domingo, 24 de maio de 2020

Orgulhosamente sós, mesmo quando.

Aos domingos, a partir das 11:00, a Antena Um tem um programa que pode ser escutado em "podcast" e dura há anos: A Cena do Ódio, animado principalmente nas escolhas musicais, por David Ferreira, filho de David Mourão Ferreira.

Gosto de ouvir o programa que mistura todos os géneros musicais e de todas as latitudes, antigos e modernos, sob um tema escolhido e numa lista criteriosa e sempre surpreendente como só o rádio pode ser.

No programa de hoje que ainda decorre, o tema é a Europa. Em determinado momento, passou uma música dos Kraftwerk, do disco de 1977, Trans-Europa Express,  seguido de outras músicas e um poema do pai do animador, em que aquele declama o seu amor acrisolado pela Europa.

O filho, prestimoso no politicamente correcto antifassista,  tratou agora de sujar o tema com uma observação espúria: a Europa celebrada pelo pai em 1965 era uma entidade que por cá não se via sequer como modelo ou referência, preferindo-se antes o Estado de "orgulhosamente sós".

Citando mesmo um discurso de Salazar da mesma época, disse-o, vituperando a figura de Salazar e enaltecendo por contraste a do pai, fazendo-o  através da locutora que colabora no programa, Catarina Limão, certamente formatada intelectualmente para acreditar nessa baboseira, pelas madrassas da praxe.

David Mourão Ferreira?  Pois, é um poeta "do amor",  já falecido nos anos noventa e que sempre se adaptou bem, antes e principalmente depois de 25 de Abril de 1974. Nem é preciso dizer mais.

O que é preciso dizer é que Salazar não disse aquela expressão no contexto emprestado no programa do filho David.

Aqui fica a prova, com a reprodução do discurso em que tal expressão foi proferida, de 18 de Fevereiro de 1965, perante a Comissão Executiva da União Nacional.





E mais algumas páginas, antes dessa e do mesmo discurso que aposto este David nunca leu.







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