domingo, abril 03, 2011

É a Esquerda, seu palerma!

Estas imagens são do jornal Expresso de 1984 ( 10 e 24 de Novembro). Que nos dizem elas , semioticamente relevante, para os dias que correm? Quanto a mim, muito simplesmente que o sistema político que gerou os governos que temos tido, não resolve os nossos problemas estruturais, antigos e profundos. E que em 1974 não eram os mesmos. A Economia era diferente e funcionava de modo diverso. Tenho lido coisas, incluindo o pequeno livrito de Luciano Amaral, publicado pelas edições "Pingo Doce", aliás muito interessante e não consigo entender como não se discute o passado. Antes de 1974, quero dizer.

Temos uma classe política maioritariamente de Esquerda e com os defeitos que tal implica, sem que as qualidades esperadas por todos , dessa mesma Esquerda, se destaquem. É s+o desgraça económica em cima de desgraça económica. E os próceres dessa mesma Esquerda que engloba naturalmente o "socialismo democrático" que de Esquerda já muito pouco tem para além do rótulo, continuam a aposta nos mesmos cavalos perdedores.
Provavelmente, a análise deveria ser mais inefável e incluir outros factores e variáveis e estudos estatísticos à ilharga.
Porém, neste exercício de sociologia de bolso, empírica e desprezada pelos poderes que existem, serve. Para mim, serve porque não encontro quem a conteste nem sequer quem a desminta em modo convincente.
Hoje na última página do Público, podemos ler em posição "ascendente" um dos autores da nossa miséria, Mário S. que é sempre mostrado como figura de referência e relevo de sapiência. No caso , por se ter vangloriado de não ter medo do FMI porque lidou com a entidade duas vezes! E isso é apresentado como um feito!
É este parolismo de jornais como o Público que me derrotam a confiança que poderia ter nos eleitores portugueses. Os editorialistas do jornal vivem a fantasia da Esquerda, ainda. E muitos como eles, da classe média, pensam assim. É o nosso drama maior, quanto a mim. Não há substracto ideológico que se diferencie dessa mentalidade que já é ambiental. Uma tragédia, mais que um drama.

Que podemos ler nesses dois jornais de Novembro de 1984, altura em que atravessávamos uma crise política e social parecida com a que temos hoje? Que nos dizem as lições da História? Quem são os personagens?
Começando pelo fim, os personagens são quase os mesmos de hoje e se não são, as ideias são-no com certeza.
O Expresso era então dirigido por José António Saraiva que hoje dirige o Sol. Vicente Jorge Silva que vice-dirigia, dali a meia dúzia de anos estava a dirigir o Público. Quem é que eles colocaram na primeira página como motivo de notícia? O Bloco Central, em cheio.
Almeida Santos, que era ministro de Estado e falava da crise entre o PS e o PSD, onde se discutia então a oportunidade de mudar Mota Pinto por...Rui Machete. E porquê? Porque, segundo escreve o jornal na segunda página, "PS e PSD falam de coisas diferentes". Como hoje, aliás.

Quais eram as questões essenciais nessa altura? Segundo Almeida Santos, a discussão do Orçamento de Estado para 1985, a discussão com o FMI, a discussão da Lei das Rendas e...pedir mais sacrifícios aos portugueses. E aponta os sucessos do governo de bloco central: redução do défice da balança de transacções correntes; redução em 5% do ritmo do endividamento externo; elevação para 65% a cobertura das importações pelas exportações e a contenção da inflação. E á custa de quê,?- pergunta o jornal. À custa de sacrifícios, responde A. Santos, o epítome destes mais de 30 anos de democracia. Não é Mário S. esse epítome. É precisamente este Almeida Santos, o figurão que precisa de ser respescado para a ribalta do opróbrio. Um indivíduo que fez uma carreira com retórica, paleio, substância corrompida por ideias desfeitas.

Depois ao lado, na página, temos Mário S., sempre o mesmo e então com uma sondagem que o garantia como "o oposto do presidente ideal". Ditto. E viu-se depois como foi. Em dez anos, Mário S. tornou-se o modelo de presidente...mas seria interessante saber quem o colocou no pedestal. A minha opinião é simples: os media, adulados e objectivamente corrompidos pelo mesmo Mário S. Uma ligação espúria que nos falsificou o ambiente político e condicionou politicamente porque fez prevalecer a ideia de uma "Esquerda" associada ao PS como super cola democrática. AInda hoje persiste e ainda hoje ganha eleições.
E porquê? A resposta vem também na primeira página do jornal. José Manuel Tengarrinha, do então MDP, personagem histórico do 25 de Abril de 74, pouco falado actualmente, mas com um papel determinante nos meses a seguir, ideologicamente. Colocado perante a questão, durante um repasto no Pabe ( onde o Expresso entrevistava então personagens da nossa vida política), sobre o relacionamento com o PCP, com quem se aliara tacticamente nas eleições para o Parlamento, Tengarrinha tergiversava em explicações retóricas. A questão era a possibilidade de diálogo com o Governo. O MDP admitia; o PCP nem pensar.
E em sobremesa interrogava-se então Tengarrinha, antes da queda do muro de Berlim, sobre o que era o marxismo. Tengarrinha já não sabia porque citava nas suas dúvidas os pc´s da URSS, da Itália, da Finlândia. O que Tengarrinha sabia, no entanto é que era de Esquerda. Isso, sim. E nada mais. Desejava uma "democracia socialista". Como aliás estava na Constituição.

Esta discussão política, em Portugal durou ainda mais uns anos. Moldou sempre toda o nosso espectro eleitoral, os partidos eleitos, os governos escolhidos por esses partidos. E por consequência todas as políticas, incluindo naturalmente as económicas, nos anos vindouros.

No ano seguinte, por isso mesmo, o jornal pelas teclas de José Manuel Fernandes ( sim, esse mesmo)interrogava-se sobre o futuro, para 1985. E o futuro era negro. Depois das promessas daquele personagem sinistro da política portuguesa ( Almeida Santos é porventura o mais pernicioso de todos os políticos que já tivemos, na minha modesta opinião que explicarei se necessário for) tínhamos pela frente uma ano pior do que os dezoito meses anteriores. Os PEC na altura chamavam-se "Planos de Estabilização", em modo mais restrito. Conforme se lê, "os preços dispararam, o poder de compra baixou, restringiram-se as importações e lançaram-se impostos extraordinários para minorar o défice orçamental." A inflação estava nos 30%! É imaginar as fortunas que se fizeram em especulação, nesses anos e os desequilíbrios sociais que tal suscitou.

