Sobre a eventualidade de demissão do Governo ou da AR:
De facto, o regime assim funciona: se a AR mantém a confiança em alguém que passou pelas vicissitudes que passou na Páscoa da licenciatura e outras novidades que mostraram quem temos à frente desse governo, alguém cuja ficha biográfica no Parlamento é falsificada no seu original que desaparece para em seu lugar ficar um fotocópia apócrifa, então o PR nada tem a dizer.
Como nada tem a dizer quando se descobre que em véspera de campanha eleitoral legislativa esse mesmo chefe de governo trama na sombra para desestabilizar o sistema democrático e o Estado de Direito.
E nada tem a dizer quando um procurador-geral da República esconde do parlamento e dos cidadãos um despacho administrativo sobre esse assunto. Mesmo que haja um partido político a questionar e exigir por diversas vezes a divulgação desse despacho.
Estamos muito bem entendidos quanto a um presidente da República assim: é uma pessoa que preza a estabilidade acima de tudo o mais. A estabilidade como valor absoluto e é por isso mesmo que "a relação com Sócrates é de absoluta normalidade".
No fim, a cereja em topo de bolo. O Expresso pergunta ao presidente Cavaco Silva se depois de 10 anos como primeiro-ministro e cinco como PR era este Portugal que esperava encontrar. Resposta:
Como todos sabem e devem lembrar, o meio que Cavaco Silva escolheu para lá chegar foram as construções de cimento e betão, as auto-estradas que precisávamos para poder andar com os carros importados da Alemanha. E por isso, vendeu literalmente a nossa indústria pesqueira, a nossa indústria agrícola, em troca de dinheiro fresco em montes e montes que serviram para fundar bancos como o BPN depois de ter engordado sociedades lusas de negócios com amigalhaços como um certo Dias Loureiro, amigo tornado íntimo de cerimónias privadas. Ainda deu para alentar um obscuro economista de província que geriu o banco a seu bel-prazer e acabou com os costados na prisão, depois de ter perdoado dívidas fiscais de milhões a empresas privadas e enquanto governante de...Cavaco Silva.
A derrota de 1995, a favor de Guterres não lhe ensinou nada e nada lhe fez esquecer. E é este presidente que se prepara para uma nova campanha eleitoral para continuar a assegurar e garantir a "absoluta normalidade" em que vivemos.



