segunda-feira, novembro 10, 2014

Citius: agora, segue-se a responsabilidade política...

Sobre o falhanço do Citius nada escrevi até agora. Agora escrevo, porque a ministra da Justiça foi enganada outra vez. À primeira quem quer cai. À segunda só cai quem quer. Agora alguém tem que cair...nem que seja o Secretário de Estado.

Daqui:

PGR abriu investigação às falhas na plataforma informática Citius
JUSTIÇA
A Procuradora-Geral da República (PGR) abriu uma investigação depois de a ministra da Justiça ter enviado um relatório sobre a plataforma informática Citius, tendo nomeado o procurador Pedro Verdelho para assumir o inquérito.
A PGR informou ontem que na sequência do envio do relatório, na passada sexta-feira, pela ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, «foi instaurado um inquérito com a finalidade de investigação», da matéria referida no documento sobre o Citius. A PGR adianta que, atendendo à complexidade processual e à repercussão social da matéria em investigação, nomeou para assumir a direcção do inquérito o procurador da República, Pedro Verdelho, tendo em consideração os «especiais conhecimentos técnicos» deste magistrado.
O relatório, elaborado pelo Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IG- FEJ) e enviado pela ministra para a PGR, aponta para alegadas omissões de informações importantes das chefias intermédias durante o processo de adaptação da plataforma à nova organização judiciária, que podem configurar a prática de eventuais ilícitos criminais.

E daqui:
 
O Ministério Público arquivou esta segunda-feira o inquérito relacionado com a plataforma informática Citius, “por considerar não existirem indícios do crime de sabotagem informática”, avançou a Procuradoria-Geral da República em comunicado.
O inquérito foi aberto há cerca de duas semanas, a 27 de outubro de 2014, “e nele foram coligidos documentos e inquiridas testemunhas, tendo sido constituídos e interrogados dois arguidos”.
Recorde-se que dois funcionários da Polícia Judiciária tinham sido constituídos arguidos por suspeitas de terem sabotado o sistema, quando integravam a equipa que gere a plataforma.

“As diligências realizadas permitiram esclarecer as dúvidas que o documento remetido pelo Ministério da Justiça suscitou, afastando a suspeita de que tivesse ocorrido sabotagem informática na adaptação da plataforma Citius à Lei de Organização do Sistema Judiciário”, lê-se no comunicado.
“Dos elementos recolhidos não resultou prova suficiente relativamente à verificação do crime de coação”, lê-se.

Pedro Verdelho não é magistrado que se deixe envolver em politiquices, penso eu de que. E por isso o que concluiu é de fiar. Por isso, a ministra da Justiça que tire as devidas ilações.

É tudo uma injustiça, é, é...

 Expresso online:

Ex-presidente do BES reage às notícias sobre os resultados da auditoria forense às contas semestrais do banco, segundo as quais a sua equipa de gestão poderá ser acusada da "prática de atos ruinosos" por ter promovido transferências de centenas de milhões de euros para fora do banco através de quatro sociedades off-shore

O avogado Proença é sempre compatível...

O advogado Proença de Carvalho é um dos pivots desta choldra em que nos encontramos. Vejamos como se desempenha nesta situação.
Em breve estará a explicar à solícita dona Lourenço, na SIC,  que tudo isto faz parte da democracia que tantas alegrias lhe tem dado, ao contrário do "fassismo" que era tenebroso para este tipo de jogo, com tanto pluralismo de intervenientes.


Daqui:

Daniel Proença de Carvalho. O advogado é presidente não executivo da Zon, cujo maior accionista é Isabel dos Santos. Proença de Carvalho foi também um dos advogados que tratou da restituição de 150 milhões de dólares que Angola havia transferido para um advogado para comprar 49% do Banif. O caso iniciou-se em 1994, mas o Estado angolano só se considerou ressarcido em 2010. É um também um dos accionistas da Interoceânico. O advogado é igualmente presidente não executivo da Cimpor, dominada pela Camargo Corrêa, aliada da Interoceânico no BCP.

Daqui:

 A ‘candidatura' do grupo francês Altice à compra da PT Portugal aos brasileiros da Oi conta com a participação de vários escritórios de advogados e bancos de investimento. Trabalham neste processo que poderá dar origem a um negócio superior a dois mil milhões de euros os escritórios Uría Menéndez Proença de Carvalho, bem como os bancos BTG Pactual, Goldman Sachs e Morgan Stanley e a ‘boutique' de investimento Perella Weinberg, que está de regresso a Portugal depois das privatizações de 2011.
 A Uría Menéndez Proença de Carvalho está a apoiar a Altice, com uma equipa de peso, composta pelos sócios Daniel Proença de Carvalho, António Villacampa Serrano e Filipe Romão. A Altice conta ainda com dois escritórios franceses.


 Daqui:

 A disputa pela PT ganhou ontem novo fôlego, com a empresária angolana Isabel dos Santos a oferecer 1,21 mil milhões de euros pela PT SGPS através do lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA). 
 
Como é que isto se compatibiliza? É fácil. Assim:


A Ordem dos Advogados garante que Proença de Carvalho não viola qualquer regra deontológica  por acumular mais de duas dezenas de cargos em empresas, entre elas a Controlinveste que detém o DN ou o JN, com o seu escritório de advogados.
Proença preside à Controlinveste Conteúdos, cujo grupo é accionista da PT, empresa que os franceses da Altice querem agora comprar, numa operação que está a ser apoiada pela sociedade daquele advogado, segundo o próprio confirmou hoje ao Correio da Manhã.
“Não está nessas empresas como advogado e, portanto, não há incompatibilidade”, frisa ao SOL o presidente de distrital de Lisboa da Ordem, José Carlos Martins, acrescentando que o que o estatuto dos advogados proíbe é que um jurista represente interesses opostos.
Segundo explicou ao SOL, o facto de Proença de Carvalho estar a representar o grupo francês Altice, que manifestou interesse na compra da PT, e já ter presidido à concorrente Zon (a nova NOS) não é impedimento para exercer a profissão. Mas está-lhe vedado, por exemplo, o exercício de cargos políticos e autárquicos, bem como o de assessores ou secretários de órgãos de soberania.  A excepção é o cargo de deputado, que um advogado pode exercer em simultâneo com a profissão.
Daniel Proença de Carvalho, que é sócio-presidente da Uría Menéndez - Proença de Carvalho, é também presidente da Cimpor - Cimentos de Portugal e presidente da assembleia geral de várias empresas, como a Galp Energia, SGPS, a Socitrel ou a Renova.

A falência dos bancos explicada por quem não pode explicar mais.

No caso BCP, o assalto ao capital do banco e domínio da sua administração ocorreu em ambiente socialista Inenarrável.
O banco perdeu valor em pouco tempo e anda por aí, aos caídos.

