domingo, 3 de fevereiro de 2013

A Esquerda rainha

Em 23 de Dezembro de 1975, o mesmo O Jornal publicou uma entrevista com o maçónico António Reis, então vice-presidente do grupo parlamentar do PS, em que o mesmo dizia que " um programa comum PS/PC seria a curto prazo prejudicial para a esquerda portuguesa". Quer dizer dizer, seria prejudicial para o PS...
No fim da entrevista de página, António Reis ( que fora jornalista da Flama, onde trabalhava a senhora Palla. Corrijo: esta trabalhava no Século Ilustrado) definia o que era a direita portuguesa de então ( e de agora...). Repare-se bem o que este maçónico esquerdista entendia por direita e que é de arrepiar. Assim:



Esta mentalidade ajudou a criar o clima para que uma figura ímpar da democracia e que os seus colegas militares não levam a sério ( a começar por Ramalho Eanes) mas chegou quase a ameaçar a presidência da República a este em 1976. Com capas como esta, dignas do melhor jornalismo de causas:


Em 1979 o mesmo O Jornal publicou em 31 de Outubro uma foto interessante do grupo comunista de Coimbra, a propósito de uma entrevista a Vital Moreira que dizia "Vitória da AD criaria conflitos sociais graves". Como se sabe, foi tremendo este vaticínio de Vital.
A foto é esta:


Como se pode ver na foto, Vital Moreira o comunista empedernido de então charlava com Jerónimo de Sousa ( quantos anos trabalhou este tipo como operário?!) e os intelectuais da universidade, Jorge Leite ( grande professor de Direito do Trabalho e uma pessoa com um trato simpatiquíssimo e humilde) e Avelãs Nunes, o economista que ensinou o Boaventura, porventura.
Como se pode ler na entrevista, Vital esclarecia os leitores que os deputados do PCP não ganhavam mais por serem deputados do que ganhariam nas respectivas profissões. E se tal sucedesse, o sobrante iria para o partido...
Vital, sempre Vital, este Vital. Vitaliciamente vital.

4 comentários:

Floribundus disse...

conheci o reis como seminarista a dar ao badalo nas missas e nas procissões da várias aldeias da sua freguesia do concelho de Mação.

sei da sua passagem pelo Parque Mayer antes de se tornar Grão Mestre de uma organização que sempre considerou ter carácter secreto.

todos os 'matarruanos' que nos últimos 15 estiveram no cargo pensaram de maneira idêntica.
da organização disse que o gol era sociedade proctetora de ladrões.

aconselho o livro que anteontem folheei na Fnac Colombo.

vi otelo preso à sacada duma casa em frente do Mouchão de Tomar.

não consigo levar es porcaria a sério

haja saúde e coza o forno

zazie disse...

Estas coisas são incríveis de rever.

Aquela Direita que ia até aos capitalistas e burgueses medianos e ainda podia ser perigosa por arrastar facilmente, pela crise, os pequenos negociantes...

hajapachorra disse...

POis essa é a solução que eu defendo, que os políticos ganhem exactamente o mesmo que auferiam na sua profissão. Fixava-se a remuneração pela média dos últimos cinco anos de ordenados, para não haver falcatruas. Isto tinha inúmeras vantagens e apenas um inconveniente. Ninguém podia dizer que não se metia na política porque perderia dinheiro, ninguém poderia dizer que fulano ou beltrano foi para a política porque não tinha onde cair morto, and last but not least, acabava-se com a porcaria das jotas. O único incómodo seria de terem salários diferentes pessoas que exercem a mesma função. Mas isso hoje não se estranharia porque é comum.

Floriano Mongo disse...

Soldadinhos de uma ideia homicida. Não q isso surpreenda. É tudo compatível com a moralidade desses valentes. À democracia dos seus adversários ideológicos, eles chamam ditadura; à ditadura dos seus aliados, democracia. É a mesma tribo q classifica de vícios as virtudes dos oponentes e de virtudes os próprios vícios.

O Sindicato do MºPº honra o MºPº