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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Os diários nacionais morrem lentamente

O Público dá hoje conta das suas tiragens. Tal como outros diários, continua a descer nas vendas. Mas consegue uma pirueta ao anunciar que aumentou a circulação paga. De Janeiro a Abril perdeu 1972 exemplares diários, vendendo em média cerca de 29 931 exemplares. 11,6% de quota de mercado. O Correio da Manhã continua a liderar com uma quota de 46% e o Jornal de Notícias tem 29,5%. O Diário de Notícias fica-se pelos 10,3%.

O jornal i, esse, parece que vende 6188 exemplares por dia e perdeu nesse período 1548 exemplares.

Porque é que isto acontece? Por causa da "crise", alvitrarão. Porque as notícias podem ler-se na internet, acrescentarão outros. E o principal sabe-se pela tv, avisarão os espertos que não lêem. Humm.

Porque é que um jornal graficamente tão bem feito com o i e já com vários directores em sucessão acelerada, perde leitores à velocidade da distribuição?
Não saberei dizer e duvido que alguém o saiba devidamente porque senão corrigiriam a estratégia. Mas palpita-me o seguinte porque é o mais lógico e simples: os jornais portugueses não têm qualidade suficiente para se imporem aos leitores em função dessa arma de vendas.
As notícias que vão surgindo a cada momento que passa, passam nos rádios, nas tv´s e nas notícias online. Para muitos isso basta, tal como o bacalhau. E o jornalismo português que oficia diariamente nas redacções na generalidade avassaladora dos casos nada acrescenta a essas notícias.
A formatação redactorial assume foros de uniforme cinzento na escrita. Ler uma notícia vinda de uma agência ou de uma fonte oficial é quase como ler um comunicado antigo, como aqueles que começavam sempre pelo inevitável "considerando que...". A criatividade redactorial quase desapareceu porque a escolástica jornalística ensinada por pessoas que nunca aprenderam de outra forma só poderia resultar na uniformização do estilo.
No i, por exemplo, um jornalista como Rui Miguel Tovar escreve em modo diferenciado e com graça. O problema é que a sobre dose supera a do Inimigo Público no jornal com o mesmo nome. Conceder todos os dias mais de uma página ao futebol é exagero, mesmo durante o Euro. E o que é demais é erro.
Ainda assim o jornalismo tipo Público ou i distingue-se por aquilo que não há noutros media, do mesmo modo: entrevistas mais demoradas, artigos de fundo mais aprimorados sobre temas mais candentes ou mais interessantes. Ou seja, os jornais diários estão condenados a concorrer com os semanários. Com o problema do tempo a correr contra eles e a ameaça da qualidade sempre em cima da mesa.


5 comentários:

Floribundus disse...

não há crise no jornais desportivos apesar das notícias das tvs.
os outros já nem servem para embrulhar castanhas assadas.
que descansem em paz e que o socialismo os acompanhem 'per omnia saeculum, saeculorum'

Vivendi disse...

Os jornais estão condenados a prazo em papel pois os jovens não praticam a compra em suporte de papel. Mas o jornalismo português está muito fraco, pouca investigação, pouca abertura a novas opiniões e visões. E quem quiser a acompanhar a verdade tem de procurar a informação cada vez mais fora dos grandes media.

Vivendi disse...

Destaca apenas de positivo, o Jornal I, pela sua design gráfico e como o José escreveu um artigo de fundo ali e aqui. Depois tem o João Pereira Coutinho no cm e o VPV e o Pedro Lomba no público.

AL disse...

Desgostoso, comecei a comprar o Jornal i. Com espanto verifico que também aí sou obrigado a ler o quem não quero ouvir, ver e ler em outros órgãos de informação. Também o Jornal i entrou assim na opinião única. Não percebem que o jornal para ser alternativa tem de ter colaboradores alternativos? Se não percebem, devem mesmo acabar.

Lura do Grilo disse...

Não tocará o sino e eu não vou ao funeral