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sábado, 17 de janeiro de 2015

Paus mandados & associados

O Correio da Manhã de hoje continua a divulgar casos sérios da democracia portuguesa, num trabalho meritório de sopesação de valores. O valor do segredo de justiça, neste caso totalmente irrelevante para a investigação e apenas com relevo para a boa imagem destes indivíduos,  contra o do conhecimento de malfeitorias graves contra o país, animadas por um grupo de indivíduos que tinham como pivot, o actual recluso 44.Qual o valor a proteger aqui? Parece evidente, depois do caso Charlie...de modo que a hipocrisia dos visados, tendo feito o mal, refazendo agora a caramunha deve contar o que vale.
Por estas e por outras, alguns figurões, acompanhados dos falsos ingénuos do costume, armados em idiotas inúteis, defendem a proibição de escutas, pura e simplesmente. Provavelmente na mesma frase serão capazes de louvar Edward Snowden ou Julian Assange...

Também se explica por estes factos a razão pela qual o advogado Proença gostava de um Ministério Público mais "democrático": para que alguns pudessem atacar melhor a democracia, sem que se viesse a saber.

Atentar contra a liberdade de imprensa não é apenas metralhar as instalações de um jornal para o calar. É de igual modo metralhar virtualmente os seus donos e directores a fim de o vergar a uma linha de conduta editorial consentânea com os interesses particulares de um grupo ligado ao poder político executivo. É portanto cerzir uma teia de influências, usando dinheiro suspeito, para coarctar a liberdade de informação, por redução da mesma a uma opinião domesticada e que não atente contra os interesses desse grupo ou dos indivíduos que o detém.  Se o pivot for um primeiro-ministro, como inequivovamente era José Sócrates aquando do escândalo do Face Oculta, a ocultação desses factos e a destruição de provas dos mesmos é em si mesmo um crime cujos autores, no caso, ficaram impunes e eram dos mais elevados titulares de cargos de relevo nacional. Um escândalo com esta dimensão estereoscópica é inédito na democracia portuguesa, porque nem mesmo no caso do fax de Macau tal sucedeu, uma vez que apenas se limitaram danos por conveniência em não envolver o então presidente da República Mário Soares, o desbocado desmomoriado que por aí anda outra vez. Na altura não havia escutas mas passou a haver o livro de Rui Mateus que pôs preto no branco os contornos do escândalo que passou impune.

Sobre Carlos Magno resta dizer que ainda lhe restou uma réstea de dignidade ao abster-se na votação, o que terá provocado mais uma fúria do recluso que terá comentado que Magno tudo lhe devia na vida.  Se for assim é triste como a noite.

Agora é isto que se pode ler:




















Tudo isto redundou em quê? Uma imagem por mil palavras, tirada por alguém das "redes sociais" e que mostra o discurso às tropas do novo director do DN, André Macedo, sob a sombra tutelar e esconsa, à direita na imagem, do novo presidente de administração, o dito que está em tudo o que mexia. Ah! E diga-se já uma coisa: o actual Diário de Notícias parece que vende uns milhares de exemplares, muito poucos. Vale ainda menos do que valia quando estava lá o jornalista desportivo Marcelino e por isso vale o velho ditado de que atrás de mim virá quem de mim bom fará...actualmente com este novato é a coisa mais insípida, mais desinteressante que pode haver em jornal e já começou a corrida para a meta da bancarrota. Daqui a dois anos, se tanto, fecha ou muda de rumo, até porque o papel que lhe estava reservado de tropa de choque para a candidatura presidencial e inenarrável está resolvido a zero.


Por outro lado, temos esta esta informação relevante sobre o verdadeiro valor do segredo de justiça para estas pessoas: tal como o outro, estão-se bem a c. para tal, a não ser que a m. lhes caia em cima.

Tudo isto advirá do conteúdo do despacho que decretou a prisão preventiva ao recluso 44 e por isso é segredo de polichinelo que mais uma vez é usado como arma de arremesso por causa da caca que lhes anda a sujar os fatos tipo boss.

De resto sobre a TVI e a designação de um tal Sérgio Figueiredo, figura ímpar no universo da fundação EDP,  para seu director já por aqui se havia anunciado em tempos a conversa de pé de orelha pelo mesmo mantida com o recluso 44, ainda em liberdade.Assim, em  16 de Julho de 2012.

Aqui há dias ( 7 de Junho) o D.N. noticiava que o ex-primeiro-ministro José Sócrates esteve por cá, almoçando no restaurante Altis Belém Hotel & Spa, em Lisboa.
A notícia acrescentava que o almoço teve a companhia de um tal Sérgio Figueiredo, ex-jornalista, director do Jornal de Negócios e que agora administra a Fundação EDP. Teria sido o parceiro de almoço o padrinho da sinecura?

Para terminar noticiava-se que José Sócrates, que como foi dito pelos seus próximos ( um tal Renato do Porto) leva uma "vida muito contida", fez-se transportar num Mercedes "topo de gama" com motorista. Alvitrava-se então que ainda se tratava de resquícios dos privilégios que mantinha para si ( a par dos famigerados plafonds em cartões de crédito para almoçaradas e jantares) e cortara deliberadamente a muitos outros...mas o D.N. de 13.6.2012, segundo escreve hoje no mesmo diário Óscar Mascarenhas, esclarecia que afinal o mercedolas é mesmo pertença do antigo primeiro-ministro que vive de modo frugal e "muito contido" em Paris. E sem rendimentos que se lhe conheçam...

Óscar Mascarenhas acrescenta ainda um condimento a esse comentário desenvolvido: o restaurante em causa "recebeu recentemente uma estrela do Guia Michelin".

A estrela é a cereja no topo do bolo. Mercedes... 


Conclusão de tudo isto? Ainda há cegos voluntários que não querem ver. Um deles chama-se Renato.

Quanto ao Expresso estas coisas deixaram de ser notícia há muito. E não admira...

21 comentários:

Floribundus disse...

ALTAMENTE, MEU!

lucubrações sobre os MANIPANSOS

estas histórias vão de 'vento em popa'

'até el-rei dizer bunda'

Kaiser Soze disse...

...mas se as dívidas não são para pagar, não vejo o problema.
...se quem empresta tinha para emprestar porque ganhava muitos concursos públicos, não vejo o problema.

o 44 é a nossa Marianne mas com mamas piores (imagino eu)

S.T. disse...


« No despacho que decretou a prisão preventiva , o juiz afirma que Sócrates destruiu provas quando soube da investigação . É esse um dos fundamentos da prisão . »

Terry Malloy disse...

O Ben Franklin dizia que, entre um governo forte e uma imprensa forte, era mais importante para um país ter uma imprensa forte.

Nós temos uma imprensa comprometida e cobarde, e depois há o Correio da Manhã: feio, porco e mau, mas capaz de valentia numa noite escura.

josé disse...

Pois é. O Correio da Manhã, muito por causa do director e de alguns jornalistas que lá foram parar ( é o jornal que vende mais e por isso o que deve pagar melhor...) tem sido um jornal de referência. Sim, de referência de um jornalismo popular que relata notícias como sejam os homicídios e acidentes vários com profusão fotográfica e textos a condizer.

Não leio geralmente essas partes como não leio o desporto como não leio o social muito rasca.

Mas leio o que aparece sobre estes temas e que apesar de não ser muito desenvolvido relata o essencial de um modo que mais nenhum outro jornal o faz.

Assim não é feio porco e mau como também não é estúpido e mau.

É apenas um jornal popular que se não trouxer este tipo de notícias não compro.

O Público poderia ser assim? Não porque tem a mania que é de referência de não sei bem o quê.

Talvez do que Pacheco Pereira lá escreve e que são inanidades.

josé disse...

O Público é que é feio porco e mau e estúpido ainda por cima porque se julga num patamar superior de uma merda qualquer que nem devia ter patamar.

Terry Malloy disse...

O Público é um flagrante caso do que descrevi acima: cobarde e comprometido (o accionista), o que nem se percebe visto ser um multimilionário que há muito devia ter conseguido comprar a sua independência.
Assim correu com o José Manuel Fernandes, que era daqueles que deixava o engenheiro "colérico quando é contrariado" (Octávio Ribeiro dixit)e substituiu-o por uma senhora que nem consigo qualificar.

Com o accionista que tem, com as condições que este tem, tinha obrigação de ser o diário de referência.

O Correio da Manhã tem muita (ou alguma) coisa que me causa alguma repugnância. Não é o crime, que esse tem o seu lugar, mas o tabloidismo sensacionalista nalgumas abordagens e o tal social rasca das figuras públicas que se prestam a isso e afins.
Mas também tem escroto e bem preenchido.

E com a rasquice consegue chegar a muitos aos quais não se consegue chegar de outro modo e presta, depois, com estas reportagens (e isto não é de agora), um serviço público amplificado pela audiência que consegue conquistar.

Quando um ex-primeiro-ministro tenta, a todo o custo, amordaçar o jornal com uma perseguição movida pela ERC; quando uma Isabel Moreira afirma que o CM é um bordel nojento e que é "prostituição" escrever para aquele jornal,

sabemos que estamos perante um Jornal.

Terry Malloy disse...

Mas deu-me gosto ver este "outing" que o CM fez ao Camões.
Tem cara de quem pensava que estas coisas fidelíssimas e caninas se podiam fazer sempre às escondidas, e agora estará queimado para sempre nos meios jornalísticos.

CCz disse...

Eu que nunca comprei o CM, começo a achar que é um imperativo higiénico comprá-lo, mesmo que no limite não o leia

josé disse...

O CM não se lê. Folheia-se para ver as imagens e títulos e o texto é num relance de olhos que se apreende.

Os textos são sempre curtíssimos e repetem os títulos. É um jornalismo poupadíssimo para os neurónios mas diz essencialmente o que aconteceu.

Rui disse...

Neste momento se algum jornal faz jornalismo de investigação é o CM.
Como eu penso que só é justificável gastar dinheiro com um jornal em papel nos dias de hoje caso este tenha jornalismo de investigação por norma compro o CM (um pouco às escondidas pois confesso que fica "mal" andar com um CM debaixo do braço...).
Para ler notícias transcritas da lusa e crónicas posso fazê-lo de forma gratuita na internet.

Se não era melhor que fosse o publico, o dn e o Expresso a fazer jornalismo de investigação? obviamente que era, nao teria de comprar um jornal em que para me manter minimamente informado sobre o que se passa no país tenho de passar por 20 folhas de crimes de faca e de alguidar, 10 paginas de anuncios com meninas despidas e mais 5 de casa dos segredos. Infelizmente provavelmente um jornal desses provavelemente nao seria economicamente viavel em Portugal, contudo tenho acompanhado com atenção o jornal online Observador em que tenho encontrado alguns artigos com qualidade.



Do meu ponto de vista is jornalistas portugueses enquanto classe são dos maiores responsaveis pela atual situação do país.

Este blog também é serviço publico.

aragonez disse...

Eu sou mau julgador: fará em julho sete anos que não tenho sinal de tv em casa: tirava-me anos de vida aquela porcaria.
Quanto ao público, não faz parte dos favoritos que leio online antes dos sovietes vários chegarem às mesas de censura.
O DN, censura a tortoe a direito. Já se não lê nem no computador.
Olho hoje em dia para os joranis estrangeiros de referência e "folheio" o Observador.
Também não sou charlie.

Luis disse...

O CM já falava e denunciava um modo de vida do ex-PM, muito para além das suas possibilidades ou rendimentos evidentes, e a sua tentativa de manipulação da comunicação social ainda muito antes de existir uma investigação criminal.
E por isso sofreu várias tentativas de o calar; sabemos agora quem estava por detrás das mesmas.
Assim, não é de admirar que o CM não largue o osso de quem o prejudicou e de quem assim agiu.
Não conheço as fontes deste OCS, mas sei que houve preocupação por um jornalismo de investigação. Não se limitou a reproduzir documentos que alguém lhe passasse, estivessem estes abrangidos pelo segredo de justiça ou não.
Quem não quer discutir a substância das denuncias e dos indícios de crime, limita-se a invocar uma eventual violação do segredo de justiça sem a demonstrar. Estratégia cega dos seguidores do capo das botas de cano.

Manuel disse...

na CMTV neste momento, programa sobre o assunto je suis cm, atentado à liberdade de imprensa.

Manuel disse...

No google notícias, a pesquisa "sócrates proença magno" devolve resultados apenas do Correio da Manhã, do Observador e Jornal de Negócios. Os restantes charlies andam distraídos.

luis barreiro disse...

José, tenho um café aqui no Porto, em Abril de 2014 deixei de comprar o JN e passei a comprar o Correio da Manhã, ao fim de semana deixei de comprar o Expresso para comprar o Sol.
Acho que o Sol também merece uma referência positiva.
Fiz isso porque ao ler o seu blog e outros, descobri que, para quem quer saber a verdade a internet é poderosa. E o Portugal Profundo foi guerreiro com armas desiguais.
Hoje em dia só vive na ignorância quem vive confortável.

Manuel disse...

Também compro o correio da manhã há algum tempo. Ao contrário do Rui, não tenho problema em levá-lo debaixo do braço e leio-o em qualquer lado. É preciso desmistificar a imagem que lhe têm colado de pasquim, quando os ditos jornais de referência são os verdadeiros pasquins, fazendo fretes a interesses particulares.
Chego a comprá-lo mesmo sem tempo para o ler. É importante que tenham estímulo económico para continuarem a fazer um bom trabalho.

hajapachorra disse...

Não compro nem leio, mas sei que o CM tem o Cintra Torres como colunista e o infame JPC. Podia perfeitamente mudar um pouco o estilo e compensar a perda de algum público com noticiário sobre o norte. Finalmente entrava nos cafés nortenhos e acabava com os camoes.

JReis disse...

Eu sou do Porto. Aprendi a ler com o já extinto «O Comércio do Porto».Como tripeiro, assisto tristemente ao assalto feito ao único jornal que ainda resta com origem no Porto. Já tenho dito que as forças vivas ou as elites da cidade do Porto, se é que ainda as há, deveriam resgatar o «JN» e devolver o jornal de novo à cidade e ao País. Mas o mal começou quando aquele triste do Joaquim Oliveira ficou com o jornal. Penso que o resgate do jornal nesta fase já será talvez impossível. O «JN» não sei se aguentará mais um par de anos o que será uma pena.

hajapachorra disse...

O JN, o meu jornal de menino e moço, há muito que é uma merda.

JReis disse...

Hoje o Camões resolveu fazer um editorial a fazer queixinha do segredo de justiça. Este Camões que tenha vergonha e que se demita. Que deixe o JN em paz. Enquanto isso o conselho de redação faz uma reunião e um cominicado mas esquece-se de apelar às forças vivas da cidade do Porto que salvem o jornal resgatando-o de mãos espúrias.
Socorro !!