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sábado, 23 de junho de 2012

Os media que merecemos











Antes de 25 de Abril de 1974  os media impressos, onde se poderia fazer algo para contrariar a censura vigente que não permitia propaganda comunista ou socialista ( na altura ainda com o socialismo de miséria  à ilharga) eram...quase todos. Tirando O Século ou o Novidades ou o Diário de Notícias, todos os outros tresandavam a oposição ao regime. E os jornalistas que passaram para o regime a seguir à Revolução não se modificaram muito.
O Expresso continuou como dantes, quase sem mudança apesar de alguns textos cortados pela Censura. O Diário de Notícias passou a ser o mesmo jornal oficioso de sempre ( ainda o é um pouco). A Capital, Diário de Lisboa e República só mudaram os títulos, mais consentâneos com a balbúrdia revolucionária que se seguiu e de resto os jornalistas eram os mesmos, com a mesma mentalidade.
Em Maio de 1975 em pleno PREC apareceu O Jornal, dirigido por Joaquim Letria já aqui falado uns postais abaixo. Notoriamente moderado nem por isso deixava de ser da sempiterna Esquerda que chegou a abranger o eanismo de curta memória. Lendo a ficha redactorial do jornal, acima à direita, percebe-se melhor.












Em 1976, fruto dos devaneios estilísticos de um jornalista que já tinha escrito uns livrecos ( A Funda e outras fisgas), e fundado um jornal ( Jornal Novo) Artur Portela Filho, apareceu a Opção, cujo primeiro número não deixava dúvidas sobre a predominância da Esquerda "democrática" ( já com o socialismo de miséria na gaveta). A ficha redactorial também não deixava nada a desejar aos esquerdistas da moda, alguns já reconvertidos ao burguesismo que passou a ser de bom tom. Não obstante, em 1976 Otelo ainda foi candidato à presidência da República, numa versão syrizante da nossa política de antanho e que arrebatava multidões, incluindo muitos jornalistas.












Em meados dos anos oitenta, entramos na Europa porque não nos restava outra saída. A imagem da revista Grande Reportagem é elucidativa das pessoas que mandavam então: Soares, Machete, Gama...a ficha redactorial da revista também: congrega jornalistas de antanho, da Esquerda, com antigos esquerdistas desiludidos ( Pulido Valente) e outros que nunca se definiram mas que enformaram uma ideia geral que Portugal tem: uma oposição ao regime do Estado Novo, tão arreigada como as cicatrizes políticas dos presos pela PIDE.













Já nos anos noventa, a Visão apareceu a alguns jornalistas que tinham feito O Jornal: tentar repetir a História, recuperando as velhas bandeiras do socialismo nunca apagado.

Nesse espaço temporal de cerca de vinte anos o que mudou em Portugal? Nada que não tivesse que mudar por imposição dos "mercados" ou seja do capitalismo ocidental. Durante todo esse tempo esses media a que se acrescentaram as tv´s privadas e as emissoras de rádio privada tipo TSF, continuaram no mesmo comprimento de onda democrática: as ideias de Esquerda, mais ou menos soft, suavizadas por uma social-democracia, tendo sempre à ilharga as palavras de ordem da outra Esquerda não democrática e que continuava a influenciar decisivamente o modo de pensar de muitos desses jornalistas, principalmente através de outras antenas particularmente na chamada "cultura".

No início dos anos noventa, o capitalismo português da distribuição de mercadorias financiou um jornal mesmo novo em folha: o Público. A primeira página do diário dirigido então por Vicente Jorge Silva ( escapado do Expresso e esquerdista moderado) é elucidativa do nosso fado.


 Desde então, nestes últimos vinte anos mais, o que sucedeu no panorama mediático?  Tivemos um Independente que não se assumiu dessa tal esquerda panglóssica que temos, mas não logrou fundar uma ideia nova para além das piadolas, da irrisão e da instrumentalização do jornalismo para fazer política. Um mau exemplo.
Tivéramos antes um Semanário com alguma consistência em Vítor Cunha Rego ( um grande coleccionador de jornais e revistas segundo li então) mas desprovido de essência verdadeiramente nova no panorama nacional do nosso jornalismo. Marcelo Rebelo de Sousa ( que antes estivera no Expresso) chegou a dirigir o jornal provavelmente com o mesmo espírito do director do Independente o que diz tudo. Tivéramos ainda antes disso um Tempo com um tal Nuno Rocha. Um jornal inútil e vaidoso.

Portanto, temos o que merecemos: um jornalismo à Esquerda, feito de pensamento único que cada vez mais se solidifica, com o jornalismo televisivo dos Josés Albertos Carvalhos e Anas Lourenço, para além das Judites de Sousa.

Que se pode esperar disto? Mais miséria, claro.




3 comentários:

Floribundus disse...

a revolução nacional-socialista trouxe à superfície todo o lixo que havia.
80% dos portugueses que sabem ler sofrem de iliteracia. não compreendem o que estes gajos dizem. ouço por vezes 5 versões

lusitânea disse...

Levou tempo mas conseguiram!De luta em luta, de conquista em conquista, principalmente das "internacionalistas" nivelaram os Portugueses por África!Aliás quem ande por Lisboa, Setúbal, Sintra já se sente em África!O que custa muito caro aos 40% que são de facto contribuintes.Aos restantes quanto pior melhor...

Rui F Santos disse...

estimado,
Devo contudo referir que à Direita, existiram dois marcos significativos e aqui omitidos.
"A Rua", dirigido por Manuel Maria Múrias e "O Diabo", nos anos de Vera Lagoa.
E como dizia na 1ª página de "A Rua": eram jornais da "direita que não é do centro".