quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A ética do regimento

Segundo o Público de hoje, afinal ninguém consegue detectar ao certo, quantos senadores da nossa República ( tomaram assento na Sala do Senado), votaram ou não na passada Sexta-feira, a famigerada suspensão da avaliação dos professores.
Não é possível avaliar, segundo o Público, porque a votação foi anónima, por contagem de filas das bancadas e as presenças não foram contadas individualmente, com identificaçãol dos votantes. Pelos vistos, "há deputados que estiveram presentes e votaram e que são dados como faltosos".
E se o visionamento das bancadas do Senado, torna possível uma avaliação a olho nu, a crueza da exposição torna-a improvável. "A secretária da mesa, Celeste Correia, assegurou que tal não está previsto, a não ser que seja decidio em conferência de líderes".
O problema, reside no Regimento: " Se todos reconhecem a dificuldade em controlar a assiduidade, ninguém parece interessado em mudar o regimento".
Para quê? Mudaria alguma coisa, de essencial, no funcionamento intrínseco da nossa Assembleia desta República?
Quantas vezes, escândalos como este, e ainda piores, foram já noticiados? Adiantou alguma coisa de essencial?
Quem manda na Assembleia da República? Os partidos políticos. Quem manda nos partidos políticos? Os líderes. Quem manda nos líderes? Esta fica sem resposta porque não há resposta possível e linear.
Mas há outra pergunta, cuja resposta é conhecida: quem escolhe os deputados que temos, são os líderes dos partidos. Por lista apresentada a preceito. Com nomes propostos e nomes riscados. Alguns, têm lugar cativo há anos. São os imprescindíveis, na designação infeliz de um politólogo.
O povo, no meio disto, acaba por ser o enganado e por isso, os estudos sobre a democracia que temos, são inequívocos: não presta.
Democracia, isto? Talvez uma oligodemocracia. Uma espécie de ornitorrinco democrático.
O Correio da Manhã, nem está para grandes ademanes, no título de hoje, em relação aos titulares do mais nobre poder da democracia:
"Deputados assinam o ponto e fazem gazeta".

2 comentários:

lusitânea disse...

Mas afinal qual é a admiração?O que é que um deputado risca?Caladinho e baixo perfil é o ideal... e como eles sabem isso praticam-no...

PJMODM disse...

Sobre a ética da feitura e aplicação dos regimentos, códigos de éticas e quejandos é pertinente o revisitar do texto de Pedro Magalhães, http://margensdeerro.blogspot.com/2008/12/outlier-o-absentismo-dos-deputados.html

Finito, Fernando Esteves