sábado, 6 de dezembro de 2008

Amigos de ocasião


O Público de ontem, referia Dias Loureiro e "o amigo libanês e o genro de J.M.Aznar", para traçar o perfil das amizades de negócios, do português, vindo do nada de Aguiar da Beira, até chegar a Secretário-Geral do PSD e menos de dez anos depois, atingir o estatuto de multimilionário em contos e até em euros.
Foi aqui, neste posto e neste cargo que tudo aconteceu de relevante, para Dias Loureiro e é aqui que tudo deve voltar para se entender como chegamos onde chegamos.
É importante saber, o que fazia, no final dos anos oitenta, um Secretário-Geral de um partido commo o PSD, com uma maioria absoluta para guardar e durar mais uns anos.
Cavaco Silva é tido como grande amigo de Dias Loureiro e fixou-o no partido durante uns anos, para controlar o mesmo partido ( "precisava dele mais no partido do que no governo" dixit o próprio). Torna-se imperioso, por isso mesmo, saber o que fazia um Secretário-Geral de partido com maioria absoluta, por exemplo, para recolher donativos para o partido.
Numa altura crucial para a democracia portuguesa, de reprivatizações em marcha de muitos milhões, de perdões fiscais de montante faraminoso, de entrada de fundos europeus, perceber como tudo se passou.

O paralelo com a actual maioria absoluta, é importante, para se entender como funciona o sistema político português, relativo aos partidos de poder.
Torna-se essencial, perceber como, quem, de que modo e com que meios concretos, o Secretário-Geral de um partido de poder, obtém financiamentos para o partido, para além das regras que são conhecidas e respeitadas escrupulosamente por todos os partidos, como aliás estão fartos de tomar conhecimento as entidades competentes para tal.

Enquanto tal não suceder, tudo ficará nas salgadas águas de bacalhau, com postas a demolhar para os natais vindouros. E tal não vai suceder, porque quem investiga em Portugal, é o MP e o princípio da legalidade vigente, impede investigação criminal a factos com mais de vinte anos em cima. Mesmo para perceber os actuais...
Portanto, temos os jornais que temos, porque nem livros temos. Em Espanha saiu um em 2004. Em Portugal, o livro de Rui Mateus, é mais escondido que o Portugal Amordaçado, antes de 25 de Abril de 74. E assim ficamos, nesta ignorância criminosa, em que todos pressentem e suspeitam, mas não logram saber a verdade, porque o incómodo, incomodaria todo o regime. O director do Público, já escreveu que esta coisa, põe em causa o sistema e o regime. Precisamente.

Entretanto, como motivo de curiosidade acrescida, importa conhecer melhor os amigos de peito negocial, de Dias Loureiro e outros.
O tal libanês, El- Assir, cujo nome circula pela internet, do modo politicamente mais execrável, associando-o declaradamente ao tráfico de armas, teve honras de citação no Público, como tendo estado associado ao banco BCCI, o celerado banco dos traficantes, corruptos, branqueadores de dinheiro sujo e o mais que a banditagem de alto coturno internacional permite enunciar.

O BCCI, em Julho de 1991, fazia a capa da revista TIME, com os adjectivos mais aviltadores que pode haver para a reputação bancária: desde sleaze a refúgio de crooks. O piorio, como se pode ler neste infograma da revista, de 29.7.1991.
Aliás, o caso BCCI, devia servir de case study, para analisar o caso BPN. A Time, referia o esquema Ponzi, do nome de um vigarista americano que nos anos vinte, recolhia depósitos, abancava-se com a maior parte e mantinha sempre umas reservas suficientes para enganar os depositantes. O BCCI nos anos setenta e oitenta, ganhou a reputação de banco capaz de recolher depósitos e fazê-los desaparecer com a rapidez necessária nos paraíso fiscais, sem deixar rasto. Atraiu toda a espécie de criminosos de alto coturno, por isso mesmo.
No Público de hoje, noticia-se que "o amigo libanês" de Dias Loureiro, deixou um buraco no BPN, de 42 milhões de euros. Seis créditos concedidos pelo BPN e que pura e simplesmente não foram pagos. Créditos concedidos na mesma altura em que o "amigo libanês", vendeu à SLN de Dias Loureiro, as sociedades de Porto Rico, no início desta década, por 56 milhões de euros. Empresas que foram um flop anunciado por peritos do próprio banco...
Neste negócio, houve falta de informação ao Banco de Portugal.

No artigo da TIME, escreve-se assim, da dado ponto:

" A rede obscura tornou-se um viveiro natural para as associações dúbias e criminosas do BCCI. O banco estava em posição privilegiada para operar como unidade de recolha de informações uma vez que lidava com figuras como Noriega, Saddam, Marcos, Alan Garcia do Perú, Daniel Ortega, o leader dos contra Adolfo Calero e traficantes de armas como Adnam Kashoggi. Os seus propósitos originais, eram o pagamento de luvas, a intimidação de autoridades e abafar investigações. No início dos oitenta, começaram mesmo a operar por conta própria, em negócios de tráfico de droga, armas e negócios especulativos variados."

No tráfico de armas, associado a Kasshoggi, cunhado de El-Assir, está também mencionado, um outro indivíduo importante nesta actividade, Al Kassar, envolvido directamente no escãndalo Irão-Contras.
Portugal, teve nada a ver com isto, nos anos oitenta? É certo que as coisas se passaram muito antes de 1985, mas...demasiado próximo para que alguém com amizades chegadas ao libanês, possa dizer com a naturalidade dos néscios que não sabia de nada, nem conhecia as actividades do amigo do peito negocial.
Será caso para perguntar: e como é que aparece El-Assir, na vida negocial de Dias Loureiro? Quando, como e porquê?
Perguntar não ofende. Só ajuda a esclarecer.

Clicar para ler e ver.



2 comentários:

Karocha disse...

Eu nem queria acreditar no que estava aqui a ler.
Mas... postado por si José!

Karocha disse...

E já agora José aonde entra neste puzzle o João Vale e Azevedo, também conhecido p'lo Gica das fotocopias?

O TCIC é para acabar...