Por isso mesmo o título da reportagem: "A crise continua...sem luz no fundo do túnel".

Exactamente tal como hoje.

E quem aparece em citação de intervenção, no artigo? Vítor Constâncio, monsieur constant, nesta política à portuguesa e outro personagem repelente da mesma. E que diz monsieur Constant? Isto que é de chorar, sem rir:

" Talvez se tenha ido longe demais, talvez se verificasse uma situação de overdose".
E que dizem outros- "meios ligados à banca"- ? Isto:

" O que me preocupa já nem sequer é a situação das empresas que estava com a corda na garganta. O que é verdadeiramente dramático é que muitas outras, que eram excelentes unidades industriais, sólidas e saudáveis também começam a ficar aflitas porque o mercado interno quase desapareceu."

Estas questões eram prementes em 1984. Em 2011, repetem-se, apesar da "década prodigiosa" de 1995-2005 . O que aconteceu, entretanto para aqui chegarmos?

É o que veremos em seguida.

Portanto, "à suivre", como diziam os franceses da banda desenhada. "Continua" , escrevia o Tintin português.

PS: escrevi como título, "É a Esquerda, estúpido!" Mudei para o que está porque me soava a anglicismo. Não se diz em português, "estúpido", dessa forma. Diz-se antes, palerma. Que é o que temos sido.

sábado, abril 02, 2011

A opção simples

Estas duas imagens são de O Jornal de 22.4.1983, com um texto de cada um dos líderes políticos da época sobre as eleições dali a três dias e o da direita é da revista do Expresso, de 22.2.1986, logo a seguir à eleição presidencial e com um título premonitório: " A partir de agora nada ficará como dantes". E não ficou, de facto. Toda a porcaria que se gerou em Macau, saltou para a nossa ribalta nos anos vindouros. Toda a ribaldaria com malas de dinheiro a fugir em aeroportos, corrupção de figuras gradas e tudo o que depois se soube e muito do que não se sabe, começou aí, nesse mesmo dia.

E como é isto possível ao longo dos anos? Como é possível uma personagem deste calibre na política portuguesa continuar inimputável, sem que alguém lhe diga "basta!" ?
É simples e a receita é dada no artigo de O Jornal ao lado, intitulado "Uma opção simples".

Diz assim, entre outras pequenas maravilhas do léxico demagógico que ganha eleições, sempre que seja preciso:

"No próximo dia 25 de Abril, os portugueses vão ser confrontados com uma escolha clara: ou se decidem pela continuação da política ruinosa dos três últimos anos, da responsabilidade dos governos e dos partidos da "ex-AD" ou da "nova AD" ( como quiserem, é igual) ; ou optam por uma mudança de política que passará por uma deslocação do centro de gravidade da vida nacional da direita para a esquerda democrática".

Voilà! É esta a receita. E depois condimentada com frases como esta: " O PS apresenta-se ao povo português com a linguagem da verdade e do rigor, oferecendo-lhe propostas concretas". Eram as tais cem medidas...e entre elas uma avulta como prioridade das prioridades: "Contra a corrupção no Estado". Vejam só!
No escrito não esquece outra coisa fundamental: o apelo ao voto útil no PS, dos comunistas, cujo modelo "não exerce mais qualquer poder de atracção, especialmente sobre a juventude" e "está, de resto, em falência em todo o mundo".

Com esta estratégia simples- diabolizar a direita, apresentar o PS como um partido mais que responsável e de esquerda e capaz de captar o eleitorado comunista cujo modelo "faliu", o PS tem ganho eleições.
E vai continuar até que alguém consiga convencer um número substancial de eleitores que o PS é a ruína permanente e em execução constante. Não tem emenda, nunca nos conduziu a bom porto em circunstância alguma e só nos tem afundado economicamente.
Essa é a realidade que uma maioria não quer entender.

Vamos conseguir! Ó tempo, volta p´ra trás...


Estas duas imagens são de jornais de 1983 e 1984. Em pano de fundo um desdobrável da propaganda do PS de então, para as eleições de 1983. Anunciava já o que viria sempre a seguir. ou seja, "vamos conseguir!". E nem coloco aqui os cartazes com a figura de Mário S. a sorrir e a dizer sem pudor "comigo, convosco, contra a crise" e ainda "Juntos vamos conseguir". Dali a dois anos foi corrido por indecente e má figura governativa e o sucessor, o sempiterno sempre-em-pé da política nacional, Almeida Santos de seu nome, levou um banho eleitoral histórico. E pedia então a maioria absoluta! No desdobrável em pano, o PS anunciava 100 medidas! Para cem dias. Pouco mais de três meses. Ler algumas delas é uma barrigada de riso,mas esta gente leva-se muito a sério nestas coisas. São elas que lhes garantem a vidinha que têm e levam há dezenas de anos a esta parte com a complacência de quem vota.

Clicar nas imagens para ver melhor. De O jornal de 22.4.1983 ( à direita na imagem), antes das eleições que seriam a 25 desse mês e do mesmo O Jornal de 21.6.1984, já depois de um ano de governo de bloco central em que Sousa Tavares ( pai) era ministro da qualidade de Vida! E anunciava na primeira página que "Há cada vez mais pobres". O FMI já era então notícia nas páginas interiores: " FMI alarga sector público português" por obrigar em carta de intenções, o governo português a incluir no sector público alargado as 53 empresas públicas tuteladas pelo Estado".
Os problemas nessa altura, nem eram bem esses. Eram antes as negociações com vista à entrada na CEE, a emissora pirata TSF( que tivera a sua primeira emissão pirata, uma semana antes, desde os telhados do Lumiar e da Caparica) e principalmente as FP25 e a prisão de Otelo em relação com uma lei de segurança interna que incomodava sobremaneira a esquerda.

Em Abril de 1983 no entanto, o tempo era de mudança, como se pode ler no O Jornal. Ora o que deram essas eleições? Explica o Expresso de 7 de Maio de 1983 ( a meio e em baixo na imagem) que entre 1980 e 1983 houve uma grande abstenção e um deslocamento do eleitorado da direita para a esquerda que beneficiou o PS ( dois milhões de votos em 1983).
E no entanto, no mesmo número aparece a notícia- "Dívida externa: tem a palavra o FMI", num artigo assinado por Jorge Wemans.

E o artigo começa assim: "Nos corredores frequentados por alguns dos mais credenciados economistas do país. quase todos ex-ministros das finanças, a situação é tida como "desastrosa", "grave" ou "difícil" consoante a sua proximidade política ao último governo. João Salgueiro, esse, já não se salva de deixar a governação com o título de "pior gestor das nossas contas com o exterior", ou, segundo Silva Lopes, de "total irresponsabilidade na gestão da dívida externa".

Em finais de 1981, sete grandes empresas públicas eram responsáveis por cerca de 45,8% da dívida externa, enquanto que o Estado apenas se responsabilizava por 22% no total, escreve o Expresso de então.

Estas coisas fazem-nos sorrir de modo amarelo. João Salgueiro é o mesmo que na segunda-feira no Prós & Contras aparecia muito inteligente a zurzir neste governo e de modo credível. Eppure...nos anos a seguir ninguém aprendeu a lição. Nos dez anos gloriosos do cavaquismo foi o que se viu e em 1995 entrou Guterres e o forrobodó do costume nas contas públicas. Em 2005 entrou este Inenarrável e o tempo e as asneiras repetem-se e os eleitores votam sempre nos mesmos. Não aprendem. Nunca aprendem.
Se dermos uma vista de olhos pelos nomes dos políticos envolvidos nestas coisas, são igualmente sempre os mesmos. De há trinta anos a esta parte, são eles quem governam ou legislam. São eles que mandam e estamos como estamos por causa deles. Não por outra razão.

A previsão de tsunamis educativos


Este indivíduo, o coordenador do programa PISA da OCDE, é teutónico. Não nos entende. A entrevista que dá ao Expresso de hoje ( clicar para ler) é reveladora dos equívocos e problemas de comunicação que temos a nível oficial e de cultura. Em variados domínios.

Schleicher fala uma linguagem que só pode ser descodificada por exemplos, por parábolas e por anedotas. O pobre Andreas disse que "Portugal tem conseguido diminui o número de alunos com competências muito baixas e garantir mais equidade no sistema." Não nos percebe, está bom de ver. E se calar acredita mesmo naquilo que disse.
Então seria melhor para pobre Schleicher partir de um pressuposto: somos um povo de aldrabões natos e de simuladores de competências. Somos um povo semi-analfabeto que elege governantes salafrários que nenhuma país da Europa civilizada toleraria, com excepção da Itália que nem precisa de governantes para nada. Mas nós precisamos.

Para nos perceber bastar-lhe-ia conhecer melhor a professora Lurdes Rodrigues. O seu percurso profissional e as suas "competências". Já daria para ver melhor o panorama. Saber como adquiriu ( a crédito da CGD, enquanto ainda governava) o seu andar na Av. de Roma e essas coisas que interessam a quem quer perceber um povo e as suas idiossincrasias.

Para entender melhor quem somos e o que somos, poderia ler o pequeno texto publicado na página seguinte do Expresso, assinado pelo antigo extremista de esquerda, Nuno Crato. Dá dois exemplos de sistemas de ensino onde a excelência pode não ser uma palavra vã e um logro para papalvo ver.
Conta que em 2004 quando um tsunami varreu as costas do Índico, uma pequena de 10 anos, turista vinda de Oxshott, nos arredores de Londres, estava numa praia da Tailândia e apercebeu-se do mar a esvaziar estranhamente e os barcos a agitarem-se ainda mais estranhamente nas águas. Percebeu, porque aprendeu na escola que esses eram sinais inequívocos de tsunami e avisou os pais. Salvou-os porventura.
Em 2009, no Pacífico, outra pequena de 10 anos, Abby Wutzler, moradora em Wellington, Nov a Zelândia ( nossos antípodas) topou os mesmos sinais de perigo numa praia da Samoa. Avisou os pais e provavelmente salvou-os mais a umas tantas pessoas.
O antigo esquerdista Nuno Crato conta isto como um exemplo do saber aparentemente inútil que salva vidas. Poderia até contar no escrito que há quarenta anos os portugueses da escola primária eram obrigados a saber as linhas de caminho de ferro de Angola e Moçambique. E todos os relevos orográficos do país...
E cita o pai da perversão. Um tal Spencer, falecido em 1903 que dizia que o conhecimento interessa pouco; o que vale é a acção.
A minha professora primária educada no Estado Novo, dizia muitas vezes que "o saber não ocupa lugar".

Ao lado do artigo de Nuno Crato aparece uma publicidade a um curso- "The 6 days´mini-MBA- curso intensivo de gestão" ( sic). Já vai na 17ª edição e por isso deve ser muito procurado por quem ande à cata de currículos recheados destas coisas avulsas. "Mini-MBA´s " deve ser assim uma coisa a modos de mini-croissants. Buchas para entreter a "fome de conhecimento". E de acção, está bom de ver. Dois em um, portanto, em formato mini. Com eventual mini-preço também.

Em 6 dias, citados em "inglês técnico", melhor, em 48 horas, os pagantes inscritos aprendem a nível de "mini-MBA", mini noções de : "Contabilidade da Empresa; fiscalidade; Finanças da Empresa; Marketing e Marketing internaciona; Gestão estratégica e Gestão do Conhecimento; Gestão de Operações e Logística; Comportamento Organizacional, Cultura Empresarial, Gestão de Mudança e Liderança".
Está visto: somos peritos em tretas. E aldrabices. É isso que o professor Schleicher tem de entender melhor...

Se fosse em Portugal e o tsunami ocorresse junto ao ISCTE, numa altura de sossego e sem ninguém lá dentro, acho que ninguém avisaria ninguém. Mas o estrago seria nulo. Todos ficaríamos a ganhar.

sexta-feira, abril 01, 2011

O repetente do FMI

Sapo:

O ex-presidente da República Mário Soares disse hoje não ser daqueles que têm muito medo do Fundo Monetário Internacional (FMI), recordando que enquanto primeiro-ministro teve que recorrer a ele duas vezes e que Portugal resolveu os problemas.

Claro que Mário S. não tem medo do FMI. As duas únicas vezes que Portugal esteve à beira da bancarrota, tirando esta, foi com os socialistas. Os amigos dos pobrezinhos e que são sempre de esquerda porque se opõem aos ricos capitalistas que querem sempre esfolar o povo. Os socialistas foram sempre os amigos privilegiados dos pobres da classe média. Com um resultado evidente mas que muitos se negam a reconhecer: os seus governos geram sempre pobreza, maior miséria e são exactamente o contrário do que prometem. Depois de verem o resultado desastroso das políticas que aplicam, desculpam-se sempre com os outros. E voltam ao mesmo.
A população portuguesa, pobre em termos relativos, aprecia o discurso do PS porque lhe promete o que espera: vida melhor e combate aos privilégios. Nunca cumpre as promessas mas consegue sempre enganar quem vota.

Então aquele Mário S. nesse discurso é um ás e foi assim que ganhou a eleição presidencial em 86: aliando-se a uma esquerda que votou no mal menor porque o adversário era "de direita" e esta é o mal em si mesmo. A direita, em Portugal nem tem coragem de assumir o nome, tal é o opróbrio que lhe caiu em cima durante mais de 30 anos.

Temos por isso um Mário S. que governou sempre mal e obrigou o país a estender a mão ao FMI por duas vezes. Mas Mário S. mostra orgulho nisso como se vê. E ninguém lhe atira o pano encharcado a recomendar-lhe pudor.

Agora temos outra vez o FMI à porta. Quem o trouxe cá, novamente? O PS novamente. E que ganha eleições sempre com o mesmo discurso: contra os ricos e exploradores. É um discurso oco, falso, porque se há burguês em Portugal, é precisamente Mário S.

No entanto, na próxima campanha eleitoral vamos vê-lo novamente com o discurso de sempre e que ganha eleições.

O povo português não tem emenda.

Em Portugal estamos sempre em 1 de Abril

Para estes inenarráveis que nos governam, o dia das mentiras é todos os dias, sempre que lhes der jeito.

Habituaram-se de tal modo que se trata já de um vício, iniludível mas cuja essência produz sempre os seus efeitos: enganar uns tantos. Muitos, de preferência. Tantos quantos lhes permitam continuar a mentir. E conseguem, pelo que lhes compensa o vício.


A Mentira maior continua

Campos e Cunha, no Público de hoje escreve que a presente crise de governo ( que não propriamente crise política como todos se lhe referem) foi desejada pelo próprio Governo e explica porquê:

"Sabiam certamente, que os resultados orçamentais de 2010, avaliados pelo INE-Eurostat, não confirmariam os mágicos 6,9% do PIB. Apesar das receitas extraordinárias o défice de 2010 é mais grave que o de 2009 na versão anterior e que quase nos levou à bancarrota há um ano. Logo, há várias semanas que o Governo adivinhava o final desta semana e antecipou-se."

O que dizer disto, assim tão escarrapachado na cara do povo?

Que aqueles que concedem o benefício da dúvida a este governo e partido têm e terão o que merecem. A única explicação para o fenómeno continua a ser a dos apaniguados e daqueles que ainda acreditam que o PS é um partido de esquerda que defende os pobrezinhos contra os ricos capitalistas que nos querem aldrabar e tirar mais do que estes tiram. Este raciocínio básico, essencial, de fundo é p que ganha eleições em Portugal. E se tal não é verdadeiro, compete a quem está na berlinda denunciar e explicar o sofisma e a aldrabice disto.

Outra aldrabice explicada num pequeno artigo de Carlos Fiolhais, físico em Coimbra: " as energias renováveis são, por ora, muito caras e pouco eficientes. "

Este discurso não passa no Governo. Passa a propaganda e a imagem falsa. E os dinheiros que são de todos nós vão para alguns, à sombra desta aldrabice.
De resto é difícil encontrar uma única política de governo actual que não seja uma pura aldrabice e mentira de todo o tamanho. Seria interessante que quem sabe apontar factualmente essas aldrabices o fizesse e desmontasse ponto por ponto a política deste governo. É incrível. Como é possível que as pessoas que lidam com investimentos, como é o caso dos famigerados bancos e agências de rating, tenham confiança mínima em nós, como povo que elege?
Inenarrável mesmo.

Filhos e enteados

Ontem, citando uma notícia do i que reproduzia palavras de João Correira, ex-secretário de Estado da Justiça, com Alberto Martins, dizia-se que o seu despacho a autorizar o pagamento à mulher do ministro tinha sido precedido de uma movimentação do processo com passagem do mesmo, previamente, pelo gabinete do ministro. E que o chefe de gabinete era sobrinho da beneficiária.

Hoje, o Público cita um comunicado do ministério da Justiça em que o ministro desmente as duas coisas. Um desmentido formal que também aqui fica relatado porque é relevante e implica a alteração substancial de factos que se tinham dado como assentes. E podem não ser.

Não obstante, o mesmo Público relata que a beneficiária da autorização de pagamento recebeu logo, logo, a massa. Outros magistrados que tinham visto ser-lhes atribuído o direito a remuneração por acumulação de funções, ainda não receberam.
Há uma diferença aparente: a beneficiária, neste caso, viu despachado favoravelmente, mesmo sem pedir expressa e formalmente, o seu requerimento. É um aspecto do caso que importa elucidar e certamente o MºPº que anda a fazer um inquérito o fará.
Isso porque existia um processo judicial, no TAF do Porto. E no caso dos restantes magistrados incluídos no despacho que autorizou o pagamento, tal não acontecia. O que é estranho como se misturaram as duas coisas, aparentemente imiscíveis.
Não obstante, o jornal cita hoje o caso de mais nove magistrados que tinham ganho acções judiciais, administrativas, contra o Estado e já havia execuções em andamento. São casos diferentes daqueles e que importaria distinguir para bem da verdade e do esclarecimento deste caso nebuloso.
Por outro lado, o presidente do SMMP, João Palma reconheceu que estava incluido num caso desses e já recebeu. Seria interessante perceber como é que lhe foi concedido o direito, neste caso em tribunal ( o que torna distinto e muito mais transparente todo o processo de atribuição e legitima esse direito de um modo diferente e claro). Seria interessante porque se calhar a mulher do ministro obteria igualmente ganho de causa em tribunal.
E se tal tivesse sucedido, seria outra coisa. Muito mais ética. Muito mais adequada.

Portanto, assim, passamos da fase dos sobrinhos para a dos filhos e enteados...mas continua tudo em família.

quinta-feira, março 31, 2011

Um círculo bem redondinho

Na Quadratura do Círculo de hoje, o animador convidou o adjunto Silva Pereira, que ajuda o primeiro-ministro nos assuntos de Estado.
A conversa roda à volta da crise que atravessamos e o tema é arredondado em jargão político de circunstância com todos a desejarem que a campanha que se avizinha seja civilizada, sem dureza e portanto mole.

Estes indivíduos da Quadratura estão arranjados na vidinha que têm. Lobo Xavier consulta em várias empresas e advoga por aí. Vive bem e a crise não o atingirá quase nada. Pacheco Pereira é uma espécie de sociólogo-historiador da contemporaneidade e cronista de jornal que vive bem, também. O animador do programa é o elo mais fraco mas mantém a postura cordata de suavidade interventiva.
As conversas que dali saem sobre os diversos assuntos contribuem para a mistificação ambiente. Os verdadeiros problemas são escamoteados e a linguagem usada para ocultar a tragédia que nos assola.

O programa Quadratura do Círculo estiolou. Não é de agora, mas agora é mais visível. Não adianta nada; pouco ou nada se aprende e devia acabar.

Não se esqueçam desta notícia!

Já tem uns meses, mas vale a pena ler. É de um jornal americano:

REYKJAVIK, Iceland (AP) — Iceland‘s former prime minister has become the first world leader to be referred to a special court for possible prosecution on charges that he acted negligently in the lead-up to the country’s financial crisis.

Tuesday’s parliament vote means that former Prime Minister Geir Haarde will appear before a special court for allegedly failing to prevent the financial crash of 2008.

Iceland‘s debt-fueled financial system collapsed at the height of the worldwide financial crisis, sending its currency tumbling and unemployment soaring.

Repare-se bem na expressão da formação da culpa: negligência na condução dos negócios públicos.

Por cá nem se trata de negligência mas de contumácia na asneira, dolo na aldrabice e culpa grave na bancarrota.

Não há volta a dar-lhe: estes indivíduos inenarráveis que nos governam têm de sentar o cu no mocho e apanhar pela medida grande. Vão brincar para o raio que os parta! E façam-no com o dinheiro deles, se o tiverem.

Já vamos nisto...

Sapo:

O INE anunciou hoje que a revisão em alta do défice para 2010 de 6,8 por cento para 8,6 por cento. Esta alteração deveu-se à incorporação nas contas nacionais das imparidades com o Banco Português de Negócios (BPN), que acrescentam um ponto percentual ao défice de 2010, 0,5 pontos percentuais provenientes das empresas de transporte e 0,3 pontos percentuais relativas ao Banco Privado Português (BPP).

A nova metodologia, aplicada em diversos países, leva assim no caso de Portugal a uma revisão do défice em 1,8 pontos percentuais.

Pouco falta para que apareçam pessoas que costumam ser ouvidas e acreditadas pela opinião pública ( quer dizer os comentadeiros e tudólogos do costume) a dizer que isto já é um caso de polícia. Como diziam do BPN. Só que no caso do banco, os milhões eram menos. Agora são biliões e as asneiras e aldrabices aparecem em catadupa.

"Como é possível terem feito isto ao país?!!", foi assim que o Inenarrável disse no outro dia em que percebeu que não tinha saída airosa.

Entretanto em España, nuestros queridos hermanos já gozam com a situação:

Aos olhos do ABC, Diário Digital espanhol, Sócrates é "um antipático contra todos".Por insistir que Portugal não precisa de ajuda externa, o primeiro-ministro é comparado a um condutor que viaja em contramão numa auto-estrada convencido que os outros é que estão errados."

Pudera! Águarrás no cu dos outros é-lhes refrescante...

Mas diz mais, muito mais:

"Para acreditar em Sócrates, acrescenta o periódico, "temos de nos abster das partes mais importantes da sua biografia". É que o político "começou a sua carreira como fundador da juventude do partido social democrata e mais tarde, já socialista, a sua carreira no sector privado da construção, nos anos 80, foi uma das mais desastrosas da época, tendo mesmo sido destituído.

A sua licenciatura como engenheiro também levanta muitas dúvidas "tendo em conta que quatro das cinco disciplinas concluídas foram aprovadas por um professor que mais tarde foi ocupar um importante cargo no Governo de Sócrates. Já a quinta disciplina foi aprovada pelo próprio reitor da Universidade Privada de Lisboa que acabou por ser encerrada precisamente pelo cúmulo de irregularidades que foram surgindo à medida que se investigava o escândalo", continua o ABC. Mas o facto de alguns dos poucos exames feitos terem sido enviados por fax e ao Domingo não impediu o primeiro-ministro de aparecer na televisão a defender a sua honra e a acusar os seus adversários de estarem a inventar um esquema para o prejudicar, sublinha.

Agora, "do que se trata é de dinheiro. De muito dinheiro e da possível quebra de um país. O Presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, já fez as contas a Sócrates e assegura que Portugal precisa de um plano de resgate de mais de 70 mil milhões de euros para garantir o pagamento de uma dívida que está essencialmente nas mãos dos espanhóis", critica o jornal."


Os espanhóis já perceberam que temos um Inenarrável a governar e com o apoio de 90% do seu partido...
"Como foi possível terem feito isto ao país?!!"

nipote

Em italiano, nipote pode traduzir-se como...sobrinho.

Segundo o jornal i de hoje, o antigo Secretário de Estado da Justiça, o advogado João Correia, defende-se da insídia que o ministro da dita, sem qualquer pejo de vergonha, lhe lançou, a propósito do pagamento de 72 mil euros à mulher, do seguinte modo:

"Quando chegam [os documentos], são enviados para a secretaria geral, em seguida vão para o gabinete jurídico, onde é feito um parecer, depois vão para o gabinete do ministro e só depois iam para o meu gabinete. O ministro tinha de saber que aquela magistrada era mulher dele e o seu chefe de gabinete também tinha de saber que a senhora magistrada era a tia dele."
E mais: "Alberto Martins deve saber o nome da mulher, eu não."

Com este tiro ao porta-aviões do ministério, Alberto Martins, ministro da Justiça deste governo republicano, socialista e laico, jacobino por essência e compromisso, continua como se nada fosse com ele, mas apenas com os gabinetes e despachos jurídicos no ministério que ele tutela, de que tem a responsabilidade política e neste caso pessoal e intransmissível.

Mas não se demite, não. Isso é para tansos e um ministro assim, tão socialista e tão laico e tão republicano, cuja ética se confunde com a lei, mesmo que tenha violado essa lei, não se demite. Nunca. É demitido. Mas...por quem?!

PS: Entretanto, João Palma, do MºPº continua a falar umas coisas. Era melhor que se demitisse e quanto antes.

quarta-feira, março 30, 2011

Basta!

Na SIC-Notícias neste momento, José Ferreira entrevista Avelino de Jesus e Carlos Moreno. Este, antigo juiz do tribunal de Contas e em tempos gozado pelo palerma do Câmara Corporativa ( um blog inenarrável) acaba de dizer coisas sobre as parcerias público-privadas que deixam indícios fortíssimos de fraude nas negociações, por banda do Estado.

É preciso saber quem foram os negociadores, concluir a amplitude do escândalo ( e Carlos Moreno sugere uma auditoria para se ver qual o valor que o Estado terá de pagar) e organizar um inquérito criminal para se punir com penas de prisão quem cometeu tal desfaçatez. E ir ao bolso dos prevaricadores se tal for provado.

O próprio entrevistador disse que "é um escândalo" ao saber que os encargos que temos de pagar por esses erros notórios, agora apontados por Carlos Moreno e outros, todos derivados de sobreestimação de receitas, são da ordem dos milhares de milhões.

O negócio das parcerias público-privadas devia ser investigado criminalmente pelo DCIAP. Mesmo que Pinto Monteiro entenda que não se devem resolver problemas políticos através de inquéritos judiciais.
Aqui não se trata disso. Trata-se de um assalto ao contribuinte em números inimagináveis. Em favor de alguém e de alguns que é preciso determinar quem são. E quem calculou as receitas etc. sabia ou devia saber muito bem o que estava a fazer. É preciso saber quem foram, nome a nome, pessoa a pessoa e indagar o que fazem agora, onde estão e como é que foi possível cometerem uma coisa dessas de uma importância maior que o problema do BPN.

Quem se preocupa em fazer um inquérito relâmpago e com uma actuação digna de mérito no caso do pagamento à mulher do ministro, deveria de igual modo organizar rapidamente um inquérito com apreensão de documentos nos respectivos ministérios, antes que desapareçam, porque o valor do "abuso de poder", aqui não são 72 mil euros. São mais de dezenas de milhar de milhões. Sao biliões de euros que todos teremos de pagar por causa da decisão de alguns, muito poucos. O escândalo da antiga JAE, comparado com isto, é um jogo de crianças. Uma brincadeira. É isto que nos vai arruinar nos próximos anos e foram poucos, muito poucos os autores deste escândalo inominável.

Temos o direito de saber quem são. Não podem ficar no escurinho do cinema a chupar drops de aniz...
BASTA!

Ilegalidades administrativas

Pode ler-se aqui a justificação legalista para o ministro da Justiça ter revogado um despacho do seu secretário de Estado, a propósito de um pagamento feito pelo Estado à sua mulher.

O documento invoca o artigo 44, nº1, alínea b, do Código do Procedimento Administrativo, segundo o qual "nenhum titular de órgão ou agente da Administração Pública pode intervir em procedimento administrativo ou em ato ou contrato de direito público ou privado da Administração Pública quando, por si ou como representante de outra pessoa, nele tenha interesse o seu cônjuge, algum parente ou afim em linha recta ou até ao 2º grau da linha colateral, bem como qualquer pessoa com quem viva em economia comum".

Aqui há uns tempos, no auge da polémica do Freeport, houve uma confissão inusitada:

José Sócrates admite poder ter mantido uma conversa com o seu tio a propósito do projecto Freeport de Alcochete.

Na altura ninguém se lembrou daquele artiguinho do CPA...

Bancarrota, cortesia José S.

Do Público:

Para o norte-americano Barry Eichengreen, que foi consultor do FMI no final dos anos 90, a Grécia, a Irlanda e Portugal vão ter de fazer haircuts (corte no montante da dívida), de preferência com garantias colaterais do fundo de resgate do euro. O professor da Universidade de Berkely, na Califórnia, diz que não podem ser só os contribuintes a pagar a factura do ajustamento orçamental.

Só entra nestes processos quem está na bancarrota. Quem aqui nos conduziu não foi a decisão do PSD em rejeitar o último PEC. Foram tão simplesmente as políticas económicas do pior ministro das Finanças da Europa e principalmente por causa de um Inenarrável que continua apostado em nos afundar ainda mais.
E há quem ainda lhe dê crédito. Segundo as sondagens, muitos ainda. Certa de 30% dos eleitores. Serão masoquistas ou simplesmente carneiros ? ( tinha escrito burros, mas respeito mais estes asininos do que certos eleitores).

Entretanto, o jornal irlandês The Independent, escreve-nos uma carta. Essa carta diz que temos um primeiro-ministro que é um criminoso. Não diz assim, mas nas entrelinhas vai dar ao mesmo. E um criminoso escolhido por 90% dos membros do seu partido para continuar a governar se lhe derem oportunidade.

Era bom que um jornal português lhe escrevesse também uma carta, recordando um indivíduo que anda refugiado em Londres. Vale e Azevedo, é o seu nome. Não confundir com o primeiro-ministro actual.

A verdadeira crise da Justiça. Enésimo caso.

Em 15 de Outubro de 1998, dois advogados publicaram no Público um artigo em que davam conta de supostos privilégios de juízes serem julgados em foro especial. No caso, a juiza Fátima Galante, então casada com o juiz Rui Rangel. O assunto era já de escândalo: a juíza tinha sido acusado pelo MºPº de corrupção num assunto que envolvia um processo em que intervinha um solicitador, Patuleia, entretanto falecido.
O artigo do Público seguia-se a um outro da autoria do cunhado da dita, Emídio Rangel, em que defendia a honra da cunhada ( e do irmão, por supuesto, como diriam nuestros hermanos). Tenho esse artigo de Rangel em que defende a honra perdida da familiar. Também me lembro de o processo ter chegado ao STJ e o MºPº da secção criminal, então representado por Laborinho Lúcio, ter defendido que a arguida, juíza, deveria ser julgada por esse crime. O STJ entendeu de modo diferente e passou a esponja jurídica e judicial sobre o caso. Adiante.

Segundo o Público, os dois advogados que sabem muito bem o que se passou na realidade e ainda saberão ( pelo que há quem saiba que eles sabem...) foram entretanto condenados por causa desse artigo, por ofensas à honra da magistrada em causa. Houve um tribunal português cujos juízes provavelmente já estão a desembargar qualquer coisa que condenou aqueles em 25 mil euros para pagar essa honra ( onde vão as centenas de milhar que agora são pedidas a esmo por altas figuras da magistratura...) ofendida.

Os advogados recorreram para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e ganharam agora a sua causa.

O Estado português, por causa daquela condenação que viola os direitos do Homem, vai ter de esportular 41. 484 euros. Quem os deveria pagar? Obviamente quem violou os direitos do Homem. Ou seja, o tribunal que condenou em primeiro lugar. Os juizes que assim decidiram.

E escrevo isto porque agora posso fazê-lo, com esta decisão do TEDH em que se escreve sobre a necessidade de haver equilíbrio entre os valores em conflito, "entre os quais se incluem o direito da população a ser informada sobre questões relacionadas com o funcionamento do poder judicial, os imperativos de uma boa administração da justiça e a dignidade da profissão de advogado."

Quem lê estas palavras, lembra-se imediatamente do caso Face Oculta e por isso é mais que certa a condenação do Estado português, daqui a uns anos, por decisões de tribunais nacionais tomadas o ano passado...

Este é um caso paradigmático da verdadeira crise da Justiça: a que se recusa a dar a cada um aquilo que lhe pertence. E com fundamento em interpretações legais. Por vezes peregrinas, mas ainda assim, afirmadas ex catedra.



Um sarau é uma arma carregada de futuro

Já lá cantava o catalão... no tempo da outra senhora e assinalando a poesia.

Esta semana a revista Flash ( que vou passar a consultar porque é um excelente barómetro da sociedade portuguesa "afluente") publica uma pequena reportagem alusiva às comemorações do Dia Mundial da Poesia, na Sala das Bicas do palácio de Belém.
O pequeno texto da revista é um must que se encaixava na perfeição , nos textos da revista Nova Antena, do antigamente. No tempo da outra senhora, D. Gertrudes de seu nome.
O sarau literário-social-comemorativo teve a organização da Primeira-Dama, a quem Vasco Graça Moura, sempre presente, dedicou uma declamação. Escreve a revista que "chegou a nomear a primeira-dama de alta magistrada da poesia".

Presentes no evento, vários actores, o filho de Miguel Sousa Tavares ( que tocou piano, lindamente, certamente), Manuela Eanes e até Simone de Oliveira, a decana das desfolhadas.

Pois, pois...os últimos versos do poema do catalão, do antigamente e do tempo da outra senhora, a D. Gertrudes, diziam assim

Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural para los neutrales
que lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Estamos tocando el fondo,
estamos tocando el fondo.



terça-feira, março 29, 2011

As mentiras continuam e vão continuar

Fica aqui um mail que recebi e que dá conta do problema que o primeiro-ministro José S. mai-los seus apaniguados não querem nem pensar. Preferem imputar a responsabilidade da crise para o capitalismo internacional, o PSD que é um partido irresponsável em criar agora uma crise política e patati patata. Segundo se pode ler, o líder do PSD foi muito contido na resposta a mais esta mentira soez deste contumaz. Disse que o PSD não aprovou o PEC IV e as medidas "não por irem longe de mais, mas porque não iam suficientemente longe”.

O PSD com este tipo de discurso confuso não leva na sua devida conta a capacidade de aldrabice de que o Inenarrável é capaz. E vai pagar as favas por isso. Os "boys" e "girls" às centenas ou milhares que se anicham nestes institutos estão obviamente pelo Inenarrável. E contra quem lhes quer cortar a colecta. E compreende-se: se fossem extintos os respectivos postos de trabalho que em muitos casos é a fazer de conta, ficavam como nunca se acharam: sem vidinha. E isso é insuportável. Portanto, irão fazer tudo por tudo por manter o lugar e o tacho. Vai valer tudo, mesmo tirar olhos de ver a quem quer mostrar o que valem.

O mail dava conta de um estudo do economista ÁLVARO SANTOS PEREIRA, professor da "Simon Fraser University", Canadá. Diz assim:

"Portugal tem hoje 349 Institutos Públicos, dos quais 111 não pertencem ao sector da Educação. Se descontarmos também os sectores da Saúde e da Segurança Social, restam ainda 45 Institutos com as mais diversas funções.

Há ainda a contabilizar perto de 600 organismos públicos, incluindo Direcções Gerais e Regionais, Observatórios, Fundos diversos, Governos Civis, etc.) cujas despesas podiam e deviam ser reduzidas, ou em alternativa - que parece ser mais sensato - os mesmos serem pura e simplesmente extintos.

Para se ter uma noção do despesismo do Estado, atentemos apenas nos supra-citados Institutos, com funções diversas, muitos dos quais nem se percebe bem para o que servem.

Veja-se então as transferências feitas em 2010 pelo governo socialista de Sócrates para estes organismos:

ORGANISMOS

DESPESA (em milhões de €)

Cinemateca Portuguesa

3,9

Instituto Português de Acreditação

4,0

Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos

6,4

Administração da Região Hidrográfica do Alentejo

7,2

Instituto de Infra Estruturas Rodoviárias

7,4

Instituto Português de Qualidade

7,7

Administração da Região Hidrográfica do Norte

8,6

Administração da Região Hidrográfica do Centro

9,4

Instituto Hidrográfico

10,1

Instituto do Vinho do Douro

10,3

Instituto da Vinha e do Vinho

11,5

Instituto Nacional da Administração

11,5

Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural

12,3

Instituto da Construção e do Imobiliário

12,4

Instituto da Propriedade Industrial

14,0

Instituto de Cinema e Audiovisual

16,0

Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional

18,4

Administração da Região Hidrográfica do Algarve

18,9

Fundo para as Relações Internacionais

21,0

Instituto de Gestão do Património Arquitectónico

21,9

Instituto dos Museus

22,7

Administração da Região Hidrográfica do Tejo

23,4

Instituto de Medicina Legal

27,5

Instituto de Conservação da Natureza

28,2

Laboratório Nacional de Energia e Geologia

28,4

Instituto de Gestão do Fundo Social Europeu

28,6

Instituto de Gestão da Tesouraria e Crédito Público

32,2

Laboratório Militar de Produtos Farmacêuticos

32,2

Instituto de Informática

33,1

Instituto Nacional de Aviação Civil

44,4

Instituto Camões

45,7

Agência para a Modernização Administrativa

49,4

Instituto Nacional de Recursos Biológicos

50,7

Instituto Portuário e de Transportes Marítimos

65,5

Instituto de Desporto de Portugal

79,6

Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres

89,7

Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana

328,5

Instituto do Turismo de Portugal

340,6

Inst. Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação

589,6

Instituto de Gestão Financeira

804,9

Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas

920,6

Instituto de Emprego e Formação Profissional

1.119,9

TOTAL.........................

5.018,4

- Se se reduzissem em 20% as despesas com este - e apenas estes - organismos, as poupanças rondariam os 1000 milhões de €, e, evitava-se a subida do IVA.

- Se fossem feitas fusões, extinções ou reduções mais drásticas a poupança seria da ordem dos 4000 milhões de €, e não seriam necessários cortes nos salários.

- Se para além disso mais em outros tantos Institutos se procedesse de igual forma, o PEC 3 não teria sequer razão de existir."


Pronto, não se fala mais nisso...

Sapo:

O ministro da Justiça revelou hoje no Parlamento que ordenou a revogação do despacho do ex-secretário de Estado João Correia que autorizou o pagamento por acumulação de funções a duas magistradas, sendo uma delas a sua mulher, a procuradora Maria da Conceição Fernandes.

Alberto Martins referiu que tomou esta decisão após receber o resultado do processo de averiguações sumárias que solicitou à Inspecção-geral dos Serviços da Justiça e que aponta para a "invalidade" dos despachos do ex-secretário de Estado da Justiça.

Precisou de vários dias para tomar a única decisão que deveria tomar imediatamente. E não tomou a que devia tomar a seguir: demitir-se.

Américo Tomás morreu pobre. E não teve nenhum ministro que lhe desse destes abonos enquanto era presidente. Mesmo assim, foi interpelado pelo aqui ministro que lhe queria pedir batatinhas sobre a sua conduta política.
Este ministro apesar disso não aprendeu nenhuma lição porque a ética para ele, é a lei. E a lei é a que temos.

Pritzker para E. Souto Moura


A imagem é do i de hoje que traz algumas frases de uma entrevista recente. Uma delas é assim:

"Trabalhei e fui educado por grandes arquitectos como o Siza e o Távora, mas depois isto mudou e hoje a profissão é outra coisa."

Azares


Esta notícia do Público de hoje merece comentário pelo seguinte: segundo se depreende, a PLMJ, sociedade de advogados que compreende alguns nomes sonantes do foro judiciário, como por exemplo José Miguel Júdice ou José Luís da Cruz Vilaça, antes de 2002 deixou passar o prazo para a prática de um acto processual importante num tribunal administrativo, eventualmente o TCAS, em Lisboa. Esse acto, alegações de recurso num processo em que os clientes da PLMJ eram os herdeiros do dono da Celtejo, ( uma das empresas que viria a constituir a Portucel, por força das nacionalizações em 1975) ficou sem efeito e por isso os clientes da PLMJ instauraram uma acção em 2002 para se ressarcirem dos prejuízos inerentes. O Público diz que são dez milhões de euros e que há uma seguradora envolvida, a Tranquilidade.

A notícia não merecia muito mais comentários, a não ser o de ser lamentável que uma coisa desse género aconteça, mas efectivamente acontece e aos melhores. No melhor pano jurídico cai a nódoa. Provavelmente, a PLMJ tinha a trabalhar nesse processo, um "escravo", ou seja um advogado admitido como colaborador a recibo verde, mas com altas classificações académicas e no último dia do prazo, na última meia hora, tentou enviar o fax redentor, mas já não teve tempo. Quem contestou ou respondeu às alegações topou a intempestividade e excepcionou o facto .Acontece. Não é isso que está em causa, aqui. Além disso não é o primeiro azar do género, na PLMJ.

Quem ler a notícia do Público nota que a família do antigo dono da Celtejo contratou diversos juristas, onze, a quem pediu pareceres e pagou. Muito. Cerca de 191 mil euros o que dá uma média de 17 mil euros a cada um daqueles mercenários do direito.
Entre estes peritos, o jornal publica o nome de Pinto Monteiro com a indicação expressa de que se trata do actual PGR. Ora tal não pode ser e provavelmente há lapso e erro grave do jornalista.

Tal como os chapéus, Pintos Monteiro pode haver vários e há. Um deles, professor de direito em Coimbra, chama-se António e para quem não saiba, é irmão do actual PGR.

Dizem que se dá muito bem com este PS de José S. a quem tem ajudado também em pareceres. Dizem...

Além disso, o actual PGR nunca poderia ter dado qualquer parecer. Pago ou de borla. Para tal só os famosos processos administrativos...e que como toda a gente sabe são dever do ofício e pro bono.

O discurso dos prós

Decorre neste momento o programa de tv Prós & Contras, sobre "E agora Portugal?"

A animadora do programa já citou Mário S. e convidou para o programa professores. Universitários. Todos, incluindo João Salgueiro,o mais prático e inteligente; Lídia Jorge que se farta de citar autores para lhes rebater os ditos, de modo inconsequente; José Gil, o confuso dubitativo que se dribla na fluência discursiva e parece nem saber o que está a dizer, perante o olhar suspeito dos restantes; Eduardo Paz Ferreira, o situacionista que acha que os políticos merecem todo o crédito pelo sacrifício que fazem em nos governar, esquecendo Brecht e o seu poema "como é difícil governar!"; António Nóvoa, académico irrelevante; Tolentino de Mendonça que a apresentadora chama de professor e aparece como teólogo, sendo simplesmente padre, com um discurso de púlpito, sobre a pobreza franciscana. E também um iconoclasta universitário, António Feijó. E o professor Hespanha, encasacado num agasalho de lã e um professor de Economia de Coimbra, com pendor para o lado do CES do professor Boaventura.

Todos eles alvitram opiniões sobre o destino de Portugal. O discurso, divagante e deletério, repete os temas e os motes dos últimos 30 ou 40 anos. O discurso da maioria poderia ser reportado a 1980 ou até 1974, com excepção dos professores esquerdistas que defenderiam o gulag estalinista com o mesmo à vontade com que agora o criticariam.
Neste momento está a perorar o professor Paz Ferreira, um desses exemplos, que acaba de fazer um comentário encomiástico aos Deolinda, Camané e outros similares, achando que estes artistas são de uma excepcionalidade extraordinária e sem paralelo na Europa.

Este Paz Ferreira nunca ouviu a Banda do Casaco. E os intelectuais portugueses podem continuar a ler o Jornal de Letras.
Salva-se João Salgueiro. Porque conhece factos e não apenas autores e teorias.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso