segunda-feira, 8 de junho de 2009

Homem rico, homem pobre...

Público online:

O antigo Conselheiro de Estado, Dias Loureiro, não tem bens em seu nome que permitam um possível arresto dos mesmos no âmbito das investigações das autoridades ao caso Banco Português de Negócios (BPN).
A notícia é avançada na edição de hoje do Correio da Manhã com o diário a adiantar que sabe que o ex-administrador da SLN – e braço-direito de Oliveira e Costa no banco – escapou à penhora, depois de os investigadores terem analisado minuciosamente o seu património.
Segundo o jornal, os imóveis de Dias Loureiro estão registados em nome de familiares ou pertencem a sociedades sedeadas em paraísos fiscais.
As contas bancárias que tem em seu nome, por outro lado, possuem saldos médios que não ultrapassam os cinco mil euros.
Sempre suspeitei de Dias Loureiro como sendo personagem de ficção. A realidade, porém, é ainda mais estranha: afinal o poderoso, revela-se modesto; o ricalhaço é de facto um pobre; o espírito devorista, tantas vezes atribuido, traveste no fim de contas, um ente de generosidade insuspeita e desprendimento material assinalável.
Dias Loureiro é a prova acabada de que as aparências bem iludem. Na política, afinal, o que parece não é e a modéstia requintada assume foros inauditos.
Afinal, o rico nunca foi ele: sê-lo-ão os familiares e amigos, quando muito e mesmo assim, a carecer de ónus de prova que infirme as regras de Direito registral.
Dias Loureiro prova, afinal, um altruísmo de monge, na demonstração de que tudo o que teria, afinal, pertencer a outrém.
A contradição adensada no jornal , sobre "os imóveis de Dias Loureiro", afinal é um eufemismo do desprendimento franciscano. Serão de outrém, não se conhecendo de quem, na boa tradição de cristã de não alardear caridade.
Ainda que continuem a ser vistos da sua esfera de poder, estão-lhe desprendidos dos pertences, como as créditos pendentes das execuções vazias...
Os dinheiros e contas bancárias de Dias Loureiro, afinal, são outra miragem: não existem e as que existem são de pobretanas que nem dão para mandar cantar um cego de esquina.
Dias Loureiro, afinal, é mais pobre que um pobre francicano. O disfarce de rico, serve-lhe apenas para reforçar o valor da virtude, porque a sua mão esquerda nem imagina o que a direita faz, na melhor tradição cristã da pobreza, humildade e temperança.
Modéstia aparte, agora que se conhece o valor da virtude, deve reconhecer-se-lhe o valor de exemplo.
Dias Loureiro, afinal, é um modelo de cidadão português e a gente só agora o descobre, na sua verdadeira vertente...
ADITAMENTO, em 9.6.09:
Ora bolas! Dias Loureiro desmentiu a sua condição, ao saber da notícia ( originalmente do Correio da Manhã). Disse agora que esta "é a coisa mais grave que sobre ele disseram", desde que dura o processo BPN.
Portanto, Dias Loureiro será DL, o nome de uma empresa que é a detentora dos bens- imóveis, é bom que se diga, porque os móveis tipo contas em dinheiro, esses, continuam...cá dentro. "Não tenho nada fora", esclareceu DL. Ou seja, Dias Loureiro. E não terá, porque a palavra de Dias Loureiro vale a honra de quem a profere.
Mas ainda assim, continua a ser muito difícil de lhe desfazer a aura de virtude. A empresa DL não se confunde com o nome Dias Loureiro e como é uma empresa por quotas, da qual este detém menos de metade, a verdade é apenas que Dias Loureiro é proprietário de uma quota na DL. Os bens, esses, são mesmo da DL...
Portanto, Dias Loureiro tem a condição de sócio de DL. Minoritário. Sem poder. Sem bens. Pobre, portanto.
Não se entende muito bem, por isso, o desmentido.

30 comentários:

Ricciardi disse...

Dias Loureiro fez o que lhe competia fazer e que é imperioso fazer... a Justiça é que funciona mal... primeiro penhora e depois, muito muito depois é que julga as pessoas. Ninguém de bom senso está para isso; sim, ficar toda a vida com os bens penhorados á espera de uma decisão de juiz na próxima decada...não cabe na cabeça de ninguém. Mais a mais as penhoras hoje em dia são efectuadas com intuitos diferentes do que deveria ser, i.é., uma garantia; hoje os procedimentos de penhora são instrumentos de descredibilizar, humilhar com remoções acompanhadas pelos meios de comunicação etc e tal. Mais, se ao menos a justiça desse ás pessoas (que são presumivelmente inocentes) a possibilidade de prestar garantia bancaria antes das iniciativas secretas de penhoras e arrestos, metade das pessoas que fogem com os bens deixavam de o fazer. É apenas uma questão de dignidade das pessoas que a justiça não sabe lidar.

RB

Portanto

josé disse...

Caro JB:

Quem coloca os bens ao fresco, é porque teme que lhos apanhem.

Só lhos apanharão no caso de tal ser de Justiça, ou seja, no caso de quem os tem, dever repor o que de algum modo retirou...

Logo, essa lógica da dignidade das pessoas tem muito que se lhe diga.

Ricciardi disse...

Caro Jose,

Quem coloca os bens ao fresco também pode ser quem, sendo inocente, não quer estar impossibilitado de os poder transacionar naturalmente, nem estar sujeito á (in)Justiça que infelizmente grassa em portugal, tão-pouco estar impossibilitado de 'mexer' no próprio património sem um sentença da Justiça. Entre a decisão e os recursos pode ficar-se anos nos corredores dos tribunais amontoados nas secretarias, e com as sucessivas e ardilosas medidas dilatórias dos advogados, sem poder transacionar os nossos proprios bens.

E depois chega-se ao fim, e diz-se: pá desculpa lá qualquer coisinha, porque a menos que haja negligencia grosseira, não estou a ver que uma indeminização seja neste país de valor compensador ao dano causado.

Isto faz-me lembrar as medidas do fisco... hoje resolvem penhorar de uma forma massiva e ad hoc, aproveitando exactamente o sistema judicial, e pronto... espera-se anos a fio que um qualquer tribunal decida a contenda. Estes (o fisco)pelo menos dão-nos a oportunidade de prestar voluntáriamente uma garantia... agora nos casos civis, penhora e depois é notificado que existe um processo.

Desculpa José mas isto não é digno nem dignifica a presunção de inocencia, principalemente o nosso bom nome que é arrastado por um sem numero de organismos (pautas publicas, empresas de scoring, bancos, etc) que enxovalham um qualquer desgraçado, e que fazem não raras vezes um alerta para a sociedade injusto, que estraga por completo a credibilidade da pessoa e dos seus eventuais negócios.



RB

Ruvasa disse...

Viva, José!

Não é verdade que o homem sempre afirmou para quem o quis ouvir, designadamente a Comissão de Inquérito, que nada tinha ver com tudo o que por aí se diz que tem?

Afinal, sempre tinha razão.

Se tivesse que ver, certamente que estaria rico, cheio de contas bancárias bem recheadas.

Como não tem, ao menos tem a razão por si e consigo.

Se um dia me aparecer pela frente, a pedir-me que que lhe faça um empréstimo, para pagar a conta da água, evidentemente que não hesitarei em conceder-lho.

Pois...

Ruben

Panurgo disse...

"Dias Loureiro, afinal, é mais pobre que um pobre francicano. O disfarce de rico, serve-lhe apenas para reforçar o valor da virtude, porque a sua mão esquerda nem imagina o que a direita faz, na melhor tradição cristã da pobreza, humildade e temperança."

ahahahaha, está muito bom isto, José.

(por falar em ricalhaços bons "cristões", como diz a zazie - que é feito do Paulo Teixeira Pinto?)

josé disse...

O Teixeira Pinto ainda anda por aí a curar as feridas do cilício.

É da Causa Monárquica...

Outro que ascendeu socialmente através de um atitude cavaquista e uma presença hipócrita.

Felizmente, parece que lhe passou.

Panurgo disse...

As voltas que essa personagem, uma das minhas favoritas, dá: ainda há pouco tempo andava a pagar jantares no Zoológico àquele imbecil do Passos Coelho. De liberal a monárquico foi um instantinho.

josé disse...

Com mais de meia dúzia de milhões de euros no bolso, não custa nada fazer seja o que for, a não ser...algo de interessante e que seja útil aos demais.

Veremos, portanto.

Diogo disse...

As amizades são as nossas maiores riquezas. A propósito, o que fazia um desgraçado no Conselho de Estado?

joserui disse...

Não deve existir quem tenha dúvidas sobre Dias loureiro (o PR confirma a regra); se fossem às contas do senhor Sócrates o panorama deve ser muito parecido e tantos outros... Nos tempos deste PR até havia um que tinha dois apartamentos de luxo em nome da doméstica... Quer mais caridade? Mas detesto dar razão ao RB, com (mais) um caso pessoal ou quase:
Conheci uma pessoa que infelizmente foi presa preventivamente três meses. Ao fim desse tempo sem nada substancial mudar no caso excepto o advogado (muito caro), passou de medida de coacção máxima para nenhuma medida de coacção (repito, zero medida de coacção depois de estar preso). Contas congeladas.
O tempo passou, passou, passou -- foi feita prova de todos os valores existentes, muito fácil devido à sua actividade. Contas congeladas. Entretanto, infelizmente faleceu. Contas congeladas. Este caso, contribuiu para que tenha ido desta para melhor mais rapidamente, como é evidente.
Faleceu há mais de dois anos. Contas congeladas.
Dizer que há maçãs podres é muito pouco. Não é nada. Eu considero que é de colocar tudo em causa na justiça. Tudo. A começar pela formação dos juízes, que pelos casos que conheço, não distinguem o cú de um buraco no chão, como dizem os americanos.
Na justiça não há inocentes, colocar os juízes à margem do estado inacreditável a que se chegou é na minha opinião um erro grave. E não é um problema só de política. Há demasiadas maçãs podres. -- JRF

Ricciardi disse...

ó josé rui, quer dizer eu tambem detesto dar-me razão a mim próprio; infelizmente as coisas em portugal funcionam assim na justiça;

Agora se o tipo é sócio de uma sociedade por quotas, então tem património, a própria quota, onde terá o património imobiliário, etc. Mas com este show-off, não me admira nada que tenha já arranjado um advogado e notário(e há muitos a faze-lo) que lhe tenha efectuado uma escritura de cessão de quotas com data anterior, e ainda não registada na conservatória. Mais a mais a tentativa de penhora não tem montante definido... vai tudo o que se encontrar, até o montante correcto ser apurado em juizo... e depois vendido em hasta publica ao desbarato, com a conivencia e lucro dos agentes todos da justiça... enfim.

Nos eua, o caso madof foi rápidamente resolvido na justiça, em 3 meses, as provas foram aduzidas e depois os bens foram apreendidos e a justiça foi feita em tempo útil.

Era tempo de alguns magistrados em portugal, juntamente com todos dirigentes da justiça fossem penhorados preventivamente pelo prejuizo que estão a dar a portugal e ao tecido economico portugues, pelas opções incompetentes e aligeiradas que tomam e pelo tempo que fazem perder para praticar a justiça.

Se tivermos um crédito sobre alguém, devidamente titulado, não se consegue receber em juizo os montantes, ou ter meios para o efeito, em causa sem que passem 5anos, isto se nao houver manobras dilatórias dos advogados. Até lá não podemos deduzir o iva desse processo, nem a totalidade dos montantes em termos de irc. Mais já pagamos o iva e o irc.

Por isso agora está na moda contratar capangas, ao bom estilo italiano e brasileiro, para ver se assim, se consegue recuperar os creditos.

Sabemos que a montanha vai parir um rato... o DL vai ser ilibado de qualquer culpa grave... quando muito por negligência. As autoridades judiciais não sabem conduzir este tipo de processos, nem os percebem tão-pouco... e portanto quem não é burro, aos primeiros sinais de suspeita, ou intriga politico partidaria, o melhor é 'fugir' com todo património e esperar o julgamento daí a uns 10 anos.



RB

hajapachorra disse...

Há coisas que não batem certo. O Público online também diz isto:
«O antigo conselheiro do Presidente da República garante que todos os seus bens estão em nome da sua empresa, a DL, onde detém 96 por cento do capital, com os restantes quatro por cento repartidos pelas suas duas filhas. Segundo o Diário Económico, a empresa é detentora de cerca de 11 milhões de euros de activos e tem 2,8 milhões de euros de capitais próprios. O passivo ascendia, em 2007, a 7,7 milhões de euros. Com lucros de um milhão de euros, a empresa pagou 349 mil euros de impostos. “Todos os anos pago centenas de milhares de euros em impostos em Portugal”, sublinhou Dias Loureiro.

josé disse...

O principal problema na Justiça em Portugal reside nisso que ambos escreveram agora: a incapacidade do sistema responder em tempo oportuno aos credores que sabem ter ainda garantias mas que as perdem por causa destas gigajogas legais.

É aqui, neste sector da Justiça Cível que os problemas são verdadeiramente graves: poucos credores conseguem obter um pagamento tempestivo e com todos os valores em dívida, quando os devedores são deste género dos que colocam os bens ao fresco dos offshores e shores ocultas por écrans familiares...

O que se passa nos créditos de empresas então, é o descalabro.

Tenho um exemplo concreto que se passou com um familiar meu. A sorte dele foi ter de lidar com a Justiça belga porque o devedor era de lá. Se fosse aqui, era a fundo perdido, completamente.

Repito: para mim, é este o principal problema da Justiça em Portugal e o que provoca maiores danos à economia.

josé disse...

hajapachorra:

O que DL diz ou não diz, para mim, já merece o crédito que tem: muito pouco.

O que se passou na AR foi a maior vergonha para uma pessoa assim, mas o tipo, tal como o inginheiro, não tem vergonha na cara.

Por isso, o prefaciador do menino de ouro, está muito bem para o prefaciado.

Que vá enganar outro...

Rebel disse...

Uma perguntinha técnica se não se importam:
No caso de terem existido bens em seu nome, não é possível declarar a nulidade dos actos?

Rebel disse...

O RB desculpar-me-á, mas se há valor que não pode invocar em nome de tal figura, DL, é precisamente a da dignidade!
Há mil anos que digo que é figura ue não a tem, nunca a teve e nunca a terá.
Nisto, apenas devo ser contrariado pelo PR, aquele que nunca teve acções do BPN, o que é verdade, para ele e seja para que pessoas for...

hajapachorra disse...

Pois, José, para mim também tem pouco crédito. Mas, mesmo assim, há factos que convém apurar: DL ou tem 96% do capital da DL ou não tem. E com este esclarecimento, fácil de obter muita coisa fica resolvida. Quando os moços vêm aos factos há que encará-los e tirar todas as consequências. Num país a sério seria assim. Um fabiano não pode dizer um dia que não conhece um Pedro Smith e no dia seguinte que afinal eram compinchas. Em Portugal infelizmente falta isto, sentido de honra, mesmo para quem a não tem. Por isso é que gosto muito dos hipócritas: esses ainda têm vergonha na cara.

Karocha disse...

Vai na volta José e ainda vive como eu, o Manel Dias Loureiro!
Vai dizer que sobrevive com o RSI

MARIA disse...

Caro José, pelo menos alguma pobreza de espírito será verdadeira...
Como diria a Ana Carolina no Brasil, "só para contrariar", eu solidária com a voz do pobre, deixo aqui um link que se lhe devolva, pelo menos, um tom de sobriedade :

http://www.youtube.com/watch?v=jJ_-CmwHWPo


:-)


Saudações a todos

Maria

MARIA disse...

A ideia era deixar o link, mas não aquele "se" ali que ficou a mais...

:-)

Karocha disse...

Looolllllll Maria,grande sentido de humor :-)))))

MARIA disse...

Muito obrigado Karocha.
Um beijinho.

Karocha disse...

Não tem de quê Maria.
Igualmente

MARIA disse...

O Autor deste blog empobrece o universo dos seus comentadores e visitantes com tão prolongada ausência na publicação dos seus escritos.
Tem-nos mal habituados ...
Esperemos não esteja doente.
De resto... "não é desgraça ser pobre" por isso, deixemos a Loureiro os seus louros e "bora" a outros mouros .
:-)
Este ainda fica para o pobre Loureiro :
http://www.youtube.com/watch?v=qGW4eV161iI

Com todo o respeito.

Claro.

:-)

Karocha disse...

Tirou umas férias Maria,tirou o País inteiro, porque não o José ;-)

MARIA disse...

:-)
Ah...
Agradeço a gentileza da informação Karocha. Suponho que a fonte informativa que tal qual como para os senhores jornalistas deve ser mantida em segredo, será fidedigna.
:-)

Por isso agradeço.
Antes assim, por esse motivo.
É que estamos tão habituados a ler o blog que inevitavelmente notamos a ausência.
Eu não tive nunca a honra de conhecer o autor deste blog, mas tinha a ideia de que não iria para férias sem computador.
:-)
Em todo o caso, ainda bem que assim foi, pois por certo voltará revigorado e inspirado para continuar a brindar-nos com a qualidade de publicações a que já nos habituou.

Um beijinho e obrigado.

Karocha disse...

Maria
O José está a fazer de propósito para ficarmos cheias da saudades dele!
Homens :-)))

MARIA disse...

Acha, minha querida?
:-)
Bem se ele não censurar severamente estes nossos comentários, que é o mais certo ...
:-)
eu por mim direi que está a conseguir.

Um beijinho e obrigado pela sua simpatia.
Maria

josé disse...

Ahahaha!

Muito obrigado pela atenção, mas tenho andado ocupado e aproveitei os dias feriados para ir a uns sítios. Sem computador.

O último texto que tenho refere-se a um caso noticiado pelo Correio da Manhã de Sexta...mas ainda vai a tempo.

Até já.

zazie disse...

eheheh