terça-feira, outubro 09, 2012

O beirão honesto sem medo de ninguém deixou a PGR

 
Pinto Monteiro começou mal o seu mandato de PGR. No mesmo dia em que tomou "posse", ou aceitou o cargo oficialmente, não teria carro ao dispor e o ministro da altura, o imperturbável Alberto Costa, também escolhedor daquele, emprestou-lhe o carro do ministério da Justiça, como se vê na foto acima. Ora tal gesto simbólico foi a marca de água do consulado de Pinto Monteiro à frente da PGR.
Se não vejamos:
A primeira espécie de retrato que lhe fizeram foi este, na revista Única do Expresso, em 14.10.2006, com o seu acordo, é bom de ver porque as fotos são pessoalíssimas e só o próprio as poderia fornecer.
É  um grave erro assumir um cargo como o de PGR e deixar-se fotografar assim em pose de fim-de-semana, dizendo-se acima de tudo...juiz, "com pontaria". É uma imagem que fica. 






















Depois, ao longo do mandato Pinto Monteiro que começou com entradas de leão quanto à corrupção, ele que tinha sido elemento da Alta Autoridade contra a dita, em 1991 ( terá sido aí que conheceu Pinto Nogueira o anterior PGD do Porto), mostrou que contra a corrupção só teve palavras e poucas porque entendia que o país não é de corruptos e que os processos que envolvem políticos são essencialmente...políticos.
Com o reaparecimento do processo Freeport começou a pressão mediática sobre o MºPº e Pinto Monteiro em particular. Como é que este lidou com o fenómeno?
Assim:






















"Nunca teve medo de ninguém" e outras coisas que disse na entrevista ao Sol, em 20. 10.2007. Disse que foi convidado directamente por Sócrates que conhecia muito bem o irmão, professor "catedrático" em Coimbra. 
Com o processo Face Oculta, Pinto Monteiro revelou exactamente porque é que nunca deveria ter aceite entrar naquele carro: não teve coragem para enfrentar os políticos que o nomearam, designadamente o que o escolheu pessoalmente. Claudicou. Cedeu. Desvalorizou o que não deveria ter desvalorizado. Estragou ainda mais a imagem da Justiça e do MºPº e não percebeu isso.
Quando confrontado com o assunto, saltou em frente, justificou-se e alvitrou que o processo era político, o que viria a repetir mais vezes nas relativamente poucas entrevistas que deu durante o mandato. Juridicamente a posição do PGR era insustentável, como se pode ler por estes pequenos recortes da imprensa da época.
Pinto Monteiro numa entrevista a propósito disso ( na Visão, imagem abaixo) disse que respeitava as opiniões jurídicas dos "técnicos de direito" mas não as dos que se disfarçavam de "gente de mérito" para produzirem comentários políticos.



Um dos tais "disfarçados" era sem dúvida Freitas do Amaral que sobre Pinto Monteiro produziu na mesma Visão o comentário mais demolidor que jamais foi escrito sobre o mesmo: um PGR que faz política e que foi o autor directo do caso se ter transformado em "política".

Em Setembro de 2009, mesmo antes das eleições gerais que o PS ganhou nas palavras de José Sócrates naquilo que foi uma "vitória extraordinária" ( ó se foi!), Pinto Monteiro, mais o ministro da Justiça, mais o presidente do STJ mais o bastonário da Ordem dos Advogados reuniram-se numa daquelas que seriam o início de reuniões regulares para tratar de "assuntos da justiça". Não se sabe que assuntos foram esses, mas sabe-se que nunca mais reuniram para tratar tal coisa e que o presidente do STJ, a seguir,  não quis ir prandear ao Gambrinus, mesmo com tudo pago pelo bastonário. Mas Pinto Monteiro foi. Mais uma boleia.


Perante este panorama que se poderia estender por outras veredas mormente ao que sucedeu com o processo Freeport, ao caso José Luís Mota e a outras situações de tensão no CSMP, há qualquer coisa que fatalmente tem de ser um denominador comum a tudo isto.
Pinto Monteiro, em final de mandato tem dois amigos que o defendem: Proença de Carvalho e...Marinho e Pinto. Curiosamente pensam o mesmo sobre os tais "processos políticos", sendo certo que Proença é advogado de José Sócrates. 

Em todos estes casos, portanto, aparece um nome e uma pessoa:

E a pergunta surge, fatal: como é possível que um "juiz", "com boa pontaria" e que não tinha medo de ninguém se deixou apanhar nesta rede de coisas incompreensíveis e de assuntos que deveriam ser cristalinos e sem dúvidas sobre a isenção de um magistrado?
Na última entrevista que deu, Pinto Monteiro disse que José Sócrates só  lhe telefonou uma vez no Natal. para desejar boas-festas. Imagino que tenham sido institucionais. E de resto nunca falou com José Sócrates. Como se vê na imagem...

Sinceramente, não entendo este beirão honesto.

segunda-feira, outubro 08, 2012

A Questão é esta pergunta

Pois: que modelo económico queremos? O dos comunistas e syrizas? Expliquem-no muito bem explicadinho, se puderem, e verão a realidade da nossa desgraça perto do abismo.

Desconfio que o portador do cartaz nem saberá dizer que modelo quer...

A nova PGR

Segundo tudo indica, porque as notícias são coincidentes e não foram desmentidas, a magistrada do MºPº Joana Marques Vidal será a próxima procuradora-geral da República.

Não me parece má escolha. No entanto, não conheço suficientemente a pessoa para dizer mais que isto. Parece-me, além disto, uma pessoa com personalidade forte ( como o pai), inteligente qb, e que poderá fazer um bom lugar, como se costuma dizer, porque percebe efectivamente o MºPº.
Quanto ao resto, o tempo o dirá.
Boa sorte, acima de tudo.

domingo, outubro 07, 2012

PREC 1974-76: os comunistas ao assalto do poder

Em Agosto de 1974 alguns empresários tentaram lançar iniciativas económicas apesar do clima revolucionário que se desenvolvia em modo acelerado num autêntico processo revolucionário em curso para o socialismo. O Expresso de Agosto desse ano noticiava assim a iniciativa:


