domingo, outubro 10, 2010

À direita de Corto Maltese


O casal Nogueira Pinto, Jaime e Maria José ( esta dos Avillez, mas assumidamente Nogueira Pinto desde o casamento, segundo disse), dão uma entrevista extensa à Pública de hoje.
Falam de coisas pessoais, de família e de política antes e depois de 25 de Abril de 1974. Conheceram-se por ocasião de uma greve de estudantes na faculdade de Direito de Lisboa que furaram assumidamente, antes do 25 de Abril, por se considerarem " da situação" embora com destanciamento crítico face ao regime. Mesmo assim, assumem uma posição de "direita" face a outras de sinal contrário.
Durante a entrevista não reparei em nada de especial que os recomende como elementos típicos de uma "direita" que não me parece existir em Portugal e provavelmente nunca existiu. São, isso sim, assumidamente contra a esquerda, o que é bem diferente. Colocam-se por isso na posição contrária à da esquerda para assumirem um lugar de direita. Dizem-se crentes no catolicismo, mas nem isso é sinal distintivo. Dizem-se crentes na antiga política do Ultramar seguida pelo regime do Estado Novo e mesmo no final, no de Caetano. Também não parece ser por aí que a distinção se evidencia.
Em termos de leituras relevam alguns autores antigos associados a algo que não é de esquerda mas nem por isso serão de direita.

Onde é que se situam politicamente pessoas assim? O CDS é um partido de direita, típico? Alguma vez o foi? Nem por isso, uma vez que foi preocupação primordial dos seus fundadores demarcar-se da direita e assumir-se "rigorosamente ao centro" em cartazes eleitorais em pleno PREC. Adelino Amaro da Costa alguma vez terá sido de direita? Se foi, dava-se muito bem com os MES e os esquerdistas de O Jornal.

Há no entanto um pormenor singular na entrevista a Jaime Nogueira Pinto. Declara como seu herói de ficção...Corto Maltese. Pelo pendor aventureiro do herói.
Se bem me lembro, há um outro político que se reclamou já idêntica preferência em matéria de heróis populares: Vital Moreira.

Questuber! Mais um escândalo!