Nestes dias em que se celebra o cinquentenário dos acontecimentos de Maio de 1968 em França vários depoimentos de portugueses que a eles assistiram declararam que por cá quase nem havia conhecimento do assunto por causa da Censura.
A retórica é sempre a mesma: "os cortes da censura faziam que quase nada se soubesse", como disse o jornalista João Vaz ( revista Domingo, no CM do passado 29.4) alcandorado a komentador por conta de uma esquerda difusa, actualmente dona disto tudo.
Como já se demonstrou em postal anterior, o essencial das notícias foi publicado por cá, logo na época, mas isso nem é o mais importante.
Esta semana a revista francesa Obs, publicou estas quatro páginas de memórias dos seus repórteres da ocasião sobre os acontecimentos que testemunharam.
Lendo fica a saber-se mais uma vez que o grande inspirador dos estudantes do Bairro Latino foi o filósofo Marcuse, a par de Jean-Paul Sartre.
A revista, aliás, era uma das que os publicitavam como figuras dessa Esquerda que se foi impondo depois ao longo de décadas, incluindo em Portugal.
Para se apreciar a influência dessas figuras, mesmo cá em Portugal no tempo daquela Censura, de Salazar e Caetano, ficam aqui recortes da revista Vida Mundial que ilustram muito bem o desempenho gramsciano dessa Esquerda cultural que nunca deixou de dominar o panorama mediático, de há décadas a esta parte.
Em 22.1.1971, o tal filósofo Marcuse tinha honra de capa na revista, o que deveria ser inédito, na Europa. O artigo extenso era assinado por A. Ferreira Marques.
Não só Marcuse tinha direito a capa da revista. Também o filósofo existencialista Sartre o teve, logo em13.2.1970.
E antes disso, em1.8.1070, outro filósofo, Bertrand Russel, apresentado em trama de símbolo hippie...
E em 28.8.1970 a capa era toda Jane Fonda, a actriz que na época fazia campanha contra a guerra no Vietname e era a favor dos índios...
Tudo isto é posterior ao Maio de 68 deles, mas veio muito a tempo do nosso que ocorreu naquela manhã de Abril de 1974.
Os precursores, esses, já cá cantavam e sem Censura que se visse.
sábado, maio 12, 2018
A corrupção teórica combate-se com tretas. A real é outra coisa.
No Correio da Manhã, Rui Pereira assina hoje este pequeno apontamento que diz tudo sobre um programa a sério, sobre um sistema de Justiça bem melhor que aquele que existe.
Evidentemente vai tudo ficar como está, mas estas sugestões são das melhores que tenho visto ultimamente e poderiam servir de programa a qualquer partido que se dignasse olhar a sério para o assunto da "reforma da justiça".
Por outro lado, no Expresso, Maria José Morgado ( não, nada tenho de pessoal contra a senhora, apesar do que possam pensar alguns; apenas me irrita este discurso recorrente, vazio de sentido prático e deletério, no fim de contas):
Maria José Morgado, ao tempo do caso do "bijan", indício muito forte de corrupção, envolvendo o então primeiro-ministro Sócrates, o que fazia? MJM dirigiu o DIAP, desde Abril de 2007 e foi reconduzida ao fim de três anos. Teve tempo mais que suficiente para investigar esse e outros casos singulares que apontavam para a "vergonha" que agora sentem aqueles de quem MJM se sente mais próxima politicamente. E nada fez, que se conheça, sobre esse e outros casos similares, envolvendo esse indivíduo, apesar de ter escrito muito sobre o fenómeno da corrupção.
Outro caso: o processo de violação de segredo de justiça, a propósito do caso Face Oculta, ocorrido em 24 de Junho de 2009, em que um dos principais suspeitos era Pinto Monteiro foi arquivado no DIAP, nessa altura. Até hoje não se conhecem publicamente os fundamentos de tal arquivamento, seguramente de uma das maiores violações de segredo de justiça de que há memória.
É por isso que não acredito no discurso de Maria José Morgado: para além do mais, alguém que se envolveu profundamente na luta política, no caso de extrema-esquerda e em prol do kamarada Mao, não tem discernimento suficiente para se tornar isento politicamente em casos de fronteira. Não teve, não tem e nunca terá. E por isso nunca deveria ter chefiado sectores importantes da orgânica judiciária.
No mesmo Expresso de hoje aparece a história de um cineasta chinês que realizou um filme para envergonhar antigos maoistas e colocá-los ao mesmo nível que os adeptos do nazismo. O paralelo não é demagógico. O maoismo foi um sistema de eliminação de seres humanos em massa. Apenas porque eram "burgueses", de "direita".
Capito?
Evidentemente vai tudo ficar como está, mas estas sugestões são das melhores que tenho visto ultimamente e poderiam servir de programa a qualquer partido que se dignasse olhar a sério para o assunto da "reforma da justiça".
Por outro lado, no Expresso, Maria José Morgado ( não, nada tenho de pessoal contra a senhora, apesar do que possam pensar alguns; apenas me irrita este discurso recorrente, vazio de sentido prático e deletério, no fim de contas):
Maria José Morgado, ao tempo do caso do "bijan", indício muito forte de corrupção, envolvendo o então primeiro-ministro Sócrates, o que fazia? MJM dirigiu o DIAP, desde Abril de 2007 e foi reconduzida ao fim de três anos. Teve tempo mais que suficiente para investigar esse e outros casos singulares que apontavam para a "vergonha" que agora sentem aqueles de quem MJM se sente mais próxima politicamente. E nada fez, que se conheça, sobre esse e outros casos similares, envolvendo esse indivíduo, apesar de ter escrito muito sobre o fenómeno da corrupção.
Outro caso: o processo de violação de segredo de justiça, a propósito do caso Face Oculta, ocorrido em 24 de Junho de 2009, em que um dos principais suspeitos era Pinto Monteiro foi arquivado no DIAP, nessa altura. Até hoje não se conhecem publicamente os fundamentos de tal arquivamento, seguramente de uma das maiores violações de segredo de justiça de que há memória.
É por isso que não acredito no discurso de Maria José Morgado: para além do mais, alguém que se envolveu profundamente na luta política, no caso de extrema-esquerda e em prol do kamarada Mao, não tem discernimento suficiente para se tornar isento politicamente em casos de fronteira. Não teve, não tem e nunca terá. E por isso nunca deveria ter chefiado sectores importantes da orgânica judiciária.
No mesmo Expresso de hoje aparece a história de um cineasta chinês que realizou um filme para envergonhar antigos maoistas e colocá-los ao mesmo nível que os adeptos do nazismo. O paralelo não é demagógico. O maoismo foi um sistema de eliminação de seres humanos em massa. Apenas porque eram "burgueses", de "direita".
Capito?
sexta-feira, maio 11, 2018
Notícias em Portugal sobre o Maio de 1968, em França
Tirado daqui, para quem escreve ou diz que em Maio de 1968 não havia notícias do que se passava em Paris, por causa da Censura salazarista...esta notícia faz hoje cinquenta anos.
Por outro lado, a notícia em baixo à esquerda sobre a execução orçamental deveria fazer inveja ao governo actual...
E não é única. Em 7 de Maio o Século também dava conta na primeira página do que se passava em Paris.
Por outro lado, a notícia em baixo à esquerda sobre a execução orçamental deveria fazer inveja ao governo actual...
E não é única. Em 7 de Maio o Século também dava conta na primeira página do que se passava em Paris.
quarta-feira, maio 09, 2018
Sócrates e os apaniguados: um balanço provisório de José Manuel Fernandes
José Manuel Fernandes, no Observador, faz um balanço provisório dos "casos" que envolveram José Sócrates ao longo dos anos e que os seus apaniguados, directos ou indirectos como Daniel de Oliveira e o inenarrável Pedro Marques Lopes, nunca quiseram ver.
Há mais casos e parece-me que o do bijan é um deles, muito pouco explorado quando o poderia e deveria ter sido.
Preferia não ter de escrever este texto – mas não posso deixar de o fazer. Não posso porque há limites para a mistificação. E não posso porque as “vergonhas” dos últimos dias são apenas um sinal de que o país continua doente.
Primeiro que tudo, as “vergonhas”. Já vi muita gente espantar-se por só agora, três anos e meio depois daquela detenção no aeroporto de Lisboa, ela ter chegado às mais altas cúpulas do Partido Socialista, assim de repente, como se uma luz tivesse descido do céu e iluminado de repente o que estava à vista de todos os que não se recusavam a ver. Já vi até elogiar a coragem da antiga namorada que veio dizer alto, e com maior ênfase, o que já deixara escapar antes com menos veemência: que Sócrates mentiu, mentiu, mentiu.
Peço desculpa, mas o atraso não é de três anos e qualquer coisa. A cegueira é muito mais antiga, muito mais teimosa e muito mais cúmplice. Tão antiga e tão teimosa que, anos e anos a fio, sempre que surgia um novo caso, o que se ouvia era um coro sobre “campanhas negras” dirigidas contra “o político mais escrutinado da história da nossa democracia”. Sim, eu não me esqueço.
Assim de repente, e sem ter ido ao fundo dos fundos, recordo-me de um primeiro confronto entre José Sócrates e o primeiro jornalista a investigar a sério a forma como governava: foi no início de 2001, o caso envolvia um subsídio de 200 mil contos (um milhão de euros) à DECO, Sócrates era apenas ministro do Ambiente e o jornalista chamava-se, e chama-se, José António Cerejo. Do choque resultou um processo judicial em que Sócrates acabaria condenado a pagar uma indemnização ao jornalista. Repito a data: 2001. Recomendo a revisita do processo e dos seus protagonistas. Arrepia perceber como o padrão de tudo o que se passaria depois já lá está.
Nos anos que se seguiram houve mais, muito mais. As circunstâncias da compra do seu apartamento num prédio de luxo na rua Castilho foi referida pela primeira vez num artigo de capa da revista Focus em 2004, ainda antes de ser eleito líder do PS.
Depois houve o caso da licenciatura, contado por Ricardo Dias Felner no Público em Março de 2007 (mas revelado antes no blogue de António Balbino Caldeira). É uma história que convém revisitar pois apesar do evidente interesse jornalístico, o trabalho do Público é silenciado durante uma semana – a barreira só se quebra quando Henrique Monteiro, então director do Expresso, resiste aos telefonemas de Sócrates, sendo a história retomada pelo semanário, que também revela as pressões exercidas sobre os outros órgãos de informação. O processo a seguir aberto na Alta Autoridade para a Comunicação Social (cujas actas esta tentou esconder) é uma vergonha sem nome.
A seguir viriam mais pormenores sobre um duvidosos processo de licenciamento na Cova da Beira e a picaresca, mas reveladora, história das casas da Guarda (de novo uma investigação de José António Cerejo) e, sobretudo, o caso Freeport, com o Jornal de Sexta da TVI a ter enorme protagonismo na divulgação das suspeitas, tal como o Sol (e Felícia Cabrita). Sabe-se hoje como acabou esse jornal dirigido por Manuela Moura Guedes e ninguém ignora as maquinações para comprar, e calar, a TVI. E se não gostam de Moura Guedes e já se preparam para dizer que foi tudo “campanhas negras”, então consultem as peças de Carlos Rodrigues Lima no Diário de Notícias.
Nesses anos, os do primeiro governo Sócrates, eram raríssimos os que, à direita ou à esquerda, o criticavam, mas a sua obsessão com a imprensa já era mórbida. Em Dezembro de 2007, numa entrevista a Jean Quatremer, do diário francês Liberation, a propósito do triunfo do Tratado de Lisboa (o do “porreiro, pá”), tratou-me como o seu “melhor inimigo”. Mais tarde, em 2009, faria uma diatribe contra alguns jornalistas na abertura do congresso do PS e, pouco depois, processaria João Miguel Tavares por causa de uma crónica intitulada O Cristo da Política Portuguesa. E na véspera das eleições tentou mesmo impedir a distribuição de um livro de Rui Costa Pinto.
Podia continuar a lista, mas o ponto é fácil de estabelecer: mesmo antes de ser reeleito para o seu segundo mandato não eram poucos os “casos”. Tal como já era evidente a que o então primeiro-ministro beneficiava da escandalosa proteção do então procurador-geral da República, Pinto Monteiro, assim como do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento (nomeadamente durante o processo Face Oculta). É por isso bom recordar quem na altura desdenhava a denúncia da “claustrofobia democrática” realizada num célebre discurso de Paulo Rangel pelo 25 de Abril de 2007.
Demos agora um salto e vamos até Paris e ao famoso apartamento. Não foi a polícia que o descobriu – foi o Correio da Manhã, e isso foi muito conveniente para os bem pensantes continuarem a sua ladainha do “jornalismo de sarjeta”. Alguns dos “envergonhados” de hoje fizeram-se de forma assanhada, outros de forma sumamente hipócrita. Vejam, por exemplo, como Daniel Oliveira, essa consciência crítica da esquerda nacional, descartou em 2010 todas as dúvidas que havia sobre os casos de Sócrates. Só não é mais penoso de ler porque, esta semana, o autor tratou de se justificar: “Até à acusação do Ministério Público, em que passei a estar na posse da informação necessária para formular uma opinião clara sobre o comportamento ético de Sócrates, tive a posição que acho que um comentador deve ter perante um caso desta gravidade política: disciplinadamente expectante, por saber que seremos julgados no futuro pelas posições que tomamos nestes momentos.” Não está mal para alguém que se diz jornalista: não acreditem nos jornais, acreditem apenas no que concluir o Ministério Público.
Já demorei demasiado a lembrar que nem todos os jornalistas se calaram, mesmo quando os que falavam e investigavam eram uma ínfima minoria, assim como já me alonguei demasiado a recordar que as dúvidas sobre o carácter de José Sócrates não começaram no dia em que conhecemos o amigo Santos Silva. Nesse tempo podia-se não se conhecer os detalhes das férias em Veneza, mas via-se a forma como vestia e os restaurantes que frequentava e isso cheirava a esturro. Sempre cheirou a esturro.
Eu sei: algures neste passado José Sócrates fantasiou a história de uma herança de um avô que até metia volfrâmio, e neste país de brandos costumes isso parece ter sido suficiente para desencorajar muitos jornalistas. Mesmo assim, no final de 2014, já José António Cerejo, de novo ele, contou-nos a história dessa fortuna que não chegou a sê-lo.
Mas a teimosia dos cegos voluntários, sobretudo a teimosia dos que beneficiaram muito dessa sua cegueira – nas carreiras políticas, nas prebendas, nos negócios, na influência no seio das suas profissões – não se deu por vencida. E não esquecemos como tantos, mas mesmo tantos, só se preocuparam nos últimos três anos e meio com a forma de actuar das nossas magistraturas, com o segredo de Justiça ou com os direitos do preso 44.
A esses – e nesses inclui-se praticamente todo o PS, mas também uma legião de comentadores – nunca lhes ouvimos, pelos menos até há bem poucas semanas, a mais singela manifestação de preocupação com o que permitiu que um mitómano como José Sócrates fosse primeiro-ministro durante seis anos. Pior: vimo-los conspirarem para derrubar o líder que lhe sucedeu no PS, um António José Seguro que nunca se cansaram de acusar de não defender com suficiente entusiasmo a herança do “menino de oiro”, alguém que se atreveu a falar da teia dos negócios que conspurcara o partido e a governação.
Na verdade o problema é mesmo essa herança, e ela não se resume apenas à bancarrota de 2011 e ao amigo Santos Silva. A herança de Sócrates, aquela que o país, e o PS, como bem pediu Ana Gomes, devem discutir é a do “mecanismo” que tornou tudo possível. Um “mecanismo” que não resultou apenas da venalidade alguns agentes políticos e económicos, mas o “mecanismo” que permitiu que, numa democracia, dois homens – José Sócrates e Ricardo Salgado – tivessem acumulado e exercido um poder de que não se limitaram a beneficiar, pois com ele também geraram uma ruína sem fim. Ainda o “animal feroz” era comentador da RTP e escrevi sobre como ele constituía uma “activo tóxico” para o PS e o país, como acreditara, com o líder do grupo Espírito Santo, que os dois “podiam tomar conta do país numa espécie de duopólio que beneficiava ambos”. Não fui de resto o único a escrever sobre a forma como Sócrates quis fazer de Portugal uma quinta.
Pouco tempo antes, estávamos ainda no verão de 2014, o da queda do BES, interrogava-me sobre se a queda de um banqueiro representava a queda do sistema que ele representava, isto é, se seria “o sinal do fim de um regime e dos seus hábitos promíscuos, o fim de um regime fechado, não concorrencial, onde se protegem amigos e os amigos nos protegem a nós, um regime onde se obedece aos poderes instalados.”
Ora é precisamente aqui que regressamos neste momento de tantas “vergonhas” com que se procura apagar o que se passou, o que se soube mas se ignorou, o que se disse mas se quer fazer esquecer. Tal como regressamos ao país que tudo tolerou, à generalidade da comunicação social que durante tantos anos foi de uma docilidade incompreensível, esquecendo o seu papel de vigilante da democracia. Tal como sobretudo regressamos aos vícios e hábitos desse regime promíscuo, fechado e não competitivo.
Não é preciso ser corrupto para se conviver bem, e até preferir, um sistema em que a corrupção medra com mais facilidade. Sócrates, para construir a sua rede de poder, encarniçou-se contra as entidades reguladoras independentes ou tentou tomá-las de assalto. Hoje vemos sinais da mesma hostilidade relativamente às vozes independentes, sejam elas o Conselho das Finanças Públicas, o Banco de Portugal ou o regulador do mercado energético. Sócrates preocupou-se mais com controlar o sistema bancário – o que fez com a ajuda do seu amigo Vara e, é bom não esquecer, desse homem de todos os tempos e todos os governos que se chama António Mexia – do que em zelar pela transparência de procedimentos e lisura na gestão. Hoje só podemos inquietar-nos quando conhecemos a oposição do PS a que seja conhecida a lista dos grandes devedores da Caixa Geral de Depósitos (os que beneficiaram de empréstimos de favor) ou quando nos espantamos por Tomás Correia, acusado de ter recebido 1,5 milhões de euros do famoso empreiteiro José Guilherme, continuar à frente da mutualista que controla o Montepio.
Quanto mais um governo entender que deve ser ele a mandar nas empresas e nos negócios mais fácil é criarem-se situações como as que conduziram ao duopólio Sócrates-Salgado. E não julguem que o digo por ter um coração liberal: se estudarem um pouco e forem ver como é que a social-democracia sueca teve tanto sucesso no passado e lá não se conhecem casos de corrupção como os vulgares em Portugal verificarão que esta quase sempre procurou seguir uma regra de ouro: a redistribuição da riqueza é com os governos, a criação de riqueza é com as empresas e os empresários.
Em Portugal, como tristemente sabemos, nem à direita do PS esta regra simples é bem vista. É também por isso que, mesmo não havendo mais nada com a gravidade e a dimensão do caso José Sócrates, a corrupção não é só um problema do PS. Bem pelo contrário.
Não podemos contar só com a probidade dos homens, temos de construir as instituições correctas, ter os devidos mecanismos de limitação do poder dos governos e mudar muita coisa na cultura política dominante. Infelizmente retrocedemos neste caminho nestes dois últimos anos.
Há mais casos e parece-me que o do bijan é um deles, muito pouco explorado quando o poderia e deveria ter sido.
Preferia não ter de escrever este texto – mas não posso deixar de o fazer. Não posso porque há limites para a mistificação. E não posso porque as “vergonhas” dos últimos dias são apenas um sinal de que o país continua doente.
Primeiro que tudo, as “vergonhas”. Já vi muita gente espantar-se por só agora, três anos e meio depois daquela detenção no aeroporto de Lisboa, ela ter chegado às mais altas cúpulas do Partido Socialista, assim de repente, como se uma luz tivesse descido do céu e iluminado de repente o que estava à vista de todos os que não se recusavam a ver. Já vi até elogiar a coragem da antiga namorada que veio dizer alto, e com maior ênfase, o que já deixara escapar antes com menos veemência: que Sócrates mentiu, mentiu, mentiu.
Peço desculpa, mas o atraso não é de três anos e qualquer coisa. A cegueira é muito mais antiga, muito mais teimosa e muito mais cúmplice. Tão antiga e tão teimosa que, anos e anos a fio, sempre que surgia um novo caso, o que se ouvia era um coro sobre “campanhas negras” dirigidas contra “o político mais escrutinado da história da nossa democracia”. Sim, eu não me esqueço.
Assim de repente, e sem ter ido ao fundo dos fundos, recordo-me de um primeiro confronto entre José Sócrates e o primeiro jornalista a investigar a sério a forma como governava: foi no início de 2001, o caso envolvia um subsídio de 200 mil contos (um milhão de euros) à DECO, Sócrates era apenas ministro do Ambiente e o jornalista chamava-se, e chama-se, José António Cerejo. Do choque resultou um processo judicial em que Sócrates acabaria condenado a pagar uma indemnização ao jornalista. Repito a data: 2001. Recomendo a revisita do processo e dos seus protagonistas. Arrepia perceber como o padrão de tudo o que se passaria depois já lá está.
Nos anos que se seguiram houve mais, muito mais. As circunstâncias da compra do seu apartamento num prédio de luxo na rua Castilho foi referida pela primeira vez num artigo de capa da revista Focus em 2004, ainda antes de ser eleito líder do PS.
Depois houve o caso da licenciatura, contado por Ricardo Dias Felner no Público em Março de 2007 (mas revelado antes no blogue de António Balbino Caldeira). É uma história que convém revisitar pois apesar do evidente interesse jornalístico, o trabalho do Público é silenciado durante uma semana – a barreira só se quebra quando Henrique Monteiro, então director do Expresso, resiste aos telefonemas de Sócrates, sendo a história retomada pelo semanário, que também revela as pressões exercidas sobre os outros órgãos de informação. O processo a seguir aberto na Alta Autoridade para a Comunicação Social (cujas actas esta tentou esconder) é uma vergonha sem nome.
A seguir viriam mais pormenores sobre um duvidosos processo de licenciamento na Cova da Beira e a picaresca, mas reveladora, história das casas da Guarda (de novo uma investigação de José António Cerejo) e, sobretudo, o caso Freeport, com o Jornal de Sexta da TVI a ter enorme protagonismo na divulgação das suspeitas, tal como o Sol (e Felícia Cabrita). Sabe-se hoje como acabou esse jornal dirigido por Manuela Moura Guedes e ninguém ignora as maquinações para comprar, e calar, a TVI. E se não gostam de Moura Guedes e já se preparam para dizer que foi tudo “campanhas negras”, então consultem as peças de Carlos Rodrigues Lima no Diário de Notícias.
Nesses anos, os do primeiro governo Sócrates, eram raríssimos os que, à direita ou à esquerda, o criticavam, mas a sua obsessão com a imprensa já era mórbida. Em Dezembro de 2007, numa entrevista a Jean Quatremer, do diário francês Liberation, a propósito do triunfo do Tratado de Lisboa (o do “porreiro, pá”), tratou-me como o seu “melhor inimigo”. Mais tarde, em 2009, faria uma diatribe contra alguns jornalistas na abertura do congresso do PS e, pouco depois, processaria João Miguel Tavares por causa de uma crónica intitulada O Cristo da Política Portuguesa. E na véspera das eleições tentou mesmo impedir a distribuição de um livro de Rui Costa Pinto.
Podia continuar a lista, mas o ponto é fácil de estabelecer: mesmo antes de ser reeleito para o seu segundo mandato não eram poucos os “casos”. Tal como já era evidente a que o então primeiro-ministro beneficiava da escandalosa proteção do então procurador-geral da República, Pinto Monteiro, assim como do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento (nomeadamente durante o processo Face Oculta). É por isso bom recordar quem na altura desdenhava a denúncia da “claustrofobia democrática” realizada num célebre discurso de Paulo Rangel pelo 25 de Abril de 2007.
Demos agora um salto e vamos até Paris e ao famoso apartamento. Não foi a polícia que o descobriu – foi o Correio da Manhã, e isso foi muito conveniente para os bem pensantes continuarem a sua ladainha do “jornalismo de sarjeta”. Alguns dos “envergonhados” de hoje fizeram-se de forma assanhada, outros de forma sumamente hipócrita. Vejam, por exemplo, como Daniel Oliveira, essa consciência crítica da esquerda nacional, descartou em 2010 todas as dúvidas que havia sobre os casos de Sócrates. Só não é mais penoso de ler porque, esta semana, o autor tratou de se justificar: “Até à acusação do Ministério Público, em que passei a estar na posse da informação necessária para formular uma opinião clara sobre o comportamento ético de Sócrates, tive a posição que acho que um comentador deve ter perante um caso desta gravidade política: disciplinadamente expectante, por saber que seremos julgados no futuro pelas posições que tomamos nestes momentos.” Não está mal para alguém que se diz jornalista: não acreditem nos jornais, acreditem apenas no que concluir o Ministério Público.
Já demorei demasiado a lembrar que nem todos os jornalistas se calaram, mesmo quando os que falavam e investigavam eram uma ínfima minoria, assim como já me alonguei demasiado a recordar que as dúvidas sobre o carácter de José Sócrates não começaram no dia em que conhecemos o amigo Santos Silva. Nesse tempo podia-se não se conhecer os detalhes das férias em Veneza, mas via-se a forma como vestia e os restaurantes que frequentava e isso cheirava a esturro. Sempre cheirou a esturro.
Eu sei: algures neste passado José Sócrates fantasiou a história de uma herança de um avô que até metia volfrâmio, e neste país de brandos costumes isso parece ter sido suficiente para desencorajar muitos jornalistas. Mesmo assim, no final de 2014, já José António Cerejo, de novo ele, contou-nos a história dessa fortuna que não chegou a sê-lo.
Mas a teimosia dos cegos voluntários, sobretudo a teimosia dos que beneficiaram muito dessa sua cegueira – nas carreiras políticas, nas prebendas, nos negócios, na influência no seio das suas profissões – não se deu por vencida. E não esquecemos como tantos, mas mesmo tantos, só se preocuparam nos últimos três anos e meio com a forma de actuar das nossas magistraturas, com o segredo de Justiça ou com os direitos do preso 44.
A esses – e nesses inclui-se praticamente todo o PS, mas também uma legião de comentadores – nunca lhes ouvimos, pelos menos até há bem poucas semanas, a mais singela manifestação de preocupação com o que permitiu que um mitómano como José Sócrates fosse primeiro-ministro durante seis anos. Pior: vimo-los conspirarem para derrubar o líder que lhe sucedeu no PS, um António José Seguro que nunca se cansaram de acusar de não defender com suficiente entusiasmo a herança do “menino de oiro”, alguém que se atreveu a falar da teia dos negócios que conspurcara o partido e a governação.
Na verdade o problema é mesmo essa herança, e ela não se resume apenas à bancarrota de 2011 e ao amigo Santos Silva. A herança de Sócrates, aquela que o país, e o PS, como bem pediu Ana Gomes, devem discutir é a do “mecanismo” que tornou tudo possível. Um “mecanismo” que não resultou apenas da venalidade alguns agentes políticos e económicos, mas o “mecanismo” que permitiu que, numa democracia, dois homens – José Sócrates e Ricardo Salgado – tivessem acumulado e exercido um poder de que não se limitaram a beneficiar, pois com ele também geraram uma ruína sem fim. Ainda o “animal feroz” era comentador da RTP e escrevi sobre como ele constituía uma “activo tóxico” para o PS e o país, como acreditara, com o líder do grupo Espírito Santo, que os dois “podiam tomar conta do país numa espécie de duopólio que beneficiava ambos”. Não fui de resto o único a escrever sobre a forma como Sócrates quis fazer de Portugal uma quinta.
Pouco tempo antes, estávamos ainda no verão de 2014, o da queda do BES, interrogava-me sobre se a queda de um banqueiro representava a queda do sistema que ele representava, isto é, se seria “o sinal do fim de um regime e dos seus hábitos promíscuos, o fim de um regime fechado, não concorrencial, onde se protegem amigos e os amigos nos protegem a nós, um regime onde se obedece aos poderes instalados.”
Ora é precisamente aqui que regressamos neste momento de tantas “vergonhas” com que se procura apagar o que se passou, o que se soube mas se ignorou, o que se disse mas se quer fazer esquecer. Tal como regressamos ao país que tudo tolerou, à generalidade da comunicação social que durante tantos anos foi de uma docilidade incompreensível, esquecendo o seu papel de vigilante da democracia. Tal como sobretudo regressamos aos vícios e hábitos desse regime promíscuo, fechado e não competitivo.
Não é preciso ser corrupto para se conviver bem, e até preferir, um sistema em que a corrupção medra com mais facilidade. Sócrates, para construir a sua rede de poder, encarniçou-se contra as entidades reguladoras independentes ou tentou tomá-las de assalto. Hoje vemos sinais da mesma hostilidade relativamente às vozes independentes, sejam elas o Conselho das Finanças Públicas, o Banco de Portugal ou o regulador do mercado energético. Sócrates preocupou-se mais com controlar o sistema bancário – o que fez com a ajuda do seu amigo Vara e, é bom não esquecer, desse homem de todos os tempos e todos os governos que se chama António Mexia – do que em zelar pela transparência de procedimentos e lisura na gestão. Hoje só podemos inquietar-nos quando conhecemos a oposição do PS a que seja conhecida a lista dos grandes devedores da Caixa Geral de Depósitos (os que beneficiaram de empréstimos de favor) ou quando nos espantamos por Tomás Correia, acusado de ter recebido 1,5 milhões de euros do famoso empreiteiro José Guilherme, continuar à frente da mutualista que controla o Montepio.
Quanto mais um governo entender que deve ser ele a mandar nas empresas e nos negócios mais fácil é criarem-se situações como as que conduziram ao duopólio Sócrates-Salgado. E não julguem que o digo por ter um coração liberal: se estudarem um pouco e forem ver como é que a social-democracia sueca teve tanto sucesso no passado e lá não se conhecem casos de corrupção como os vulgares em Portugal verificarão que esta quase sempre procurou seguir uma regra de ouro: a redistribuição da riqueza é com os governos, a criação de riqueza é com as empresas e os empresários.
Em Portugal, como tristemente sabemos, nem à direita do PS esta regra simples é bem vista. É também por isso que, mesmo não havendo mais nada com a gravidade e a dimensão do caso José Sócrates, a corrupção não é só um problema do PS. Bem pelo contrário.
Não podemos contar só com a probidade dos homens, temos de construir as instituições correctas, ter os devidos mecanismos de limitação do poder dos governos e mudar muita coisa na cultura política dominante. Infelizmente retrocedemos neste caminho nestes dois últimos anos.
Os morgadios na magistratura e o poder judicial
Hoje no Público, o actual presidente do sindicato dos juízes escreve sobre um assunto que escapa a muita gente mas tem uma importância grande no funcionamento do poder judicial. Recorde-se que este poder é exercido pelos juízes enquanto julgadores e em processos concretos.
A Constituição não se refere especificamente ao"poder judicial" embora este seja um dos poderes do Estado, a par do Legislativo e Executivo. Refere-se sim, aos Tribunais, enquanto órgãos de soberania juntamente com o presidente da República, a Assembleia da República e o Governo.
Por outro lado também não define o que são os tribunais. Logo é necessário recorrer ao conceito de "função jurisdicional" para os entender, bem como ao conceito de "juiz". Isto ensinava Vital Moreira e Gomes Canotilho na sua Constituição anotada em 1993.
Quanto aos tribunais estes são órgãos do Estado dotados de independência, sendo estruturas complexas porque abrangem várias funções e agentes. Nessa altura, os anotadores até entendiam que os advogados e os magistrados do MºPº, bem como os oficiais de justiça, faziam parte dessa estrutura, num âmbito alargado. Restritamente, porém, a função identifica-se com o juiz, enquanto tal.
Assim, só aos tribunais incumbe administrar justiça, fazendo-o em nome do povo em geral.
Dizem os anotadores que " a usurpação de funções jurisdicionais pelas autoridades administrivas constitui um dos fundamentos típicos da invalidade dos actos administrativos, (por usurpação de poder)".
A característica mais marcante dos tribunais também está constitucionalmente assegurada: a independência que significa que o são dos demais poderes do Estado mas também entre si. Cada juiz é uma ilha de independência, quando exerce a função jurisdicional, porque evidentemente seria risível assegurar a independência dos tribunais e declinar, negando-a, essa característica aos juízes.
Este princípio de independência dos juízes assegura-se mediante a sua inamovibilidade do cargo, enquanto exercido normalmente ( e isso é matéria que suscita discussão) e a sua irresponsabilidade, ou seja a faculdade de não ver sindicadas em termos pessoais, as suas decisões jurisdicionais devidamente fundamentadas.
Quanto aos juízes em si, o respectivo estatuto transcreve estes princípios sendo importante salientar que a independência é uma questão fulcral do exercício da actividade jurisdicional. É a menina dos olhos dessa função e por isso todo o cuidado e delicadeza se torna necessário ao lidar com esse assunto.
Como se vê pelo artigo do presidente do sindicato dos juízes, existe actualmente um risco em se beliscar de forma grave tal independência e o mal vem do interior da própria classe e dos seus órgãos de gestão.
Um dos requisitos da independência de alguém é o pressuposto que não terá medo que lhe façam mal por dá cá aquela palha. Mal quer dizer prejudicar alguém na função, por exemplo, através de processos e meios florentinos como sejam a manipulação de inquéritos de natureza disciplinar por dá cá, aquela palha. Significa o abuso de um poder para condicionar alguém na sua função, através de actos concretos ou de uma ameaça abstracta, rapidamente concretizável.
Tal fenómeno de instauração de inquéritos tem sido recorrente nos últimos tempos, com a intervenção destacada do órgão de gestão da carreira dos juízes, o Conselho Superior da Magistratura.
Este órgão administrativo, sem poderes jurisdicionais, é composto de juízes de carreira e pessoas escolhidas pelos partidos e não só ( PR, também).
Não obstante, nos últimos anos tem mostrado apetência para condicionar juízes em geral e através de algumas figuras pardas, como é o caso do actual vice-presidente Mário Belo Morgado, também juiz de carreira mas proveniente do funcionalismo judicial e com curso de Direito tirado nessa circunstância e ainda a passagem por instâncias governativas com evidente ligação partidária e política.
A apetência para o condicionamento que se me afigura perversa, ilegal e abusiva ( naquele sentido) permanece, como é sinal aquele assunto tratado no artigo do Público.
Os juízes em geral têm que estar mais protegidos do que estão da interferência de um órgão de poder ampliado artificialmente como é o CSM, o qual exerce através de meios florentinos e jesuíticos: através dos inquéritos disciplinares por dá cá aquela palha ( o melhor exemplo tem sido o que se passou com o juiz Carlos Alxandre) e usando esse poder de forma algo discricionária, ou seja, sem fundamento suficientemente forte e baseado em normas estatutárias que permitem essa perversidade como sejam as cláusulas gerais relativas à imagem da Justiça, etc etc.
O abuso desses inquéritos disciplinares, quando ocorre, torna-se por isso um instrumento de poder e de condicionamento da independência dos juízes por uma razão simples de entender e que aliás todos percebem: sendo uma espada de dâmocles que o CSM, particularmente o seu vice-presidente, está legitimado a usar sempre que entenda que determinado juiz pisou um risco imaginário que por isso mesmo nem definido está, a tentação do seu uso tem vindo a aumentar, segundo se percebe. O requinte dos procedimentos, anunciados nos media, pelos responsáveis, com destaque para aquele, torna-se por vezes inquisitorial, mas cuidadoso nos termos e objectivos. O uso indiscriminado ou mesmo justificado com argumentos discutíveis de tal instrumento deveria ser sancionado também, mas como é o próprio CSM o sancionador...
O exemplo do juiz do Porto, Neto Moura, é eloquente ( a propósito como está o assunto, no CSM? Não há interesse público na sua divulgação, depois do enxovalho a que foi submetido tal juiz?)
Em suma, o CSM tem-se tornado, ultimamente, no consulado do seu vice-presidente, Mário Belo Morgado, o antigo funcionário judicial, tornado juiz ( e isto não é gratuito...) perigoso para a independência dos juízes e dos tribunais.
A medida mais urgente a tomar pelos próprios juízes é impedir que Mário Belo Morgado seja reeleito para um cargo que nunca deveria ter sido o seu. Além de inédito, revela uma apetência por um poder que não lhe assiste e por isso se torna imperioso impedir, em nome dos princípios fundamentais do exercício do poder judicial.
O protagonismo de tal pessoa nos media tem sido constante ( no último Expresso tem um artigo sobre a protecção de dados nos processos como se isso fosse um problema gravíssimo quando nunca o foi) e escreve artigos avulsos que são assustadores do modo como entende a função judicial e que revelam no meu entender que nem sequer a percebe devidamente. Exemplo disso é a entrevista aqui publicada e a comunicação aos juízes sobre o balanço do ano, em Fevereiro de 2108.
O CSM com Mário Belo Morgado não deve tornar-se numa espécie de direcção-geral dos juízes e muito menos um morgadio.
terça-feira, maio 08, 2018
Opiniões proibidas ...
Observador:
Ursula Haverbeck, a alemã de 89 anos que negava o Holocausto, foi detida esta segunda-feira. Também conhecida como a “avó nazi”, a mulher defendia que Auschwitz não não tinha sido um campo de extermínio, mas simplesmente um campo de trabalho. Haverbeck já tinha sido condenada anteriormente mas nunca tinha cumprido qualquer pena, devido aos recursos que foram apresentados.
No jornal de extrema-direita Stimme des Reich, a mulher chegou a escrever que “o Holocausto é a maior mentira da história” e os advogados defendiam que a opinião de Haverbeck estava protegida pela liberdade de expressão. No entanto, na Alemanha, o artigo 130 do código penal estabelece que quem negar ou defender os atos cometidos durante o regime nacional-socialista “será castigado com uma pena de prisão até 5 anos”.
No passado mês de agosto, a justiça alemã tinha condenado a “avó nazi” a dois anos de prisão por oito crimes de incitamento ao ódio. No dia 23 de abril, a mulher devia ter começado a cumprir a sua pena mas não se apresentou às autoridades. No domingo, a procuradoria de Verden, no norte do país, ordenou a sua detenção. Esta segunda-feira, a polícia alemã deteve Ursula Haverbeck, na sua casa, em Vlotho, no noroeste da Alemanha.
A mulher vai ficar ficar presa no estabelecimento prisional Bielefeld, no estado da Renânia do Norte-Vestfália.
Se a velhinha negasse o Holodomor ou os Gulags tinha direito a entrevistas na televisão e aplausos variados. Assim...vai de cana, como dizem os brasileiros.
Ursula Haverbeck, a alemã de 89 anos que negava o Holocausto, foi detida esta segunda-feira. Também conhecida como a “avó nazi”, a mulher defendia que Auschwitz não não tinha sido um campo de extermínio, mas simplesmente um campo de trabalho. Haverbeck já tinha sido condenada anteriormente mas nunca tinha cumprido qualquer pena, devido aos recursos que foram apresentados.
No jornal de extrema-direita Stimme des Reich, a mulher chegou a escrever que “o Holocausto é a maior mentira da história” e os advogados defendiam que a opinião de Haverbeck estava protegida pela liberdade de expressão. No entanto, na Alemanha, o artigo 130 do código penal estabelece que quem negar ou defender os atos cometidos durante o regime nacional-socialista “será castigado com uma pena de prisão até 5 anos”.
No passado mês de agosto, a justiça alemã tinha condenado a “avó nazi” a dois anos de prisão por oito crimes de incitamento ao ódio. No dia 23 de abril, a mulher devia ter começado a cumprir a sua pena mas não se apresentou às autoridades. No domingo, a procuradoria de Verden, no norte do país, ordenou a sua detenção. Esta segunda-feira, a polícia alemã deteve Ursula Haverbeck, na sua casa, em Vlotho, no noroeste da Alemanha.
A mulher vai ficar ficar presa no estabelecimento prisional Bielefeld, no estado da Renânia do Norte-Vestfália.
Se a velhinha negasse o Holodomor ou os Gulags tinha direito a entrevistas na televisão e aplausos variados. Assim...vai de cana, como dizem os brasileiros.
Ferreira Fernandes, Câncio, mai-los apaniguados do PS não deram por isto, em 2010?
Coloco aqui, ipsis verbis, um postal de 4.3.2010. Se alguém, mormente o MºPº tivesse dado importância a isto, se calhar não teríamos uma bancarrota em 2011 e possivelmente o BES não teria feito tantos estragos. Quanto à PT inês era morta. Mas o MºPº devia ter dado importância porque os indícios de corrupção eram flagrantes, para além do mais. Muito mais que uma anódina participação de um banco qualquer a propósito de uns depósitos que suscitavam suspeitas de branqueamento de capitais. O jacobinismo aliado ao jornalismo caseiro ( com excepção da TVI que ingenuamente reportou este assunto) deram no que deram: a anomia geral de que agora alguns hipocritamente parecem dar conta e em relação à qual hibernaram estes anos todos.
Já escrevi aqui que este sinal, ligado a outros e ainda a outros sobre o uso dos cartões de crédito numa discrição real, era um dos mais importantes para se perceber a miséria moral em que o então primeiro-ministro chafurdava. E há outras, como é o caso singular das garrafas de vinho metidas em envelopes que todos parecem fazer de conta que é coisa normal e tem a ver com "aquilo de que eu gosto muito"...

A TVI foi a Los Angeles por causa dos Óscares de Hollywood. Não se sabe bem como nem porquê, a repórter Maria João passou no Rodeo Drive e reparou que na loja de apparel Bijan, aparece o nome de José Sócrates ( assim com acentos e tudo), "Prime minister of Portugal", como um dos clientes de prestígio, ao lado de celebridades como Spielberg e outros com nomes árabes e judeus.
"José Sócrates, prime minister of Portugal", na montra do Bijan de LA, deve ser o must com direito a foto reservada em mesa de canto de sala. Por falar nisso, alguém, alguma vez foi autorizado a ver a sala privada deste "prime minister of Portugal" e mostrar as imagens privadas de quem assim tão afoitamente usa um cargo público numa loja de roupa do jet sete, oito, nove ou mesmo dez?
Não, ninguém, jamais, teve esse raro privilégio de apreciar a pintura, os móveis, a tinta da parede de tão recatado reduto.
Então, porque razão a repórter Maria João não teve um pouco mais de curiosidade e entrou no Bijan, tocando à campainha, declarando ser cidadã portuguesa, da tv, interessada em saber por que razão particular o nome do primeiro ministro do seu país e nessa qualidade, ali figura para vergonha dos demais concidadãos?
Ou não será assim mesmo?
É que o tal prime minister of Portugal, com o que ganha por mês ( cerca de 5000 euros, dito pelo próprio nos corredores da AR), não tem estaleca financeira para ser atendido em privado, exclusivamente, para encomendar uma fatiota que pode custar 50 mil euros. Ou tem e a gente não sabe?
Ou foi apenas comprar um par de meias ao tal Bijan? E isso chegou para ter direito ao nome na montra?
Esta vergonha vai continuar até quando, com a complacência dos demais concidadãos que votam?
Já escrevi aqui que este sinal, ligado a outros e ainda a outros sobre o uso dos cartões de crédito numa discrição real, era um dos mais importantes para se perceber a miséria moral em que o então primeiro-ministro chafurdava. E há outras, como é o caso singular das garrafas de vinho metidas em envelopes que todos parecem fazer de conta que é coisa normal e tem a ver com "aquilo de que eu gosto muito"...

A TVI foi a Los Angeles por causa dos Óscares de Hollywood. Não se sabe bem como nem porquê, a repórter Maria João passou no Rodeo Drive e reparou que na loja de apparel Bijan, aparece o nome de José Sócrates ( assim com acentos e tudo), "Prime minister of Portugal", como um dos clientes de prestígio, ao lado de celebridades como Spielberg e outros com nomes árabes e judeus.
"José Sócrates, prime minister of Portugal", na montra do Bijan de LA, deve ser o must com direito a foto reservada em mesa de canto de sala. Por falar nisso, alguém, alguma vez foi autorizado a ver a sala privada deste "prime minister of Portugal" e mostrar as imagens privadas de quem assim tão afoitamente usa um cargo público numa loja de roupa do jet sete, oito, nove ou mesmo dez?
Não, ninguém, jamais, teve esse raro privilégio de apreciar a pintura, os móveis, a tinta da parede de tão recatado reduto.
Então, porque razão a repórter Maria João não teve um pouco mais de curiosidade e entrou no Bijan, tocando à campainha, declarando ser cidadã portuguesa, da tv, interessada em saber por que razão particular o nome do primeiro ministro do seu país e nessa qualidade, ali figura para vergonha dos demais concidadãos?
Ou não será assim mesmo?
É que o tal prime minister of Portugal, com o que ganha por mês ( cerca de 5000 euros, dito pelo próprio nos corredores da AR), não tem estaleca financeira para ser atendido em privado, exclusivamente, para encomendar uma fatiota que pode custar 50 mil euros. Ou tem e a gente não sabe?
Ou foi apenas comprar um par de meias ao tal Bijan? E isso chegou para ter direito ao nome na montra?
Esta vergonha vai continuar até quando, com a complacência dos demais concidadãos que votam?
domingo, maio 06, 2018
Um relato sem tomates mas com abrunhos
No CM de hoje, na revista Domingo, o repórter radiofónico Fernando Correia que se notabilizou em relatos de futebol ( sans blague) entrevistado sobre o seu passado há quase 50 anos, em que tinha 20, falou sobre o tempo em que reportou o funeral de Salazar, confessadamente bêbado e ainda sobre o que fez em Londres aquando da visita de Marcello Caetano, alvo de manifestações de cariz político, orquestradas pelo poder partidário socialista da época em que Mário Soares já era protagonista.
Conta Fernando Correia que na altura em que Marcello Caetano se dirigia ao palácio de Buckingham "levou com uma carga de tomates (...) atirada por portugueses". Presumivelmente, um deles seria Mário Soares, num acto de dignidade notável, para um patriota.
Diz então que "recordo-me que me apetecia contar, mas não podia"...
Não podia?! Fernando Correia deve lembrar-se de uma reportagem desenvolvida e explícita sobre o mesmo acontecimento, efectuada por outros seus colegas jornalistas portugueses que então trabalhavam na revista Observador.
Esta revista, não me canso de repetir, é o melhor espelho da sociedade e realidade portuguesas de então, excluindo naturalmente a narrativa comunista e socialista, que se esforçavam então como agora em reescrever uma História fictícia em que acreditavam. No caso, contra Portugal e o que designavam de colónias.
O Observador de então e a maioria esmagadora dos portugueses da época não viam a realidade desse modo e o que relatava a revista era o que sentiam os que não se reviam na fraseologia e ideologia comunista e socialista que aliás eram uma minoria pequeníssima da nossa sociedade de então.
O que espanta é o modo como adquiriram a maioria, ganharam eleições e conseguiram impor uma linguagem que não era a nossa, nem devia ser, nunca. Mas é.
Ainda hoje me revejo nesta linguagem do Observador que não era uma revista fascista nem nada que se pareça e basta ler o modo como se faz o relato acerca dos movimentos de oposição, mediáticos, contra a nossa presença no Ultramar.
Basta ler como se escreve que nas manifestações de Londres estiveram também notórios arruaceiros que também tinham estado em Paris, em 1968.
Nesse contexto não se percebe porque Fernando Correia não escreveu que em Londres houve manifestantes contra a nossa presença no Ultramar e que alguns portugueses presentes apuparam o antigo presidente do Conselho.
A revista Observador fê-lo.
Aqui fica o relato nessas páginas que nos mostram que havia e há uma alternativa à linguagem comunista e socialista que temos em Portugal, nos media, há mais de 40 anos e levam um repórter como Fernando Correia a adulterar memórias.
É assim que se lavam cérebros e se suja a memória e a realidade. Já o tinha escrito aqui. E aqui também.
Portugal não é uma coutada de socialistas e comunistas e se estes têm lugar no ambiente democrático é preciso dizer que os comunistas se mandassem nunca aceitariam uma revista como o Observador de antanho. Nem o moderno, aliás...
Por causa desta homérica lavagem ao cérebro que dura há 44 anos ou mais podemos ler este título no Público de hoje:
A ilha de Cuba é de Fidel?! O que diriam se alguém escrevesse "Portugal. Salazar, o teu país afundou-se"?
E é verdade, quanto a mim. Por culpa de comunistas, em primeiro lugar e socialistas logo a seguir.
Claro que esta conversa é reaccionária. "Cada vez mais".
O problema é que será mais próxima da realidade do aqueloutra que continua a entender Cuba, como a ilha de Fidel...e vemos que o jornalista Adriano Moreira [ Miranda, claro] não esconde a sua preferência pela " ilha de Fidel" como se tal fosse a coisa mais natural do mundo, acrescentando no final do artigo que "E todos nós sabemos como é o capitalismo. É como aquele monstro dos filmes de Hollywood, nunca morre por mais tiros que leve, é viscoso, traiçoeiro e espalha-se por todo o lado".
Temos portanto um comunista assumido a escrever ideologia numa reportagem de viajem paga pelo Público do capitalista Sonae que isto tolera. O capitalismo é, aliás, apresentado por aqueles como o modo de produção da corda que os há-de enforcar. E é isso, secretamente que alimenta a esperança destes indivíduos que dominam os media em Portugal...
Conta Fernando Correia que na altura em que Marcello Caetano se dirigia ao palácio de Buckingham "levou com uma carga de tomates (...) atirada por portugueses". Presumivelmente, um deles seria Mário Soares, num acto de dignidade notável, para um patriota.
Diz então que "recordo-me que me apetecia contar, mas não podia"...
Não podia?! Fernando Correia deve lembrar-se de uma reportagem desenvolvida e explícita sobre o mesmo acontecimento, efectuada por outros seus colegas jornalistas portugueses que então trabalhavam na revista Observador.
Esta revista, não me canso de repetir, é o melhor espelho da sociedade e realidade portuguesas de então, excluindo naturalmente a narrativa comunista e socialista, que se esforçavam então como agora em reescrever uma História fictícia em que acreditavam. No caso, contra Portugal e o que designavam de colónias.
O Observador de então e a maioria esmagadora dos portugueses da época não viam a realidade desse modo e o que relatava a revista era o que sentiam os que não se reviam na fraseologia e ideologia comunista e socialista que aliás eram uma minoria pequeníssima da nossa sociedade de então.
O que espanta é o modo como adquiriram a maioria, ganharam eleições e conseguiram impor uma linguagem que não era a nossa, nem devia ser, nunca. Mas é.
Ainda hoje me revejo nesta linguagem do Observador que não era uma revista fascista nem nada que se pareça e basta ler o modo como se faz o relato acerca dos movimentos de oposição, mediáticos, contra a nossa presença no Ultramar.
Basta ler como se escreve que nas manifestações de Londres estiveram também notórios arruaceiros que também tinham estado em Paris, em 1968.
Nesse contexto não se percebe porque Fernando Correia não escreveu que em Londres houve manifestantes contra a nossa presença no Ultramar e que alguns portugueses presentes apuparam o antigo presidente do Conselho.
A revista Observador fê-lo.
Aqui fica o relato nessas páginas que nos mostram que havia e há uma alternativa à linguagem comunista e socialista que temos em Portugal, nos media, há mais de 40 anos e levam um repórter como Fernando Correia a adulterar memórias.
É assim que se lavam cérebros e se suja a memória e a realidade. Já o tinha escrito aqui. E aqui também.
Portugal não é uma coutada de socialistas e comunistas e se estes têm lugar no ambiente democrático é preciso dizer que os comunistas se mandassem nunca aceitariam uma revista como o Observador de antanho. Nem o moderno, aliás...
Por causa desta homérica lavagem ao cérebro que dura há 44 anos ou mais podemos ler este título no Público de hoje:
A ilha de Cuba é de Fidel?! O que diriam se alguém escrevesse "Portugal. Salazar, o teu país afundou-se"?
E é verdade, quanto a mim. Por culpa de comunistas, em primeiro lugar e socialistas logo a seguir.
Claro que esta conversa é reaccionária. "Cada vez mais".
O problema é que será mais próxima da realidade do aqueloutra que continua a entender Cuba, como a ilha de Fidel...e vemos que o jornalista Adriano Moreira [ Miranda, claro] não esconde a sua preferência pela " ilha de Fidel" como se tal fosse a coisa mais natural do mundo, acrescentando no final do artigo que "E todos nós sabemos como é o capitalismo. É como aquele monstro dos filmes de Hollywood, nunca morre por mais tiros que leve, é viscoso, traiçoeiro e espalha-se por todo o lado".
Temos portanto um comunista assumido a escrever ideologia numa reportagem de viajem paga pelo Público do capitalista Sonae que isto tolera. O capitalismo é, aliás, apresentado por aqueles como o modo de produção da corda que os há-de enforcar. E é isso, secretamente que alimenta a esperança destes indivíduos que dominam os media em Portugal...
sábado, maio 05, 2018
O óbulo de Louçã para o Maio 68 é a habitual fantasia trotskista
Expresso de hoje, um artigo de Louçã com meia dúzia de páginas e foto grande, sobre herança de Maio de 1968. Basta ler esta, no fim, para se perceber que a utopia nunca acaba e afinal só faltou "um pouco mais de azul" para "e tudo ser possível". Louçã continua a porfiar no porvir e na crença que um dia seremos todos iguais, tal como Orwell bem explicou...
PS, o Partido que se tornou ridículo
Alberto Gonçalves, Observador:
O homem mais azarado de Portugal
Toda a gente sabe que o sr. Salgado nunca corrompeu uma alminha que fosse. De resto, ele próprio o garante e seria paradoxal questionar a seriedade de indivíduo tão sério. Mas impressiona que, de cada vez que se descobre uma trafulhice qualquer do Minho a Luanda, o sr. Salgado lá acabe injustamente envolvido. São subtraídos três abacates a uma quitanda de Santarém? É inevitável que o meliante refira proximidade ao sr. Salgado. Desaparecem mil milhões em operações bancárias esquisitas? Aguarda-se dez minutos e eis que o nome do sr. Salgado irrompe pelo assunto dentro. Nem chega a ser a história da cavadela e da minhoca: não vale a pena cavar que o bicho aparece sozinho. Assim à primeira vista, tudo indica tratar-se de uma enorme conspiração para lixar o infeliz, com recurso a encosto, mau-olhado e restante tecnologia de ponta. Ou então o sr. Salgado tem muito azar. Culpa, desculpem, é que não tem.
CM de hoje:
Visão desta semana:
O homem mais azarado de Portugal
Toda a gente sabe que o sr. Salgado nunca corrompeu uma alminha que fosse. De resto, ele próprio o garante e seria paradoxal questionar a seriedade de indivíduo tão sério. Mas impressiona que, de cada vez que se descobre uma trafulhice qualquer do Minho a Luanda, o sr. Salgado lá acabe injustamente envolvido. São subtraídos três abacates a uma quitanda de Santarém? É inevitável que o meliante refira proximidade ao sr. Salgado. Desaparecem mil milhões em operações bancárias esquisitas? Aguarda-se dez minutos e eis que o nome do sr. Salgado irrompe pelo assunto dentro. Nem chega a ser a história da cavadela e da minhoca: não vale a pena cavar que o bicho aparece sozinho. Assim à primeira vista, tudo indica tratar-se de uma enorme conspiração para lixar o infeliz, com recurso a encosto, mau-olhado e restante tecnologia de ponta. Ou então o sr. Salgado tem muito azar. Culpa, desculpem, é que não tem.
CM de hoje:
Visão desta semana:
sexta-feira, maio 04, 2018
O PS tem lá vários milionários que eram uns pindéricos. Quem são eles?
José Manuel Fernandes, no Observador põe o dedo na ferida aberta com os acontecimentos no PS: a vergonha já não chega. É preciso saber quem são os cúmplices de Sócrates e quem foram aqueles que se serviram do partido socialista para enriquecerem para além do que seria normal, para os cargos que exerceram.
Vamos saber quem foram os enriquecidos no PS de Sócrates? Bora lá...
Por mim tenho já vários nomes na calha a quem saiu a sorte grande por serem apaniguados do PS. O maior deles é Jorge Coelho, o manhoso de Contenças.
Entretanto, o Tribunal da Relação de Lisboa deu mais uma bofetada jurídica na defesa à moda de Delille:
O Tribunal da Relação de Lisboa rejeitou o recurso da defesa de José Sócrates que pedia a nulidade da decisão de juntar os processos Monte Branco, Universo BES e PPP ao processo da Operação Marquês, escreve a agência Lusa.
Por outro lado anda aí a especulação acerca dos motivo do PS actual ter tirado um tapete confortável que até agora tinha garantido a José Sócrates.
Quando surge a interrogação podemos sempre especular, também.
Em primeiro lugar surgiu a notícia do afastamento do advogado Araújo, da defesa que fazia em tandem com o inenarrável Delille. Razões? Ninguém sabe publicamente. Araújo disse que não é "despedível" deixando a ideia que saiu por sua iniciativa. Porquê? Discordâncias em relação à estratégia de defesa. Huummm...que estratégia de defesa? Negar tudo, sempre, contra todas as evidências? Não é isto. Será outra coisa e a única coisa é a articulação do arguido com o partido que o acolheu, única defesa que pode de algum modo resultar.
Sem o PS, José Sócrates está condenado em pena de prisão. É inevitável, porque os factos são tantos que basta um deles para o meter lá dentro dez anos, pelo menos.
Então surge outro facto: a Relação de Lisboa não autorizou a divulgação pelos assistentes do processo Marquês do conteúdo das escutas ditas "políticas", as que envolvem conversas de José Sócrates a propósito do PS, eventualmente Costa e afins.
Se Sócrates falou sobre Costa ou Galamba estes já sabem o que disse. Araújo também sabe...
A seguir a isto, o PS reuniu conclave. E saiu o que agora se assiste.
Vamos saber quem foram os enriquecidos no PS de Sócrates? Bora lá...
Por mim tenho já vários nomes na calha a quem saiu a sorte grande por serem apaniguados do PS. O maior deles é Jorge Coelho, o manhoso de Contenças.
Entretanto, o Tribunal da Relação de Lisboa deu mais uma bofetada jurídica na defesa à moda de Delille:
O Tribunal da Relação de Lisboa rejeitou o recurso da defesa de José Sócrates que pedia a nulidade da decisão de juntar os processos Monte Branco, Universo BES e PPP ao processo da Operação Marquês, escreve a agência Lusa.
Por outro lado anda aí a especulação acerca dos motivo do PS actual ter tirado um tapete confortável que até agora tinha garantido a José Sócrates.
Quando surge a interrogação podemos sempre especular, também.
Em primeiro lugar surgiu a notícia do afastamento do advogado Araújo, da defesa que fazia em tandem com o inenarrável Delille. Razões? Ninguém sabe publicamente. Araújo disse que não é "despedível" deixando a ideia que saiu por sua iniciativa. Porquê? Discordâncias em relação à estratégia de defesa. Huummm...que estratégia de defesa? Negar tudo, sempre, contra todas as evidências? Não é isto. Será outra coisa e a única coisa é a articulação do arguido com o partido que o acolheu, única defesa que pode de algum modo resultar.
Sem o PS, José Sócrates está condenado em pena de prisão. É inevitável, porque os factos são tantos que basta um deles para o meter lá dentro dez anos, pelo menos.
Então surge outro facto: a Relação de Lisboa não autorizou a divulgação pelos assistentes do processo Marquês do conteúdo das escutas ditas "políticas", as que envolvem conversas de José Sócrates a propósito do PS, eventualmente Costa e afins.
Se Sócrates falou sobre Costa ou Galamba estes já sabem o que disse. Araújo também sabe...
A seguir a isto, o PS reuniu conclave. E saiu o que agora se assiste.
A revolta provisória do PS...
Sapo24:
Em declarações à imprensa esta manhã, Carlos César confirmou o pedido de desfiliação de José Sócrates do partido, uma decisão "assumida de forma responsável" e um "direito" que cabe ao antigo primeiro-ministro.
Nesta comunicação, que não teve direito a perguntas, o líder da bancada parlamentar do PS, salientou que o PS se orgulha do contributo do partido ao longo de toda a história democrática do país e salientou que José Sócrates deixou "uma marca muito positiva como primeiro-ministro, num período em que o país alcançou progressos e resultados assinaláveis".
Sobre a alegada mudança de atitude do partido relativamente a José Sócrates, principal arguido da Operação Marquês, Carlos César salienta que o PS "não mudou a sua avaliação numa questão fundamental: a separação do que é da justiça e do que é da política".
Todavia, reiterou uma ideia já transmitida ontem de que "se se confirmarem as suspeitas e acusações" que envolvem representantes políticos, o sentimento dos portugueses é "compreensivamente" de "entristecimento" e "revolta".
O truque deste PS é sempre o mesmo: iludir as pessoas em geral que votam porque a alternativa é sempre apresentada como sendo pior. Afinal a austeridade é culpa de quem a aplica e para simplórios será sempre assim. Para tal, basta ao PS acenar com a ideia de esquerda, dos pobres e desvalidos que a direita quer prejudicar mais e está no papo, o resultado eleitoral.
Enquanto este truque durar, o PS será uma excepção à escala europeia onde as pessoas já perceberam o logro de um partido de oportunistas, essencialmente.
Portanto, se estes factos se vierem a comprovar, com trânsito em julgado, claro está e por isso daqui a alguns anos, a revolta passa a efectiva, mas esquecida.
Para já é provisória, mas eficaz. Dá uma imagem de seriedade e com papas e bolos se enganam tolos.
Entretanto hoje no Jornal de Notícias aparece o anúncio de uma carta de desvinculação, enviada ontem ao PS ( por correio electrónico?).
A publicação é no jornal do prussiano Camões, sempre às ordens e que não sente qualquer espécie de vergonha . Para quê? A vergonha não dá de comer...
É pena que o actual director do Diário de Notícias, Ferreira Fernandes, já não escreva editoriais. Sempre poderíamos saber se sente alguma vergonha. Por exemplo, do último editorial, sei lá!
Em declarações à imprensa esta manhã, Carlos César confirmou o pedido de desfiliação de José Sócrates do partido, uma decisão "assumida de forma responsável" e um "direito" que cabe ao antigo primeiro-ministro.
Nesta comunicação, que não teve direito a perguntas, o líder da bancada parlamentar do PS, salientou que o PS se orgulha do contributo do partido ao longo de toda a história democrática do país e salientou que José Sócrates deixou "uma marca muito positiva como primeiro-ministro, num período em que o país alcançou progressos e resultados assinaláveis".
Sobre a alegada mudança de atitude do partido relativamente a José Sócrates, principal arguido da Operação Marquês, Carlos César salienta que o PS "não mudou a sua avaliação numa questão fundamental: a separação do que é da justiça e do que é da política".
Todavia, reiterou uma ideia já transmitida ontem de que "se se confirmarem as suspeitas e acusações" que envolvem representantes políticos, o sentimento dos portugueses é "compreensivamente" de "entristecimento" e "revolta".
O truque deste PS é sempre o mesmo: iludir as pessoas em geral que votam porque a alternativa é sempre apresentada como sendo pior. Afinal a austeridade é culpa de quem a aplica e para simplórios será sempre assim. Para tal, basta ao PS acenar com a ideia de esquerda, dos pobres e desvalidos que a direita quer prejudicar mais e está no papo, o resultado eleitoral.
Enquanto este truque durar, o PS será uma excepção à escala europeia onde as pessoas já perceberam o logro de um partido de oportunistas, essencialmente.
Portanto, se estes factos se vierem a comprovar, com trânsito em julgado, claro está e por isso daqui a alguns anos, a revolta passa a efectiva, mas esquecida.
Para já é provisória, mas eficaz. Dá uma imagem de seriedade e com papas e bolos se enganam tolos.
Entretanto hoje no Jornal de Notícias aparece o anúncio de uma carta de desvinculação, enviada ontem ao PS ( por correio electrónico?).
A publicação é no jornal do prussiano Camões, sempre às ordens e que não sente qualquer espécie de vergonha . Para quê? A vergonha não dá de comer...
É pena que o actual director do Diário de Notícias, Ferreira Fernandes, já não escreva editoriais. Sempre poderíamos saber se sente alguma vergonha. Por exemplo, do último editorial, sei lá!
José Sócrates, vítima, mais uma vez.
Ontem, no PS:
Hoje, no mesmo PS:
José Sócrates escreveu uma carta ao PS e decidiu entregar o cartão de militante, deixando o partido depois de vários dirigentes socialistas — incluindo António Costa — terem assumido publicamente desconforto com o caso judicial que o envolve.
Num artigo de opinião publicado na edição desta sexta-feira do Jornal de Notícias, o ex-primeiro-ministro escreve que “é chegado o momento de pôr fim a este embaraço mútuo”, para justificar a sua decisão. Sócrates refere-se às várias declarações das últimas horas feitas por alguns socialistas ligados à atual direção do partido como “uma espécie de condenação sem julgamento”.
José Sócrates afirma-se mais uma vez vítima de uma condenação sem julgamento, coitado.
Já foi acusado, já se defendeu e agora o Partido que lhe permitiu aforrar vidinha de grande rico às custas de amigo pródigo até dizer basta que já ninguém acredita na farsa, condenou-o politicamente.
Claro, com os pós docs e mestre em aldrabice acabada, já misturou as duas realidades, a judicial e a política. E com isso vai continuando a enganar porque é daqueles indivíduos cuja realidade o ultrapassa. Acredita nas próprias verdades como se de mentiras se tratasse. É por isso que se vitimiza.
Um caso patológico que não se sabe onde irá parar. Enquanto durar a massa, vida doçura. De onde ela vem é um mistério que pelos vistos ninguém quer ver. O dinheiro não fala...
Hoje, no mesmo PS:
José Sócrates escreveu uma carta ao PS e decidiu entregar o cartão de militante, deixando o partido depois de vários dirigentes socialistas — incluindo António Costa — terem assumido publicamente desconforto com o caso judicial que o envolve.
Num artigo de opinião publicado na edição desta sexta-feira do Jornal de Notícias, o ex-primeiro-ministro escreve que “é chegado o momento de pôr fim a este embaraço mútuo”, para justificar a sua decisão. Sócrates refere-se às várias declarações das últimas horas feitas por alguns socialistas ligados à atual direção do partido como “uma espécie de condenação sem julgamento”.
José Sócrates afirma-se mais uma vez vítima de uma condenação sem julgamento, coitado.
Já foi acusado, já se defendeu e agora o Partido que lhe permitiu aforrar vidinha de grande rico às custas de amigo pródigo até dizer basta que já ninguém acredita na farsa, condenou-o politicamente.
Claro, com os pós docs e mestre em aldrabice acabada, já misturou as duas realidades, a judicial e a política. E com isso vai continuando a enganar porque é daqueles indivíduos cuja realidade o ultrapassa. Acredita nas próprias verdades como se de mentiras se tratasse. É por isso que se vitimiza.
Um caso patológico que não se sabe onde irá parar. Enquanto durar a massa, vida doçura. De onde ela vem é um mistério que pelos vistos ninguém quer ver. O dinheiro não fala...
quinta-feira, maio 03, 2018
Olha: o Costa também falou...
Observador:
O primeiro-ministro afirmou que em Portugal ninguém está acima da lei e que, “a confirmarem-se” as suspeitas de corrupção nas políticas de energia por membros do Governo de José Sócrates, será “uma desonra para a democracia”.
Evidentemente que o PS combinou uma estratégia de absorção do impacto das últimas notícias sobre o caso do Marquês.
Não obstante, o habilidoso Costa pretende conciliar o inconciliável: o que disse o inenarrável Arons, professor de jornalismo segundo costa e que remeteu para a Justiça todas as despesas dos factos conhecidos e o que disseram agora dois encornados sobre os mesmos factos: que são uma vergonha para o PS. São, agora, note-se! Não precisam que o sistema de justiça o confirme. Costa espera por isso mas admite a vergonha se o forem. Enquanto o pau vai e vem, Costa vai folgando.
A manhosice de Costa, neste aspecto vai sair cara porque lhe vão assacar o custo. E é bem feito.
Deixa ver o que vai dizer o queijeiro de Contenças, logo na SIC. Aposto que repete a ladainha manhosa. [aditamento às 00:40 de 4.5- já disse e repetiu a ladainha manhosa porque é outro manhoso. Enriqueceu por causa de ser do PS e de ter sido ministro...mas ninguém lhe disse isso nas trombas, ali mesmo].
Alguém lhe perguntou onde arranjou os milhões, ele que era um pindérico no tempo do sindicalista Janeiro, da UGT?
O primeiro-ministro afirmou que em Portugal ninguém está acima da lei e que, “a confirmarem-se” as suspeitas de corrupção nas políticas de energia por membros do Governo de José Sócrates, será “uma desonra para a democracia”.
Se essas ilegalidades se vierem a confirmar, serão certamente uma desonra para a nossa democracia. Mas se não se vierem a confirmar é a demonstração que o nosso sistema de justiça funciona”, respondeu António Costa.António Costa assumiu esta posição na conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, após ter sido confrontado com os casos judiciais que envolvem antigo ministro Manuel Pinho e o antigo chefe de Governo socialista José Sócrates.
Evidentemente que o PS combinou uma estratégia de absorção do impacto das últimas notícias sobre o caso do Marquês.
Não obstante, o habilidoso Costa pretende conciliar o inconciliável: o que disse o inenarrável Arons, professor de jornalismo segundo costa e que remeteu para a Justiça todas as despesas dos factos conhecidos e o que disseram agora dois encornados sobre os mesmos factos: que são uma vergonha para o PS. São, agora, note-se! Não precisam que o sistema de justiça o confirme. Costa espera por isso mas admite a vergonha se o forem. Enquanto o pau vai e vem, Costa vai folgando.
A manhosice de Costa, neste aspecto vai sair cara porque lhe vão assacar o custo. E é bem feito.
Deixa ver o que vai dizer o queijeiro de Contenças, logo na SIC. Aposto que repete a ladainha manhosa. [aditamento às 00:40 de 4.5- já disse e repetiu a ladainha manhosa porque é outro manhoso. Enriqueceu por causa de ser do PS e de ter sido ministro...mas ninguém lhe disse isso nas trombas, ali mesmo].
Alguém lhe perguntou onde arranjou os milhões, ele que era um pindérico no tempo do sindicalista Janeiro, da UGT?
Os frutos podres de Maio de 1968 numa outra visão histórica
Nem toda a informação sobre Maio de 68 segue o habitual guião da esquerda, como por cá aconteceu nas publicações citadas.
Em França a revista Valeurs Actuelles de uma direita que não se envergonha de o ser, como por cá nem existe, publicou estas páginas sobre o assunto que mostra outra visão do fenómeno.
Por cá o pensamento único de uma esquerda sem alternativa deu o tom e fixou o modo da discussão: utopia, sonho e praias sob a calçada. A mentalidade do "e tudo era possível"...que reapareceu por cá, naquela manhã de Abril de 1974. Para que não haja dúvidas é ler aqui, o artigo de Villaverde Cabral que nada esqueceu da "utopia" e do tempo em que lá esteve:
Neste sentido, o movimento foi e permanece «absolutamente moderno», para usar a frase de Rimbaud, representando uma actualização dos quadros mentais das sociedades mais desenvolvidas de então. Aquilo a que se pode chamar uma auto-presentificação da sociedade.
É a contestação de todos poderes autoritários, desde a família e a escola à política e à guerra, que une os estudantes e os jovens trabalhadores que, ao começarem a ocupar espontaneamente as fábricas depois dos acontecimentos de Nanterre e de Paris, forçaram o partido comunista e a sua central sindical a paralisar a França durante três semanas, criando assim uma «estrutura de oportunidade» para o alastramento da vaga anti-autoritária ao resto da Europa e ao Oriente, acabando por abalar de forma ainda maior os regimes ditatoriais, como a Checoslováquia e a Polónia, do que os liberais. Embora nos antípodas da modernidade de Maio, até a chamada «revolução cultural chinesa» e os «movimentos de libertação» do Terceiro Mundo convergiram para aprofundar as fissuras entre as elites mundiais dominantes.
Os pensadores desta vaga de contestação encontravam-se na margem da filosofia e das ciências sociais da época: Herbert Marcuse e Jean Baudrillard, com as suas denúncias da «sociedade de consumo»; o antigo grupo de «Socialisme ou Barbarie» (Castoriadis, Lefort, Lyotard), com a sua crítica às burocracias e ao «socialismo real»; o subverviso Guy Debord, com o seu desvendamento da «sociedade do espectáculo»; sem esquecer os filmes premonitórios de Jean-Luc Godard: Weekend e La chinoise, ambos realizados em 1967, fazendo da arte política sem ideologia.
Gostei particularmente da "presentificação", para além do "desvendamento", claro...
De facto, na Educação os frutos podres de Maio de 1968 continuam a empestar a Escola e ninguém diz que o rei vai nu e o ministro é um perfeito imbecil que até para falar em público carece de fichas preparadas por outros. Portanto, um bom exemplo do Maio de 68.
Não tem que ser assim e efectivamente não é o desejável.
Em França a revista Valeurs Actuelles de uma direita que não se envergonha de o ser, como por cá nem existe, publicou estas páginas sobre o assunto que mostra outra visão do fenómeno.
Por cá o pensamento único de uma esquerda sem alternativa deu o tom e fixou o modo da discussão: utopia, sonho e praias sob a calçada. A mentalidade do "e tudo era possível"...que reapareceu por cá, naquela manhã de Abril de 1974. Para que não haja dúvidas é ler aqui, o artigo de Villaverde Cabral que nada esqueceu da "utopia" e do tempo em que lá esteve:
Neste sentido, o movimento foi e permanece «absolutamente moderno», para usar a frase de Rimbaud, representando uma actualização dos quadros mentais das sociedades mais desenvolvidas de então. Aquilo a que se pode chamar uma auto-presentificação da sociedade.
É a contestação de todos poderes autoritários, desde a família e a escola à política e à guerra, que une os estudantes e os jovens trabalhadores que, ao começarem a ocupar espontaneamente as fábricas depois dos acontecimentos de Nanterre e de Paris, forçaram o partido comunista e a sua central sindical a paralisar a França durante três semanas, criando assim uma «estrutura de oportunidade» para o alastramento da vaga anti-autoritária ao resto da Europa e ao Oriente, acabando por abalar de forma ainda maior os regimes ditatoriais, como a Checoslováquia e a Polónia, do que os liberais. Embora nos antípodas da modernidade de Maio, até a chamada «revolução cultural chinesa» e os «movimentos de libertação» do Terceiro Mundo convergiram para aprofundar as fissuras entre as elites mundiais dominantes.
Os pensadores desta vaga de contestação encontravam-se na margem da filosofia e das ciências sociais da época: Herbert Marcuse e Jean Baudrillard, com as suas denúncias da «sociedade de consumo»; o antigo grupo de «Socialisme ou Barbarie» (Castoriadis, Lefort, Lyotard), com a sua crítica às burocracias e ao «socialismo real»; o subverviso Guy Debord, com o seu desvendamento da «sociedade do espectáculo»; sem esquecer os filmes premonitórios de Jean-Luc Godard: Weekend e La chinoise, ambos realizados em 1967, fazendo da arte política sem ideologia.
Gostei particularmente da "presentificação", para além do "desvendamento", claro...
De facto, na Educação os frutos podres de Maio de 1968 continuam a empestar a Escola e ninguém diz que o rei vai nu e o ministro é um perfeito imbecil que até para falar em público carece de fichas preparadas por outros. Portanto, um bom exemplo do Maio de 68.
Não tem que ser assim e efectivamente não é o desejável.
João Abel Manta, artista comunista
Pedro Marques, autor do livro dedicado a João Abel Manta, lançado pelo Público em 2016, na colecção de designers portugueses, escreveu este artigo no Público de hoje sobre o mesmo João Abel Manta.
JAM é um artista comunista cuja obra admiro. É um desenhador de eleição e um dos melhores de sempre, em Portugal.
Os temas são quase sempre o fassismo, Salazar, o antigo regime e o capitalismo que execra particularmente. Não importa porque os desenhos fazem esquecer a temática.
Em 2016, o autor do artigo publicou um pequeno portfolio da obra do artista:
Em 1975, com o aparecimento do primeiro número de O Jornal, em 2 de Maio desse ano, começou a publicação de desenhos e cartoons do artista nas páginas das publicações O Jornal.
Nesse ano O Jornal publicou um album de recolha de desenhos, caricaturas e cartoons antigos, de João Abel Manta, praticamente desde 1969 até essa data .
A obra está esgotada há muito.
Para perceber até onde chega o sectarismo político-ideológico, aqui irmanado com o génio artístico fica este exemplo de um livro que não tem falta deles. Praticamente cada desenho é uma ode ao sectarismo comunista.
Em 1976 os alemães tomaram em conta a mensagem e os desenhos e publicaram na terra deles este álbum que por cá nem apareceu e que tem na capa um dos mais célebres desenhos de JAM desse tempo:
Em 1978 as mesmas publicações O Jornal lançaram a obra que aquele Pedro Marques agora refere como sendo digna de republicação.
Esta recolha de 1978 é tão sectária quanto a anterior mas igualmente genial nos desenhos.
Vinha originalmente acondicionada num invólucro de cartão grosso de cor parda e chama-se Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar. Pode ser visto como uma homenagem do vício à virtude...
JAM é um artista comunista cuja obra admiro. É um desenhador de eleição e um dos melhores de sempre, em Portugal.
Os temas são quase sempre o fassismo, Salazar, o antigo regime e o capitalismo que execra particularmente. Não importa porque os desenhos fazem esquecer a temática.
Em 2016, o autor do artigo publicou um pequeno portfolio da obra do artista:
Em 1975, com o aparecimento do primeiro número de O Jornal, em 2 de Maio desse ano, começou a publicação de desenhos e cartoons do artista nas páginas das publicações O Jornal.
Nesse ano O Jornal publicou um album de recolha de desenhos, caricaturas e cartoons antigos, de João Abel Manta, praticamente desde 1969 até essa data .
A obra está esgotada há muito.
Para perceber até onde chega o sectarismo político-ideológico, aqui irmanado com o génio artístico fica este exemplo de um livro que não tem falta deles. Praticamente cada desenho é uma ode ao sectarismo comunista.
Em 1976 os alemães tomaram em conta a mensagem e os desenhos e publicaram na terra deles este álbum que por cá nem apareceu e que tem na capa um dos mais célebres desenhos de JAM desse tempo:
Em 1978 as mesmas publicações O Jornal lançaram a obra que aquele Pedro Marques agora refere como sendo digna de republicação.
Esta recolha de 1978 é tão sectária quanto a anterior mas igualmente genial nos desenhos.
Vinha originalmente acondicionada num invólucro de cartão grosso de cor parda e chama-se Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar. Pode ser visto como uma homenagem do vício à virtude...
quarta-feira, maio 02, 2018
A vergonha do PS, em crescendo e ao retardador
Sol:
João Galamba diz que a “vergonha” admitida por Carlos César em relação aos casos que envolvem Manuel Pinho e José Sócrates “é o sentimento de qualquer socialista”. E diz mesmo que “o partido está muito incomodado”.
“É algo que envergonha qualquer socialista”, afirmou esta noite João Galamba na SIC Notícias num comentário sobre os casos que envolvem José Sócrates e Manuel Pinho. Depois de Carlos César ter admitido sentir “vergonha” pelas suspeitas que envolvem Pinho e Sócrates, Galamba vem agora dizer que esse “é o sentimento de qualquer socialista” perante os processos que envolvem estes ex-governantes socialistas.
Este Galamba descobriu agora a vergonha. Será que também se envergonha disto ou é apenas a farsa habitual?
João Galamba diz que a “vergonha” admitida por Carlos César em relação aos casos que envolvem Manuel Pinho e José Sócrates “é o sentimento de qualquer socialista”. E diz mesmo que “o partido está muito incomodado”.
“É algo que envergonha qualquer socialista”, afirmou esta noite João Galamba na SIC Notícias num comentário sobre os casos que envolvem José Sócrates e Manuel Pinho. Depois de Carlos César ter admitido sentir “vergonha” pelas suspeitas que envolvem Pinho e Sócrates, Galamba vem agora dizer que esse “é o sentimento de qualquer socialista” perante os processos que envolvem estes ex-governantes socialistas.
Este Galamba descobriu agora a vergonha. Será que também se envergonha disto ou é apenas a farsa habitual?
Já há dois envergonhados no PS...
Depois de Ana Gomes, Carlos César, no PS.
Observador:
Carlos César, líder parlamentar e presidente do PS, assumiu esta quarta-feira que o partido sente “vergonha” das suspeitas de corrupção que recaem sobre Manuel Pinho, mas, e sobretudo, do caso que envolve José Sócrates e a acusação que sustenta a Operação Marquês. “A vergonha até é maior porque era primeiro-ministro”, reconheceu o socialista.
Ainda vai demorar muito até se cobrirem todos de vergonha.
Observador:
Carlos César, líder parlamentar e presidente do PS, assumiu esta quarta-feira que o partido sente “vergonha” das suspeitas de corrupção que recaem sobre Manuel Pinho, mas, e sobretudo, do caso que envolve José Sócrates e a acusação que sustenta a Operação Marquês. “A vergonha até é maior porque era primeiro-ministro”, reconheceu o socialista.
Ainda vai demorar muito até se cobrirem todos de vergonha.
O Maio de 68 em França foi obra do vento
Pacheco Pereira, um tempo biógrafo do comunismo português em três tomos, concede hoje uma entrevista ao i para comemorar os 50 anos do início do Maio de 68 em França.
A entrevista é interessante porque relata o ponto de vista de um antigo militante da extrema-esquerda m-l perante tais acontecimentos.
Ao ler a entrevista surpreendemos a afirmação de que " as organizações marxistas-leninistas mais ortodoxas eram contra o Maio de 68, As que existiam antes".
Falando de Portugal as que existiam antes eram as dissidentes do PCP, que tinham saído em oposição ao abandono do internacionalismo proletário, como fora o caso da FAP de um tal Martins Rodrigues. Eram mais comunistas que os comunistas porque queriam o comunismo em todo o lado e mais além.
Portanto, estes ficam de fora dos apoiantes de Maio de 68. E os comunistas tradicionais, como o PCP e o PCF? Também. E então os PC de P ( m-l) de que Pacheco Pereira era militante clandestino, mais a OCMLP e depois o MRPP gritavam ao povo que o Maio de 68 era uma revolução burguesa.
Assim, devemos concluir que o Maio de 68 não teve mão comunista, nem de perto nem de longe. Se ainda por cima soubermos que os anarquistas antigos que em Portugal tentaram matar Salazar, desfizeram a traquitana política precisamente nesse ano, estamos perante um problema transcendental: afinal de onde veio o Maio de 68?
Pacheco Pereira, historiador nas horas vagas tenta explicar: a coisa não pode dissociar-se do que acontecia na América por essa altura, com a guerra no Vietname; os resquícios da guerra na Argélia, quase dez anos antes ou as "lutas no Terceiro Mundo", em Cuba, com o "comandante" Che Guevara e também a Revolução Cultural Chinesa e ainda os acontecimentos na Hungria, em 1956.
Ora isto é que é uma amálgama formidável! Até admira que Pacheco não meta o Concílio Varicano II ao barulho...
Todos esses fenómenos tiveram inspiração marxista, ortodoxa ou não. Mesmo assim, aqueles m-l da estimação de Pacheco, ficam de fora da carruagem histórica que parou em Paris, durante o mês de Maio de 68, na estação Sorbonne e outras localidades francesas. Os comunistas ortodoxos que não embarcavam em aventuras, ao contrário daqueles, também não iam na carruagem.
Segundo a análise de Pacheco Pereira, o Maio de 68 foi assim algo incompreensível e por isso o mesmo o não compreendeu...e quem não compreende as coisas não as sabe explicar bem. O trotskismo nunca existiu porque os lambertistas não queriam nada com as pedras da calçada do Quartier Latin.
Se formos ver bem, segundo Pacheco, talvez tenha sido obra dos Weathermen americanos, esses perigosíssimos meteorologistas que anunciavam a mudança dos ventos.
Mas afinal, quem se admira disto? Alguma vez Pacheco Pereira explicou algo com meridiana clarividência? Não é assim em todas as perlengas sobre seja o que for?
Se formos ver bem quem eram os m-l e outros ortodoxos mais ortodoxos que os da ortodoxia, reparamos em nomes que sentem agora a filiação bastarda no Maio de 68. Mas não conhecem os pais, sendo apenas uns filhos da mãe.
Visão de 24.3.2013:
Bem como não é por aqui que aprendemos alguma coisa, resta ler o que se publica em França.
Marianne, última edição:
A entrevista é interessante porque relata o ponto de vista de um antigo militante da extrema-esquerda m-l perante tais acontecimentos.
Ao ler a entrevista surpreendemos a afirmação de que " as organizações marxistas-leninistas mais ortodoxas eram contra o Maio de 68, As que existiam antes".
Falando de Portugal as que existiam antes eram as dissidentes do PCP, que tinham saído em oposição ao abandono do internacionalismo proletário, como fora o caso da FAP de um tal Martins Rodrigues. Eram mais comunistas que os comunistas porque queriam o comunismo em todo o lado e mais além.
Portanto, estes ficam de fora dos apoiantes de Maio de 68. E os comunistas tradicionais, como o PCP e o PCF? Também. E então os PC de P ( m-l) de que Pacheco Pereira era militante clandestino, mais a OCMLP e depois o MRPP gritavam ao povo que o Maio de 68 era uma revolução burguesa.
Assim, devemos concluir que o Maio de 68 não teve mão comunista, nem de perto nem de longe. Se ainda por cima soubermos que os anarquistas antigos que em Portugal tentaram matar Salazar, desfizeram a traquitana política precisamente nesse ano, estamos perante um problema transcendental: afinal de onde veio o Maio de 68?
Pacheco Pereira, historiador nas horas vagas tenta explicar: a coisa não pode dissociar-se do que acontecia na América por essa altura, com a guerra no Vietname; os resquícios da guerra na Argélia, quase dez anos antes ou as "lutas no Terceiro Mundo", em Cuba, com o "comandante" Che Guevara e também a Revolução Cultural Chinesa e ainda os acontecimentos na Hungria, em 1956.
Ora isto é que é uma amálgama formidável! Até admira que Pacheco não meta o Concílio Varicano II ao barulho...
Todos esses fenómenos tiveram inspiração marxista, ortodoxa ou não. Mesmo assim, aqueles m-l da estimação de Pacheco, ficam de fora da carruagem histórica que parou em Paris, durante o mês de Maio de 68, na estação Sorbonne e outras localidades francesas. Os comunistas ortodoxos que não embarcavam em aventuras, ao contrário daqueles, também não iam na carruagem.
Segundo a análise de Pacheco Pereira, o Maio de 68 foi assim algo incompreensível e por isso o mesmo o não compreendeu...e quem não compreende as coisas não as sabe explicar bem. O trotskismo nunca existiu porque os lambertistas não queriam nada com as pedras da calçada do Quartier Latin.
Se formos ver bem, segundo Pacheco, talvez tenha sido obra dos Weathermen americanos, esses perigosíssimos meteorologistas que anunciavam a mudança dos ventos.
Mas afinal, quem se admira disto? Alguma vez Pacheco Pereira explicou algo com meridiana clarividência? Não é assim em todas as perlengas sobre seja o que for?
Se formos ver bem quem eram os m-l e outros ortodoxos mais ortodoxos que os da ortodoxia, reparamos em nomes que sentem agora a filiação bastarda no Maio de 68. Mas não conhecem os pais, sendo apenas uns filhos da mãe.
Visão de 24.3.2013:
Bem como não é por aqui que aprendemos alguma coisa, resta ler o que se publica em França.
Marianne, última edição:
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