Páginas

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Arte de capas

A propósito de grafismos uma das maiores alegrias que costumava sentir quando passava nos quiosques de jornais e revistas era a descoberta de uma capa nova com destaque que me parecia artístico. Ainda hoje tal acontece.

Ao longo dos anos coleccionei muitas dessas revistas que me davam essa alegria singela que ficava para sempre.

Aqui estão algumas:



A combinação do grafismo, das cores e do assunto em causa tornavam a capa da revista  irresistível, como foi o caso da capa da Esquire, com Woody Allen, de Abril de 1987 ou a capa do L´Express de Novembro de 2006 por ocasião da morte do fundador da revista, por causa da combinação da cor laranja com o cinzento escuro ou ainda várias capas da revista Wired, ao longo dos anos. Ou a da National Lampoon de Setembro de 1976, revista que cheguei a comprar, desde 1974 apenas por causa dos anúncios a discos.

A mais icónica no entanto é a Look de 1969, em número especial que celebrou a chegada à Lua dos astronautas da Apollo 11.


O número trazia a capa, desdobrável em três, com uma pintura de Norman Rockwell, original.


Porém, aquela que mais me atrai a atenção pelo grafismo combinado com as cores é esta, de 1981:



As revistas musicais, aliás, foram sempre bastante inovadoras no tratamento gráfico das capas e paginação.
Esta, da americana Crawdaddy ( anterior à Rolling Stone em que ambas perfazem agora 50 anos, este ano)  é de Julho 1975 e destaca-se pela ilustração a aerógrafo, técnica que sempre me encantou e que era moda nesses anos ( várias capas de discos, desenhadas desse modo, por exemplo o de Rod Stewart, Atlantic Crossing de 1975).



Em Outubro de 1974 comecei a comprar a revista francesa Rock&Folk cuja capa e paginação eram diferentes de tudo o que vira, com uma qualidade gráfica e temática inexcedível. Era destas revistas, a par dos jornais ingleses e americanos que os jornalistas portugueses que escreviam sobre música popular, se inspiravam para os plágios, na Disco, música & moda, Mundo da Canção, Memória do Elefante e outras Música&Som, dos anos setenta do século que passou.





Esta revista francesa surgida no ano de 1966 copiava aliás o estilo de uma revista alemã, a Twen, pioneira neste modernismo gráfico em papel de revista. Ainda hoje é, passados mais de 50 anos.

As revistas de banda desenhada, francesas ( espanholas, no caso da El Víbora e belgas no caso do Tintin) também não deixavam o crédito da inovação gráfica por mãos alheias, como denotam estas de 1974, 1976 e 1972, respectivamente. Um regalo visual.






Há revistas que valem mesmo pela capa. Este número de 10 de Agosto de 1999 do Village Voice ( impresso em papel de jornal e com dezenas e dezenas de páginas apenas com anúncios, tudo a preto e branco)  é um exemplo disso. A capa é das melhores que tenho visto em publicações periódicas.

6 comentários:

zazie disse...

Que maravilha!

Adelino Ferreira disse...

Não haverá por aí um exemplar da revista ilustrada "Notícia"?

josé disse...

Acho que tinha um exemplar mas não me lembro de o ver recentemente.

Adelino Ferreira disse...

Dá para ver a capa...

http://www.operacional.pt/a-guerra-do-ultramar-na-noticia-de-angola-i/

josé disse...

Tenho um exemplar mas não é esse. E também tenho um exemplar da Continuidade que é muito instrutivo...

Apache disse...

Não percebendo nada de arte, mas impressiona-me bastante o trabalho apresentado na capa da Crawdaddy.
Mas, acima de todas as outras, impressiona-me a capa da Look, talvez por ser de 1969 (hoje, com o Photoshop seria fácil, mas naquele tempo…) talvez por imaginarmos que poderá ter por base uma fotografia real tirada na superfície da Lua, posteriormente manipulada por um mestre da edição de imagem, ou simplesmente por ser um ícone da propaganda da superioridade tecnológica norte-americana, o que é certo é que a imagem foi construída de uma forma tal que quase nos apetece dar um saltinho até à Lua. Em vez de um mundo (real) desértico, silencioso, morto, esta imagem mostra-nos um uma harmonia de cores, e uma beleza que transforma cada um de nós numa criança a querer ser astronauta quando for grande. Até o grande erro de edição (o reflexo na viseira do capacete) contribui para a harmonia e familiaridade que a imagem quer mostrar.
Esta é, provavelmente, a melhor capa “de sempre” até ao surgimento dos softwares de edição de imagens.