De repente, em poucos meses, as pessoas em Portugal tinham à sua disposição uma grande oferta de livros, revistas e jornais que veiculavam as ideias de Esquerda comunista. 
Os livros, raros, que procuravam explicar os acontecimentos recentes à luz da ideologia do regime anterior, eram subalternizados por essa literatura que se impunha ao leitor desprevenido. O livro de Marcelo Caetano, Depoimento, foi completamente cilindrado pelas inúmeras obras sobre o "comunismo científico" ( , incluindo uma tradução do russo ( por André Gaveto) do livro de P.N. Fedoseyev, "O comunismo científico e os seus falsificadores", publicado em Novembro de 74 e ainda outro pequeno livro com citações de Marx, Engels e Lenine, "O socialismo científico". publicado na mesma altura pelas edições Avante.  Todos estes livros "científicos" são susceptíveis de ser encontrados em feiras da ladra ou do livro, actuais.
Um dos primeiros livros a ser publicado ( logo em 15 de Maio de 1974, sendo tradução de uma edição de americana- o autor era professor na Universidade de Santa Bárbara, California- de 1967, intitulada Today´s Isms) )  com intuitos didáticos ( o livro era apresentado como "um pequeno manual de ciência política"),  foi este:


Neste panorama geral da imprensa era quase impossível conter a vaga do PREC, para gáudio de muitos que agora se espraiam em comentários nos media sobre economia e política, como por exemplo um Pacheco Pereira.
O  único jornal "resistente" a esta mudança de paradigma social e político era o Bandarra, dirigido por Manuel Múrias que depois fundaria A Rua. O Bandarra foi literalmente queimado na rua, pelos contra-manifestantes do 28 de Setembro de 74 e na sequência da onda de prisões que então se realizaram, dos "numerosos fascistas", como Artur Agostinho, num episódio já aqui contado.

Assim, a inciativa do MDE/S, de alguns capitalistas portugueses que ainda faziam que acreditavam no futuro económico do país, em termos ocidentais e europeus ( nenhum outro país, nesses anos, passou pelo que nós passamos enquanto nação a caminho do socialismo e da sociedade sem classes, proclamada na Constituição de 1976) ia contra a maré, porque a onda era esta, como se escrevia no Diário de Lisboa de 12.7.1974, num artigo de Eugénio Rosa ( ainda anda por aí...):

Em 31 de Agosto, o conhecido Vítor Constâncio, um dos pais da nossa desgraça ( o descalabro do BPN ficou a dever-lhe tudo em omissão) reconhecia ao Sempre Fixe que já estávamos mal e a caminho do pior porque a fuga de capitais aliada ao aumento dos preços das matérias- primas e do petróleo, mas a quebra das receitas do turismo ( a visita de Sartre e Moustaki pouco trouxe de significativo ao turismo nacional...) iria ter consequências graves a breve trecho.  Como teve e Constâncio já sabia, mas era socialista. Democrático é que ainda seria duvidoso.

Neste contexto de crise económica estabelecida e para durar por muitos e bons anos ( de facto, até agora, como se verifica, porque as raízes profundas do nosso atraso em relação à Europa e à Espanha em particular, estão aqui mesmo nesta época de alguns meses dominada pelo PCP e a Esquerda em geral), o que se fazia em Portugal? O PREC, voilà. A luta a caminho do socialismo e da sociedade sem classes, ideia utópica em que enfileirou muita gente, com capacidade e juízo para pensar melhor.
Em Março de 1975 deu-se o culminar do PREC económico com o início do processo das nacionalizações, etapa-chave daquele caminho para amanhãs a cantar e que hoje, afinal,  choram ou gritam contra a "troika".  Já nessa altura, o dinheiro passou a ser do povo, tal como hoje querem os syrizas e comunistas. Os socialistas, esses contentam-se com a sua fabricação, "sempre que for preciso".


Os media e a imprensa em geral , em 1975 era quase tudo socialista ou comunista, sem grandes excepções e veiculavam todos os dias estas ideias. Em Maio de 1975 apareceu O Jornal, dirigido por jornalistas em organização tipo cooperativa. De Esquerda "democrática" como então se dizia,  mas sempre aliados dos comunistas na luta contra o capitalismo, sistema execrado e vilipendiado pelos mesmos.

Para se perceber quem eram os jornalistas mais importantes de então e onde estavam é ler est artigo de O Jornal de 16.5.1975 ( o nº 3 do O Jornal, dirigido então por Joaquim Letria):

Pode dizer-se então que andavam todos embriagados em revolução? Nem tanto, porque os comunistas e syrizas também tinham os seus economisas formados nas escolas "burguesas" e é por isso que na revista O Tempo e o Modo de Outubro de 1974, dirigida então pelo MRPP, vinha assim um artigo, onde se reconhecia o dealbar do descalabro que nos atingia já nessa altura:

E tal adiantou o quê, afinal? Mudança de rumo, porventura? Qual quê! O PS avisava logo em Janeiro de 1975 que não contribuiria para a instauração de uma "democracia burguesa"!  Mas já se preocupava com a "unicidade" e a "unidade" sindical...


Portanto, nos meses que se seguiram, em rompante crise económica, em vez se se resolverem esses problemas, com um regresso ao sistema de produção de bens capitalista e apoio aos empresários que tinham capital para investir, deu-se o contrário, com todo o apoio da Esquerda alargada: aprofundamento da luta ideológica e política, como se pode ler na pequena história do jornal República, um feudo socialista, dirigido por Raul Rego e com redacção escolhida em conformidade. O problema era que os "gráficos" da tipografia eram de outra seita e o partido estava empenhado em manter as "amplas liberdades", desde que fossem todas sintonizadas com o ideário do comité central...
 A história suscitou em Maio de 1975, o interesse do Jornal Novo, dirigido por Artur Portela Filho, uma lufada de ar não comunista nem socialista no panorama abafado da imprensa portuguesa da época ( José Saramago, como se pode ler acima, já tinha tomado conta do Diário de Notícias ou estava prestes a fazê-lo).

Mário Soares, sempre o mesmo kerenski, lamentava-se então profundamente no mesmo jornal, da "discriminação"...e foi esse sentimento que o animou provavelmente a abrir mais os olhos e lutar contra o PREC comunista e que desembocou no 25 de Novembro desse ano de 1975. A luta de Mário Soares tem assim uma explicação: sobrevivência política, acima de tudo. No entanto, o mito de "pai da democracia" parece que continua a frutificar nas sendas do actual regime e leva à condescendência geral para com o putativo.


