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domingo, 12 de outubro de 2014

Os facilitadores "benevolentes".




 Este livro publicado há poucas semanas é um compêndio de factos que relacionam a actividade da advocacia "de negócios", em Portugal com a actividade política de certos governantes e até do próprio regime que temos agora, balizado pelas leis que se aprovaram e legitimam uma promiscuidade entre certas firmas de advocacia e a actividade política do poder executivo e até legislativo.

Este estudo aturado das actividades públicas de oito firmas da advocacia nacional permite entender o panorama nacional actual do regime, nesta vertente.

O autor, jovem ( pouco mais de trinta anos) é licenciado em jornalismo, seja lá isso o que for e que parece ser curso superior ministrado na faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Já trabalhou em jornais e revistas e por isso nota-se o agradecimento mediático de uma página. São os agradecimentos aos "padrinhos", no bom sentido da expressão. Pobres padrinhos, a meu ver...mas enfim. É ver se há um único destes "mestres" do autor que tenha escrito algo relevante e importante para denunciar claramente os esquemas destas firmas de advocacia de regime. Refiro-me a factos concretos e que se conhecem no milieu, como por exemplo o caso da Galp-Parpública ( uma excepção precisamente denunciada pelo Público, mas sem sequência...) ou o caso das avenças do Banco de Portugal à firma Sérvulo & Associados.



Qual a limitação deste tipo de livros? A parcimónia na abordagem, digamos assim, dos assuntos. Parece típico do jornalismo nacional, este hábito de pegar nos temas com as pinças de uma antiga lavadeira nas barrelas a quente. Como os assuntos queimam, os instrumentos de defesa são essenciais, compreende-se. O que não se compreende tanto é o hábito de manter as luvas e andar sempre com as pinças a manusear esta roupa suja que carece de outra abordagem mais directa e sem ademanes.

Contudo, este livro é muito útil para se perceber o panorama geral e em modo perfunctório, o que até agora não existia disponível e sistematizado.  Já li algumas partes, nomeadamente a do caso da privatização dos 33,3% da Galp, em que a PLMJ interveiro. Os factos estão lá, mas faltam elementos. Por exemplo, o do advogado Morais Sarmento ter saído da firma como colaborador e ter reentrado como sócio...




2 comentários:

Floribundus disse...

o regime saido do recurso às armas e legitimado por sociais-fascista, xuxas e medrosos

é, para os contribuintes, um autêntico cancro cheio de metástases.

durante o prec, antes duma reunião da administração da multinacional onde trabalhava com uma firma de advogados, um dos administradores (meu Amigo) virou-se para mim e disse com ar sarcástico
'- diga palavras em inglês ou passa por analfa'

o pior do livro são os agradecimentos. lembrei-me duma obra de Camilo
e duma personagem 'o zé Fístula'
a mana, essa 'deu em droga'

Bic Laranja disse...

Realmente estas publicações são pouco mais que um pipo para libertar a pressão do panelão que alimenta todos os tachos. O 5.º poder trata sempre delas.
Com a próxima notícia do Benfica ou da selecção fica arrumado, como todos os desabafos.
Viva a liberdade de expressão!
Cumpts.