sexta-feira, dezembro 06, 2019

A nossa pobreza é de esquerda que aliás se orgulha do feito...

CM de hoje em que indica as entidades mais ricas do país.  A mais rica é uma família, a do falecido Américo Amorim. A fortuna advém da "Corticeira Amorim" e da "Galp" que nem sequer lhe pertence porque é activo disperso por outros.
A seguir aparece a família do Pingo Doce. Depois, com menos de metade da fortuna, um tal Vítor Ribeiro e família, da área de construção civil.

São estes os ricos que temos e que evidentemente não tem dinheiro para mandar cantar um cego nas grande empresas que foram nacionais e agora são estrangeiras. Quem não entender isto parece-me que não entenderá o país.


Somos pobres e quem nos empobreceu não precisa de apresentações detalhadas porque são sobejamente conhecidos: o PS e a Esquerda em geral, incluindo um certo PSD ( o de Rui Rio...) que decapitaram a indústria nacional há um pouco mais de 40 anos e nunca admitiram a recuperação "capitalista" que nos permitiria a criação de riqueza mais sólida e o aumento destes milionários em vez dos de capoeira que temos.
Foi neste meio que vicejou um BES/GES e fatalmente lhe sofreu os efeitos, desfazendo-se em corrupção e  jogadas de bastidores pouco dignas com angolanos e outros arrivistas de circunstância.
A história da derrocada não tem muitos anos...porque o grupo nem sempre foi aquilo em que se tornou. Em 1989, no início da reconstrução não era assim, embora os germes lá estivessem:


Depois, tudo passou por aqui, por esta casa bem conhecida do actual presidente da República Sábado 20.5.2005):


O recorte destas figuras mostra bem o que fomos e continuamos a ser: pobretanas, desonrados e miseráveis, moralmente. De quem a culpa disto? Dos mesmos que enunciei acima e de quem neles votou, o povo que lhes deu maiorias eleitorais para fazerem isto que está à vista e destruiu a esperança que um país legitimamente deve ter.

Só falta aqui um que aliás já nem aparece no elenco dos actuais ricos: Belmiro de Azevedo e família, com destaque para a finória que dirige o investimento no Público, jornal de suporte desta cangalhada ideológica.
Esse ficou fora da jogada que os quatro à direita, na foto, prepararam. Com ajuda de poderes instalados e propícios.



Tudo isto começou em 1975, com um ataque feroz "aos milionários". Com um governo de esquerda, de pendor comunista e que não mudou o regime porque não conseguiu. Em 25 de Novembro de 1975 foi impedido, mas tentou.
Eram estes os líderes, segundo o livro  "O ataque aos milionários", de  Pedro Jorge Castro:



Esta imagem, do mesmo livro mostra os demais protagonistas. Os de cima, à esquerda são dois socialistas de gema democrática, antifassista que se aliaram naturalmente àqueles. O primeiro, já falecido era o "decano" dos economistas do PS, um dos pais das bancarrotas a que tivemos direito por obra e graça daqueles. O outro logo a seguir é um advogado de sucesso na actualidade, daqueles que asseguraram o futuro e mandam nas leis e interpretações adjacentes, como os sérvulos e demais gente da advocacia de certos negócios em que o Estado está quase sempre presente.

Abaixo, Champalimaud, então a "sétima fortuna da Europa" e que tendo sido espoliado, reconstruiu a fortuna, veio para cá e deixou uma fundação que é o que a de um certo Mário Soares nunca poderia ser...mas que não deixa de ser o paradigma do socialismo: viver com o dinheiro alheio, enquanto dura.


O "ataque" em prol do empobrecimento geral do país, motivado pela Esquerda e com a ideia de enroquecimento que lhe é característica consistiu nisto, com fonte insuspeita ( os trostskistas que escreveram o livro, com destaque para fra Louçã, o filho do comandante acagaçado num barco de guerra, ao largo do Terreiro do Paço, em 1974...):



A verdadeira origem da nossa miséria actual está aqui explicada e espelhada. Haja quem desminta.

O que deu este "ataque aos milionários"? Simples, deu nisto, noticiado dez anos depois:

O grandes gestores nacionalizados, nossos, deram com os burros na água e provocaram duas bancarrotas, com reflexo mais tarde na terceira. Foram bancarrotas porque obrigaram o país a recorrer e empréstimos externos muito gravosos que empobreceram todos os portugueses e conduziram a que os actuais ricos sejam aqueles acima identificados. Não há outras razões para tal, por muito que se esforcem os autores daquelas façanhas por desmentirem os factos ou aldrabarem as razões.



Ao falhanço rotundo na modernização económica chamaram-lhe "elefantes brancos"...dez anos depois do 25 de Abril de 1974, como se nada tivessem a ver com o assunto:


Um dos fautores ideológicos desta tragédia colectiva é um indivíduo, do PS que passa por sábio e é, a par de um tal Vítor Constâncio,  uma das maiores misérias intelectuais que há no país, por uma razão: faz tudo por bem e só provoca males maiores:


E porque é que o PSD é co-responsável desta miséria nacional? Por isto, sucintamente, aqui num artigo do Expresso de 1989:



Poderia ter sido de outro modo? Claro que podia! Até havia quem o dissesse, sempre, sem tergivesações. O problema é que a pessoa não era de esquerda, não estava enfeudada aos interesses entretanto instalados e foi sempre ignorado. Este aviso, no Semanário então também dirigido pelo actual presidente da República, é de 1.3.1986, antes das eleições presidenciais que deram a vitória ao
 (a)fundador Mário Soares:


O que ficou de tal "ataque" de repercussões históricas? Já foi escrito, pelo jornal do regime instalado, logo em 1989, altura em que ainda haveria algum remédio possível:




Mas não foi possível, porque os interesses instalados dos tais gestores nomeados pela Esquerda conluiada, conduziu a um impasse que durou décadas e destruiu quase tudo à nascença e por mediocridade garantida à Esquerda:


Um antigo marcelista,  vinte anos depois do 25 de Abril e reconvertido às delícias dessa gestão,   explicava no Público, dirigido então por outrém que não a cambada que lá está agora, o que acontecera:



E quem foram os herdeiros desta miséria forjada pela Esquerda que temos? Naturalmente, indivíduos de esquerda...pudera!  É comparar...olhando o grupo de pindéricos que surgiu por causa disto tudo:




Para além disso que não é pouco e significa a tragédia shakespereana do nosso país que "deu novos mundos ao mundo", ainda houve mais esta, de significado ainda mais retumbante e duradouro. Aliás e possivelmente a maior tragédia de todas e que ainda perdura e continua, com esta Esquerda miserável:


Tudo isto tem sido apresentado neste blog ao longo dos anos, no sentido da compreensão destes fenómenos.

Aliás, para compreender uma boa parte disto bastaria ler estes livrinhos relativamente recentes:



Finalmente é minha convicção que a direita portuguesa, se existe, não irá a lado algum politicamente relevante enquanto não desfizer os mitos da sociedade portuguesa, inventados por essa Esquerda, nomeadamente os que dizem respeito a estes assuntos.

Enquanto não se denunciar claramente e com argumentos relevantes e aceites pela maioria de quem vota, esta tragédia nacional que aconteceu e quem foram os seus autores, a direita ficará sempre pela miséria de votação que tem.

ADITAMENTO em 7.12.2019:

O Sol de hoje traz um artigo sobre o que sucedeu com algumas empresas do grupo GES/BES, nomeadamente as seguradoras. Na altura da "resolução" apareceu a liderar o processo um tal Vítor Bento que então aparecia muitas vezes na tv a perorar sobre economia e assuntos paralelos. Tornou-se uma star, cuja careca ficou bem à vista depois disto:


Isto faz lembrar o que aconteceu com aqueles "elefantes brancos" de há trinta anos e que engordaram nos dez anos anteriores até se tornarem insuportáveis na espelunca em que Portugal se tornou, por mor dos "gestores" que tivemos. Um deles que lembra este era um tal Sousa Gomes, muito versado em política e que acabou a acaparar o padrinho destas bancarrotas todas, Mário Soares.

Enfim, uma desgraça, uma tragédia que se repete quando se deveria ter aprendido melhor.

quarta-feira, dezembro 04, 2019

De catamaran para burro...

Observador: 



Just a boy...giving it all away


Observador:

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, nomeou para o seu gabinete um técnico especialista com apenas dois meses de experiência profissional. Trata-se de Gonçalo Martins dos Santos, que, na nota curricular já publicada em Diário da República, apresenta como experiência o facto de ter sido “analista fiscal da Deloitte & Associados, SROC, S. A.” — mas apenas de “setembro a outubro de 2019”. Ou seja: apenas nos dois meses que antecederam imediatamente a nomeação.

Fonte oficial do Ministério do Ambiente, após ser contactada pelo Observador, justificou a escolha, dizendo que que as “áreas de especialidade aferem-se não só pela experiência profissional como também na área de formação, no caso em fiscalidade“. De facto, além de licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Gonçalo Martins dos Santos, como destaca a mesma nota curricular, frequenta o mestrado em Direito Fiscal. Mas esse grau — que, segundo o ministério, compensa a ausência de experiência — ainda não está terminado (o aluno encontra-se a preparar a tese).

Gonçalo Martins dos Santos — que remeteu esclarecimentos para a resposta do ministério — tem mais algumas formações complementares. Tem uma pós-graduação em Corporate Governance no Centro de Investigação de Direito Privado da FDUL (que durou 5 meses), mais direcionado para a matéria fiscal, e apresenta no currículo um “curso breve em Digital Taxation, pela Universidade Católica Portuguesa”, um curso que tem a duração de cerca de 14 horas.

O novo técnico especialista não colocou no currículo a experiência associativa, mas presidiu a uma das mais importantes associações de estudantes do universo académico de Lisboa. No ano letivo 2017/2018, foi presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, organização que, no passado, foi presidida por figuras como Jorge Sampaio, Durão Barroso e Pedro Santana Lopes
.

Confesso que ao ler esta notícia com semelhante currículo me acorreu à memória uma canção de Roger Daltrey, de 1973. 
Foi um single da época, de sucesso, cuja letra apenas refere a natureza perdulária da juventude. Claro que é o oposto deste caso singular, mas a música perdura: "just a  boy". Um rapazola...deste chuchialismo de estado.
E no entanto talvez não seja assim tão despropositada, a letra. Afinal, o rapaz,  desistiu da "luta"...e entregou-se ao estado deste Estado.



O rapaz tem sítio da rede de ligações e conta já com várias centenas de contactos. É já um "sistema".





terça-feira, dezembro 03, 2019

Insultos à inteligência comum...

Daqui, sobre a audição parlamentar da gente da RTP sobre a  supressão temporária de um programa muito desagradável para o governo socialista, em época eleitoral...



Toda a gente entende que esta senhora Flor Pedroso, familiar de socialistas e colocada a presidentear um departamento na RTP,  por quem manda na estação e a tutela, está a dizer a verdade: não foi preciso pressioná-la para coisa nenhuma. Ela sabia perfeitamente o que devia fazer. E fez...

Daqui sobre outras pressões...


Esta senhora foi designada para presidenta da Fundação Luso-Americana, em 2010,  por quem? Pelo então primeiro-ministro José Sócrates...

Também nunca precisou que a pressionassem. Ou daí...talvez, mas enfim.

segunda-feira, dezembro 02, 2019

A prova indirecta no processo Marquês

No CM de hoje há três factos que integram a prova indirecta, insofismável quanto ao significado real e valor inerente sobre o que está em causa no processo Marquês, ou seja a corrupção do antigo primeiro-ministro. Tais factos resultam do depoimento de um co-arguido, precisamente aquele que aparece como "testa de ferro" e intermediário no esquema de corrupção, Carlos Santos Silva, também envolvido no mesmo.

O primeiro facto é o de ter afirmado nada saber sobre a existência de um documento em que se declara que no caso da sua morte, a parte mais substancial da fortuna de que é titular, 80%, passaria para a titularidade de um primo de José Sócrates, que aliás tinha sido outro intermediário naqueles esquemas, antes de se tornar público o seu envolvimento no caso Freeport, José Paulo Pinto de Sousa.



O segundo facto tem a ver com a circunstância de pagar os descontos para a Segurança Social do então motorista (!) de José Sócrates. Disse que não sabia nada disso.


O terceiro facto está relacionado com a circunstância de o antigo primeiro-ministro deter na sua posso, desde sempre, um quadro, uma pintura a que foi atribuído o valor de  várias dezenas de milhar de euros e que fora adquirido pelo mesmo Carlos Santos Silva. Justificação: o quadro era seu mas era muito do "agrado" do arguido José Sócrates e por isso foi para casa deste. Quando é que foi parar a casa do mesmo? Não sabe porque não se lembra.

Estes três factos a que se junta uma miríade de outros constituem a chamada prova indirecta. São factos cuja realidade não permite outra interpretação, segundo as regras da experiência comum, que as normais, aceitáveis para toda a gente, incluindo um juiz de instrução.
Afirmar o contrário e desligar tais factos de tal interpretação é simplesmente estulto e representa autêntica denegação de justiça.

Na mesma edição do jornal um editorial relata a discriminação dos jornalistas do CM e grupo editorial ( centenas de profissionais) e afastamento dos mesmos de um debate organizado pelo Sindicato dos Jornalistas a propósito de "desafios que enfrentam os media".


Apesar das grandes reservas que me colocam os artigos assinados pela jornalista do "pente fino" e outros a propósito de factos que são manipulados para acondicionar o sensacionalismo informativo,  desvirtuando a realidade, devo dizer que o CM é o jornal que compro, regularmente para ler o que se passa no país, quanto a fait-divers e pouco mais.
Quem quiser fazer um retrato do Portugal actual tem neste jornal um espelho que lhe devolverá alguma fidelidade nessa imagem real e em tempo real, diário.

O jornal não integra interpretações dessa realidade, através de comentários adequados, omite algumas, censura outras e condiciona alguma informação, como no caso dos episódios de violência doméstica que decidiu relegar para páginas interiores eventualmente com bons propósitos. Tem ainda alguns "colunistas" que não prestam para nada porque dizem banalidades ou escrevem irrelevâncias, mormente em assuntos de justiça, como é o caso de Rui Pereira, a maior parte das vezes e um tal Pedro Mourão, juiz de direito e representante de um sistema de justiça, a nível de tribunais superiores, que não deveríamos ter.

Enfim, não se pode ter tudo mas o balanço não pode deixar de ser positivo.

Quem discrimina tais jornalistas está objectivamente a prestar uma homenagem do género que o vício presta a uma certa virtude...e o pior é que o fazem por motivos estritamente ideológicos. De esquerda, claro está. Comunista, por supuesto e socialista por vocação.

Depois lamentam estar na falência...

ADITAMENTO em 3.12.2019

Continua a mostra de prova indirecta no CM de hoje:


E continua a diatribe do seu director com o Sindicato dos Jornalistas:

O teor do editorial refere-se a uma resposta da presidente do SJ ao editorial de ontem. Não vi tal resposta em lado algum, no sítio do Sindicato.
Porém, vi o cartaz que anunciava a Conferência que ainda decorre, hoje, sobre a problemática do financiamento dos media.

Palestrantes de ontem e de hoje:



Pela amostra de ontem se pode ver o grã refinamento do pessoal que lá foi dizer algo sobre o financiamento dos media.

Afonso Camões está apresentado há muito, muito tempo. É "o Coiso"...que José Sócrates indirectamente mandou para o JN e por lá ficou porque o Proença, da Coisa, manteve-o.

Ricardo Costa, da SIC também tem apresentação de luxo. É o cretino de serviço no Expresso e edições adjacentes.

Sérgio Figueiredo, nem se fala...mas, será mesmo isto um jornalista?  É que não parece nada.

Manuel Carvalho...mais palavras para quê?!

O resto dos palestrantes da "mesa redonda" são representantes do jornalismo conformista que nunca por nunca atentarão contra aqueles. Não lhes compete desmascarar a mordaça que os tenta condicionar, chamando-lhes fascistas, de extrema-direita e outros mimos, com o alto patrocínio do Sindicato deles.

Prova? Hoje aparece um "ex-eurodeputado" ( !) para falar. É o do Livre, o Tavares da Joacine. Who else? Já foi crismado por um leitor de livros como o fundador de um "partido de esquerda não marxista"...o que é uma bela piada tipo Groucho Marx.

domingo, dezembro 01, 2019

Creedence Clearwater Revival, maiores que os Beatles...em 1969

O postal que segue baseia-se noutro que aqui escrevi há uma dúzia de anos e versa sobre um grupo americano essencialmente do final dos anos sessenta do século que passou, os Creedence Clearwater Revival.

Nos EUA, há 50 anos,  este grupo era porventura o mais famoso e até vendia mais discos que os Beatles.
O ano de 1969 foi dos mais importantes na música popular o que já é reconhecido há muito, como mostra esta edição da Guitar World de Junho de 1999.