Passado o 25 de Novembro poderia a situação no país ter tomado outro rumo económico?
Poder, podia, mas...mas não seria a mesma coisa e o PS não deixou. Tomou as rédeas do poder e como ainda acreditava que poderíamos caminhar para a tal sociedade sem classes ( aprovou assim a Constituição e não deixou que lhe mexessem durante mais de dez anos), a situação económica ficou assim, logo em 1976, como conta Francisco Sarsfield de Cabral ( ainda comenta nas tv´s) no O Jornal de Maior de 1976:


Perante este quadro negro da economia, o mesmo Sarsfield e outros podiam ter contestado o regime que caminhava alegremente para a sociedade sem classes, mas não. Não o fizeram então e contentaram-se com este panorama retratado já no mesmo O Jornal de 5 Janeiro de 1976:




 Portanto, em conclusão: temos o que merecemos? Temos aquilo que alguns merecem, sem dúvida. Mas não aquilo que um povo todo merecia.
E quem nos atirou para este buraco anda por aí, governa, quer voltar a governar e não há ninguém com autoridade, mormente o povo em eleições que lhes diga: BASTA!
E principalmente não há ninguém que conte ao povo, com clareza suficiente o que se passou em 1974-75 para que a História não se volte a repetir. Agora como farsa, pelo que estamos a assistir ( até Pinto Balsemão já declarou estes dias que estamos a viver tempos parecidos com o PREC).

Haja alguém que diga claramente nas tv´s que os comunistas fizeram isto que temos à vista e querem voltar a fazê-lo e que para os mesmos e os syrizas o princípio antigo continua válido: quanto pior Portugal estiver, melhor para eles. 
E como a agit-prop sempre deu alguns resultados é isso que andam a fazer: a agitar as massas para conseguir maior poder. Por enquanto um poder "burguês", mas depois um poder popular que foi sempre isso que desejaram e nem o escondem sequer.

sábado, outubro 06, 2012

A escolha do director do Diário de Notícias

 Esta imagem é do D.N. de hoje sobre uma conferência a propósito de "dinheiro vivo"...

João Marcelino, um conhecido jornalista desportivo que dirige actualmente o D.N. com um sucesso estonteante nas vendas e influência, escreve hoje no seu jornal, mas numa coluna de opinião ( os jornais desportivos também são assim) algumas considerações sobre o processo de escolha de um procurador-geral da República. 
Marcelino deve saber bem como é que se faz tal coisa porque a escolha de um director do jornal como o Diário de Notícias deve implicar tanta ou mais preparação e cuidado que a de um PGR. E quase pelos mesmos motivos...
Vou comentar porque este jornalismo desportivo merece comentário solto.

  A questão do novo procurador-geral da República (PGR) está a passar nos intervalos dos sucessivos ¦pacotes de austeridade que vão consumindo a energia das pessoas e encolhendo a economia do País. E esta não é uma questão de somenos, nem sequer em termos económicos e financeiros.
O PGR é a nomeação mais silenciosa e importante do País. É preparada com anos. Negociada durante meses. Movimenta todos os lobbies e agremiações secretas, com a maçonaria à cabeça. Inquieta o mundo dos negócios e da política.
Os perfis são estudados ao mais ínfimo pormenor. E os candidatos, que teoricamente deveriam estar a leste do processo, dão garantias prévias. Alguns, com antecedência e para que não restem dúvidas, são até capazes de garantir ao País do BPN que, afinal, não há por aí tanta corrupção como se diz...

Marcelino sabe que assim é, porque é assim, de facto, e tem sido noticiado. O jornal que dirige também participa neste escrutínio de secretismo amaçonarizado, típico das sociedades em que o segredo é sempre a alma dos negócios. 
Qual a principal razão para tal suceder? Exactamente a mesma que opera na escolha do director do D.N. ( e por isso Marcelino sabe tão bem que assim é e funciona): individualizar um perfil de alguém que "dê garantias", no caso de ser um dirigente que não afronte demasiado e sem remédio os interesses instalados de quem escolhe. Marcelino tem cumprido com rigor esse papel grato e esperado por quem o escolheu. O jornal tem sido uma fonte de notícias situadas e opinião propícia a quem manda segundo o interesse de quem tem poder e o executa. 
 Marcelino, neste aspecto,  tem sido um bom  parceiro pensador do actual PGR, na medida em que lhe fornece a dose certa de notícias para o mesmo poder dizer que a politização da justiça é o horror ao vazio da corrupção. Marcelino tem sido o jornalista que comenta os jogos de poder na perspectiva de treinador de bancada com cachecol posto. Marcelino tem sido a voz do seu dono, acima sentado à sua direita, mas desligado por figuras interpostas.

2 Que uma nomeação destas, feita de seis em seis anos, se atrase um dia que seja só prova os altos interesses que gravitam em torno dela, que tem de ser consensual entre Presidente da República, que nomeia, e o primeiro-ministro, perdão, o Governo, que propõe.

Exactamente. Os altos interesses que em torno da figura do PGR gravitam são muito comezinhos, afinal: assegurar que uma pessoa que dirige a instância de poder judiciário que controla todos os processos- crime em Portugal poderá um dia, se necessário, controlar aquele que pode interessar sobremaneira a quem o escolheu. Tal e qual como na direcção do D.N. Marcelino lembra-se do telefonema de António Costa, (um pândego na política do PS que ainda ontem se riu da bandeira ao contrário depois de ter contribuído para assim a içar) para o PGR Souto Moura por causa do Pedroso, ex-futuro primeiro-ministro de Portugal? Lembra-se ou não?
E o actual PGR, tal como Marcelino, deu bem conta do recado, como se pode ver pela actuação dos mesmos ao longo destes seis anos, com destaque para os primeiros quatro. 
Aliás, quem escolheu ambos foi o mesmo grupo de interesses: os do poder socialista, então de José Sócrates, aliado ao poder mediático do ainda actual Oliveirinha dos desportos. É ver o que diz acerca disso o irmão do mesmo Joaquim, António, em entrevistas de há alguns meses. E o mesmo sabe do que fala, evidentemente.
Este é o único cargo do Ministério Público e da magistratura dos tribunais judiciais sujeito a designação pelo poder político. A escolha não tem área de recrutamento. Não exige requisitos especiais de formação. Mas sabe-se, por muito que Pinto Monteiro tivesse em determinada altura comparado a falta de poderes do seu cargo com os da Rainha de Inglaterra, que não é bem assim. O PGR manda, influencia, atrasa ou acelera, fiscaliza, inspeciona e, sobretudo, dirige a atividade do Ministério Público e tem a autoridade necessária para decidir processos criminais e disciplinares aos magistrados.

Ora sobre isto é que Marcelino se engana, mas só em parte que toma pelo todo Não se pode pedir tudo a um jornalista desportivo, para além do conhecimento básico das regras do jogo, mas pode esperar-se que saiba ao menos de certas tácticas, critérios desportivos assentes e ideias firmes sobre penalties. 
O PGR, ao contrário do que Marcelino escreve, não " influencia, atrasa ou acelera, fiscaliza, inspecciona". É precisamente por isso que o actual PGR chora baba e ranho sempre que é entrevistado na rua ou no gabinete. O PGR não influencia, a não ser através do seu voto singular no Conselho Superior do MP ou em negociações de bastidor que não faz. O PGR quando muito pode ser influenciado, mas este actual já disse que nunca o foi. Não precisou de o ser...
Por outro lado, o PGR não atrasa, acelera, fiscaliza ou inspecciona" processos a não ser naqueles que lhe são directamente remetidos por quem não sabe mais e entende que o PGR pode aquilo fazer. O PGR, em matérias de inquéritos quase que "racha lenha", porque a autonomia dos magistrados é suficiente para poder dizer "não" a um PGR intrusivo. 
Assim, o PGR não pode atrasar a não ser em processos e participações que lhe são remetidos e que eventualmente guarde na gaveta, como fez na impossível "extensão procedimental" do Face Oculta e ainda num requerimento recente que ainda não terá despachado sobre a reabertura do processo da licenciatura de José Sócrates ( apesar de ter dado andamento célere à investigação do caso Relvas, que já se sabia que era nado-morto). 
E aí sim! Foi esse um dos poucos casos em que o PGR fez a diferença e marcou golo, embora na própria baliza. Marcelino, como jornalista desportivo,  deveria ter visto a jogada mas estava distraído a olhar para o lado direito para ver o que dizia o dono da equipa. 
Marcelino deveria ter então percebido que é precisamente por causa desses momentos fulcrais do jogo que os treinadores são escolhidos. E daí a actual ronda de negociações de nomes intensos.

Por muito que também o PGR esteja sujeito, como é imprescindível que aconteça em democracia, à fiscalização de outros órgãos, como o Conselho Superior do Ministério Público, o poder é enorme e a sua acção temida por todos quantos andam na vida pública.

 O poder do PGR só "é enorme" se o mesmo o quiser exercer como este exerceu: com garantias dadas publicamente que tudo fará para não judicializar políticos com grandes e suspeitas  sombras de corrupção, no fundo quase todos. E no entanto, se o DCIAP fosse outra coisa que não é, o actual PGR teria sido inócuo nessa tarefa política de assegurar impunidade a políticos com grandes suspeitas de corrupção que até um tribunal assim considerou numa decisão que o actual PGR entendeu como "insólita". Et pour cause...
 No entanto desponta aí outro poder do PGR que Marcelino não se apercebe: é o PGR quem designa ao CSMP o director do DCIAP e este, melhor, esta actual, foi reconduzida no cargo porque estava a fazer um bom trabalho...tanto que até se colocou agora em bicos de pés para ser PGR em vez do PGR. 

É esse o enorme poder do PGR e só esse. E o actual exerceu-o plenamente e querendo exercê-lo exactamente assim porque é assim que entende o exercício. Daí a ausência de qualquer arrependimento ou má consciência, no momento da saída. Já disse que faria tudo como fez e que no início ainda aceitaria mais depressa o cargo, se soubesse o que sabe hoje. Não acredito que tenha sido por causa das viagens inúmeras que fez à custa do erário público, (para locais recônditos como Cartagena das Índias ou quejandos. É comparar com as viagens que Souto Moura fez...) e por isso é mesmo porque entende que um PGR deve ser assim- e de preferência ainda com maiores poderes.
Exactamente por isso é que sai pacificamente e sem polémica de maior ou ignomínias de primeira página em jornais tipo Diário de Notícias que crucificaram o anterior PGR Souto Moura por ter exercido um mandato com uma dignidade pessoal e profissional a que este nem lhe chega aos calcanhares. Sem o tal exercício do "enorme poder" que Marcelino lhe confere, mas com um enorme sentido de Justiça e dignidade profissional que só honrou a magistratura. Ou seja, o que este actual não foi capaz de fazer.
Ou será preciso lembrar a este jornalista desportivo as ignomínias escritas sobre Souto Moura enquanto PGR, na sua folha de papel de jornal ?

sexta-feira, outubro 05, 2012

...ou faz leis penais à medida.

R.R.:

O antigo Presidente da República considera lamentável a realização das comemorações oficiais do 5 de Outubro num espaço fechado e não como habitualmente na Praça do Município, em Lisboa.
Mário Soares explicou esta noite, em Alenquer, que para ele “não há cerimónia a sério sobre a República onde não esteja povo, nem no 5 de Outubro de 1910, que todo o povo foi para ali festejar a vitória, no próprio dia da revolução”.
“Como querem que agora se exclua o povo numa cerimónia destas”, questionou o antigo chefe de Estado.
Mário Soares considerou, por isso, “uma coisa lamentável” e deixou um conselho: “Quem tem medo compra um cão, como se costuma dizer”. 


Mário Soares, como alguém já escreveu " é arrogante, pesporrento e malcriado". Quem o disse por escrito em tempos ( no ano 2000) foi o então jornalista António Marinho Pinto, actual bastonário da Ordem dos Advogados. Disse isso e muito mais...e sobre o caso concreto de alguém que tem medo, comprar um cão, será bom lembrar a este indivíduo que goza de todas as condescendências dos media que deveria estar calado. Por uma simples questão de pudor.

"Em Coimbra, onde veio uma vez como primeiro-ministro, foi confrontado com uma manifestação de trabalhadores com salários em atraso. Soares não gostou do que ouviu (chamaram-lhe o que Soares tem chamado aos governantes angolanos) e alguns trabalhadores foram presos por polícias zelosos. Mas, como não apresentou queixa (o tipo de crime em causa exigia a apresentação de queixa), o juiz não teve outro remédio senão libertar os detidos no próprio dia. Soares não gostou e insultou publicamente esse magistrado, o qual ainda apresentou queixa ao Conselho Superior da Magistratura contra Mário Soares, mas sua excelência não foi incomodado.
Na sequência, foi modificado o Código Penal, o que constituiu a primeira alteração de que foi alvo por exigência dos interesses pessoais de figuras políticas.
Soares é arrogante, pesporrento e malcriado.
" - Marinho e Pinto que actualmente se dá muito bem com  o antigo presidente da República. A memória das pessoas é muito curta, como dizia o outro...

Um símbolo nacional ao contrário

Tal como aqui se diz, esta imagem que fixa o momento de hastear a bandeira nacional, neste 5 de Outubro, vale pelo simbolismo do status quo:


Greves ad usum delphini

A greve é a arma dos trabalhadores? Sim, mas só se os sindicatos de esquerda acharem que sim. Em Junho de 1974, a greve não era lá muito incentivada por socialistas e comunistas, como se pode ler nesta notícia na Vida Mundial de 7.6.1974.

