Fleurys deste mundo em que vivemos. Pensadoras da utopia e do erro. Porque a esquerda, dantes, combatia o capitalismo e a burguesia, em nome da sociedade socialista. Actualmente, com a falência do comunismo, resta combater o capitalismo e a burguesia, porque são " a direita", o demónio que os persegue nos sonhos utópicos.

E porque é que a senhora Ana Benavente teve o sucesso que teve? Porque é de Esquerda e assim se reivindica.

E António Barreto é de quê? Do Centro?!

A senhora Benavente começa por escrever que nos anos sessenta o analfabetismo era uma pesada herança. A partir dos anos setenta, np entanto " e sobretudo depois de Abril " é que foi a mudança- para melhor, está bom de ler. Os portugueses, com esta senhora Benavente e outros como ela que detestam acima de tudo " a direita" progrediram na alfabetização. As estatísticas da senhora dona Lurdes comprovam-no.
Mas há um pequeno pormenor que tal vez a senhora dona Lurdes entenda melhor que a senhora Benavente: no campo, os camponeses analfabetos sabiam mais, muito mais das tais competências com que aquelas agora enchem a boca, do que hoje em dia. Não sabiam ler nem escrever, talvez. Mas ensinavam os filhos coisas que a senhora Benavente nem sonha e a senhora dona Lurdes já esqueceu porque no Alto-Minho não se fazia só contrabando.
O analfabetismo hoje em dia, nos meios sociais da senhora Benavente, talvez seja bem maior do que nos anos sessenta nos meios rurais. Mas isso, a senhora Benavente e a senhora Fleury nunca entenderá.
E não precisa de entender. Basta que não chegue ao poder outra vez, porque o mal que nos fez é pior do que o de muitos criminosos. Matar a sociedade é um crime maior do que roubar carteiras.

Questuber! Mais um escândalo!