Nesse ano o grupo publicou três discos grandes, lp´s, cujos singles foram sucessos nas tabelas de venda de todo o mundo.

Os discos eram estes, na edição original da Fantasy Records americana. A edição original destes lp´s não estava disponível em Portugal na época, a não ser para quem viajasse para os EUA e lá os comprasse. Era esse, aliás, um dos modos de alguns terem acesso a estas obras originais que suplantam as edições locais e de outros lados, incluindo as edições inglesas.
Nos anos oitenta consegui arranjar edições espanholas destes discos, cujas prensagens deixam muito a desejar relativamente a estas, muito superiores no equilíbrio dos sons e clareza de reprodução dinâmica, para não falar nas próprias capas, cujo cartão é de outra consistência, mesmo na impressão cromática:



Actualmente, porém, será possível adquirir todos os discos do grupo em lp´s com uma qualidade idêntica ou eventualmente superior aos próprios originais ( já testei tal diferença com o disco Pendulum). E aparecem numa caixa...com um preço adequado à qualidade oferecida. Mas para tal será preciso procurar algures que não no sítio original que indica a indisponibilidade do produto...





Born on the Bayou, contendo o single por excelência, do grupo, Proud Mary, saído em Janeiro de 1969, assim recenseado pela revista Guitar World em número especial de Junho 1999:




Green River, em Agosto de 1969 e que continha as músicas do single  Bad moon rising e Lodi. Os Creedence estiveram em Woodstock.





E Willy and the poor boys, em Outubro de 1969


. 
A revista Uncut de Fevereiro de 2011 resumia claramente: maiores que os Beatles...



Em Portugal também eram figuras de sucesso. Este é um single de 1969 editado por cá:



Nessa altura o Jornal de Notícias, mesmo com lapsos de escrita trazia essa mesma foto, que recortei.




A revista Mundo da Canção, lançada em final de 1969 deu-lhe atenção em  Setembro de 1970, no nº 10:




A revista americana Rolling Stone deu-lhe a capa em 21.2.1970:



Porém, em 5.4.1969 já tinha traçado um perfil do grupo, num escrito de Ben-Fong Torres:



   O primeiro Lp do grupo saira em Junho de 1968, intitulado simplesmente CCR. Continha a canção Susie Q, de Dale Hawkins e que começa de modo suave, com uma pequena frase de guitarra , com meia dúzia de notas que se repetem ao longo da canção e marcam um ritmo hipnótico, que porém nada tem a ver com as composições psicadélicas em voga nessa altura. Contém um pequeno efeito, no meio da canção em que entra a voz de John Fogerty, como se fosse transmitida por telefone. Em entrevista à Rolling Stone nº 649 de 4 Fev. 1993, J.F. dizia que lamentava ter inserido essa parte na canção, mas que foi a primeira canção de sucesso do grupo.
Os CCR foram o primeiro grupo de que gostei, na música popular. Mais que os Beatles, na época. 

Em 1969, a canção Proud Mary do LP Bayou Country, tornou-se um refrão de todos os dias: “rollin, rollin, rollin on the river...”
 Foi só essa, mas era o bastante para nunca mais despegar. A canção tinha uma característica que se repetiria noutras do grupo: a rítmica férrea, o tempo médio, com variações seguidas e em cascata que pareciam evidentes, e que eram sublinhadas pela bateria de Doug Clifford e pelo baixo de Stu Cook. A canção começa logo com uma dessas batidas em cascata e a meio, logo a seguir ao refrão, muda o tom e tem outra variação que sublinha a beleza da música simples, de sol e do, que um grupo composto por duas guitarras , uma ritmo e outra lead, a que se junta a guitarra baixo e a bateria, pode atingir.
O grupo era liderado pelo fundador John Fogerty, nascido em 1945 que além de compor quase todas as canções, produzir e arranjar as músicas, tocava guitarra solo e cantava como poucos na música rock. A voz, só por si, era um documento da vocalização rock.
A música dos CCR, em si, é um expoente do rock n roll, e nas palavras de Greil Marcus, nas notas do disco Chronicle, best of publicado em 1976, há pelo menos quatro canções nesse disco que literalmente o definem como uma forma musical e uma versão do espírito americano: “Proud Mary”; “Green River”, “Fortunate son” e “Up around the Band”. Cá por mim,, talvez se acrescentassem mais algumas: “Bad moon rising” de Green River; “Down on the corner” de Willy and the poor boys”; “Looking out my Back Door”, “Who´ll stop the rain” e “Long as I can see the light”, de Cosmo´s Factory; “Have you ever seen the rain”, um grande êxito e ao mesmo tempo uma canção que atravessou os anos como um clássico da música pop e que faz parte do disco Pendulum de Dezembro de 1970 que também continha Hey Tonight e Hideaway.

Have you ever seen the rain é uma daquelas canções que marcaram indelevelmente o gosto pela música pop. O tema é anódino: fala de chuva a cair num dia de sol, e metaforicamente de alguma coisa que pode correr mal quando tudo parece estar bem. Toca-se no tal ritmo médio e a variação sublinhada pela secção rítmica, de batida certa, sendo quase acústica e com um fio de órgão que acompanha a voz única de John Fogerty. É definitivamente uma canção de rara felicidade musical e está certamente entre as dez mais de toda a música pop, para mim.

