terça-feira, 23 de junho de 2009

Contas feitas

O exame final do ensino básico, no 9º ano, em Matemática, foi fácil, mesmo elementar, como defende a Sociedade Portuguesa de Matemática, no Público de hoje? Ou foi adequado e de acordo com as orientações curriculares, como sustenta a Associação de Professores de Matemátrica?
Uma coisa é certa e nesse ponto convergem as duas entidades: o exame não foi difícil. E portanto, a apreciação sobre a facilidade está mais próxima da verdade que o seu contrário subjectivo.
Nuno Crato, presidente da APM, defende no i que "Como em todas as áreas do conhecimento, não bastam à matemática conhecimentos superficiais e elementares. É necessária uma exigência e destreza de cálculo, é necessário o domínio de conceitos complexos, é imprescindível uma disciplina de trabalho continuado, pautada por metas exigentes. Enganamo-nos se pensamos que os estudantes progridem verdadeiramente se não defrontarem conceitos difíceis e cálculos trabalhosos."
Este governo e o ministério da Educação em particular, não tem em devida conta esta noção. Tem apenas em conta as estatísticas favoráveis para apresentar nos fora internacionais e propagandear sucessos ilusórios.
É essa a única razão do facilitismo no ensino e é por isso que pagaremos caro, no futuro, como andamos a pagar há décadas.
O poder não quer fazer contas que não sejam de cabeça e intuitivas para a sua manutenção no poleiro.
Aqui, no átomo e meio, as contas são outras.

29 comentários:

Carlos Pires disse...

Veja neste blogue - Atomo e Meio (http://atomoemeio.blogspot.com/) -para perceber que o facto de não haver unanimidade não significa que seja uma coisa "subjectiva".
Há provas do facilitismo.

josé disse...

Já li e já liguei.

zazie disse...

José,

Já estive para esclarecer uns detalhes e aproveito agora.

Os exames nacionais são feitos com mais de um ano de antecedência.

É coisa complicada, que implica equipas alargadas, e depois outras que apenas têm por função deitar abaixo tudo o que possa estar errado nas provas elaboradas por outros.

Depois a coisa entra em pousio e só mais de um ano a seguir é que aparecem para resolução dos alunos.

Por outro lado, as ditas equipas também são autónomas- razão pela qual não pode ter sido este ano que foram alteradas para darem estes resultados nacionais.

Que muitas dessas equipas foram para a rua e tendem a ser substituídas por outras de outros apaniguados mais próximos das tendências do poder é verdade.

Mas, como disse, nada disso se podia reflectir nos exames que saíram agora.

zazie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...

Ok, apaguei eu.

O que interessava já foi dito. Todas as provas de exames nacionais são feitas com mais de um ano de antecedência.

josé disse...

Pois, mas há mais de um ano que esta equipa de ministério tem uma única preocupação: aparecer bem nas fotografias.

As fotos têm sido retocadas ao longo dos anos para mostrar aquele aspecto pimba que os taliban também apreciavam: pó de arroz para esconder defeitos de origem. Em último caso, Photoshop caseiro para tapar imperfeições.

O ensino para esta gente só conta se der para ficarem bem no retrato. A essência que se dane, se ficar bem escondida...

Carlos Pires disse...

Zazzie:

Não podia ter-se reflectido nestes exames porquê? Este governo está no poder há 3 anos e tal - e não foi nos últimos dias que começou a promover a falta de exigência e o sucesso artificial.

Quanto à autonomia das equipas. Não conheço as pessoas e não duvido da sua honorabilidade (já quanto à competência tenho dúvidas), mas este governo - e particularmente a Ministra da Educação e os seus sinistros secretários de estado - já deu provas de não respeitar nenhuma autonomia e ser capaz de tudo para ficar nas fotografias (que é, aliás, o princípio condutor das suas políticas).
Por isso, só se levarmos o optimismo até à ingenuidad, ou então se formos muito amigos do PS, é que não responsabilizaremos o governo pelos miserável facilitismo dos exames nacionais.

zazie disse...

Acredito plenamente que a intenção desta equipa seja essa.

Por esse motivo também referi que houve equipas bem mais antigas (e isto implica até antecedentes a este governo) que foram extintas.

Também não falei na honorabilidade das equipas- não sei- deve haver de tudo e para muitas coisas diferentes.

Apenas expliquei como funcionava. E esse funcionamento até me parece que era exigente.

Exigente porque, bastava haver um erro- fosse na formulação do exame, fosse nos critérios da grelha de correcção, para toda a equipa ser despedida.

Se em matemática é assim, já o é há muito tempo.
E duvido que tenham alterado equipas em menos de 4 anos.

zazie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...

Em relação a matemática já nem estou a par. Se agora é tudo com calculadora não admira que cheguem ao 2º ano da Faculdade (cursos de Física e Matemática Teórica) sem saberem fazer uma percentagem.

Parece no gozo mas é verdade. E garanto-vos que em Inglaterra a coisa já vai pior.

Dantes (anos 80) havia o livro das 3 Marias- para Física que era uma cópia do "lectures on Physics" do Feynman.

Era até bem exigente, para um 12º ano.

zazie disse...

Eu até imagino, na prática como se passem as coisas.

Eles nem precisam de mudar de equipas por mera cor política e mando de cima- em relação à elaboração de provas nacionais.

Fazem outra coisa- introduzem-lhes facilidades por decreto. E estas é que podem ir das maquinetas aos próprios programas.

Como é óbvio, não se podem fazer provas de exame que não sigam os programas-

E esses, quanto a mim, é que vão de mal a pior.

zazie disse...

E é aí que eu digo que o pior está para vir.

Porque os de este ano, ainda se baseavam em programas antigos.

Mas em Inglaterra é uma vergonha nacional completamente ignorada por cá.

Colmeal disse...


Jornal I - "Exame de Matemática do 9.º ano ao nível do ensino primário"


" ... Os números: 382, 523 e 508. O desafio: calcular a média aritmética dos três valores. A ajuda: a máquina de calcular e o resultado da soma das unidades. O primeiro exercício que quase 100 mil alunos do 9.o ano fizeram ontem durante o exame nacional de Matemática exige conhecimentos que se aprendem no 6.o ano. O exemplo serve para a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) demonstrar que a prova foi "demasiado elementar" para os alunos que têm como ambição terminar a escolaridade obrigatória. ..."

Depois de ler isto nem sei que comentário fazer, sem ter de chamar nomes aos progenitores de quem tem responsabilidades nesta vergonha .

Fico à espera do "milagre" do anúncio da melhoria dos resultados da parte de quem não tem nenhuma vergonha na cara e nem sequer sabe o que isso é.

Com tantos "milagres", fico à espera do dia em que o nosso "milagreiro engenheiro" decida afastar as águas do Tejo e aí poupamos umas massas na nova ponte ...

Rebel disse...

estive a ler atentamente o link para que o José nos remete. O que daí retirei foi que aos alunos é permitido não aprender Matemática, mas ensina-os a serem portugueses.
De facto, aquela gente procura aprender as regras do jogo e explorá-las na máxima das latitudes!
Admiro estes alunos. Admiro o seu espírito de iniciativa e a inteligência com que olham para o problema que têm e que consiste em fazerem um exame.
O que eu não admiro, nem respeito é a legislação e o legislador que permite que os alunos resolvam os problemas tal qual os textos dos ditos expõem.
Não são os alunos que precisam de um puxão de orelhas, é quem legislou o legislado.

Rebel disse...

estive a ler atentamente o link para que o José nos remete. O que daí retirei foi que aos alunos é permitido não aprender Matemática, mas ensina-os a serem portugueses.
De facto, aquela gente procura aprender as regras do jogo e explorá-las na máxima das latitudes!
Admiro estes alunos. Admiro o seu espírito de iniciativa e a inteligência com que olham para o problema que têm e que consiste em fazerem um exame.
O que eu não admiro, nem respeito é a legislação e o legislador que permite que os alunos resolvam os problemas tal qual os textos dos ditos expõem.
Não são os alunos que precisam de um puxão de orelhas, é quem legislou o legislado.

Anónimo disse...

Tenho de memória que há alguns anos os alunos eram questionados pelas televisões sobre o grau de dificuldade e as respostas variavam. Para alguns era muito difícil e o resultado desastroso. Agora vejo-os todos a dizer o mesmo. Mas o pior não é isto. Desconfio que a médio prazo poderemos ter problemas no reconhecimento internacional.

Rebel disse...

Flash Gordo:
desculpar-me-á, mas o primeiro reconhecimento é nacional. É já aqui que a porca torce o rabo...

Quanto à elaboração dos exames que o José refere tenho uma amiga que já integrou essas equipas de elaboração de exames e já largou essa actividade. O chefe dela era amigo pessoal da ministra, permitia-se vasculhar o que as pessoas andavam a fazer e requeria alterações no que as pessoas faziam (o que era uma ilegalidade de todo o tamanho), mas como as pessoas todas que integram essas equipas assinam uma declaração de sigilo, nem sequer se podia queixar disso. Ainda hoje, passados anos, não fala disso...
Por outras vias, vim a saber que na repetição da prova de Física de há uns anos já havia quem soubesse que toda a gente chumbaria...

zazie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
zazie disse...

Bem, espero que o Rebel tenha lido, agora vou apagar.

Carlos Pires disse...

Zazzie:

mas apagar porquê? Teme ser lida?

zazie disse...

Exacto. Se leu o que eu escrevi, percebe o motivo.

Perfeitamente lógico e só se fosse irresponsável é que não apagava.

Até falei demais.

V. acaso leu o que eu apaguei para fazer essa pergunta mais tola?

Carlos Pires disse...

Zazie:
Li o que escreveu.
Seja como for, o "tola" acaba com a conversa. Faço votos para que nunca se lhe acabe a borracha, embora eu prefira os lápis às borrachas.

zazie disse...

Então ainda bem Vá pela sombra e, para a próxima, se não sabe não pergunte.

V. é estúpido e eu com estúpidos não tenho pachorra.

Nem tento sequer explicar-lhe porque se leu e ainda vem para aqui com imbecilidades de censuras é porque é um retardado mental.

Em último grau- um retardado que devia voltar para a primária e nem se atrever em questionar exigências de ensino.

Porque v. não exige nada ao neurónio solitário que lhe sobra.

zazie disse...

Cada grunho. Este agora ainda vinha para aqui lançar suspeições por eu ter apagado o que escrevi.

E que continha confidências que até deixariam mal o próprio autor do blogue.

Escrevi nas entrelinhas, quem percebeu, percebeu, quem é mongo, passe bem. Também não ando aqui para entreter deficientes mentais.

zazie disse...

E até pensei que nem devia ter escrito isto aqui, num blogue que não é meu.

Fi-lo por poucos minutos. Para não dar tempo a mais nada.

Estamos a brincar ou quê?

Carlos Pires disse...

Zazie:

não apague estes últimos, pois ilustram bem a sua inteligência superior, para não falar da sua extrema boa educação.

zazie disse...

Pode crer que não apago.

E o Rebel, se tiver pachorra para falar com mongos, explica-lhe.

Eu não. Não consigo.

zazie disse...

E nem é apenas por ser mongo- é por ter sido imbecil e mandar indirectas de censura ou cobardia em relação a mim.

E leu- sabe perfeitamente o que eu escrevi.

Portanto, se pergunta e ainda manda indirectas anormais, é porque essa cabeça deve ser tão arejada que até faz corrente de ar.

Malcriado foi v.

Enguias à Isabel dos Santos