quinta-feira, setembro 26, 2019

Abbey Road dos Beatles: 50 anos

O disco dos Beatles, Abbey Road, último obra a ser gravada pelo grupo faz hoje 50 anos que foi lançada no mercado.

É um disco importante e há quem diga que será o melhor do grupo, opinião que aliás partilho. Não é bem o caso de um dos maiores especialistas portugueses dos Beatles, Luís Pinheiro de Almeida que cresceu, desde a juventude, a ouvir Beatles como o grupo preferido.
Talvez por isso considera que Abbey Road "é um dos 12 melhores álbuns dos Beatles" ! Ahahaha!

Na época adquiriu um dos lp´s que era destinado a exportação pela editora e que tem esta etiqueta na contracapa: em vez do logotipo Apple, um "sticker" dourado da Parlophone. O Discogs tem  nesta altura três à venda, todos por preço superior a 500 euros...e dois deles de Portugal.


A mim não me saiu tal sorte porque em 1969 só ouvia de ouvido e não de gira-discos em casa. Quando saiu em cd, em 1987, foi dos primeiros cd´s que comprei. Depois comprei o LP original em prensagem original inglesa e das primeiras, como convém. E não deixei passar a edição em cd de 2009, a primeira rematrização do audio original, das fitas analógicas, da autoria de Guy Massey e Steve Rooke.

Esta edição é a primeira cuja contracapa foi revista por causa do logotipo desalinhado da maçã que ornava a primeira edição. Foi essa edição revista que arranjei. A que tem a referência YEX 749-2 do lado A e YEX 750-1 do lado B. Muito boa prensagem. Capa "laminada" e singela.



Quando o disco saiu ficou logo disponível em Portugal como atesta esta publicidade da Valentim de Carvalho mostrada no livro Beatles Populares, da autoria de Abel Rosa, outro especialista do grupo.

Em França, a revista Rock&Folk muito lida por cá pelos jornalistas que copiavam as críticas também  deu importância ao disco, mas não tanta que ocupasse a capa da revista de Novembro de 1969.
Nem sequer uma referência na capa, mas o artigo era assinado pelo director da revista que retrata muito bem o que eram os Beatles nesse tempo: mais um grupo de pop/rock e pouco mais...



Nos EUA a importância foi um pouco maior. A Rolling Stone deu-lhes a capa na edição de 15 de Novembro de 1969 e um artigo de página de crítica do célebre Lester Bangs (enfim, não é nada de Bangs, mas o texto de Ed Ward parecia. Basta ler como começa...).


Amanhã publica-se uma edição especial do disco, agora rematrizada por Giles Martin, filho do produtor original, George Martin. Saiu em várias versões e a mais completa tem três cd´s e um blu ray. Irresistível, mesmo para quem já tem o LP original e o cd que saiu há trinta anos...tal como a edição do LP , em triplicado desta vez.

Afinal, é dos Beatles. E para o ano haverá mais e parece que melhor ainda...pois será tempo de Let it be. Deixa-o pousar...

ADITAMENTO em 28.9.2019:

Depois de ter ouvido algumas vezes o novo disco, em vinil,  "rematrizado" por Giles Martin e escutado o blu ray, comemorativos da efeméride dos 50 anos de Abbey Road, umas primeiras impressões:

Bom trabalho de Gile Martin. Ouvi primeiro o disco original, na prensagem original que só não é das primeiras porque é o da contracapa com o primeiro retoque na maçã verdinha, que estava desalinhada da escrita do nome das canções no primeiro lado e passou a estar alinhadinha nessa versão também saída no dia 26 de Setembro de 1969.
A audição desse disco original , em auscultadores, é uma delícia, ainda nos dias de hoje. Está tudo no sítio, desde Come Together, passando pelo tema seguinte, Something, com um trabalho de baixo incrível, de Paul MacCartney e seguindo até ao final de Her Majesty, já em coda e que lá ficou, na fita original,  por esquecimento do técnico de gravação.

Portanto, esse primeiro disco não precisava de grandes melhorias porque já é muito melhorado em relação a gravações anteriores.
O que fez então Giles Martin, nesta nova versão? Retocou a gravação do som de alguns instrumentos, muito pouco, mas o suficiente para se ouvir melhor o baixo e alguns sons da bateria. Não subverteu a gravação original mas realçou um bocadinho o que deveria ser realçado e ficou bem.
A nova sonoridade parece a do disco antigo após uma limpeza em forma. Para mim está bem, mas...ouço as duas. Ahahah. E prefiro a da memória que conservo. Ou seja, escusava de arranjar estas novas versões de um disco que já é perfeito na gravação original que tem e posso ouvir em vinil. Então para quê comprar e ainda por cima caro, estas novas versões? Enfim, só entende quem entender porque não vale a pena explicar. Só digo que não estou arrependido porque não fui ludibriado. As novas gravações são boas e recomendam-se.

Não gosto de copiar outros, sem dizer quem copio, ao contrário do que faz a generalidade do jornalismo crítico nacional, mas como subscrevo a opinião deste entendido, coloco aqui o video que ele pôs há dias no youtube, explicando quase tudo. Michael Fremmer, do Analogue Planet. Está aqui:



Para além disso há sempre a experiência transcendente da abertura das caixas dos discos. Esta aqui merece um visionamento, pelo fascínio que compartilho nestas coisas simbólicas e de malucos dos sons:

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