Um procurador do MP, com nome posto no Expresso de hoje, foi alvo de um inquérito disciplinar porque "chegou vinte minutos atrasado ao julgamento de um caso banal, ouviu um reparo da juiza e justificou-se com o despertador do telemóvel que não tocou. Depois, mandou o funcionário judicial ir ao casaco buscar umas folhas e disse dez quadras que escreveu durante a viagem de metro até ao tribunal cível de Lisboa."
O Expresso que continua a valorizar muito este tipo de notícias que envolvem magistrados, -vá lá saber-se porquê!- ouviu uma fonte anónima, precisamente um membro do Conselho Superior que já ditou a sua sentença em "off": imperdoável o comportamento do magistrado. O seu, em dar paleio a um jornalista num caso que está em reserva processual, não conta. Deve ser a tal "absoluta normalidade".
O Expresso como teve acesso ao processo, sem que daí venha qualquer processo disciplinar para quem o guarda, deu-se ao cuidado de transcrever algumas dessas quadras. Uma delas rima assim:
"São sete e pouco da manhã
Viajo de metro para o trabalho
Fi-lo ontem, farei-o amanhã
só sou aquilo que valho."
Poesia desta, publicada em processos, merece reparo a valer... mas não do género disciplinar. Acho.