Uma testemunha ocular do crime, o coronel José Alberto Aparício conta como em data imprecisa de 1975 viu dois camiões supostamente da Armada portuguesa, mas com matrículas falsas, estacionados nas traseiras do teatro S. Carlos, a carregar caixotes e caixotes de documentos vindos directamente da sede da Pide/DGS, algumas ruas acima, no Chiado.
Esses dois camiões foram seguidos no percurso que então efectuaram e desembocaram directamente no aeroporto militar de Figo Maduro. Aí, os supostos militares da Armada portuguesa, eventualmente pessoas ligadas a quem interessava desviar tais documentos, descarregaram tais caixotes e meteram-nos no porão de carga de um avião da companhia soviética Aeroflot.
O coronel da PSP em causa admite dois erros: não ter tirado a matrícula do avião e não ter consultado o plano de voo do mesmo.
Para além desses dois erros há ainda o silêncio cúmplice durante décadas, neste atentado e neste crime de traição à Pátria. Diz que reportou a várias entidades mas nenhuma delas dá conta de relatório algum, incluindo Otelo Saraiva de Carvalho então chefe máximo do COPCON. Diz ainda que houve mais testemunhas do facto mas que já morreram todas.
Diz também que ninguém então fez nada, incluindo o general Galvão de Melo com quem falou do assunto.
É pena que o coronel Aparício só agora apareça a contar o sucedido depois destas décadas todas e até muitos anos depois da publicação dos relatórios do agente da KGB Mitrokhin, em 1999, e depois de o PCP ter negado por várias vezes o facto de que é óbvio e único suspeito. Continua aliás a negar estas evidências claras do crime de traição à Pátria, vergonhoso, ignóbil e cuja prática na antiga União Soviética conduzia à pena capital.
Por outro lado, o mesmo PCP que é suspeito desta traição à Pátria anda por aí a conspurcar permanentemente o adjectivo patriótico, numa desfaçatez repetida.
Por aqui, nesta capital infausta da condescendência com estes criminosos, convidam-se os mesmos para irem assentar no Conselho de Estado e bolsarem tiradas infaustas contra o fassismo.
De resto ninguém quer saber disto porque quem tem a obrigação estrita está intimamente comprometido com estes criminosos de delito comum e político. Por isso não querem expor-se à vergonha. Se é que a têm...