Nessa altura, os trabalhadores dos transportes públicos, tal como hoje pretendiam lutar pelos seus direitos através da greve que até há poucos meses era manifestação proibida por lei.
Não obstante, o "partido dos trabalhadores", com a autoridade que tal estatuto lhe conferia, entendia que " Nas condições actuais- explicava um documento do PCP-a arma da greve deve ser cuidadosamente usada e só depois de esgotadas outras formas de luta através da negociação com o patronato e quando a resistência dos patrões impeça a conquista de reivindicações realistas".

O Partido Comunista nessa altura mostrava sinais de sentido das coisas e da realidade do momento. E por isso mesmo decretava a inoportunidade da greve.
Hoje em dia é o que se vê: greves por motivos estritamente políticos e sem qualquer ligação a reivindicações concretamente realistas. Greve pela greve, geral de preferência.

Na mesma altura o PS entendia de modo  igual:  as greves contribuíam para o caos económico...


quinta-feira, outubro 04, 2012

E porque é que este assunto nos deveria interessar?

Por isto, além do mais, escrito hoje no Público, por Pedro Lomba:



Aditamento em 5.10.2012:

E também por este motivo, hoje Sexta-Feira, explicado no Público por Vasco Pulido Valente:


Como o comunismo e o socialismo decapitaram o capitalismo português em poucos meses de 1974.

Em 1973 o semanário Expresso aparecido nesse ano publicava uma extensa reportagem sobre uma "mesa redonda ( era assim que se chamava) sobre as perspectivas da nossa Economia ( e não só) para o futuro próximo.

Convidados? Vários que se podem ver na imagem, com destaque para Lopes Cardoso, um esquerdista que foi do PS.


Como se pode ler a interrogação era sobre a hipótese de alargar a mais " famílias" endinheiradas e a empresas com escala a produção de bens ( actualmente dir-se-iam transaccionáveis) e serviços. Uma Economia em crescimento acelerado nos últimos anos, deparava-se com o problema da carestia do petróleo devido a crises políticas ( guerra Àrabe-Israelita).

Em Fevereiro de 1974, Marcelo Caetano em discurso apresentava o problema que tínhamos pela frente e que o fazia dizer que entraríamos num período de "vacas magras", como alguns ainda se recordam. A imagem é do Diário de Lisboa de 7.2. 1974 e pode ler-se o que Marcelo Caetano pensava da nossa Economia e futuro próximo: "esperam-nos dias difíceis". Nem sabia como estava certo...

Em 6 de Abril de 1974 saiu um jornal semanário que fora décadas antes um jornal satírico, chamado Sempre Fixe e que viria a transformar-se no pasquim mais comunista que jamais houve em Portugal fora da órbita dos partidos ditos como tal.
O Sempre Fixe, nesse primeiro número da segunda série publicou um artigo e um quadro sobre "os grandes patrões". A imagem dá para ver quem eram então aqueles que os syrizas actuais chamam "os donos de Portugal". Assim:

Com o advento do 25 de Abril, a Revolução política tomou caminhos e veredas que só os incautos não preveriam poderem acontecer- e aconteceram, tal como Marcelo Caetano previra e predissera.

Logo em 11 de Maio de 1974 o Expresso publicou um artigo extenso, na secção "bolsa" ( era coisa que então existia mas moribunda já, por causa do 25 de Abril) e era claríssima a mensagem aos empresários que ainda não tinham fugido para o Brasil e outras paragens helvéticas, no rescaldo do golpe e das ameaças sobre os "fascistas" que pairavam todos os dias desse Maio, após a junção de Mário Soares e Álvaro Cunhal no primeiro dia desse mês, no Estádio Nacional que asssim virou de nome.
O título é claro: "A iniciativa privada forçada a justificar a função social". Assim, tal e qual. E que significava tal coisa? O costume: os capitais tinham já fugido; a bolsa estava em crise e temiam-se mais fugas. A inflação espreitava com o aumento do preço do petróleo e das matérias-primas e faziam que a balança de pagamentos, em 1974, fosse previsivelmente deficitária. Quem o dizia era um tal Dr. Vieira de Almeida ( o advogado de uma das firmas do regime, actualmente).



Que fazer?, diziam então para si mesmos, os políticos da época. A situação agravava-se com esta circunstância bem previsível: 


 Evidentemente que os principais beneficiários desta barafunda foram os mesmíssimos que agora procuram dividendos políticos na actual situação de crise política que atravessamos: os comunistas e syrizas de vários matizes. A linguagem que utilizam actualmente as Catarinas e Louçãs e Arménios Carlos é sensivelmente a mesma e que caracteriza um princípio básico da sua luta política: quanto pior estiver o país, melhor será para eles e por isso tudo fazem para destruir a actual conjuntura política, com o fito de ganharem uns votos em futuras eleições-as quais se apressariam a suprimir, com argumentos de autoridade se alcançassem o poder executivo.

Em Agosto, o mesmo Expresso publicava uma pequena reportagem dando conta de uma iniciativa de alguns empresários que ainda não tinham fugido aos comunistas que não comiam criancinhas ao pequeno-almoço, mas que em breve se habituariam a engolir sapos vivos a todas as horas.
Os tais empresários eram de um movimento a que chamaram MDE/S e o tal jornal Sempre-Fixe já reciclado na agit-prop, dirigido por um tal A. Ruella Ramos, um esquerdista aburguesado, consideravam tal coisa como muito suspeita.

E no mesmo número entrevistavam um certo Morais Leitão ( cuja firma de advogados como seu nome é actualmente também uma das do regime e já tem um filho na "política") dizia coisas interessantes:

Não obstante estas iniciativas dos empresários que ficaram em Portugal, os comunistas e socialistas tinham outros planos bem diferentes para o futuro da nossa Economia.
Por exemplo, a Esquerda Socialista, onde pontificava um certo Jorge Sampaio, João Cravinho e outros actuais PS´s, não tinham dúvidas sobre o que desejavam para Portugal, apesar de terem idade mais do que suficiente para terem juízo:

E outro jornal da área socialista ( não havia outra, então), o República de 27 de Setembro de 1974 já adiantava prognósticos para a economia portuguesa que se vieram a verificar em pleno, meses depois:

Neste ambiente ainda acicatado pelos media na sua totalidade, incluindo rádios e tv´s, não é de admirar títulos como este na capa da Vida Mundial de Outubro de 1974.


Para onde ia a Economia Portuguesa? Ora, para onde ia: para o comunismo, direitinha. Tal como foi. E será isso que veremos como aconteceu.
E os tais empresários que ainda ficaram? Que se danassem porque a Revolução não contava com eles para nada, como não contou. Eram "fassistas". Reaccionários. Logo não tinham direito a nada.

Vai fermoso e não Seguro...

Expresso:


Hollande prepara mexidas na TSU idênticas às de Passos . 
 
E agora, PS?

 

Os comunistas, socialistas de esquerda e a liberdade de manifestação

Em 28 de Setembro de 1974 algumas pessoas descontentes com o rumo que os acontecimentos políticos em Portugal estavam a tomar, com uma preponderância da Esquerda comunista, a que o partido Socialista se associava sem peias, entenderam convocar uma manifestação, devidamente organizada e autorizada ( pelo Governo Civil) no Campo Pequeno, em Lisboa. Elaboraram um cartaz e algumas das figuras da comissão organizadora eram Fernando Cavaleiro, António Costa Félix, Manuel Sá Coutinho, Manuel Magalhães, António Sousa Macedo, Francisco Van Uden e José Filipe Homem Ribeiro Pinto.

Prontamente os jornais em geral, com destaque para os mais esquerdistas, classificaram estas pessoas de fascistas e a manifestação como algo tenebroso e abertamente fascista, também. As palavras então eram a arma, a par das cantigas de José Mário Branco e outros.
Para contrariar o eventual sucesso da manifestação e impedir a "reorganização das forças reaccionárias" a Esquerda comunista e mais a socialistas usaram logo o que em linguagem corrente se designava como agit-prop, propaganda de combate político e ideológico.
Em dois tempos desconstruiram o cartaz convocatório da manifestação e os jornais eram claros: a manifestação era um atentado ao 25 de Abril. Uma manobra da reacção para retomar o poder. Este mote foi de tal modo matraqueado que até o tímido PPD se demarcou da manifestação, vergonhosamente como se pode ler  aqui num recorte do jornal República, do dia anterior à manifestação, dirigido pelo jacobino maçónico Raul Rego. A linguagem do jornal não deixa dúvidas, para quem ainda as pudesse ter, sobre quem orientava politicamente o país, em termos ideológicos: o comunismo e o socialismo. Era esse o conceito de democracia que essas duas forças políticas conheciam então.
 O PS de então, já dirigido por Mário Soares, claro, era contra a manifestação e dizia em comunicado que " a vigilância popular será bastante para barrar o caminho à reacção".


A Intersindical Nacional ( era assim mesmo que se designava numa altura em que começou a luta política com outras forças sindicais ligadas mais ao PS para evitar a hegemonia unitária e exclusiva do PCP no sindicalismo)  apelou então, em anúncio no mesmo número do jornal em termos que hoje se tornam irónicos, tendo em atenção o que essa central sindical faz para trazer os seus apoiantes a manifestações...
Repare-se na linguagem de ontem e na de hoje, com o incrível Arménio Carlos:


A agitação e propaganda  eram e continuam a ser de tal modo que chegam ao ponto de citarem "os jornais" da reacção como sendo os veículos de propaganda fascista, quando se sabia então e agora ( quem ainda se recorda) que os únicos jornais que ainda defendiam um resquício de dignidade passada, antes de 25 de Abril e combatiam o comunismo rompante, em modo pífio, diga-se, eram a Rua, dirigida por um aventureiro Manuel Múrias e um Diabo, dirigido por uma mulher, Vera Lagoa, amiga de Natália Correia ( também ela comprometida com a Oposição antes do 25 de Abril e com tendências libertáriasm, ainda que a-comunistas). Nada mais havia nesses meses que se seguiram ao 25 de Abril. Nada mais. Nem estações de rádio, nem tv, nem revistas nem jornais. O Expresso não conta porque sempre foi um jornal situacionista e continua a ser. A Esquerda tomou tudo e tudo dominou nesses meses, pelo menos até meados de 1975 ( com o aparecimento do Jornal Novo dirigido por Artur Portela Filho, ele mesmo da Oposição ao antigo regime- escritor de A Funda e outros- e apesar disso a-comunista também. Tal foi suficiente para ser classificado de reaccionário e quase fascista por Vasco Gonçalves no Verão Quente de 75). Era esta a "ampla liberdade" que havia nos órgãos de informação a seguir ao 25 de Abril: muito menor do que antes dessa data porque os jornais e revistas eram quase todos da Oposição esquerdista, apesar da Censura.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Paulo Campos em entrevista

O indescritível Paulo Campos, que foi governante e responsável por renegociações de PPP´s e cujos rendimentos reais espera-se agora vir a saber, está na RTP1 a ser entrevistado.
O que disse até agora é tão embrulhado, tão sincopado, tão elíptico e tão confuso que suspeito que o entrevistador não percebeu patavina do que o mesmo disse sobre o que lhe foi perguntado, para além do exercício de desresponsabilização.

As respostas do tal Paulo Campos ( que não se sabe como chegou onde chegou no governo) assemelham-se a um diálogo entre pessoas com dialectos diversos. Incompreensível a não ser nos pontos em que nega qualquer responsabilidade em factos que indiciariamente apontam directamente para si.
Incrível. Espero que os investigadores do DCIAP o ouçam como arguido, se tal for o caso, e consigam perceber o que o mesmo quer mesmo dizer.
Para tal sugiro que sempre que o mesmo refira algum facto, lhe peçam para demonstrar no acto. Se deixam passar um minuto perdem o fio à meada.
O modo como este indivíduo se exprime é de tal forma tortuoso que desarma qualquer ouvinte com um módico de atenção. Num minuto está a dizer uma coisa ininteligível e no seguinte refere-se ao que disse antes do mesmo modo.

Em resumo: este indivíduo está bem de saúde mental?

A mitologia comunista portuguesa no traço de João Abel Manta

Em 1975 um comunista assumido e artista ímpar na caricatura e cartoon, João Abel Manta de seu nome, era publicado no O Jornal, com grande destaque das páginas centrais, em poster.
Aqui ficam dois- um de 7.11.1975 e outro da semana seguinte, 14.11.75 que exemplificam muito bem o conceito que os comunistas tinham da sociedade portuguesa, da luta de classes e da mitologia que lhe estava associada.
Passados 37 anos não mudaram nada, para além da retórica um pouco mais recatada.
O primeiro intitula-se "Democracia, sim. Populaça, não!" e mostra uma mansão que em Portugal supostamente era a morada dos "ricos", dos "capitalistas" e "monopolistas", exploradores do povo. À porta da mansão estão os serviçais, ataviados para as respectivas funções. À frente do casarão,  tirado de um qualquer livro de ilustrações do séc. XIX, os donos, apresentados como nas caricaturas marxistas mais típicas. O dono só não tem cartola porque já não era de uso...mas o charuto lá canta. A dona, enfim, a dona é retratada como uma figura saída dos livros das corridas de automóveis dos anos vinte...ajaezada com adereços como uma cigarreira tipo Greta Garbo ou gaja de cabaret.


No segundo poster, aparece mais um casarão do séc. XVIII, vazio e enorme em altura e reposteiros onde se chega apenas com escadas de bombeiros. No centro, ocupando o canapé, uma família portuguesa com certeza e daquelas que o autor estimava ideologicamente sobremaneira, apesar de ser nitidamente um filho da pequena burguesia urbana e intelectual .
A família portuguesa, naturalmente, é de famélicos e desvalidos. O pai, de chapéu na mão, pede desculpa não se sabe bem a quem ( ao autor do desenho?!) por estar ali, sem saber como nem porquê. A mãe é o retrato vivo do neo-realismo dos quarenta, dos Esteiros alentejanos ou estremenhos. Os cinco filhos, não esquecendo o de colo, com ar desenquadrado esperam que alguém lhes diga o que estão ali a fazer. O autor diz: estão a ocupar a mansão dos senhores e era assim que os comunistas portugueses entendiam a luta de classes. As ocupações de casas em 1975 foi mato, como se costuma dizer.Este tipo de casarões foi então ocupado por...organizações políticas, naturalmente de extrema-esquerda. Tinham o direito do povo e a autoridade que as tropa lhes dava. E assim ficaram, os syrizas de hoje.


PCP: comedores de sapos ao pequeno-almoço

Este recorte é do O Jornal de 4.7.1975, já depois das nacionalizações de 11 de Março desse ano e em pleno Verão Quente.

O O Jornal era então dirigido por Joaquim Letria, irmão de José Jorge Letria ( o do "Só de punho erguido a canção terá sentido" e que agora preside à SPA) e editorial cujo extracto se pode ler é um exemplo do que o comunismo português conseguiu em Portugal: o máximo de implantação nos sectores "intelectuais" e jornalísticos e que efectivamente preparavam o terreno propagandístico e de fundo para a tomada de poder político que se desenhava e anunciava sem grandes reservas. O económico já o tinham, com as nacionalizações. A crise económica também já a tinham garantido, com a estupidez habitual de escorraçar os que trabalham em causa própria em empresas privadas para obterem lucro e poderem criar maior riqueza. Dali a dois anos tínhamos a mãe estendida ao FMI. E dali a dez, outra vez na mesma miséria enquanto a Europa crescia economicamente, como a Espanha aqui ao lado. Nós, pelo contrário, tínhamos maior pobreza e maior disparidade entre os que ainda tinham alguma coisa e os que nada tinham de seu, excepto a força de trabalho, ou seja, os tais proletários que agora se chamam trabalhadores. Aqueles que o PCP engana sempre com os seus cantos de sereia a favor dos seus interesses, mas apenas com olho no comité central e no poder que podem alcançar para os privilégios que não desdenham ter.Alguns desgraçados, evidentemente, dão-lhes o voto em troca desse logro, desse embuste que já foi denunciado vezes sem conta , mas que nada conta quando os Arménios e Jerónimos lêem papéis escritos com letras garrafais a concitar greves gerais.

Na secção "discurso directo" do Jornal aparecem transcrições de declarações de figuras da época. Mário Soares, por exemplo, citado como dizendo que "O PS é um partido de esquerda que defende em Portugal uma linha original de esquerda: por isso nas suas decisões, é apoiado internacionalmente não somente por partidos socialistas, mas também por partidos comunistas."

Como se sabe, na época,  o PS recebia grandes quantidades de dinheiro clandestino vindo do PS alemão e outros da Internacional Socialista. Os comunistas de que fala Soares provavelmente serão os franceses, espanhóis ou italianos, todos do chamado euro-comunismo. Os demais, com destaque para o PCP, consideravam-no um simples traidor à causa socialista-comunista. Soares fora comunista e deixara de o ser. Ainda hoje os comunistas portugueses assim consideram- e desprezam-no por isso, todos eles, sem excepção.
Não obstante, Soares sempre que precisa dos comunistas apela ao seu voto. Como estes não têm alternativa melhor, engolem sempre o sapo que lhes é servido ao pequeno-almoço. Em vez de criancinhas, os comunistas comeram sempre sapos ao pequeno-almoço.
Soares foi presidente da República à custa desta peçonha engolida pelos comunistas e anda ainda na crista da onda política, actualmente, por causa disso mesmo.
Porém, como o partido Socialista, pela voz dos seus ilustrérrimos representantes, tipo Francisco Assis, já começa a tirar  o cavalinho da entente política conjuntural,  da chuva de greves e manifestações intersindicais, o PCP também já começou a repetir o estribilho de 1975: o PS está feito com a reacção, agora designada direita.

Os portugueses com esta farsa em repetição acelerada, quase quarenta anos depois, parecem nada ter aprendido com a natureza intrinsecamente anti-democrática do PCP e os aliados satélites siryzistas.

Na mesma secção desse O Jornal aparecem declarações de ministros como Correia Jesuíno um syrizista avant la lettre e que assegurava ao francês  Le Nouvel Observateur, ainda hoje dirigido por Jean Daniel ( o órgão de informação e de doutrinação ideológica daquele Soares) que o caso República nada tinha a ver com o PCP. Claro que não tinha, olha se  tinha! E o próprio Raul Rego, director do jornal e um jacobino maçónico que andava sempre com boina basca, também assim pensava e que afinal o caso teria a ver com a conjuntura económica adversa...

Será que os portugueses não aprendem com esta gente ou preferem ser enganados mais uma vez?


Assalto à investigação de um mistério

Expresso:

O contrato entre o Estado e a empresa alemã Ferrostaal sobre as contrapartidas pela venda a Portugal de dois submarinos foi ontem roubado, segundo revela hoje o "Correio da Manhã".
Os documentos foram roubados do carro quando Christoph Mollenbeck, representante da Ferrostaal, jantava com um amigo em Lisboa, perto da Cinemateca.
Segundo o mesmo diário, o Audi A6 foi "cirurgicamente assaltado" e não tinha quaisquer "sinais de arrombamento". Só quando Mollenbeck e o amigo e compatriota Kai Jusec chegaram a casa é que deram pela falta da pasta e do portátil.


Dois comentários: o primeiro é o de que o segredo de justiça neste caso parece importante, pelo menos durante uns dias- mas não foi respeitado. Alguém falou ao jornal e não deveria mesmo que o segredo de justiça ainda não tenha sido decretado. Este é portanto um dos casos que impõe que o segredo de justiça passe novamente a ser regra nos inquéritos, embora deva ser ressalvada a hipótese de se manter um leque alargado de situações em que não tenha que ser assim.
O segundo diz respeito ao acto em si, muito suspeito e que deveria implicar a responsabilização do representante da Ferrostaal. A demissão, evidentemente. Não se deixam documentos importantes num carro, assim sem mais nem menos. Se fosse na Alemanha a coisa não ficaria por menos. Por enquanto...

terça-feira, outubro 02, 2012

O neo-comunismo e a agit-prop

Em tempos já escrevi aqui, assim:

Em Setembro de 1974, a revista Seara Nova, dirigida por Rodrigues Lapa, publicou um artigo intitulado “O episcopado e o 25 de Abril”. O artigo, com colaboração de um frade, Bento Domingues, era ilustrado com um cartoon que assimililava a hierarquia da Igreja Católica à imagem do salazarismo de triste memória, ainda recente. O texto, acompanhava e distinguia “…muitos destes bons bispos não se salientaram mais a benzer instalações de bancos e noutras quejandas cerimónias, do que na defesa das classes trabalhadores ?”

Em Setembro desse mesmo ano, estas contradições ideológicas iriam suscitar a reacção daqueles que ficaram de repente sem voz, por lha terem tirado em 25 de Abril aqueles que antes se viram privados de exercer livremente a sua expressão ideológica e política.
Em 28 de Setembro foi convocada para o Campo Pequeno uma manifestação daquela “maioria silenciosa” que se revia em Spínola e rejeitava o extremismo comunista.
Para a convocação, foi elaborado um cartaz, com uma imagem pouco conseguida, desenhada por Quito( Francisco Hipólito Raposo) e que foi imediatamente aproveitado, pela reacção de sinal oposto que o redesenhou e apresentou em termos totalmente desconstruidos. Em vez de “maioria silenciosa” passou a figurar “minoria tenebrosa” e a palavra de ordem “abaixo a reacção”!
É de notar que o cartaz da direita apresenta a chancela do MDP/CDE, um movimento satélite do PCP, dirigido na época por José Manuel Tengarrinha cuja figura era constante nos media de então e que depois disso se eclipsou. Nunca soube porquê...mas pode haver quem saiba.

A táctica de aproveitamento do próprio cartaz onde se apelava à manifestação da tal "maioria silenciosa" ( expressão que julgo de origem francesa e gaullista) parece típico da manobra de propaganda comunista. 























Quito era um cartoonista da revista Observador cujo primeiro número saíra em Fevereiro de 1971, e poderia considerar-se o melhor símbolo jornalístico do marcelismo.



Imagens do neo-comunismo

Esta é de Setembro de 1974, publicada também no Diário de Lisboa, na sequência dos acontecimentos do 28 de Setembro.
É reparar na onda de prisões e nos nomes dos presos, sem dúvida todos "fascistas" de gema. O falecido Artur Agostinho só porque apresentava programas de tv tipo variedades ( No tempo em que Você nasceu. por exemplo) era um perigoso fascista, como o era a Amália que se desunhou para obter o reconhecimento "democrático" o que aliás demorou ainda um certo tempo e para os comunistas nunca o foi verdadeiramente.
Com o comunismo é assim mesmo: os nomes determinam a acção. A mudança das palavras é a magia que transforma a realidade. Os tais "fascistas" presos nunca foram julgados, estiveram alguns deles meses sem qualquer acusação formal ou mesmo informal, à ordem dos militares progressistas, os tais que conferiam autoridade ao direito natural dos comunistas mandarem prender...

Evidentemente também os mais novos não sabem disto e pensam que o PCP e os siryzas são organizações partidárias perfeitamente democráticas e defensoras dos trabalhadores.
Foi agora republicado o Livro Negro do Comunismo, mas a memória história, essa, só permanece em quem a viveu e em quem a tem.

segunda-feira, outubro 01, 2012

O Neo-PREC

O novo PREC está aí. Os nacional-siryzas mais os comunistas do PCP estão outra vez em euforia revolucionária. Para já são apenas manifestações, greves etc e tal. Mas depressa chegará o tempo da acção mais coerente. É só esperar para ver.

Para acompanhar tais circunstâncias extraordinárias vou tentar publicar regularmente páginas de jornais da época sobre esse primitivo PREC, agora transformado em neo-PREC, com os mesmos indivíduos, em alguns casos e a mesma ideologia comunista, desta vez mascarada em algo indefinido e a contar com a ignorância atroz das novas gerações.

Em Setembro de 1974, na sequência da tentativa de "golpe da reacção" em 28 de Setembro e que se transformou em contragolpe por artes e manhas daqueles, o ambiente nacional, ou pelo menos nos arredores de Lisboa era este que a foto mostra: um grupo de "populares" em grande afã a...revistar carros particulares que entravam em Lisboa, para deter os reaccionários. Na altura, a "iniciativa" partiu da Intersindical, do MDP/CDE, do PCP e do PS. A Esquerda unida com que tanto sonham os nacional-siryzas.
Torna-se muito curioso o diálogo entre um dos automobilistas revistados e um militar de "Abril" na "madrugada vigilante". É ler, com um clique na imagem...



O principal problema do governo: os Borges

Este:

O professor Marcelo Rebelo de Sousa considera que “o problema de António Borges é o Governo”.
“O Governo confiou nele, na base da competência que tem, mas porque entende que aquelas ideias são correctas. Não é António Borges que está a impingir à força as ideias a quem não quer acreditar, o primeiro-ministro e o Governo gostam daquelas ideias e entendem que são boas”.
Segundo o comentador, o Executivo “mesmo quando recua, recua violentado porque acha que as ideias eram boas e que o país foi troglodita por não perceber as ideias”.
De recordar que António Borges é consultor do Governo para as privatizações e este sábado disse que os empresários portugueses são “incompetentes”, o que levantou um coro de protestos.

Ou o Governo explica muito bem o que anda a fazer, de modo que as pessoas em geral entendam e aceitem as ideias dos Borges ( Macedo e António) ou vamos ter borrasca política e das grandes, com este inenarrável Arménio Carlos ( ontem serviu-se de umas cábulas rabiscadas em letras garrafais para apelar à greve geral...) e os siryzas todos à solta.
A Esquerda já cavalga novamente outro PREC e até que a generalidade das pessoas perceba que foi exactamente essa Esquerda quem nos desgraçou como país, por causa do ódio aos "patrões", "monopólios", "mercados", etc, numa palavra ao capitalismo, ainda vai demorar. Se não entenderem então estamos mesmo fritos e alcançaremos o patamar da Grécia num instantinho. E é isso que a Esquerda quer a todo o custo.
Em 1975 caparam o capitalismo português. Dali a dois anos estavam de mão estendida à caridade estrangeira do FMI. Agora, não querem essa caridade. Acham que o dinheiro aparece nas árvores...
Tal como em 1975 a receita é sempre a mesma: quanto pior, melhor para eles.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso