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domingo, 24 de junho de 2012

As verdades para o Público são apenas conveniências

O Provedor do Leitor do Público, José Queirós, hoje no jornal e sobre o assunto "Relvas" vs. Público ( é assim que o caso é apresentado), escreve várias coisas de que destaco duas:


"O primeiro compromisso dos jornalistas é com a verdade. Não é crível que um número significativo de profissionais respeitados de um órgão de referência tenha conspirado para mentir deliberadamente aos seus leitores, calcando aos pés a ética da profissão. Nem se descortina que interesse poderia motivar comportamento tão inverosímel."
Aqui está o típico argumento que prova demais. Cá para mim é mesmo crível que tal tenha acontecido. Não em relação à mentira mas à meia-verdade.
Afinal há apenas uma pessoa, para além do ministro que telefonou, que sabe a verdade, mas é plausível que nem essa saiba mesmo toda a verdade porque pode muito bem ter interpretado e transmitido uma verdade distorcida e que nesse ponto é essencial: até que ponto a ameaça do ministro era séria? Já vimos que não o era suficientemente nem para o advogado do jornal. Até que ponto a ameaça de divulgação de coisas pessoais de outra jornalista assumiu o carácter de gravidade que o Público sempre lhe quis dar até determinada altura e depois disso obliterou esse aspecto particular que empolaram até ao paroxismo da dúvida sem que ao mesmo tempo esclarecessem os leitores?
A verdade, neste caso, é por isso mesmo, uma incógnita. Neste como noutros pontos. Por exemplo no caso Casa Pia, em tudo o que interferia com o poder socialista da ala esquerda do partido, Ferro Rodrigues e tutti quanti,  é tudo cabala, para o Público. Ou não é assim mesmo?  Portanto, a verdade é uma obscenidade, por vezes, para o Público e quem fala dela nestes termos não tem autoridade para o fazer.
 
Segunda coisa:

"Os indícios de envolvimento do ministro em situações no mínimo eticamente duvidosas têm vindo a acumular-se em notícias não desmentidas, resultantes da investigação de diversos órgãos de informação ( em fontes abertas presume-se...). Foram aliás reforçadas por recentes revelações da ex-dirigente da Ordem dos Arquitectos Helena Roseta, que a própria explicou ter feito por achar que as "pessoas têm de saber quem é este homem". 

Curioso este ponto. O assunto do Público relativamente à jornalista ganha nova dimensão neste procedimento intencional. O que ao Público interessa, mesmo sem o admitir explicitamente é "saber quem é este homem" e portanto, o caso do telefonema serve às mil maravilhas para tal desiderato como útil para além di agradável.

Sucede que "este homem", Relvas, é conhecido há anos. Foi  um pivot importantíssimo na luta partidária no PSD que levou Passos Coelho ao poder. O que se sabe publicamente do mesmo, por informações publicadas pelos media e recolhidas em fontes abertas e fechadas deveria ser suficientemente grave para que o mesmo nunca fosse governante. Seria esse o papel dos media: denunciar o que "este homem" é e era.
Um indício seguro era desde logo a declaração de rendimentos no tribunal Constitucional e se jornais houvesse como deve ser, teriam questionado a fonte desses rendimentos da ordem das centenas de milhar de euros para um indivíduo ligado a determinadas empresas sem relação com bens "transaccionáveis" como agora se diz.
A pergunta a colocar é por isso muito simples: como é que Miguel Relvas ganhou o dinheiro que tem?
É assim tão difícil de colocar e responder, após investigação?
Então deixem-se de tergiversações. A historieta de Helena Roseta é importante, mas vem tarde. Muito tarde. Inês é morta como diz o outro...( o pSTJ).

1 comentário:

Floribundus disse...

o provedor não deve ler o jornal.
da alegre salema (do Pedro da roseta) tenho a pior das impressões. conheci-a pessoalmente quando no ppd dizia mal do ps e do doutor poeta. vi-a uma noite num restaurante da Baixa em amena cavaqueira. chegou atrasada a uma reunião importante e disse que vinha directamente da ar. eu disse 'mentirosa' e ia caindo fulminado pelo olhar de ódio.