Segundo John Fogerty, na entrevista já citada, um disco de rock n roll, feito como deve ser, deveria conter o seguinte: 1º, um bom título; 2º, um bom som ;3º ter pelo menos uma grande canção, que seja válida por si e possa ser cantada independentemente do disco; por último, um grande disco de rock n roll deve conter uma parte de guitarra original e apelativa e dá como exemplos, o início de Bad moon rising, Up around the bend e Born on the bayou, que contém acordes que encaixam nessa definição. É um som simples de tocar e soa bem numa pequena aparelhagem.
 Não é preciso uma grande sistema de alta fidelidade para apreciar toda a beleza da coisa. É essa a filosofia da música dos CCR, tal como definida pelo próprio génio do grupo que depois de um extenso interregno desde 72, altura em que o grupo se desfez até 1987, nunca mais tocou em público as canções antigas e que em 1973 publicou Blue Ridge Rangers; em 1975 o primeiro a solo, com o próprio nome em título e em 1985 Centerfield, a solo, seguido por último de The eye of the zombie.
A propósito da música dos CCR, as influências mais notórias radicam no rock n roll dos anos 50-60 e na música de Elvis Presley, Carl Perkins, Johnny Cash ou Jerry Lee Lewis. Por isso, o disco Green River, além do baixo eléctrico de Stu Cook, apresenta ainda em simultâneo um baixo acústico; a voz tem um ligeiro eco e a guitarra eléctrica e rítmica de Tom Fogerty, é ainda dobrada por uma guitarra acústica , tudo gravado em 16 pistas, uma inovação tecnológica para a época.
Em 1972, o grupo desfez-se por desinteligências entre os membros, particularmente devido ao facto de ser o grupo de um homem só e que impôs aos restantes membros a sua receita para o sucesso. Nessa altura, o score ia em oito singles e oito albuns de ouro, consecutivos .

E em Portugal, como é que o grupo era visto?


Na revista Mundo da Canção de Dezembro de 1970, o crítico Tito Lívio, escrevia “ CCR no limiar possível da comercialidade” , parafraseando a Rolling Stone que então já dedicara um número ao grupo (Fevereiro de 1970) e definia a música  como sendo um “rock simples, num retorno às fontes primitivas da pop, música colorida, sem problemas, jogando com o factor importante de uma voz poderosa extraordinariamente realçada. A construção das suas músicas obedece sempre ao mesmo princípio de efeitos antecipadamente garantidos: uma introdução de guitarra heavy, um trabalho vocal vigoroso, um improviso de guitarra e de novo uma parte vocal a finalizar.”

Era assim, a crítica musical nessa época. A acompanhar o texto, a fotografia a preto e branco dos membros do grupo sentados na relva, onde se destacavam as calças de ganga e as botas de cowboy, e que conferia uma imagem de marca que influenciava o gosto de quem começava a reparar nessas coisas. A foto podia ser esta:

Imagem: livreto que acompanha o disco Chronicles-the 20 greatest hits, de 1995 ( disco original de 1976).

Em 2002 a revista Guitar World Acoustic deu-lhe uma capa, de antologia:



sábado, novembro 30, 2019

Os advogados protectores do sistema

SOl de hoje:


CM de hoje:


Um deles é este: Rui Patrício. Um dos que "protege a verdade" para que não caia tudo em cima de quem manda.
São pessoas cuja moralidade assenta apenas num pilar: a do profissionalismo oco e sem referências morais, apenas estéticas ou úteis.

A "representação" a que se refere o articulista do Sol atinge paroxismos de vazio ético sempre que as evidências gritam o contrário do que defendem.

É preciso lembrar outra vez Shakespeare que escreveu numa peça de teatro a resposta antes do tempo ao repto de Lenine sobre " o que fazer?" , sobre o modo de melhorar um país.

"First, let´s kill all the lawyers!" 

Como a pena de morte acabou há muito tempo, agora basta que esta gente seja denunciada pelos males que fazem e espalham, sem descanso, nos processos em que intervêm deste modo e que desvirtuam a justiça, escondendo a verdade que conhecem muito bem. De gingeira...

sexta-feira, novembro 29, 2019

O jornalismo pente fino do Correio da Manhã está cheio de lêndias


Os advogados Rui Patrício, Rui Medeiros e Saragoça da Matta: especialistas em casos mediáticos em voga...e em curso no TCIC...
A comunicação social devia estar mais atenta a esta gente, por causa do seguinte:

No CM de hoje há três notícias a percorrer as páginas sobre o que se passou ontem e por estes dias no processo Marquês.

São três notícias importantes, relegadas para topo de página, em jeito de margem, mas deviam ser primeira página, bem exposta e explorada a preceito, em nome e para bem da democracia portuguesa. Sim, é disso que se trata. .

O CM nunca explicou com documento mostrado, o que o juiz Ivo Rosa fez para impedir a presença de jornalistas na sala onde decorrem os actos de instrução e ipso facto impedir o relato em tempo real do que se está a passar, no antro em que os protagonistas o transformaram: um sítio de mentiras e aldrabices, sem contraditório.  Nunca mencionou o teor do despacho que impede a presença dos jornalistas nem sequer o teor da decisão que lhes retira o estatuto processual de assistentes. Fá-lo agora em meia dúzia de linhas, dizendo porém o essencial: um tribunal superior decidiu e o juiz cuja decisão foi revogada fez de conta que nada foi decidido e continua a decidir em contrário. Onde está o procedimento disciplinar?  Os poderes do CSM têm medo de quem, neste caso? Do poder que está e que é afecto a esta gente? Se não é, parece e o que parece...

Percebe-se que os principais interessados em esconder do povo em nome do qual se deve fazer justiça, constitucionalmente, são os arguidos, implicados e seus advogados pagos certamente a peso de ouro vindo sabe-se lá de onde.


Repare-se agora na figura da direita, o advogado Rui Patrício que intervém no processo como tal. É um expert em direito processual penal e julga que tal lhe confere o direito arrogante de se impor mediaticamente como  habitualmente o faz. É daqueles advogados para quem a Justiça é um mero jogo de palavras e cujo princípio fundamental da verdade material nem deveria existir porque a formal é que deve prevalecer.

Há um outro advogado que aqui há uns tempos escreveu a fundamentação substancial do que se adivinha ser o despacho que impede os jornalistas de presenciarem os actos de instrução que é pública. É outro advogado virtuoso do direito penal cuja arrogância é similar à daquele, sendo ambos parceiros pensadores destas matérias e porventura noutras mais específicas: Saragoça da Matta.

A "tese" em questão foi publicada no i de 4.12.2015 é muito sucinta e risível, além de  inovadora na exposição de neologismos parolos ( "criminosidade")  :


O processo penal português tem uma estrutura clara no que diz respeito a sujeitos processuais, i.e., quem pode exercer direitos durante o processo, sempre visando o objectivo da lei: aplicar o direito e fazer justiça.

Temos, assim, os seguintes sujeitos: o tribunal, que é quem julga; o Ministério Público (MP), que é quem investiga e acusa (ou não!); o arguido, que é aquele a quem se imputa a prática dos factos suspeitos de criminosidade; o defensor do arguido, cujo papel não carece de explicitação; e o assistente (outros há que aqui irrelevam).
Centremo-nos no assistente, que constitui uma peculiaridade do direito português, posto que nos processos penais dos países da nossa família é sujeito inexistente.

Quem é o assistente? O assistente, diz-nos a lei, é um “colaborador do Ministério Público”, logo, um auxiliar na tarefa de “promover o processo”, auxiliando na investigação sobre a prática de um crime e sua autoria. Impõe--se também ao MP, por estar obrigado a um dever de legalidade estrita da sua actuação, i.e., procurar todas as provas e todos os indícios de molde a poder demonstrar todos os factos, seja os que contribuam para responsabilizar o arguido, seja os que levem a concluir pela sua não responsabilidade. O mesmo para o assistente, consequentemente, pois a prova é indivisível!

Consequência: o assistente, como “colaborador” do MP, tem sempre de ser alguém que, materialmente, objectivamente, “possa” auxiliar na “descoberta da verdade”. Mais: se a investigação passa necessariamente por “investigar a existência de um crime, determinar os seus agentes e a responsabilidade deles e descobrir e recolher as provas”, só quem possa “participar” nessas actividades é que poderá ser assistente. Sendo proibida a investigação privada, porque só realizável através de meios reservados ao Estado, óbvio é que para ser assistente, i.e., para poder “colaborar” com o MP, tem de ser alguém que tenha dados e/ou elementos necessários à investigação, dados esses que nunca podem ter sido obtidos por vias proibidas às próprias autoridades.

Qual o significado, então, de a lei admitir que em determinados tipos de crime “qualquer um do povo” (como dizia a antiga lei) possa ser assistente? Significa algo inequívoco de que quem tem o poder de decidir se tem esquecido: é que esse “qualquer pessoa” que em certos crimes pode ser assistente tem de, obrigatoriamente, ser alguém que possa materialmente ser “colaborador” do MP. Quem nada possa aportar à investigação não pode ser aquilo que a lei não permite que seja: colaborador do MP.

O “qualquer pessoa” é, por definição, quem possa substancialmente preencher o conceito de assistente. Não o “zé-da-esquina”, não “toda a gente”! Não é conceito oco!

Infelizmente, excesso de forma, carência de substância e muito pouco bom senso e espírito reflexivo têm levado a admitir a constituição como assistentes de pessoas que, por definição, não podem “colaborar” com o MP, i.e., que por essência não podem nunca ter o papel exigido pela lei. A lei quer que os que possam “colaborar” intervenham como assistentes, mesmo sendo “qualquer pessoa” que não as demais enumeradas taxativamente.

O que a lei nunca sequer imaginou é que o estatuto fosse dado a quem, por definição, nunca pode “colaborar” com o MP senão na difusão pública daquilo que, estando no processo, para bem de uma sã justiça aí devia ficar.


Triste, triste, é que só não entende a lei quem não a quer entender…

Seguindo esta argumentação coxa e que por isso nem peregrinou muito, não poderia haver assistentes em processo penal, para além dos determinados especificamente,  basicamente apenas os ofendidos. 
Todos os demais ou seja, os previstos na alínea e) do artigo 68º do CPP estariam incapacitados de se poderem constituir assistentes porque nem podem ajudar o MºPº...:

e) Qualquer pessoa nos crimes contra a paz e a humanidade, bem como nos crimes de tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, denegação de justiça, prevaricação, corrupção, peculato, participação económica em negócio, abuso de poder e de fraude na obtenção ou desvio de subsídio ou subvenção.

Segundo a peregrinação claudicante  o assistente, como “colaborador” do MP, tem sempre de ser alguém que, materialmente, objectivamente, “possa” auxiliar na “descoberta da verdade”. 

E como é que se define este auxílio ao MºPº? O coxo o diz, aos saltinhos: quase ninguém. 

E será com este argumento que se enxotam jornalistas incómodos da sala pública de um tribunal, em decisão inédita de lhes retirar um estatuto concedido e com decisão transitada em julgado. 

Será este erro judicial grosseiro? Se o for, temos pano para mangas de alpaca analisar, em sede de inquérito disciplinar. 

Se fosse o juiz Carlos Alexandre a fazer uma coisa destas que ninguém tenha dúvidas: já tinha um processo disciplinar há muito com decisão transitada em julgado e não estaria no TCIC. 

Então porque é que assim não será com este juiz Ivo? Alguém o diga e proclame. Alguém escreva o  que tem que ser escrito porque esta situação é insustentável. 

Talvez estes dois advogados possam ajudar a elucidar tal mistério da actual justiça portuguesa. Talvez...mais que ninguém. 

