segunda-feira, 11 de maio de 2020

A BRISA era de um homem de Salazar e titereiro de Caetano ?

De um comentário ao artigo do Observador sobre a BRISA e as autoestradas em concessão:



A pessoa de quem se fala neste comentário, inominada, é Jorge de Brito. Para o comentador foi um "homem de Salazar" subentendendo a ignomínia de ser um homem de mão e ainda um "titereiro" de Caetano. Adivinha-se que o epíteto virá de um artigo cretino de Cristina Ferreira no Público, citando uma luminária chamada Jacinto Nunes.

 No livro de 2018 sobre os Empresários de Marcello Caetano, Filipe S. Fernandes explica quem foi Jorge de Brito:


No livro Os Burgueses de uma tripla do BE ( Louçã, Araújo Lopes e Jorge Costa) também se dá conta das empresas de Jorge de Brito, antes de 25 de Abril de 1974.


Onde é que a BRISA encaixa neste contexto? No livro de Filipe Fernandes, citando um artigo da revista Análise Social de 1987,  diz que Jorge de Brito gostava do negócio das auto-estradas e por isso se meteu no assunto, tendo feito aliança com o Banco Fonsecas e Burnay para o empreendimento que foi ganho por um consórcio do qual detinha 47,75%.

Fui ver um pouco mais longe e detectei em algumas revistas da época, como o Observador ( o original, que existiu de 1971 a 74) a história contemporânea do assunto.

Assim, no Observador de 4 de Agosto de 1972 fazia-se a referência ao concurso de auto-estradas ganho pela Brisa. E o financiamente era garantido pelo então Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa, do pai do actual ddt caído em desgraça.

O projecto de construção de auto-estradas vinha de 1970 e o horizonte temporal para a realização das obras em cerca de 358km, seria o ano de 1981. Basta ver quando é que as actuais, financiadas pelos fundos europeus, foram concluídas...para se concluir também que a democracia abrilenta nos trouxe significativos atrasos até neste domínio.


Por outro lado, o concurso não foi pacífico e houve quem protestasse ( um consórcio de espanhóis e italianos,  com portugueses)  o que foi dado conta na edição da revista de 25 de Agosto de 1972.
Dez catedráticos da parecerística jurídica nacional da época e que deixaram os sucessores  nos mesmíssimos lugares onde estão, entendiam que a proposta ganhadora não merecia ter ganho ( agora diz-se "ganhado"...segundo algum jornalismo):


Em 13 de Outubro de 1972 a mesma revista mostrava o que era o plano de auto-estradas em Espanha, na mesma época e da necessidade de articulação com o nosso plano e contava o que era o "caso português":


No caso português o assunto tinha sido resolvido pelo governo de Marcello Caetano tendo em atenção as conclusões de uma comissão com os respectivos membros identificados e que faziam parte de instituições oficiais do país.

Quantos aos pareceres dos dez catedráticos de Direito, é significativa o seu envio directamente para o caixote de lixo da História, depois de terem enchido os bolsos aos consultores: "É evidente que não é a nenhum dos concorrentes e respectivos consultores que compete decidir qual a proposta que melhor satisfaz o interesse público. Aliás, por muita consideração que mereçam as autoridades consultadas, estas emitem apenas opiniões pessoais, baseadas nos dados que lhes são fornecidos por quem as consulta e sem conhecimento, portanto, de todos os elementos do problema a resolver. Daí a frequência com que, no mesmo processo, apareçam personalidades eminentes, e de independência  e probidade indiscutíveis, a sustentar teses que se opõem, segundo as partes que as ouviram". 

Toma e embrulha que é democrático! E depois disto o Marcello Caetanto foi manipulado pelo Jorge de Brito, como se fosse um Sócrates pindérico...enfim.



Quanto ao comentário no Observador actual que usurpou o nome original, enfim, cada um tire a conclusão que entender.

Sem comentários: