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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ainda sobre o espião que perdeu a pena e não há mal que lhe não venha...

José Manuel Fernandes, antigo director do Público escreve no jornal sobre o assunto dos espiões e serviços de informações. Aproveita a onda e malha no pobre desgraçado Carvalho como em centeio verde.

Começa por dizer que se encontrou o ano passado, no mês de Agosto,  com o referido "espião" porque este lho pedira a propósito de um comentário desprimoroso que JMF produzira num programa de tv. Portanto, depois das eleições, aceitou encontrar-se com um indivíduo que já era ninguém nos serviços de informação e que trabalhava para uma empresa privada. Aceitou porque, escreve, "nunca recusou, na sua vida profissional, este tipo de encontros."

A conversa, privada, foi sobre a Ongoing. Escreve agora JMF que as respostas que ouviu adensaram-lhe as suspeitas que não conta quais seriam e que agora fica surpreendido por ver que muitas pessoas  tinham em "alta consideração o antigo director do SIED."

Porra, que facada! 
E escreve depois que "o que temos vindo a descobrir é tão grotesco como inquietante." Mas... o quê, afinal?  Os relatórios produzidos como aquele sobre o Francisco Pinto Balsemão, "mostram uma mentalidade inquisitória e pidesca, como revelam, ao misturar factos públicos com boatos demenciais, uma mistura de preconceito, ignorância e incompetência que não se sabe se é exclusiva de quem os produziu na Ongoing, se é comum aos serviços de informações de onde aquela gente veio."

E elabora a partir daí a sua teoria, muito corrente, de que os serviços de informação não têm conserto possível.
A opinião de José Manuel Fernandes sobre este assunto revela mais do que se esperava e o modo como dirigiu o jornal. Mas há um aspecto ou dois que merecem atenção pelo desconhecimento grave que denotam.

O primeiro é escrever que houve neste caso "uma investigação judicial ordenada pelo governo, é bom não esquecer."
Como é possível que um antigo director de um jornal de referência possa escrever uma enormidade deste calibre, digamos assim para não ofender desnecessariamente?

Então a investigação judicial pode alguma vez ser ordenada pelo governo, santo Deus? Mesmo que tenha sido lapso e que se refira à investigação derivada da participação remetida para tal efeito por entidades administrativas dos próprios serviços de informações, mormente da fiscalização, tal não reveste a forma de qualquer ordem nem poderia revestir atento o princípio da divisão de poderes.

Depois há outra consideração que merece destaque porque vai fazendo caminho mediático: o relatório sobre Balsemão ou mesmo sobre Ricardo Costa não podem nem devem ser imputados aos serviços e portanto terá razão o director Júlio Pereira ao negar tal facto. 
Qualquer um desses apontamentos pessoais ( a que querem à viva força chamar relatórios...) consta de agendas ou apontamentos escritos do visado e não podem nem devem ser associados à sua actividade profissional que tal impede.
Juntar a vontade de elaborar tais "relatórios" ao desejo de terem sido elaborados pelos serviços de informação da República é um passo que tem sido dado, designadamente por aquele Ricardo Costa, evidentemente.
Mas é um passo maior que a perna.

2 comentários:

zazie disse...

Há uma coisa que é uma grande verdade que este paloncito do 57 diz.

«"nunca recusou, na sua vida profissional, este tipo de encontros."»

Pois não. Incluindo aqueles de kipah.

Resta saber é se também chama PIDE à Mossad.

Floribundus disse...

'derentemente' aparecem vozes e escritos saidos do nada
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