A trafulhice de Bárbara Reis

Leia-se este artigo da jornalista que chegou a ser directora do Público e o abastardou na senda que agora percorre, a das falsidades com eco ideológico. Na altura em que a escolheram, as pessoas da redacção e do jornal deram um tiro no pé, mas afinal era mesmo inevitável.
O jornal, tal como os palheiros,  não se faz sem palha, ou seja sem pessoas que pensem como pensa esta jornalista.
Daí o Público ser a loca infecta que é, com o director que está e a SONAE capitalista, "exploradora da classe trabalhadora" a financiar e subsidias os milhões necessários ao funcionamento.
O jornal serve-lhe os propósitos de paz social que pretende manter nas "mercearias", como lhe chamou um improvável Valentim Loureiro e por isso 3 ou 4 milhões de euros por ano parece-lhes preço razoável e pizzo aceitável nesta troca mafiosa.

Enfim, o artigo versa uma pretensa mentirola do "deputado Ventura", do Chega, verdadeira nemesis desta jornalista que já percebeu que estão a perder o pé, com pessoas destas como deputados.

Assim, optam por não falar nele mas estão sempre a mencionar o nome e se apanham uma pequena ponta por onde pegar fazem manchetes porque desacreditar quem não querem mencionar faz parte do jogo.

Repare-se na menção à palavra "coletes" e à omissão a outras palavras igualmente válidas e que legitimam a intervenção parlamentar.
O truque tem barbas e já foi usado vezes sem conta por um inenarrável como José Sócrates, para se defender de acusações concretas e contra-atacar quem as faz.


Com base na pretensa divergência factual organizam todo um argumentário para deslegitimar  e vilipendiar o deputado em causa, porque sendo factual que o plural não é o singular, um colete não são coletes, isso lhes basta para o jogo da trafulhice.

A esquerda é perita nestas jogadas e o PCP tem teses de doutoramento escritas no mesmo Parlamento, há décadas sobre estes sofismas.
Quem foi do PCP e teve antepassados no partido nunca esqueceu estes esquemas de trafulhice e por isso o carácter ficou moldado a tais subterfúgios.

Felizmente, este jornalismo fake, trafulha e ideologicamente demarcado tem agora contraditório à altura. Só que não lhe dão o mesmo espavento.

Ainda assim:

quinta-feira, novembro 28, 2019

Os cientistas sociais do jornalismo canalha do Público

O jornal Público assemelha-se cada vez mais a um panfleto da esquerda radical no espírito que anima a direcção do periódico.

Hoje tem dois artigos de "cientistas sociais", como é o caso do intelectual de Barcouço, o inefável Bonaventura e o fóssil comunista, Loff. Lendo-os, os vómitos de espírito surgem espontaneamente:


É inacreditável como este tipo de discurso, recorrente no jornal, contrasta com ausência completa de informação que o contradiga ou sequer questione. Uma prova?

Há cerca de quinze dias,  no passado dia 10 deste mês, o director do jornal exultava com a libertação do corrupto Lula da Silva por causa de uma decisão processual, polémica e juridicamente discutível por isso mesmo. A notícia ribombou como se fosse a libertação de um inocente...e até o título está errado.



Ontem foi notícia, relevante, para o caso, de Lula voltar a ser condenado, tendo mesmo a pena de prisão sido agravada. E não foi pelo juiz Moro...

Lula da Silva perde recurso no caso de Atibaia. Juízes sobem pena de 12 para 17 anos de prisão.
Ex-Presidente perde recurso relativo à pena de prisão por suspeitas de corrupção relacionadas com um imóvel em Atibaia. Juízes não só mantiveram condenação como aumentaram pena
.


Qualquer jornalista de vão de escada percebe a importância e valor de tal notícia e não vale no caso a circunstância de existir um jornal online e outro offline, porque foi neste que os editoriais e parangonas inflamadas fizeram então o seu curso. 

O Público de hoje, na edição impressa não traz uma única linha sobre esta notícia da nova condenação de Lula da Silva com agravamento da pena de prisão. Nada. 

Este jornalismo é um nojo e Manuel Carvalho o seu mentor. Anti-jornalismo, propaganda apenas em prol do esquerdismo dos "cientistas sociais"....

E julgam-se legitimados para tal porque o esquerdismo sempre foi assim, sem qualquer réstia de vergonha. Não lhe assiste tal ética.

Repito: não se percebe, a não ser por comparticipação na canalhice continuada, como é que a SONAE, uma empresa capitalista, continua a subsidiar este órgão de propaganda deste esquerdismo militante. É um problema de classe, de facto. Mas não de luta porque é para a evitar que são hipócritas.  

quarta-feira, novembro 27, 2019

Tancos: o respeitinho deixou de ser o que soía

Observador:

Depois de o diretor do DCIAP não ter permitido que António Costa fosse chamado como testemunha no processo do caso Tancos, durante a fase de inquérito, o primeiro-ministro irá testemunhar na fase de instrução. Costa foi arrolado pelo ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, que indicou o nome do chefe do Governo como sua testemunha de defesa.

Afinal o despacho apócrifo do director do DCIAP, Albano Pinto, com 30 páginas e a citar juristas de antanho para sustentar a inconveniência em faltar ao respeitinho, como soía, não valeu de nada. E ainda por cima é o próprio arguido quem requer a audição de Sua Excelência...

Enfim, o MºPº entrou por mais caminhos, com magistrados mais papistas que o papa, salvo seja. Muito maus, como aqui se explica nesta crónica de Eduardo Dâmaso, na Sábado da semana passada:


O Livre chamou a polícia para se proteger dos jornalistas...

Observador: 


Esta senhora deputada ainda vai surpreender mais e mais até ao momento em que as surpresas acabarem...

terça-feira, novembro 26, 2019

O esquerdismo aflito

Artigo de Irene Flunser Pimentel no Público de hoje. A escriba de folhetos anti-Salazar e o Estado Novo para quem tudo isso é fascismo com PIDE à ilharga, anda preocupada com a democracia. O alargamento das opções eleitorais e aparecimento de novos partidos como o Chega constitui por si só um ataque à democracia.
E já se predispôs no último parágrafo para a "luta". "Contra quem camaradas? Contra a burguesia!", pois a palavra pode ser uma arma, e "tudo depende da bala e da pontaria".

