domingo, janeiro 15, 2017

Os jornalistas portugueses em congresso

Os jornalistas portugueses fizeram o seu 4º Congresso em pouco mais de trinta anos. O 1º ocorreu em Janeiro de 1983 e foi um acontecimento então celebrado por ser o primeiro depois do 25 de Abril de 74. 

O 2º foi já em 1986 e houve a preocupação em criar um código deontológico para exprimir "em  normas consensuais os valores éticos com incidência na profissão."

Só em 1998, mais de dez anos depois se realizou o 3º Congresso, mais aprofundado nos temas debatidos, porque se verificou que "12 anos passados sobre o último Congresso, se registou uma profunda alteração na paisagem mediática portuguesa. As transformações ocorreram no jornalismo, mas afectaram também o perfil dos jornalistas portugueses, como indicia o 2º Inquérito Nacional e prenuncia a sondagem realizada junto da geração emergente, representada por estagiários e por estudantes finalistas de Comunicação Social. Aos velhos e graves problemas e bloqueios de carácter sócio-laboral, juntam-se agora novas questões no domínio das práticas jornalísticas, da ética e da deontologia."

18 anos depois, as transformações continuam e os problemas agora corporativizaram-se um pouco mais com a "precariedade" no emprego e os baixos salários ( tudo culpa do Passos, certamente).

Devo dizer que tenho algum respeito e consideração pela maioria dos jornalistas que escrevem notícias, mas tenho muitas reservas em relação a quem manda escrever ou controla o que se escreve, exercendo o papel de novo censor que nunca desapareceu do jornalismo.

Tenho ainda menos respeito pelas escolas de jornalismo que aliás não conheço, mas conhecendo os frutos saberei dizer como será a árvore.

A propósito disso vão já os primeiros recortes:

Os primeiros respeitam a uma entrevista com um jornalista que não frequentou aqueles cursos que empregam antigos jornalistas como professores que ensinam a rotineira forma continuada do " que vem de trás toca-se para a frente".
Hugo Rocha, do Comércio do Porto, "decano dos sindicalistas" é claro no que diz: o jornalismo não se aprende. Muito menos se os professores forem de estirpe tão cultivada como as judites, campos e ferreiras de todos os matizes.  Aprende-se a ler e a escrever nas escolas comuns. Aprende-se História, Geografia e outras "ciências sociais". Estuda-se e lê-se muito e depois pratica-se a escrita de notícias cujas normas se aprendem na tarimba das redacções que já não existem, imitando estilos ou criando o seu próprio segundo o talento próprio ( lembrei-me agora mesmo de Rui Miguel Tovar, do jornalismo desportivo e que gosto de ler, precisamente por isso).

Também gostava de alguns jornalistas da velha guarda esquerdista como Adelino Gomes, pelo savoir-faire radiofónico e pela voz timbrada de bom locutor. Quanto à essência do que lia ou relatava era uma desgraça completa, eivada de preconceitos ideológicos aprendidos no esquerdismo militante.

É esse um dos problemas básicos e essenciais do jornalismo português: qualquer repórter de arjeta se julga predestinado a dar pareceres ideológicos sobre o que relata e os destinatários que aguentem o cabotinismo ou desliguem a fonte.
E é isso que está a acontecer ao jornalismo português: cada vez mais há quem desligue a tomada de atenção porque a manipulação, a desinformação e a pura propaganda tomam frequentemente o lugar cimeiro na deontologia pessoal do jornalista de causas.


Isso mesmo foi de alguma forma mostrado pelo jornalista que em Portugal rema contra a maré e dirige o Correio da Manhã, Octávio Ribeiro.
Não parece ser um indivíduo muito culto,  mas é seguramente um indivíduo atento ao que o público pretende, tentando assimilar o que o público precisa, de acordo com a ideia peregrina de outro jornalista reciclado na crónica, Henrique Monteiro, tal como declarou no último Expresso da meia-noite.

Segundo o editorial de Octávio Ribeiro no CM de hoje:


O CM é o jornal que incomoda os zelotes do pós-jornalismo como José Pacheco Pereira e é disso que se trata: do jornalismo que relata sangue suor e lágrimas que muitos preferem nem ver, substituindo-o pelos artigos artsy-artsy, para uma meia dúzia de leitores e de opinião concentrada na ideologia do politicamente correcto.



Depois há outra categoria que classifico como híbridos. Aprenderam jornalismo em vãos de escada no intervalo de outros cursos mais expeditos como   Economia ou Gestão e estavam no sítio certo à hora certa para os fretes certos a certos figurões.




Este tipo de jornalismo redunda nisto:




 Mas tal não os incomoda demasiado porque a finalidade de tal jornalismo não é a sua sustentação económica mas apenas a dos seus interesses globais. Para estes os jornais ou media em geral são um custo conveniente associado a uma actividade que pouco ou nada tem a ver com jornalismo.

Enfim, o jornalismo português é uma vergonha nacional muito por causa disto que o articulista João Pereira Coutinho explicava ontem no Correio da Manhã:




Questuber! Mais um escândalo!