domingo, 16 de setembro de 2018

Mais um livro sobre Salazar

A esquerda que temos não larga o tema Salazar. Apesar de já terem dito tudo o que tinham a dizer sobre a figura, regressam sempre que se proporciona uma oportunidade de negócio. São os novos vendilhões do templo da situação. São os zés das medalhas dos recuerdos à volta dos santuários republicanos, socialistas e comunistas e também laicos.
Estranhamente não se vê interesse algum em saber algo mais sobre, sei lá, Álvaro Cunhal ou mesmo Mário Soares. Sobre Cunhal haveria vários livros a escrever porque o grau de secretismo que cultivou durante a sua vida não se compara ao que foi a vida transparente de Salazar. Mas não aparece ninguém habilitado e interessado em tal, para além do pobre Pacheco Pereira que fez um esforço para mostrar o que o Partido Comunista lhe permitiu. Sobre a clandestinidade e vida pessoal de Cunhal, pouco ou nada se sabe. Nem sequer ao certo, onde estava no dia 25 de Abril de 1974. A pergunta antiga do falecido Baptista-Bastos nunca lhe foi colocada, por "respeitinho", naturalmente, o mesmo respeitinho que acusam Salazar de impor à sociedade do seu tempo.
Sobre Salazar já se procurou saber tudo: quem namorou, quem convidou para almoçar, quem recebeu em casa, como cozinhava, como se sentava, que calçado tinha, etc etc etc. e até quanto dinheiro deixou na  sua conta bancária. E o que tinha de seu. Sobre Cunhal? Quase nada. Estranho, não é?

Vem isto a propósito deste artigo de várias páginas no Expresso de ontem, assinado por, além do mais, José Pedro Castanheira, da Esquerda bem pensante. Os outros são António Caeiro e Natal Vaz que não conheço. É ler, mais uma vez,  o que essa Esquerda nacional pensa de Salazar. É sempre o mesmo e por isso já cansa a lenga-lenga que não muda de tom nem de som.

Desta vez até assimilam um "ditador" que poderia a todo o tempo ser destituído por um presidente da República, a um líder norte-coreano, prenhe de culto de personalidade, por causa dos retratos que havia nas escolas primárias do antigamente. Como se noutros países, mesmo democráticos, os símbolos da Nação não fossem mostrados em lugares públicos...



E já agora, de um livro que comprei no outro dia na Feira do Livro do Porto, algumas páginas sobre Salazar.

O livro é O Antigo Regime e a Revolução, de Freitas do Amaral, editado em 1995 pelo Círculo de Leitores.
Freitas do Amaral conta como conheceu Salazar, em 1960, durante uma recepção no Palácio da Ajuda a dignitários estrangeiros. Salazar estava no vão de uma janela e recebia cumprimentos de várias pessoas. A mãe de Freitas, amiga de Salazar, foi apresentá-lo ao filho, então com 20 anos e estudante de Direito. Segundo conta o autor, Salazar "limitou-se a apertar-me a mão, convictamente, mas nada disse! Não abriu a boca: nem uma simples frase, como por exemplo "muito gosto em o conhecer" ou "boa sorte nos estudos! Nada! Confesso que fiquei irritado com ele." Pois, poderá dizer-se que Salazar topou já naquele jovem o fundo claro de alguém cujo carácter não merecia um cumprimento sequer...


As primeiras páginas são o relato de um episódio de "namoro", de Salazar, ainda nos anos trinta.



As seguintes pretendem revelar o espírito de Salazar sobre o progresso económico. Replica a ideia feita de que Salazar era um rústico, avesso ao progresso tecnológico e portanto, reaccionário nesse aspecto. 
Falta explicar é como  o país se desenvolveu mais durante o consulado de Salazar do que nos últimos 40 anos...


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