É por isso que a pontaria desta bala é um manifesto anti-democrático em que a escriba defende a democracia, tal como nos países cuja democracia defendeu se dizia que havia uma "luta pela paz".

George Orwell explicou muito bem o que tal significa, esta nova língua de pau e não admira que o Público tenha entre os seus articulistas,  totalitários do pensamento como esta Flunser que nada esqueceu e pouco aprendeu, vindo dos fósseis comunistas.



Por outro lado as leituras devem ter feito muito mal a este cronista do Correio da Manhã que se quer democrata sem ser fassista porque fica mal. Assim, o Livre do tal Rui Tavares e da Joacine é um partido de esquerda não marxista.

Se alguém souber o que isso é era um favor explicar...


Ivo Rosa e a sombra que governa o desconhecimento

Artigo de João Miguel Tavares no Público de hoje ( é preciso comprar o jornal, não está no sítio do jornal com acesso grátis...):


O assunto é já requentado porque tem vários dias, semanas até,  de prato feito. A proibição do juiz Ivo Rosa relativamente a assistência do público aos actos processuais durante a instrução do processo Marquês parece-me ilegal, abusiva e passível de procedimento de vária ordem, incluindo disciplinar. Mas enfim, é um entendimento que já expus por aqui e não mudei de opinião. Ou seja e para resumir, a instrução, fase processual que antecede um eventual julgamento é um acto que deve ser público e se o não for é preciso argumentar razões suficientes e de peso para tal ( por exemplo, ser muito prejudicial para as pessoas envolvidas, mormente vítimas, como é o caso de abusos sexuais de crianças). Há julgamentos que em regra são públicos e no entanto realizam-se com portas fechadas a estranhos ao processo, precisamente porque a lei consagra a exclusão de publicidade em certos casos. Não me parece que neste caso do Marquês haja qualquer situação que justifique a ausência e exclusão de publicidade.

Assim, no essencial, o argumentário do articulista está correcto. O que não está e ressuma desconhecimento em todas as vírgulas que inquina irremediavelmente o escrito e retira auctoritas a quem escreve é o seguinte:

Logo no primeiro parágrafo defino o juiz em causa como "picuinhas" porque tem fama de ser extremamente escrupuloso na interpretação das leis". Não é esse o caso. O juiz em causa é, sim, idiossincrático, ou seja tem um temperamento peculiar que em matéria de interpretação da lei processual penal tende a mostrar-se parcial, em defesa dos acusados e arguidos, principalmente quando são poderosos. É já um facto notório.

Em segundo lugar há um equívoco no escrito com a palavra "assistente". Assistente, em acepção comum é aquele que assiste. Mas em processo penal há a figura institucional do "assistente" que sendo alguém que assiste é-o de modo especial e apesar de não estar concretamente definido na lei é possível apurar o recorte preciso da figura estudando um bocadinho. Por exemplo aqui, à distância de um clique disponível para quem sabe alguma coisa ( por isso o tal se não sabe...porque pergunta?). Não é preciso ter um curso de direito para saber, basta ser jornalista com um mínimo de bestunto...

Se alguém quiser "assistir" na acepção que o processo penal lhe confere, tem que fazer um pouco mais do que se apresentar no acto. Tem que  adquirir poderes específicos para tal e que a lei prevê. Tem que ter legitimidade para tal, requerer tal, pagar taxa de justiça e ter advogado constituído. E se preencher todos os requisitos, como é o caso dos jornalistas que neste processo se constituíram assistente, pode então colaborar com o Ministério Público que é o titular efectivo da acção penal.

Ora a noção de assistente conferida pelo senso comum é um pouco diversa e mais ampla, naturalmente.

Significa isto que os jornalistas constituídos assistentes não deixaram de o ser como afirma o articulista, por obra e graça do juiz de instrução. Foram, sim, impedidos de assistir, mesmo sendo assistentes.
E isso é tanto mais grave porque se conhece publicamente, embora no processo não se saiba se foi oportunamente comunicado internamente via Citius, que já houve decisões de tribunais superiores a afirmar a qualidade de assistentes a tais jornalistas e portanto com direito a intervir no processo.

É por isso legítimo o artigo mas lamentável o equívoco que gera em quem não sabe destas coisas. E um jornalista deve ser o primeiro a evitar as "fake news". Não é assim?!

ADITAMENTO:

Entretanto e através de informação recebida toma-se conhecimento que afinal o juiz Ivo Rosa decretou por despacho que os assistentes que eram jornalistas deixam de ser assistentes. Ou seja, o articulista do Público acaba por ter razão ( involuntariamente?).

Nem sei que dizer, a não ser manifestar perplexidade. Nunca vi nada assim...pelo que presumo que o despacho judicial deve ter razões que a razão jurídica desconhece. Ou mãozinha amiga, por inspiração noutros escritos, sustentados em papel de jornal...talvez deste finório, quem sabe?
Pelos vistos este advogado também idiossincrático qb entende que não é qualquer pessoa que pode constituir-se assistente...e agora o juiz Ivo segue o mesmo conceito revogando decisões transitadas em julgado de juízes anteriores. Não é inédito, é até mesmo usual com este juiz. Huummm, isto cheira-me a grande esturro. Mesmo grande.

Vamos a ver onde é que isto vai parar e se o juiz Ivo Rosa vai continuar nesta senda. Vamos a ver...e vamos a ver também se estes advogados/joacines levam a melhor ou se o desaforo é para continuar.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso