Segundo o jornal é uma história revisionista porque apresenta o PCP como um partido da área social-democrata, interessado em se associar ao PS, no dealbar da Revolução de 25 de Abril de 1974 e com ideias fixas sobre a ausência de interesse do PCP em "golpes" para implantar a "revolução socialista".
Segundo o jornal, a historiadora documentou-se amplamente e conta em detalhe a análise que contraria o senso comum e até o político da altura do PREC e a ideia feita de que o PCP queria mesmo tomar o poder político no país, nesses anos de brasa que se seguiram ao 25 de Abril.
Como se documentou em modo extenso provavelmente leu a imprensa da época, uma vez que será nova demais para ter vivido esse tempo. E a imprensa da época era muito clara nas entrevistas, artigos de fundo, orientação editorial e ambiente geral, o pathos que nos mostrava sem margem para dúvidas para onde o PCP queria mesmo ir: para a democracia socialista que não se confundia de modo algum com a democracia burguesa.
Então se é assim claro e a historiador vê no escuro, o que explica a contradição?
O desconhecimento? A prosápia de revelar uma faceta nem sequer escondida, dos tempos do PREC em que o PCP aparecia por vezes como força social moderadora, desautorizando greves não decretadas pela sua correia de transmissão sindical?
Hoje no i, Otelo Saraiva de Carvalho fala em entrevista sobre o seu relacionamento pessoal e político com o PCP Diz que o PCP, em pleno PREC "promoveu um jantar em casa de Silva Graça que foi comer para a cozinha com a mulher e com as filhas e deixou-nos sós. Tivemos um bate-papo violento. Ele começou a fazer críticas ao MFA e a dizer que o MFA devia fazer isto e aquilo. E eu disse-lhe "Ó doutor, eu não lhe vou dizer o que é que deve fazer no Partido Comunista. Eu considero que o PC tem tido acções muito más, por vezes, que são prejudiciais à revolução e se quiser eu faço aqui uma lista do que é que o seu partido tem feito, mas não lhe admito que me dê orientações, porque o MFA nada tem a ver consigo, nem com nenhum partido, e se precisar de orientações peço ao Melo Antunes."
A historiadora por outro lado, não conhece certos escritos de Lenine que Cunhal conhecia muito bem. "Um passo en frente e dois atrás.", é um deles. E bem conhecido.

