segunda-feira, junho 26, 2017

Nova frente mediática no incêndio de Pedrógão...

Observador:

“Naquilo que é mais fundamental no Estado, que é garantir a segurança das pessoas, o Estado falhou e estão aqui as evidências. Depois, saber se foi inevitável ou se era evitável, se há culpa a atribuir pelo falhanço e responsabilidade, isso é outra conversa. Dez dias depois, ainda está a falhar”, começou por referir Pedro Passos Coelho. “Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram e que não receberam o apoio psicológico que deviam. Devia haver um mecanismo para isso. Tem havido dificuldades. Ninguém me convence que não há responsabilidades. O Estado falhou e continua a falhar”, completou." 
Ao que o Observador apurou, Passos Coelho terá abordado a existência de suicídios depois de, durante a manhã, ter ouvido relatos na zona de casos que chegaram a essa situação extrema, após o desespero provocado pelos incêndios e respetivas consequências. O presidente do PSD fez visitas a Avelar, a Vila Facaia e esteve em três instituições de Pedrógão Grande: a Câmara Municipal, a Santa Casa da Misericórdia e os Bombeiros Voluntários.
 As declarações do líder social-democrata, porém, não são para já confirmadas pelos presidentes das câmaras de Castanheira de Pera nem de Pedrógão Grande — que fala em “boatos”. O padre Júlio Santos, Pároco de Pedrógão Grande, Vila Facaia e Graça, que diz ao Observador desconhecer qualquer caso. O presidente da Administração Regional de Saúde do Centro assegura que não há, até hoje,”nenhum caso de suicídio com ligação” direta à zona afetada pelo incêndio.

Vai abrir uma nova frente mediática no incêndio de Pedrógão. Basta que não se apure minimamente que alguém se tenha suicidado nas circunstâncias aludidas, para que toda a discussão sobre as causas, origem ou deficiências no combate aos incêndios e falhanços gritantes da Protecção Civil desapareçam das noticias, substituídas por ataques ao "Passos" e a este deslize e erro de percepção.

É uma questão de minutos e todas as centrais de cozinha de notícias lusas estão a laborar em pleno. Vamos assistir a algo extraordinário, ou muito me engano.
Vai começar na RTP3 com a dona Lourença, estender-se depois rapidamente à RTP1 e TVI e a TSF já arde com violência a ouvir padres e psicólogos.

Um fenómeno de "downburst" informativo, aproxima-se. Proteja-se quem puder!

ADITAMENTO: a culpa foi do Provedor da Misericórdia, candidato do PSD que acabou agora mesmo por perder as eleições locais.

Foram lestos, desta vez, em emendar a mão. Fizeram bem porque assim esvaziam a bolha que iria levar a dona Lourenço e outros ícones da informação televisiva a calcinar um Coelho em lume brando. Desta vez vão apenas gozar com o indivíduo porque já esqueceram o episódio do avião caído no combate às chamas e as várias declarações desencontradas e, essas sim, verdadeiramente dramáticas e inadmissíveis. O controlo dos danos já está em marcha.

 Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, visitou esta segunda-feira algumas das áreas afetadas pelo fogo de Pedrógão Grande, onde referiu, quando estava no quartel de bombeiros de Castanheira de Pêra, ter conhecimento de pessoas que se suicidaram por falta de apoio psicológico após a tragédia que vitimou 64 pessoas. Presidente da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande, João Marques, também candidato à câmara de Pedrógão Grande pelo PSD, admite agora que deu informação errada a Passos por ter sido induzido em erro por “pessoas da freguesia”.

Se isto pode servir de lição a alguém ( e a mim já serviu no outro dia...) é para se ter muito cuidado com os factos, a verdade, os factos quase verdadeiros e as falsidades absolutas.

Há mestres na manipulação destes números mediáticos. José Sócrates, por exemplo é exímio nestes malabarismos.
Por exemplo, como escrevi que "é exímio nestes malabarismos" pega na frase e atira ao autor a imputação de um facto falso que é a de insinuar que foi ele o autor da notícia cabalística. Distorcendo uma realidade totalmente falsa e apresentando-a como verosímil, por causa da construção da frase.

E agora o próprio Passos Coelho, a pedir desculpa...parece-me que é assim que se deve fazer. Também optei por proceder desse modo, no postal em que errei por juízo precipitado. Não vejo outra forma correcta de o fazer.

Aliás, a máquina de lavagem do PS já estava em marcha acelerada.Esta que nunca perde a vergonha que não tem já saíra de espada afiada:



O PS acusou o líder do PSD de se aproveitar da tragédia dos incêndios na região Centro do país na última semana, ao associar alegados suicídios a um falhanço no apoio do Estado. “Surpreendentemente, aparece o doutor Passos Coelho a fazer um discurso que mais não é do que um aproveitamento emocional desta tragédia”, disse à agência Lusa a deputada do PS Júlia Rodrigues, afirmando que os socialistas estão “profundamente consternados e indignados” com o que foi dito hoje pelo líder social-democrata.
Antes, já a secretária-geral-adjunta, Ana Catarina Mendes, tinha escrito na sua página de Facebook que era “inqualificável” que um ex-primeiro-ministro “difunda um boato com esta gravidade”.


Evidentemente esta anomalia democrática ainda não tinha tido uma palavra para explicar o muito que tem que explicar (  e não explica porque não sente necessidade disso) a gente do PS que governa. Logo que o Passos comete uma gaffe, saem logo de garras afiadas. O sinal é evidente: não têm desculpa pelo que não fizeram. E dão também o sinal de que se criticam assim quem comete uma gaffe, aquilo de que podem e dever ser acusados deveria ser suficiente para se demitirem do Governo. Todos.
Ou não será assim?

Questuber! Mais um escândalo!