quarta-feira, 13 de maio de 2020

Caso Valentina: mais um reality show desco(n)finado

O CM de hoje, continuando o reality show da CMTV estreado há dias, na sequência do anterior intitulado Rosa Grilo, mostra os últimos movimentos na casa da Cofina.

Assim:


O relato jornalístico de capote em fiapos é pungente e emitido em frases curtas, num estilo peculiar, de rigor, objectividade. Jornalismo exemplar, de escola. Assim. Também. Em frase curtas...

Começa com o fatal "choraram ambos no tribunal". Como isso é de suprema importância também é preciso saber quem começou primeiro. Foi o Sandro. Ou foi este que entrou primeiro no tribunal? Não se descortina na curta oração redigida.
O "CM sabe" que a "madrasta" foi ouvida em primeiro lugar e afinal "assistiu a tudo" e "nada fez" e "manteve sempre a tese de vítima".
O Sandro "mantém a tese de morte acidental". Lá se vai a tese do monstro...se não houver prova de mais.
É isto a notícia do órgão oficioso do reality show desco(n)finado. Mas há mais cinco páginas profusamente ilustradas.
Na página 8 do jornal relata-se o que justifica a notícia de primeira página. Assim:


Lendo, não se acredita nesta notícia:



A "criança" relatou algum crime? Pelos vistos e se pode ler, com aspas " viu-a tremer, espumar e depois adormecer". Mais: "não sabia que Valentina tinha morrido".
Como acrescento informativo: " o depoimento tem valor jurídico". Pois tem, ao contrário dos depoimentos que a PJ terá passado a este jornalismo, decorrentes das conversas mantidas com os suspeitos, anteriormente e que serviram para montar o reality show. Estes depoimentos valem zero.
Por outro lado, a criança não relatou crime algum. Relatou o que pode ser lido e nunca autorizaria o título da notícia que portanto é falsa na essência e na forma porque subentende como provado o crime de homicídio, mas nem sequer com dolo directo.

A conclusão deste jornalismo, depois disto: " o MºPº entende que ambos são responsáveis. Agiram com dolo, perceberam que Valentina podia morrer e conformaram-se com o resultado".

Pois isso é dolo, mas eventual. E tudo reside aí: a tese do "monstro" já foi à vida. Agora vamos ver se a tese do dolo eventual também poderá ter o mesmo destino infausto neste reality show obsceno, montado pelo CM e pela CMTV, com esta jornalista inacreditável.
Além do mais, está lá, no reality show, o professor ainda co(n)finado de gravata, Rui Pereira que já devia ter aventado a hipótese de o crime poder afinal ser outro: homicídio preterintencional. Indo ao google pode ler-se o que é e como é punido. E não é como no crime de homicídio qualificado...e a discussão vai agora ocorrer neste nível que não é de todo o do julgamento popular, encetado no reality show da CMTV, com o patrocínio de Rui Pereira, engravatado neste co(n)finamento.

Ontem, na CMTV, à noite, após o trailer insinuando que este jornalismo tivera acesso aos depoimentos prestados no tribunal, havia um naipe de especialistas convocados para debater o que se passava na "casa" deste jornalismo.
Rui Pereira, ainda confinado de gravata, o tal Rodrigues que me assusta em tudo o que diz, o pobre Carlos Anjos, que ainda espero que sinta alguma vergonha pela figura que anda a fazer e até uma psicóloga, Joana Amaral Dias. Esportulou gratuitamente a tese de que o suspeito é sociopata, psicopata talvez. Assim, tal e qual. Loucura.

A ERC por onde anda?! Nem se atreve a intervir. Fosse a Ana Leal...e esta obscenidade não teria curso de reality show como vai continuar a ter.

ADITAMENTO:

À hora do almoço, na CMTV, o comentador co(n)finado e engravatado em casa, Rui Pereira, ufanou-se em ter adivinhado e profetizado ontem o sentido da incriminação que conduziu a prisão preventiva os dois suspeitos. Alvitra agora que o crime de homicídio foi praticado por omissão. Enfim.

Continuou a palpitar culpabilidades e afins, conhecendo os factos através do jornalismo de reality show. Vai longe...

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