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domingo, 3 de junho de 2012

Os compungidos do sistema em vara

Vasco Pulido Valente no sua crónica de hoje no Público lá refere o caso das "secretas". Estava a ver que o assunto nunca mais era. E que diz VPV? Essencialmente isto:

"Confesso que estas peripécias provincianas não me conseguiram excitar, no meio da corrupção que diariamente alguns beneméritos nos revelam e nos levou milhares de milhões de euros por processos que ninguém julgou ainda oportuno ou simpático esclarecer o país. 
(...) O que se vê - e não se vê mal- é o espectáculo de umas dúzias de ladrões que se passeiam tranquilamente por Lisboa e almoçam nos restaurantes do costume em toda a paz de espírito e sob a protecção da polícia."

VPV, confortavelmente não enuncia nomes. Apesar de identificar os ladrões com "notabilidades do regime" o que deixa pouca margem para especulações imaginativas, não diz quem acha que são os ladrões. São "ladrões" e chega de argumento, assim como um taxista vulgar designaria, com mais garbo e pundonor argumentativo.
De resto, no fim da crónica acaba por mencionar que "javalis" do tipo dos que invadiram a "vinha do Senhor" no Vaticano, também se acoitaram no seio do poder central indígena. Ou seja, estamos entregues a porcos que se aprestam a triunfar.

Nos jornais de hoje- Público, Diário de Notícias e Correio da Manhã- fica esclarecido o que já estava: o pedido de informações efectuado pelo "espião" Silva Carvalho sobre os empresários russos foi tarefa autorizada superiormente. Com isto, explicou o mesmo, estaria isento de qualquer violação de segredo de Estado- ou a mesma envolveria necessariamente os tais superiores.
O Expresso que já sabe disto há muito tempo construiu um caso sem caso e apenas por acaso de uma guerra comercial entre Impresas, elemento útil e mais relevantes do que o lado agradável de aparecer como paladino da defesa das regras democráticas nos serviços de informação.
A denúncia do Expresso sempre foi hipócrita, desprovida de factos suficientemente justificativos, artificialmente empolados para criar um clima propício aos respectivos interesses privados, o que foi conseguido. Para tal serviram-se do serviço Público tal como acusam o espião de o fazer. Para tal cometeram exactamente os mesmos delitos que até podem ser criminais se o critério qualificativo for o mesmo. E safaram-se.

Se houve autorização superior para a investigação aos empresários russos, falha redondamente o pressuposto da acusação por crime de violação de segredo de Estado, porque essa informação estava mesmo em segredo de Estado e não deveria ter sido revelada por quem o fez, ou seja o jornal Expresso. De resto o jornal só soube do caso porque tinha toupeiras no serviço de informações. O que replica o caso de violação de segredos de Estado até ao limite do possível.
A consulta da lista de compras do jornalista Nuno Simas ficará justificada penalmente se tal se ficou a dever a cumprimento de um dever em conflito com outro: descobrir quem andava a espiar os serviços de informação para "likar", bufar para o exterior de um jornal informações sensíveis.

Se o caso de corrupção tinha ficado esclarecido na própria acusação ao se indicar que o espião o que queria era mesmo dirigir os serviços e não apenas arranjar emprego na privada, então temos uma acusação cheia de nada que recolheu "centenas de informações sobre os mais diversos temas nos telemóveis apreendidos a Silva Carvalho" ( Diário de Notícias de hoje) e cujo efeito foi espoletar todos estes escândalos menores que se agigantaram por efeito spin, de girândola mediática. Os jornais, particularmente o Expresso que fez e mal e faz agora a caramunha, rejubilam com esta festa.
O verdadeiro escândalo, se assim for, passa a ser esse.
Ontem, uma digna representante da indigência intelectual nacional- Clara Ferreira Alves. disse na tv que o caso lhe fazia lembrar " em reverso" (!), o caso das escutas e coscuvilhices do News of the World que encalacra o governo inglês.
Repare-se bem na congruência mental desta sujeita: na Inglaterra, o jornal e a sua direcção, empresa privada e com mira do lucro máximo, andaram a espiolhar telefonemas, sms, encontros e despedidas etc etc de personalidades do establishment britânico. Tudo ilegalmente e para dar primeiras páginas aos leitores do tipo daquelas que relatavam as conversas de Charles de Inglaterra com a amante Camilla, sobre os pensos higiénicos desta.
A pré clara  Ferreira Alves acha isto assimilável à situação portuguesa em que um jornal da Impresa onde a mesma trabalha e ganha o sustento, desvendou  segredos de Estado, por interpostas toupeiras dos serviços secretos com o objectivo de sustentar economicamente a viabilidade da Impresa.
Ainda por cima, depois de uma instituição da República, o MºPº,  ter desvendado o conteúdo dos telemóveis e o teor de mensagens particulares e reservadas, a fim de comprovar um hipotético crime, a mesma Impresa que não foi investigada de igual modo, deita foguetes a dizer que tinha razão...mesmo sabendo que esses factos que relata não são necessariamente crimes e que a prova dos mesmos foi obtida para outros efeitos, diversos dos que a mesma agora festeja compungidamente.



6 comentários:

Floribundus disse...

touradas 'à vara larga' com cornuptos embolados
e gritos de 'agarrem-me ou faço uma desgraça'
cobardia de matarruano

Karocha disse...

Já leu isto José?

http://expresso.sapo.pt/superjuiz-investiga-caso-monte-branco=f730575

manel disse...

Analisar a reputação de uma pessoa ou de uma empresa. É este o negócio a que se dedica a Sete Estrelas, uma empresa privada de conteúdos e meios de comunicação com sede em Lisboa e que na edição do «Correio da Manhã» de sexta-feira confirma que presta serviços à Ongoing.

Que serviços? Diz a Sete Estrelas que faz análise reputacional. Algo muito parecido com aquilo que foi feito nos relatórios sobre Francisco Pinto Balsemão e Ricardo Costa, do «Expresso».

Relatórios detalhados com informações que podem favorecer ou prejudicar a imagem exterior de uma pessoa ou de uma empresa.

Para já, José Maria Mateus Cavaco Silva é a única face visível da Sete Estrelas, que tem ainda um outro sócio, Manuel Henrique Proença Valente Ferreira.

http://www.tvi24.iol.pt/politica/secretas-sete-estrelas-ongoing-tvi24/1352603-4072.html

manel disse...

Que serviço tão intelectualmente e éticamente intessante.... "Relatórios detalhados com informações que podem favorecer ou prejudicar a imagem exterior de uma pessoa ou de uma empresa".

aragonez disse...

Durante quanto mais tempo teremos de aturar esta porcaria?
Não a porcaria em si, que ignoro quase totalmente, mas o que ela representa na definição do regime.
Honro-me de não ter sinal de televisão em casa, vai para quatro anos e de nunca ter comprado um exemplar do expresso.
Também conheci e continuo a privar com gente da Família Rocha dos Santos, a quem atribuo nota alta na qualidade.
Mas o ambiente está pesado...
O vento virou, e o cheiro que se adivinhava pestilento, cai-nos em cima sem direito a máscara.
Até quando?

Zéfoz disse...

Sem saber o que o José escreveu postei também sobre o VPV. Será que ele está também tão confortável quando fala da protecção da polícia?...
A expressão "os javalis estão na vinha do Senhor", é soberba e fez-me rir. Já Orwell falava da vitória dos porcos. Mas quanto aos javalis, propriamente ditos, metam-nos na ementa dos deputados; sempre é melhor do que a carne de porco preto criado a a bolota...