O jornal i de hoje, em artigo assinado por Felícia Cabrita, conta que "o agente Pinho", autor material da documentação "confiscada" a uma mulher que os pusera à venda no OLX, já foi ouvido pela PJ, o que confirma duas coisas:
Em primeiro lugar que a PJ foi lesta a ouvir o agente Pinho, uma vez que se dá conta que tal aconteceu depois do semanário Sol ( ou seja, a mesma jornalista Felícia Cabrita) ter publicado a revelação, no passado Sábado. Ou seja outrossim durante o fim de semana e obrigatoriamente entre a tarde de Sábado e a de Domingo. Notável! Até entregou documentos em que provará que não foi ele o autor do terrível crime de furto, acontecido há décadas, como já se sabia e que nunca deveria ter autorizado a abertura de qualquer inquérito criminal.
Em segundo lugar confirma a existência de um inquérito criminal, forçosamente. Crime? Não sei. Se for o de furto, é ridículo e ainda mais se estiver a cargo da PJ tal investigação. Um abuso, a meu ver e de poder.
Quanto ao mais, a jornalista continua nas trevas da ignorância atroz: nada quer saber do crime em causa e a propósito disso nada questionou o coordenador Pedro Silva, com quem falou ou mensajou, salvo seja.
Alvitra ainda que a "mulher não prescinde dos documentos" mas "em termos práticos o inquérito deverá ser a arquivado". Porquê? Porque não terá sido possível determinar a autoria material do crime de furto. Furto, santo Deus!
Leia a lei, santinha! Leia a lei e faça as perguntas certas a quem de direito. Terá uma cacha maior que a lata dos que assim procederam.
E é isto o jornalismo de investigação que temos: a PIDE, o fassismo, os abusos de poder impunes, a irrelevância informativa, a ignorância...
segunda-feira, maio 25, 2020
domingo, maio 24, 2020
Orgulhosamente sós, mesmo quando.
Aos domingos, a partir das 11:00, a Antena Um tem um programa que pode ser escutado em "podcast" e dura há anos: A Cena do Ódio, animado principalmente nas escolhas musicais, por David Ferreira, filho de David Mourão Ferreira.
Gosto de ouvir o programa que mistura todos os géneros musicais e de todas as latitudes, antigos e modernos, sob um tema escolhido e numa lista criteriosa e sempre surpreendente como só o rádio pode ser.
No programa de hoje que ainda decorre, o tema é a Europa. Em determinado momento, passou uma música dos Kraftwerk, do disco de 1977, Trans-Europa Express, seguido de outras músicas e um poema do pai do animador, em que aquele declama o seu amor acrisolado pela Europa.
O filho, prestimoso no politicamente correcto antifassista, tratou agora de sujar o tema com uma observação espúria: a Europa celebrada pelo pai em 1965 era uma entidade que por cá não se via sequer como modelo ou referência, preferindo-se antes o Estado de "orgulhosamente sós".
Citando mesmo um discurso de Salazar da mesma época, disse-o, vituperando a figura de Salazar e enaltecendo por contraste a do pai, fazendo-o através da locutora que colabora no programa, Catarina Limão, certamente formatada intelectualmente para acreditar nessa baboseira, pelas madrassas da praxe.
David Mourão Ferreira? Pois, é um poeta "do amor", já falecido nos anos noventa e que sempre se adaptou bem, antes e principalmente depois de 25 de Abril de 1974. Nem é preciso dizer mais.
O que é preciso dizer é que Salazar não disse aquela expressão no contexto emprestado no programa do filho David.
Aqui fica a prova, com a reprodução do discurso em que tal expressão foi proferida, de 18 de Fevereiro de 1965, perante a Comissão Executiva da União Nacional.
E mais algumas páginas, antes dessa e do mesmo discurso que aposto este David nunca leu.
Gosto de ouvir o programa que mistura todos os géneros musicais e de todas as latitudes, antigos e modernos, sob um tema escolhido e numa lista criteriosa e sempre surpreendente como só o rádio pode ser.
No programa de hoje que ainda decorre, o tema é a Europa. Em determinado momento, passou uma música dos Kraftwerk, do disco de 1977, Trans-Europa Express, seguido de outras músicas e um poema do pai do animador, em que aquele declama o seu amor acrisolado pela Europa.
O filho, prestimoso no politicamente correcto antifassista, tratou agora de sujar o tema com uma observação espúria: a Europa celebrada pelo pai em 1965 era uma entidade que por cá não se via sequer como modelo ou referência, preferindo-se antes o Estado de "orgulhosamente sós".
Citando mesmo um discurso de Salazar da mesma época, disse-o, vituperando a figura de Salazar e enaltecendo por contraste a do pai, fazendo-o através da locutora que colabora no programa, Catarina Limão, certamente formatada intelectualmente para acreditar nessa baboseira, pelas madrassas da praxe.
David Mourão Ferreira? Pois, é um poeta "do amor", já falecido nos anos noventa e que sempre se adaptou bem, antes e principalmente depois de 25 de Abril de 1974. Nem é preciso dizer mais.
O que é preciso dizer é que Salazar não disse aquela expressão no contexto emprestado no programa do filho David.
Aqui fica a prova, com a reprodução do discurso em que tal expressão foi proferida, de 18 de Fevereiro de 1965, perante a Comissão Executiva da União Nacional.
E mais algumas páginas, antes dessa e do mesmo discurso que aposto este David nunca leu.
"Mesmo quando", o assassínio é outra coisa...
Este artigo a armar ao pingarelho do exercício literário é uma vergonha para quem o escreveu.
Lendo o pequeno ensaio sobre esta cegueira literária, "mesmo quando", nota-se que os factos conhecidos da polícia estão lá todos, dispersos e reunidos depois numa conclusão estúpida: a pequena Valentina foi assassinada pelo pai. E até há mais casos de filicídios ao longo dos anos e este será mais uma tragédia, contextualiza o autor, "mesmo quando".
Na parte final do exercício de redacção aparece a explicação a "sangue frio": "Talvez a princípio ambos, naquele misto de ignorância, indiferença e crueldade, tenham pensado que Valentina apenas apanhou mais forte do que seria normal e em breve voltaria a si".
Este "talvez" escrito assim, "mesmo quando" se escreve "ter salvado a vida" em vez do antigo salvo sem particípio, sugere a hipótese de o assassínio ser apenas uma expressão forçada num exercício esforçado de muitas leituras e filmes policiais.
Um assassínio é algo que vem definido na wikipedia e nem sequer é preciso ir ao código penal para perceber o que é.
Assassínio não é um termo literário, "mesmo quando" : Assassínio ou assassinato é o acto de tirar a vida de outra pessoa intencionalmente e de forma ilegal.
A intenção lida com a culpa, com a vontade e em direito chama-se dolo.
Dolo também aparece classificado na wiki de modo corrente: O dolo (do termo latino dolus, "artifício") é um instituto jurídico consistente na acção ou omissão consciente e volitiva a fim de causar dano.
Dano é algo que aparece assim definido no mesmo sítio: Dano (do latim damnum[1]) é o mal, prejuízo, ofensa material ou moral causada por alguém a outrem, detentor de um bem juridicamente protegido. O dano ocorre quando esse bem é diminuído, inutilizado ou deteriorado, por acto nocivo e prejudicial, produzido pelo delito civil ou penal.
Poderia continuar mas reservo-me por uma questão de pudor e só pergunto: como é que um indivíduo que parece inteligente, escreve sobre coisas que aprecio, literatura, viagens e comidas, pode ser tão limitado no entendimento de factos que afinal até apresenta como tal naquilo que escreve, "mesmo quando" ?
Não sei. Ou antes, presumo que se deixou influenciar pela monstruosidade jornalística que o grupo Cofina anda a promover todos os dias nos media que detém.
Ontem, na CMTV os "especialistas" do ramo, Rui Pereira e Rodrigues ( o tal que me assusta em cada frase que profere) comentam a actualidade que agora é a do "rapper" que foi assassinado. Este, sim, parece que foi mesmo.
No outro dia, 20 de Maio, apareceu uma notícia no CM que me chocou, essa sim: um filho mandou assassinar a mãe para lhe poder roubar o pouco que tinha. Curiosamente foi numa página interior, o nome do assassino, este sim, mesmo assassino que não matou mas mas mandou matar, tinham um apelido que ajuda a explicar o silêncio de inocentes hipócritas: Nuno Leopoldino. O nome é um programa...evidentemente que não mereceu mais atenção do que esta notícia profundamente omissiva em aspectos essenciais, "mesmo quando". Não mais se ouviu falar do Leopoldino e não houve reportagem fora de horas na CMTV a mostrar onde vive, o meio ambiente, o contexto de um crime de homicídio, um assassínio vero, "mesmo quando":
Hoje no mesmo CM há uma notícia que tem a mesma leitura semiótica que provoca um profundo nojo porque é uma obscenidade destinada a esconder uma atitude politicamente correcta do seu director, da "outra banda" do Barreiro.
A notícia refere que "um menor" foi esfaqueado ontem numa praia em Oeiras, numa rixa onde apareceram armas, pânico e violência entre os circunstantes na praia. Só por sorte não houve outro "assassínio", este sim, "mesmo quando" falta uma palavra, uma só palavra nesta notícia. Toda a gene que vir as imagens sabe qual é e toda a gente que lá esteve a pronuncia. Menos o CM...
Sobre isto, "mesmo quando" é que Francisco José Viegas devia escrever. Sobre este terror abafado em se contar a realidade do que se passa à nossa volta, em vez de se inventarem histórias de assassínio que podem muito bem não o ser e se explore até à medula da obscenidade comercial uma tragédia que depois "emociona o país", neste círculo vicioso de informação rendida à necrofilia de abutres e voyeurs.
Lendo o pequeno ensaio sobre esta cegueira literária, "mesmo quando", nota-se que os factos conhecidos da polícia estão lá todos, dispersos e reunidos depois numa conclusão estúpida: a pequena Valentina foi assassinada pelo pai. E até há mais casos de filicídios ao longo dos anos e este será mais uma tragédia, contextualiza o autor, "mesmo quando".
Na parte final do exercício de redacção aparece a explicação a "sangue frio": "Talvez a princípio ambos, naquele misto de ignorância, indiferença e crueldade, tenham pensado que Valentina apenas apanhou mais forte do que seria normal e em breve voltaria a si".
Este "talvez" escrito assim, "mesmo quando" se escreve "ter salvado a vida" em vez do antigo salvo sem particípio, sugere a hipótese de o assassínio ser apenas uma expressão forçada num exercício esforçado de muitas leituras e filmes policiais.
Um assassínio é algo que vem definido na wikipedia e nem sequer é preciso ir ao código penal para perceber o que é.
Assassínio não é um termo literário, "mesmo quando" : Assassínio ou assassinato é o acto de tirar a vida de outra pessoa intencionalmente e de forma ilegal.
A intenção lida com a culpa, com a vontade e em direito chama-se dolo.
Dolo também aparece classificado na wiki de modo corrente: O dolo (do termo latino dolus, "artifício") é um instituto jurídico consistente na acção ou omissão consciente e volitiva a fim de causar dano.
Dano é algo que aparece assim definido no mesmo sítio: Dano (do latim damnum[1]) é o mal, prejuízo, ofensa material ou moral causada por alguém a outrem, detentor de um bem juridicamente protegido. O dano ocorre quando esse bem é diminuído, inutilizado ou deteriorado, por acto nocivo e prejudicial, produzido pelo delito civil ou penal.
Poderia continuar mas reservo-me por uma questão de pudor e só pergunto: como é que um indivíduo que parece inteligente, escreve sobre coisas que aprecio, literatura, viagens e comidas, pode ser tão limitado no entendimento de factos que afinal até apresenta como tal naquilo que escreve, "mesmo quando" ?
Não sei. Ou antes, presumo que se deixou influenciar pela monstruosidade jornalística que o grupo Cofina anda a promover todos os dias nos media que detém.
Ontem, na CMTV os "especialistas" do ramo, Rui Pereira e Rodrigues ( o tal que me assusta em cada frase que profere) comentam a actualidade que agora é a do "rapper" que foi assassinado. Este, sim, parece que foi mesmo.
No outro dia, 20 de Maio, apareceu uma notícia no CM que me chocou, essa sim: um filho mandou assassinar a mãe para lhe poder roubar o pouco que tinha. Curiosamente foi numa página interior, o nome do assassino, este sim, mesmo assassino que não matou mas mas mandou matar, tinham um apelido que ajuda a explicar o silêncio de inocentes hipócritas: Nuno Leopoldino. O nome é um programa...evidentemente que não mereceu mais atenção do que esta notícia profundamente omissiva em aspectos essenciais, "mesmo quando". Não mais se ouviu falar do Leopoldino e não houve reportagem fora de horas na CMTV a mostrar onde vive, o meio ambiente, o contexto de um crime de homicídio, um assassínio vero, "mesmo quando":
Hoje no mesmo CM há uma notícia que tem a mesma leitura semiótica que provoca um profundo nojo porque é uma obscenidade destinada a esconder uma atitude politicamente correcta do seu director, da "outra banda" do Barreiro.
A notícia refere que "um menor" foi esfaqueado ontem numa praia em Oeiras, numa rixa onde apareceram armas, pânico e violência entre os circunstantes na praia. Só por sorte não houve outro "assassínio", este sim, "mesmo quando" falta uma palavra, uma só palavra nesta notícia. Toda a gene que vir as imagens sabe qual é e toda a gente que lá esteve a pronuncia. Menos o CM...
Sobre isto, "mesmo quando" é que Francisco José Viegas devia escrever. Sobre este terror abafado em se contar a realidade do que se passa à nossa volta, em vez de se inventarem histórias de assassínio que podem muito bem não o ser e se explore até à medula da obscenidade comercial uma tragédia que depois "emociona o país", neste círculo vicioso de informação rendida à necrofilia de abutres e voyeurs.
sábado, maio 23, 2020
Vale tudo para combater o "fassismo"
Há um mês esta descoberta macabra foi notícia apresentada como um feito da polícia Judiciária do Porto.
Na altura, ninguém, absolutamente ninguém com responsabilidades se incomodou com a actuação ilegal da PJ em claro abuso de poder, um crime, quanto a mim.
Agora o Sol, numa investigação de Felícia Cabrita desvenda mais um pouco sobre o assunto. Descobriu o autor material de tal documentação que foi "confiscada" a uma mulher que anunciou a venda no OLX. O "confisco" ocorreu ao abrigo de uma "legislação que extinguiu a PIDE/DGS após a queda do antigo regime" porque segundo a mesma "os arquivos da polícia política do salazarismo deverão estar depositados na Torre do Tombo".
Este autor nem sequer será o detentor original da documentação e a jornalista esqueceu-se de mencionar no artigo aquilo que certamente lhe terá perguntado: como é que tal documentação terá ido parar às mãos da tal mulher que anunciou venta no OLX?
Na altura mostrei aqui tal legislação e evidenciei a falta de fundamento jurídico para efectuar qualquer "confisco" e muito menos do modo como se realizou- uma busca domiciliária, segundo tudo indica, no âmbito de um processo crime, pressupondo a prática de um crime para o qual a intervenção da PJ tivesse competência, exclusiva ou não.
A lei é de 1991, muito tempo após o "fim do regime" e destinou-se a pôr fim a uma Comissão que existia para extinguir (!) a PIDE/DGS e que certamente deu emprego a alguns figurões, por conta do Estado ( Miguel Sousa Tavares foi um deles...segundo parece).
O núcleo essencial de tal lei era este:
Artigo 1.º É extinto o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP.
Art. 2.º - 1 - Os arquivos das extintas PIDE/DGS e LP são integrados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, cabendo a esta entidade tomar as medidas necessárias à sua transferência, conservação, ordenação, inventariação e descrição.
2 - Todos os núcleos documentais que, pela sua natureza, integrem os arquivos referidos no número anterior e se encontrem dispersos ao cuidado de outras entidades devem ser remetidos ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo no prazo de 90 dias a contar da entrada em vigor da presente lei.
3 - As entidades detentoras das peças documentais referidas no número anterior são constituídas em seus fiéis depositários até à concretização da sua devolução.
Nenhuma incriminação existe nesta lei que fundamentou o "confisco". Mais: nem se prevê o caso de pessoas que detivessem documentação do género e muito menos a situação de partidos políticos, como o PCP que subtraiu e ocultou, remetendo a entidades estrangeiras documentação do mesmo teor e com gravidade imensa e incomparável. Nunca as autoridades e muito menos a PJ se dignaram invadir as instalações desta gente para "confiscar" o que há muito deveria ter sido devolvido ao país.
Sobre isto, a jornalista...nicles, o que revela bem a sua "extirpe" de investigadora.
No final do artigo a jornalista de investigação no Sol escreve: "do ponto de vista jurídico, alias, as autoridades judiciais poderão ter algumas dificuldades em incriminar a detentora destes materiais". Dificuldade em incriminar? Por que crime, já agora? "Furto"? A quem? A documentação foi retirada das instalações da PIDE/DGS após o "fim do regime" e o autor material de tal documentação estava em Moçambique, na altura.
Faltou indagar como veio parar às mãos da mulher, que não o "Pinho", este acervo de documentação, alguma dela eventualmente particular e nem sequer pública e que deva estar na Torre. Calculo que este esforço incipiente de jornalismo de investigação tentou chegar à "mulher" e esta deve tê-lo mandado dar uma volta a esse bilhar grande do sensacionalismo.
Sobre isto, particularmente o abuso de poder, a jornalista de investigação nada esclarece. É o caso fatal: se não sabe, porque pergunta?
Resumo de tudo isto: ninguém quer saber de abusos policiais ou pior que isso quanto está em causa o "fassismo". Vale tudo.
Quanto ao comunismo, nada vale a não ser a protecção oficial de que gozam os seus próceres.
Aliás o rigor informativo deste jornalismo anti-fassista pode ler-se nisto: o agente Pinho entrou ao serviço da polícia política em Setembro de 1970, "pouco depois de, por indicação de Marcello Caetano, a unidade repressiva secreta ter deixado de se chamar PIDE para se designar DGS".
É a própria jornalista quem dá conta da sua própria asneira: a PIDE já não se chamava assim. Mas ainda hoje continua a chamar...porque a esquerda comunista e socialista assim disseram que devia ser e o jornalismo segue o ditame. O rigor que se lixe tanto como a referência ao "salazarismo" numa altura em que Salazar já tinha morrido.
Enfim, não há meio de ultrapassar isto.
Na altura, ninguém, absolutamente ninguém com responsabilidades se incomodou com a actuação ilegal da PJ em claro abuso de poder, um crime, quanto a mim.
Agora o Sol, numa investigação de Felícia Cabrita desvenda mais um pouco sobre o assunto. Descobriu o autor material de tal documentação que foi "confiscada" a uma mulher que anunciou a venda no OLX. O "confisco" ocorreu ao abrigo de uma "legislação que extinguiu a PIDE/DGS após a queda do antigo regime" porque segundo a mesma "os arquivos da polícia política do salazarismo deverão estar depositados na Torre do Tombo".
Este autor nem sequer será o detentor original da documentação e a jornalista esqueceu-se de mencionar no artigo aquilo que certamente lhe terá perguntado: como é que tal documentação terá ido parar às mãos da tal mulher que anunciou venta no OLX?
Na altura mostrei aqui tal legislação e evidenciei a falta de fundamento jurídico para efectuar qualquer "confisco" e muito menos do modo como se realizou- uma busca domiciliária, segundo tudo indica, no âmbito de um processo crime, pressupondo a prática de um crime para o qual a intervenção da PJ tivesse competência, exclusiva ou não.
A lei é de 1991, muito tempo após o "fim do regime" e destinou-se a pôr fim a uma Comissão que existia para extinguir (!) a PIDE/DGS e que certamente deu emprego a alguns figurões, por conta do Estado ( Miguel Sousa Tavares foi um deles...segundo parece).
O núcleo essencial de tal lei era este:
Artigo 1.º É extinto o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP.
Art. 2.º - 1 - Os arquivos das extintas PIDE/DGS e LP são integrados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, cabendo a esta entidade tomar as medidas necessárias à sua transferência, conservação, ordenação, inventariação e descrição.
2 - Todos os núcleos documentais que, pela sua natureza, integrem os arquivos referidos no número anterior e se encontrem dispersos ao cuidado de outras entidades devem ser remetidos ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo no prazo de 90 dias a contar da entrada em vigor da presente lei.
3 - As entidades detentoras das peças documentais referidas no número anterior são constituídas em seus fiéis depositários até à concretização da sua devolução.
Nenhuma incriminação existe nesta lei que fundamentou o "confisco". Mais: nem se prevê o caso de pessoas que detivessem documentação do género e muito menos a situação de partidos políticos, como o PCP que subtraiu e ocultou, remetendo a entidades estrangeiras documentação do mesmo teor e com gravidade imensa e incomparável. Nunca as autoridades e muito menos a PJ se dignaram invadir as instalações desta gente para "confiscar" o que há muito deveria ter sido devolvido ao país.
Sobre isto, a jornalista...nicles, o que revela bem a sua "extirpe" de investigadora.
No final do artigo a jornalista de investigação no Sol escreve: "do ponto de vista jurídico, alias, as autoridades judiciais poderão ter algumas dificuldades em incriminar a detentora destes materiais". Dificuldade em incriminar? Por que crime, já agora? "Furto"? A quem? A documentação foi retirada das instalações da PIDE/DGS após o "fim do regime" e o autor material de tal documentação estava em Moçambique, na altura.
Faltou indagar como veio parar às mãos da mulher, que não o "Pinho", este acervo de documentação, alguma dela eventualmente particular e nem sequer pública e que deva estar na Torre. Calculo que este esforço incipiente de jornalismo de investigação tentou chegar à "mulher" e esta deve tê-lo mandado dar uma volta a esse bilhar grande do sensacionalismo.
Sobre isto, particularmente o abuso de poder, a jornalista de investigação nada esclarece. É o caso fatal: se não sabe, porque pergunta?
Resumo de tudo isto: ninguém quer saber de abusos policiais ou pior que isso quanto está em causa o "fassismo". Vale tudo.
Quanto ao comunismo, nada vale a não ser a protecção oficial de que gozam os seus próceres.
Aliás o rigor informativo deste jornalismo anti-fassista pode ler-se nisto: o agente Pinho entrou ao serviço da polícia política em Setembro de 1970, "pouco depois de, por indicação de Marcello Caetano, a unidade repressiva secreta ter deixado de se chamar PIDE para se designar DGS".
É a própria jornalista quem dá conta da sua própria asneira: a PIDE já não se chamava assim. Mas ainda hoje continua a chamar...porque a esquerda comunista e socialista assim disseram que devia ser e o jornalismo segue o ditame. O rigor que se lixe tanto como a referência ao "salazarismo" numa altura em que Salazar já tinha morrido.
Enfim, não há meio de ultrapassar isto.
sexta-feira, maio 22, 2020
A Liberdade está a ser sufocada em Portugal
Na Itália, país que sofreu consequências graves por causa dos bichos à solta, vindos da China, particularmente no Norte industrial, a liberdade de expressão e principalmente a diversidade de opiniões sobre o assunto não tem comparação com o nosso país.
Este video que circula por aí ( apanhei-o na caixa de comentários) mostra um deputado no parlamento italiano, na véspera do 25 de Abril deles ( também celebram a data...) a dizer o que por cá é impensável que alguém diga no Parlamento, com a composição que temos.
Nem o André Ventura vai tão longe...o que significa quanto a mim que nesta democracia que nos apresentam como modelar temos um défice de Liberdade que se torna preocupante.
Por mim, ocorreu-me passar aqui um "poema" escrito no contexto da luta contra o fassismo, por um não alinhado que deixou a casa paterna por o pai o obrigar a levar guarda-chuva quando o tipo não queria.
O episódio diz muito da loucura de alguns que ainda assim foram génios de escrita: Alexandre O´Neill.
Também há um video de uma cantiga que musicou o poema, da autoria de um antifassista que teria medo e muito mais medo que isto se vivesse no país utópico que imaginou para cá e queria à viva força de bombas e armas na mão, inaugurar: José Mário Branco.
Perfilados de medo, agradecemos
O medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
E a vida sem viver é mais segura.
Aventureiros já sem aventura,
Perfilados de medo combatemos
Irónicos fantasmas à procura
Do que não fomos, do que não seremos.
Perfilados de medo, sem mais voz,
O coração nos dentes oprimido,
Os loucos, os fantasmas somos nós.
Rebanho pelo medo perseguido,
Já vivemos tão juntos e tão sós
Que da vida perdemos o sentido...
E o video do italiano sem o medo que por aqui vai vicejando:
Este video que circula por aí ( apanhei-o na caixa de comentários) mostra um deputado no parlamento italiano, na véspera do 25 de Abril deles ( também celebram a data...) a dizer o que por cá é impensável que alguém diga no Parlamento, com a composição que temos.
Nem o André Ventura vai tão longe...o que significa quanto a mim que nesta democracia que nos apresentam como modelar temos um défice de Liberdade que se torna preocupante.
Por mim, ocorreu-me passar aqui um "poema" escrito no contexto da luta contra o fassismo, por um não alinhado que deixou a casa paterna por o pai o obrigar a levar guarda-chuva quando o tipo não queria.
O episódio diz muito da loucura de alguns que ainda assim foram génios de escrita: Alexandre O´Neill.
Também há um video de uma cantiga que musicou o poema, da autoria de um antifassista que teria medo e muito mais medo que isto se vivesse no país utópico que imaginou para cá e queria à viva força de bombas e armas na mão, inaugurar: José Mário Branco.
Perfilados de medo, agradecemos
O medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
E a vida sem viver é mais segura.
Aventureiros já sem aventura,
Perfilados de medo combatemos
Irónicos fantasmas à procura
Do que não fomos, do que não seremos.
Perfilados de medo, sem mais voz,
O coração nos dentes oprimido,
Os loucos, os fantasmas somos nós.
Rebanho pelo medo perseguido,
Já vivemos tão juntos e tão sós
Que da vida perdemos o sentido...
E o video do italiano sem o medo que por aqui vai vicejando:
Leituras para cépticos e afins que não alinham com a carneirada geral
O Observador, digo o Sapo24, foi à procura de alguém que não é contra Trump "porque sim" ou porque se deixou informar pela esquerda liberal, tendência americana, o que vai dar ao mesmo.
E encontrou um médico que entrevistou igualmente na altura em que o mesmo Trump perfez 100 dias de governo. Pelo nome parece ser judeu, mas ninguém é perfeito...:
Aaron Arroyave. Norte-americano com ascendência colombiana, é médico e está a frequentar o internato de cirurgia geral no hospital universitário de Knoxville, no estado do Tenneessee. Precisamos ainda de partilhar que esta é a segunda conversa com Aaron — a primeira aconteceu exatamente quando Donald Trump, de quem é apoiante, cumpriu os primeiros 100 dias de mandato.
Eis o que o mesmo diz agora numa altura em que com 30 anos, Aaron vê-se rodeado de amigos democratas, identifica-se como republicano e afirma que o socialismo é perigoso por ser idealista. Ao mesmo tempo, acredita que devemos dar o nosso melhor pela sociedade. Faz questão de dizer que o facto de se querer especializar em cirurgia oncológica vai beber a esse princípio.
Para Aaron, Trump não é claramente a melhor solução para o país, mas o choque é grande quando fala nas alternativas. Foram poucas as vezes em que não levou as mãos à cara quando mencionou o nome de Joe Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama e aquele que se encaminha para ser o candidato democrata. As reações mais viscerais são motivadas pelos momentos em que o político parece esquecer-se do nome de Obama [por exemplo, neste vídeo, que motivou várias sátiras] e, em particular, pela maneira como Biden interage com as mulheres — há já vários anos que o político é criticado por ter uma proximidade física excessiva, tornando-se por vezes desconfortável.
Aaron vê a imprensa como a responsável pela desunião no país, mas também como a solução — e explica como. Termina a reconhecer os aspetos que o aproximam das pessoas que vivem na bolha contrária à dele e a explicar em que é que gostava de ser compreendido..
Por outro lado, o indivíduo menciona um sítio de notícias que considera minimamente isento, ou seja, não alinha com a carneirada geral de panurgos contra Trump, como é norma nos media norte-americanos e os seus papagaios na Europa, com nomes tão diversos como Pacheco Pereira ou estações de televisão nacionais.
O sítio é o The Skimm é já o coloqui nos meus favoritos . Em Portugal precisamos urgentemente de um sítio como este. O Observador deixou de ser um local semelhante e tornou-se oura loca infecta de esquerdismo liberal com alguns envergonhados da direita "cosmopolita", cheios de complexos por não partilharem o forum dessa esquerda de papagaios e outras aves canoras, como cucos.
Um pequeno exemplo: o Brasil e Bolsonaro. É impossível ler ou ver em Portugal algo como isto que aqui vem, sobre o Brasil de Bolsonaro.
O resultado será esmagador se alguém fizer uma sondagem acerca de Bolsonaro e o Brasil...o que demonstra o grau de carneirada que por aí vai, por esse Portugal fora.
E encontrou um médico que entrevistou igualmente na altura em que o mesmo Trump perfez 100 dias de governo. Pelo nome parece ser judeu, mas ninguém é perfeito...:
Aaron Arroyave. Norte-americano com ascendência colombiana, é médico e está a frequentar o internato de cirurgia geral no hospital universitário de Knoxville, no estado do Tenneessee. Precisamos ainda de partilhar que esta é a segunda conversa com Aaron — a primeira aconteceu exatamente quando Donald Trump, de quem é apoiante, cumpriu os primeiros 100 dias de mandato.
Eis o que o mesmo diz agora numa altura em que com 30 anos, Aaron vê-se rodeado de amigos democratas, identifica-se como republicano e afirma que o socialismo é perigoso por ser idealista. Ao mesmo tempo, acredita que devemos dar o nosso melhor pela sociedade. Faz questão de dizer que o facto de se querer especializar em cirurgia oncológica vai beber a esse princípio.
Para Aaron, Trump não é claramente a melhor solução para o país, mas o choque é grande quando fala nas alternativas. Foram poucas as vezes em que não levou as mãos à cara quando mencionou o nome de Joe Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama e aquele que se encaminha para ser o candidato democrata. As reações mais viscerais são motivadas pelos momentos em que o político parece esquecer-se do nome de Obama [por exemplo, neste vídeo, que motivou várias sátiras] e, em particular, pela maneira como Biden interage com as mulheres — há já vários anos que o político é criticado por ter uma proximidade física excessiva, tornando-se por vezes desconfortável.
Aaron vê a imprensa como a responsável pela desunião no país, mas também como a solução — e explica como. Termina a reconhecer os aspetos que o aproximam das pessoas que vivem na bolha contrária à dele e a explicar em que é que gostava de ser compreendido..
Por outro lado, o indivíduo menciona um sítio de notícias que considera minimamente isento, ou seja, não alinha com a carneirada geral de panurgos contra Trump, como é norma nos media norte-americanos e os seus papagaios na Europa, com nomes tão diversos como Pacheco Pereira ou estações de televisão nacionais.
O sítio é o The Skimm é já o coloqui nos meus favoritos . Em Portugal precisamos urgentemente de um sítio como este. O Observador deixou de ser um local semelhante e tornou-se oura loca infecta de esquerdismo liberal com alguns envergonhados da direita "cosmopolita", cheios de complexos por não partilharem o forum dessa esquerda de papagaios e outras aves canoras, como cucos.
Um pequeno exemplo: o Brasil e Bolsonaro. É impossível ler ou ver em Portugal algo como isto que aqui vem, sobre o Brasil de Bolsonaro.
O resultado será esmagador se alguém fizer uma sondagem acerca de Bolsonaro e o Brasil...o que demonstra o grau de carneirada que por aí vai, por esse Portugal fora.
A Direita será salazarista ou nada será...
Um artigo de circunstância de uma Maria João Marques mestra em perfumes orientais e formada genericamente em "Economia", tendo lido umas coisas, escreveu por estes dias um artigo de página no Público sobre a China, perdão, sobre a Direita portuguesa.
O artigo começa assim:
"Os leitores mais jovens do Público podem não acreditar,e, de facto, olhando para 2020, ninguém diria, mas houve tempos em que a direita se esforçava por ser vista como não poeirenta. Quando cheguei aos bloges, as pessoas de direita tinham a azougada ambição de mostrar ao mundo que havia uma direita cosmopolita, que lia, viajava, escrevia, ia ao teatro e cinema, fugia a sete pés do salazarismo- juro!".
E continua assado:
Em resumo, o que se lê é um requisitório sobre uma tal direita que deixou de o ser como a articulista entendia que era e se encostou a uma direita que a mesma entende que não deve ser. Portanto, uma direita peregrina que o entendimento da economista especializada em temas do Oriente capturou para vergastar retoricamente e com vírgulas em demasia.
Essa direita mítica, "cosmopolita", lia que se fartava as crónicas do Público e agora execra os escritos deste género; viajava para destinos e "Fugas" subsidiados pela "Cultura" e agora confina-se ao que o parco rendimento permite; escrevia artigos louvados pelo Pacheco Pereira e agora nem o pode ver pintado no jornal; o teatro e o cinema eram os divertimentos preferidos dessa direita mítica e agora não suportam as peças patrocinadas pela Catarina Martins, no seu círculo de giz caucasiano; quanto a filmes já estão todos vistos.
Essa direita que "fugia a sete pés do salazarismo" eclipsou-se nas fraldas do socialismo, tal como seria de esperar nessa lógica perversa e alimenta-se a subsídios de um Estado pródigo em repartir pelos seus filhos que têm como pai e padrinhos figuras ínclitas e perenes como um Mário Soares e agora um Marcelo que renega o outro que o afilhou.
Essa direita mítica e cosmopolita nunca foi "direita" mas dava muito jeito à esquerda de que a articulista faz parte, integrá-la no séquito de apaniguados do sistema que os mantém. Assim ficava mais composto o ramalhete de uma democracia que sempre se configurou oligárquica, uma contradição nos termos.
É só por isso que a direita que não se revê nessa prima convexa denuncia o "marxismo cultural" que afinal, como afirma implicitamente a escriba, nunca existiu.
A direita que não renega os valores primordiais não pode contemporizar com anti-valores e essa guerra cultural tem nesta articulista uma inimiga a abater. Salvo seja.
Mas fica clara a barreira onde se colocou: do lado da esquerda dos anti-valores que a direita, a que não renega Salazar, combate desde sempre.
O artigo começa assim:
"Os leitores mais jovens do Público podem não acreditar,e, de facto, olhando para 2020, ninguém diria, mas houve tempos em que a direita se esforçava por ser vista como não poeirenta. Quando cheguei aos bloges, as pessoas de direita tinham a azougada ambição de mostrar ao mundo que havia uma direita cosmopolita, que lia, viajava, escrevia, ia ao teatro e cinema, fugia a sete pés do salazarismo- juro!".
E continua assado:
Em resumo, o que se lê é um requisitório sobre uma tal direita que deixou de o ser como a articulista entendia que era e se encostou a uma direita que a mesma entende que não deve ser. Portanto, uma direita peregrina que o entendimento da economista especializada em temas do Oriente capturou para vergastar retoricamente e com vírgulas em demasia.
Essa direita mítica, "cosmopolita", lia que se fartava as crónicas do Público e agora execra os escritos deste género; viajava para destinos e "Fugas" subsidiados pela "Cultura" e agora confina-se ao que o parco rendimento permite; escrevia artigos louvados pelo Pacheco Pereira e agora nem o pode ver pintado no jornal; o teatro e o cinema eram os divertimentos preferidos dessa direita mítica e agora não suportam as peças patrocinadas pela Catarina Martins, no seu círculo de giz caucasiano; quanto a filmes já estão todos vistos.
Essa direita que "fugia a sete pés do salazarismo" eclipsou-se nas fraldas do socialismo, tal como seria de esperar nessa lógica perversa e alimenta-se a subsídios de um Estado pródigo em repartir pelos seus filhos que têm como pai e padrinhos figuras ínclitas e perenes como um Mário Soares e agora um Marcelo que renega o outro que o afilhou.
Essa direita mítica e cosmopolita nunca foi "direita" mas dava muito jeito à esquerda de que a articulista faz parte, integrá-la no séquito de apaniguados do sistema que os mantém. Assim ficava mais composto o ramalhete de uma democracia que sempre se configurou oligárquica, uma contradição nos termos.
É só por isso que a direita que não se revê nessa prima convexa denuncia o "marxismo cultural" que afinal, como afirma implicitamente a escriba, nunca existiu.
A direita que não renega os valores primordiais não pode contemporizar com anti-valores e essa guerra cultural tem nesta articulista uma inimiga a abater. Salvo seja.
Mas fica clara a barreira onde se colocou: do lado da esquerda dos anti-valores que a direita, a que não renega Salazar, combate desde sempre.
quinta-feira, maio 21, 2020
A "extirpe" do Chega segundo a visão de esquerda
O jornalista Miguel Carvalho, autor de um livro bem feito sobre o Portugal que ardeu nos anos de brasa do pós 25 de Abril, tem um artigo de várias páginas que se lêem em meia hora, na Visão de hoje, sobre o Chega e a sua "extirpe" ( sic).
Como a revista foi contemplada recentemente com subsídios do Estado e portanto com impostos que também pago, sinto-me no direito de usufruir desse donativo forçado e publicar integralmente o "estudo" de Miguel Carvalho sobre o Chega.
Todo o artigo é enviesado para dizer mal do partido, associá-lo ao extremismo político, à extrema-direita nacional e internacional, ao racismo, xenofobia e homofobia, entre outras fobias que infectam a isenção do jornalista esquerdista formado no "Curso de Radio-Jornalismo do Centro de Formação de Jornalistas do Porto" e familiar de comunistas assumidos.
Nada tem de mal, apenas permite situar política e ideologicamente o escrito que não merece a credibilidade que aquele livro tem, apesar de tudo.
Não há um único parágrafo, uma única pessoa entrevistada ou uma única referência passível de se interpretar como um pequeno esforço de compreensão do que é e significa o Chega, antes toda a matéria recolhida se destina a mostrar o lado negro, assimilado ao fascismo ou mesmo nazismo e agora também com a novidade associada à religião dos "evangélicos", uma espécie de praga deste egipto dos faraós da esquerda nacional.
A coisa começa logo na capa, ridícula e estúpida qb: a discrepância da imagem com a realidade terá o efeito oposto ao pretendido...
Para ilustrar melhor esta sanha nada melhor que a crónica de Isabel Moreira, a filha politicamente degenerada do fassista Adriano Moreira. Afinal, "o Ventura" é apenas um oportunista e nada mais.
Como a revista foi contemplada recentemente com subsídios do Estado e portanto com impostos que também pago, sinto-me no direito de usufruir desse donativo forçado e publicar integralmente o "estudo" de Miguel Carvalho sobre o Chega.
Todo o artigo é enviesado para dizer mal do partido, associá-lo ao extremismo político, à extrema-direita nacional e internacional, ao racismo, xenofobia e homofobia, entre outras fobias que infectam a isenção do jornalista esquerdista formado no "Curso de Radio-Jornalismo do Centro de Formação de Jornalistas do Porto" e familiar de comunistas assumidos.
Nada tem de mal, apenas permite situar política e ideologicamente o escrito que não merece a credibilidade que aquele livro tem, apesar de tudo.
Não há um único parágrafo, uma única pessoa entrevistada ou uma única referência passível de se interpretar como um pequeno esforço de compreensão do que é e significa o Chega, antes toda a matéria recolhida se destina a mostrar o lado negro, assimilado ao fascismo ou mesmo nazismo e agora também com a novidade associada à religião dos "evangélicos", uma espécie de praga deste egipto dos faraós da esquerda nacional.
A coisa começa logo na capa, ridícula e estúpida qb: a discrepância da imagem com a realidade terá o efeito oposto ao pretendido...
Para ilustrar melhor esta sanha nada melhor que a crónica de Isabel Moreira, a filha politicamente degenerada do fassista Adriano Moreira. Afinal, "o Ventura" é apenas um oportunista e nada mais.
Mata-Bicho do dia: os mutantes armados de espigões
O jornal i de hoje traz uma entrevista ao responsável pelo núcleo de bio-informática do INSA ( Instituo Ricardo Jorge) sobre os bichos, matéria de que são feitos e como se replicam.
Tem interesse por duas ou três coisas que diz: a primeira é que em Ovar tudo indica ter sido uma única pessoa a fonte primária de transmissão que depois se replicou em mais 700, o que é assustador pois se não tivesse existido quarentena e isolamento da zona teria sido um desastre ainda maior.
Depois, diz que ainda falta saber como é que os bichos entraram no país e se disseminaram através de mutações variadas, o que estão a estudar.
Vale a pena ler. Só é pena que diga "spikes" praqui e "spikes" prali quando poderia usar " espigões", palavra muito mais sonora e interessante:
Antes disto li o artigo de José Manuel Fernandes sobre o mesmo assunto. o problema de tais artigos de jornalistas especialistas em tudo e o par de botas habitual é mesmo esse: não oferecem a confiança do verdadeiro saber. É um saber emprestado, instantâneo e perigoso porque enganador, por vezes.
Como sou céptico este tipo de artigos deixa-me um pouco indiferente pois preciso de validação que não sei dar, ao ler.
Gosto de ouvir os debates que se mantêm no Observador com participantes como Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto e o mesmo José Manuel Fernandes sobre diversos assuntos, geralmente de índole histórica. Como nenhum deles presenciou a maior parte dos temas que debatem, para falar dos mesmos têm que ler outros autores que já escreveram sobre tais assuntos.
Assim, o risco de mutações é também elevado e a realidade original pode não ser coincidente com aquela que nos contam que foi.
Vou ouvir o que diz Rui Ramos sobre a Alemanha do pós-guerra porque é tema que me interessa, como tudo o que diz respeito aos alemães.
Como Rui Ramos não foi testemunha directa nem sequer viveu nesse tempo, teve que ler e informar-se através de outras pessoas, correndo igual risco de mutação genética nessa realidade que pode ser apenas inventada.
Enfim, é tremendo o cepticismo.
Tem interesse por duas ou três coisas que diz: a primeira é que em Ovar tudo indica ter sido uma única pessoa a fonte primária de transmissão que depois se replicou em mais 700, o que é assustador pois se não tivesse existido quarentena e isolamento da zona teria sido um desastre ainda maior.
Depois, diz que ainda falta saber como é que os bichos entraram no país e se disseminaram através de mutações variadas, o que estão a estudar.
Vale a pena ler. Só é pena que diga "spikes" praqui e "spikes" prali quando poderia usar " espigões", palavra muito mais sonora e interessante:
Antes disto li o artigo de José Manuel Fernandes sobre o mesmo assunto. o problema de tais artigos de jornalistas especialistas em tudo e o par de botas habitual é mesmo esse: não oferecem a confiança do verdadeiro saber. É um saber emprestado, instantâneo e perigoso porque enganador, por vezes.
Como sou céptico este tipo de artigos deixa-me um pouco indiferente pois preciso de validação que não sei dar, ao ler.
Gosto de ouvir os debates que se mantêm no Observador com participantes como Jaime Gama e Jaime Nogueira Pinto e o mesmo José Manuel Fernandes sobre diversos assuntos, geralmente de índole histórica. Como nenhum deles presenciou a maior parte dos temas que debatem, para falar dos mesmos têm que ler outros autores que já escreveram sobre tais assuntos.
Assim, o risco de mutações é também elevado e a realidade original pode não ser coincidente com aquela que nos contam que foi.
Vou ouvir o que diz Rui Ramos sobre a Alemanha do pós-guerra porque é tema que me interessa, como tudo o que diz respeito aos alemães.
Como Rui Ramos não foi testemunha directa nem sequer viveu nesse tempo, teve que ler e informar-se através de outras pessoas, correndo igual risco de mutação genética nessa realidade que pode ser apenas inventada.
Enfim, é tremendo o cepticismo.
quarta-feira, maio 20, 2020
Os media em Portugal segundo Carrapatoso do Observador
Este artigo de um dos patrões do Observador sobre os media é um lençol que se lê de seguida, durante uns minutos. Destaco a vermelho o essencial segundo a minha opinião:
A Comunicação Social há muitos anos que anda à deriva. Nesta última década, o sector pouco evoluiu, perpetuou-se na crise e, sem a parte correspondente à televisão e à rádio de entretenimento, tornou-se deficitário no seu todo. Nestas circunstâncias é quase (mas só quase, como iremos ver) um mistério como tantas empresas e projectos foram conseguindo sobreviver, alguns perto da ruptura, permanecendo sem grandes mudanças internas ou alterações profundas do seu modelo de negócio.
A já existente fragilidade da Comunicação Social foi ampliada pela pandemia de Covid-19. É certo que esta gerou maior procura pela informação e, portanto, em muitos casos maiores audiências. Mas esse movimento foi acompanhado de uma quebra histórica nas receitas, reflexo da situação dos anunciantes que, perante uma economia parada, optaram por suspender a publicidade aos seus produtos. Num momento em que tanto foi necessária, a Comunicação Social viu novamente a sua sustentabilidade abalada. E, nesse contexto, renovou-se a urgência de debater o seu presente e a sua viabilidade futura.
Praticamente não existem em Portugal, no sector da Comunicação Social, projectos ou empresas claramente saudáveis e rentáveis, sejam grandes ou pequenos, e que ao mesmo tempo evidenciem estratégias robustas e de crescimento que respondam cabalmente aos desafios do futuro. Todas as empresas ou grupos de comunicação estão, de certa forma, em dificuldades, ou no mínimo com muitos desafios. O que não quer dizer que não existam empresas viáveis. Os maiores grupos conseguem ainda ter resultados positivos significativos, no seu conjunto a decrescer nos últimos anos, porque têm TV (e num dos casos também rádio de entretenimento). Mas duvida-se que esses resultados remunerem devidamente o capital investido, estando ainda bastante ameaçados pelo previsível declínio da TV tradicional. Em 2019, o EBITDA (resultado operacional) acumulado das empresas de Comunicação Social, excluindo as actividades de TV e rádio de entretenimento, terá sido negativo — ou seja, esta parte do sector regista, no seu conjunto, um prejuízo operacional.
Nos últimos dez anos, a situação da nossa Comunicação Social piorou com a redução, para cerca de metade, do total das receitas líquidas que lhe são acessíveis — publicidade/ eventos, receitas obtidas dos operadores de telecomunicações, chamadas de valor acrescentado, papel, assinaturas, etc.. Actualmente, na sua totalidade, estas não ascenderão a mais do que 600 milhões de euros, representando a publicidade acessível para os órgãos de comunicação nacional cerca de 60% deste valor e, por outro lado, as assinaturas digitais ainda apenas cerca de 1%. De notar que uma parte significativa destas receitas está mais ligada às actividades de entretenimento do que de informação. E que não se antecipa grande crescimento do total das receitas para os próximos anos, algumas das suas componentes irão mesmo continuar a registar decréscimos e outras, como as assinaturas, espera-se que venham a registar um crescimento substancial.
Consequentemente tornou-se, nestes últimos anos, cada vez mais difícil manter equipas de redacção de informação alargadas e aumentar a qualidade e profundidade do trabalho editorial. O facto de projectos interessantes e motivadores não abundarem e a redução verificada nos salários no sector, pois as empresas têm pouca margem para praticar salários superiores, prejudicam a capacidade de atrair para a carreira aqueles que revelam maior potencial e de reter os que já detêm maiores qualificações e experiência, que muitas vezes acabam por prosseguir outros percursos profissionais.
Tão ou mais importante do que reconhecermos tudo isto é constatarmos que a Comunicação Social em Portugal não se tem vindo a afirmar e a consolidar como uma instituição qualificada da nossa democracia. Nesse sentido, não se encontra em melhor situação do que muitas outras instituições democráticas, elas também com desempenho insuficiente (como a instituição política, sindical, corporativa, da justiça, da escola pública, regulatória e outras). Ou seja, a Comunicação Social não conseguiu, portanto, cumprir com distinção e reconhecimento social o seu mais nobre e indispensável papel de informar, interpretar, explicar e traduzir, provocar, antecipar, escrutinar e investigar, com qualidade e abrangência, e na maior independência. A Comunicação Social portuguesa há muito que não é suficientemente independente (dos governos, dos poderes económicos/ empresariais, dos bancos, de alguns anunciantes e de alguns tipos de accionistas). Em grande parte, devido à sua debilidade económica, mas também devido à inexistência nestas matérias da “imprensa livre” de uma forte cultura democrática.
Muitos dos principais responsáveis das empresas do sector atribuem maioritariamente as culpas desta tão crítica situação ao facto de o mercado ser pequeno (e de facto é, não só em termos absolutos como em termos relativos face ao PIB). E, recentemente, de ter ficado ainda mais reduzido pela progressiva substituição do papel pelo digital, assim como pelo maior protagonismo das plataformas digitais internacionais (Google, Facebook, Netflix, HBO, Spotify, etc.), que retiram receitas de publicidade ao sector, na medida em que utilizam conteúdos de outros, ou seja, da Comunicação Social nacional, de forma basicamente gratuita. Na realidade isso só explica uma parte dos problemas existentes, não obstante o eventual abuso por parte das plataformas internacionais ser assunto importante que deve ser tratado a nível europeu e com o nosso contributo.
As maiores responsabilidades pela frágil situação da Comunicação Social, e respectiva falta de dinâmica de mudança, radicam em três vectores que estarão mais sob o nosso controlo do que a pequenez do mercado ou a actuação das plataformas internacionais. Primeiro, os interesses e comportamento do poder político. Segundo, a falta de uma adequada regulação, que não deveria permitir que o mercado funcione em concorrência distorcida. Terceiro, a incapacidade demonstrada pelas próprias empresas do sector para se reestruturarem.
Comecemos pelo primeiro. O poder político, por norma, procura interferir na estrutura do sector e nas suas actividades informativas editoriais, muitas vezes de forma pouco transparente e em benefício próprio. Ora, existe uma promiscuidade bastante elevada entre o poder político e a Comunicação Social portuguesa, praticando-se muitas vezes um jornalismo de recados, que se nota em particular, mas não só, nos órgãos de comunicação mais antigos e que são considerados do sistema. A proximidade e intimidade entre certos jornalistas e governantes de topo é excessiva.
Aparentemente, o poder político prefere a existência de uma Comunicação Social mais dócil e frágil, assente num grupo reduzido de actores com muito peso e com quem possa dialogar discretamente, directa ou indirectamente. Essa situação facilita que o poder político, em certos momentos, possa “combinar as coisas”, influenciar e controlar, trocar favores, permanecendo ao mesmo tempo capaz de continuar a condicionar os maiores negócios do sector, como já aconteceu no passado ou em episódios mais recentes. A prazo, esta relação entre política e Comunicação Social é insustentável para o bem do sector.
Não nos podemos também esquecer que o poder político ainda tem um poder acrescido por, de uma forma substancial, controlar os activos que o Estado possui na Comunicação Social e que no seu todo envolvem um orçamento e um número de colaboradores que ultrapassam os números de qualquer grupo privado do sector. Estamos a falar de custos anuais da ordem dos 230 milhões de euros e cerca de 1600 colaboradores (grupo RTP), implicando estes um custo anual de cerca de cerca de 80 milhões de euros (R&C de 2018), essencialmente financiados pelos contribuintes. Ou seja, o Estado continua a ser o maior grupo da Comunicação Social portuguesa o que, a seu tempo, valerá a pena voltar a discutir se tal faz verdadeiramente sentido quando tudo se alterou, desde a significativa redução das receitas do sector aos ordenados dos seus profissionais passando pela emergência de formas alternativas de plataformas de comunicação.
O segundo vector principal que explica o estado do sector reside em não se ter criado uma estrutura de regulação (regulador e legislação) suficientemente independente e dinâmica. Verdade seja dita, o poder político também nunca nisso esteve muito interessado. A regulação deveria assumir-se sem componente partidária, mais contemporânea, não burocrática, focada no essencial, articulada com a estrutura de regulação da autoridade da concorrência. Deveria procurar estabelecer as condições para que a Comunicação Social possa desempenhar da melhor forma o seu papel, promovendo a inovação e um mercado aberto e competitivo, a renovação dos actores existentes e o surgimento de novos.
Mas pouco ou nada disto acontece. Ao invés, a regulação existente tende a proteger mais os incumbentes ou os que se revelam já, de certa forma, inviáveis. Ou seja, no mercado da Comunicação Social persistem distorções significativas à concorrência, que são pouco escrutinadas pela regulação.
Desde logo, seria necessário que os maiores actores do sector — que representam 75% do mercado dos 600 milhões de euros e que têm televisão — fossem sujeitos a um maior escrutínio. Naturalmente, não se trata da sua diabolização e o escrutínio de regulação deverá incindir sobre todos. Trata-se de assinalar que estes têm vantagens acrescidas derivadas da sua escala, da capacidade de atraírem mais fontes de notícias, de poderem recrutar e manter mais jornalistas de topo e mais colaborações externas, do seu poder negocial face a anunciantes e agências de meios, do seu “cross-selling” ao beneficiarem de elevadas sinergias na venda conjunta de publicidade e na autopromoção pelas múltiplas plataformas de que dispõem. E, finalmente, a sua grande capacidade de influência e relação próxima junto dos poderes instituídos.
Esse maior escrutínio também deveria existir relativamente ao endividamento excessivo de alguns grupos e aos projectos de Comunicação Social que vão subsistindo com prejuízos sucessivos e elevados, ano após ano. Todas estas situações dificultam o surgimento de novos operadores ao afectarem logo à partida a sua viabilidade, e prejudicando uma desejável e maior concorrência no mercado.
O terceiro, e porventura o mais importante, vector que explica o estado actual da Comunicação Social assenta na responsabilidade dos grupos e empresas do próprio sector, que não foram, de uma forma geral, suficientemente capazes de antecipar desafios futuros e de criar as condições que, à partida, os permitiriam vencer. Resistiram a mudar estruturas accionistas ou de poder interno, não se renovaram nem se reestruturaram na medida do necessário, não investiram na tecnologia e em outras áreas como seria imperativo, não evoluíram na sua cultura interna (muitas vezes corporativa), não souberam criar de forma criativa melhores produtos para os clientes, que até poderiam ter provocado uma maior expansão do mercado, nem novos modelos de negócio minimamente sustentáveis. Ficaram, numa grande parte dos casos, estagnados no passado, resistindo à mudança, em vez de a abraçar.
Existem finalmente outros actores que, apesar de com menos impacto, não deixam de deter responsabilidades na situação actual. Nomeadamente bancos que, por interesses políticos próprios ou por pressões políticas externas, foram pouco exigentes na cobrança das dívidas das empresas do sector, não as pressionando para se reestruturarem. E também alguns dos grandes anunciantes (cerca de vinte e cinco representarão a maior parte do investimento publicitário em Portugal) porque muitas vezes não resistem em utilizar os seus investimentos publicitários como moeda de troca, para disporem de uma Comunicação Social mais amiga dos seus interesses ou para de certa forma promoverem os seus próprios dirigentes. Por isso, estes anunciantes preferem frequentemente estabelecer relações privilegiadas, próximas e de cumplicidade com os grandes grupos, algumas vezes (possivelmente) mesmo em concertação com o poder político.
Teria sido natural, nestes últimos dez anos, que alguns grupos e empresas da Comunicação Social tivessem conseguido reestruturar-se, alienando ou não partes dos seus negócios, enquanto outras, desaparecendo, tivessem aberto espaço a muitos novos projectos, à inovação, à renovação e à revitalização do sector no seu todo. Tal não aconteceu porque assim não o permitiram os interesses conjugados e a incapacidade e falta de vontade já mencionados, de um conjunto de intervenientes no sector.
Para que a revitalização aconteça, espera-se por uma série de alterações estruturais. Primeiro, que os poderes instituídos, nomeadamente políticos mas também empresariais, dêem, “fiscalizados” pela Comunicação Social e pela sociedade civil, um melhor exemplo de cultura democrática e de transparência na relação que estabelecem com a Comunicação Social. Segundo, que se desenvolva uma acção de regulação focada no essencial, na criação de um ambiente de sã concorrência e de estímulo à inovação, assente em legislação/ regulamentação mais simples e contemporânea. Terceiro, que cada empresa ou grupo de Comunicação Social viável complete a sua reestruturação e a redefinição do seu negócio, fornecendo também melhores produtos para os seus públicos, ao mesmo tempo resistindo e evitando as pressões políticas e empresariais indesejáveis. Quarto, que os cidadãos valorizem a sua necessidade de informação e reconheçam que também é uma atitude de cidadania contribuírem, através da sua assinatura, para uma Comunicação Social livre e qualificada. Quinto que se repense e reajuste a dimensão e forma de intervenção directa do Estado na Comunicação Social.
No fundo, será muito importante para o país que o espírito e a prática do bom jornalismo, qualificado e independente, que ainda existe entre nós, venha finalmente a prevalecer e que um número apreciável de empresas do sector em verdadeira concorrência e protagonizando os melhores projectos, se venham a tornar fortes, saudáveis e auto-sustentáveis.
Pela actualidade e porque reflecte a situação que atrás referimos, não podíamos concluir este texto sem abordar, com algum detalhe, o tema do momento: o impacto da Covid-19 na Comunicação Social.
(...)
Veio, mais recentemente, o Governo apresentar uma medida específica para o sector: a compra de publicidade antecipada, no valor de 15 milhões de euros, por parte do Estado.
Este modelo apresenta-se na fronteira de um subsídio. E seria também desnecessário se um programa de empréstimos como o referido tivesse sido adoptado. Mas o que é mais difícil de aceitar são os critérios que, tudo indica, o Governo irá adoptar para atribuição e alocação a cada um do referido valor de 15 milhões de euros.
Segundo informação presente na Comunicação Social, esses critérios serão o valor das receitas de publicidade facturado por cada grupo ou empresa no segundo trimestre de 2019, a que acrescem as receitas de venda de publicações em banca (esta parte terá sido incluída mais tarde, em resultado de pressões nesse sentido). Estes critérios, se finalmente adoptados, irão privilegiar da mesma forma quem faça informação ou entretenimento, quando a primeira, como serviço público, mereceria ter mais peso. Os critérios também não têm em consideração a dinâmica de crescimento, ou não, das empresas entre 2019 e 2020. Esta falha poderia ser ultrapassada se fosse aplicado ao valor das receitas do segundo trimestre de 2019 um factor de evolução das receitas entre 2019 e 2020, obtido pelo quociente das receitas geradas em Janeiro e Fevereiro de 2020, face às geradas no período homólogo em 2019. Por fim, estes critérios dão um peso injustificável ao papel, um mercado claramente em decréscimo devido a factores independentes da actual crise sanitária.
O resultado deste programa dos 15 milhões de euros, com estes critérios, irá beneficiar em particular os grandes grupos com TV e rádio, e os que mantêm ainda expressão significativa no papel. Em contrapartida, serão relativamente prejudicados todos quantos investiram e estão a crescer, nomeadamente os que lançaram nos últimos anos novos projectos.
No meio deste contexto, nem tudo foi negativo e esta crise sanitária trouxe também aspectos positivos para a Comunicação Social. Desde logo, explicitou ainda mais a situação de crise existente no sector e em particular em algumas empresas já em dificuldades, evidenciando de forma clara a necessidade da mudança. Mais do que isso, foi uma demonstração do mérito e valor criado por muitos jornalistas e equipas onde se inserem, que deram o melhor de si e prestaram um inigualável serviço público.
António Carrapatoso: empreendedor, Presidente do Conselho de Administração Executivo e fundador do Observador
A Comunicação Social há muitos anos que anda à deriva. Nesta última década, o sector pouco evoluiu, perpetuou-se na crise e, sem a parte correspondente à televisão e à rádio de entretenimento, tornou-se deficitário no seu todo. Nestas circunstâncias é quase (mas só quase, como iremos ver) um mistério como tantas empresas e projectos foram conseguindo sobreviver, alguns perto da ruptura, permanecendo sem grandes mudanças internas ou alterações profundas do seu modelo de negócio.
A já existente fragilidade da Comunicação Social foi ampliada pela pandemia de Covid-19. É certo que esta gerou maior procura pela informação e, portanto, em muitos casos maiores audiências. Mas esse movimento foi acompanhado de uma quebra histórica nas receitas, reflexo da situação dos anunciantes que, perante uma economia parada, optaram por suspender a publicidade aos seus produtos. Num momento em que tanto foi necessária, a Comunicação Social viu novamente a sua sustentabilidade abalada. E, nesse contexto, renovou-se a urgência de debater o seu presente e a sua viabilidade futura.
Praticamente não existem em Portugal, no sector da Comunicação Social, projectos ou empresas claramente saudáveis e rentáveis, sejam grandes ou pequenos, e que ao mesmo tempo evidenciem estratégias robustas e de crescimento que respondam cabalmente aos desafios do futuro. Todas as empresas ou grupos de comunicação estão, de certa forma, em dificuldades, ou no mínimo com muitos desafios. O que não quer dizer que não existam empresas viáveis. Os maiores grupos conseguem ainda ter resultados positivos significativos, no seu conjunto a decrescer nos últimos anos, porque têm TV (e num dos casos também rádio de entretenimento). Mas duvida-se que esses resultados remunerem devidamente o capital investido, estando ainda bastante ameaçados pelo previsível declínio da TV tradicional. Em 2019, o EBITDA (resultado operacional) acumulado das empresas de Comunicação Social, excluindo as actividades de TV e rádio de entretenimento, terá sido negativo — ou seja, esta parte do sector regista, no seu conjunto, um prejuízo operacional.
Nos últimos dez anos, a situação da nossa Comunicação Social piorou com a redução, para cerca de metade, do total das receitas líquidas que lhe são acessíveis — publicidade/ eventos, receitas obtidas dos operadores de telecomunicações, chamadas de valor acrescentado, papel, assinaturas, etc.. Actualmente, na sua totalidade, estas não ascenderão a mais do que 600 milhões de euros, representando a publicidade acessível para os órgãos de comunicação nacional cerca de 60% deste valor e, por outro lado, as assinaturas digitais ainda apenas cerca de 1%. De notar que uma parte significativa destas receitas está mais ligada às actividades de entretenimento do que de informação. E que não se antecipa grande crescimento do total das receitas para os próximos anos, algumas das suas componentes irão mesmo continuar a registar decréscimos e outras, como as assinaturas, espera-se que venham a registar um crescimento substancial.
Consequentemente tornou-se, nestes últimos anos, cada vez mais difícil manter equipas de redacção de informação alargadas e aumentar a qualidade e profundidade do trabalho editorial. O facto de projectos interessantes e motivadores não abundarem e a redução verificada nos salários no sector, pois as empresas têm pouca margem para praticar salários superiores, prejudicam a capacidade de atrair para a carreira aqueles que revelam maior potencial e de reter os que já detêm maiores qualificações e experiência, que muitas vezes acabam por prosseguir outros percursos profissionais.
Tão ou mais importante do que reconhecermos tudo isto é constatarmos que a Comunicação Social em Portugal não se tem vindo a afirmar e a consolidar como uma instituição qualificada da nossa democracia. Nesse sentido, não se encontra em melhor situação do que muitas outras instituições democráticas, elas também com desempenho insuficiente (como a instituição política, sindical, corporativa, da justiça, da escola pública, regulatória e outras). Ou seja, a Comunicação Social não conseguiu, portanto, cumprir com distinção e reconhecimento social o seu mais nobre e indispensável papel de informar, interpretar, explicar e traduzir, provocar, antecipar, escrutinar e investigar, com qualidade e abrangência, e na maior independência. A Comunicação Social portuguesa há muito que não é suficientemente independente (dos governos, dos poderes económicos/ empresariais, dos bancos, de alguns anunciantes e de alguns tipos de accionistas). Em grande parte, devido à sua debilidade económica, mas também devido à inexistência nestas matérias da “imprensa livre” de uma forte cultura democrática.
Muitos dos principais responsáveis das empresas do sector atribuem maioritariamente as culpas desta tão crítica situação ao facto de o mercado ser pequeno (e de facto é, não só em termos absolutos como em termos relativos face ao PIB). E, recentemente, de ter ficado ainda mais reduzido pela progressiva substituição do papel pelo digital, assim como pelo maior protagonismo das plataformas digitais internacionais (Google, Facebook, Netflix, HBO, Spotify, etc.), que retiram receitas de publicidade ao sector, na medida em que utilizam conteúdos de outros, ou seja, da Comunicação Social nacional, de forma basicamente gratuita. Na realidade isso só explica uma parte dos problemas existentes, não obstante o eventual abuso por parte das plataformas internacionais ser assunto importante que deve ser tratado a nível europeu e com o nosso contributo.
As maiores responsabilidades pela frágil situação da Comunicação Social, e respectiva falta de dinâmica de mudança, radicam em três vectores que estarão mais sob o nosso controlo do que a pequenez do mercado ou a actuação das plataformas internacionais. Primeiro, os interesses e comportamento do poder político. Segundo, a falta de uma adequada regulação, que não deveria permitir que o mercado funcione em concorrência distorcida. Terceiro, a incapacidade demonstrada pelas próprias empresas do sector para se reestruturarem.
Comecemos pelo primeiro. O poder político, por norma, procura interferir na estrutura do sector e nas suas actividades informativas editoriais, muitas vezes de forma pouco transparente e em benefício próprio. Ora, existe uma promiscuidade bastante elevada entre o poder político e a Comunicação Social portuguesa, praticando-se muitas vezes um jornalismo de recados, que se nota em particular, mas não só, nos órgãos de comunicação mais antigos e que são considerados do sistema. A proximidade e intimidade entre certos jornalistas e governantes de topo é excessiva.
Aparentemente, o poder político prefere a existência de uma Comunicação Social mais dócil e frágil, assente num grupo reduzido de actores com muito peso e com quem possa dialogar discretamente, directa ou indirectamente. Essa situação facilita que o poder político, em certos momentos, possa “combinar as coisas”, influenciar e controlar, trocar favores, permanecendo ao mesmo tempo capaz de continuar a condicionar os maiores negócios do sector, como já aconteceu no passado ou em episódios mais recentes. A prazo, esta relação entre política e Comunicação Social é insustentável para o bem do sector.
Não nos podemos também esquecer que o poder político ainda tem um poder acrescido por, de uma forma substancial, controlar os activos que o Estado possui na Comunicação Social e que no seu todo envolvem um orçamento e um número de colaboradores que ultrapassam os números de qualquer grupo privado do sector. Estamos a falar de custos anuais da ordem dos 230 milhões de euros e cerca de 1600 colaboradores (grupo RTP), implicando estes um custo anual de cerca de cerca de 80 milhões de euros (R&C de 2018), essencialmente financiados pelos contribuintes. Ou seja, o Estado continua a ser o maior grupo da Comunicação Social portuguesa o que, a seu tempo, valerá a pena voltar a discutir se tal faz verdadeiramente sentido quando tudo se alterou, desde a significativa redução das receitas do sector aos ordenados dos seus profissionais passando pela emergência de formas alternativas de plataformas de comunicação.
O segundo vector principal que explica o estado do sector reside em não se ter criado uma estrutura de regulação (regulador e legislação) suficientemente independente e dinâmica. Verdade seja dita, o poder político também nunca nisso esteve muito interessado. A regulação deveria assumir-se sem componente partidária, mais contemporânea, não burocrática, focada no essencial, articulada com a estrutura de regulação da autoridade da concorrência. Deveria procurar estabelecer as condições para que a Comunicação Social possa desempenhar da melhor forma o seu papel, promovendo a inovação e um mercado aberto e competitivo, a renovação dos actores existentes e o surgimento de novos.
Mas pouco ou nada disto acontece. Ao invés, a regulação existente tende a proteger mais os incumbentes ou os que se revelam já, de certa forma, inviáveis. Ou seja, no mercado da Comunicação Social persistem distorções significativas à concorrência, que são pouco escrutinadas pela regulação.
Desde logo, seria necessário que os maiores actores do sector — que representam 75% do mercado dos 600 milhões de euros e que têm televisão — fossem sujeitos a um maior escrutínio. Naturalmente, não se trata da sua diabolização e o escrutínio de regulação deverá incindir sobre todos. Trata-se de assinalar que estes têm vantagens acrescidas derivadas da sua escala, da capacidade de atraírem mais fontes de notícias, de poderem recrutar e manter mais jornalistas de topo e mais colaborações externas, do seu poder negocial face a anunciantes e agências de meios, do seu “cross-selling” ao beneficiarem de elevadas sinergias na venda conjunta de publicidade e na autopromoção pelas múltiplas plataformas de que dispõem. E, finalmente, a sua grande capacidade de influência e relação próxima junto dos poderes instituídos.
Esse maior escrutínio também deveria existir relativamente ao endividamento excessivo de alguns grupos e aos projectos de Comunicação Social que vão subsistindo com prejuízos sucessivos e elevados, ano após ano. Todas estas situações dificultam o surgimento de novos operadores ao afectarem logo à partida a sua viabilidade, e prejudicando uma desejável e maior concorrência no mercado.
O terceiro, e porventura o mais importante, vector que explica o estado actual da Comunicação Social assenta na responsabilidade dos grupos e empresas do próprio sector, que não foram, de uma forma geral, suficientemente capazes de antecipar desafios futuros e de criar as condições que, à partida, os permitiriam vencer. Resistiram a mudar estruturas accionistas ou de poder interno, não se renovaram nem se reestruturaram na medida do necessário, não investiram na tecnologia e em outras áreas como seria imperativo, não evoluíram na sua cultura interna (muitas vezes corporativa), não souberam criar de forma criativa melhores produtos para os clientes, que até poderiam ter provocado uma maior expansão do mercado, nem novos modelos de negócio minimamente sustentáveis. Ficaram, numa grande parte dos casos, estagnados no passado, resistindo à mudança, em vez de a abraçar.
Existem finalmente outros actores que, apesar de com menos impacto, não deixam de deter responsabilidades na situação actual. Nomeadamente bancos que, por interesses políticos próprios ou por pressões políticas externas, foram pouco exigentes na cobrança das dívidas das empresas do sector, não as pressionando para se reestruturarem. E também alguns dos grandes anunciantes (cerca de vinte e cinco representarão a maior parte do investimento publicitário em Portugal) porque muitas vezes não resistem em utilizar os seus investimentos publicitários como moeda de troca, para disporem de uma Comunicação Social mais amiga dos seus interesses ou para de certa forma promoverem os seus próprios dirigentes. Por isso, estes anunciantes preferem frequentemente estabelecer relações privilegiadas, próximas e de cumplicidade com os grandes grupos, algumas vezes (possivelmente) mesmo em concertação com o poder político.
Teria sido natural, nestes últimos dez anos, que alguns grupos e empresas da Comunicação Social tivessem conseguido reestruturar-se, alienando ou não partes dos seus negócios, enquanto outras, desaparecendo, tivessem aberto espaço a muitos novos projectos, à inovação, à renovação e à revitalização do sector no seu todo. Tal não aconteceu porque assim não o permitiram os interesses conjugados e a incapacidade e falta de vontade já mencionados, de um conjunto de intervenientes no sector.
Para que a revitalização aconteça, espera-se por uma série de alterações estruturais. Primeiro, que os poderes instituídos, nomeadamente políticos mas também empresariais, dêem, “fiscalizados” pela Comunicação Social e pela sociedade civil, um melhor exemplo de cultura democrática e de transparência na relação que estabelecem com a Comunicação Social. Segundo, que se desenvolva uma acção de regulação focada no essencial, na criação de um ambiente de sã concorrência e de estímulo à inovação, assente em legislação/ regulamentação mais simples e contemporânea. Terceiro, que cada empresa ou grupo de Comunicação Social viável complete a sua reestruturação e a redefinição do seu negócio, fornecendo também melhores produtos para os seus públicos, ao mesmo tempo resistindo e evitando as pressões políticas e empresariais indesejáveis. Quarto, que os cidadãos valorizem a sua necessidade de informação e reconheçam que também é uma atitude de cidadania contribuírem, através da sua assinatura, para uma Comunicação Social livre e qualificada. Quinto que se repense e reajuste a dimensão e forma de intervenção directa do Estado na Comunicação Social.
No fundo, será muito importante para o país que o espírito e a prática do bom jornalismo, qualificado e independente, que ainda existe entre nós, venha finalmente a prevalecer e que um número apreciável de empresas do sector em verdadeira concorrência e protagonizando os melhores projectos, se venham a tornar fortes, saudáveis e auto-sustentáveis.
Pela actualidade e porque reflecte a situação que atrás referimos, não podíamos concluir este texto sem abordar, com algum detalhe, o tema do momento: o impacto da Covid-19 na Comunicação Social.
(...)
Veio, mais recentemente, o Governo apresentar uma medida específica para o sector: a compra de publicidade antecipada, no valor de 15 milhões de euros, por parte do Estado.
Este modelo apresenta-se na fronteira de um subsídio. E seria também desnecessário se um programa de empréstimos como o referido tivesse sido adoptado. Mas o que é mais difícil de aceitar são os critérios que, tudo indica, o Governo irá adoptar para atribuição e alocação a cada um do referido valor de 15 milhões de euros.
Segundo informação presente na Comunicação Social, esses critérios serão o valor das receitas de publicidade facturado por cada grupo ou empresa no segundo trimestre de 2019, a que acrescem as receitas de venda de publicações em banca (esta parte terá sido incluída mais tarde, em resultado de pressões nesse sentido). Estes critérios, se finalmente adoptados, irão privilegiar da mesma forma quem faça informação ou entretenimento, quando a primeira, como serviço público, mereceria ter mais peso. Os critérios também não têm em consideração a dinâmica de crescimento, ou não, das empresas entre 2019 e 2020. Esta falha poderia ser ultrapassada se fosse aplicado ao valor das receitas do segundo trimestre de 2019 um factor de evolução das receitas entre 2019 e 2020, obtido pelo quociente das receitas geradas em Janeiro e Fevereiro de 2020, face às geradas no período homólogo em 2019. Por fim, estes critérios dão um peso injustificável ao papel, um mercado claramente em decréscimo devido a factores independentes da actual crise sanitária.
O resultado deste programa dos 15 milhões de euros, com estes critérios, irá beneficiar em particular os grandes grupos com TV e rádio, e os que mantêm ainda expressão significativa no papel. Em contrapartida, serão relativamente prejudicados todos quantos investiram e estão a crescer, nomeadamente os que lançaram nos últimos anos novos projectos.
No meio deste contexto, nem tudo foi negativo e esta crise sanitária trouxe também aspectos positivos para a Comunicação Social. Desde logo, explicitou ainda mais a situação de crise existente no sector e em particular em algumas empresas já em dificuldades, evidenciando de forma clara a necessidade da mudança. Mais do que isso, foi uma demonstração do mérito e valor criado por muitos jornalistas e equipas onde se inserem, que deram o melhor de si e prestaram um inigualável serviço público.
António Carrapatoso: empreendedor, Presidente do Conselho de Administração Executivo e fundador do Observador
Entrevista do Público a José Lameira, vice do CSM
O Público de hoje tem uma entrevista a José Lameira, o juiz de direito, conselheiro que tomou o lugar de vice-presidente do CSM a um antigo director-geral agora promovido a ajudante de ministra enquanto não lhe toma o lugar e que andou uns anos nos tribunais, por engano, chegando ao vice-topo de uma carreira que abandonou desde cedo.
A entrevista é insípida, própria de amanuense esforçado e não tem nada daquelas tiradas grandiloquentes sobre a "governance" e outros mimos próprios do pedantismo do antigo director-geral.
Este é apenas um juiz e honra lhe seja feita por isso, mas nem tanto. A meio da entrevista mostra que não quer ser juiz a tempo inteiro e por isso martela no cravo de uma ferradura já gasta.
No caso do juiz Neto de Moura aplaude a decisão do STJ porque afinal é uma decisão do STJ e...nec plus ultra.
Segundo este juiz de direito, conselheiro por mérito próprio, Neto de Moura meteu um bedelho onde nunca deveria ter sido chamado: esportular opinião própria acerca da evolução histórica do adultério num acórdão de tribunal superior. Aqui d´el rei! Os juízes de Berlim já derrubaram o muro!
Vejamos com atenção esta tirada de coerência notável: "O Supremo confirmou a decisão do conselho [ que puniu com uma advertência registada] portanto o caso está fechado. O perigo que ali está é punir-se um juiz por delito de opinião. Neto de Moura, em minha opinião, foi inábil a escrever".
Pronto, com a condenação nec plus ultra do Supremo esconjurou-se o perigo e José Lameira também é de opinião que sim, que está bem, apesar de ser um perigo, bla bla bla. Um delito de opinião punido numa decisão jurisdicional. Caso para o TEDH?
Enfim, com este tipo de declarações os juízes de direito, como José Lameira inquestionavelmente me parece ser, tornam-se matarruanos e é pena. Há muitos assim, o que nem é um defeito mas feitio de profissão, apenas.
Mas vejamos um pouco mais longe e tentar detectar algum caso de opinião avulsa, inábil ou mesmo espúria em decisões judiciais que escaparam ao crivo de juízos como o de José Lameira.
Por exemplo esta que extraí daqui, numa pesquisa perfunctória no Google com as palavras "acórdão relação Porto José Lameira".
Logo no primeiro lugar do elenco deu isto que se transcreve, para mostrar que o juiz de direito José Lameira é agora muito coerente com o que escrevia em 2010 num acórdão por si prolatado:
O Juiz deve ser meticuloso – mas não complicativo – na análise das questões que se lhe deparam e na prolação dos competentes despachos, mas não se deve alargar em considerações de pormenor, sem interesse para a decisão, e que lhe retirem o tempo disponível para decidir questões mais complexas.
Numa época em que urge combater as pendências processuais acumuladas, sem prejuízo de um justo equilíbrio entre a qualidade e a celeridade, pede-se aos Juízes, mais do que nunca, a adopção de métodos de trabalho que possam corresponder, em termos de eficiência e eficácia, às necessidades de uma justiça mais pronta, embora sempre com salvaguarda do cumprimento da lei e do acautelar dos direitos e garantias dos cidadãos.
A boa administração da justiça, a sua imagem perante o povo, em nome de quem é prestada, a sua eficácia, dependem em larga medida da eficiência que os juízes imprimem ao serviço que têm de assegurar, não podendo os juízes deixar de ter sempre em atenção o comando do artigo 20º da Constituição, nomeadamente do seu nº 4 que estatui que «todos têm direito a que uma causa em que intervenham seja objecto de decisão em prazo razoável e mediante processo equitativo».
Deste modo, tendo sempre presente que se pretende uma justiça em tempo razoável, pois uma justiça lenta não é justiça, constituindo mesmo em certas situações verdadeiros casos de denegação de justiça, não devem nem podem os juizes perder-se com excessos de erudição, quando não de academismo, que resultam muitas vezes em prejuízo do cumprimento dos prazos processuais ou na dilação das decisões e arrastamento dos processos.
O juiz terá de ter a consciência de que se lhe impõe a resolução atempada dos problemas que as partes lhe levam e que a sua decisão deverá resolver efectivamente os problemas colocados.
As decisões judiciais terão que ser proferidas em prazo razoável. Uma justiça que não é célere não é justa.
A entrevista é insípida, própria de amanuense esforçado e não tem nada daquelas tiradas grandiloquentes sobre a "governance" e outros mimos próprios do pedantismo do antigo director-geral.
Este é apenas um juiz e honra lhe seja feita por isso, mas nem tanto. A meio da entrevista mostra que não quer ser juiz a tempo inteiro e por isso martela no cravo de uma ferradura já gasta.
No caso do juiz Neto de Moura aplaude a decisão do STJ porque afinal é uma decisão do STJ e...nec plus ultra.
Segundo este juiz de direito, conselheiro por mérito próprio, Neto de Moura meteu um bedelho onde nunca deveria ter sido chamado: esportular opinião própria acerca da evolução histórica do adultério num acórdão de tribunal superior. Aqui d´el rei! Os juízes de Berlim já derrubaram o muro!
Vejamos com atenção esta tirada de coerência notável: "O Supremo confirmou a decisão do conselho [ que puniu com uma advertência registada] portanto o caso está fechado. O perigo que ali está é punir-se um juiz por delito de opinião. Neto de Moura, em minha opinião, foi inábil a escrever".
Pronto, com a condenação nec plus ultra do Supremo esconjurou-se o perigo e José Lameira também é de opinião que sim, que está bem, apesar de ser um perigo, bla bla bla. Um delito de opinião punido numa decisão jurisdicional. Caso para o TEDH?
Enfim, com este tipo de declarações os juízes de direito, como José Lameira inquestionavelmente me parece ser, tornam-se matarruanos e é pena. Há muitos assim, o que nem é um defeito mas feitio de profissão, apenas.
Mas vejamos um pouco mais longe e tentar detectar algum caso de opinião avulsa, inábil ou mesmo espúria em decisões judiciais que escaparam ao crivo de juízos como o de José Lameira.
Por exemplo esta que extraí daqui, numa pesquisa perfunctória no Google com as palavras "acórdão relação Porto José Lameira".
Logo no primeiro lugar do elenco deu isto que se transcreve, para mostrar que o juiz de direito José Lameira é agora muito coerente com o que escrevia em 2010 num acórdão por si prolatado:
O Juiz deve ser meticuloso – mas não complicativo – na análise das questões que se lhe deparam e na prolação dos competentes despachos, mas não se deve alargar em considerações de pormenor, sem interesse para a decisão, e que lhe retirem o tempo disponível para decidir questões mais complexas.
Numa época em que urge combater as pendências processuais acumuladas, sem prejuízo de um justo equilíbrio entre a qualidade e a celeridade, pede-se aos Juízes, mais do que nunca, a adopção de métodos de trabalho que possam corresponder, em termos de eficiência e eficácia, às necessidades de uma justiça mais pronta, embora sempre com salvaguarda do cumprimento da lei e do acautelar dos direitos e garantias dos cidadãos.
A boa administração da justiça, a sua imagem perante o povo, em nome de quem é prestada, a sua eficácia, dependem em larga medida da eficiência que os juízes imprimem ao serviço que têm de assegurar, não podendo os juízes deixar de ter sempre em atenção o comando do artigo 20º da Constituição, nomeadamente do seu nº 4 que estatui que «todos têm direito a que uma causa em que intervenham seja objecto de decisão em prazo razoável e mediante processo equitativo».
Deste modo, tendo sempre presente que se pretende uma justiça em tempo razoável, pois uma justiça lenta não é justiça, constituindo mesmo em certas situações verdadeiros casos de denegação de justiça, não devem nem podem os juizes perder-se com excessos de erudição, quando não de academismo, que resultam muitas vezes em prejuízo do cumprimento dos prazos processuais ou na dilação das decisões e arrastamento dos processos.
O juiz terá de ter a consciência de que se lhe impõe a resolução atempada dos problemas que as partes lhe levam e que a sua decisão deverá resolver efectivamente os problemas colocados.
As decisões judiciais terão que ser proferidas em prazo razoável. Uma justiça que não é célere não é justa.
Portanto, num acórdão acerca de uma questão processual cível atinente a uma insolvência, sobre exoneração de passivo, o juiz de direito em causa e a quem agora enoja que os juízes emitam opiniões avulsas nas sentenças, espraia-se amplamente por escrito na sua explicação pessoal acerca do que deve ser um juiz diligente e competente. Sem ninguém lho pedir ou requerer e sem contexto sequer admissível.
Note-se que não há citações da Bíblia, que aliás tem muitos exemplos de decisões de juízes.
Até tem a de Pilatos que nem era juiz...
De resto nem pesquisei mais. Este exemplo chega para poder dizer que é lamentável que um juiz de direito se ponha a julgar um colega, deste modo. Lamentável, porque o dever de reserva impõe-se a todos os juízes, incluindo vice-presidentes do CSM que denotam falta de tino, nestas pequenas coisas.
Um bodo aos pobres trebelhos dos media
A Cofina teve direito a subsídio do Estado: mais de um milhão e meio de euros, logo a seguir ao grupo de Balsemão, o maior. E também a seguir ao que está em saldo, para venda, a Media Capital dos espanhóis socializantes da Prisa que tem lá um trebelho do PS a mandar na informação, enquanto o Ferreira, intelectual do turismo fluvial não comprar a parcela apetecida.
O Público também teve direito a subsídio, neste caso a entrar directamente nas contas da SONAE e das mercearias espalhadas pelo país: um pouco mais de 300 mil euros para pagar fretes que têm sido generosos, ultimamente.
A Global Media Group, completamente falida, teve direito a fatia substancial ou não fosse o cóio homiziado de apparatchicks vários. E não vai ficar por aqui porque a Câncio e outros que tais precisam de pagar contas em cabeleireiros.
Rui Rio, o fantástico líder do principal partido de oposição que se esforça por não querer ganhar votos, deixando o partido à míngua neste tipo de decisões, já disse que este bodo se destina a subsidiar as manhãs das tv´s., leia-se as estridentes cristinas ferreiras e também os big brothers, agora animados por sujeitos de género particular.
O CM dá conta e escandaliza-se por ficar em terceiro lugar no bodo aos pobres.
Assim não vale!, parece dizer o director-geral do pasquim enquanto publica notícias horrorosas apresentadas como meros faits divers, como aliás acontece esporadicamente.
Passado o frisson da emoção nacional causada pelo caso Valentina esperam ansiosamente, no topo do galho com o bico adunco sobreposto, o aparecimento de outra presa putrefacta.
Esta por exemplo não lhes suscitou apetite, vá lá saber-se porquê...
Duas colunazitas com foto ampliada para descrever um caso monstruoso e digno de maior atenção lógica que o da Valentina. Um filho drogado manda matar a própria mãe para arranjar dinheiro para o vício.
Assunto visto e revisto, aposto que nem um Camilo dos tempos antigos lhe pegava para rabiscar novela.
Daí o fait-divers...e o espelho límpido de toda a obscenidade deste director-geral do jornal.
O Público também teve direito a subsídio, neste caso a entrar directamente nas contas da SONAE e das mercearias espalhadas pelo país: um pouco mais de 300 mil euros para pagar fretes que têm sido generosos, ultimamente.
A Global Media Group, completamente falida, teve direito a fatia substancial ou não fosse o cóio homiziado de apparatchicks vários. E não vai ficar por aqui porque a Câncio e outros que tais precisam de pagar contas em cabeleireiros.
Rui Rio, o fantástico líder do principal partido de oposição que se esforça por não querer ganhar votos, deixando o partido à míngua neste tipo de decisões, já disse que este bodo se destina a subsidiar as manhãs das tv´s., leia-se as estridentes cristinas ferreiras e também os big brothers, agora animados por sujeitos de género particular.
O CM dá conta e escandaliza-se por ficar em terceiro lugar no bodo aos pobres.
Assim não vale!, parece dizer o director-geral do pasquim enquanto publica notícias horrorosas apresentadas como meros faits divers, como aliás acontece esporadicamente.
Passado o frisson da emoção nacional causada pelo caso Valentina esperam ansiosamente, no topo do galho com o bico adunco sobreposto, o aparecimento de outra presa putrefacta.
Esta por exemplo não lhes suscitou apetite, vá lá saber-se porquê...
Duas colunazitas com foto ampliada para descrever um caso monstruoso e digno de maior atenção lógica que o da Valentina. Um filho drogado manda matar a própria mãe para arranjar dinheiro para o vício.
Assunto visto e revisto, aposto que nem um Camilo dos tempos antigos lhe pegava para rabiscar novela.
Daí o fait-divers...e o espelho límpido de toda a obscenidade deste director-geral do jornal.
terça-feira, maio 19, 2020
Sérgio Figueiredo, trebelho do PS
Sérgio Figueiredo um whizz kid dado a empregos de fundação, já foi retratado aqui e aqui como mais um apêndice da tralha socrática.
Há uma dúzia de anos tinha este currículo repescado daqui ( o link que existia desapareceu...):
Por causa disto vai ser julgado pelo crime de ofensa à reputação económica que é punido com uma pena diminuta face à gravidade da ofensa em causa. Pensei que a pena fosse substancialmente superior e por isso vai andar com uma peneca de multa, se for condenado.
Há uma dúzia de anos tinha este currículo repescado daqui ( o link que existia desapareceu...):
- Nome: Sérgio Figueiredo.
- Idade: 40 anos (nasceu em 1966).
- Sexo: masculino.
- Habilitações académicas: Licenciado em Economia pelo ISE – Instituto Superior de Economia (actual ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa). Pós-graduado em Gestão das Comunicações e Multimédia (ISEG).
- Órgão de comunicação social em que trabalha: Director do Jornal de Negócios e apresentador do concurso “AUDAX – Negócios à Prova” (para empreendedores com novos planos de negócio) e do programa “Balanço e Contas” (sobre macroeconomia, Bolsa e empresas), ambos transmitidos pela RTP2.
- Órgãos/empresas de comunicação social em que trabalhou: Jornalista – O Diário (de 1989 a 1990); Semanário Económico (1990); Expresso (de 1990 a 1995).
- Director editorial ou outras funções – Diário Económico (grande repórter, de Abril de 1995 a Fevereiro de 1996; director-adjunto, de Fevereiro a Outubro de 1996 e director, de Outubro de 1996 a Setembro de 2001); Económica SGPS (director-geral editorial, de Fevereiro a Setembro de 2001, e administrador, de 1998 a Setembro de 2001).
- Colunista ou comentador especializado em Economia – Público (Outubro de 2001 a Agosto de 2002); Correio da Manhã (de Setembro de 2002 a Maio de 2003); Sábado (Maio de 2004 a Janeiro 2007); TSF (em 1991 e 1992, e rubrica semanal “Opinião Económica”, em 1998 e 1999), Rádio Comercial (rubrica semanal em 1996 e 1997) e Antena 1 (s.d.); RTP2 e SIC (colaborações nos serviços noticiosos, de 1996 a 2001); TVI(de 1999 a Setembro de 2001); SIC Notícias(autor e apresentador do programa semanal “Linha de Crédito” e comentador, de Outubro de 2001 a Dezembro de 2003) e RTP1 (de Março de 2005 a Janeiro de 2007).
- Data em que se iniciou na profissão: 1989.
- Estatuto profissional (na data da entrevista): Director editorial do Jornal de Negócios.
- Local: Gabinete de Sérgio Figueiredo, na redacção do Jornal de Negócios, em Lisboa.
- Data: 03.07.06.
Por causa disto vai ser julgado pelo crime de ofensa à reputação económica que é punido com uma pena diminuta face à gravidade da ofensa em causa. Pensei que a pena fosse substancialmente superior e por isso vai andar com uma peneca de multa, se for condenado.
Pior será o pedido de indemnização que se for adequado ao prejuízo, será a ruína da estação e do pobre Figueiredo.
A Censura da Cofina...é assim
Sapo24:
Nem adianta mais dizer algo sobre Octávio Ribeiro e a Cofina: são artistas portugueses, da "outra banda" e que passaram a integrar o elenco oligárquico dos poderes nacionais.
O Ventura é fascista, de extrema-direita, racista, xenófobo e sei lá que mais...mas diz que saiu "a bem".
Pois bem mas o Director Geral da Cofina é apenas o que é: da "outra banda" que não esquece a luta de classes. A de Octávio Ribeiro é mais prosaica que as outras: ajudar a encher os bolsos ao patrão.
Chama-se a isso um...todos sabem, não é preciso dizer.
Nem adianta mais dizer algo sobre Octávio Ribeiro e a Cofina: são artistas portugueses, da "outra banda" e que passaram a integrar o elenco oligárquico dos poderes nacionais.
O Ventura é fascista, de extrema-direita, racista, xenófobo e sei lá que mais...mas diz que saiu "a bem".
Pois bem mas o Director Geral da Cofina é apenas o que é: da "outra banda" que não esquece a luta de classes. A de Octávio Ribeiro é mais prosaica que as outras: ajudar a encher os bolsos ao patrão.
Chama-se a isso um...todos sabem, não é preciso dizer.
A Censura e o actual poder oligárquico em Portugal
Há 50 anos havia censura em Portugal, oficial, com departamento próprio e regras conhecidas: tudo o que se aparentasse a subversão política do regime vigente era potencialmente censurado, nos media existentes.
Quem pretendia então subverter o regime do modo que a Censura não tolerava era o comunismo e o socialismo então ainda marxista e adepto de projectos revolucionários de alteração radical das estruturas económicas.
Um dos motivos justificativos para tal residia na circunstância de nos encontrarmos em guerra, precisamente contra o comunismo que grassava nos nossos territórios ultramarinos e queria apoderar-se dos mesmos como aliás veio a suceder.
Para além disso também se censuravam demonstrações públicas de alteração radical de costumes em nome de uma decência que apesar disso e consensualmente se ia modificando, aos poucos.
Noutros países da Europa não havia tal censura instituída para evitar manifestações de radicalismo político, mas existia o outro tipo de censura, dirigido a costumes, ainda conservadores.
Na Inglaterra ou na França e mesmo Itália não se admitiu a difusão pública de um disco como Je t´aime, moi non plus, em 1969, exemplo concreto da alteração subtil nos costumes que foi evoluindo até aos dias de hoje.
A Censura política, institucionalizada nos serviços do Estado foi abolida em 25 de Abril de 1974 e os que se queixavam da mesma tiveram então o seu momento de glória, publicando livremente as ideias que antes não podiam exprimir publicamente.
Como tais ideias assentavam em pressupostos marxistas e de luta de classes, a contradição apareceu logo a seguir: instauraram uma censura efectiva e prática, nas consciências das redacções e direcções de órgãos de informação, afastando, "saneando" todos os que antes os tinham censurado.
Fizeram o mesmo que lhes fizeram e apesar de proclamarem que não e que passou a existir liberdade de expressão a verdade é que contra factos não há argumentos desses e este blog procura desde sempre demonstrá-lo.
A simples existência de órgãos e informação que veiculassem as ideias antigas que eram as do regime anterior, foi logo questionada e por falta de meios, inclusivé humanos, tais órgãos de informação quase nem chegaram a aparecer, tendo os poucos resistentes soçobrado ingloriamente em tal exercício. Em Portugal, neste momento haverá um ou outro, com expressão muito residual, quase irrelevante.
A Liberdade propalada ficou outorgada em contrato vitalício aos detentores das novas ideias assimiladas à Esquerda em geral e dos novos poderes com o direito inerente de censurarem os que os censuravam, apodando-os de fascistas, de extrema-direita e outros mimos excludentes tornados armas de arremesso.
Assumiram então a designação de Democracia, com a exclusão de correntes políticas ou ideias que questionem a legitimidade ou mesmo contradições de tal identificação tornada em valor absoluto .
O exercício continuado desta prática viciosa conduziu depois a outro fenómeno: à identificação da Liberdade e Democracia com o poder que se foi instituindo ao longo de 40 anos e redundou na organização de um regime que se assemelha já a uma oligarquia ou seja "um governo de poucos" apesar de serem eleitos por muitos e fundarem aí a legitimidade para se afirmarem representantes do povo em geral.
Esta oligarquia, por força de eleições cada vez menos representativas, gizou um sistema de valores, referências e regras escritas , orientado por algumas centenas de indivíduos que se reúnem em partidos de um sistema e que por força de antiguidade e influência vitalícia outorgada pelos cargos exercidos, dominam o aparelho de Estado e num país pobre influenciam empresas privadas e órgãos de informação.
Tal oligarquia detém agora um poder cada vez maior e com reflexos significativos na Liberdade e Democracia proclamados como valores absolutos.
Um dos exemplos que se atingiu em Portugal neste contexto é este dado a conhecer no jornal i de hoje, com factos graves praticados por um pau-mandado do sistema oligárquico constituído, criminoso indiciado numa infracção grave que afectou milhares de contribuintes e depositantes de um banco.
Poderia dizer-se que esta notícia singela seria a prova de que afinal o sistema oligárquico assim denunciado afinal tem válvulas de escape e mecanismos de segurança para evitar o totalitarismo oligárquico, perigo sempre presente.
Porém não é assim. O jornal i, ao denunciar a actuação censória deste pequeno pau-mandado não o faz apenas por amor acrisolado à Liberdade.
Se assim fosse nas páginas do mesmo jornal poderíamos ler outras notícias, reportagens e até opiniões que pusessem verdadeiramente em causa este sistema oligárquico. Ora isso está muito longe de suceder.
Em Portugal, hoje em dia, caminhamos a passos largos para uma uniformização venezuelana do poder mediático. As televisões são o melhor exemplo disso, apesar das pequenas excepções, nem por isso muito significativas, dos programas desta Ana Leal ou os da Felgueirinhas.
Para uma Felgueirinhas há dez Josés Albertos de Carvalho. A explicação para o fenómeno? É simples, a meu ver: somos um país pobre e alguns, para terem acesso a bens de consumo e trem de vida mais confortável, vendem a alma. Se é que alguma vez a tiveram...
Outro exemplo da pinderiquice nacional que ostenta na lapela identitária esta oligarquia aparece no CM de hoje.
A notícia é aparentemente chocante: o Novo Banco, resultado da falência do banqueiro Salgado, um dos elementos proeminentes da oligarquia, vai distribuir dinheiro extra pelos administradores. O costume é da praxe, entre bancários.
O CM denuncia como um escândalo. E será, porque continua a dar prejuízos, mas...não é por isso que aparece na primeira página do CM.
A razão é a pinderiquice do jornal e a inveja típica de uma certa Esquerda que mora lá para os lados da outra banda e que afinal foi quem alimentou a presente oligarquia que temos.
Para ser mais específico sobre a tal oligarquia faltou-me isto que tinha recortado:
E mais isto que foi colocado verbi gratia na caixa de comentários. Diz que o da esquerda é o da TVI...o tal que censura a informação a não ser que lhe dê jeito ou aos seus. Que são estes...
Quem pretendia então subverter o regime do modo que a Censura não tolerava era o comunismo e o socialismo então ainda marxista e adepto de projectos revolucionários de alteração radical das estruturas económicas.
Um dos motivos justificativos para tal residia na circunstância de nos encontrarmos em guerra, precisamente contra o comunismo que grassava nos nossos territórios ultramarinos e queria apoderar-se dos mesmos como aliás veio a suceder.
Para além disso também se censuravam demonstrações públicas de alteração radical de costumes em nome de uma decência que apesar disso e consensualmente se ia modificando, aos poucos.
Noutros países da Europa não havia tal censura instituída para evitar manifestações de radicalismo político, mas existia o outro tipo de censura, dirigido a costumes, ainda conservadores.
Na Inglaterra ou na França e mesmo Itália não se admitiu a difusão pública de um disco como Je t´aime, moi non plus, em 1969, exemplo concreto da alteração subtil nos costumes que foi evoluindo até aos dias de hoje.
A Censura política, institucionalizada nos serviços do Estado foi abolida em 25 de Abril de 1974 e os que se queixavam da mesma tiveram então o seu momento de glória, publicando livremente as ideias que antes não podiam exprimir publicamente.
Como tais ideias assentavam em pressupostos marxistas e de luta de classes, a contradição apareceu logo a seguir: instauraram uma censura efectiva e prática, nas consciências das redacções e direcções de órgãos de informação, afastando, "saneando" todos os que antes os tinham censurado.
Fizeram o mesmo que lhes fizeram e apesar de proclamarem que não e que passou a existir liberdade de expressão a verdade é que contra factos não há argumentos desses e este blog procura desde sempre demonstrá-lo.
A simples existência de órgãos e informação que veiculassem as ideias antigas que eram as do regime anterior, foi logo questionada e por falta de meios, inclusivé humanos, tais órgãos de informação quase nem chegaram a aparecer, tendo os poucos resistentes soçobrado ingloriamente em tal exercício. Em Portugal, neste momento haverá um ou outro, com expressão muito residual, quase irrelevante.
A Liberdade propalada ficou outorgada em contrato vitalício aos detentores das novas ideias assimiladas à Esquerda em geral e dos novos poderes com o direito inerente de censurarem os que os censuravam, apodando-os de fascistas, de extrema-direita e outros mimos excludentes tornados armas de arremesso.
Assumiram então a designação de Democracia, com a exclusão de correntes políticas ou ideias que questionem a legitimidade ou mesmo contradições de tal identificação tornada em valor absoluto .
O exercício continuado desta prática viciosa conduziu depois a outro fenómeno: à identificação da Liberdade e Democracia com o poder que se foi instituindo ao longo de 40 anos e redundou na organização de um regime que se assemelha já a uma oligarquia ou seja "um governo de poucos" apesar de serem eleitos por muitos e fundarem aí a legitimidade para se afirmarem representantes do povo em geral.
Esta oligarquia, por força de eleições cada vez menos representativas, gizou um sistema de valores, referências e regras escritas , orientado por algumas centenas de indivíduos que se reúnem em partidos de um sistema e que por força de antiguidade e influência vitalícia outorgada pelos cargos exercidos, dominam o aparelho de Estado e num país pobre influenciam empresas privadas e órgãos de informação.
Tal oligarquia detém agora um poder cada vez maior e com reflexos significativos na Liberdade e Democracia proclamados como valores absolutos.
Um dos exemplos que se atingiu em Portugal neste contexto é este dado a conhecer no jornal i de hoje, com factos graves praticados por um pau-mandado do sistema oligárquico constituído, criminoso indiciado numa infracção grave que afectou milhares de contribuintes e depositantes de um banco.
Poderia dizer-se que esta notícia singela seria a prova de que afinal o sistema oligárquico assim denunciado afinal tem válvulas de escape e mecanismos de segurança para evitar o totalitarismo oligárquico, perigo sempre presente.
Porém não é assim. O jornal i, ao denunciar a actuação censória deste pequeno pau-mandado não o faz apenas por amor acrisolado à Liberdade.
Se assim fosse nas páginas do mesmo jornal poderíamos ler outras notícias, reportagens e até opiniões que pusessem verdadeiramente em causa este sistema oligárquico. Ora isso está muito longe de suceder.
Em Portugal, hoje em dia, caminhamos a passos largos para uma uniformização venezuelana do poder mediático. As televisões são o melhor exemplo disso, apesar das pequenas excepções, nem por isso muito significativas, dos programas desta Ana Leal ou os da Felgueirinhas.
Para uma Felgueirinhas há dez Josés Albertos de Carvalho. A explicação para o fenómeno? É simples, a meu ver: somos um país pobre e alguns, para terem acesso a bens de consumo e trem de vida mais confortável, vendem a alma. Se é que alguma vez a tiveram...
Outro exemplo da pinderiquice nacional que ostenta na lapela identitária esta oligarquia aparece no CM de hoje.
A notícia é aparentemente chocante: o Novo Banco, resultado da falência do banqueiro Salgado, um dos elementos proeminentes da oligarquia, vai distribuir dinheiro extra pelos administradores. O costume é da praxe, entre bancários.
O CM denuncia como um escândalo. E será, porque continua a dar prejuízos, mas...não é por isso que aparece na primeira página do CM.
A razão é a pinderiquice do jornal e a inveja típica de uma certa Esquerda que mora lá para os lados da outra banda e que afinal foi quem alimentou a presente oligarquia que temos.
Para ser mais específico sobre a tal oligarquia faltou-me isto que tinha recortado:
E mais isto que foi colocado verbi gratia na caixa de comentários. Diz que o da esquerda é o da TVI...o tal que censura a informação a não ser que lhe dê jeito ou aos seus. Que são estes...
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