Filipe Pinhal explica o que pode do caso BCP,  numa entrevista a propósito de um novo livro que acabou de publicar.

Pelo contrário, no artigo do Sol da última Sexta-Feira, Ricardo Salgado nada pode explicar e por isso inventou um papão que lhe comeu as bolachas do banco...
Este artigo, a meu ver, resume tudo o que se passou no BES/GES: tudo corria bem até que apareceu o monstro das bolachas que lhes arrombou o cofre. Quando deram por ela só conseguiram salvar  uns biscoitos em offshores manhosas e que agora lhes mostram a perspectiva da Carregueira .
A surpresa do ataque do papão foi tão grande que fizeram tudo atabalhoado e mandaram o vigilante que tinham contratado para guardar o cofre e anotar os depósitos e levantamentos, de férias para o Brasil. Devidamente recompensado pelo serviço impecável que prestou.
 Lembra-me um episódio relativamente recente de um gordo que foi para a China praticar artes marciais...

Obviamente, a prisão está à espreita...

Observador:

A auditoria forense que foi desencadeada para investigar o que levou o Banco Espírito Santo (BES) para a falência está praticamente fechada e pronta para o governador do Banco de Portugal levar ao arranque da comissão parlamentar de inquérito, a 17 de novembro. Segundo avançou a SIC este domingo – e conseguiu confirmar o Observador – a Deloitte não conseguiu identificar o destinatário final das muitas centenas de milhões de euros que saíram do BES nos últimos dias da gestão de Ricardo Salgado, depois de o banqueiro saber que tinha de sair e ainda antes de Vítor Bento ter assumido o lugar de presidente executivo.

A auditoria concentrou-se particularmente nos 1,5 mil milhões de euros que as contas do primeiro semestre de 2014 identificaram como perdas adicionais, que Carlos Costa considerou passíveis de investigação judicial quando o BES foi dividido em dois. Parte desse dinheiro saiu do BES com a ajuda da Eurofin, uma sociedade criada na Suíça há quinze anos, aparentemente numa complexa movimentação financeira envolvendo quatro offshores, um dado avançado pela SIC, mas que o Observador não conseguiu confirmar.

domingo, novembro 09, 2014

O Muro caiu em Agosto de 1991

O Muro, verdadeiramente,  só caiu em finais de Agosto de 1991...porque em 23 desse mês, Ieltsine suspendeu as actividades do partido comunista na então URSS, por suspeita de envolvimento no golpe de Estado.

Por cá, após os acontecimentos de 25 de Novembro de 1975,  era isso que deveria ter sido feito. Porém, Mário Soares e Melo Antunes não deixaram. Disseram que o PCP era necessário à democracia. Tão necessário quanto uma viola num enterro...
O PCP ainda hoje lamenta a queda do Muro, há vinte e cinco anos. Sobre a queda do comunismo na URSS nem se fala. Nessa altura, no espaço de algumas horas apoiaram os golpistas, com um comunicado que tiveram que engolir horas depois. É um daqueles sapos que ainda não deglutiram.


Quando o Muro caiu, há 25 anos, ficaram à mostra muitas vergonhas do sistema comunista. Porém, a miséria e desgraça a que o sistema conduziu muitos milhões de pessoas, durante décadas, só foram devidamente entrevistas após a queda o muro, em Moscovo, em Agosto de 1991.

O polaco  Ryszard Kapuscinski fotografou então alguns instantâneos dessa tragédia colectiva, provavelmente e a par das grandes guerras, a maior de todo o século XX e que ainda hoje o PCP pretende enaltecer e se lhe fosse possível preservar no formol onde guarda a ideologia comunista.
As fotografias estão agora em exposição, em Barcelona. 

Uma imagem que diz mais de mil palavras é esta sobre o que então se passava na Ucrãnia e que explica o que se passa agora. As inscrições na estátua falam por si: "onde estão as nossas casas, hospitais e escolas?"





sábado, novembro 08, 2014

Ai TVI, TVI...

 Ainda a propósito da passagem de testemunho do jornalista José Alberto de Carvalho para o jornalistazinho Sérgio Figueiredo será bom recordar coisas antigas e que mostram o lodo em que nos encontramos na informação e não só.
Em tempos ainda não muito recuados, no ano de 2012, a TVI, pela mão do repórter Carlos Enes, entretanto saído da estação de tv, transmitiu esta reportagem, hoje virtualmente impossível sobre as barragens.



O tema, muito simples, resumia-se a uma pergunta ainda mais simples: porque é a electricidade tão cara? E dizia-se:
"Portugal vai fazer 9 barragens novas, que vão gastar mais electricidade do que produzir. Quem vai pagar são os consumidores, nas facturas. Saiba porque a electricidade é tão cara, no Repórter TVI. «Facturas de Betão» é uma Grande Reportagem do jornalista Carlos Enes, com imagem de Carlos Carvalho e montagem de Miguel Freitas."


 Em complemento informativo sobre o petit journaliste, tornado funcionário da Fundação EDP, na secção de Produção.
A TVI é do grupo Prisa do célebre conde Amaral, onde estagia também, na Administração, uma certa Rosa Cullell.

Esta doña Rosa é nada mais nada menos que administradora de uma outra empresa que a EDP conhece muito bem. De facto, em 2013 comprou parte do capital: a Hidroeléctrica Del Cantábrico S.A. (“HC”).
 Doña Rosa Cullell é naturalmente "consejera" de tal empresa desde 1999.

A TVI está para a EDP como o BES para a PT, neste aspecto.
O que é que o petit-journaliste vai fazer? A vontade de quem manda...

O respeitinho afinal é agora...

O Diário de Notícias de hoje, dirigido por um Proença de Carvalho na sombra, destaca hoje um acontecimento de quinta-feira, na AR em que o ministro Pires de Lima se arrastou um pouco mais a dizer certas palavras e nomes para ironizar com o Costa do PS.

Pelos vistos há há, nas "redes sociais",  quem exija o afastamento do ministro, por causa dos ditos.  A articulista até consultou o especialista em politologia doméstica, Costa Pinto, antigo maoista, sobre o fenómeno. Acha que não, não é caso para tanto...

Em 1980 na mesmíssima Assembleia da República um debate parlamentar sobre um assunto qualquer da "reforma agrária" ( coisas do comunismo nacional) suscitou outro tipo de nomes e palavras e ninguém se ocupou a ouvir os costas pintos de então sobre a conveniência em afastar do hemiciclo os autores da peixeirada.
 
Em 21.3.1980 o semanário O Jornal publicou esta transcrição que se pode ler com um clique na imagem, do debate parlamentar que envolveu discussão na Assembleia entre Raul Rego, Sousa Tavares ( já falecidos)  e António Campos. O vernáculo usado em directo e bom som vale a pena ler, porque o assunto que discutiam dizia respeito a favores e cunhas na concessão de crédito agrícola.
"filho da puta" , "animal", "escarro moral" e outros mimos eram moeda de troca nas discussões acaloradas.
Sousa Tavares, indignado por Raul Rego lhe ter dido "vá para a puta que o pariu!" e a prosseguir na senda dos impropérios, inaugurando a saga dos escarros morais. O presidente da A.R. a tentar serenar, dizendo que nada ouviu e Sousa Tavares a chamar bêbado e mentiroso a António Campos logo em seguida, para "defender a honra".
 
Agora quaisquer corninhos de fora dão direito a expulsão imediata...


Os favorecidos da ideologia dominante

No Diário de Notícias de hoje há mais uma entrevista de José Miguel Júdice, captada a vol d´oiseau entre bicadas numa salada de polvo, boletos e trufa branca de Alba e um prato forte de risoto com atum. No Eleven, bien sûr e mais uma vez o assunto foi a haute cuisine de quem passou estes anos a aplaudir, pedir bis, muito bem, ao poder que passa. No Portugal dos últimos vinte anos, Júdice safou-se e Marinho e Pinto é que o topa.





Júdice assegura agora que Costa é quem conseguirá "melhorar isto um bocadinho". "Mais que os outros". No fim do respasto confessa-se "favorecido".  Não duvido.

Outro "favorecido" é Pacheco Pereira que passou os últimos anos a perorar contra os moinhos de vento da "direita liberal" encastoada nos "actuais governantes". Pacheco Pereira perora agora em favor do eminente constitucionalista Reis Novais, cujas prestações em Prós&Contras já são lendárias pela defesa intransigente do modelo...socialista. O democrático, claro está e prè-Vallscente na actual conjuntura nacional.
Pacheco, antigo esquerdista no PREC, não gosta destes "actuais governantes" que não se intelectualizaram devidamente com os gritos do povo e atacam a Constituição por esta se dizer ainda veículo para a construção do socialismo. O Tribunal Constitucional vem por acréscimo. O panegírico ao livro do tal Novais é o mote e começa logo por questionar o aspecto "jurídico" de uma intervenção política de uma "actual governante".  Mesmo declarando-se incompetente nass matérias jurídicas, não percebe por que motivo aquela disse que podiam ser aplicadas ao Tribunal Constitucional "sanções jurídicas" . Não entende e pergunta e pergunta. Mas se não entende, porque pergunta?
As "sanções jurídicas" como está bom de ver para qualquer político assentam na revisão constitucional ou na revisão do método de escolha dos juízes do Tribunal Constitucional. E não serão legítimas tais revisões perante a carga ideológica dessa mesma Constituição com que Pacheco se sente confortado? E não serão legítimas tais dúvidas sobre o papel concreto e politizado partidariamente, dos juízes do Tribunal Constitucional quando é um dos seus pares que o denuncia por escrito em voto de vencida em acórdão? Ou será o tal Novais o guru da verdade constitucional?

Pacheco Pereira há muitos anos que se acantonou a um discurso comentarista com base ideológica profunda e já com laivos cabotinos porque não suporta algo que não consegue definir. É irracional porque a sua evidente adesão ao cavaquismo do inícios dos anos noventa mostra uma conversão tipo alheira: não foi genuína e dentro das tripas do envólucro discursivo continua a rejeitar a carne de porco liberal. Devia fazer como o anterior favorecido e declarar o seu afecto ao Costa. 


Por fim, outro favorecido é o jornalista Óscar Mascarenhas que provê o leitor do Diário de Notícias.

Desta vez provê que Fidel Castro será pessoa séria e nada como o pinta o ajudante de campo que conviveu de perto com o dito, em livro já por aqui cronicado.
Óscar traduziu dois livros sobre Fidel e por isso desconfia do que este escriba denuncia, particularmente o mais grave: Fidel é um assassino na medida em que manda matar quem se lhe opõe de modo sério. E o modo de vida que levou em Cuba não se reduz aos iogurtes personalizados.

Fosse o livro sobre Salazar e Humberto Delgado e teríamos o Óscar a repetir a ideia comum sobre a autoria do assassínio e sem dúvida alguma.
Assim, não há provas de nada até porque um dos livros que traduziu ( com "quase seiscentas páginas" ) não diz nada disso...
Este artigo é o equivalente ao velhíssimo truque comunista  de argumentar pelo absurdo, quando diziam que os comunistas comiam criancinhas ao pequeno almoço.


Porque é que estes três indivíduos são "favorecidos"? Porque  representam a ideologia dominante em Portugal, aquela que perpassa pela "intelligentsia" nestes últimos 40 ou mesmo 50 anos. Uma idelogia de esquerda rançosa e de viço embalsamado.
Aqui não há lugar para o slogan da Aplle de há uns anos - "think differente". Aqui tudo se homogeneiza nestas ideias simples: o liberalismo suposto de um governo que nem isso consegue ser por causa do país que temos é classificado e adulterado para efeitos políticos, visando desqualificar eleitoralmente uma certa "direita" inexistente em favor de uma esquerda sempre presente e bem pensante como o demonstra o artigo do jornalista Óscar.
O caso de Júdice é o mais penoso: não tem ideologia. É apenas compagnon de route de quem lhe der de comer. Bem, claro está. Agora cheira-lhe a Costa...

sexta-feira, novembro 07, 2014

Ai, TVI...


Sol de hoje:  o jornalista José Alberto Carvalho leva um "chuto" para cima e no seu lugar fica um jornalista que estava na Fundação EDP (!) dirigida pelo senhor Mexia,  com a complacência dos olhos em bico e enquanto o mesmo se portar bem. A EDP em 1974 não existia e no seu lugar havia várias "operadoras" no sector, todas portuguesas, nossas. Com a grande iniciativa comunista e socialista transformou-se em mastodonte, nosso, e em vez de elefante branco como outros, acabou a servir de mealheiro para as nossas desgraças, provocadas em grande parte pelos mesmos que a tornaram nossa.

Agora é dos chineses da três gargantas.

Ai, Timor...

Daqui:

A procuradora portuguesa Glória Alves, uma das magistradas visadas pela ordem de expulsão do Governo timorense, afirmou hoje em entrevista à agência Lusa que os juízes expulsos de Timor-Leste não tiveram qualquer interferência nos processos das petrolíferas. Para a procuradora, a conclusão é que a expulsão daqueles magistrados tem a ver com uma "tentativa do Governo timorense de impedir o normal funcionamento dos tribunais".

"Se analisarmos as pessoas que estão visadas chegaremos à conclusão que os juízes que foram expulsos, nenhum deles teve qualquer interferência nos processos. A expulsão e a resolução são fundamentadas com os insucessos do Governo timorense nos processos relativos aos petróleos e aos pagamentos das taxas pelas empresas petrolíferas", afirmou a procuradora portuguesa, que abandonou Timor-Leste na quinta-feira.

O Governo de Timor-Leste ordenou na segunda-feira a expulsão, no prazo de 48 horas, de oito funcionários judiciais, cinco juízes e uma procuradora portugueses, um procurador cabo-verdiano, e um oficial da PSP.

No dia 24 de Outubro, o parlamento timorense tinha aprovado uma resolução a suspender os contratos com funcionários judiciais internacionais "invocando motivos de força maior e a necessidade de proteger de forma intransigente o interesse nacional" e outra a determinar uma auditoria ao sistema judicial do país.

Os motivos de "força maior" e de "interesse nacional" invocados pelas autoridades timorenses nas resoluções, segundo o primeiro-ministro, referem-se a 51 processos no tribunal no valor de 378 milhões de dólares de impostos e deduções ilícitas que as petrolíferas devem ao país, que o Estado timorense perdeu.

"Nenhuns destes juízes que foram expulsos tiveram qualquer interferência nos processos do petróleo. O procurador cabo-verdiano que foi também expulso teve uma interferência nos processos do petróleo apenas como parte acessória, o que quer dizer que a defesa do Estado foi entregue a advogados privados e, portanto, são esses a parte principal dos sucessos ou insucessos que o Governo terá, porque não há processo nenhum transitado em julgado", disse.

A defesa do Estado timorense naqueles casos é assegurada pela sociedade de advogados norte-americana Arent Fox.

quinta-feira, novembro 06, 2014

O que é preciso fazer para não irmos para a bancarrota final...

 Económico:

O antigo ministro das Finanças Miguel Cadilhe considerou uma "parolice" o guião para a reforma do Estado, apresentado pelo vice-primeiro-ministro Paulo Portas, e defendeu uma "negociação honrada da dívida", num debate em Lisboa.
"Para lá da pesada herança que Sócrates entregou a Passos, pergunto, em que é que o Governo não esteve bem? Não esteve bem em reaparecer sem soluções estruturais, integradas, permanentes, autenticamente reformistas do domínio das funções e dos regimes públicos do Estado, como aliás o tribunal avisava e bem", apontou Cadilhe esta quarta-feira, referindo-se também aos acórdãos do Tribunal Constitucional (TC), na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
O ex-responsável pelas contas públicas de dois governos liderados por Cavaco Silva apelou a que os membros do actual executivo da maioria PSD/CDS-PP "apresentem ao país um projecto de reforma do Estado que seja um gesto de consideração para com o país e não aquela coisa a que se chamou o guião para a reforma do Estado, que é uma ofensa, uma parolice, é uma desconsideração".
"Os acórdãos do TC desabaram sobre o Governo. O tribunal terá, por certo, alguma razão, muita razão, segundo outros. Posso estar enganado, mas não ouvi o tribunal bradar quando deslizávamos para a derrocada de 2011. Não o ouvi sobre o excesso da despesa. Ter-lhe-ia ficado bem esse brado", afirmou Cadilhe.
Para o economista, o TC "devia fiscalizar a constitucionalidade das leis do orçamento cujos défices feriam normas dos tratados europeus como o Pacto de Estabilidade e Crescimento de 1997 e de 1995" ou "Orçamentos do Estado que exibiam desrespeito pela lei de enquadramento orçamental, uma lei de valor reforçado, importantíssima do ponto de vista das finanças públicas", pois, "se correctamente aplicadas, muito provavelmente, não teria ocorrido a derrocada de 2011".
Miguel Cadilhe defendeu que "Portugal não se aguenta nas pernas se não reduzir significativamente a dimensão do Estado, nomeadamente nas despesas correntes primárias" e sugeriu a "hipótese de negociação honrada da dívida"
"(Portugal) não tem capacidade para pagar a taxa de juro implícita ao 'stock' de dívida. Precisamos de dizer à Europa que pagamos a dívida, o seu valor nominal, mas com melhores condições, que em troca fazemos isto e aquilo, ou seja, a reforma do Estado", afirmou, rejeitando qualquer "cogitação" sobre o abandono da moeda única europeia.


quarta-feira, novembro 05, 2014

O marcelismo visto por Silva Pinto

Joaquim Silva Pinto, agora com 79 anos, publicou um pequeno livro de memórias sobre a "última fase do Regime da Constituição de 1933" e um pouco depois, já no tempo do Regime da Constituição de 1976, o que é um magnífico modo de designar o antes e depois de 25 de Abril de 1974.
O livro com um título curioso, "Do pântano não se sai a nado" ( da Gradiva), retoma alguns temas que foram objecto de pequenas crónicas no jornal i e desenvolve outros temas, com muito interesse. Só custa 12 euros e meio e lê-se de um fôlego

Sobre a "primavera marcelista" de que fez parte como governante de Marcello Caetano, escreveu isto que contraria muito o que outros andam por aí a escrevinhar para amesquinhar e apoucar quem provavelmente não conheceram nem querem conhecer.

Na parte final, conta uma petite histoire sobre o facto de Marcello ter "preparado um discurso de posse para 27 de Setembro de 1968 em que dizia: "é tempo de Portugal ser de todos os portugueses". Ouvi-o na reunião prévia com os colaboradores que o iam acompanhar no Governo. Nos meus 33 anos, alvorocei-me. Infelizmente, na sessão solene, alterou para "todos os bons portugueses", conta Silva Pinto.











Marcello Caetano continua mal visto

Há uma nova biografia de Marcello Caetano, da autoria de Luís  Menezes Leitão, professor de Direito em Lisboa.
Segundo se depreende da entrevista do autor, hoje ao D.N., Marcello Caetano continua mal visto e possivelmente incompreendido.

Vou folhear o livro e depois comento, se calhar.


terça-feira, novembro 04, 2014

Quem fala assim não é o Gago...

Económico:

Chanceler alemã indica que a formação profissional deve ser o caminho para baixar o desemprego jovem em Portugal e Espanha, "que têm demasiados licenciados".

O antigo ministro Gago, um indivíduo sempre com ar de gago constipado até aos óculos é geralmente considerado pela Esquerda socialista como um guru de inteligência fulgurante e imbatível. A imbecilidade do que já disse encontra sempre um muro de defesa mais denso que o de Berlim.

A chefa dos alemães, Merkel, vinda do Leste antigo, acha que em Portugal há muitos licenciados e melhor seria haver mais técnicos formados em escolas adequadas. Este gago constipado já disse precisamente o contrário e que ser licenciado em Portugal era sinónimo de emprego garantido.

Vai ser difícel rebater o dogma nacional de que temos a geração "mais bem preparada de sempre"...e principalmente esta visão socialista democrática.

Esta tragédia nacional, temo, ainda vai durar uns anos. Depois de chegarmos à bancarrota final, com os socialistas do bravo Costa, se não mudar de rumo, iremos então repensar o país como o fez Salazar e Caetano.
Na próxima geração?

A PT não deve ser cóio do Estado para empregar os mesmos de sempre...

Artigo de José Manuel Fernandes, no Observador:

"PT tem mel. Não há mosca que não atraia. E disparate que não propicie. Consegue até ser mais aglutinadora de passadistas do que a Aula Magna. E mostrar ainda melhor do que o abaixo-assinado da dívida que há quem nunca esqueça nada e, sobretudo, numa aprenda nada. Quem não tenha emenda.

O problema da PT não é a Altice – o problema da PT é insistirem em olhar para ela como se não fosse uma empresa, uma boa empresa, mas mesmo assim uma empresa, como a NOS e a Vodafone, suas rivais no mercado das telecomunicações. Não foi assim no passado, e isso fez mal ao nosso tecido empresarial, mas pode deixar de ser assim no futuro. Mas é necessário resistir às investidas da nova brigada do reumático e das corporações de sempre.

O que fez mal à PT, como já aqui defendi, não foi o fim da golden share: foi o uso e abuso da golden share, pois foi por causa da golden share e de um capricho do anterior primeiro-ministro que a PT fez o desastroso negócio com a Oi. Não foi uma escolha dos seus accionistas – foi uma escolha política que, na altura, assumiu contornos de autoritarismo.

O que fez mal à PT não foi a Caixa Geral de Depósitos ter saído do seu capital e deixado de “contrabalançar” a influência nefasta do BES, como agora por aí se diz; foi sim a conivência da CGD com o BES, uma conivência, mesmo uma cumplicidade, que teve momentos altos num passado não muito longínquo, nomeadamente no combate à OPA da Sonaecom, com Armando Vara como protagonista.

Não houve Estado a menos na PT – houve sim Estado a mais, interferências governamentais a mais, cumplicidades a mais.

A destruição de valor na PT não aconteceu por defeitos da concorrência no mercado das telecomunicações, pois esses defeitos de concorrência sempre beneficiaram a PT, o poderoso incumbente. A destruição de valor na PT ocorreu porque um accionista a instrumentalizou, praticando acções que, na minha modesta opinião de cidadão e cliente (não tenho nem nunca tive acções da PT), configuram crimes.

O Estado, os governos, fizeram muito mal à PT, ora usaram e abusaram dela, ora a protegeram para além do que era razoável e saudável. Mesmo assim a PT é uma boa empresa que, ao contrário do que por aí se andou a dizer, não está em saldo. Sete mil milhões de euros não é uma oferta por salvados, seja qual for o valor que se atribua às dívidas da empresa. Sete mil milhões é uma “pipa de massa” em qualquer parte do mundo, um valor que surpreendeu positivamente os analistas. Estamos muito longe de uma “venda ao desbarato”.

Nos últimos dias, desde que se começou a falar da possível venda da PT Portugal (as operações em Portugal da PT, que são uma coisa diferente da PT SGPS, a empresa cotada em bolsa e cujo único activo é uma quota da da Oi), a quantidade de disparates que tem sido dita no espaço público não conheceu limites.

Por um lado, a PT passou a ser uma empresa maravilhosa, com um centro de inovação que só por distração ainda não nos tinha proporcionado um Prémio Nobel ou um telemóvel capaz de rivalizar com as criações de Steve Jobs. Por outro, que a eventual perda do controlo por capital nacional representaria uma enorme perda para os consumidores, como se no mesmo mercado das telecomunicações não operasse já uma multinacional (a Vodafone, que antes foi Telecel) e uma empresa com forte presença de capital angolano (a NOS).

Vimos ressurgir, em força, a ideia da superioridade dos centros de decisão nacional, algo de que devíamos desconfiar depois de termos visto onde conduziu a obsessão pela manutenção do controle de um grupo por uma família portuguesa (é um dos aspectos mais instrutivos da saga dos Espírito Santo, da espiral de dívida do grupo e da forma como, quase até ao fim, convenceram governos atrás de governos a protegerem os seus interesses).

De repente uma empresa, a Altice, com presença forte em vários mercados de telecomunicações (líder em Israel, segunda em França), passou a ser apresentada como um “fundo abutre”. O que mostra toda má-fé deste debate.

Neste momento a PT Portugal é uma empresa de capitais maioritariamente brasileiros. Foi o ponto a que chegámos depois de um primeiro-ministro – que tem um nome: José Sócrates – ter obrigado os accionistas privados da empresa a entrarem na Oi. Esses accionistas, entre os quais se conta o Novo Banco, estão agora enfiados num grande barco e o seu destino depende do destino desse barco. Para defenderem os seus interesses, que são os interesses de capitais portugueses, terão de decidir, ou ajudar a decidir, ou bloquear a decisão, de qual o melhor caminho da Oi. Terão de avaliar se, para sobreviver no gigantesco mercado brasileiro, necessitam ou não do capital que lhe viria da venda da PT Portugal. É essa a racionalidade económica do negócio.

A racionalidade patrioteira pode levar a um desastre semelhante à decisão de entrarem na Oi. Isto é, podiam “salvar” hoje a empresa de capitais brasileiros chamada PT Portugal mas, com isso, comprometerem o futuro da Oi e, a prazo, o próprio futuro da PT. Raciocínios políticos não são, por regra, raciocínios razoáveis quando se trata de decidir o melhor caminho de uma empresa que tem competir em mercados globais.

Mas a racionalidade patrioteira parece ser a única conhecida da autêntica brigada do reumático que se reuniu nessa nova União Nacional que vai do velhíssimo CDS ao Bloco de Esquerda. De facto, quando no mesmo saco se encontram figuras tão diferentes como Louçã e Bagão Félix, Pacheco Pereira e Carvalho da Silva, Silva Peneda e Freitas do Amaral, todos a defender que “Portugal não pode ficar desarmado” ou que “os órgãos de soberania devem interpretar fielmente a prossecução do bem comum que é pertença da Nação”, é porque, neste país, Salazar e Cunhal ainda são as grandes referências na forma de pensar. O Estado é a nação. As empresas são nossas. O mercado é coisa de estrangeiros. A pequenez a nossa condição.

Não sou a favor nem contra a Altice ou qualquer outro pretendente à PT. Não estou preocupado porque a PT já não a única boa empresa do sector. Não quero é que, seja sob que pretexto for, seja sob que veículo for (Novo Banco, por exemplo), o Governo, este ou qualquer outro, volte a dar ordens em matérias empresariais que não são da sua competência. Assim como não quero que, em nome de uma visão patrioteira e iliberal da economia se mobilize um cêntimo dos meus impostos para “salvar a PT”. Nem eu nem nenhum português, à excepção porventura dos que beneficiaram da protecção de mercado que a PT teve, ficará “desarmado” se ela for francesa ou espanhola em vez de ser brasileira."



Se o PS estivesse no poder, teríamos já um BES nacionalizado, nosso, e agora uma PT nossa também. Como em 1975, era tudo nosso e caímos logo na bancarrota, no ano a seguir. Dali a dez anos, os mesmos de sempre repetiram a dose. O mal é quem tal reconhecem.

Tirada daqui, fica a imagem dos que afundaram a PT. Falta apenas o principal responsável político, José Sócrates e é a esse indivíduo que é preciso pedir contas e não só políticas.





segunda-feira, novembro 03, 2014

2014, o tempo actual revivido em recortes de jornal

Hoje o Correio da Manhã, trata dos fait-divers habituais que englobam notícias relativas a pelo menos  três mortes na primeira página. Nas interiores dá-se notícia de pelo menos mais dois homicídios, mais assaltos, pancadas e facada e em quatro páginas soltas retrata-se assim o país de Novembro de 2014:

A capa dá-nos um lampejo do país que temos: sangue, escândalos, futebol e mais escândalos.

 Na página da política uma notícia que se repete há muitos anos: o Governo reserva sempre no Orçamento de Estado verbas opíparas para pagar pareceres de advogados. Este ano são 580 milhões. O ano passado foram 414 milhões e nos anos anteriores a mesma coisa, mais ou menos. Ninguém se dará ao cuidado de indagar e investigar devidamente em que foram realmete gastos os 400 milhões do ano passado e para quem foram exactamente, mas devia. A tal "verdade que liberta" de que falava o director do jornal i teria aqui muito pano para mangas de alpaca.

Depois um escândalo. Menezes tem uma quinta, segundo conta o jornal, mas está em nome dos pais. Lá saberá porquê. O jornal desconfia e escreve factos. Esperesmos que se se esclareçam.

Numa página de opinião que ameaça fazer história, à semelhança dos artigos de há mais de uma década no jornal do Centro, Marinho e Pinto diz de sua justiça e diz bem. Vale a pena ler porque o populista desta vez não masca as palavras e põe  a boca no trombone. Já sou fã da leitura... mas desconfio que irá amansar, não tarda nada.
Espero que um dia destes escreva sobre José Sócrates. E conte o que fizeram no dia 8 de Setembro de 2009, na sede da Ordem dos Advogados, quatro indivíduos reunidos que o mesmo sabe quem são. Um deles, ele próprio...e dispenso o relato do almoço no Gambrinus pago pelos advogados.


Comparando este panorama com o de 1971, no tempo do "fassismo", Marinho e Pinto que diria?

Alguém, em Portugal, tem 8 mil milhões de euros?

Económico:

O grupo francês Altice apresentou aos brasileiros da Oi uma oferta vinculativa pela PT Portugal, segundo um comunicado divulgado esta noite pela dona da Cabovisão e da Oni.
A Altice fixa o enterprise value da PT Portugal (isto é, incluindo dívida) em 7,025 mil milhões de euros. A oferta é em dinheiro e livre de dívida, o que inclui um ganho de 400 milhões de euros relacionado com a geração futura de receitas da PT e mais 400 milhões de ganho relacionado com a futura geração de free cash flow operacional (EBITDA menos Capex).


Segundo julgo, ninguém, em Portugal tem oito mil milhões de euros para investir na compra da PT. A não ser o Estado que não o pode fazer porque seria um buraco nas contas maior do que o do BPN...

Logo, os dados estão lançados e a conclusão é que a PT vai ser vendida a privados, eventualmente estrangeiros.

Em 1974, os capitalistas portugueses, incluindo os do grupo Espírito Santo, estavam dispostos a investir na economia nacional cerca de 120 milhões de contos, cujo valor actual, referido a 2013 e segundo as contas do livro O Ataque aos Milionários, de Pedro Jorge Castro ( A esfera dos livros, 2014, pág.138) seriam cerca de 20 500 milhões de euros.

Portanto, nessa altura, em Portugal havia dinheiro, capital, aquela coisa que servia para mandar cantar os cegos. Porém, nessa altura  em Portugal não havia cegos. Só visionários a mandar.  Começando por Mário Soares e os adeptos ferrenhos dos amanhãs a cantar.
Pois o pessoal político-jornalistico de então, com muitos deles ainda por aí na ribalta e até com pretensões a serem, sei lá, presidentes da Assembleia da República e mais além, não quiseram a oferta. Um tal Salgado Matos, "aspirante" na tropa de então, mirolhou a oferta e concluiu em relatório que era fogo-fátuo e que  o que os capitalistas de então queriam era apenas transferir para o MFA a responsabilidade da não aceitação da oferta. Este Salgado Matos arranjou bem a vidinha, depois...


Imagem do Sempre Fixe de 31 de Agosto de 1974, sobre a iniciativa dos empresários portugueses da época.

A seguir imagens daquele livro citado que conta a história do que se passou em meados de 1974, após a Revolução, com aquela iniciativa.

Sobre isto é escusado procurar em algum lado porque não se encontra quem queira saber melhor. As tv´s e a imprensa nacional actual também não querem saber e por isso a História é contada ao contrário pelos mesmos de sempre, ou seja, a Esquerda que nos afundou em três bancarrotas. Alguns julgam este diagnóstico muito exagerado.
Gostaria de ver rebatida tal asserção... e por isso um verdadeiro Prós&Contras seria interessante. Mas tal coisa é do domínio da utopia porque para perguntar é preciso saber primeiro ( João Sousa Monteiro dixit de outra forma).







domingo, novembro 02, 2014

1971, tempo de Marcello Caetano revivido em recortes de jornal

O ano de 1971 para a esquerda portuguesa era tempo do "fascismo".  Quem viveu esse tempo e não era comunista não tinha o mesmo sentimento porque objectivamente a vida de todos os dias não era  como querem fazer crer certos revisionistas de uma História que preferem contar do lado de dentro das suas grades imaginárias. 

O jornal Diário Popular desse ano contava assim as notícias na sua edição de 7 de Dezembro de 1971.


Havia os fait-divers na página 21:


Na página 19 apareciam as notícias judiciárias, com os julgamentos no "Plenário"  e ainda as da guerra, com um comunicado discreto das Forças Armadas a anunciar o nome dos mortos nas três frentes de guerra que então travávamos em África, como os americanos no Vietnam.


Na página 7 dando seguimento à notícia da capa, a inauguração da Escola Superior de Meios de Comunicação Social, particularmente o Curso Superior de Jornalismo. Sim, em pleno "fassismo".


Na página 9 um artigo sobre "as negociações portuguesas com o Mercado Comum", o que é sempre uma novidade para quem pensar que a nossa entrada na CEE foi obra exclusiva de um Mário Soares...e quem aparece na fotografia é um governante dos anos oitenta da democracia ( e já agora membro do selecto clube de Bilderberg).


Ainda sobre a Guerra no Ultramar a edição de 24 de Outubro desse anos publicava assim na sua página 15:




O caso BES começou há quarenta anos e a imprensa nada viu





VPV escreve hoje no Público  em defesa da dama do jornalismo nacional, atacada ferozmente pelo primeiro ministro em exercício. Fica-lhe mal.  VPV diz que no caso GES/BES  foi a "imprensa" quem descobriu "as peripécias torpes que levaram à falência e à vergonha do GES". Não foi. E diz mais: que "nem o BdP avisou a tempo", nem o PR "tentou reduzir ou atenuar as desgraças das coisas".  E que os partidos "nem abriram a boca", tendo sido os jornais os heróis da circunstância, particularmente o i e o Expresso que " se encarregaram de explicar o que podiam explicar às pessoas". Não foram e podendo explicar muito explicaram quase nada. Sartre quando esteve cá em 1975 disse que a imprensa nacional, tal como então a francesa, nada explicava às pessoas. Em França mudou. Por aqui continua tudo na mesma, até porque muitos dos jornalistas são os mesmos e com a mesma forma de pensar.  

O caso GES/BES não começou há seis meses.  De facto, começou há quarenta anos e é preciso que se diga tal coisa, como alguns já o vão dizendo, a medo e sem amplificação mediática que se veja. Aí está um grande falhanço da imprensa nacional.
Há quarenta anos, "os jornais" eram todos de esquerda, em boa parte até comunistas, incluindo o Expresso,   que não  sendo comunista,  foi durante o PREC um belíssimo compagnon de route da  idelogia esquerdista que recolheu a chama bruxuleante dos amanhãs a cantar e a conduziu até ao pódio da Constituição de 1976. VPV estava lá e viu.  Sabe que até o Otelo defendeu o jornal no Verão Quente de 1975 quando Vasco Gonçalves lhe chamou "pasquim da reacção". Otelo disse que o jornal estava plenamente integrado no processo revolucionário ou coisa que o valha e assim ficou o Francisquinho com o seu quinhão.  
O caso GES/BES começou aí, com o desmantelamento do grupo e a fuga das galinhas para os brasis de suíças postas para disfarçar.
Quando regressaram pela mão do regime que temos ( até com a participação de Mário Soares) os Espíritos não foram indemnizados  devidamente e o capital em falta fez sempre falta.  O que disseram os jornais sobre isto? Repetiram e papaguearam os estribilhos da esquerda nacional.  São estribilhos bem explicadinhos em livros do BE ( Os Donos de Portugal e Os burgueses).
Aliás, sobre isto, VPV o que pensará do que aconteceu em meados de 1974 quando os capitalistas portugueses queriam investir milhões e milhões de contos e a esquerda, com o tal Expresso à cabeça, onde VPV cronicaria,  nem sequer lhes deu oportunidade para discutir tal proposta?    
Durante os governos de José Sócrates, quem na imprensa denunciou a estratégia de tomada de poder  financeiro encetada pelo tal Ricardo Salgado em parceria tácita com esses governos ditos de esquerda?  Tal como a figura do Romeiro de Garrett,  respondo: ninguém!  Nem sequer me lembro de ler crónicas de VPV sobre o assunto...
Vir agora apresentar a imprensa como a heroína  desta denúncia das " peripécias torpes" é patético por uma simples razão: não foi a imprensa quem descobriu motu proprio tais peripécias: foram alguns elementos da própria família que lhas deram.  E deram a certa imprensa.  
Vir apresentar o Expresso como campeão deste jornalismo de vão de escada à espera da sopa dos pobres anónimos, dada à socapa e quando calha é não perceber o que faz o jornal: jornalismo de causa circunstancial, com um interesse primordial: manter lucros para o patrão.  O i? O i não existe como jornal mas apenas como projecto tipo Dica, apesar de andar agora armado em washington post.
Por outro lado, o que o primeiro-ministro em exercício disse foi a mais pura das verdades e que todos os dias é confirmada, particularmente no jornal em que VPV escreve e lhe paga por isso. A manipulação de informação segundo os critérios da jacobina que lá está, muito artzy artsy; a censura por omissão; a desinformação por incompetência e a falência permanente em que se encontra, sustentada  pela complacência de um patrão com medo da esquerda.
Há porém uma parte da crónica de VPV que acerta no alvo  das críticas justas ao primeiro ministro que está: a RTP. Vergonha maior numa estação pública não pode haver. Programas tipo Campos Ferreira que só confundem as pessoas pela inépcia da apresentadora ou manipulação das mensagens deviam ser suficientes para acabar com o forrobodó. Mas não acaba e por uma razão que é sempre a única: medo da esquerda.

Sobre o olho piscante do jornalista da RTP, VPV já não o suporta. Sugiro que mude de tique e passe a abanar uma orelha...

sábado, novembro 01, 2014

Marques Mendes, um jurista de trazer por casa?

Marques Mendes, comentador televisivo na SIC, acabou ( 21:33) de dizer sobre o caso GES/BES algo extraordinário para um jurista: que está admirado por ainda não haver prisões e que "no mínimo há gestão danosa ali",  no caso, "para além de haver outros crimes"  e só por isso justificar-se-ia tal prisão porque assim " a justiça continua lenta, demorada, porque passaram três meses" e...nada.

Marques Mendes parece que é ouvido no espaço televisivo como um oráculo dos pobrezinhos sobre o que se passa no ambiente nacional, principalmente político.

Ora, Marques Mendes tem um curso de Direito e tem obrigações especiais de não dizer asneiras como a que acabou de dizer sobre " a gestão danosa".

Não há gestão danosa no caso GES/BES por motivos simples de entender e que qualquer jurista mediano percebe. Já foi aqui explicado a propósito de um comentário idêntico de Camilo Lourenço que afinal é apenas jornalista económico, seja lá isso o que for.

Este tipo de comentários asnáticos não têm custos para o utilizador? Devia ter...porque Marques Mendes assim, merecia comentar com aquelas orelhas de burro que a Mónica aconselhava ao ministro Crato.

Por estas e por outras é que Belmiro de Azevedo, quando acabou o governo do PSD lá nos idos dos noventa disse de Mendes que nem o queria para porteiro dos seus supermercados. Pois foi a partir daí que Mendes singrou na vidinha. Renováveis, consultadorias, conezias etc etc até acabar em comentador de Sábado, com prestações deste calibre. No outro dia casou uma filha e segundo as notícias dos mexericos da coscuvilhice compareceu meio mundo do Portugal político-mediático. 
Que miséria!

O BES e o MES de há 40 anos.

O jornal Sempre Fixe de 5 de Outubro de 1974 publicou um diagrama sobre o grupo Espírito Santo ao mesmo tempo que anunciava que dezanove elementos da família se tinham posto ao fresco, para Espanha. Segundo o jornal, o esquema foi tirado do livro Sociedades e Grupos em Portugal de Maria Belmira Martins. É simplesmente impressionante e as pessoas não sabem disto, assim. Mesmo com todo esse poder económico quem mandava "nisto tudo", não era, como agora aconteceu, o presidente do grupo. Era o sistema político de então, muito mais sadio do que hoje. E grupos como o Espírito Santo, havia outros. Como a CUF por exemplo. Ou o grupo de Champallimaud. Ou outros ainda, mais pequenos e que faziam de Portugal um país com capital suficiente para ombrear com vários países europeus.
Veio o 25 de Abril, o socialismo e o comunismo que expulsaram aqueles capitalistas e empresários, indubitavelmente patriotas, nacionalizando-lhes as empresas, gerindo-as depois mal e porcamente, mas sempre com grandes proclamações e seguiram-se três bancarrotas. A primeira logo em 1977. A segunda, menos de dez anos depois e agora, em 2011, a terceira, pela mão de um Inenarrável primeiro ministro. Anuncia-se a próxima, se os mesmos que contribuiram para estas três retomarem o poder político. O pior está para vir, nesse caso.

Isto é tão simples de antever que até dói pensar que não se veja claramente visto.

 
José Miguel Júdice na entrevista ao i de hoje refere que " a maior parte dos problemas do GES resulta de a família não ter sido devidamente paga depois de expropriada".

Provavelmente tem razão, mas leia-se o que então um comunista de extrema-esquerda encapotado no MES dizia sobre o assunto. Um tal Ferro Rodrigues, em dicção tipo citroën ds,  dizia ao mesmo jornal nessa altura, sobre Portugal e o modelo económico...
Sobre esta personagem do MES de então e que nunca abandonou a política " de esquerda" , com os belíssimos resultados alcançados em quatro décadas, poderia dizer-se que há uns dez anos, um grupo de 4 miúdos disse coisas sobre essa pessoa suficientes para o mesmo se relegar para o olvido democrático e não ter a desfaçatez de continuar no activo, como está, com a complacência de todo um sistema político.
No tempo do tal "fascismo" que andam sempre a vituperar ocorreu um escândalo do género- Ballet Rose- que foi suficiente para que os envolvivos, sem qualquer acusação formal ou até mediática ( nem seria possível perante a censura da época) , fossem definitivamente afastados da ribalta política. Um caso concreto é o de um ministro conhecido como Correia de Oliveira e a ironia do destino é que quem denunciou esse caso internacionalmente foi...Mário Soares.
Como se vê, os critérios morais e éticos mudam consoante as pessoas envolvidas...



Está aqui, devidamente patenteada, uma das causas principais do nosso atraso lendário de há 40 anos para cá. Um dos protagonistas dessa miséria ainda está na AR e agora até é porta-voz de um grupo parlamentar, a fazer lembrar o célebre veículo francês sempre que se exprime.

Quem são os "delinquentes da comunicação social"?

O jornal i de hoje faz um apanhado em modo de BES(t) of do caso GES/BES, tal como publicado pelo jornal no último mês.

Vale a pena ler o editorial de Luís Rosa sobre o assunto. Até começa por citar o jornalista americano Ben Bradlee, director do Washington Post e recentemente falecido.


O director Luís Rosa acha-se um émulo do jornalista que "diz a verdade" e escreve que o jornal "revelou verdades que Ricardo Salgado e o seu poder quase absoluto conseguiu esconder durante muito tempo da opinião pública. Com a ajuda de uma tropa de choque liderada por delinquentes da comunicação e o estatuto de maior anunciante nacional, Salgado conseguiu domar a comunicação social durante mais de 20 anos".

Portanto, há "delinquentes na comunicação social" que ajudaram a chegar a este estado de coisas e constituem até uma "tropa de choque".

Portanto, em nome da "verdade que liberta", frase atribuída ao tal Ben Bradlee, impõe-se agora que Luís Rosa e o i coloque a boca no trombone da primeira página e comece a enunciar os soldados rasos, sargentos, capitães e generais dessa tropa que ajudou, omitindo as "verdades",  a que o nosso país passe por uma crise económico-financeira gravíssima, a terceira em 40 anos e no limiar da bancarrota.
Urge tal tarefa de desbravar a verdade oculta nas redacções dos media nacionais.

Quem são eles, afinal? Quem é essa tropa de choque? O Expresso e o grupo SIC? Sim, com certeza. O Diário de Notícias?  Claro que sim. O Público? Idem aspas. O  Correio da Manhã? Não conta porque só quer vender papel. O Jornal de Notícias, idem com mais um pouco de qualidade. A Sábado? Às vezes.

Se isto fosse assim tão simples era canja. Mas não é. E a prova trá-la o mesmo jornal i de hoje: entrevista um figurão da advocacia de negócios que finge sempre de morto quando se fala em corrupção. E contudo foi um dos beneficiários directos, durante anos, de um esquema de parecerística avulsa e paga em modo milionário pelo Estado às firmas de advocacia.
José Miguel Júdice é o nome deste figurão e está sempre em todas quando toca a reunir. Agora está com o "Costa", claro está...

Nenhum jornal, jamais em tempo algum,  denunciou explicitamente aquele esquema de funcionamento do Estado com as firmas de advocacia do regime, tirando um ou outro tiro isolado ( e no pé) do Diário de Notícias, há uns anos, em artigos sobre o funcionamento do Estado. As televisões, essas, nem querem cheirar o assunto, tamanho é o fedor que exala. 
Quem manda agora no Diário de Notícias? Proença de Carvalho. Eis outro caso que carece de apuramento urgente de certas "verdades que libertam".

Ontem numa tv, Marinho e Pinto e Paulo Morais dedicaram algums minutos a este assunto. Marinho e Pinto citou até o caso de Júdice, referindo-se a uml negócio de "venda de parte de um empresa pública, em que uma firma de advocacia participou cobrando ao Estado dois milhões de euros por mês",  sem lhe apontar o nome... e apesar de ter trocado dólares por euros, a verdade é que esta ainda não está "liberta".

Portanto, em nome da tal "verdade que liberta" podem já começar a pegar no assunto...

Vão pegar não vão? É que vai ser já a seguir...



Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso