quinta-feira, maio 08, 2014

O Tempo nunca existiu

Após o 25 de Abril de 1974, as pessoas que não se identificaram com a Revolução instaurada após o golpe de Estado, não viam o regime anterior como "fascista" e se aperceberam do caminho perigosíssimo em que Portugal entrara, com uma Constituição a jurar tal caminho como sendo o do socialismo rumo à sociedade sem classes, ficaram em orfandade político-ideológica.

Algumas, poucas, centenas de milhar de pessoas compravam então jornais que denunciavam tal caminho como a senda da desgraça nacional. Porém,  tal era encarado pelos media do "mainstream", ou seja, o então Expresso, O Jornal e a maior parte dos diários, como jornais "reaccionários" e de extrema-direita ou pelo menos de uma direita anti-democrática, segundo os novos cânones do conceito.

Um desses jornais era o Tempo, semanário  fundado em 29 de Maio de 1975 e dirigido por um cosmopolita chamado Nuno Rocha que vendia em 1976 mais de cem mil exemplares anunciados.

Nesse jornal, algumas vozes daquelas inconformadas escreviam e davam conta das preocupações de então, perante o rumo que Portugal levava, durante o PREC e logo após tal aventura efémera e de resultados catastróficos para o país.

Um dos cronistas do jornal assinava com o pseudónimo Manuel de Portugal e em 1976 editou um livro através da Ulisseia, de recolha das crónias já publicadas no jornal.

Uma delas  intitulava-se "porque escrevo", escrita em 16 de Janeiro de 1976 e relata todos os tópicos que hoje em dia se evitam discutir publicamente sob pena de as pessoas que o fazem serem afastados do "gotha" intelectual vigente e do ambiente democrático estabelecido.
Nenhum dos media tradicionais "pega" neste temas que continuam a ser tabu na sociedade portuguesa. 



Quanto ao jornal Tempo, dez anos depois mudara de casaca. Assim:


Questuber! Mais um escândalo!