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sábado, 10 de junho de 2017

O romancismo histórico dos Freitas do Amaral

Os Freitas do Amaral, pai e filho, deram em romancistas históricos. O Expresso, solícito, foi entrevistá-los a propósito das suas últimas produções literárias, dois livros sobre o tempo de d. Afonso Henriques. Freitas pai é formado em Direito e catedrático do dito. O filho, Domingos, tirou Economia, mas como é muito aborrecido dedicou-se ao estudo diletante da História e agora escreve romances. Nada a opor.

Na entrevista, o pai, perguntado sobre a falta de uma "grande biografia sobre Salazar" alvitrou que ainda não chegou o tempo para tal. É uma opinião mas talvez fosse preferível fazer romances históricos sobre o tempo dos anos de Salazar, com mais matéria documental e testemunhal do que se aventurar no estudo de alfarrábios antigos já escritos por outros e com maior proximidade histórica ao objecto de estudo. Seria bem mais fácil do ponto de visto do rigor histórico. Ou não.
 A propósito da descolonização Freitas do Amaral que é do tempo dela, afirma que Mário Soares teve muito pouca intervenção nesse processo. Diz que foi toda conduzida por militares "que fartos da guerra entregaram em vez de negociar".

Esta aleivosia histórica, este revisionismo bacoco de um catedrático de Direito, antigo governante, não deve passar em claro porque é uma ignomínia, além do mais.

Mário Soares foi um dos principais protagonistas de todo o processo de descolonização e tal começou ainda no tempo da sua oposição ao regime, como o denota esta passagem do Portugal Amordaçado:


Soares defendia então, em 1972 "o fim imediato às guerras coloniais, pela abertura de negociações políticas com os movimentos nacionalistas".

E foi o que fez imediatamente, logo que tomou conta, nos governos em que participou , da pasta da descolonização, da "coordenação inter-territorial", com os seus ajudantes mais próximos, Almeida Santos, Vasco Vieira de Almeida ( o advogado da VdA) e outros.

As suas entrevistas e discursos de 1974 não dizem outra coisa, como o mostram estes recortes do livro de Março de 1975, Mário Soares-Democratização e Descolonização, publicações d. quixote, colecção Participar.

Em entrevista à TV alemã, em Outubro de 1974:


Em entrevista a um jornal tunisino em Dezembro de 1974:






Em entrevista à Capital de 13 de Dezembro de 1974:



Em todas estas declarações públicas Mário Soares é inequívoco: quer descolonizar, entregar os territórios ultramarinos que eram "nossos" aos movimentos nacionalistas e o mais rápido possível e "negociar". Não foram os militares que lideraram tal processo, não foram os militares que conduziram as negociações nem foram os militares que tiveram logo estas ideias brilhantes malgrado o livro de Spínola e eventualmente as ideias de alguns liberais no governo de Marcello Caetano que já para aí apontavam.  Tudo se consumou na pressa, no improviso, na falta de sentido de Estado, particularmente de Mário Soares e os seus ajudantes. Mário Soares foi até a figura de proa de toda esta gesta que envergonha os portugueses e fez revirar no túmulo as ossadas dos antepassados que "passaram ainda além da Taprobana". Um medíocre como estadista e um epicurista como pessoa que cativou hordas de apaniguados que agora lhe pagam os fretes pessoais e políticos.

As declarações avulsas de Mário Soares e dos responsáveis pelos governos provisórios, incluindo deslizes verbais de Spínola, conduziram rapidamente a este estado de coisas, como mostra a Flama de Julho de 1974:


 O espírito que presidia a Mário Soares, desde há vários anos era efectivamente o da entrega dos territórios, após "negociações com os movimentos nacionalistas".

Como foram essas "negociações". Em Janeiro de 1975 apareceram todos os representantes dos "movimentos nacionalistas" no Algarve e reuniram-se no Alvor.  Os negociadores estavam bem identificados:










Quem esteve lá, no final para assinar os acordos? É ver...



O que isto tudo, esta pressa toda em se cumprir o programa da esquerda socialista e comunista ( com a participação dos atoleimados militares do MFA)?

Deu isto que deveria ser previsível para qualquer homem de Estado que o fosse de verdade e soubesse História contemporânea em vez de politiquice para alcançar o poder:


Miséria para todo um povo ao longo de décadas e que ainda não terminou: mortes aos milhares e milhares e retornados em Portugal às centenas de milhar.

É esse o legado da brilhante obra de Mário Soares e dos seus ajudantes de campo nos ministérios da "coordenação inter-territorial".

Uma vergonha inominável, portanto e que este desgraçado Freitas do Amaral que foi apaniguado de Mário Soares, já no socialismo democrático da década de noventa e seguintes ( foi ministro de Sócrates...imagine-se! ) tristemente, agora procura branquear de modo incompreensível.


17 comentários:

Neo disse...

Escreveram o capítulo mais vergonhoso da História de Portugal e este Freitas é um aldrabão.
Tenho ideia que a aproximação dele ao gang soarista se verificou no seguimento da crise Pia, quando esta atingiu catalínicas proporções. Se há nexo de causalidade, confesso que não sei. Pero que las hay, las hay...

Maria disse...

Bando de canalhas, safados, traidores. A pior e mais desprezível escória que Portugal teve a infelicidade de ver nascer no seu solo sagrado.

Quanto aos inúmeros e preciosos artigos da época, que o José em boa hora aqui deixou, são para ler em pormenor e com atenção redobrada.
Após o que hei-de voltar a comentar.

altaia disse...


Um dia aparecerá alguém a dizer porque razão vocês tiveram de fugir é que familiares meus que não retornaram ficaram lá estão bem na vida e ninguém lhes fez mal.
Mas eu sei guardei-vos as costas durante 27 meses e sei a razão.

Adelino Ferreira disse...

O altaia pelos vistos passou para lá do Caxito...

Foi homem que conheceu para além da Mutamba, Mussulo, Bairro de Alvalade, a Ilha, o Bairro Operário, o Prenda (tudo sardinhas minha senhora)
Resumindo: usou óculos à aviador e lenço dobrado de forma triangular para protecção dos "aromas" nas passeatas para lá da Fazenda Tentativa.

muja disse...

Pois imagino que estejam.

O fala-barato que aqui anda também está bem na vida, até dá esmola de dólar às pretas de N.S. da Muxima.

muja disse...

O altaia sabe muito mas não diz nada.

Com certeza tem medo que a PIDE o apanhe...

Adelino Ferreira disse...

Aí ué aí ué aí ué.

lusitânea disse...

A rapaziada que entregou tudo o que tinha preto e não era nosso agora só pensa em nacionalizar os pretos que passem por cá e por nossa conta. Mandam ainda tropas para África como se houvesse o mais ligeiríssimo "interesse nacional" em fazê-lo...
Vão ser décadas de suor e lágrimas que um dia desabarão sobre todos...

Joaquim Pereira disse...

Plenamente de acordo, o cara de bolacha não passa de um bandalho.

lusitânea disse...

MAS BANDALHO SEMPRE PAGO ACIMA DA MÉDIA...

Floribundus disse...

agora ignoram os retornados à Madeira

se leio mais vomito o pequeno-almoço

altaia disse...


Um dia ainda vou interceder ao Papaxico para vos canonizar,vocês merecem.

lusitânea disse...

Este altaia é um machão.Quando apalpa os tomates encontra dois pares.Uns brancos e outros pretos...

Ricciardi disse...

Freitas não diz mentira alguma. Soares de facto entregou as colónias. Podia te-lo feito protegendo os interesses dos portugueses que la viviam e nasceram?
Não. Essa possibilidade existiu antes da revolução. Se Salazar é Marcelo tivessem tido o rasgo de iniciar uma processo de transição pacífico. Mas não. Recorreram à força militar.
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Soares não tinha margem de manobra. Não eram só os militares que estavam fartos. O povo estava fartinho.
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Soares fez o que pôde em face das circunstâncias.
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O povo já o julgou. Ao que parece julgou-o com enorme estima e consideração. Ganhou eleições legislativas e presidenciais o que prova, se dívidas houvera, que o povo não sentiu que Soares tivesse podido fazer melhor.
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Na verdade, o povo agradeceu-lhe ter posto um ponto final na infâmia que levou este Portugal a subjugar pela força um povo irmão.
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Foi mau. Foi. Se Portugal tivesse tido gentes mais liberais e menos autoritárias não teríamos retornados.
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A bem tudo se consegue. A mal consegue-se enquanto subjaz força.
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Rb

zazie disse...

Vê lá não tropeces no Povo Irmão da Palestina subjugado pelos irmões em colonatos.

muja disse...

Ó pra eles, os liberalérrimos:

https://www.youtube.com/watch?v=tvBH671uoDE

Aninho e meio de pena suspensa e despromoção a soldado.

Os portugas, esses malvados, atrasados, não sabiam era empregar assim a liberalidade assim, a bem, que é como tudo se consegue.

Faltaram os Rbs e os altaias deste mundo, para mostrarem como se faz. O que vale é que, se nos metermos noutra, já temos exemplo de como prosseguir. Liberalmente. A bem.

zazie disse...

Ai, c'horror, que infâmia!