sábado, 30 de maio de 2020

Os reality shows da criminalidade violenta: obscenos e moralmente repugnantes

As últimas semanas têm sido um filão para quem se interessa pelo lado mais obscuro da natureza humana, o que incita a espreitar os outros no que têm de mais sórdido e repugnante.
Os crimes de sangue aparecem à cabeça de tais propensões doentias quando ultrapassam certos limites da curiosidade natural. Quanto mais faca e alguidar melhor; quanto mais mistério ainda melhor.
Cientes da atracção fatal de tais assuntos, certos media exploram despudoradamente a curiosidade doentia, revelando de modo sensacional e obsessivo os aspectos que suscitam a espreita e a especulação sobre tudo o que  rodeia tais acontecimentos funestos.
Sendo natural a curiosidade torna-se obscena a exploração comercial de tal efeito, exacerbando o interesse e provocando o voyeurismo apenas com um objectivo: lucrar com a perversidade, vicejar na esterqueira moral e fazer modo de vida da exploração das maiores fraquezas humanas. 
A Justiça ou o interesse público na informação ou a legítima exposição de factos e acontecimentos emocionantes pouco ou nada tem a ver com o assunto principal: um modo de vida, uma profissão de abutre das misérias alheias. É mesmo obsceno e moralmente repugnante.

Os líderes incontestados desta obscenidade mediática estão identificados e até aparecem hoje enumerados num dos órgãos de tais empresas mediáticas:


Um dos sumo-sacerdotes desta miséria moral é um professor de direito penal, político do PS, maçónico adormecido, de seu nome Rui Pereira. Escreve assim  no jornal de hoje a propósito do último caso repugnante que surgiu mediaticamente explorado agora até ao tutano de uma intimidaade que nunca alcançarão.

O dito Rui Pereira, que aparece ainda na tv do grupo Cofina, confinado em casa e sempre engravatado para o efeito, interroga-se sobre a motivação de um crime que já é apresentado como "passional", na senda dos relatos camilianos de antanho, como se isso fosse lenitivo para o horror e monstruosidade cometida.



Afinal o autor confesso parece ser uma pessoa normal, estudante jovem e até cooperante em ajudas humanitárias ultramarinas.
Não lhes ocorre nada mais do que perguntar: "porquê?"  A resposta será sempre difícil pelos motivos que especulam sem atingir uma hipótese mais que provável: o desequilíbrio mental, a doença latente que conduz à morte e homicídio e nem é preciso andar a recordar que Caim matou Abel ou o que se contou e recontou, em palimpsestos vários nos séculos que se seguiram.



O Público também alinha nesta senda, procurando apenas outro tipo de sensacionalismo, o ideológico, o das causas, incluindo uma perversa, a do feminismo.
Nem sei qual seja o pior sensacionalismo, mas parece-me que a cegueira é igual e a obscenidade ronda de igual modo a mente de quem produz escritos destes, no jornal de hoje:


Lendo este relato nem se acredita que a autora não tenha aventado a hipótese mais lógica e provável para explicar certos procedimentos e actuações humanas.
Deveria lembrar-se- se é que conhece- de uma canção de Chico Buarque que foi também cantada por Milton Nascimento e que termina com estes versos:

O que será que me dá
Que me queima por dentro será que me dá
Que me perturba o sono será que me dá
Que todos os ardores me vem atiçar
Que todos os tremores me vem agitar
E todos os suores me vem encharcar
E todos os meus nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz suplicar
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem juízo


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