Páginas

domingo, 10 de junho de 2012

De cavalo para burros

Repare-se nestes dois retratos de dois advogados que já fizeram política. O da esquerda é, supostamente, da Esquerda. O da direita, seria, também supostamente da Direita porque já foi da extrema.direita.

O da Esquerda defende o socialismo democrático, seja lá isso o que for e que nunca se soube ao certo. Em 1974, o PS andava ainda por descobrir o que era o socialismo diverso do comunismo do MES, de Jaime Serra e outros que não queriam socialismo algum em gaveta alguma, nunca.
O da Direita defendeu a uma ideia de extrema-direita, associou-se depois ao PSD e nos últimos anos nem se distingue do da Esquerda. O que os aproximará tanto assim?
A advocacia de negócios, como soi dizer-se. A advocacia que é praticada em meia dúzia de escritórios da grande Lisboa e que colonizou literalmente os assuntos do Estado que ligam com contratos de vulto e de Estado. Privatizações, project-finance para investimentos do Estado, contratos com estados estrangeiros, grandes empreendimentos.
Cada um deles tem dezenas e dezenas de advogados novatos a trabalharem como assalariados, quando muito como sócios de indústria. Um pequeno exército de juristas ao serviço da equipa sénior...
Quando são entrevistados, cada um deles fala de cátedra sobre diversos assuntos.

No caso concreto, Vasco Vieira de Almeida em entrevista ao Jornal de Negócios de 8.6.2012 fala essencialmente de política e de Esquerda.
José Miguel Júdice fala de tudo, inclusiva de corrupção, na entrevista ( mais uma...) que concedeu ao i de 5.6.2012. Entendo mal que este tipo de indivíduos ande sempre a ser entrevistado para dizer coisas que lhes interessa dizer. Não necessariamente o que interessa aos leitores lerem e saberem até porque os entrevistadores ( Anabela Mota Ribeiro e Isabel Tavares, respectivamente a VVA e JMJ) quase nunca lhes fazem as perguntas incómodas e que andam no ar. É pena que não lhas façam.













O da Esquerda genericamente fala sobre o título que o jornal deu à entrevista: as elites, em Portugal, não valem grande coisa. Lá saberá do que fala.
O da Direita refere-se a um assunto interessante. Sobre a corrupção não hesita em dizer que "toda a minha vida foi uma luta contra a corrupção. Não ganhei o dinheiro que podia ter ganho porque não aceitei coisas que não podia aceitar."
Não vou elaborar muito sobre esta declaração singela que me parece pura e simplesmente obscena. Júdice a falar sobre corrupção é como Vieira de Almeida a falar sobre o Freeport. Nunca conseguirão esclarecer as pessoas relativamente a casos em que a corrupção grave, de Estado e de estadão é um assunto corriqueiro para as polícias e MºPº que investigaram. Melhor fora que se calassem sobre o assunto.
No caso de Júdice há um caso singular que é paradigmático. Júdice, enquanto advogado de uma firma, no tempo do governo de Santana Lopes teve "quatro membros no governo", com destaque para o ministro de Estado e da presidência, Nuno Morais Sarmento. E antes disso, no tempo de Durão Barroso, com este advogado então ainda de indústria ( depois passou a sócio de capital), no governo, a firma conseguiu um contrato de avença, nunca explicado, com a Parpública. O PS de António Galamba bem perguntou, mas depois de ter ido para o governo perdeu o interesse em saber. Ver aqui, os pormenores.  O caso é demasiado grave para que Júdice se atreva sequer a pronunciar a palavra corrupção, sem explicar antes, muito bem explicadinho o que nunca  foi explicado:  como é que esse contrato foi preparado e quanto rendeu.E porque é que Morais Sarmento saiu da firma como sócio de indústria e reentrou, praticamente investido como sócio de capital.
Morais Sarmento? Sempre Ongoing...


4 comentários:

Wegie disse...

Falta aqui o Salazar Slytherin.

Wegie disse...

Nota: Só conheço esse porque sou da geração que acha que antes do Harry Potter não existiam livros...

Floribundus disse...

conheci Vasco como advogado antes de 25.iv
o 5ª das lágrimas como politiqueiro.

desta situação recordo a frase de Juvenal nas Sátiras:
'bona summa putes aliena vivere quadra' ou
'julga que o supremo bem é viver do pão alheio'

Karocha disse...

Floribundos

Você é notável!
Abraço
Karocha