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sexta-feira, 15 de maio de 2009

A dieta nacional

A obediência maçónica Grande Oriente Lusitano (GOL) pretende criar uma estrutura própria de serviços secretos, que designa por núcleo interno de intelligence, indicam documentos.
A proposta foi apresentada numa reunião da Grande Dieta, órgão que equivale à assembleia-geral do GOL a 21 de Março, e aprovada com 57 votos a favor e 21 contra.
O objectivo daquele núcleo é, segundo a acta da reunião, cumprir as «funções próprias daqueles organismos [de espionagem] no âmbito da defesa e prevenção», refere a acta da reunião.

Esta notícia suscita uma série de questões que uma sociedade democrática não pode evitar colocar nesta altura e deveriam ser colocadas no próprio Parlamento, não fora este o local onde se conjugam todos estes problemas com a maior relevância possível.

A Maçonaria portuguesa funciona em modo reservado e completamente secreto quanto à identidade dos seus membros. Nenhum deles pode revelar o nome de outros lojistas e os próprios são discretos e fechados na assunção de identidade. São anónimos que costumam vituperar outros anónimos. Defendem a transparência e os bons princípios democráticos, embora se escondam na identidade que os protege de um conhecimento que lhes retiraria o valor da reserva. Valor que é essencial para a protecção e a solidariedade de grupo e que atrai aqueles que assim pretendem interferir socialmente.

Tudo isso teria uma importância relativa não se dera o caso de a Maçonaria pretender influenciar a sociedade portuguesa, inserindo-se nos diversos corpos institucionais e alcançando lugares cimeiros em que a fraternidade é valor assimilado ao Bem geral e comum. Esse desiderato é assumido pela Maçonaria sem qualquer complexo, porque evidente.

Na notícia ainda se dá conta da existência de uma Fundação, contestada internamente por motivos pouco claros:
" A contestação à criação da Fundação Grande Oriente Lusitano é sustentada por um grupo minoritário de opositores que questiona a razão da criação da instituição que vai receber, de forma irrevogável, o património das três instituições para-maçónicas do GOL, que integra mais de uma vintena de edifícios localizados em Lisboa e nas mais importantes cidades portuguesas.
A Fundação GOL foi registada notarialmente em Setembro passado, mas para ser reconhecida legalmente terá de obter o parecer favorável do ministro da Presidência ou de quem ele delegar, função que actualmente está atribuída ao secretário de Estado Adjunto da Presidência, Jorge Lacão, citado frequentemente na imprensa como membro do GOL."

Ora aqui é que o assunto se torna publicamente relevante: um secretário de Estado, integrado num governo, apontado como mação e incumbido de decidir matérias em conflito de interesse. Interesses que não são publicamente conhecidos nem cognoscíveis, perante a reserva absoluta de identidade dos membros da Maçonaria.

Quantos secretários de Estado se encontram nestas condições? E ministros? E magistrados? E directores de serviços de segurança pública? E responsáveis por organismos que detêm poder público?
É democraticamente intolerável que possa corresponder à realidade, como alguns dizem, que a estrutura completa do sistema público da Segurança portuguesa do MAI esteja completamente entregue à Maçonaria. Tem de se saber porquê, se isso for assim. E só se sabe a partir do momento em que se conheça a pertença lojística dos seus responsáveis que são altos funcionários públicos, escolhidos pelo poder político, em nome de todo o povo português e que juraram "cumprir com lealdade as funções que lhes foram confiadas".
Lealdade a quem, em primeiro e segundo e terceiro lugar?
À lei, à legitimidade democrática e aos princípios da transparência que lhes são inerentes. Não é à Maçonaria que devem seja o que for. Se deverem, estão errados e devem sair.
Não se percebe por isso, o interesse em acantonar tropas de loja em edifícios de poder, a não ser para minar e subverter a legalidade democrática, se tal se revelar necessário, em obediência a princípios que não juraram nem poderiam jurar publicamente.

Mais uma vez se questiona: a democracia portuguesa saiu de uma ditadura, há 35 anos, para se meter nisto?
Constitucionalmente é admissível esta situação de facto que se criou ao longo destes anos?

Façam como na Inglaterra: querem pertencer a grupos de aperfeiçoamento espiritual? Muito bem: declarem o interesse e a pertença.
A partir daí, o poder da Maçonaria esboroa-se, pelo que se conclui rápida e logicamente que a Maçonaria viceja no anonimato, no encobrimento e na obscuridade.
Tudo condições que atentam contra os elementares princípios democráticos e principalmente contra a salubridade da convivência social e de grupo.
Façam uma dieta e emagreçam publicamente para se ver o que valem e onde prestam serviços.

9 comentários:

rita disse...

Os Homens "medem-se" por aquilo que valem às claras! As "catacumbas" são para os que têm medo que os raios de sol "iluminem" os seus actos.

Flash Gordo disse...

Tenho a sensação que já se estão a fazer as últimas leis antes da partida. Ou está para chegar alguma coisa.

Mani Pulite disse...

Portugal vive debaixo de uma ditadura Maçónica de fachada democrática.Essa ditadura conduziu Portugal ao fim de 35 anos ao estado de descalabro que conhecemos,é a sua causa última.É necessário derrubar essa ditadura e instaurar a IV República.A bem ou a mal para salvar Portugal e os Portugueses.

Diogo disse...

Excelente post.

hajapachorra disse...

Muito bem, José. É preciso malhar nesses saduceus que tomaram conta da tasca. Só não me convence a solução. Considera que bastaria declarar a pertença? Mas se nem os rendimentos, que são coisa tangível e verificável, declaram... E não são eles treinados na dissimulação?

lusitânea disse...

O Estado tem que obrigar todos os seus servidores a assinar um papel de fidelidade.quem for apanhado será despedido sem indemnização(reforma).Acabavam muitas traições...

Kafka disse...

Como vem sendo hábito, mais um excelente postal.
E já agora, porque não um postal sobre a Democracia Directa? (http://democraciadirecta.biz/)

Rebel disse...

José Maria Martins, não, por favor!
Está para mim, como farol para a navegação marítima!
Ainda que me veja perdido de noite, no mar, sem referência que não seja o figurão, sei que é coisa de que me devo afastar!

Mani Pulite disse...

Este Rebel não se chamará também Damal?E não trabalha para a Central de Contra Informação do Heron Castilho?Vai para o Largo dos Ratos e comenta no Jugular os posts da Câncio.Aqui já estás desmascarado.