segunda-feira, 11 de maio de 2020

Déjà vu há 50 anos




O disco dos Crosby Stills Nash & Young, Déja Vu, chegou ao topo de vendas na América, faz agora 50 anos.
É um disco importante na música popular e para mim foi um dos que determinou o interesse nesse tipo de música, muito por causa de uma simples canção: Teach your children e o som ondulante das cordas de aço da guitarra de pedaleira, no caso tocada por um elemento estranho ao grupo, Jerry Garcia que fazia parte de outro grupo da área, os Grateful Dead. Diz quem escreve sobre o assunto que seria uma das primeiras vezes que teria tocado tal instrumento mais próprio da sonoridade country. Durante muito tempo foi a minha canção preferida da música popular.
O disco que se começa a ouvir no tema Carry on, o de guitarras acústicas vigorosas e ritmo rápido encadeia logo no som fluido da guitarra de pedaleira e cordas de aço com as vozes de três elementos, Crosby, Stills and Nash. Neil Young fica de fora, nesta. Tal como fica na seguinte cantada por Crosby, Almost cut my hair. No entanto, na que vem a seguir a essas, Helpless,  a canção é inteiramente da sua autoria. No quinto tema, Woodstock,  o mesmo Young só toca guitarra e no sexto, Déjà vu, nem visto nem achado.Tal como no seguinte, Our House. Ou no tema acústico 4+20 da inteira responsabilidade de Stills. 
Porém, em Country Girl, o nono tema do disco, exemplar para quem estude harmonias em melodias rock, Neil Young é o compositor, cantor e produtor. No último tema do disco, Everybody i love you participam todos.
Nessa altura de 1970 não havia falta de música interessante a sair todas as semanas. A par desse disco havia o de Simon & Garfunkel, Bridge over Troubled Water, outro portento da época e o disco dos Beatles, Let it be saiu precisamente no dia 8 de Maio desse ano.
E na mesma altura, Primavera de 1970,  foi publicado um single de um grupo inglês que suplantou os demais, incluindo o Déjà Vu: In the Summertime de Mungo Jerry, um grupo sem história passada ou futura, com essa música de dança, exhilarating, como dizem os ingleses. E os Kinks publicaram Lola, uma canção de êxito. Os Creedence Clearwater Revival então um grupo com maior sucesso que os Beatles lançaram no Verão desse ano o disco Cosmo´s Factory, outro grande sucesso, juntamente com os anteriores.
O disco Déjà Vu, quando chegou aos escaparates das então discotecas tornou-se uma sensação, desde logo pela capa: um álbum de cor preta e a imitar cabedal rugoso, com uma foto monocromática e de imitação de época, com os membros do grupo na pele de  pretensos exploradores do Oeste americano do séc. XIX .
Em 1970 a iconografia publicada do grupo era muito escassa. Imagens havia a dos discos e pouco mais. De tal modo que em Novembro de 1974 a Rock & Folk publicou imagens de um concerto que os mesmos deram em Wembley. Comprei a revista pela primeira vez por causa disso- das imagens do grupo e que ainda não tinha visto a cores. 


Só a imagem das guitarras acústicas, de madeira trabalhada pela Martin, em dois modelos diferentes ( a D-45 de Crosby e a D-28, julgo, de Stills, para além de outra D-45 de Young)  era inspiradora da beleza sonora que delas se extrai e se pode ouvir no disco.

Nessa altura já andava encantado com os outros discos dos membros do grupo, aqui mostrados na revista Rock&Folk de Janeiro de 1972:


Mesmo nas décadas mais recentes em que abundam as compilações de artigos dedicados a vários grupos rock, a escassez de estudos dedicados ao grupo encontrará justificação na efemeridade do mesmo. Afinal, verdadeiramente só têm um disco de referência, para além do disco ao vivo. Antes desses houve um primeiro, publicado no ano anterior, sem a presença ou colaboração de Neil Young.
Apesar de ser um bom disco nem sequer o tenho. Déjà vu é que é. 



A Uncut de Junho de 2008 deu-lhes a capa e um artigo de algumas páginas.


Em Dezembro de 2019 a revista inglesa Record Collector deu-lhes também a capa por ocasião da clebração dos 50 anos de Déjà Vu e a análise dos temas do disco.





O desenho é de Janeiro de 1976...



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